sábado, 29 de dezembro de 2018

Super Chefe e Infame : 2 restaurantes que vale a pena conhecer

1.Super Chefe - 4*
Fica no Parque das Nações (Rua da Pimenta,101) e é o último dos restaurantes com esplanada exterior. Mais, é um restaurante chinês com uma qualidade gastronómica, e não só, que fica muitos furos acima da maioria dos seus congéneres.
Espaço confortável, mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano. Serviço eficiente e simpático.Na nossa última visita comemos:
.entradas (guioza de gambas e delicia vegetariana)
.robalo cozido com caril (um dos ex-libris da casa; a dose pequena dá para 2 pessoas e custa 13,90 €, uma pechincha para a quantidade, qualidade e originalidade deste prato)
.arroz chao chao
.sobremesas (doce chinês e abacaxi)
Bebemos uma Bohemia (a Original) que acompanhou muito bem toda a refeição.
A lista de vinhos é o ponto fraco deste espaço e daí ter ficado nas 4* (a componente gastronómica vale mais). O serviço de vinhos será testado numa próxima visita.
Este Super Chefe foi o ponto mais alto de uma recente jornada gastronómica, dedicada à cozinha asiática. Os outros restaurantes foram os badalados Afuri (no Chiado) em 2º e o Soão (em Alvalade) em 3º.

2.Infame - 4*
Este espaço já foi aqui referido em "Infame : uma mais valia no Intendente", crónica publicada em 7/9/2017.
 Em visita recente optei pelo Menu Executivo, com direito a sopa/entrada (creme de cogumelos), prato (secretos de porco), sobremesa, bebida e café, tudo isto por 14 €.
Como fomos logo a seguir ao dia de Natal, bebemos água para lavagem do organismo que bem precisava.
Em relação à componente vínica e ao facto de eu ter criticado o abuso ou oportunismo por, na respectiva lista, constar um Porto 1908 Vintage, fiquei satisfeito por terem corrigido e constar agora um Porto 1908 20 Anos. A crítica não caíu em saco roto!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Grupo dos 3 (63ª sessão) : Dão e Bairrada em confronto

Mais uma sessão, a última de 2018, deste grupo de enófilos da linha dura, que decorreu no restaurante do Hotel Real Palácio com vinhos da garrafeira do Juca.
Desfilaram:
.Gonzales Palacios Palomino Fino - cor muito carregada, demasiado oxidado, presença de frutos secos, acidez nos mínimos, final de boca curto e seco. Na curva descendente, para não dizer a pique. Nota 13,5.
.Frei João Reserva 2009 - com base nas castas Bical (55 %), Cerceal (35 %) e Maria Gomes (15 %); cor palha, alguma oxidação nobre, fruta madura, notas de chá, acidez equilibrada, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
Harmonizou bem com uma série de entradas (braz de gambas, folhado de legumes e rissóis de leitão).
.Campolargo Calda Bordaleza 2002 - com base nas castas Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Merlot, estagiou 10 meses em barricas novas de carvalho; ainda com alguma fruta e acidez, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (13 % vol.). Elegante e muito afinado. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 18.
.Pellada Mulher Nua 2003 - com base em vinhas velhas e alguma Touriga Nacional, estagiou 14 meses em barris de carvalho; nariz discreto, alguma fruta e acidez, notas florais e vegetais, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Uma raridade, a beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18,5.
Estes tintos acompanharam um belíssimo pato no forno com risotto de cogumelos.
Resumindo, os vinhos "tugas" portaram-se muito bem, mas o nosso "hermano" foi-se abaixo das canetas. Obrigado Juca!

sábado, 22 de dezembro de 2018

Vinhos em família (XCIII) : um grande Douro nada badalado

Mais uns tantos vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Casas do Côro Reserva 2015 (Beira Interior) - enologia de Dirk Niepoort; com base em vinhas velhas a 600 metros de altitude; aroma contido, fresco e mineral, presença de citrinos, alguma acidez e gordura, volume e final de boca (13,5 % vol.). Elegância e personalidade. Nota 17,5.
.Vértice Grande Reserva 2015 - engarrafado em Julho 2017; presença de citrinos e fruta cozida, alguma oxidação precoce, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca médio (13,5 % vol.). Gastronómico. Nota 17.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2011 - estagiou 40 meses em barrica; nariz contido, ainda com fruta, acidez no ponto, notas especiadas, alguma complexidade, taninos civilizados, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5 (noutras situações 18/17).
.Qtª do Grifo Grande Reserva 2011 (Rozes) - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão e Sousão, estagiou 16 meses em barrica; nariz mais exuberante e complexo, ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, bom volume e final de boca persistente (14 % vol.). Um grande Douro pouco ou nada badalados pela crítica. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Grupo dos 6 (13ª sessão) : 4 vinhos ao nível da excelência

Este último encontro deste grupo decorreu no restaurante Colunas, a pretexto de umas divinais perdizes oferecidas pelo J. Rosa, que foram degustadas como entrada (em escabeche, demasiado soft) e como prato principal (no forno, com batatas e grelos).
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 (levada por mim) - aroma afirmativo e complexo, presença de citrinos e fruta madura, leves notas tropicais, bela acidez, notas amanteigadas, volume acentuado e final de boca longo (13 % vol.). Um dos melhores brancos provados este ano e que está ao nível do 2007. Nota 18,5 (noutras situações 18/18/18).
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2014 (garrafa nº 2677/3115, levada pelo João) - com base nas castas Maria Gomes e Bical em vinhas velhas, estagiou em tonéis de madeira usada; nariz discreto, fresco e mineral, acidez no ponto, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Nota 17,5 (noutra 16,5).
Estes 2 brancos acompanharam os tradicionais pastéis de massa tenra, ovos de codorniz e as já citadas perdizes de escabeche.
.Qtª da Romaneira 2004 (levada pelo J.Rosa) - nariz contido, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos de veludo, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol). Elegante, sofisticado e consistente, está no ponto óptimo de consumo. Nota 18,5 (noutras 18,5/18,5+/18,5/18,5).
.Viña Tondonia Reserva 2004 (levada pelo Frederico) - Bodegas Lopez Heredia (Rioja); 94 pontos no Parker e no Peñin; com base na casta Tempranillo (75%) e outras, estagiou 6 anos em barricas; nariz discreto, fresco, acidez equilibrada, aromas/sabores terciários, especiado, taninos civilizados, bom volume e final de boca persistente (13 % vol.). Também está no ponto óptimo de consumo. Nota 18,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com as referidas perdizes no forno.
.Madeira Verdelho 1913 garrafeira particular (levada pelo Adelino) - presença de frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho, taninos vibrantes, bom volume e final de boca interminável. Um vinho sem marca, mas notável. Nota 19.
.Madeira Malmsey Velho garrafeira particular (também levada pelo Adelino) - muito doce, frutos secos e notas meladas, alguma acidez e volume, final de boca médio. Uma raridade, mas que ficou uns furos abaixo do centenário Verdelho. Nota 17,5.
Foi mais uma grande sessão de convívio, bons vinhos e boas perdizes.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A Toca da Raposa desceu à Capital

A Toca da Raposa, restaurante situado em Ervedosa do Douro, veio até Lisboa onde realizou uns tantos almoços e jantares no restaurante Lisboa Rio (Cais do Sodré), em parceria com a cerveja Bohemia. Os donos estiveram presentes e, por parte da organização, deram a cara o Rodrigo Meneses  (responsável pela escola de cozinha da Academia Time Out) e o José Silva (esse mesmo, da Hora de Baco).
Alinhámos num dos almoços, a 30 € por cabeça, com direito a entrada (pão e azeite, vindos de Ervedosa), 3 pratos regionais, 3 cervejas Bohemia, sobremesa (rabanadas), água e café.
Os pratos e as harmonizações com as cervejas foram explicados e, tanto o Rodrigo Meneses como o José Silva, vieram às mesas, uma mais valia.
1º prato: pernil e barriga fumada, a maridarem com a Bohemia Porter, com notas de café e chocolate preto a imporem-se, de longe a cerveja mais interessante do almoço.
2º prato: milhos com enchidos e grelos, que se fizeram acompanhar pela Bohemia Puro Malte, uma cerveja semelhante a tantas outras que conheço.
3º prato: um belíssimo arroz de salpicão, um ex-libris da casa, com uma desinteressante Bohemia Original.
Que falta me fez um tinto do Douro para acompanhar este prato!
No final do repasto uma nota simpática, a oferta de um "pack" Bohemia, com as 3 cervejas provadas e, ainda, a de Trigo.
O balanço foi positivo, apesar de não ter ficado entusiasmado com 2 das cervejas servidas. Mas a cozinha tradicional da Toca da Raposa mostrou a sua qualidade e a organização do evento esteve à altura.
Uma experiência a repetir, sem dúvida.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Jantar Jorge Moreira

Antes de entrar no desenvolvimento do jantar, dois apontamentos sobre este evento:
1º - Só se realizou porque o Jorge Moreira, uma grande referência no mundo do vinho, tem um sentido das responsabilidades muito apurado. Eu digo isto porque ele sofreu, na véspera, um grande e aparatoso acidente que praticamente lhe destruiu o carro. Podia ter ficado a descansar tranquilamente em casa, mas não o fez.
2º - Chamaram-lhe "Jantar de Vinhos - Quinta de La Rosa", mas rigorosamente não o foi, pois foram provados 2 vinhos Passagem que não são daquele produtor, mas sim resultantes de uma parceria da família Bergqvist com o Jorge Moreira.
Voltando ao evento, este foi organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas e decorreu na sala nova da Casa do Bacalhau (um dos espaços mais bonitos que conheço em Lisboa), que já nos habituou a uma boa gastronomia, ritmo adequado, temperaturas correctas e copos Riedel, embora o serviço de vinhos esteja abaixo do da equipa do Via Graça.
Desfilaram:
.Qtª de La Rosa Porto Branco Extra Dry - serviu de bebida de boas vindas, cumpriu a sua função, mas não ficou na memória.
Acompanhou amendoas torradas.
.Passagem Reserva 2017 branco - com base em vinhas velhas a 400 metros de altitude, onde predominam as castas Viosinho, Gouveio, Rabigato e Códega do Larinho, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês usadas; fresco e mineral, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca médios (13 % vol.). A conselhado para acompanhar entradas simples ou para beber a solo. Nota 16,5+.
Ligou bem com uns pastéis de bacalhau.
.Tim Grande Reserva 2015 branco (2500 garrafas produzidas) - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Viosinho, Gouveio e Arinto, esatgiou 6 meses em barricas de carvalho francês e 18 em garrafa; aromático e complexo, presença de citrinos e fruta cozida, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Gastronómico, acompanha entradas mais pesadas ou peixe no forno. Melhor daqui a 4/5 anos. Nota 17,5+.
Maridou com um prato de pataniscas e arroz de tomate.
.Passagem Reserva 2016 tinto - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Touriga Nacional (70 %), Touriga Franca (25 %) e Sousão (5 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muito frutado, notas vegetais (eucalipto?), acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14,5 %). Demasiado jovem, há que esperar por ele. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.La Rosa Reserva 2016 tinto - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muito floral e fresco, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume notável e final de boca muito longo (14,5 %). Ainda muito novo, vai melhorar com o tempo. A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos armonizaram com bacalhau de cura  de 10 meses assado com batatas a murro.
.Qtª de La Rosa Tawny 30 Anos - é a estreia em tawnies com esta idade e foi lançado agora para comemorar os 30 anos da empresa; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz de letra A e provenientes dos patamares mais antigos; presença de frutos secos, mel, alguma acidez e gordura, volume e final de boca assinaláveis. Engarrafado e armazenado no Douro. Nota 18.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Eating Bear : um espaço contraditório - 3*

O Eating Bear (Rua da Madalena,62-64) que se auto intitula "Restaurante Adega Wine Bar" é um espaço que aposta forte na componente vínica, com a "Harmonização de 3 Vinhos" (9 €, com direito a provar 1 branco, 1 tinto e 1 tinto reserva) e a "Degustação Premium (12,50 € com 1 Moscatel, 1 Porto e 1 Madeira).
A ementa é demasiado extensa, as mesas despojadas, os guardanapos de papel, as cadeiras desconfortáveis e copos razoáveis.
Quanto a comida, vieram para a mesa tacos de peixe com maionese, sapateira em cama de pimento e uma sobremesa à base de chocolate. Nada  entusiasmante.
Quanto à componente vínica, inventariei 8 cocktails à base de vinho, 7 brancos (todos a copo), 10 tintos (9 a copo), 1 rosé (1), 8 Portos, 3 Moscatéis, 3 Madeiras e 6 cervejas artesanais portuguesas, além de mais algumas estrangeiras. A lista está muito centrada no Alentejo e a maior parte dos vinhos é de marcas completamente desconhecidas para mim.
Joguei pelo seguro e bebi uma bela cerveja artesanal, a Avenida Blond Ale da Dois Corvos.
Serviço simpático, mas pouco atento.
Perante as críticas altamente abonatórias na Zomato e outras plataformas, há que dar o benefício da dúvida e voltar ao Eating Bear. A minha visita pode ter calhado num mau dia, meu ou deles.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Grupo dos 6 (12ª sessão) : grandes tintos de 2009, 1 Vintage de respeito e 1 Madeira de excepção

Nesta última sessão, este grupo de enófilos da linha dura voltou ao local do "crime", isto é, ao restaurante Via Graça, o local da 1ª sessão e onde o grupo se institucionalizou.
Desfilaram:
.Encontro 1 2013 (levado por mim) - 92 pontos no Parker e 91 na Wine Enthusiast; com base na casta Arinto (100 %), estagiou 3 meses em barrica; nariz austero, citrinos e fruta madura, bom equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca assinaláveis. Um branco de guarda com 13,5 % vol. Nota 17,5+.
.Campolargo Bical 2015 (levado pelo João) - com base na casta Bical (100 %), estagiou em tonel (50%) e barrica (50 %); muito frutado, aromas e sabores primários, alguma acidez, volume e final de boca médios (11,5 % vol.). Nota 17.
Estes 2 brancos acompanharam o couvert (selecção de pães e patés), croquetes , salada de polvo e um excepcional robalo do mar ao sal.
.Pai Abel 2009 (levado pelo J.Rosa) - com base na casta Baga (80 %), estagiou 7/8 meses em madeira; nariz afirmativo, ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, volume e final de boca notáveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Qtª da Falorca Garrafeira 2009 (levado pelo Frederico) - 95 pontos no Parker; com base em vinhas velhas, estagiou 24 meses em barrica; ainda muito fresco e frutado, acidez e complexidade, elegante e especiado, bom volume e final de boca muito longo (14 % vol.). A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5+.
.Villa Oliveira Touriga Nacional 2009 (levado pelo Juca, garrafa nº 26/2500) - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; notas florais, fresco e elegante, bela acidez, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
Estes 3 tintos harmonizaram com um pernil de porco no forno.
.Qtª do Noval Vintage 1970 ( saído da garrafeira do Adelino) - cor próxima de um tawny, ainda com alguma fruta, acidez no ponto, taninos de veludo, equilibrio e elegância, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18,5.
Maridou com uma tábua de queijos (Serpa, Azeitão e Serra).
.Artur Barros e Sousa Verdelho Velho 1965 (idem) - aroma intenso, frutos secos, iodo, brandy e vinagrinho, taninos bem presentes, volume considerável e final de boca interminável. Nota 19.
Casou com doce de ovos e gelado de baunilha.
Mais uma grande sessão de convívio, boa gastronomia e grandes vinhos (todos em copos Riedel). Uma palavra final para o serviço de vinhos, a cargo do escanção e chefe de sala, Fernando Zacarias, a merecer nota alta.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Dão Capital no Mercado da Ribeira

O Dão desceu até Lisboa e esteve presente numa mostra de vinhos e iguarias que decorreu no 1º andar do Mercado da Ribeira, nos dias 23 e 24 Novembro. Aderiram 32 produtores, entre pequenos, médios e grandes. As provas comentadas, a cargo dos críticos da revista Grandes Escolhas, foram conduzidas à vista e ao ouvido de quem andava ali só para provar vinhos, com todos os inconvenientes para ambas as partes. À atenção da organização, a CVR Dão.
Provei 30 brancos, dos quais 15 eram da colheita 2017, 1 de 2012, 2 de 2014, 6 de 2015 e outros 6 de 2016.
A grande supresa, para mim, apesar da juventude, foi o Qtª da Bica 2017. Destaco, ainda, o Chão do Vale Vinhas Velhas 2017(Lafões), Ribeiro Santo Vinha da Neve 2016, Qtª da Alameda Reserva 2016, Vale Divino 2012, Varanda da Serra 2014 (em magnum), Adega de Penalva Cerceal 2015, Qtª Mendes Pereira Reserva Encruzado e Malvasia 2015 e Villa Oliveira Encruzado 2015.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Almoço com Vinhos Fortificados (31ª sessão) : vertical Vale Meão e Madeiras séc. XIX e XX

Este último encontro do Grupo dos Madeiras desenrolou-se na Casa da Dízima, já nossa conhecida, com um serviço de vinhos de 5 estrelas (66 copos Schott na mesa, é obra!) e onde se come bem. Os anfitriões foram o casal Marieta/José Rosa que trouxeram os vinhos e algumas iguarias.
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 - muito fresco, cítrico e mineral, complexo, acidez vibrante, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Fez boa companhia a uma série de entradas (bochechas crocantes de bacalhau, gambas de Moçambique em massa katafi, vieiras frescas e presunto pata negra) e queijos (Reggiano 24 meses de cura, cabra curado de Castelo Branco e ovelha amanteigado de Celorico da Beira).
.Il Cavaliere Diplomate d' Impire Cuvé Collection (engarrafado em 2014 e com capacidade de 3 litros) - aromas e sabores terciários, com notas de frutos secos e fruta desidratada, bela acidez e algo amnteigado. Vinho branco algo estranho, não se assemelhando a qualquer vinho que eu tivesse provado. Nota 17.5.
Acompanhou um creme aveludado de espargos e um belo risotto de carabineiros selvagens. Voltei a prová-lo com queijo de pasta mole e deu boa conta de si.
.Blandy Terrantez 1976 - frutos secos, caril e vinagrinho, alguma gordura, taninos super afinados, bom volume e final de boca muito longo. Complexo, fresco, equilibrado e elegante. Nota 18,5+.
Deu-nos muito prazer e serviu para limpar o palato.
.Vale Meão 2008 - nariz inicialmente contido, foi abrindo ao longo da prova, fresco, frutado, notas florais, especiado, bela acidez, taninos presentes e civilizados, bom volume e final de boca muito longo. Um bom exemplar da colheita 2008, a beber nos próximos 10/12 anos. Nota 19.
.Vale Meão 2009 - nariz exuberante, muita fruta e notas vegetais, acidez equilibrada, especiado, taninos bem comportados, volume e final de boca assinaláveis. Uma grande surpresa, a beber nos próximos 6/8 anos. Nota 18,5.
.Vale Meão 2010 - nariz contido, alguma fruta, um toque vegetal, acidez no ponto, taninos evidentes, algum volume e final de boca médio. Alguma desilusão, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5+.
Estes 3 tintos maridaram com um saboroso lombinho de veado em molho de LBV e puré de trufa negra.
.P J L Bual 1880 (P J L são as iniciais de Pedro José Lomelino, avô do Artur e do Edmundo Barros e Sousa) - frutos secos, notas de brandy, iodo e caril, vinagrinho excessivo, taninos intensos, algum volume e final de boca interminável. Algumas semelhanças com aguardentes velhas, Conhaque ou Armanhaque. Entra "soft" e adocicado e e sai violento. Seguramente não é um Madeira para principiantes. Nota 18,5.
Acompanhou um bolo de chocolate, mas não gostei da harmonização.
Foi uma grande jornada, muito didáctica (vertical Vale Meão) e com 2 fortificados nada fáceis de encontrar.
Obrigado Marieta e José Rosa. Ficaram bem na fotografia!

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Novembro 2010 : o que se passou aqui há 8 anos

Entre as 22 crónicas publicadas em Novembro 2010, estas 6 merecem ser relembradas:

."Garrafeiras em queda e concorrência mais ou menos desleal", no dia 10
Passados 8 anos mantém-se esta situação, com garrafeiras e lojas gourmet a abrirem um pouco por todo o lado e outras a fecharem.
Quanto à concorrência desleal idem, por parte de alguma comunicação social, como é o caso lamentável do Expresso e do Público.

."Grupo de Prova dos 3+4 (4ª sessão)", no dia 11
Um encontro de enófilos na saudosa enoteca de Belém, lamentavelmente encerrada recentemente, com vinhos da minha garrafeira. Apresentei nesta sessão 2 brancos de 2007, 4 tintos da complicada colheita de 2006 e, ainda, o Porto Vintage Graham's 1994 e o Blandy Bual 1977.

."Guia de Vinhos 2011, do Rui Falcão", no dia 15
Uma referência no mundo do vinho, a deste crítico que acompanhou de perto o projecto das Coisas do Arco do Vinho e chegou a fazer parte do nosso painel de prova.
É bom lembrá-lo, agora que anda mais ou menos desaparecido.

As 3 crónicas que se seguem, publicadas todas no dia 25, resultam de uma visita à Bairrada organizada pelo João Quintela, ainda antes da Garrafeira Néctar das Avenidas ter sido inaugurada.
É a minha leitura dos vinhos, produtores e enólogos bairradinos, feita há 8 anos mas que se mantém actual, segundo me parece.

."Campolargo : a Bairrada moderna"

."Luis Pato : a ponte entre o clássico e o moderno"

.Sidónio de Sousa, Caves São João e Qtª das Bageiras : a Bairrada clássica"

sábado, 1 de dezembro de 2018

Almoço na Academia Time Out

Na minha última incursão no Mercado da Ribeira estava quase a desistir, ao ver que os lugares sentados estavam praticamente todos ocupados pela invasão de turistas, quando me apercebi que o espaço da Academia, o Chef 's Table Experience, com 24 lugares sentados à mesa, estava vazio. E assim ficou, pois além de mim apenas um casal aproveitou a oportunidade. Uma frustação para quem está ali a trabalhar.
Aproveitei a oportunidade, pois claro.
Por 12,50 € tem-se direto a couvert (pão e azeite), prato (nesse dia, arroz cremoso de bacalhau com ervas frescas), sobremesa (foi mousse de chocolate) e bebida. Mais, assiste-se ao empratamento e alguma finalização dos pratos, feita à vista do cliente.
Quanto à bebida optei por um copo de vinho. Sem alternativa, foi-me servido o branco Monte Baixo 2017 (Adega Cooperativa Ponte de Lima) - fresco e frutado, ligeiramente adocicado, não ligou com o prato de bacalhau. Está mais indicado para acompanhar marisco ou entradas muito leves. Nota 15,5.
Não faz sentido não haver uma alternativa que ligue com o prato do dia. À atenção dos repnsáveis pela Academia.
A garrafa veio à mesa e o vinho a provar. Serviço eficiente e simpático.
A finalizar: mais uma vez, um dos WC tinha os urinóis entupidos. Ó senhores da Time Out, vejam lá isso. Não é só facturar!