sábado, 6 de outubro de 2018

Histórias com Vinho, segundo o João Paulo Martins (JPM)

Acabou de sair o livro "Mais Histórias com Vinho & novos condimentos" (295 páginas), da autoria do JPM, que vem na sequência do "Histórias com Vinho & outros condimentos" (234), publicado há 2 anos e referido aqui em "Livros para o Natal", crónica publicada em 3/12/2016.
A editora é a mesma Oficina do Livro, o formato é diferente e a capa também. Enquanto na edição anterior a capa contempla a fotografia do JPM, esta última apresenta uma ilustração (má, por sinal) onde o autor aparece com um garrafão de 5 litros na mão. Ou eu não tenho nenhum sentido de humor, ou aquilo é mesmo piroso.
Com base em crónicas publicadas na Revista de Vinhos (a antiga), Vinho Grandes Escolhas, Expresso, Público e DN, de 1996 a 2018, algumas delas acrescidas de comentários actuais, este último livro divide-se em 5 partes:
1ª - Com Amor e com Afecto
2ª - As Terras e os Produtores
Na crónica "E a crítica de vinhos começou assim...", presta uma justa homenagem ao José António Salvador, com quem o JPM deu os primeiros passos como crítico de vinhos. Transcrevo: "Há claramente um antes e um depois do Salvador. Com enormes virtudes e outros tantos defeitos, não deixou sempre de dizer o que pensava (...)".
Em "Das fitas para a adega", o JPM relata um jantar no Porto de Santa Maria, na sequência do Festival de Cinema do Estoril, onde participou o famoso Francis Coppola, um homem do cinema mas também do vinho. O JPM conseguiu surpreendê-lo ao levá-lo a provar Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2008, Qtª do Crasto Vinha Maria Teresa 2006 e Burmester Colheita 1955. Bingo!
Mais à frente em "Memórias de um Senhor do Vinho", dedicada a Luiz Costa, o grande e saudoso senhor das Caves São João, referia "(...) ao solicitar informação sobre um branco de 1985 de que gostei muito, fiquei a saber que nas Caves existiam 7000 garrafas do mesmo. Para vender como? A quem? (...)". Se é o vinho que eu penso, o Porta dos Cavaleiros Reserva 1985, está ainda em grande forma (o JPM provou-o em 2012) e vende-se na Garrafeira Néctar das Avenidas, passe a publicidade.
Ainda nesta 2ª parte, na crónica "Madeira Blandy chega aos 200 anos", depois de se referir às castas nobres, menciona que a mais plantada é a Negra Mole ou Tinta Negra. Só que, ao que averiguei, são 2 castas diferentes, imperando a Tinta Negra na Madeira e a Negra Mole no Algarve. Tenciono voltar a este tema em crónica futura.
3ª - Controvérsias, Provocações e Outras Questões
Na crónica "A lição dos mestres", o JPM começa por referir "O país é pequeno e sabe pouco da matéria. Por isso convém ouvir o que os doutores têm ensinar aqui ao pessoal (...)", isto a propósioto de alguns MW (Master Wine) que por cá passam e mandam umas bocas, sem terem tempo de provar e perceber os nossos vinhos. Toda a crónica é hilariante (o JPM no seu melhor)e não dá para a transcrever. Comprem o livro. Só para lerem este bocado vale a pena.
4ª - As Provas e as Críticas, pois claro
5ª - Várias Histórias e Muitos Lugares
Em "Amor como o primeiro? Não, obrigado...", o JPM conta que há muitos anos atrás, ainda era professor algures numa escola da Graça, no caminho parava numa mercearia onde comprava, de quando e quando, uma garrafa de vinho, uma das quais foi Vinha Grande 1960. A garrafa, anos mais tarde e já vazia, aterrou na Sogrape que não tinham nenhuma no seu museu e, mais grave, nem sequer sabiam que existia aquela colheita.
A terminar, vale a pena ler este último livro do JPM a quem desejo boas vendas.
Numa próxima edição, há que ter em conta:
.a história passada com o Qtª do Estanho Colheita 1927 é contada por 2 vezes (páginas 200 e 212)
.a prova do Ferreirinha Reserva Especial 1996 em Junho de 1996 (uma impossibilidade, página 232).

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