terça-feira, 31 de julho de 2018

Rescaldo das férias (IV) : Taberna da Adega e Petz Bar

continuando...

7.Taberna da Adega (Nelas) - 4,5*
A Taberna da Adega é o espaço de restauração da Lusovini Vinhos de Portugal, uma mistura de restaurante, enoteca e tasca fina. A sala é confortável e toda ela virada ao vinho, a começar por 2 das paredes repletas de garrafas e uma outra com os nomes das castas da região e não só. Mesas aparelhadas com toalhetes e guardanapos de papel.
À chegada e antes de nos ser destinada mesa é-nos oferecido um flute com o espumante Aplauso Rosé que faz parte do portefólio da Lusovini. Começamos bem.
Na mesa optámos pelo menu do dia (9,90 €), com direito a :
.couver (broa, manteiga de cabra e azeite Pedra Cancela)
.robalo escalado com legumes
.bebida
.café
Quanto à componente vínica, a lista está bem elaborada, inclui os anos de colheita, mas limita-se ao portefólio da Lusovini (um reparo: os verdes estão erradamente separados dos outros vinhos). O vinho branco do menu era o Pedra Cancela Selecção do Enólogo 2017 (16,5+). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo Riedel (um luxo!) e servido por 2 vezes para não aquecer no copo.
No final do almoço comeu-se, extra menu, um pudim de queijo da serra, devidamente acompanhado por um copo de Andresen Porto Branco 20 Anos (18). Uma delícia...
Em conclusão, bom ambiente onde se respira vinho, gastronomia de qualidade, bons preços e serviço profissional com muita simpatia à mistura.
Imperdível!

8.Petz Bar (Laceiras, Cabanas de Viriato) - 2,5*
Sala muito barulhenta (estava praticamente cheia) e algo desconfortável. Serviço simpático, mas atabalhoado. Fomos empurrados para os pratos do dia, sem sequer termos visto a ementa. Lá vieram uns filetes de pescada sem história, acompanhados por um arroz de tomate razoável.
Quanto à componente vínica, com base na região do Dão, sem anos de colheita e sem vinhos a copo (excepto o da casa), mas com preços honestos, optámos por uma garrafa de Qtª das Marias Encruzado 2016 (17) que não foi dada a provar. Os copos, a pedido, foram trocados por outros aceitáveis, mas desiguais! Bebemos metade da garrafa e levámos o resto para o hotel.
Acredito que se coma bem no Petz Bar, que nos foi recomendado por um grande amigo, mas só se se for ou muito cedo ou muito tarde. À hora de ponta não dá.
continua...

domingo, 29 de julho de 2018

Rescaldo das férias (III) : Restaurante Real, Zé Pataco e Qtª de Cabriz

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4.Restaurante Real (Urgeiriça) - 3*
O Restaurante Real, aberto ao público, fica no Hotel da Urgeiriça e é um espaço espectacular "very british", que disponibiliza um menú almoço (couver, entrada, prato e sobremesa) por 17 €. A entrada (uma salada de tomate com queijo) não tinha história, mas o bacalhau à lagareiro era francamente bom.
Quanto à componente vínica, imperava a falta de imaginação na escolha dos vinhos, os anos de colheita estavam omissos, os tintos estavam à temperatura ambiente e os copos eram francamente maus (a pedido, vieram outros, aceitáveis). Só desgraças!
A garrafa veio à mesa e mergulhada num recipiente com água e gelo. O vinho, meia garrafa de Cabriz Colheita Seleccionada 2016 (16,5), foi dado a provar. Vá lá!
Este belo espaço parou no tempo, uma pena. À saída, deparei com um recorte de jornal (Comércio do Porto de 21/4/1985) sobre o hotel, devidamente emoldurado, onde se podia ler "Foi o paraíso de amor para Salazar e muitos outros". Está tudo dito...

5.Zé Pataco (Canas de Senhorim) - 4,5*
O restaurante Zé Pataco é um espaço amplo, algo barulhento, com toalhetes e guardanapos de papel, que aposta, e bem, na cozinha tradicional portuguesa.
Comi um excelente ensopado de enguias, do melhor que me passou pelo estreito, seguido de uma Delícia da Casa, à base de mousse de chocolate, que é mesmo uma delícia.
Quanto à componente vínica, embora sem os anos de colheita, a lista é surpreendente, centrada no Dão, mas com vinhos de referência de outras regiões (Barca Velha, entre outros). Mais, os tintos estão em armários térmicos e os copos C & S (Chef & Sommelier) são francamente bons.
Optei por uma meia garrafa de Pedra Cancela Reserva Malvasia Fina e Encruzado 2016 (16,5), com um logotipo praticamente igual ao da Qtª de Lemos (quem teria copiado quem?). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
A visita a este Zé Pataco foi um dos pontos altos das minhas férias. Grande surpresa!

6.Quinta de Cabriz (Carregal do Sal) - 4*
É um dos restaurantes geridos pela Global Wines, detentora da marca Qtª de Cabriz. Sala acolhedora, com uma das paredes transformada em expositor de garrafas do respectivo portefólio, mesas aparelhadas e guardanapos de pano.
Atendimento muito profissional e simpático, a começar pela oferta de um amuse bouche (moelas guizadas) e de um flute com o espumante Qtª do Encontro Rosé.
Comi umas ameijoas asiáticas fraquinhas seguidas de um cabrito no forno, algo seco, com um delicioso arroz de feijão. A terminar, uma tarte de amêndoa.
Quanto à componente vínica, a lista está bem construída, inclui os anos de colheita e uns tantos vinhos a copo a preços tentadores, mas só com as marcas do grupo.
Bebi, a copo:
.Casa de Santar Reserva 2015 branco (16,5+)
.Casa de Santar Reserva 2013 tinto (17,5)
As garrafas vieram à mesa e os vinhos dados a provar em bons copos Schott, a temperaturas correctas (o restaurante possui armários térmicos).
Gostei francamente do espaço, que já conhecia de outra visita, e do serviço, mas fiquei com dúvidas sobre a componente gastronómica.
continua...

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Rescaldo das férias (II) : Bem Haja e Mesa de Lemos

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2.Bem Haja (Nelas) - 3,5*
Já não ia ao Bem Haja, uma referência em Nelas, há uma série de anos, mas desta vez não me apaixonou. Sei que as pessoas são outras e que a dona do original trouxe-o para Lisboa (Praça das Flores). Tenciono visitá-lo na primeira oportunidade.
Em Nelas, comi um saboroso entrecosto, acompanhado com um arroz de carqueija que não deixou saudades.
Quanto à componente vínica, a lista é longa, mas com oferta a copo reduzida e omissão dos anos de colheita. Optei por um copo do tinto Pedra Cancela Reserva 2014 (nota 17).
A garrafa veio à mesa e o vinho dar a provar num bom copo e à temperatura correcta.
Em conclusão, esta tardia revisita, foi uma relativa desilusão.

3.Mesa de Lemos (Quinta de Lemos, Silgueiros) - 5*
O Mesa de Lemos, já aqui referido e louvado em "Enoturismo no Dão (VI) : Quinta de Lemos", crónica publicada em 1/11/2016, é seguramente o melhor restaurante da região e um dos melhores em Portugal. Conforto, prazer à mesa, bons vinhos e serviço requintado e personalizado, são as principais características deste surpreendente espaço de restauração.
Como mais valia, a loiça (Vista Alegre) e os talheres estão personalizados com o logo da Qtª de Lemos e os copos são Zwiesel (o topo de gama da Schott).
Nesta revisita optei pelo Menu Mesa de Lemos (40 €, acrescidos de 15 € do suplemento de vinhos). Também se podem escolher o Menu Lemos (80 + 25 €) ou o Menu do Chefe (105 + 40 €), mas o primeiro é mais que suficiente e ninguém fica com fome.
O repasto foi composto por 4 momentos, a saber:
.1º - 3 "mimos" do chefe ("ovo", servido num ovo de vidro, "leguminosas" e pastel de massa tenra com barriga de atum)
.2º - da Islândia o Bacalhau
.3º - do Montado Alentejano o Porco
.4º - da Nossa Horta o Kiwi
Entre o 1º e o 2º momentos, foi servido o couver (pão feito na casa, manteiga dos Açores, sal de Castro Marim e azeite da Qtª de Lemos).
Diga-se desde já que tudo o que veio para a mesa era de grande qualidade e na cozinha estava a Inês Beja, já nossa conhecida. O maior elogio: não demos pela ausência do chefe Diogo Rocha.
Quanto ao suplemento de vinhos, todos da Qtª de Lemos, com excepção do espumante, provei/bebi:
.Ribeiro Santo Bruto
.Manuela Rosé 2015
.Dona Paulette Encruzado 2015 (16,5+)
.Dona Santana 2012 tinto (17,5+)
.Fortificado sem rótulo, estilo LBV com base na casta Touriga Nacional (uma boa surpresa).
O serviço continua requintado, com os empregados a pegar nos copos ou nos talheres com luvas apropriadas.
É de inteira justiça referir, para além da Inês, a Andreia (Relações Públicas) que nos recebeu e acompanhou numa visita às instalações e o escanção Ricardo que apresentou e serviu os vinhos com muito profissionalismo.
Foi uma grande jornada e o ponto mais alto destas férias. Todos os enófilos que se prezam deviam conhecer esta Mesa de Lemos. Obrigatório!
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terça-feira, 24 de julho de 2018

Rescaldo das férias (I) : Manjar do Marquês

Uma semana e meia de férias termais, "obrigou-me" a frequentar 10 restaurantes (1 no caminho e 9 na zona) para almoçar. Dessas experiências, umas já minhas conhecidas e outras não, darei fé no decorrer das próximas crónicas, com referência ao que comi, ao que bebi e como me trataram. A cada espaço de restauração, será atribuída uma classificação (1 a 5 *) que será o reflexo ponderado de um conjunto de factores, nomeadamente o ambiente, a gastronomia e, muito especialmente, a componente vínica (carta, oferta a copo, copos, temperaturas e serviço propriamente dito).
A classificação, baseada numa única visita, poderá ser injusta ou benévola, mas penso que não estará muito afastada da realidade. Quem conhecer estes restaurantes, poderá ajuizar os meus critérios.

1.Manjar do Marquês (Pombal) - 4,5*
Já publiquei alguma crónicas onde refiro este imperdível espaço de restauração, sendo a última "Rescaldo da ida ao Douro (II) : Manjar do Marquês e B & W", em 24/9/2015, com um link para uma outra e dessa para outra, etc.
Nesta paragem, a caminho das termas, apenas tomei nota telegráfica dos vinhos que o Paulo Graça, muito simpaticamente, abriu para provarmos:
.Champagne Egly-Ouriet V. P. Extra Brut Grand Cru - com base nas castas Chardonnay e Pinot Noir, estagiou 75 meses em cave, tendo o dégorgement ocorrido em Outubro 2015.
.Bouisson Renard 2012 Domaine Didier Dagueneau (Appellation Pouilly Fumé) - com base na casta Sauvignon, estagiou 12 meses em barrica.
Com estes 2 memoráveis vinhos, comemos uns belíssimos e originais jaquinzinhos com o clássico arroz de tomate.
No final do repasto, ainda nos ofereceram uma colecção de 10 guaches pintados pelo artista Jorge Ramos, natural de Pombal.
Obrigado Paulo Graça, por todas estas atenções. Até sempre!
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sábado, 21 de julho de 2018

Restaurante "2 a 8" versus "Manuelino"

O título desta crónica pode enganar. Não, não foi um confronto de restaurantes. O Manuelino (Rua dos Jerónimos,12) entra aqui porque, depois de ter feito uma reserva para almoço, através da plataforma The Fork, bati com o nariz na porta. Inacreditável e cartão vermelho ao Manuelino! A The Fork teve uma atitude correcta, ao pedir-me desculpas pelo que aconteceu e creditar-me 10 € na minha conta (a descontar num restaurante aderente).
Em alternativa, fui ao 2 a 8 (Rua de Belém,2), onde tudo correu da melhor maneira. Começou por uma simpática surpresa, o facto de o dono estar ocasionalmentge presente e ter-me reconhecido (era cliente das Coisas do Arco do Vinho).
Estávamos a almoçar com um casal amigo e já tinhamos na mesa uma garrafa de Esporão Reserva 2016 branco, quando, por iniciativa do dono, aterrou na mesa um surpreendente Qtª do Rol 2006 (nota 17,5+) que o abafou completamente. Um branco já com 12 anos, nada badalado, mas que se veio juntar ao 5ª de Mahler 2000 nas minhas preferências por este tipo de vinhos.
Para que conste, estes brancos acompanharam:
.Ameijoas à Bulhão Pato
.Pastéis de bacalhau com arroz de tomate
.Gelado artesanal de chocolate
Gastronomia de qualidade e serviço profissional e simpático, por parte do chefe de sala.
A voltar, seguramente.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Confraria do Periquita 2018 : convívio, vinhos e fado na JMF

Participei, no passado 31 de Maio, na qualidade de Confrade do Periquita, no XXIII Grande Capítulo desta confraria da José Maria da Fonseca.
Após o convívio inicial e a escolha da respectiva capa e chapéu, seguiu-se a "entronização" de mais 27 membros, entre confreiras e confrades. Destaco os nomes do Aníbal Coutino e do João Sá, como os mais mediáticos.
Na sequência da cerimónia, foi apresentado e provado o último Periquita tinto (colheita 2017), saído de uma monumental garrafa de 9 litros, dita "salmanasar".
Depois da indispensável foto família, já passava das 21h30 quando os 131 confreiras/confrades participantes iniciaram o repasto, que voltou a ser servido pela Casa da Comida e teve lugar na Adega dos Teares Novos, no meio dos tonéis.
Para memória futura, aqui se regista o que se bebeu e comeu:
.Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho 2017 - muito fresco e mineral, presença de citrinos, algum floral, acidez equilibrada, volume e final de boca médios. Nota 16.
Acompanhou a tradicional sopa de ervilhas à Soares Franco.
.Periquita Superyor 2015 - com base na casta Castelão Francês em vinhas velhas, estagiou 12 meses em cascos de carvalho francês; muito frutado, acidez no ponto, algum especiado, taninos suaves, volume médio e final de boca adocicado. Para beber novo. Nota 17.
Harmonizou com uma empada de caça, cogumelos do bosque, chips de batata doce e legumes.
.Hexagon 2009 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão e Tannat; ainda com fruta, fresco e elegante, acidez q.b., notas especiadas, alguma complexidade, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. No ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Servido com queijo de Azeitão, não ligou (seria preferível acompanhá-lo com um Pasmados branco).
.Moscatel Alambre 20 Anos (sem data de engarrafamento visível) - presença de tangerina e casca de laranja, acidez no ponto, notas glicerinadas, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Nota 17,5.
Maridou com um Bolo de São Roque e gelado de framboesa.
Com o café foi servida a Aguardente Espírito (não bebi nenhum deles).
Comida bem confeccionada, bons copos e temperaturas correctas.
A fechar o encontro, tivemos direito a uma sessão com a fadista Diamantina, a que se juntou a confreira Fafá de Belém.
Resta agradecer à família Soares Franco este convívio e a magnum Periquita, devidamente assinada pelo Domingos. Muito obrigado, pela minha parte!
E, daqui a 2 anos, há mais...

terça-feira, 17 de julho de 2018

Grupo FJF (3ª sessão) : 1 branco, 1 tinto e 1 fortificado de excepção

O Grupo FJF, novamente reforçado pelo J(uca), reuniu no Magano que dispensa apresentações (gastronomia e serviço de vinhos de qualidade).
Voltou a ser provado:
.Messias Dry Old (a mesma garrafa que foi levada para o almoço, no âmbito do Grupo dos 3, referida na crónica do dia 10) - achei-o mais complexo, com a componente iodo mais presente. Nota 17,5 (na outra situação 17).
Desfilaram, às cegas:
.Mapa Vinha dos Pais 2015 (12,5 % vol.; levado por mim) - com base nas castas Rabigato, Viosinho, Arinto e Gouveio, estagiou 12 meses em barrica; nariz francamente positivo, presença de citrinos, fresco e mineral, acidez fabulosa, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, ainda não atingiu o patamar do 2013, um dos grandes brancos portugueses, mas para lá caminha. Nota 17,5+.
Acompanhou as entradas habituais. Voltei a prová-lo no final do repasto com os queijos. Ligação perfeita!
.Qtª da Vacariça Tonel 23 Terroir da Cardosa Garrafeira 2011 (12,8 % vol.; levado pelo Frederico) - um dos Baga Friends; 100 % Baga, estagiou 18 meses em barrica; aroma intenso, boa acidez, notas vegetais e de lagar, volume médio e final de boca persistente. De momento algo desequlibrado, há que esperar por ele mais 10/20 anos. Nota 17.
.Vinha Othon Reserva 2008 (14 % vol.; levado pelo João) - com base nas castas Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz, estagiou em cascos de carvalho francês; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos civilizados, volume apreciável e final de boca persistente. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18,5 (noutra situação, também 18,5).
Estes 2 tintos maridaram com um joelho de vitela e batata no forno.
.FMA Bual 1964 (da garrafeira do Juca) - presença de frutos secos, notas de iodo, caril e brandy, vinagrinho no ponto, volume notável e final de boca interminável. Foi a 20ª garrafa que provei deste grande Madeira! Nota 19.
Foi mais uma bela jornada no Magano, ao nível dos enófilos mais exigentes.

domingo, 15 de julho de 2018

Prova - Enoteca Restelo revisitada

Já aqui referida no ponto 4 de "Curtas (XCIX)", crónica publicada em 29/5, chegou a vez de abancar para almoço na Prova - Enoteca Restelo, o que ainda não tinha feito.
Não sendo bem um restaurante, nem uma petisqueira, nem uma tasca, antes um local diferente onde se pode comer, tive recentemente a oportunidade de ali almoçar.
Gostei, francamente, tendo provado:
.pão ainda quente, com azeite Qtª dos Murças Bio
.salada de ovas de bacalhau
.tiborna de cavala com pesto
.pastel de Tentúgal
A copo têm 2 espumantes, 6 brancos, 5 tintos, 1 rosé, 4 fortificados e 4 cervejas artesanais.
Optei pelo branco Apelido 2016 (Qtª do Mouro) - muito fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, algum amanteigado, volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott, com a quantidade (15 cl) devidamente assinalada.
Serviço profissional e simpático por parte dos donos deste espaço.
Em confronto com a Loja das Conservas, objecto da crónica de ontem, embora as gastronomias não sejam comparáveis, a componente vínica da Prova - Enoteca Restelo vence indiscutivelmente.
Aprovado e recomendo (mas não vão todos ao mesmo tempo, pois o espaço é diminuto).

sábado, 14 de julho de 2018

Restaurante da Loja das Conservas

Movido pela curiosidade, depois de ter lido nalguma imprensa (Time Out, Evasões, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Epicur) e na blogosfera (Comer Beber Lazer e Mesa do Chef) referências muito positivas a este novo projecto, os restaurantes da Loja de Conservas, com ementas criadas pelos chefes André Palma e Tiago Neves, não resisti e fui poisar no da Rua da Assunção,81 (o outro fica na Rua do Cotovelo, junto à Loja da Rua do Arsenal).
Espaço simpático, com mesas despojadas, guardanapos de pano e parte das cadeiras desconfortáveis (a pedido trocaram-me o assento).
Na ementa constam 15 petiscos com base em conservas, que podem ser compradas na loja ao lado sem ser preciso sair para a rua.
Na minha visita provei:
.couver (pão e azeite aromatizado)
.Chamuças de atum com caril (deliciosas)
.Morcela de sangacho (surpreendente mas desequilibrado, a pedir uns grelos a fazerem-lhe companhia)
.Sardinha em tempura com molho de iogurte (saborosa)
Por aqui tudo bem, o pior é a componente vínica, um autêntico desastre (lista curta, omissão de anos de colheita e nem um único vinho do Douro!). Segundo me explicaram, estão amarrados a um acordo com a Global Wines (uma desculpa esfarrapada, pois a Global Wines também produz vinhos no Douro). Também não têm cervejas artesanais e os tintos estavam à temperatura ambiente. Só desgraças!
Inventariei 3 espumantes, 3 brancos, 1 rosé e 5 tintos, todos a copo.
Optei pelo branco Cabriz Reserva 2017 (4,50 €, um exagero) - com base na casta Encruzado; fresco e mineral, algum vegetal, volume e final médios. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servido a olho.
Perante as minhas críticas à componente vínica, muito simpaticamente não cobraram o copo. Aliás, do serviço só tenho a dizer bem, pois quem me atendeu (percebi ser o chefe de sala, mas não retive o nome), fê-lo com profissionalismo e simpatia. Ainda, por cima, estava a trabalhar por três (na sala, na esplanada e na loja!), o que se reflectiu necessariamente no tempo de espera.
Embora tenha apreciado a parte gastronómica, não aconselho enquanto não corrigirem a componente vínica.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Almoço com vinhos fortificados (28ª sessão) : uma jornada memorável em Azeitão

A convite dos anfitriões, o casal Carlota/Adelino, o auto denominado Grupo dos Madeiras, reforçado com um dos F (Frederico Oom), participou numa grande e memorável jornada em Azeitão, onde foram provados/bebidos 9 vinhos (1 espumante, 2 brancos, 2 tintos e 4 fortificados), todos da garrafeira do Adelino.
Com os rótulos à vista, desfilaram:
.Verdelho o original by António Maçanita 2014 em magnum (garrafa nº 8/90) - fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, volume e final de boca médios. Um branco açoriano deveras original. Nota 17,5.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2008 - simultaneamente fresco e com gordura, acidez equilibrada, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, a evoluir muito bem. Nota 18 (noutras situações 16,5/17/17).
.Espumante Qtª das Bageiras 2004 (não cheguei a provar).
Estes brancos acompanharam frutos secos, salgados, presunto e choco frito.
.Qt Vale Meão 2011 - ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume assinalável e final de boca muito extenso. Imponente e complexo, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutra 18,5).
.Ferreirinha Reserva Especial 2001 - aroma não muito agradável, notas vegetais e metálicas. Está na curva descendente ou era uma garrafa avariada? Quem o provou recentemente, que o diga.
Estes tintos harmonizaram com espetadas de carne barrosã (deliciosa), fruta e abóbora.
.Noval Vintage 1968 - ainda com fruta, notas de frutos secos, alguma acidez, taninos presentes, algum volume e final de boca. Perfil próximo de um tawny. Nota 17,5.
Acompanhou com queijo de ovelha amanteigado.
.Moscatel 1900 José Maria da Fonseca - presença de frutos secos e citrinos, acidez equilibrada, taninos macios, estrutura e final de boca assinaláveis. Grande complexidade de um Moscatel com mais de 100 anos. Nota 18,5.
.Niepoort Garrafeira 1938 (engarrafado em 1943 e decantado em 1977) - presença de frutos secos, iodo e caril, acidez no ponto, algum volume e final de boca interminável. Perfil próximo de um Madeira. Nota 19.
Estes fortificados acompanharam frutos secos e doces diversos.
.Artur Barros e Sousa Boal 1860 - ainda muito fresco, presença de frutos secos e vinagrinho, notas de caril, iodo e brandy, taninos civilizados, volume apreciável e final de boca interminável. Complexo e sublime, um dos vinhos da minha vida! Nota 19,5.
Foi uma grande e excepcional sessão de convívio, gastronomia e, muito especialmente, vinhos que não estarão acessíveis à maioria dos enófilos.
No final, cada um dos participante levou para casa um Porto Vintage Taylor's, inesperada e muito simpática oferta do anfitrião. Roam-se de inveja, enófilos de todo o mundo!
Obrigado, Carlota! Duplamente obrigado (pela jornada e pela oferta), Adelino!

terça-feira, 10 de julho de 2018

Grupo dos 3 (60ª sessão) : 1 tinto e 1 Madeira de eleição

Esta sessão foi da responsabilidade do Juca que escolheu o restaurante As Colunas e pôs à prova 2 tintos e 2 fortificados da sua garrafeira. Nos tachos pontificou a Fátima (saborosíssimo empadão de lebre!) e na sala a Joana.
Servidos em copos Riedel, foram provados às cegas:
.Messias Dry Old - nariz contido, presença de frutos secos e tangerina, acidez curta, volume e final médios. Equilibrado e elegante. Nota 17.
Não ligou muito bem com queijo fresco, pastéis de bacalhau e de massa tenra (belissimos).
.Qtª da Pellada 49 2013 - 90 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional e Alfrocheiro, estagiou 28 meses em barricas de carvalho francês; aroma discreto, alguma fruta e acidez, notas florais, algum vegetal e lagar, taninos presentes, volume médio e final de boca persistente. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5.
.Qtª do Crasto Touriga Nacional 2005 - 96 pontos na Wine Spectator; estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, muita fruta, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, grande volume e final de boca notável. Muito complexo e longe da reforma. A beber nos próximos 7/8 anos. Um grande Douro! Nota 18,5+ (a mesma nota noutra situação).
Estes 2 tintos harmonizaram bem com o empadão de lebre.
.FMA Bual 1964 - aroma intenso e complexo, presença de frutos secos, iodo e vinagrinho, notas de brandy e caril, taninos ainda muito presentes, volume notável e final de boca impressionante. Grande Madeira! Nota 19,5.
Este fortificado foi acompanhado por uma tarte de amêndoa.
Foi mais uma boa jornada de comeres e beberes. Obrigado, Juca!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Junho 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 21 crónicas publicadas no decorrer de Junho 2010, destaco estas 3:
."O Solar do Vinho do Porto em Lisboa", no dia 6
Um belo e confortável espaço em S. Pedro de Alcântara, com uma boa oferta de vinhos do Porto. Pena é que as temperaturas a que estão guardados estejam no limite do recomendável.
."Procura-se assessor de vinhos para a Presidência da República. Assunto urgente.", no dia 9
Esta crónica assentou que nem uma luva no anterior inquilino de Belém, fraco entendedor em questões vínicas, ao contrário do actual a quem dediquei a crónica "Saber pegar no copo : o novo PR passou no exame.", publicada em 10/7/2016.
."Grupo 3+4. Uma (boa) avalanche de vinhos", no dia 19
Sessão decorrida no restaurante As Colunas, com vinhos do enófilo Rui Rodrigues. O tema foi a prova de 8 tintos de 2003, tendo o vinho Vinha da Ponte sido o vencedor (18,5), logo seguido do Poeira (18).
Ainda, nota alta para o fortificado Kopke Selected Old Tawny, com 50 anos de garrafa (18,5).