quinta-feira, 31 de maio de 2018

Grupo dos 6 (10ª sessão) : grandes tintos de 2007 e raridades de excepção

Mais uma sessão deste grupo de enófilos, desfalcado de um dos seus elementos. Desta vez aterrámos na Enoteca de Belém que, embora sem as presenças do Ricardo na cozinha e do Nelson na sala, continua num patamar alto quanto às iguarias e ao serviço de vinhos.
Desfilaram:
.Covela Escolha 2014 (levado pelo João) - com base nas castas Avesso e Chardonnay; nariz exuberante, presença de citrinos e maçãs, boa acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca médios (13 % vol.). Uma boa surpresa com uma boa relação preço/qualidade. Nota 17,5.
.Covela Reserva 2014 (levado por mim) - com base nas castas Avesso, Chardonnay e Arinto, estagiou em barricas de carvalho francês; nariz austero, fruta fresca, belíssima acidez, especiado e complexo, fino e elegante, algum volume e final de boca persistente (13,5 % vol.). Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam ceviche de atum, presunto de pato e lascas de bacalhau com puré de alho francês.
.Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco 2007 (da garrafeira do Frederico) - aroma intenso, sabores terciários, bela acidez, fino e elegante, algo especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente. Álcool contido (13 % vol.). A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18,5.
.Vinha da Ponte 2007 (da garrafeira do J. Rosa) - nariz discreto, alguma fruta e acidez, especiado e complexo, taninos de veludo, grande volume e final de boca assinalável. Álcool excessivo (15,5 % vol.). A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos harmonizaram com lombinho de porco confitado e legumes teriyaki.
.Burmester Rio Torto 1900 (da garrafeira do Adelino, tal como o Madeira que se indica a seguir) - cor límpida e brilhante, nariz positivo, frutos secos, grande frescura, taninos civilizados, estruturado e final de boca muito longo. Fino e elegante, uma preciosidade. Nota 19.
.Artur Barros e Sousa V V lote Bual e Malvasia - com cerca de 80 anos, frutos secos, notas de caril e brandy, vinagrinho, especiarias, algum volume e final de boca interminável. Outra preciosidade. Nota 18,5+.
Estes 2 fortificados acompanharam uma tábua de queijos, crumble de abóbora e fruta laminada.
Mais uma grande sessão deste grupo de privilegiados com acesso a autênticas raridades saídas da garrafeira do Adelino.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Curtas (XCIX) : Bairradão, Hello Summer, Brut Experience e Prova-Enoteca

1.Rescaldo do Bairradão
Terminada esta 5ª edição do Bairradão, resultante de um trabalho hercúleo dos proprietários e animadores da Garrafeira Néctar das Avenidas (Sara e João Quintela), resta-me dizer que dos 32 brancos por mim provados, destaco em primeiríssimo lugar o Encontro 1 2013, um grande vinho construído pelo enólogo Osvaldo Amado.
Ainda em 1º plano, O Fugitivo Vinhas Centenárias 2016, Frei João Clássico 2015, Casa de Saima Garrafeira 2015, Giz Vinhas Velhas 2016, Ataíde Semedo Reserva 2017, Pai Abel 2015 e Campolargo Verdelho Barricas 2014.
Logo a seguir, Caminhos Cruzados Family Edition 2015, M Marquês Marialva Grande Reserva Arinto 2014, Casa de Saima Vinhas Velhas 2017, Aequinotium Grande Reserva 2014, Kompassus Verdelho 2015, Qtª Bageiras Garrafeira 2016, Regateiro Reserva 2016, Vadio 2016, Bical De Sempre 2015, Sidónio Sousa Reserva 2016 e M.O.B. 2016.
E, para o ano, há mais. Assim o espero.
2.Hello Summer Wine Party (4ª edição)
Organizado pela revista Paixão pelo Vinho, este evento decorrerá nos jardins do Lisbon Marriott Hotel, das 17 às 23 h do dia 8 de Junho, podendo ser degustados mais de 200 vinhos. Estão, ainda, previstas 3 Provas Especiais.
3.Brut Experience (1ª edição)
Com organização de Luís Gradíssimo (blogue Avinhar) e do jornalista José Miguel Dentinho, vai decorrer uma prova alargada de espumantes no Lisbon Marriott Hotel, no dia 16 de Junho, entre as 15 e as 20 h.
Mais informações em www.brutexperience.pt.
4.Prova-Enoteca (R. Duarte Pacheco Pereira,9 Restelo)
Aberta há bem pouco tempo, nesta enoteca e loja gourmet pode-se petiscar, mas também fazer uma refeição ligeira. A oferta em vinhos não é muito extensa (cerca de 80 referências), mas criteriosa (já lá comprei, por exemplo, uma garrafa do Conceito Ontem, nada fácil de encontrar). Foi constituída com o apoio do escanção Manuel Moreira, uma mais valia.
A componente loja gourmet é francamente apetecível. Já lá comprei uma belíssima codorniz em escabeche (Bela Cozinha) e conservas de cavala e de carapaus, em frasco de vidro (Saboreal). Para os indefectíveis das ditas, há ostras fresquíssimas. Etc...
Recomendo, vivamente!

domingo, 27 de maio de 2018

Grupo FJF (1ª sessão) : a voz aos brancos

Esta foi a 1ª sessão deste conjunto de amigos que se auto denominaram Grupo F (Frederico Oom) J (João Quintela) F (Francisco, eu próprio). O repasto decorreu no Magano e o tema foi "vinhos brancos originais e pouco ou nada vistos", proposta do Frederico e com brancos da sua garrafeira.
Desfilaram:
.5ª de Mahler 2000 (12,5 % vol.) - já referido por mim em "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónica publicada em 1/2/2018. Continua em grande forma. Nota 18.
.Qtª Carvalhais Branco Especial (14 % vol.) - com base nas castas Encruzado, Gouveio e Sémillon, com 10 anos de barrica, foi engarrafado em 2017; nariz contido, alguma frescura, frutos secos, acidez e notas amanteigadas, complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
.Villa Oliveira 1ª Edição Lote 2010-2015 (13 % vol.) - garrafa nº 11/1610; com base na casta Encruzado e outras em vinhas velhas; nariz intenso, presença de citrinos e fruta madura, belíssima acidez, algum volume e final de boca persistente. Fresco, complexo e elegante, está num patamar muito alto. Nota 18,5.
Para além das habituais virtualhas, estes brancos foram servidos com um saboroso pargo no forno.
Provámos, também, por simpatia do dono do Magano:
.Barão de Villar Kaputt 1ª Edição (13 % vol.) - enologia de Álvaro van Zeller; com base nas castas Dona Branca, Gouveio e Donzelinho em vinhas velhas, estagiou 6 anos em barricas usadas, 2 em cuba e 19 meses em garrafa; maioritariamente da colheita 2008, loteada com vinhos de 2009, 2010, 2013 e 2015. Original e muito interessante.
E, ainda, sobras de um vinho bebido na véspera pelo João, que nos pareceu um branco muitíssimo velho ou, mesmo, um tawny. Afinal era um tinto, o Garrafeira CB (Cova da Beira) 1973 da José Maria da Fonseca! Ele há coisas...
A fechar, com a tradicional tarte de amêndoas:
.Moscatel JP Vinhos 1989 (levado pelo João) - aroma intenso, presença de laranja e tangerina, bela acidez, volume e final médios. Fino e elegante. Nota 17,5.
Resumindo e concluindo, foi uma curiosa e didáctica sessão com brancos pouco ou nada vistos. Obrigado, Frederico!


.........................EM CONSTRUÇÃO............................................

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (VIII) : o Palace Hotel do Buçaco

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11.Palace Hotel do Buçaco
Foi onde almoçámos no último dia e a grande desilusão desta jornada. Este requintado e histórico hotel que vem ainda do século XIX merecia um restaurante melhor, não só na componente gastronómica, mas também na vínica. Um hotel de 5 * tem a obrigação de ter uma cozinha e um serviço de sala irrepreensíveis, mas, lamentavelmente, está muito longe disso.
Mesas muito bem aparelhadas, mas apenas com pão e manteiga que se podem encontrar em qualquer modesto espaço de restauração.
Com o grupo já espalhado por diversas mesas, avançaram:
.Buçaco Reservado 2015 branco - com base nas castas Bical, Maria Gomes (da Bairrada) e Encruzado (do Dão); nariz intenso, presença de citrinos e fruta madura, bela acidez, notas amanteigadas, bem estruturado e final de boca assinalável. Grande branco, muito original e pleno de personalidade. Nota 17,5+.
Fez-se acompanhar por uma banal quiche de legumes. Merecia melhor!
.Buçaco Reservado 2013 tinto - com base nas castas Baga (Bairrada) e Touriga Nacional (Dão); nariz exuberante, muita fruta vermelha, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca persistente. Está ainda muito novo e pode ser bebido daqui a 15/20 anos. Nota 18.
Estas notas de prova referem-se a uma 2ª garrafa, pedida por mim, pois a 1ª estava à temperatura ambiente, ou seja, quente, com o álcool a sobrepor-se. Esclareça-se que a garrafa foi trocada, mas o chefe de sala fê-lo contrariado, pois acha que o vinho tinto não deve ser servido à temperatura correcta (16 a 18º).
Como companhia foi servido pargo (mal) assado com legumes.
Cartão amarelo ao Hotel do Buçaco!
Salvou-se a sobremesa, bolo de chocolate com gelado de tangerina.
Estava prevista uma visita às caves e relíquias vínicas do Buçaco, mas o hotel não se disponibilizou, com a desculpa esfarrapada que não tinha ninguém para nos acompanhar, o que lhe valeu uma reclamação escrita por parte da Tryvel.
Por meu lado, novo cartão amarelo e um vermelho, por acumulação de cartões!
Para terminar, não resisto a mencionar um livro do saudoso José A. Salvador, publicado em 1993 com o título "Roteiro de Vinhos da Bairrada", em cujo primeiro capítulo "Bussaco, a Catedral da Bairrada" escreveu "(...) A cave do Palace Hotel do Bussaco é um autêntico templo báquico, onde sobressai o rigor do cerimonial enófilo ditado por mestre José dos Santos. Director do hotel (...) é autor e educador dos melhores vinhos brancos e tintos desta região, que consagram esta casa, situada no coração da mata do Bussaco, como a verdadeira catedral da Bairrada (...)".
Fim dos meus serviços...

terça-feira, 22 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (VII) : Qtª das Bageiras e Caves São Domingos

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9.Qtª das Bageiras
Na manhã do último dia desta viagem tivemos a oportunidade de visitar a Qtª das Bageiras, na Fogueira e bem perto do restaurante Mugasa, onde fomos recebidos pelo produtor Mário Sérgio Nuno, talvez aquele que melhor simboliza a Bairrada clássica. Ele intitula-se um "vigneron", ou seja, um viniviticultor que só trabalha com vinhas próprias.
O Mário Sérgio, que eu conheço há mais de 20 anos, pertence ao grupo dos "Baga Friends", protagonizado pelos grandes defensores da casta Baga, e foi nomeado "Produtor do Ano" pela Revista de Vinhos (em 2012) e pela Wine (em 2014). Mais, no 10 de Junho de 2014, foi-lhe atribuída pelo Presidente da República a "Ordem do Mérito Empresarial (Classe Mérito Agrícola)".
Entre as diversas crónicas publicadas neste blogue e em que ele é citado, destaco a dedicada ao "Jantar Qtª das Bageiras", publicada em 12/6/2014.
Mas, voltando à nossa visita, é de referir mais uma lição sobre os espumantes, por parte do Mário Sérgio, grande defensor do bruto natural (zero de açúcar), e uma prova de 3 vinhos, em copos Riedel borgonheses:
.Qtª das Bageiras Bruto Natural Rosé 2015 (100 % Baga)
.Avô Fausto 2016 branco
.Pai Abel 2015 branco (o topo de gama em brancos)
No final da visita, ainda fomos obsequiados com uma garrafa do excelente vinagre gourmet Qtª das Bageiras, elaborado a partir de bons vinhos.
Obrigado Mário Sérgio, pela parte que me toca!
10.Caves São Domingos
Esta foi a última visita do grupo que, inicialmente, não estava prevista (o  almoço no Buçaco fica para uma próxima e última crónica). Fomos recebidos pelo director comercial, Alexandrino Amorim de seu nome, pertencendo via matrimonial à família dos proprietários.
A começar, mais uma lição sobre espumantes (aqui faltou alguma coordenação, por parte da organização), visita à adega e prova orientada de alguns vinhos das Caves São Domingos, acompanhados por conservas e Amores da Curia (bolo regional):
.espumante Elpídio 1980
.espumante Lopo de Freitas 2012
.Volúpia 2017 branco
.São Domingos Grande Escolha 2011 tinto
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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (VI) : Restaurante Vidal

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8.Restaurante Vidal (Aguada de Cima, Águeda Sul)
Foi neste clássico da Bairrada que fizemos a nossa 3ª refeição de leitão, em sala reservada para o efeito. O dono, José Vidal de seu nome, apareceu no final do repasto e ainda nos fez companhia.
Nas mesas toalhas e guardanapos de pano e, para trincar, salgados, queijos e enchidos.
Antes de chegar a entrada (miúdos de leitão estufados), foi correctamente servido o espumante da casa, cujo produtor engarrafador aparece apenas com um nº de código (houve quem afirmasse que era das Caves São João, mas não consegui confirmar). Penso que é um espumante de entrada de gama, simples e correcto, com alguma acidez, frescura e bolha fina, a cumprir bem a sua missão.
Entretanto apareceu o indispensável leitão, acompanhado com batata frita, salada e laranja cortada, muito bom, mas sem ultrapassar o do Mugasa. A pedido de alguém, tive a oportunidade de provar uma garrafa do tinto Frei João 2011, num bom momento de forma.
Como sobremesa, comi uma belíssima salada de frutas, feita na hora, uma mais valia (na maioria dos restaurantes servem-nas já feitas há alguns dias, super geladas e sem qualquer sabor).
Ao longo das paredes, podem ler-se uma série de críticas abonatórias do restaurante, destacando eu a do José Quitério e a do saudoso David Lopes Ramos.
Como curiosidade, o portal www.aveirolovers.pt/leitao-a-bairrada refere o resultado de uma votação entre os seguidores do respectivo face book, sendo os 3 primeiros a Casa Vidal, a Casa dos Leitões e o Mugasa, tendo o gestor do portal acrescentado o Rei dos Leitões. Bingo!
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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (V) : Caves São João

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7.Caves São João
Na visita às Caves São João, empresa familiar fundada em 1920 e a mais antiga na Bairrada, à beira de comemorar o seu 100º aniversário, fomos recebidos e acompanhados pela Célia Alves, a sua face mais visível e uma mulher de armas. Para além de responsável pelas áreas comercial e marketing dá, ainda, uma mão na enologia, tendo sido designada recentemente presidente da Confraria dos Enófilos da Bairrada, cargo nunca antes atribuído a uma mulher. Está, pois, de parabéns!
Nas galerias subterrâneas, repousam milhares e milhares de garrafas, das diversas marcas detidas pelas Caves (Frei João, Porta dos Cavaleiros, São João e Qtª Poço dos Lobos), cobrindo as Regiões da Bairrada e do Dão. A título de curiosidade, a colheita mais antiga de vinho tinto é de 1959 e a de branco remonta a 1966.
No decorrer da visita, tivemos a oportunidade de provar:
.Espumante Poço do Lobo Baga Bairrada 2015 (com 22 meses de estágio, bolha fina, fresco e elegante, notas de pão cozido)
.São João Lote Especial 2014 branco (com base nas castas Maria Gomes, Chardonnay e Sauvignon Blanc; citrinos e maçãs, boa acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca)
.São João Lote Especial 2014 tinto (com base nas castas Baga, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon, estagiou 6 meses em barricas de carvalho; nariz discreto, muita fruta vermelha, acidez equilibrada, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca médios)
.Qtª Poço dos Lobos Reserva Cabernet Sauvignon 1996 (ainda com alguma fruta, notas herbáceas, taninos rugosos, volume e final de boca médios, ainda longe da reforma)
Fora da prova, numa mesa ao lado, estavam algumas sobras de uma outra degustação ocorrida horas antes. É claro que não desperdicei a oportunidade de provar estas preciosidades, que passaram ao lado da maior parte do grupo:
.Porta dos Cavaleiros Reserva 1985 branco (oxidação nobre, acidez impressionante, volume notável e grande complexidade; um branco com mais de 30 anos, cheio de personalidade!)
.Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1984 branco (ainda cheio de saúde e frescura, longe da reforma, com um perfil semelhante mas sem a complexidade do vinho anterior)
.Poço do Lobo Arinto 1995 branco (algo oxidado, belíssima acidez, notas amanteigadas, algum volume e final seco).
.Frei João Reserva 1980 tinto (evolução nobre, aromas e sabores terciários, fino e elegante; pura souplesse, a deste vinho com quase 40 anos).
Só para provar estas relíquias, valeu a pena vir à Bairrada. Obrigado, Célia!
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terça-feira, 15 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (IV) : Caves Aliança e Mugasa

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5.Caves Aliança
Começámos por visitar a Aliança Underground Museum, inaugurada em 2010, onde estão alojadas as diversas colecções do Joe Berardo. Pasmo como é que este senhor, envolvido em várias polémicas, conseguiu coleccionar tantas obras de arte, algumas das quais que devem ter custado um balúrdio. Mistérios insondáveis do Comendador...
Polémicas àparte, este museu enterrado, com mais de 1 km de galerias subterrâneas, merece uma visita às suas 8 colecções (Arqueológica, Arte Etnográfica Africana, Escultura Contemporânea do Zimbabué, Minerais, Fósseis, Estanhos, Azulejos e Cerâmica das Caldas), sendo uma delas (Arqueológica?) património mundial da Unesco.
A visita foi conduzida pela Joana Castilho, responsável pelo enoturismo, que ainda dissertou sobre o mundo dos espumantes (foi a 2ª explicação sobre esta matéria, tendo sido a 1ª feita pelo Osvaldo Amado).
Acabada a visita, passámos para as mãos do Francisco Antunes, enólogo das Caves Aliança, que conduziu uma prova com pedagogia e uma voz bem colocada a sobrepor-se ao barulho de um outro grupo, mesmo ali ao nosso lado.
Vinhos Aliança provados:
.espumante Baga Bairrada Reserva Bruto 2015
.branco Bairrada Reserva 2016, com Maria Gomes e Bical (50 % cada)
.tinto Bairrada Reserva 2016, com Baga (70 %), Tinta Roriz (15 %) e Touriga Nacional (15 %)
O nosso agradecimento ao Francisco Antunes que fez um louvável esforço para estar presente, apesar de compromissos profissionais que o poderiam ter impedido de comparecer.
6.Mugasa
Este restaurante é um dos clássicos da Bairrada, embora situado fora do eixo habitual. Fica na Fogueira, paredes meias com a Qtª das Bageiras.
Toalhas de pano, guardanapos de papel, pratos Vista Alegre personalizados, copos aceitáveis e TV ligada (não havia necessidade). Na parede um curioso quadro alusivo ao leitão e ao espumante, assinado por Virgílio Metrogos, um pintor regional.  Na mesa pão, azeitonas, salgados diversos,...
Ainda sem o vinho chegar às mesas, avançou um agradável prato de arroz de miúdos de leitão.
Finalmente chegaram os vinhos, um obrigatório espumante Qtª do Valdoeiro Baga e Chardonnay e um branco Qtª do Valdoeiro 2016, a pedido de um participante avesso a borbulhas - nariz afirmativo, presença de citrinos, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca assinalável. Uma boa surpresa, a harmonizar muito bem com o leitão. Nota 17.
Um dos donos, Ricardo Nogueira de seu nome e cortador afamado, apareceu com 3 fabulosos leitões acabados de saír do forno e, mesmo ali, trinchados à nossa frente. Vieram para a mesa com salada de alface, batatas fritas e cozidas. Uma delícia (depois de uma refeição desastrosa há já alguns anos, pazes feitas com o Mugasa!). Por votação do grupo (e minha também), no final da viagem, o Mugasa iria vencer o concurso do melhor leitão, em confronto com o Rei dos Leitões e o Vidal.
Nos finalmentes, arroz doce, aletria pudim flan e fruta laminada.
À saída, reparei que num dos frigoríficos, repletos de espumantes, lá poisavam algumas garrafas do famigerado vinho azul (ver a minha crónica ""Vinho azul" : no melhor pano cai a nódoa", publicada em 3/10/2017). Não havia necessidade...
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sábado, 12 de maio de 2018

Vinhos em família (LXXXVIII) : 2 brancos do Tomaz Vieira da Cruz e 2 tintos de 2011

Interrompo hoje a série dedicada ao Enoturismo na Bairrada, para debitar algo sobre 4 vinhos que já bebi há algum tempo, em família e com os rótulos à vista, sem a pressão da prova cega. E eles são:
.Mouchão 2011 - 95 pontos no Parker; com base na casta Alicante Bouschet loteada com a Trincadeira, estagiou 24 meses em tonéis de 5000 litros e outro tanto em garrafa; ainda com fruta vermelha, fresco e elegante, acidez no ponto, algo especiado, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Tem tudo no sítio, mas falta-lhe alma. Nota 17,5 (noutra situação 18).
.Pintas Character 2011 - 94 pontos na Wine Spectator de 22/1/2014; com base em vinhas velhas, foi vinificado em lagar com pisa a pé e engarrafado em 2013; ainda com fruta preta, alguma acidez e especiarias, notas fumadas, taninos presentes mas educados, potência de boca e final extenso. Nota 18.
.Terra Larga 2013 (3150 garrafas;12,5 % vol.) - enologia do Tomaz Vieira da Cruz (TVC), um surpreendente criador de vinhos contra a corrente, a começar por pôr na rolha informação que é normal vir no contra-rótulo, como é o caso da data de engarrafamento (21/5/2014) e das castas que compõem o vinho (Fernão Pires, Arinto, Sémillon e Alvarinho); cor palha dourada, aroma contido, citrinos e fruta madura, oxidação nobre, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume assinalável e final de boca médio/curto. Gastronómico. Nota 17,5.
Posto no mercado apenas em Julho 2017, fico com a idéia que foi "envelhecido" propositadamente para ficar com um perfil parecido com o surpreendente 5ª de Mahler 2000, já aqui referido em "À volta da casta Fernão Pires (1ª parte : a prova didáctica)" e "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónicas publicadas em 3/4/2018 e 1/2/2018, respectivamente.
Mais, diz o contra-rótulo que "(...) Para saber as castas que o compõem, saque a rolha e divirta-se tanto a bebê-lo como nós nos divertimos a fazê-lo e a guardá-lo para o beber no momento certo. Haja saúde!".
.Areias Gordas 2015 (12 % vol.) - com base nas castas Sémillon e Alvarinho; nariz austero, fruta madura, notas florais, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico e, talvez, o branco menos irreverente do TVC. A voltar a provar daqui a alguns anos. Rolha, desta vez, anónima. Nota 16,5 (noutra situação 17).

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (III) : Museu do Vinho, Dóri e Curia Palace

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3.Museu do Vinho da Bairrada
O grupo foi recebido pelo director deste museu, inaugurado em 2003 e tutelado pela Câmara Municipal de Anadia, que fez uma interessante e oportuna visita guiada à exposição permanente intitulada "Percursos do Vinho" e, ainda, à exposição temporária sobre a obra do pintor Júlio Resende (1917-2011).
Numa das paredes, citando o Decreto-Lei nº 301/2003 de 4 de Dezembro, consta como uma das castas autorizadas na Bairrada a Fernão Pires, cujo sinónimo nesta Região é a Maria Gomes que foi ignorada pelo escriba da lei, sabe-se lá porquê.
4.Restaurante Dóri
Fica na Costa Nova e é muito conhecido pela sua oferta de peixe e marisco. Com uma bela vista sobre a ria, nas mesas toalhas e guardanapos de pano, copos Schott Zwiesel, pão, azeitonas e patés industriais.
Chegaram aos nossos pratos:
.camarões grelhados, choco e lulinhas fritas
.peixes fritos com arroz de lingueirão (bem servido, mas com pouco sabor)
.peixe com massinha
.ovos moles e fruta fatiada
Resumindo, uma boa oferta mas algo desequilibrada, com excesso de fritos
Tudo isto com a companhia do branco Qtª das Bageiras 2017 (a mim coube-me a garrafa nº 877 de 16025) - com base nas castas Maria Gomes, Bical e Cerceal; muito simples, correcto e frutado, notas cítricas, acidez no ponto, volume médio e final curto. Nota 15,5.
5.Curia Palace Hotel
É um hotel de 4* inaugurado em 1926 e remodelado recentemente, embora os quartos continuem a ser demasiado antiquados. Ainda se respira história por aqui...
No entanto, as partes comuns medernizaram-se, pois possui piscina exterior, SPA e golfe.
A gastronomia e o serviço não foram testados, pois não fizemos ali nenhuma das refeições principais. O pequeno almoço, esse, era francamente bom.
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terça-feira, 8 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (II) : o Rei dos Leitões e a Qtª do Encontro

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1.O Rei dos Leitões
O 1º momento desta viagem enoturística foi a paragem no Rei dos Leitões (Av. da Restauração, Mealhada), bem no centro da Bairrada. Propriedade do casal Licínia Ferreira e Paulo Rodrigues, que nos receberam, o restaurante foi remodelado há pouco tempo e galardoado com um "Garfo de Ouro" pelo Guia Boa Cama Boa Mesa, distinguindo-se pela sua cozinha de grande qualidade, para além do tradicional leitão, serviço e garrafeira. A gastronomia está a cargo do Carlos Fernandes, chefe que veio da Global Wines.
O almoço do grupo decorreu numa sala reservada, inaugurada há apenas 2 anos. Nas mesas pratos Vista Alegre personalizados, pão, azeite, queijos, rissóis, presunto, sapateira, etc, para entreter o palato, enquanto não chegava o leitão (bom, abundante e bem confeccionado). Fez-se acompanhar pelo espumante São João Reserva Bruto 2015 - discreto, fresco, agradável e com a bolha fina, a cumprir bem a sua missão.
A fechar, um bufete de sobremesas (Morgado do Buçaco com gelado de nozes, queijo e fruta), explicado pela chefe pasteleira, dita "doceira do Rei".
Serviço de qualidade, sendo de salientar o facto de o empregado ter calçado luvas brancas para colocar na mesa os talheres para a sobremesa.
2.A Qtª do Encontro
A belíssima adega da Qtª do Encontro, pertença da Global Wines (ex-Dão Sul), foi projectada pelo arquitecto Pedro Mateus e é uma referência, não só na Bairrada, como também no país.
A prova de vinhos e a visita ficaram a cargo, mais uma vez, do enólogo Osvaldo Amado, que já estivera connosco no Dão (e comigo num jantar vínico, relatado na crónica "Jantar Osvaldo Amado", publicada em 24/4).
Com um discurso muito didáctico, apresentou 5 vinhos em bons copos Schott: Qtª do Encontro Bical 2017 (nota 16), Encontro 1 2013 (100% Arinto, nota 17,5+), Qtª do Encontro Merlot Baga 2014 (nota 16,5), Qtª do Encontro Preto e Branco 2014 (40 % Baga, 40 % TN e 20% Bical, nota 17+) e Qtª do Encontro Baga 2012 (amostra de casco, nota 18).
Foi uma boa sessão com um prestigiado enólogo, sempre disponível e simpático com toda a gente.
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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Enoturismo na Bairrada (I) : Introdução

Foi mais uma boa incursão enoturística, desta vez na Região Demarcada da Bairrada, depois de termos visitado outras Regiões (ver "Enoturismo no Dão", a 1ª de uma série de crónicas, publicada em 8/10/2016, "Enoturismo no Douro", a 1ª em 14/4/2017, e "Enoturismo no Minho", a 1ª em 15/10/2017). Previstas, ainda em 2018, viagens à Madeira e a Bordéus, com a mesma temática.
Estas incursões foram da responsabilidade da dupla Rui Nobre (o representante da agência Tryvel) e a Maria João de Almeida (MJA) (jornalista, crítica de vinhos, autora do livro "Guia do Enoturismo em Portugal" * e a animadora no terreno). Remeto para este livro da MJA, o desenvolvimento das histórias de cada produtor e demais informações úteis.
Num fim de semana alargado, tivemos a oportunidade de visitar a Qtª do Encontro, Qtª das Bageiras, Caves Aliança, Caves São João, Caves São Domingos e o Museu do Vinho, almoçar no Rei dos Leitões, no Mugasa e no Hotel Palace Buçaco, jantar no Dori (Costa Nova) e no Vidal, pernoitar e tomar o pequeno almoço no Hotel Curia Palace.
Provámos, no decorrer desta viagem  8 espumantes, 7 vinhos brancos e 6 tintos, e bebemos nas refeições mais 3 espumantes, 3 brancos e 3 tintos, num total de 29 vinhos provados/bebidos. Foi a ditadura do leitão e do espumante. Mas, ditaduras destas, podem vir mais!
Como balanço da viagem, posso dizer que correu tudo às mil maravilhas, com excepção do almoço no Buçaco, para esquecer. Em próximas crónicas, que poderão não ser consecutivas, desenvolverei as minhas impressões sobre os locais visitados.

* A MJA acabou de lançar mais um livro, "Vinho à Mesa - Treze Chefes, Treze Regiões, 265 Vinhos", com prefácios de Duarte Calvão (jornalista, crítico gastronómico e responsável pelo Peixe em Lisboa) e Frederico Falcão (enólogo de profissão, actualmente Presidente do IVV).
A ligação Chefe - Região foi sorteada, apresentando cada um deles um menu (uma entrada, dois pratos principais e uma sobremesa) e respectivas receitas, harmonizando-o com vinhos, escolhidos a partir de uma selecção da responsabilidade da autora.
O final de cada capítulo é ilustrado com uma humorada e descontraida banda desenhada alusiva aos temas ali tratados.
Resta dizer que já o li e o recomendo vivamente.
continua...

terça-feira, 1 de maio de 2018

Abril 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 24 crónicas publicadas em Abril 2010, destaco:
."O grupo dos 3. Nova jornada.", em 8/4
Esta jornada decorreu no restaurante principal do Corte Inglês, com vinhos da garrafeira do João Quintela. Entre outros vinhos provados, nota alta para o Qtª dos Roques Touriga Nacional 2005 e o Bual 1920 da Blandy's.
."Partilhar os meus vinhos com os amigos", em 12/4
Entre outros néctares de grande qualidade, destaque para o branco Soalheiro Alvarinho Reserva 2007, o tinto Niepoort Robustus 2004, o Madeira FEM Verdelho Muito Velho e o Moscatel Roxo Superior 1971. Esta crónica, na altura, provocou alguns comentários "invejosos", como foi o caso dos meus amigos Rui Miguel Massa (blogue Pingas no Copo) e Nuno Garcia (blogue Saca a Rolha).
."Críticos e divulgadores de vinhos", em 20/4
Nesta crónica referi o saudoso José António Salvador e o João Paulo Martins (JPM), os críticos e divulgadores mais antigos, com uma série de guias e outras obras publicadas. Mas, também, o Rui Falcão que considerei estar na linha sucessória do JPM, e ainda os blogues acima referidos, o Pingas no Copo e o Saca a Rolha.
Se fosse hoje, acrescentaria a Maria João de Almeida, o Pedro Garcias e o Manuel Carvalho.
."Nova jornada do grupo dos 3+4", em 23/4
Foi uma prova fabulosa, com vinhos do amigo e enófilo Raul Matos, que pôs à prova topos de gama da Qtª do Crasto (2 Maria Teresa e 4 Vinha da Ponte), com o Maria Teresa 2005 a bater a "concorrência" fraterna. E ainda houve espaço para se provar 2 fortificados, destacando-se o Qtª do Noval Colheita 1971.
."As Horas do Douro", em 30/4
Nesta crónica refiro a estreia, na Culturgest e no âmbito do 7º Festival Internacional de Cinema Independente, do filme "As Horas Do Douro", com realização da cineasta Joana Pontes e argumento do sociólogo António Barreto (cliente das Coisas do Arco do Vinho e autor do prefácio da brochura comemorativa do 10º aniversário daquela garrafeira).