quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Agosto 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 20 crónicas publicadas em Agosto 2010, destaco estas 3:

."O Grupo Pestana retalia", no dia 13
Depois de ter sido autorizado a levar vinho comigo para o restaurante Cozinha Velha (Pousada de Queluz), mediante o pagamento da respectiva taxa de rolha, alguém que não consegui identificar, melindrado com a minha crónica "Almoço na Cozinha Velha", publicada em 21/6/2010, e com mau perder, telefonou para minha casa, na véspera à noite, a cancelar a autorização anterior. Inqualificável!
Anos mais tarde voltei lá e constatei que, lamentavelmente, se mantinha tudo o que escrevi anteriormente (ver o ponto 2 da crónica "Curtas (IV)", publicada em 23/1/2013.

."Como vamos de vinhos nos Museus?", no dia 20
Este escrito veio na sequência de uma visita ao Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), onde almocei na respectiva cafetaria.
Este espaço e, se calhar, todos os outros ligados à museologia, visitado por milhares de turistas, estrangeiros ou nacionais, merecia uma melhor atenção à componente vínica que é uma autêntica vergonha, perante a passividade e ignorância dos políticos.
Em visita recente ao MNAA, constatei que, lamentavelmente, está tudo na mesma.
À atenção do Ministro da Cultura, do 1º Ministro e do PR.

."Almoço na Maria Pimenta", no dia 22
Uma crítica minha à componente vínica e outros aspectos deste restaurante, situado na antiga Fábrica da Pólvora em Barcarena, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, provocou por parte de uma senhora (a dona ou amiga dos donos?) alguns comentários mal dispostos, desajustados e revelando uma iliteracia confrangedora, que mereceram respostas adequadas por parte de outros seguidores.
Esta crónica é de longe a mais lida, vá lá perceber-se porquê...
Serão os mistérios insondáveis da blogosfera!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (III)

continuando...

5.Tapas Bar 47 (Rua do Alecrim,47A) - 2,5*
Este espaço fica dentro da Garrafeira Imperial (GI) ou será ao contrário, a Garrafeira é que fica dentro deste Tapas Bar? Confesso que não entendi, até porque o site da GI não lhe faz qualquer referência.
Diga-se que já conhecia a GI, onde, quando em quando, compro algum vinho que dificilmente se encontra noutros locais, a preços honestos.
E só tenho a dizer bem do atendimento, por parte da Maristela Lima (infelizmente de férias quando da minha visita ao Tapas Bar).
Como andava curioso já há algum tempo, recentemente resolvi testar o Tapas Bar, mas esta experiência foi um desastre, como explicarei adiante.
O Tapas Bar tem um menú de almoço (14,90 €), com direito a couver, entrada (a escolher entre 3), prato (idem), bebida e café. Optei pelo coelho de escabeche (ainda vinha morno e de escabeche pouco ou nada) e pelo entrecosto com favas (era à base de enchidos, entrecosto quase nada e favas praticamente desfeitas).
Quanto à bebida escolhi um copo de tinto que já veio servido (!?) e a garrafa nem sequer foi mostrada (nem quando perguntei que vinho era e repectivo ano de colheita). Nem no mais modesto restaurante fariam tal coisa. Lamentável!
Acabei por saber que o vinho era Casa Santos Lima Touriga Franca 2015 (16,5+) que veio a uma temperatura, copo e quantidade aceitáveis.
O serviço, dividido entre a garrafeira e as duas salas deste espaço de restauração, mostrou-se desatento e desorganizado. Depois de ter comido, estive à espera 20 (vinte!) minutos que me levantassem os pratos da mesa e eu pudesse pedir o café. Lamentável...
Mais, fuma-se tanto no Tapas Bar como na própria GI, o que de todo não entendo.

domingo, 26 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (II)

continuando...

3.Restaurante da Adega - 3*
Este espectacular espaço é pertença do produtor Ribafreixo Wines, localizado na Vidigueira. Com uma vista panorâmica para as vinhas, dispõe de uma sala ampla mas confortável, mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano, pratos Vista Alegre e bons copos italianos.
A ementa é curta e os pratos especiais só por encomenda. Comemos uma açorda de espinafres com bacalhau, queijo e ovo, uma dose para 2 pessoas, muito bem apresentada numa telha, embora pouco saborosa e longe da receita tradicional.
Vinhos disponíveis, apenas os do produtor, como seria de esperar. Carta de vinhos muito didáctica, incluindo a descrição, notas de prova e harmonizações, para cada um deles.
Escolhemos o topo de gama da casa, o Gaudio Reserva 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (80 %) e Touriga Nacional (20%), estagiou 13 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 16 meses em garrafa, o que é de aplaudir. Perfil e estrutura adequada à cozinha alentejana. Nota 17,5.
Só que a garrafa veio à mesa a uma temperatura acima (bastante) do recomendável. Chamada à atenção, a empregada explicou que era assim mesmo que se provava um vinho!!!???
Perante a nossa insistência, acabou por ir buscar uma manga e nós tivemos que esperar uma boa meia hora para que a temperatura baixasse uns graus!
Isto na casa do produtor, o que é indesculpável. Cartão amarelo à Ribafreixo!
Ó Paulo Laureano (o enólogo consultor ) dê lá formação ao pessoal do restaurante, que bem precisa!

4.Bem Haja (Rua Marcos Portugal,5 à Praça das Flores) - 3,5 *
Depois de ter estado em Nelas e abancado no Bem Haja (ver crónica "Rescaldo das férias (II) - Bem Haja e Mesa de Lemos", publicada em 26/7/2018), tive a curiosidade de poisar no Bem Haja original, da Isabel Raposo que o trouxe para Lisboa (primeiro em Campolide e agora na Praça das Flores, no mesmo espaço onde esteve o Castro Flores).
Sala acolhedora, mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano. Pedi o mesmo prato que comi em Nelas, o entrecosto com arroz de carqueja. O entrecosto estava saborosíssimo, mas o arroz era requentado e da carqueja nem o rasto.
Quanto à componente vínica, a lista é razoável, mas omite os anos de colheita e a copo só da casa (o Grão Vasco 2016). A garrafa veio à mesa, a uma temperatura adequada e dado a provar num bom copo.
Quanto ao serviço, foi tudo excessivamente demorado, pois a empregada (uma boa profissional, diga-se) estava a atender clientes, em simultâneo, na sala e na esplanada (cheia), enquanto que na cozinha, o seu filho, sem qualquer ajuda, fazia autênticos milagres.
A dona acabou por aparecer, já nós estavamos a terminar o almoço. Perante as nossas queixas, ofereceu a sobremesa, Vá lá...
Mas este Bem Haja não ganha ao de Nelas. Outra desilusão.
continua...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Curtas (CI) : a Sandra na RTP3 e a Comida Independente

1.A Sandra na RTP3
A RTP3 no seu programa "Grande Entrevista" deu a voz à Sandra Tavares da Silva, a mediática enóloga de reconhecidos méritos (Chocapalha, Pintas, etc).
A entrevista veio para o ar na passada 4ª feira, cerca das 23h, e quem perdeu o programa ainda pode vê-lo até à próxima 4ª feira (no canal 6 para quem tenha a NOS).
Ficam avisados, sem desculpas para esquecimentos.

2.Comida Independente (Rua Cais do Tojo, 28 em Santos)
É uma loja gourmet ou uma mercearia fina, como lhe queiram chamar, cujo lema é "Grandes Produtos - Pequenos Produtores", que arrancou há cerca de 6 meses. Ali se pode encontrar enchidos, queijos, conservas, vinho, cervejas artesanais e azeites, que não se encontram facilmente, mas também legumes e pão fresco. Uma pena ficar tão escondida.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (I)

Ultimamente tive algumas decepções em espaços de restauração (alguns bem badalados na comunicação social), nomeadamente quanto ao serviço de vinhos.

1.Skora - nordic cuisine (Av. Duque d' Ávila, 45 D) - 1*
Aqui correu tudo muito mal, a saber:
.não havia ementa, tendo-me remetido para uma ardósia que está na rua à porta do restaurante
.na ementa apenas constava uns filetes de peixe, um prato de pato e uma salsicha dinamarquesa (o único prato nórdico, por sinal pouco apelativo)
.não havia lista de vinhos, apenas tinham o da casa, branco e tinto (optei por uma cerveja belga)
.quando paguei, não me entregaram a factura, dizendo que havia um problema com a impressora (prometeram enviar via email, mas não o fizeram)
.quando fui ao WC fiquei às escuras (a luz só veio quando abri a porta)
.ao lavar as mãos constatei que o contentor das toalhas de papel estava avariado, pelo que tive de me deslocar ao WC das senhoras.
Só desgraças!
Há poucos dias, decorrido cerca de 1 mês, passei por lá e estava encerrado. Fiquei com a sensação que definitivamente. Só podia...

2.Estufa Real (Jardim Botânico da Ajuda) - 2*
Frequentei uma série de vezes este espaço, no passado, sempre com boas experiências, fosse na área gastronómica, fosse na componente vínica (lembro-me, até, que a carta de vinhos fora desenhada pelo mestre de enologia Virgílio Loureiro).
Passados uns anos revisitei a Estufa Real, no âmbito do Lisboa Restaurant Week, tendo ficado desiludido, como se pode constatar na crónica "Lisboa Restaurant Week (III)", publicada em 4/10/2011.
Em má hora, revisitei este icónico espaço, tendo a desilusão sido ainda foi maior. O restaurante só abre para o brunch dos Domingos ou para casamentos e baptizados. Uma pena...
Agora, para almoços de 2ª a 6ª feira, só funciona a esplanada, com uma ementa simples, reduzida e desinteressante. Tencionava beber vinho a copo, mas quando me trouxeram os ditos copos, inqualificáveis, mandei-os para trás. Ainda perguntei se tinham alguma cerveja artesanal, mas perante a resposta negativa optei por beber água.
Estufa Real, nunca mais! Quem a viu e quem a vê...
continua...

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Grupo FJF (4ª sessão) : tudo na maior!

O Grupo FJF, reforçado com outro J (J.Rosa), reuniu novamente no Magano. Com excepção do fortificado, os 3 vinhos de mesa foram provados às cegas, com bons resultados. E eles foram:
.Muros de Magma Verdelho 2015 (levado por mim) - DO Biscoitos, com 12,5 % vol. e enologia de Anselmo Mendes, estagiou 6 meses em barricas usadas de carvalho francês; nariz exuberante, fresco, cítrico e salino, muito boa acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca longo. Pura elegância. Nota 18.
Acompanhou as entradas habituais.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 (levado pelo João) - DO Rueda, com 13 % vol., a partir de vinhas velhas com mais de 100 anos e sem estágio em barrica; austero, mineral e cítrico, acidez equilibrada e notas amanteigadas, bom volume e final de boca médio. Gastronómico. Nota 17,5+ (noutras situações 18/18).
Maridou com filetes de peixe com arroz.
.Conde de Vilar Seco Touriga Nacional Garrafeira 2010 (levado pelo Frederico) - garrafa nº 811/1246, produzida por Qtª da Fata, a partir da vinha que obteve o 1º prémio "A melhor vinha do Dão 2016", com 13 % vol.; com pisa a pé, estagiou em barricas de carvalho francês; ainda com fruta e notas florais, acidez no ponto, frescura e juventude, algum especiado, volume e final de boca. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5.
Harmonizou com bochecha de vitela e grelos.
.Blandy Bual 1977 (levada pelo J.Rosa) - engarrafada em 2007, com o nº 404/1666; frutos secos, notas de iodo, brandy e caril, vinagrinho bem presente, taninos civilizados, volume considerável e final de boca interminável. Não me canso de beber esta Madeira (esta foi a 19ª garrafa que me passou pelo estreito!). Nota 19.
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa, a ligação perfeita.
Resta acrescentar que a gastronomia e o serviço de vinhos estiveram à altura dos acontecimentos. Nem outra coisa seria de esperar.

sábado, 18 de agosto de 2018

Almoço com Vinhos Fortificados (29ª sessão) : uma grande jornada em Porto Covo

Este grupo de enófilos militantes, também conhecido pelo Grupo dos Madeiras, rumou a Porto Covo, "chez" Natalina (nos tachos) e Modesto (nos vinhos). Diga-se desde já que o casal de anfitriões se esmerou e deu o seu melhor, tanto na gastronomia como nos vinhos (1 espumante, 2 brancos, 1 tinto e 3 Madeiras). Nota alta para o casal.
A bebida de boas vindas foi o espumante Soalheiro, a cumprir bem a sua missão. Mas também se podiam provar os brancos, a acompanhar uma série de entradas (chamuças, cogumelos recheados e uma imperdível casquinha de sapateira).
.Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2009, em versão magnum - aromas e sabores terciários, acidez bem presente, notas glicerinadas, complexo, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 18.
Já com o grupo instalado à mesa, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015, em versão 3 litros - mais fresco e mineral, acidez no ponto, notas florais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5/17,5+).
Harmonizou com a canja de garoupa, ameijoas e espinafres.
.Borges Sercial 1979 (sem data de engarrafamento visível) - presença de frutos secos e vinagrinho, notas de iodo, brandy e caril, grande complexidade, boa estrutura e final de boca interminável. Nota 19 (noutras situações 18,5/18,5/19/19/19/18+).
Serviu para preparar o palato para o prato seguinte. Um luxo!
.Vallado Reserva 2011, em versão 3 litros - com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com muita fruta, bela acidez, especiado e complexo, taninos de veludo, grande volume e final de boca persistente. A beber dentro de 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutra situação também 18,5+).
Maridou com uma feijoada de lebre.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1980 (engarrafado em 2011) - nariz discreto, presença de frutos secos, notas de caril e iodo, algum vinagrinho, taninos evidentes, algum volume e final de boca assinalável. Nota 18,5 (noutra situação 17,5+).
.Cossart Gordon Bual 1969 (engarrafado em 2004; nº 506/2000) - aroma exuberante, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, taninos vigorosos, boa estrutura e final de boca interminável. Nota 19 (noutras situações 18,5+/17,5+/18).
Estes fortificados acompanharam doces diversos, tábua de queijos e salada de frutos tropicais.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Natalina! Obrigado Modesto!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Jantar Portal do Fidalgo

Em pleno verão e em cima das férias da maioria dos consumidores, a Garrafeira Néctar das Avenidas "atreveu-se" a realizar mais um jantar vínico, mas com o cuidado de se adaptar às circunstâncias. O produtor escolhido foi o Portal do Fidalgo que apresentou 10 Alvarinhos (1 espumante e 9 tranquilos), numa sessão muito didáctica ao colocar lado a lado vinhos com 10 anos de diferença. Com uma única excepção, os mais antigos sobrepuseram-se aos mais jovens, como seria de esperar, pois a casta Alvarinho precisa de uns anos de evolução. No seu melhor é a grande casta portuguesa que compete bem com as melhores do mundo.
O evento contou com a presença do enólogo da casa (Abel Codesso), demonstrando uma grande facilidade de comunicação, e a equipa comercial (João Marques, já meu conhecido dos bons velhos tempos das CAV, e Nuno Araújo) e decorreu na esplanada interior do Hotel Real Palácio, registando-se com agrado a boa logística e o ritmo adequado. Quanto à comida, foi a possível...
A bebida de boas vindas foi o espumante Côto de Mamoelas Bruto 2015 que cumpriu da melhor maneira a sua função. Seguiram-se (apenas com as respectivas classificações):
.Portal do Fidalgo 2007 (18) e 2017 (15,5)
com rolinhos de salmão fumado
.Portal do Fidalgo 2006 (17,5) e 2016 (16,5)
com bolinhas de vitela e, ainda, de alheira
.Contradição 2014 (17,5) e 2017 (17)
com brás de espargos e tomate seco
.Portal do Fidalgo Reserva 25 Anos 2015 (18; noutra situação também 18: ver crónica "Grupo dos 6 (11ª sessão) : um conjunto equilibrado de vinhos", publicada no dia 7)
com risotto de lima e coentros com tempura de polvo
.Portal do Fidalgo 1999 (14,5 foi o elo mais fraco, ou seja, a excepção a confirmar a regra) e 2011 (17,5+)
com torta de laranja com queijo mascarpone e citrinos
Conclusão: beber agora os vinhos de casta Alvarinho acabados de sair para o mercado é pura pedofilia; há que esperar por eles meia dúzia de anos (há colheitas antigas ainda à venda)

sábado, 11 de agosto de 2018

Cerveja artesanal versus vinho a copo

1.Uma introdução
Desde que "descobri" as cervejas artesanais, a minha escolha está feita. A velha imperial está fora de questão, já não a consigo tragar. Quando vou a um restaurante e se o mesmo tiver alguma cerveja artesanal, ou mesmo a 1927, a semi-artesanal da Super Bock (superior à Bohemia, a semi-artesanal da Sagres), não hesito. É bem melhor do que beber um vinho a copo banal, quase sempre o da casa, e mais caro.
E não é por acaso que a cerveja artesanal, além de estar na moda, despertou o interesse de alguns produtores de vinho (a Herdade do Esporão que comprou a Sovina, a Qtª La Rosa, a Qtª do Gradil e o Dirk Niepoort que já produzem as suas próprias marcas, além de parcerias avulsas com o Anselmo Mendes e Qtª do Portal) e mereceu já uma atenção esclarecida  por parte de alguma comunicação social.
No espaço de pouco mais de 1 mês, a Fugas de 30 de Junho dedicou-lhe um extenso artigo de 8 páginas, assinado por Luís Octávio Costa (LOC), jornalista do Público, e a Vinho Grandes Escolhas, saída há dias, pela pena do jornalista José Miguel Dentinho (JMD), debruçou-se sobre o mesmo tema, também ao longo de 8 páginas. Curiosamente, também na Fugas (27 de Julho), o Miguel Esteves Cardoso, muito conservador em termos vínicos e não só, fez o seu acto de contrição e aderiu à excelência da cerveja artesanal.
Na blogosfera, que eu me tivesse apercebido, apenas no "Comer Beber Lazer" e no "Joli" foram comentadas cervejas artesanais.

2.A Fugas
No artigo acima mencionado, publicado com o título "Quando a cerveja é tratada como vinho" e assinado por LOC, o autor refere "(...) Uma nova onda de produtores artesanais está a combinar cerveja e vinificação para criar cervejas únicas perfeitas para os amantes do vinho (...)". Além do artigo principal, dedica outro à cerveja "Dois Corvos" e outro ainda a "Esporão e Sovina", onde a propósito sublinha a atitude do João Roquette, em querer "fazer crescer em Portugal uma cultura da cerveja artesanal".

3.Grandes Escolhas
No nº de Agosto desta revista o jornalista JMD assina 3 artigos, sendo o 1º "Criatividade e Paixão", uma introdução ao tema onde refere "São já quase uma centena as marcas de cervejas criadas por pequenos produtores, dando corpo à categoria a que se convencionou chamar cerveja artesanal. Um nome apropriado, já que em cada copo destas cervejas está um pouco do empenho, da paixão e da capacidade de quem a produz". O 2º "Esporão aposta no sector cervejeiro" (a compra da Sovina pela Herdade do Esporão) e o 3º "Do vinho à cerveja artesanal" (a propósito da produção da Qtª La Rosa, já com 2 cervejas e uma 3ª na forja).

4.Uma conclusão (a minha)
Que eu saiba (e corrijam-me se estiver enganado), o único ponto de venda de vinhos de prestígio que aderiu às cervejas artesanais é o novo espaço da loja gourmet do Corte Inglês. Uma pena que não haja mais lojas ou garrafeiras de referência a cavalgar esta nova e desafiante onda.
Atrevo-me a afirmar que este fenómeno da cerveja artesanal veio atrasado 10 anos ou mais, pois se fosse no tempo da saudosa e emblemática Coisas do Arco do Vinho, as suas portas estariam abertas a esta nova aposta.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Vinhos em família (XC) : brancos de qualidade

A crónica de hoje é dedicada aos últimos vinhos que bebi em família, todos brancos e todos com qualidade, o que seria impensável há uns anos atrás. Aliás, vou bebendo brancos ao longo de todo o ano, enquanto que nos dias mais quentes os tintos não são tão apelativos e ficam à espera de melhor oportunidade.
Ei-los, os últimos 5:
.Kompassus Reserva 2015 (12 % vol.) - enologia de Anselmo Mendes; com base nas castas Arinto (70 %) e Bical (30 %), estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês (60 % novas e 40 % usadas); muito fresco e mineral, presença de citrinos, acidez q.b., volume e final de boca médios. Fino e elegante, acompanha bem entradas leves. Nota 17.
.Anselmo Mendes Beira Interior 2014 (12,5 % vol.) - com base na casta Síria em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês seguido de 24 meses em garrafa; muito floral, alguma frescura e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
.Regueiro Alvarinho Barricas 2015 (13 % vol.; garrafa nº 548/1976) - estagiou em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta madura, bela acidez e algum amanteigado, volume e final de boca consistentes. Potencial de envelhecimento e gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª do Ameal Escolha 2015 (11,5% vol.) - com base nas castas Loureiro (90 %) e Arinto (10 %), estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês usadas; muito fresco, mineral e cítrico, acidez no ponto, algum amanteigado, volume e final de boca médios. Elegante, acompanha bem marisco, peixe grelhado ou entradas leves. Nota 17,5.
.Terrenus Reserva Vinhas Velhas 2015 (13 % vol.) - 92 pontos no Parker; com base em vinhas velhas com mais de 90 anos, plantadas a 700 metros de altitude na Serra São Mamede, estagiou 12 meses em cubas de cimento e mais 12 em garrafa; presença de fruta de caroço, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 17.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Grupo dos 6 (11ª sessão) : um conjunto equilibrado de vinhos

Este grupo de enófilos da linha dura (Adelino, Juca, João, J.Rosa, Frederico e eu) reuniu, uma vez mais, no restaurante Magano (boa comida e serviço de vinhos exemplar, sempre!) para provar 6 vinhos (2 brancos, 3 tintos e 1 Madeira).
E eles foram:
.Portal do Fidalgo Alvarinho Reserva 25 Anos 2015 (levado pelo J.Rosa) - Prémio de Excelência 2017 atribuído pela Revista de Vinhos; aromático, presença de citrinos e fruta madura, acidez equilibrada, algum amanteigado, volume considerável e final de boca persistente. Elegância e personalidade. 13 % vol. Nota 18.
Acompanhou as habituais entradas.
.Maritávora Grande Reserva Vinhas Velhas 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho, em vinhas velhas com mais de 100 anos, estagiou 6 meses em barrica; nariz contido, alguma oxidação nobre, madeira bem integrada, fruta madura, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca adocicado. Já atingiu o seu ponto óptimo de consumo. 12,5 % vol. Nota 17,5.
Maridou bem com um bife de atum e grelos.
.Herdade das Servas Parcela V 2011 (1 das 1000 garrafas produzidas, levada por mim) - com base em vinhas velhas com mais de 70 anos, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês, seguido de mais 36 meses em garrafa; ainda com alguma fruta preta, fresco, acidez no ponto, taninos presentes mas civilizados, alguma complexidade e volume, final de boca muito extenso. No pico da forma. Nota 17,5+.
.Qtª da Falorca Garrafeira 2011 (levado pelo Juca) - 95 pontos no Parker; estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês e mais 30 meses em garrafa; frutado, notas florais, acidez equilibrada, taninos presentes, volume e final de boca consideráveis. Muito elegante e complexo. A beber daqui até 7/8 anos. Nota 18,5.
.Qtª de Saes Reserva Estágio Prolongado 2011 (levado pelo João) - com base em vinhas velhas, estagiou em barricas 14 meses e mais uns tantos em garrafa; ainda com muita fruta vermelha, fresco e floral, bela acidez, volume e final de boca médios. A beber já ou nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com vitela assada no forno.
.Artur Barros e Sousa Malvasia 1965 (levado pelo Adelino) - muito fresco, presença de frutos secos, iodo, brandy e vinagrinho, taninos civilizados, algum volume e final de boca extenso. Muito equilibrado. Nota 18,5.
Acompanhou tarte de amêndoa (excelente ligação) e pão de ló.
Foi uma sessão muito equilibrada e sem desilusões, sendo justo destacar o Qtª da Falorca e o Madeira.

sábado, 4 de agosto de 2018

Julho 2010: o que se passou aqui há 8 anos?

Das 15 crónicas publicadas no decorrer de Julho 2010, destaco estas 3:

."O Francisco não merecia isto!", no dia 15
Apresentação e prova de vinhos Madeira, orientada pelo Francisco Albuquerque, seguida de jantar, no Clube dos Jornalistas.
Não fora a militância do núcleo duro das Coisas do Arco do Vinho, o Francisco tinha ficado praticamente a falar sozinho.

."Impressões de Paris, 2ª parte - Lavinia, o deslumbramento", no dia 18
Quando um lojista tuga (eu próprio) se sente esmagado por uma garrafeira de outra galáxia...

."Jantar no Assinatura", no dia 21
Um dos jantares temáticos ("Cascas e Pinças") em que participei, concebidos pelo chefe Henrique Mouro, no auge da sua carreira e antes de se ter eclipsado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Rescaldo das férias (V) : Paço dos Cunhas e O Tachinho

continuando...

9.Paço dos Cunhas de Santar (Santar) - 3*
Este espaço é mais um restaurante da Global Wines (o outro aqui referido é o Qtª de Cabriz), tendo sido já objecto da crónica "Enoturismo no Dão (II) : Paço dos Cunhas de Santar", publicada em 11/10/2016, e feito parte do meu TOP 10 espaços de restauração, em 2014.
Mas, em contramão, esta última visita foi uma desilusão, embora o espaço seja confortável, as mesas bem aparelhadas, os copos Schott tenham qualidade e continuem, muito simpaticamente, a oferecer, à chegada, um flute de espumante (desta vez foi o Qtª do Encontro Bruto).
Primeiro aspecto negativo: sem direito a ementa, foi-nos dito que durante a semana só serviam o menu do dia (ovos mexidos com farinheira e enchidos, arroz de polvo e arroz doce).
Segundo: o vinho que acompanhava era o tinto Cabriz Colheita Seleccionada 2015 (16,5), a garrafa veio à mesa e servido de imediato, sem ter sido dado a provar. Mais, a temperatura não era a adequada, e o copo foi rejeitado. Veio um 2º, menos mal, mas acima do recomendável.
Com a sobremesa foi provado o Moscatel do Douro Palestra (15,5).
Serviço a cumprir os mínimos, mas mais preocupado com as mesas onde comiam estrangeiros.
Paço dos Cunhas, quem o viu e quem o vê!

10.O Tachinho (Seia) - 4*
"Descoberto" na net, foi uma das surpresas destas férias. Afastado do centro, não é fácil lá chegar (só com GPS, que não tenho, ou ouvindo via telefone as explicações duma empregada, que foi o nosso caso). Ambiente familiar, sala espaçosa e iluminada (naturalmente), toalhas de papel, mas guardanapos de pano. Atendimento eficiente e muito simpático.
Veio para a mesa, de comer e chorar por mais:
.joelho de porco assado no forno, com legumes e arroz de feijão
.arroz de entrecosto de javali
Quanto à componente vínica, a lista estava toda datada (atenção , restaurantes com pretensões mas que omitem os anos de colheita, ponham os olhos neste modesto espaço), centrada no Dão, mas com algumas falhas e sem vinhos a copo (só o da casa).
Optei por uma garrafa Dão Alvaro de Castro 2011 (17,5+) que foi dada a provar num bom copo (a pedido). A temperatura não era a mais adequada, mas prontamente resolveram a questão.
Bebemos metade da garrafa e o resto marchou no jantar no hotel.
Recomendo, sem hesitar!

Fim dos nossos serviços...