domingo, 30 de setembro de 2018

Curtas (CIII) : Vinhos do Alentejo em Lisboa e novas Enotecas

1.Rota dos Vinhos e Petiscos do Alentejo (29/9 a 13/10)
Já começou esta Rota de Vinhos e Petiscos em Lisboa, organizada pela CVRAlentejo.
Por 4,50 € pode-se comer um petisco acompanhado por um copo de vinho alentejano. Aderiram 14 espaços de restauração, entre os quais o By the Wine, Carnalentejana, Chutnify e TOPO Belém.
Mais informações no site da CVRA.

2.Vinhos do Alentejo em Lisboa
Apresentação e Prova de Vinhos do Alentejo no CCB, sendo os dias 13 e 14/10 destinados ao público em geral e o dia 15 aos profissionais do sector.
Ainda se desconhece o horário de abertura e fecho.

3.111 Vinhos (Rua da Sociedade Farmecêutica,20A)
Esta recente enoteca foi criada pelos donos da distribuidora com o mesmo nome. Em visita recente, fiquei com a impressão que ainda se estão a instalar (a fabulosa esplanada interior ainda não funciona) e que não vão para além dos produtos que representam. Aqui se pode provar e petiscar.
A surpresa agradável foi ter conhecido uma enóloga que faz parte da equipa (não recordo o nome) e já trabalhou com o Carlos Lucas e a Qtª da Pontepedrinha. Tem uma excelente memória e lembrava-se de ter participado num dos jantares organizados pelas CAV (já vão uns tantos anos!).

4.Mundo do Vino (Rua de São Bento,15)
Ao contrário da anterior, esta enoteca está a funcionar em pleno e nela se podem encontrar, provar, beber ou comprar cerca de 500 referências (220 tintos, 180 brancos, 70 fortificados e mais alguns espumantes e champanhes). O espaço contempla 2 salas espaçosas, onde se incluem 5 máquinas térmicas com controlo de temperatura e capacidade para 8 vinhos cada. Mediante a introdução de um cartão tipo MB, é possível extrair vinho para o copo (2; 7,5 e 12,5 cl), esta última quantidade manifestamente insuficiente. À semelhança da anterior também se pode petiscar queijos e charcutaria.
Os donos e animadores deste recente espaço são o Francisco Oliveira e a Rosy Ninkovic.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (III)

4.Geographia (Rua do Conde,1) - 4,5*
A minha última "descoberta" e uma boa surpresa foi este espaço, muito próximo do Museu Nacional de Arte Antiga, que tem como subtítulo "Comida que fala português" e se inspirou nas várias cozinhas das antigas colónias portuguesas.
O Geographia dispõe de 50 lugares à mesa, espalhados pelas suas 2 salas. As toalhas foram substituídas por uns originais toalhetes de napa, com um espaço para os talheres. Os guardanapos são de papel resistente, com o logo da casa, o célebre rinoceronte desenhado por Albrecht Durer, omnipresente no restaurante.
Provei/comi, nesta minha 1ª visita, e soube-me muito bem:
.bogés (farinha de grão e cebola) com chutney de coentros e hortelã (receita de Goa)
.a sapateira que queria ser casquinha de siri (Portugal/Brasil)
.sopa de peixe com maionese de garam (Portugal/Goa)
.salada morna timorense (Timor Leste)
.bebinca de 7 camadas com gelado (Goa)
Quanto à componente vínica, a lista, da responsabilidade do Miguel Júdice, um dos 3 sócios envolvidos neste projecto, é deveras original e bem estruturada, mas sem datas de colheita e a oferta a copo limitada ao "Santos da Casa", branco e tinto. Dois aspectos a rever (à atenção do Miguel Júdice).
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott.
Gostei francamente, recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Melhor blogue do ano (2018) : o enófilo militante no TOP 10 pela 7ª vez consecutiva

1.Estão a ser publicados, no site do Anibal Coutinho, os nomeados para os Prémios W 2018 em dezenas de categorias, todas elas relacionadas com o mundo vínico. Os "Nomeados para Melhor  Blog de Vinho do Ano em 2018" foram, por ordem alfabética (entre parêntesis o nº de presenças total e assinalando com * os estreantes):
.Comer Beber Lazer (5)
.Contra Rótulo (3)
.Desarrolhar *
.Enófilo Militante (7)
.Joli (3)
.Mesa Marcada (3)
.No Meu Palato *
.Os Vinhos (7)
.O Vinho em Folha (3)
.Vinho Porto Vintage (2)
De registar:
.continuam no TOP 10 os 2 eternos totalistas, de 2012 a 2018: Os Vinhos (Pedro Barata) e o Enófilo Militante (eu próprio)
.não foram incluídos os vencedores dos anos anteriores, estando alguns em actividade (Copo de 3, Bebes.Comes, Avinhar e Pingas no Copo) e outros parados (E Tudo o Vinho Levou e Air Diogo num Copo)
.não se entende a inclusão do blogue Mesa Marcada (que muito prezo, diga-se), o qual é 99 % dedicado à componente gastronómica.

2.Em relação ao meu blogue, considero pertinente referir que:
.nunca publiquei, nem publicarei, qualquer foto alusiva aos textos, em contramão com o que é habitual na blogosfera
.as crónicas publicadas abrangem apreciações de vinhos, mas também de restaurantes (ponto tónico na componente vínica, ou seja, as cartas, oferta de vinhos a copo, copos, temperaturas e serviço propriamente dito) e livros especializados
.as minhas críticas tanto abrangem os aspectos positivos como os negativos do mundo vínico, não me amedrontando quando os visados são instituições públicas consagradas ou individualidades conceituadas
.a  apreciação de vinhos incide no que vou bebendo da minha garrafeira, em espaços de restauração, em eventos vínicos, em visitas a produtores ou no âmbito dos diversos grupos de provas a que pertenço (Grupo dos 3, Grupo dos 6, Novo Formato+, FJF e Madeiras), recusando desde sempre o envio de amostras por parte dos produtores.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Grupo FJFJ (5ª sessão) : 1 Douro italiano e 1 Madeira de subir aos céus

Mais um encontro vínico destes F (Frederico e Francisco) e J (João e José) que decorreu no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos a confirmar a excelência deste espaço de restauração.
Desfilaram:
.Quanta Terra 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Gouveio e Viosinho, estagiou 6 anos em barricas de carvalho francês; nariz contido, oxidação nobre, excelente acidez, gordura e complexidade, algum volume e final de boca. 14 % vol. Preço desajustado. Nota 17,5+.
Não ligou com as entradas habituais, mas harmonizou com os filetes de polvo e arroz do mesmo.
.Vietti Castiglione Falleto 2004 (levado pelo J.Rosa) - 90 pontos na Wine Spectator e 92 na Wine Advocate (Parker); DOC Barolo; com base na casta Nebbiolo, estagiou 30 meses em barrica; nariz exuberante, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes, boa estrutura e final de boca muito longo. Fresco e elegante, apresenta-se com um perfil duriense (às cegas é um Douro autêntico). Longe da reforma, a beber nos próximos 6 a 8 anos. 14 % vol. Nota 18,5.
.Qtª da Leda 2004 (levado pelo João) - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz; acidez no ponto, notas terrosas e de esteva, algum chocolate e especiarias, volume médio, final de boca persistente e algo adocicado. A beber nos próximos 4/5 anos. 13,5 % vol. Nota 18 (noutras situações 17,5/18).
Estes 2 tintos acompanharam costoletas de borrego e grelos salteados.
.FEM Verdelho Muito Velho (levado por mim) - nariz intenso, presença de frutos secos, notas de brandy, iodo e caril, vinagrinho equilibrado, taninos em conta, complexidade, estrutura e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor! Nota 19,5 (esta foi a 14ª garrafa que tive a oportunidade de provar).
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (II)

2.Mestrias Nova Tasca (Largo da Paz,22B à Ajuda) - 4*
Este restaurante ocupou o espaço do A Paz, mais conhecido pela casa do Eusébio e outros futebolistas.
Agora é um restaurante de petiscos e de alguns pratos emblemáticos que não se encontram noutros lados, como é o caso do arroz de choco com sua tinta. Divinal! Na ementa constam 10 petiscos (doses avantajadas), 9 pratos e 4 sobremesas e, ainda, um aviso aos clientes: "nem sempre há de tudo e às vezes há coisas novas".
Tudo o que comi ou provei tinha qualidade. Para além do citado arroz, nota alta para as moelas, os cogumelos e a mousse de alfarroba.
As mesas, despojadas, são de pedra e os guardanapos de papel. No exterior, uma bela esplanada. Serviço eficiente, nada atascalhado, e simpático.
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 8 brancos (4 a copo), 3 rosés (1) e 10 tintos (4). Na lista constam os anos de colheita, o que não acontece na maioria dos restaurantes que conheço, mas lamentavelmente os tintos estão à temperatura ambiente, ou seja, quentes!
Optei por um copo do branco Lua Cheia em Vinhas Velhas 2017 (15,5+). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e servido por 2 vezes, a pedido.
Vale a pena conhecer este Mestrias, quanto mais não seja para comer o arroz de choco.

3.La Risotteria (Rua do Ouro, 265 - 1º) - 3,5*
Confesso que hesitei em incluir nas surpresas este espaço de restauração, devido à sua componente vínica que é muito fraca. Mas a qualidade das restantes componentes convenceram-me.
O espaço, situado no 1º andar de um hotel (The Lift Boutique Hotel), é acolhedor e bem decorado, com as mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano.
Ementa à base de risottos, adequada ao nome da casa, muito originais e saborosos, mas algo pesados nesta altura do ano. A repetir a experiência com o tempo mais frio.
Serviço profissional e muito sipático.
Quanto à componente vínica, a lista é curta, muito centrada nos vinhos italianos, copos fraquitos e tintos à temperatura ambiente. A copo, só o da casa, que nem sequer o registei. A garrafa veio à mesa e dado a provar.
Tem, ainda, um menu de almoço a 12 € (couvert, entrada, prato e sobremesa), sem bebidas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Vinhos em família (XCI) : 1 confirmação e 2 desilusões (relativas)

Mais alguns vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Uma confirmação (o tinto) e duas desilusões (relativas, claro). E eles foram:
.Kompassus Private Colection 2011 - com base na casta Baga, estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; aroma muito fino, algo evoluído, já com aromas e sabores terciários e complexos, acidez no ponto, notas especiadas, taninos de veludo, grande estrutura e final de boca persistente. Teor alcoólico algo excessivo (15 % vol.); a beber nos próximos 3/4 anos, acompanhado de um prato no forno. Nota 18,5+ (noutra situação 18,5).
.1º Nome (Qtª do Mouro) 2016 - com base nas castas Rabigato (35 %), Gouveio (35 %), Arinto (20 %) e Alvarinho (10 %), estagiou 8 meses sobre as borras finas; nariz contido, presença de citrinos e um toque de maçãs, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. 12,5 % vol. Alguma desilusão (relativa). Nota 16,5
.Soulmate Grande Reserva (Cortes do Tua Wines) 2016 (garrafa nº 2069/2400) - 18 pontos na Grandes Escolhas e na Revista de Vinhos; com base nas castas tradicionais do Douro, estagiou 8 meses em barricas novas de carvalho francês; presença de citrinos e maçãs, notas florais e apetroladas, alguma acidez e gordura; algum volume e final de boca. 14 % vol. Precisa de tempo para se mostrar e crescer. Alguma desilusão  (relativa) depois das altas notas atribuídas. Nota 17,5.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Espaços de restauração : algumas surpresas (I)

1.Saraiva's (R. Engº Canto Resende,3 entre as avenidas Antº Augusto Aguiar e Sidónio Pais) - 4*
Recentemente o Saraiva's foi tema de conversa da revista Vinho - Grandes Escolhas e do gastrónomo Virgílio Gomes, no respectivo site, para o qual tenho um link. Este espaço, completamente remodelado, mudou de mãos e agora pertence aos mesmos donos da Tágide.
Sala confortável e luminosa, mesas despojadas, mas com guardanapos de pano.
Na ementa actual, curta mas deveras original, constam "À Mão" (6 referências), "Começamos?" (8), "Carne" (4), "Do Mar" (3) e "Goludices" (5).
Nesta visita comi:
.couvert ("flat bread", focaccia, pasta de alho francês e chops de banana)
.tortilha de cachaço de porco preto
.ovos rotos (destes também o professor gostava**)
Quanto à componente vínica, a lista também é curta, mas a escolha criteriosa. Inventariei 2 espumantes, 8 brancos (3 a copo), 10 tintos (3) e 2 rosés, lamentavelmente sem os anos de colheita.
Optei por um copo do tinto Casal Santa Maria Touriga Nacional/Merlot 2014 (3,80 €) - estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, notas florais e vegetais, alguma acidez, taninos suaves, magro na boca e persistência média. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e temperatura adequada.
Resumindo, boa gastronomia e serviço eficiente e simpático. Uma boa surpresa!
** - este à parte na ementa tem a haver com uma polémica com o restaurante Bel Canto sobre a paternidade dos ovos à professor, que parece ter tido a sua origem no antigo restaurante bar Lorde.

sábado, 1 de setembro de 2018

Curtas (CII) : Néctar das Avenidas, Cerveja Artesanal e o blogue de férias

1.A Garrafeira Néctar das Avenidas tem nova morada
Já é oficial, a Néctar das Avenidas vai passar-se de armas e bagagens para outro espaço, com melhores condições. Fica na Av. Pinheiro Chagas,50 na esquina com a Luis Bivar, a 100 metros da morada actual.
A inauguração está prevista para o próximo dia 4 de Setembro. A partir das 17 h, um copo e um petisco esperam pelos clientes e amigos desta garrafeira.

2.A cerveja artesanal deu um tiro no pé
Vejo com espanto e perplexidade que o Continente editou um Guia de Cervejas, anunciando uma feira com as ditas, onde aparecem algumas artesanais de referência, como é o caso da Sovina, Nortada, Letra, Maldita, Vadia, Oitava Colina, Dois Corvos, Musa e +351, entre outro tipo de cervejas.
As cervejas artesanais deviam limitar-se às cervetecas (em Lisboa, já há umas tantas), lojas gourmet e garrafeiras. Ao entrarem num hipermercado, estão a dar um tiro no pé!

3.O blogue vai de férias
No decorrer da próxima semana, o enófilo militante estará longe do computador.
Fica por publicar "Espaços de restauração : algumas boas surpresas".
Até ao meu regresso...