sábado, 12 de maio de 2018

Vinhos em família (LXXXVIII) : 2 brancos do Tomaz Vieira da Cruz e 2 tintos de 2011

Interrompo hoje a série dedicada ao Enoturismo na Bairrada, para debitar algo sobre 4 vinhos que já bebi há algum tempo, em família e com os rótulos à vista, sem a pressão da prova cega. E eles são:
.Mouchão 2011 - 95 pontos no Parker; com base na casta Alicante Bouschet loteada com a Trincadeira, estagiou 24 meses em tonéis de 5000 litros e outro tanto em garrafa; ainda com fruta vermelha, fresco e elegante, acidez no ponto, algo especiado, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Tem tudo no sítio, mas falta-lhe alma. Nota 17,5 (noutra situação 18).
.Pintas Character 2011 - 94 pontos na Wine Spectator de 22/1/2014; com base em vinhas velhas, foi vinificado em lagar com pisa a pé e engarrafado em 2013; ainda com fruta preta, alguma acidez e especiarias, notas fumadas, taninos presentes mas educados, potência de boca e final extenso. Nota 18.
.Terra Larga 2013 (3150 garrafas;12,5 % vol.) - enologia do Tomaz Vieira da Cruz (TVC), um surpreendente criador de vinhos contra a corrente, a começar por pôr na rolha informação que é normal vir no contra-rótulo, como é o caso da data de engarrafamento (21/5/2014) e das castas que compõem o vinho (Fernão Pires, Arinto, Sémillon e Alvarinho); cor palha dourada, aroma contido, citrinos e fruta madura, oxidação nobre, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume assinalável e final de boca médio/curto. Gastronómico. Nota 17,5.
Posto no mercado apenas em Julho 2017, fico com a idéia que foi "envelhecido" propositadamente para ficar com um perfil parecido com o surpreendente 5ª de Mahler 2000, já aqui referido em "À volta da casta Fernão Pires (1ª parte : a prova didáctica)" e "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónicas publicadas em 3/4/2018 e 1/2/2018, respectivamente.
Mais, diz o contra-rótulo que "(...) Para saber as castas que o compõem, saque a rolha e divirta-se tanto a bebê-lo como nós nos divertimos a fazê-lo e a guardá-lo para o beber no momento certo. Haja saúde!".
.Areias Gordas 2015 (12 % vol.) - com base nas castas Sémillon e Alvarinho; nariz austero, fruta madura, notas florais, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico e, talvez, o branco menos irreverente do TVC. A voltar a provar daqui a alguns anos. Rolha, desta vez, anónima. Nota 16,5 (noutra situação 17).

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