quinta-feira, 14 de junho de 2018

Jantar Herdade do Esporão

Com organização da Garrafeira Néctar das Avenidas, decorreu no restaurante Sem Dúvida (R. Elias Garcia) mais um jantar, desta vez com vinhos da Herdade do Esporão, apresentados pela enóloga Ana Alves. Tenho com o Esporão uma relação afectiva, pois foi com este produtor que as Coisas do Arco do Vinho sairam pela 1ª vez do seu espaço de conforto, "A Commenda", no CCB, para outras paragens, concretamente para o Terreiro do Paço, restaurante a cargo da saudosa Júlia Vinagre. Foi um autêntico êxito, com a lotação completamente esgotada!
Mas voltando ao tema desta crónica, este jantar no Sem Dúvida não podia ter corrido melhor. Gastronomia de qualidade, bons copos, temperaturas adequadas, bom ritmo no serviço de sala (só abrandou no final), muito graças ao trabalho da Vanessa Gonçalves, é justo dizer, sempre com os vinhos a chegarem antes dos pratos. Tudo isto, sob a batuta do Sérgio. Mais, cada participante tinha ao seu lado uma ementa expressamente impressa para o momento.
Desfilaram:
.Espumante Herdade do Esporão 2014 Bruto - foi a bebida de boas vindas e cumpriu bem a sua função.
.Esporão BIO 2017 branco - fresco e mineral, notas florais e algum vegetal, volume e final médios. Nota 15,5.
Conflituou com um ceviche de salmão e mousse de abacate.
.Esporão Reserva 2016 branco (rótulo Duarte Belo) - com base nas castas Arinto, Roupeiro e Antão Vaz, fermentou em barricas (30 %) e estagiou 6 meses em carvalho francês; nariz positivo, presença de citrinos e fruta madura, acidez e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico, porta-se sempre bem e tem uma boa relação preço/qualidade. Nota 17.
Harmonizou com uma belíssima tranche de garoupa e cremoso de lingueirão.
.Esporão Reserva 2015 tinto (rótulo Duarte Belo) - com base nas castas Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano;  nariz discreto, fruta preta, acidez no ponto, taninos civilizados, muito ligeiramente especiado, algum volume e final de boca. Ainda muito jóvem, falta-lhe alguma complexidade. Nota 16,5.
Casou com bolinhas de cogumelos selvagens.
.Esporão Private Selection 2012 tinto (rótulo João Queirós) - Com base nas castas Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah, estagiou 18 meses em barricas novas e usadas e mais 12 meses na garrafa; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume apreciável e final de boca muito longo. Complexo, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Excelente ligação com um saboroso naco da vazia.
.Esporão Private Selection 2016 branco (rótulo Duarte Belo) - considerado o "Melhor Blend Branco do Ano" no Concurso de Vinhos de Portugal em  Maio 2018; com base na casta Sémillon, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês e mais 6 em garrafa; aroma intenso, fruta madura, glicerinado e complexo, alguma acidez e notas amanteigadas; volume e final de boca médios. Nota 17,5.
Harmonização com uma tábua de queijos. Veio-me à memória, outro jantar com o Esporão (desta vez na Commenda), em que sugeri ao David Baverstock esta mesma ligação com os queijos. Perfeita!
.Porto Qtª dos Murças 10 Anos - presença de citrinos e frutos secos, complexidade e perfil próximo de um 20 Anos; algum volume e final de boca. Nota 17.
Acompanhou um delicioso bolo húmido de amêndoa.

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