terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Grupo dos 3 (69ª sessão) : 3 vinhos a merecerem nota alta

A crónica deste evento deveria ter sido publicada antes das crónicas dedicadas ao Grupo dos 6 e ao Jantar Quinta do Crasto, mas os papéis onde tomei as minhas notas andaram perdidos. Mas já foram encontrados. Logo, assunto resolvido!
Este último encontro vínico dos 3, foi da responsabilidade do Juca que pôs à prova (cega, como é habitual neste grupo) 3 vinhos da sua garrafeira, tendo escolhido o restaurante do Hotel Real Parque (Av. Luis Bívar) no dia dedicado ao bacalhau (todas as quintas-feiras, em serviço bufete).
Sala a abarrotar de gente ruidosa, ambiente nada propício a provas cegas e guardanapos de papel. Salvaram-se os vinhos, a saber:
.Qtª da Falorca Reserva 2018 branco - enologia de Carlos e Pedro Figueiredo; com base maioritariamente na casta encruzado (97 %), estagiou parcialmente 2 meses em barrica; fresco e mineral, presença de citrinos, acidez elevada, algum volume e final de boca (14 % vol.). Nota 17,5+.
Este branco acompanhou pataniscas, bacalhau às lascas e uma tábua de queijos.
.M.O.B. 2012 tinto (elaborado e produzido pelo trio de amigos jorge Moreira, francisco Olazabal e jorge serôdio Borges) - com base nas castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga; alguma fruta e notas vegetais, acidez e elegância, taninos de veludo, algum volume e final de boca extenso (12,5 % vol.). Ainda longe da reforma, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5.
Harmonizou com bacalhau à braz e à lagareiro.
.Blandy Bual 30 Anos - 92 pontos no Parker; nariz afirmativo, presença de frutos secos, notas de brandy e iodo, vinagrinho equilibrado, volume notável e final de boca interminável. Nota 19.
Acompanhou com bolo rainha e mousses de chocolate, manga e maracujá.
Obrigado Juca e desculpa lá o atraso!

domingo, 29 de dezembro de 2019

Taberna Albricoque revisitada - 4,5 *

As minhas primeiras impressões deste espaço do chefe Bertílio Gomes foram objecto da crónica "Taberna Albricoque - 4 *", publicada em 20/8/2019.
Estive lá recentemente e constatei que o projecto está perfeitamente consolidado e melhorado. Já se pode beber cerveja artesanal, as 4 variedades da algarvia Marafada. Também ali reencontrei o Bruno Salvado, agora o chefe residente, que já conhecia dos tempos da Casa da Comida e do Vírgula.
Nas mesas, flor de sal, toalhetes e guardanapos de papel reciclado.
Desta vez comemos, em partilha:
.couvert (pão da Gleba e cenoura roxa de conserva com azeitonas de sal)
.rissol de berbigão
.carapau em tártaro com pickles de algas
.berbigão à bulhão pato
.bacalhau lascado com puré de castanhas
Estava tudo delicioso. Nota alta para o trabalho na cozinha.
Para acompanhar, escolhi um branco algarvio, Barranco Longo Chardonnay 2018 - fresco e elegante, equilíbrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Nota 17,5.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num bom copo Chef & Sommelier.
Serviço eficiente, profissional e simpático.
Por tudo isto, a classificação da Taberna Albricoque subiu das 4 * iniciais para 4,5 *, o que é de inteira justiça.
A voltar, sempre!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Grupo dos 6 (20ª sessão) : a 1500ª crónica

Foi em 19 de Março 2010 que publiquei aqui a minha 1ª crónica e hoje, passados quase 10 anos, estamos na 1500ª que vai ser dedicada à 20ª sessão do Grupo dos 6.
Este grupo de privilegiados enófilos, desfalcado de um dos seus protagonistas (falta justificada), reuniu no Magano para mais uma sessão de respeito, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.
O tema era provarmos os 2 brancos lançados agora pelo Clube Reserva 1500, 2 tintos de 2004 e 2 fortificados da garrafeira pessoal do nosso amigo Adelino.
Desfilaram:
.Série Impar Sercialinho 2017 (garrafa nº 619/2050 levada pelo Frederico) - enologia de António Braga; com base na casta Sercialinho (100 %), estagiou em barricas usadas; intensidade aromática, presença de citrinos, acidez fabulosa, algum adocicado, volume e final de boca assinaláveis (12,5 % vol.). Longevo, ainda não mostrou tudo o que vale. Há que esperar mais uns anos. Nota 18.
.Qtª dos Carvalhais Atípico Branco Especial (levada por mim) - com base nas castas Encruzado, Gouveio e Sémillon, estagiou em barricas usadas de carvalho francês; já engarrafado neste ano, junta vinhos das colheitas de 2004 a 2018, com predominância de 2013 e 2014; nariz discreto, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (14 % vol.). Gastronómico, ainda está muito marcado pela madeira. Nota 17.
Estes 2 brancos maridaram com as entradas habituais e uma lulas recheadas com puré de batata.
.BOCA 2004* (levada pelo Juca) - ainda com alguma fruta, aromas/sabores já terciários, especiado, taninos de veludo, algum volume e final de boca longo (14,5 % vol.). Elegante e complexo, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18,5.
.Qtª da Dôna 2004 (levada pelo João) - com base na casta Baga, estagiou 14 meses em barricas de carvalho; ainda com fruta, bela acidez, especiado com predomínio da pimenta, taninos suaves, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Ainda com saúde, a beber nos próximos 3/4 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos harmonizaram com um cabrito no forno e grelos.
.Moscatel Roxo 1992 J.P. (levada pelo Adelino) - presença de citrinos, casca de laranja cristalizada e frutos secos, boa acidez, algum volume e final de boca. Nota 18.
.FMA Bual 1964 (levada pelo Adelino) - presença de citrinos, frutos secos e vinagrinho, notas de brandy, caril e iodo, volume e final de boca impressionante. Nota 19.
Estes 2 fortificados acompanharam pastéis de amêndoa, mil folhas e pão de ló.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes, a última de 2019.

* Não é demais relembrar que este BOCA (anagrama das iniciais de Barão da Cunha e Oliveira Azevedo, sócios gerentes da saudosa garrafeira Coisas do Arco do Vinho) resultou de um lote concebido por nós (Juca e eu), a partir das castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, tendo estagiado 12 meses em barricas de carvalho francês. Foi lançado no âmbito das comemorações do 10º Aniversário das CAV, em Setembro 2006.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

À volta da cerveja artesanal (VII)

1.Mais provas (classificação de 1 a 5)
.Com 5
Imp5Rio, uma parceria Letra/Dois Corvos (noutra situação também 5)
.Com 4,5
8ª Colina Iolanda Double IPA
8ª Colina Bardolfo
Musa Born in the IPA (noutra 4)
1927 Bengal Amber IPA (noutras 4/4,5/4+)
.Com 4
5 e Meio Inca (Venda do Pinheiro)
5 e Meio Ruby Strong Ale
Post Scriptum Ora et Labora (Lisboa)
Dois Corvos Murmúrios American Amber Ale
.Com 3
Beertec Chica nº 101 (Queluz)

2.Oitava Marquês
A cervejeira 8ª Colina abriu recentemante um espaço de restauração (Av. Duque de Loulé, 85-87) que já foi objecto de crónicas no blogue "marcadomen.com" do meu filho Bruno (tenho um link para ele), em 6 de Dezembro, sob o título "A 8ª Colina desceu ao Marquês" e também na Fugas de 7 de Dezembro, intitulada "A cerveja da 8ª Colina já não pertence só à Graça".
Cheio de curiosidade pus-me a caminho e fui lá almoçar num dia destes.
Espaço reduzido que se estende por 3 pisos, ao nível da rua o "taproom", um misto de bar com 14  torneiras (13 da marca e 1 em parceria com a Musa) e loja onde se podem comprar as artesanais da 8ª Colina em garrafa.
No piso de cima é o restaurante e no de baixo as casas de banho. Só que os acessos com uma escada tipo caracol pouco simpática não são nada fáceis. Aconselha-se seguro de vida actualizado...
A lista gastronómica é curta, com 8 pratos principais (2 de peixe, 4 de carne e 2 vegetarianos) e mais o do dia, onde referem que podem aconselhar a cerveja mais adequada ao prato escolhido. Eu fiz o contrário, escolhi a cerveja, a Bardolfo, uma artesanal com 10,5 % vol. que estagiou em barricas de vinho Madeira (casta Verdelho) da empresa Justino's (não faz sentido a carta das cervejas estar maioritariamente em inglês).
Veio para a mesa o prato do dia (uma deliciosa barriga de porco com batata doce e couve avinagrada em excesso), a que se seguiu uma sobremesa (flan de coco com caramelo).
Serviço esforçado, mas inseguro.
Voltei lá, mas desta vez à loja, para comprar uma embalagem com as 3 artesanais resultantes da parceria com a Justino's (Plantageneta, Falstaff e a Bardolfo).
Está de parabéns a 8ª Colina com este projecto. Tem pernas para andar, embora tenha que limar algumas arestas.
Tenciono voltar e recomendo este espaço aos apreciadores das artesanais. 

3.Herdade do Rocim
Mais um produtor de vinhos a aderir ao mundo da cerveja. A Herdade de Rocim acabou de lançar a sua primeira artesanal, a Mimi, uma grape ale fermentada em ânforas.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Jantar Quinta do Crasto

A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico no seu espaço, cujo tema foi uma dupla vertical com brancos Crasto Superior (colheitas 2015, 2016 e 2017) e tintos Reserva Vinhas Velhas (colheitas de 2010, 2013 e 2016) da Quinta do Crasto, em garrafas magnum. Presentes o produtor Pedro Almeida, o enólogo Manuel Lobo e, ainda, Tiago Tavares (azeite Quatro Tavares).
A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos, tendo o prato de peixe vindo da Churrasqueira das Avenidas e o prato de carne sido confeccionado pela Paula Costa. O serviço de vinhos esteve a cargo dos donos e animadores da Néctar das Avenidas, Sara e João Quintela.
Desfilaram:
.2017 - com base nas castaViosinho (60 %) e Verdelho (40 %) em vinhas de altitude (600 metros), estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês (novas e velhas, em partes iguais), aplicando-se isto aos restantes brancos; nariz exuberante, fresco, cítrico e mineral, acidez acentuada, algum amanteigado, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Nota 17,5.
.2016 - perfil semelhante ao anterior, mas ligeiramente menos fresco, melhorou quando a temperatura subiu (12,5 % vol.). Nota 17.
.2015 - idem, mas mais complexo e com maior volume de boca (13 % vol.). Nota 17,5+.
Estes 3 brancos harmonizaram com umas belíssimas lulas à lagareiro, batata a murro e couve salteada.
.2010 - ainda com alguma fruta vermelha, fresco, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). Nota 17,5.
.2013 - perfil semelhante, mas todo ele mais austero (14,5 % vol.). Nota 17.
.2016 - perfil semelhante, mas mais exuberante e com maior volume (14,5 % vol.). Nota 18.
Estes 3 tintos maridaram com uma saborosa caldeirada de cabrito à africana.
.Porto Colheita 2000 (engarrafado em 2018) - ainda com muita fruta, alguma acidez, volume efinal de boca médios. Não me emocionou. Nota 17.
Acompanhou um recomendável bolo rainha.
Este foi o último evento da Néctar das Avenidas em 2019, mas já tem um marcado para 2020. Soma e segue!
Só é pena que os seus amigos e clientes não se tivessem manifestado, concordando ou discordando daquilo que referi na crónica "As contradições dos Prémios W atribuídos pelo Aníbal Coutinho", publicada em 10/9/2019, a propósito da não inclusão da Néctar das Avenidas nas nomeadas para a Garrafeira do Ano, o que apenas mereceu um comentário de outra garrafeira (a Wines 9297).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Curtas (CXVIII) : Barca Velha, Mesa Portuguesa..., Livros para o Natal, Imperdíveis e Vila Galé

1.Barca Velha 2011
A Casa Ferreirinha já confirmou que a colheita de 2011 foi eleita para ser o 20º Barca Velha, a sair em Maio de 2020. Nem outra coisa seria de esperar!
Afirmou o enólogo Luís Sottomayor que "2011 foi um ano extraordinário, dos melhores de sempre no Douro, intenso e de grande qualidade, pelo que da nossa parte foi só uma questão de paciência até podermos confirmar o potencial que a vindima deixou antever".
Também eu apostei neste ano e comprei quase todos os tintos do Douro das gamas alta e média-alta. Como sou sócio do Clube 1500 da Sogrape, vou ter a possibilidade de comprar directamente este Barca Velha a preço decente e não especulativo.

2.Mesa Portuguesa...com Estrelas com certeza!
É o nome de uma série de 28 episódios sobre os nossos chefes estrelados (portugueses ou estrangeiros a trabalhar em Portugal) que passa na RTP1 às quartas-feiras (quando não há futebol ou outros eventos em directo). O formato não se esgota na cozinha dos chefes, pois vamos acompanhá-los aos mercados e a outros espaços de restauração por eles frequentados.
Nesta altura já deram os 2 primeiros:
.E1 - Louis Anjos (Bon Bon)
.E2 - Leonel Pereira (São Gabriel) que nos levou ao restaurante da Noélia, em Cabanas
Estou a ver e recomendo.

3.Livros para o Natal
Este final de ano foi muito pobre em livros sobre o vinho. Que eu tivesse dado conta, nem o João Paulo Martins, nem a Maria João Almeida, nem outros autores, publicaram algo sobre a temática vínica. Um deserto editorial.
A honra do convento foi salva por 2 estudiosos, docentes e investigadores Virgílio Loureiro e Manuel Malfeito Ferreira que publicaram "O Vinho Sentido - sem descrever aromas ou atribuir pontuações" (Plátano Editora), que se divide em 3 partes:
I - A prova clássica e os sentidos
II - O novo método de prova: descrever e entender as emoções do provador
III- Modas, estilos de vinho e preferências
Não esperei pelo Pai Natal e já o comprei.

4.Imperdíveis
Já começou a 9ª temporada deste programa do Canal Porto, sobre vinhos (mais) e gastronomia (menos).
Só que enferma do mesmo problema das temporadas anteriores, omitindo na programação o nº do episódio, que só aparece depois de começado. Moral da história, nunca se sabe que episódio se vai ver pela 1ª vez ou se já foi visto. Uma confusão...
Cartão amarelo!

5.Vila Galé
Estive recentemente hospedado neste hotel em Tavira. Lamentavelmente, a crítica feita aqui no ponto " (...) 5. Espumante inqualificável no Vila Galé de Tavira" da crónica Curtas (CVIII), publicada em 12/2/2019, caíu em saco roto. Cartão Amarelo!
Cartão vermelho por acumulação de amarelos!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

ME TOO (a propósito de uma entrevista do João Paulo Martins à Fugas)

A Fugas de 30 de Novembro publicou uma interessante e oportuna entrevista ao João Paulo Martins (JPM), conduzida pelo jornalista e também produtor de vinhos, Pedro Garcias (PG). Pela leitura desta entrevista fiquei a saber que a maior parte dos meus gostos vínicos, explanados em parte nas crónicas
."Vinhos fortificados : as minhas preferências", publicada em 16/6/2012
."Porto Colheita versus Porto Vintage", publicada em 12/5/2015
coincidem com os do JPM, como se pode concluir de algumas das suas respostas.
PG - "Gostas mais de vinho branco ou mais de tinto?
JPM - "Actualmente gosto mais de branco. Também bebo tinto com muito prazer, mas no dia-a-dia bebo mais branco. Quando comecei, preferia os vinhos mais novos. Hoje, prefiro-os com alguma idade. (...)"
Eu - Me Too. Hoje em dia compro mais brancos do que tintos e guardo-os algum tempo, antes de os consumir. Nesta altura, estou a beber os de 2015 e alguns mais antigos que vou encontrando.
PG - "És mais Vintage ou mais Tawny?"
JPM - "Tenho muita dificuldade em responder a isso. (...)"
Eu - Eu não. Sou claramente mais Tawny, como se pode comprovar pelo que escrevi nas crónicas acima referidas.
PG - "Gostas mais de Porto ou de vinho Madeira?"
JPM - "Com mais prazer, bebo Porto, mas adoro Madeira. É um vinho tão bicudo, com tanta personalidade, que exige do provador uma atitude mais séria do que o Porto. (...). Eu bebi só uma vez na vida um vinho Madeira do século XIX, do ano de 1895, mas tive a nítida sensação que se lhe passarem mais 100 anos por cima o vinho vai estar igual. Era deslumbrante. É um vinho eterno."
Eu - Me Too, em parte. Sou claramente pelo Madeira. Graças, maioritariamente, ao nosso amigo Adelino, madeirense genuino, tenho provado largas dezenas de vinhos Madeira. Quanto a néctares do século XIX, que eu tivesse registado e publicado aqui, bebi 16 dos anos 1814, 1825 (ou 1827?), 1856, 1860 (2), 1863, 1870, 1875, 1880 (4), 1890 (2), 1891 e 1898. E, se calhar, mais alguns que não registei.
PG - "(...) Também tiveste a tua fase Robert Parker..."
JPM - "Era inevitável. Havia um fascínio pelos vinhos mais poderosos que impressionavam. Ficávamos esmagados quando provávamos aquilo. Também passei por isso, como é evidente, não vou dizer que não."
Eu - Me Too. Também fiquei agarrado pelas grandes bombas do Douro.
PG - "Qual é a região portuguesa de que mais gostas?"
JPM - "Gosto muito do Douro. E também sou um grande adepto da elegância dos vinhos do Dão. (...) Só sou um bocadinho mais radical, no sentido negativo, em relação aos chamados vinhos naturais, pela simples razão que se confunde com frequência vinho natural com vinho mal feito. (...)"
Eu - Me Too. Douro sempre em primeiríssimo lugar, mas também guardo boas recordações de vinhos do Dão e da Bairrada e, ultimamente, alguns brancos de Lisboa (uma boa surpresa).
PG - "Então os vinhos de talha para ti não podem ser grandes vinhos..."
JPM - "Não é isso. Acho que são vinhos muito expressivos de uma certa forma de trabalhar, aquela coisa da talha, etc.Mas vou engarrafar esse vinho para deixar aos meus filhos? Não vou. O vinho não vai chegar lá. São vinhos com alguma fragilidade, para beber novos. (...)"
Eu - Me Too. Ainda não bebi um vinho de talha que me tivesse apaixonado. Pelo contrário, as minhas últimas experiências foram desastrosas!

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Grupo FJF (14ª sessão) : um grande tinto fora dos radares

Esta última sessão foi num restaurante, para mim desconhecido, que dá pelo nome de Lagar do Xisto (Av. Columbano Bordalo Pinheiro, 103) e cujo dono é o Simão, antigo empregado no Magano. Aberto em Fevereiro deste ano, desenvolve-se em 2 pisos, sendo o 1º destinado a fumadores e a cave, arejada e espaçosa, para os clientes normais. Mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano e copos Riedel a pedido, destoando 2 televisões ligadas, embora sem som. Não havia necessidade...
Gastronomia alentejana com uma oferta similar à do Magano e um bom serviço de vinhos. Temos restaurante!
Provámos/bebemos:
.Mestre Daniel 2018 (levado pelo João) - vinho de talha DOC Alentejo com base nas castas Antão Vaz, Perrum e Roupeiro; aparentemente um vinho "laranja", turvo, nariz neutro, aromas e sabores a salada de frutas, acidez bem presente, magro e final de boca curto. Completamente desinteressante. Desclassificado.
Acompanhou algumas entradas (queijo fresco, presunto, empadas e pastéis de massa tenra).
.Grandes Quintas Vinha do Cerval 2011 (garrafa nº 816/1550 levada por mim) - com base nas castas Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Sousão e Alicante Bouschet), estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado em Julho 2014; aroma afino, fruta discreta, notas florais, acidez equilibrada, um toque apimentado, madeira bem integrada, taninos civilizados, volume e final de boca de respeito (14 % vol.). Fresco, fino e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5+ (noutras situações 18,5/18,5).
Destinado a harmonizar com um cabrito no forno e arroz de miúdos, também ligou bem com os filetes de peixe galo e açorda (excelente!).
.Porto Messias + 40 Anos engarrafado em 2017 (levado pelo Frederico) - presença de frutos secos, notas de iodo e brandy, acidez nos mínimos, doçura bem visível, volume médio, mas final de boca longo. Nota 17,5.
Acompanhou uma encharcada e tarte de amêndoa.
Descontando o branco de talha, uma carta fora do baralho, foi mais uma boa sessão de comeres e beberes.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Jantar do 8º Aniversário da Garrafeira Néctar das Avenidas

1.Introdução
A Néctar das Avenidas comemorou o seu 8º aniversário, com um jantar vínico apoiado pelos produtores Messias, Real Companhia Velha e Tiago Cabaço e, ainda, pelos distribuidores Carlos Chança, Taveira Wines e Vinalda, onde participaram 58 pessoas (amigos e clientes).
Foi o 120º evento organizado pela Néctar, sendo a maior parte jantares vínicos, mas também 6 edições do Bairradão, 1 do Lisboa Tejo e algumas visitas a produtores. É obra!
O repasto decorreu na Casa do Bacalhau, tendo a gastronomia e o serviço de vinhos estado ao nível do acontecimento. Na mesa cerca de 300 copos Riedel.

2.Os beberes e os comeres
Dos 24 vinhos servidos ao longo do repasto (2 espumantes, 9 brancos, 9 tintos e 4 fortificados), provei 16 dos quais me limitarei a incluir a pontuação que me mereceram, com excepção dos vinhos provados inicialmente, ainda com os participantes em pé (Qtª do Regueiro Alvarinho Reserva, Qtª do Cardo Síria Reserva, Qtª de Pancas Arinto Reserva, Qtª do Síbio Arinto e Pegos Claros Castelão Blanc de Noir, acompanhados por amêndoas torradas e pastéis de bacalhau).
Havia, ainda, os espumantes Messias Grand Cuvée Millésime e Messias Grande Reserva Blanc de Noirs, que não cheguei a provar.
E eles foram:
.Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (nota 17,5)
.Qtª do Regueiro Alvarinho Barricas 2017 (17,5+)
.Qtª do Perdigão Encruzado 2018 (16,5).
Estes 3 brancos maridaram com uma sopa alentejana de bacalhau.
.Qtª do Perdigão Jaen 2013 (17,5)
.Pegos Claros Castelão Vinhas Velhas 2014 (16)
.Qtª do Cardo Touriga Nacional Reserva 2016 (16,5)
.Qtª de Cidrô Touriga Nacional 2016 (17)
.Qtª de Pancas Reserva 2016 (17)
Estes 5 tintos harmonizaram com pataniscas de bacalhau com arroz de tomate (era para ser arroz de grelos).
.Messias Clássico Garrafeira 2013 em magnum (18)
.Qtª da Alorna Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional em magnum (não provado)
.Tiago Cabaço Vinhas Velhas em double magnum (não provado)
Estes 3 tintos casaram com um bacalhau à Margarida da Praça.
.Carvalhas 2011 branco (15)
.Messias Vintage 2017 (17,5)
.Tiago Cabaço Blog Bivarietal tinto (não provado)
Estes 3 diferentes tipos de vinho acompanharam uma trilogia de queijos.
.Madeira Justino's Verdelho 1997 (17,5)
.Moscatel de Setúbal António Saramago 10 Anos (não provado)
.Real Companhia Velha Colheita 2008 (não provado)
Estes 3 fortificados acompanharam o bolo de aniversário (noz e caramelo).

3.A terminar
Foi uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. A Casa do Bacalhau também está de parabéns, pois não é nada fácil servir com qualidade tanta gente (a sala do lado estava cheia) e não conheço nenhum restaurante com capacidade para tantos copos Riedel.
Finalmente, um beijinho à Sara e um grande abraço ao João de parabéns pelo 8º aniversário e com votos de que venham a comemorar muitos mais, mas no dia 26 (e não a 25 de Novembro) que foi o dia em que a garrafeira abriu ao público.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Novembro 2011 : o que aconteceu aqui há 8 anos

Das 18 crónicas publicadas no decorrer de Novembro 2011, destaco estas 3:

."As marcas que interditei nas CAV"
Ao longo dos 13 anos e meio que gerimos as Coisas do Arco do Vinho, tivemos sempre as melhores relações pessoais e profissionais com produtores, enólogos e comerciais ligados ao mundo do vinho.
No entanto tivemos, também, as nossas zangas nomeadamente com 2 conhecidos produtores que se portaram mal connosco, Cortes de Cima e Dão Sul.
Para os mais curiosos, remeto-os para a crónica acima referida, onde justifico as nossas razões.

."Uma garrafeira que nasce e outra que muda de mãos"
A garrafeira que mudou de mãos foi a Coisas do Arco do Vinho. Quem ficou com as CAV quando nos retirámos (o Juca e eu) em Março 2010 não se aguentou e, ao fim de 1 ano e 8 meses passou-a. Os novos donos também não se aguentaram muito tempo e fecharam-na definitivamente. Posteriormente, o espaço das CAV no CCB foi ocupado pela garrafeira Estado d' Alma que, ainda no corrente ano, acabou por a encerrar.
Neste momento em vez de vinhos temos lá uma loja de perfumes e sabonetes. É a vida...
A que nasceu foi a Garrafeira Néctar das Avenidas na Av. Luis Bivar, do nosso antigo cliente e agora amigo João Quintela e da filha Sara, sobre a qual me tenho referido aqui inúmeras vezes.
A abertura oficial foi no dia 26 de Novembro, mas eles neste ano comemoraram 1 dia antes.

."Caça no Assinatura"
É sempre bom relembrar o período áureo do chefe Henrique Mouro, mais uma vez desaparecido dos radares da comunicação social. Este jantar temático, quase na totalidade acompanhado por uma garrafa do inesquecível CARM BOCA 2004, foi um autêntico deslumbramento.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Grupo FJF (13ª sessão) : nota alta para o branco e o tinto

Esta última sessão do FJF, por impossibilidade do Magano, foi no restaurante Coelho da Rocha, na rua com o mesmo nome e propriedade do irmão do Mário (dono daquele espaço de restauração).
Boa gastronomia, serviço profissional a cargo do Pedro Rocha (?), mas excessivamente barulhento e com a televisão ligada, embora sem som, que impediam uma adequada concentração na prova de vinhos às cegas, como era o caso. Bons copos, mas sortidos (Spiegelau, Ridel e Chef & Sommelier).
Desfilaram:
.Casas do Côro Reserva 2015 (levado por mim) - um branco da Beira Interior, com uma mão do Dirk;  com base em vinhas velhas, onde predominam as castas Rabigato e Códega do Larinho, estagiou 24 meses em barricas usadas de carvalho francês; nariz contido, presença de citrinos e fruta de caroço, notas minerais, equilibrio acidez/gordura, madeira bem casada, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Austero, complexo e gastronómico, melhorou muito quando a temperatura do vinho subiu. Nota 18.
Acompanhou algumas entradas (salada de polvo, empadinhas e pastéis de massa tenra) e harmonizou muito bem com um delicioso pregado à Bulhão Pato e ameijoas.
.Qtª do Vesúvio 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Touriga Franca (35 %) e Tinta Amarela (5 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes e civilizados, volume de respeito e final de boca interminável (14 % vol.). O Douro no seu melhor, a consumir até 8 a 10 anos. Nota 18,5+.
Maridou com um prato de picanha e carne japonesa Wagyu, vinda da Austrália.
.Qtª Alorna Colheita Tardia 2001 (levada pelo João) - com base na casta Fernão Pires; nariz preso, presença de citrinos, com a casca de laranja a impor-se, acidez e frescura, volume e final de boca médios (14 % vol.). Um vinho de sobremesa, com a mão do Nuno Cancela de Abreu, ainda comprado nas Coisas do Arco do Vinho. Vale pela componente sentimental. Nota 17.
Acompanhou um pijaminha de sobremesas.
Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes, apesar do barulho de fundo.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Grupo dos Madeiras (36ª sessão) : mais uma grande sessão na Casa da Dízima

Esta última sessão decorreu na Casa da Dízima, tendo os anfitriões sido os nossos amigos Marieta e José Rosa. Compareceu o Grupo dos Madeiras na sua máxima força, tendo sido acrescido de um convidado especial, o Rui Cunha, produtor, enófilo e amante dos vinhos Madeira.
Antes de nos sentarmos, houve um momento de convívio à volta de uma série de pequenas entradas (gambas de Moçambique, céviche de vieiras, tosta de tomate seco com bacalhau fumado), azeites (Casa Stº Amaro Prestige e Acushla Old Edition da Qtª do Prado) e queijos (Azeitão e Parmesão).
O vinho acompanhante foi o Soalheiro Alvarinho Granit 2015 em magnum (fresco e mineral, a merecer 17,5).
Só com estas belíssimas vitualhas fiquei praticamente almoçado.
Já na mesa, desfilaram:
.Mirábilis Grande Reserva 2017 (garrafa nº 4563/13500) - 94 pontos no Parker; com base nas castas Viosinho e Gouveio, em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barrica; presença de citrinos e fruta madura, notas vegetais, equilibrio acidez/gordura, alguma complexidade, volume e final de boca (14 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Este branco maridou com creme de santola e com asa de raia (a meu pedido, no final do repasto voltou à mesa para acompanhar os queijos da entrada).
.Blandy Terrantez 1976 (engarrafado em 1997 e voltado a enrolhar em 2015) - nariz intenso, presença de frutos secos e iodo, vinagrinho, volume e final de boca consideráveis. Complexidade e elegância. Nota 18,5.
Este fortificado serviu de limpa palato, entre o peixe e a carne.
.Vinha da Ponte 2010 em magnum - 92 pontos na Wine Spectator e 94 no Parker; com base em vinhas centenárias, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês; nariz fechado, foi abrindo ao longo do almoço, ainda com alguma fruta, acidez equlibrada, notas especiadas, taninos dóceis, algum volume e final de boca longo (15 % vol.). Complexo e austero, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Vinha da Ponte 2012 - 96 pontos na Wine Spectator e 94 no Parker; com base em vinhas centenárias, estagiou 20 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz austero, alguma fruta e acidez, especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14,5 % vol.). Fresco e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com um prato de "toro bravo", puré de castanhas e legumes assados.
.Real Companhia Vinícola (um tawny com 80/90 anos) - frutos secos, alguma acidez e gordura, notas especiadas e de brandy, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
.PJL Malvasia 1880 (Pedro José Lomelino, fundador da Artur Barros e Sousa) - aroma intenso, frutos secos, notas de iodo e brandy, especiado, vinagrinho bem acentuados, volume assinalável e final de boca interminável e seco. Nota 18,5+.
Estes 2 fortificados acompanharam uma sobremesa à base de caramelo, amendoa e praliné, especialmente preparada para este almoço.
Resta referir que sob a batuta do Pedro Batista, a gastronomia e o serviço de vinhos, estiveram a um nível alto.
Grande sessão de convívio. Obrigado Marieta e J.Rosa!

domingo, 24 de novembro de 2019

Grupo dos 3 (68ª sessão) : uma sessão equilibrada

Após uma longa hibernação (7 meses) este grupo voltou a reunir-se. Desta vez foi na Bacalhoaria Moderna, com vinhos da garrafeira do João Quintela. Mesas despojadas, guardanapos de pano, copos Schott e serviço profissional, com os pratos devidamente explicados ao chegarem à mesa.
desfilaram:
.Casa Amarela Reserva 2018 - enologia de Jean-Huges Gros; com base nas castasViosinho, Rabigato e Malvasia Fina, estagiou em barricas novas de carvalho francês; nariz intenso, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Nota 17,5+.
Este branco acompanhou o couvert (brandade de bacalhau, pastéis do mesmo e manteiga dos Açores com flor de sal) e 2 entradas (tártaro de bacalhau e línguas do mesmo).
.Qtª da Leda 2015 - 94 pontos na Wine Spectator e no Parker; com base nas castas Touriga Franca (50 %), Touriga Nacional (20 %), Tinta Roriz (15 %) e Tinto Cão (5 %); muita fruta preta, alguma frescura e acidez, notas especiadas, taninos de veludo, volume e final de boca respeitáveis (13,5 % vol.). Ainda muito jovem, precisa de tempo para se mostrar. Nota 18.
Harmonizou com umas pataniscas com arroz de bacalhau e um bacalhau com grão e broa, mas não ligou com o bacalhau à Braz (melhor o branco).
.Borges Boal 15 Anos - 87 pontos no Parker; presença de frutos secos, alguma acidez, notas iodadas, bom volume e final de boca longo. Um bom Madeira, mas sem apaixonar. Nota 17,5.
Este fortificado maridou com um pijaminha de sobremesas (mousse de chocolate, cheesecake e torta de laranja).
No final do repasto, a chefe Ana Moura veio à mesa, o que é sempre uma maisvalia.
Mais uma boa sessão deste grupo de enófilos, com a gastronomia e o serviço à altura dos acontecimentos. Obrigado, João!

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

À volta da cerveja artesanal (VI)

1.Mais provas
Mais umas tantas cervejas artesanais, provadas em casa ou em espaços de restauração, mantendo a classificação de 1 (as mais fracas) a 5 (as excelentes):
.Com 5
Letra on Oak Port Sour Ale (Vila Verde) - garrafa de 0,375 com rolha de espumante, 12º de álcool, 20 anos de validade (!) e estágio em barricas de Vinho do Porto da Qtª do Portal
Letra F American India Pale Ale (noutra situação, também 5)
.Com 4,5
Dois Corvos Metropolitan Pale Ale (Lisboa)
D' Ourique da Fonte (Mafra) - com 8,5 %
5 e Meio AI-PI-EI India Pale Ale (Venda do Pinheiro)
Barona Boleima (Marvão) - com 9 %, maçã e canela
.Com 3,5
Trevo Lucky Number Seven Blonde Ale (Caparica)

2.Paixão pela Cerveja
É o nome da única revista que se publica em Portugal e pertence à mesma organização da Paixão pelo Vinho, cuja directora executiva em ambas é a Maria Helena Duarte.
A Paixão pela Cerveja tem periocidade quadrimestral e inclui prova cega de cervejas (onde identifica os provadores), historial de alguma marcas, entrevistas com cervejeiros e chefes, etc. Está, pois de parabens pela iniciativa.
Para quando uma página dedicada à cerveja artesanal nas revistas de vinhos? Impõe-se.

3.Eventos cervejeiros
Já aqui referi alguns, tais como:
.jantar com o chefe Miguel Laffan, organizado pela Confraria da Cerveja
.a Cerveja em Lisboa, com organização do Campo Pequeno
.prova de cervejas Dois Corvos na Garrafeira Empor
Recentemente foi a Paixão pela Cerveja que organizou o "Awards & Beer Party", no Marriott Hotel em Lisboa, com a presença de 20 cervejeiros.
Confesso, no entanto, que fiquei algo desiludido, pois:
.não foi produzido nenhum folheto com o historial de cada cervejeiro presente e notas das cervejas em prova
.não havia qualquer ponto de lavagem de copos, como é normal em provas vínicas e faz muita falta
.em contra partida, a música de fundo demasiado alta não permitia um mínimo de concentração
.a sessão de atribuição de medalhas às cervejas mais pontuadas, prevista para as 17 h, às 17h30 ainda não tinha começado.
Organização, precisa-se!

4.Nota final
É de inteira justiça destacar a selecção de cervejas artesanais que se pode encontrar na loja "Adega & Sabores de Portugal", situada na Rua Coelho da Rocha, 94.
É lá que compro a maior parte das artesanais aqui provadas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O José Mário Branco partiu e a Cultura em Portugal ficou mais pobre

Antes de ser um enófilo militante, eu era um militante da música popular portuguesa e de intervenção.Tinha e ainda tenho todos os LP's do Zé Mário e não falhava um espectáculo com este grande senhor. Ficaram-me na memória os históricos "A Noite" no Coliseu e "FMI" no antigo Teatro Aberto.
Quem o quiser conhecer melhor e ouvir as suas músicas, aconselho uma ida ao blogue do meu filho Bruno //marcadomem.com (tenho um link aqui ao lado; entrar em "marca de homem") e ler/ver a crónica "A cantiga é uma arma? Claro que é!", publicada no dia 19 (ontem).

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Jantar Pêra-Grave

Mais um evento vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que decorreu na Casa da Dízima, com a presença do produtor João Grave e do enólogo responsável pelo Carcavelos.
A gastronomia, os copos, as temperaturas dos vinhos, as harmonizações e o serviço, sob a batuta do Pedro Batista, estiveram à altura dos acontecimentos.
Desfilaram:
.Pêra Grave 2018 branco - com base nas castas Arinto, Verdelho e Alvarinho; nariz exuberante, muito fresco e mineral, presença de citrinos, acidez equilibrada, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Perfil pouco alentejano, com uma óptima relação preço/qualidade. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
Este branco maridou com o couvert e lombo de cachaço de porco preto e, ainda, com os camarões que acompanharam o vinho que veio a seguir.
.Pera Grave Alvarinho 2018 - nariz contido, notas cítricas e tropicais, alguma acidez e volume, final de boca médio (12 % vol.). Agradável, mas tem pouco a haver com a casta no seu berço de origem. Nota 16,5.
Este branco acompanhou gambas de Moçambique com massa tafi.
.Pêra Grave 2017 tinto - com base nas castas Syrah, Alicante Bouschet, Aragonês e Cabernet Sauvignon, estagiou 1 ano em barricas usadas; muita fruta, alguma frescura, notas apimentadas, taninos civilizados, volume médio e final de boca adocicado (14 % vol.). Perfil tipicamente alentejano, com um boa relação preço/qualidade. Ainda muito jovem, precisa de tempo para se mostrar. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.
Maridou com galinha em caril à goesa.
.Pêra Grave Reserva 2016 - com base nas castas Touriga Nacional e Syrah, estagiou em barricas de carvalho francês novas e usadas; perfil algo semelhante ao anterior, mas com maior intensidade aromática, alguma acidez e especiarias, taninos mais presentes, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Elegante e sofisticado, com uma boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Pêra Grave Grande Reserva 2015 - com base nas castas Syrah e Alicante Bouschet, estagiou 24 meses em barricas novas; mais complexo que o anterior, frutado e fresco, especiado, taninos de veludo, volume e final de boca de respeito. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Um único senão, o seu preço excessivo. Nota 18,5.
Estes 2 tintos casaram bem com um medalhão de javali sobre puré de castanhas.
Resta dizer que o enólogo responsável é o Nuno Cancela de Abreu, já nosso conhecido de há muito tempo e que os vinhos deste produtor foram uma boa surpresa para quem os não conhecia, como era o meu caso. Lamenta-se que estejam um pouco fora dos radares da crítica especializada.
.Carcavelos Villa Oeiras Superior 15 Anos - com base nas castas Arinto, Galego Dourado e Ratinho, estagiou 15 anos em barricas de carvalho português e francês; notas de tangerina, casca de laranja e brandy, alguma acidez, gordura e volume e final de boca longo. Para quem tenha o palato aferido aos Madeiras e tawnies velhos, este fortificado passa um pouco por baixo. Nota 17.

domingo, 17 de novembro de 2019

Curtas (CXVII) : Dão Capital e 4 espaços de restauração revisitados (O Frade, Fidalgo, Poke e Farol da Torre)

1.Dão Capital
Com organização da CVR Dão e apoio da revista Grandes Escolhas vai decorrer, no estúdio Time Out no Mercado da Ribeira (1º piso), mais uma edição do evento Dão Capital, nos dias 22 e 23 deste mês, entre as 15 e as 22 h.
Estarão presentes 33 produtores do Dão, em cujas bancas se podem provar vinhos. Há ainda provas comentadas pela equipa da Grandes Escolhas e dedicadas às castas mais emblemáticas desta região (Touriga Nacional e Encruzado).

2.O Frade - 4,5 *
Já aqui comentado na crónica "O Frade - 3,5 *", publicada em 12/9/2019, constatei nesta revisita que acabou a ditadura dos vinhos detalha. Agora já se podem beber outros vinhos, pelo que lhe subi a classificação de 3,5 * para 4,5*.
Comemos e partilhámos (a minha companheira e eu) 2 entradas (berbigão e pato de escabeche), 1 prato (bacalhau assado e batatas confitadas) e 1 sobremesa (mousse de chocolate e frutos secos, com um toque de azeite e flor de sal). Estava tudo uma delícia, com a mais valia de podermos assistir aos respectivos empratamentos.
Quanto a vinhos optámos por um copo do Qtª La Rosa Reserva 2018 - aroma intenso, notas cítricas e fruta madura, acidez equilibrada, algum amanteigado, volume e final de boca. Elegante e gastronómico. Nota 17,5+.
A garrafa foi mostrada, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
Recomendo e tenciono voltar.

3.Fidalgo - 4 *
Já aqui comentado em "Campo de Ourique, o Dirk, o Fidalgo e o Picamiolos", crónica publicada em 22/8/2019, mantém a qualidade na sua cozinha de tacho.
Voltámos a partilhar os pastéis de massa tenra com arroz de tomate, um dos ex-libris da casa e, ainda, o arroz de bochechas de bacalhau com grelos. Bom, mas prefiro com as línguas do dito.
Bebemos, a copo, o branco Seara d' Ordens Reserva 2016 que acompanhou bem o repasto. Nota 16,5.
Recomendo e tenciono voltar.

4.Poke do Kiko - 4 *
Já aqui comentado em "Gourmet Experience (III) : o (...) e o Poke do Kiko", crónica publicada em 10/4/2018, manteve a qualidade da comida e melhorou muito no serviço, desta vez profissional e simpático.
Partilhei a entrada Spring Rolls de Camarão e Porco Preto e comi um prato de Poke de Camarão com Abacate.
Bebemos, a copo, o vinho branco da casa A Cevicheria 2017, resultante de uma parceria do Kiko Martins com a Qtª Monte d' Oiro, também a harmonizar bem com a gastronomia. Nota 16,5. A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e servida uma quantidade deveras generosa.
Recomendo e tenciono voltar.

5.Farol da Torre - 4*
Já aqui comentado em "Espaços de restauração revisitados : (...) e Farol da Torre", crónica publicada em 4/4/2019, manteve a qualidade gastronómica baseada na cozinha tradicional.
Partilhei a entrada Morcela Assada, o prato Arroz de Peixe à Casa e a sobremesa Mousse de Chocolate. O peixe estava bom, mas a morcela e a mousse eram divinais.
Quanto a vinho voltei a experimentar a gama Principium, os monocastas da Qtª da Romeira. Quiz fazer um lote de Chardonnay com Arinto, mas o primeiro destes vinhos já tinha acabado. Ficámos pelo Arinto que me desiludiu um pouco. Já o lote que sugeri a um casal nosso amigo, à base de Touriga Nacional (50 %), Cabernet Sauvignon (25 %) e Syrah (25 %), estava muito agradável.
Recomendo e tenciono voltar.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Grupo dos 6 (19ª sessão) : mais 2 fortificados estratosféricos

Este grupo de enófilos da linha dura regressou ao Magano, para mais uma jornada com vinhos de eleição, sendo de inteira justiça destacar os 2 fortificados (1 Porto e 1 Madeira) que todos nós levaríamos para a tal ilha deserta. Comida, harmonizações, copos, temperaturas e serviço à altura dos acontecimentos.
Desfilaram:
.Poço do Lobo Arinto 1994 (levado por mim) - 92 pontos no Parker; oxidação nobre, fruta madura, notas florais, acidez bem presente, algum amanteigado, volume e final de boca consideráveis (11,5 % vol.). Uma ligação perfeita para queijos, com um ligeiro toque de rolha que rapidamente desapareceu e não o prejudicou. Nota 18.
.Principal Grande Reserva 2011 (levado pelo Frederico) - 90 pontos no Parker e 1º classificado no TOP 10 vinhos portugueses (brancos), resultante de um painel internacional organizado pela Revista de Vinhos; muito fresco e mineral, presença de citrinos, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca de referir (13 % vol.). Fino elegante. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e filetes de peixe galo com arroz de coentros.
.Casa da Passarella Vinhas Velhas 2008 (levado pelo Juca) - ainda com muita fruta, acidez no ponto, notas especiadas, chocolate preto, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito longo (13,5 % vol.). Complexo e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Quanta Terra Inteiro 2008 (levado pelo Frederico) - alguma fruta e acidez, notas vegetais, especiado, taninos de veludo, volume e final de boca notáveis (14 % vol.). Melhor do que uma outra garrafa provada no principio deste ano *, mas sem atingir os céus. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Dona Maria Reserva 2008 (levado pelo João) - com base nas castas Alicante Bouschet (50 %), Petit Verdot e Syrah, estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; ainda com fruta, acidez nos mínimos, algum especiado, bom volume e final de boca adocicado. No ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Estes 3 tintos maridaram com um cabrito e batatas no forno e arroz de miúdos.
Finalmente os 2 fortificados levados pelo Adelino, dos quais não tomei quaisquer notas, limitando-me a usufruí-los com o maior dos respeitos:
.Porto Tordiz Ultra Reserva (com mais ou menos 80 anos). Nota 18,5+.
Provado com pastéis de amêndoa do Vimieiro.
.Artur Barros e Sousa Muito Velho Bual 1946. Nota 19.
Provado com tarte de amêndoas.
Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

* ver crónica "Grupo dos 3 (65ª sessão) : 2 surpresas e 1 desilusão", publicada em 24/2/2019.

domingo, 10 de novembro de 2019

Vinhos em família (XCVIII) : 1 tinto de respeito e 3 brancos fora dos radares

Mais 4 vinhos provados em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega:
.Guyot 2016 (Douro) - enologia de Morais Vaz e Olazabal Ferreira; com base nas castas Rabigato, Códega do Larinho, Síria e Malvasia Fina em vinhas velhas, 40 % do lote estagiou 9 meses em barricas usadas; presença de citrinos, algum mineral, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (11,5 % vol.). Fresco e discreto. Nota 17.
.Alto do Joa 2016 (V. R. Trás-os-Montes) - enologia de Jorge Afonso; com base em vinhas centenárias, é um vinho de curtimenta tendo estagiado 18 meses em barricas usadas de carvalho francês; cor carregada, alguma oxidação nobre, notas florais e de fruta de caroço, acidez viva e algum amanteigado, volume notável e final de boca médio (13,5 % vol.). Um branco contra a corrente a harmonizar bem com queijos. Nota 17,5.
.Baías e Enseadas Reserva Arinto 2017 (V. R. Lisboa) - enologia de Daniel Afonso; estagiou 1 ano em barricas usadas; evoluido na cor, presença de citrinos e fruta de caroço, notas salinas, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). Fresco e gastronómico. Nota 17,5+.
.Duas Quintas Reserva 2011 - enologia de João Nicolau de Almeida; com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Touriga Franca (30 %) e Tinta da Barca (10 %), estagiou 18 meses em pipas de carvalho novo e 1 ano na garrafa; aroma intenso e muito fino, presença de frutos vermelhos, boa acidez, notas achocolatadas, especiado, taninos firmes e civilizados, volume e final de boca notáveis(14,5 % vol.). Muito elegante e harmonioso, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Jantar Rui Cunha

Este último evento vínico, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, decorreu nas suas próprias instalações para uma vintena de privilegiados. Temperaturas correctas, bons copos e comida, fornecida pela Churrasqueira das Avenidas, à altura dos acontecimentos. Serviço de vinhos a cargo dos donos. Na mesa, 2 belíssimos azeites (Covela e Quinta da Boa-Vista).
O tema era uma vertical de Covela Escolha brancos em garrafa magnum e Quinta da Boavista Reserva tintos, todos devidamente apresentados pelo Rui Cunha, o enólogo responsável pelos vinhos destas 2 quintas.
Desfilaram:
.Covela Avesso Reserva 2018 - nariz e presença de citrinos intensa, acidez muito acentuada, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Este vinho branco de boas vindas fez companhia ao couvert (azeite, pão, tostas e queijo).
.Covela Escolha 2016 - aroma com alguma complexidade, presença de citrinos e alguma fruta de caroço, acidez equilibrada, volume médio e final de boca com alguma persistência. Nota 16,5+.
.Covela Escolha 2015 - perfil semelhante ao anterior, mas mais fresco e mineral. Nota 17.
.Covela Escolha 2014 - mais complexo que os anteriores, muita fruta, acidez bem presente, volume e final de boca assinaláveis. Para mim, o grande vencedor desta vertical. Nota 17,5+.
.Covela Escolha 2013 - algumas semelhanças com o 2014, mas menos complexo. Nota 17,5.
Estes brancos harmonizaram com um delicioso atum braseado.
.Boa-Vista Reserva 2016 - muita fruta vermelha, alguma acidez, taninos delicados, volume e final de boca médios. Precisa de mais tempo em garrafa. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 16,5+.
.Boa-Vista Reserva 2015 - também muito frutado, notas vegetais, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.Boa-Vista Reserva 2014 - perfil algo semelhante ao anterior, mas mais complexo e inclusivo, com os taninos mais presentes, mais volume e final de boca mais longo. Para mim, o grande vencedor desta vertical, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Boa-Vista Reserva 2013 - não estava previsto entrar nesta prova; perfil algo semelhante ao anterior, mas menos intenso e complexo. Nota 17,5.
Estes tintos casaram bem com um saboroso borrego no forno e batata assada.
.Porto Qtª das Tecedeiras Tawny Reserve - muito frutado, alguma acidez, taninos dóceis, algum volume e final de boca persistente. Agradável, mas sem entusiasmar. Nota 16,5.
Este fortificado acompanhou um bolo de chocolate e noz.
No final do repasto ainda foi servida uma aguardente Covela que apenas cheirei.
Foram 2 provas muito didácticas, a comprovar que os vinhos destes patamares, sejam tintos ou brancos, precisam de tempo para se mostrarem.
Nota à margem deste jantar: tive a oportunidade de, em conversa com o Rui Cunha, lembrar os vinhos Campo Ardosa, dos quais ele foi o responsável pela enologia, e que foram na altura dos mais vendidos nas Coisas do Arco do Vinho. Quem ainda se lembra destes tintos já desaparecidos?

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Outubro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 16 crónicas publicadas no decorrer de Outubro 2011, selecciono estas 4:

."O grupo do Raul (10ª sessão)"
Um almoço inesquecível no restaurante Colunas com vinhos do enófilo Raul Matos. Provados às cegas 12 (doze!) tintos da colheita 2003 da sua garrafeira numa surpreendente e desconcertante prova. Algumas confirmações, mas também algumas desilusões.

."Almoço no Gspot Gastronomia"
Um almoço num pequeno espaço em Sintra que me deixou saudades, com o Manuel Moreira (o mentor do projecto) na sala e o João Sá nos tachos. Comia-se bem e em conta.

."Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca (JMF)"
Um encontro exclusivo com os responsáveis de 15 blogues, alguns já encerrados, organizado por uma grande empresa produtora de vinhos, que percebeu a importância da blogosfera.
Presentes o Domingos (6ª geração da família Soares Franco), responsável pela enologia e que partilhou connosco algumas das experiências que tem feito na JMF e, ainda, a Sofia (7ª geração) responsável pelo marketing da casa.

."O último evento das CAV : 2 anos depois"
Recordando o último encontro vínico, que foi um almoço, cujos protagonistas foram os "Douro Boys", uns grandes senhores do mundo do vinho que fizeram questão em estar presentes.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Curtas (CXVI) : Decante, GEVS 2019, Paixão pela Cerveja e Torricado

1.Provar vinhos com a Decante
A convite da distribuidora Decante, para mim aquela que tem o melhor portefólio de vinhos portugueses, passei pelo Hotel Dom Pedro, provei alguns vinhos (poucos) e revi alguns produtores e enólogos que muito prezo (Andrea Tavares da Silva, António Luis Cerdeira, Filipa Pato, Jorge Serôdio Borges, Maria Castro, Rui Cunha e Susana Esteban, entre outros).

2.Provar Vinhos com a Grandes Escolhas
Fui um dos 18000 visitantes da Grandes Escolhas Vinhos & Sabores 2019, que decorreu de 25 a 28 de Outubro na FIL, mas só lá estive na 2ª feira, o dia supostamente mais calmo, destinado aos profissionais e convidados da organização.
Em anos anteriores tenho começado por provar brancos, numa primeira volta, tintos numa segunda e, quando me disponho a provar fortificados, já tenho o nariz e o palato anestesiados.
Neste ano alterei a minha metodologia de prova, começando com alguns brancos até à hora de ir almoçar, e continuar com os fortificados até à hora do fecho. Foi só usufruir de Madeiras, Tawnies de Idade, Colheitas e Moscatéis.
Entre provas ia dando dois dedos de conversa com produtores, enólogos, distribuidores e clientes e amigos dos meus tempos das Coisas do Arco do Vinho.
Resta dizer que fiz parte do painel "Escolha da Imprensa" que reuniu uns dias antes para provar os vinhos candidatos a serem premiados. A prova foi rigorosamente às cegas e passaram pela minha mesa, durante a manhã, 5 espumantes, 12 brancos, 18 tintos e 4 fortificados.
Depois do almoço ainda provámos os 3 finalistas nas categorias espumante, branco e tinto, ou seja, mais 9 vinhos num total de 48 vinhos em poucas horas. Resultado: andei uns dias a beber apenas água!

3.Paixão pela Cerveja
A Revista Paixão pela Cerveja vai organizar no Lisbon Marriott Hotel, em Lisboa (Av. dos Combatentes, 45), o evento "Paixão pela Cerveja Awards & Beer Party" que decorrerá no dia 16 de Novembro (das 16 às 22 h). Estarão presentes cervejeiros nacionais e estrangeiros (só marcas à venda em Portugal) que se habilitarão aos prémios "Excelência" e "Prestígio", como resultado das classificações a atribuir em prova cega.
Só é pena não ter sido divulgada a constituição deste painel.

4.Sabores do Campo à Mesa
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira vai patrocinar um mês (Novembro) dedicado ao tema "Torricado com Bacalhau Assado", em 26 restaurantes aderentes no concelho.
Mais informações em www.cm-vfxira.pt.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Bastardo revisitado - 4 *

Há já 5 anos que não punha os pés neste restaurante, sobre o qual publiquei em 2/10/2014 a crónica "Bastardo : um rol de irreverências". Das irreverências ali enunciadas, continuam as figuras à entrada insultando-se uma à outra, os toalhetes de papel e pouco mais. A equipa mudou toda e para melhor.
Para além dos toalhetes de papel, os guardanapos são de pano e a música não estava muito alta.
Do menu, com algumas propostas interessantes, veio para a mesa, com 50 % de desconto (à conta do programa The Fork Fest que termina no dia 2 de Novembro):
.couvert (um delicioso e surpreendente pão de cerveja e malte feito na casa e, ainda, manteigas de cabra e de vaca)
.osso buco com polenta, puré de batata doce e legumes salteados
.café Nespresso
Quanto à componente vínica, inventariei 1 champanhe, 3 espumantes (2 a copo), 12 brancos (4), 3 rosés (1), 16 tintos (5), 6 Portos, 2 Madeiras e 1 Moscatel, sem anos de colheita e quase tudo a preços altos.
Não têm cerveja artesanal, mas disponibilizam a semi-artesanal 1927.
Optei por um copo do tinto Qtª São Jerónimo Syrah 2017 (5 €, um exagero pois a garrafa no mercado custa menos!) - nariz intenso, muito frutado, alguma acidez, notas achocolatadas, taninos de veludo, bom volume e final de boca médio. Uma grande surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo Riedel (uauh!) a uma temperatura correcta e servida uma quantidade generosa.
Serviço feminil despachado, profissional e simpático.
Recomendo e tenciono voltar.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Novo Formato+ (36ª sessão) : quando o menos pontuado leva um 18

Esta última sessão deste grupo de enófilos, foi da minha responsabilidade. Escolhemos ( a Bety e eu) o restaurante Lugar Marcado como se fosse a nossa casa (no passado era a Enoteca de Belém) e foi ali que recebemos os nossos amigos. A Fátima na sala e a Sandra nos tachos trataram muito bem de nós.
Os vinhos (2 brancos 2015, 3 tintos 2011, 1 Vintage e 1 Madeira) sairam todos da minha garrafeira e, com excepção dos 2 fortificados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Artur Barros e Sousa Verdelho 1983 - presença de frutos secos e algum citrino, notas de iodo e caril, vinagrinho acentuado, taninos bem presentes, volume considerável e final de boca seco e muito longo. A Madeira no seu melhor. Nota 19.
Serviu, acompanhado de frutos secos, de bebida de boas vindas. Voltou à mesa no final, para fechar o repasto.
.Soalheiro Alvarinho Reserva  - 18 pontos na Grandes Escolhas; mais exuberante, volumoso e complexo que o outro branco (13 % vol.). Nota 18,5.
Ligou melhor com as chamuças de bacalhau e as lulas.
.Parcela Única Alvarinho - 19 pontos na Grandes Escolhas; mais discreto, fresco e elegante que o anterior (12,5 % vol.). Nota 18.
Ligou melhor com o berbigão.
.Chryseia - 97 pontos na Wine Spectator; nariz intenso, ainda com fruta, muito fresco, acidez presente, especiado, taninos civilizados, boa estrutura e final de boca muito persistente. Para mim a grande surpresa deste confronto, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 19.
.Qtª Vale Meão - 97 pontos na Wine Spectator; ainda com muita fruta preta, acidez discreta, especiarias bem presentes, notas de chocolate, taninos civilizados, volume e final de boca consideráveis. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Pintas - 98 pontos na Wine Spectator; ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, guloso, especiado, taninos de veludo, estrutura e final de boca de assinalar. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com um prato de presas de porco com milho frito e couve salteada.
.Porto Fonseca Vintage 1997 - 95 pontos na Wine Spectator; ainda com muita fruta, muita doçura, acidez discreta, notas de chocolate preto, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
Este fortificado acompanhou uma tábua de queijos.
No final, a encerrar este memorável evento, o Madeira voltou à mesa em companhia de bolo rançoso.
Grande sessão de convívio, comeres, beberes e um serviço à altura dos acontecimentos.
Embora esteja a ser juiz em causa própria, não é corrente provar uma gama de vinhos como estes, em que a nota mais baixa foi 18!

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Talho da Esquina - 4,5 *

O Vitor Sobral abriu mais uma Esquina. Desta vez foi o Talho que se situa mesmo em frente da Assembleia da República (R. Correia Garção, 15).
Espaço reduzido com duas paredes ocupadas com os inconfundíveis trabalhos do Bordalo II. Mesas despojadas e tampos de pedra como está na moda, mas guardanapos de pano. Cozinha à vista do cliente e uma série de empregados (contei 8), quase tantos quantos os manducantes quando cheguei.
Ementa centrada nas carnes, com um destaque especial nas maturadas.
Escolhi um delicioso focinho de porco grelhado, creme de coentros, cebola avinagrada e azeite de trufa. No final, uma mousse de chocolate e ginja.
Quanto à componente vínica, inventariei 1 champanhe, 3 espumantes (1 a copo), 12 brancos (2), 4 rosés (1), 34 tintos (3). Além desta lista base, bem seleccionada e com tudo datado, tem ainda 11 raridades (brancos e tintos já com alguma idade) e a Garrafeira do Chefe (10 vinhos caros e emblemáticos). Têm alguns fortificados que ainda não constam da lista e, por enquanto, não aderiram à cerveja artesanal.
Optei por um copo do tinto Prazo de Roriz 2016 - alguma fruta vermelha e acidez, guloso, volume e final médios. Nota 16.
Por simpatia do escanção, deram-me a provar/beber o branco Qtª do Rol 2006 - alguma oxidação nobre, fruta de caroço, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis. Um branco muito complexo e que a idade lhe deu nobreza. Nota 18.
As garrafas vieram à mesa e dadas a provar em muito bons copos Schott. O tinto estava acima da temperatura recomendada, o único senão desta aliciante jornada.
O restaurante possui caves térmicas para controlo das temperaturas dos tintos, mas os que estão disponíveis a copo, acabam por aquecer fora dos armários. Um ponto a corrigir.
Serviço muito eficiente, profissional e simpático.
Usufrui de 50 % de desconto, ao aproveitar o The Fork Fest (disponível até ao dia 2 de Novembro).
Recomendo este espaço e tenciono voltar.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Jantar Herdade do Mouchão

Participei, recentemente, em mais um dos jantares vínicos organizados pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez com vinhos da Herdade do Mouchão que foram apresentados pelo Iain Reynolds Richardson, proprietário, gestor e enólogo desta marca. Louve-se este produtor que é um dos raros, no Alentejo e não só, que não tem pressa em pôr no mercado os seus vinhos de gama alta.
Foram 6 vinhos tranquilos, dos quais já tinha provado 3 na Herdade e dado conhecimento na crónica "Mais provas (Vinicom e Herdade do Mouchão)", publicada em 23/5/2019.
O evento decorreu no Via Graça, com o João Bandeira a superintender nos tachos e o Fernando Zacarias a orientar o serviço de vinhos, a confirmarem o que tenho dito sobre eles. A acrescentar o bom ritmo do serviço e os copos Riedel para os vinhos, um luxo!
Desfilaram:
.Dom Rafael 2018 branco - com base nas castas Antão Vaz e Arinto em vinhas com mais de 20 anos; fresco e mineral, fruta cítrica, equilibrio acidez/gordura, alguma estrutura e final de boca seco (12,5 % vol.). Nota 17.
Acompanhou uma pequena entrada de mexilhão, salicórnia e limão.
.Dom Rafael 2016 tinto - com base nas castas Trincadeira, Aragonês, Castelão e Alicante Bouschet em vinhas velhas, estagiou 12 meses em tonel e barrica; fruta vermelha, notas adocicadas, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos de veludo, volume e final de boca médios (14,5 % vol.). Nota 16,5. A consumir desde já.
Não ligou com uma terrina de foie gras (excelente) e figos.
.Ponte 2018 branco - com base na casta Verdelho; complexidade aromática, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, alguma complexidade, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Uma boa surpresa e um salto qualitativo em relação ao anterior Ponte das Barcas. Nota 18.
Harmonizou com um delicioso robalo braseado e arroz de lingueirão.
Ponte 2015 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Syrah com pisa a pé, estagiou 18 meses em tonel e barrica; nariz intenso, frutos vermelhos, frescura, algo especiado, taninos de veludo, volume considerável e final de boca longo (14,5 % vol.). Nota 17,5+.
Excelente relação preço/qualidade, a consumir nos próximos 4/5 anos.
.Mouchão 2013 - nariz exuberante, fresco e frutado, bela acidez, especiado, taninos intensos mas civilizados, volume e final de boca de respeito (14,5 % vol.). Nota 18.
A consumir nos próximos 8 a 10 anos.
Estes 2 tintos maridaram muito bem com uma saborosa carne maturada e xerém.
.Mouchão Tonel 3-4 2013 - tem um perfil algo idêntico ao anterior, mas mais intenso e com um final de boca interminável (14,5 % vol.). Nota 18,5.
A beber nos próximos 10 a 12 anos.
Casamento forçado com um folhado de queijo em "dressing" de mel e divórcio à vista!
No final do repasto ainda foi servida a Aguardente Bagaceira Mouchão 6 Anos, que não cheguei a provar.
Balanço vínico muito positivo, com todos os vinhos a portarem-se muito bem, com evidência para as novidades: os Ponte (especialmente o branco).

terça-feira, 15 de outubro de 2019

1300 Taberna - 4,5 *

Passados alguns anos voltei a este espaço de restauração, situado na confusa Lx Factory, que continua em grande forma, com o Chefe Nuno Barros à frente do projecto. As minhas anteriores visitas ficaram aqui registadas em "Almoço na 1300 Taberna" e "1300 Taberna revisitada", crónicas publicadas em 26/7/2012 e 26/1/2014, respectivamente.
Mesas demasiado despojadas como é moda, tampos de pedra e guardanapos de pano em contramão.
Ementa alargada, com uma série de propostas aliciantes.
Nesta revisita comi:
.couvert (4 tipos de pão feitos na casa, azeite Distintus e manteiga)
.polvo à lagareiro com puré de batata doce e legumes assados (uma delícia)
Quanto à componente vínica, inventariei 2 champanhes, 5 espumantes, 50 brancos (3 a copo), 6 rosés (1), 53 tintos (2), 2 late harvest, 5 Portos, 3 Madeiras, 2 Moscatéis e 1 Carcavelos.
Lista alargada com escolhas nada óbvias, não esquecendo os Açores, tudo datado e a preços acessíveis. Copos Schott de grande qualidade.
Mais, têm 7 cervejas artesanais, estando representados os cervejeiros Dois Corvos, Bolina e 8ª Colina! Optei pela 8ª Colina Sousa Session IPA, uma homenagem à Vila Sousa na Graça, que não me entusiasmou (nota 3,5).
Serviço eficiente, muito profissional e simpático. No final do almoço ainda troquei dois dedos de conversa com o chefe, o que é sempre agradável.
A 1300 Taberna continua bem e recomenda-se!

sábado, 12 de outubro de 2019

Aditamento a Curtas (CXV) : Mercado de Vinhos do Campo Pequeno

4.Mercado de Vinhos
Com organização conjunta do Campo Pequeno e da distribuidora House OF Wines, vai decorrer a 8ª edição deste evento nos dias 18 (das 15 às 21h), 19 (das 11 às 21h) e 20 de Outubro (das 11 às 20h).
O tema desta edição é "Pequenos Produtores - Grandes Descobertas" e a região convidada é Lisboa.
Todos ao Campo Pequeno!

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Geographia revisitado - 4 *

Já tinha prometido voltar a este restaurante na crónica "Espaços de restauração : algumas surpresas (III)", publicada em 27/9/2018. Baixei-lhe a classificação de 4,5 * para 4 *, considerando que o serviço de vinhos é errático, dependendo do profissionalismo de cada empregada presente na altura, como adiante detalharei.
Continua com as originais toalhas (?) de couro com bolsas para os talheres e a música alto que baixaram a pedido.
As cozinhas dos países de língua portuguesa continuam bem representadas tendo, nestas últimas visitas, degustado:
.Bojés com chutney de coentros (Goa)
.Caril de camarão com arroz de côco (Goa)
.A sapateira que queria ser casquinha de siri (Brasil)
.Atum com xerém e matapa (Cabo Verde/Moçambique)
.Mousse de chocolate São Tomé com seu salame (São Tomé)
Quanto à componente vínica, inventariei 2 espumantes, 17 brancos (com 3 verdes separados dos outros, o que não faz sentido), 2 rosés, 14 tintos e 2 Porto.
A copo, apenas Santos da Casa branco e tinto, o que é demasiado curto.
Optei pelo branco (colheita de 2017) - fresco e mineral, alguma acidez, volume e final médios. Harmonioso e gastronómico. Nota 16,5.
Numa das vezes o vinho já vinha servido e só me mostraram a garrafa a pedido. Lamentável!
Noutra a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo.
Serviço simpático por parte das empregadas, mas atabalhoado numa das visitas e muito profissional na outra.
A voltar oportunamente.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Curtas (CXV) : Cerveja em Lisboa, The Fork Fest e a Mercadona

1.A Cerveja em Lisboa
À semelhança do que faço para os vinhos, dei um salto ao Campo Pequeno para provar umas tantas cervejas artesanais nesta 3ª edição de "A Cerveja em Lisboa". Das 13 cervejas que provei, destaco em primeiríssimo lugar a Sacarrabos IPA, logo seguida das 8ª Colina Musgueira IPA, Lx Beer Black Reye IPA, Aldeana Original e A.M.O. Andorinha European Pale Ale. No fim, mas ainda em bom plano, Post Scriptum Neipa, 5 e 1/2 Czech Mate Pilsner e Mango nº 5, Bauer Lopes IPL e California, Praxis Pilsner, Barona Blond Ale e Sadina Âncoar Wee Heavy.
Para além das cervejas mencionadas havia umas tantas industriais, perfeitamente dispensáveis. Aliás, este evento deveria ser exclusivamente dedicado às cervejas artesanais portuguesas e deveria incluir alguns painéis especiais de prova, conduzidos por especialistas nesta área, como por exemplo os autores do livro "Uma viagem pelo mundo da cerveja artesanal portuguesa" já aqui referido na crónica de 2 de Julho, Bruno Aquino e Domingos Quaresma. Ou seja, tornar este evento mais profissional e menos social (fumar durante o evento não faz sentido e a música ao vivo não faz falta nenhuma).
Outros aspectos a rever em futuras edições:
.elaboração de um folheto com indicação das marcas presentes e respectivos pontos de venda e, ainda, um historial resumido de cada cervejeiro
.pelo menos mais um ponto de lavagem e disponibilização de guardanapos de papel junto aos mesmos.

2.The Fork Fest
Já está a decorrer a 4ª edição desta iniciativa que se estende até ao próximo dia 3 de Novembro e conta com cerca de 130 restaurantes aderentes, em Lisboa e arredores, onde se pode comer com 50 % de desconto (excepto bebidas) desde que se tenha marcado mesa no site do promotor (The Fork).
Entre outros, aderiram os restaurantes Epur, Sommelier, Talho da Esquina, Akla, Café No Chiado, Tsukiji, Olivier Avenida, O Nobre, Bacalhoaria Moderna, Sem Dúvida, Taberna Albricoque, Os Arcos, Arola, Penha Longa Mercatto, Miguel Laffan at Atlântico Bar e Tamariz.
Vale mesmo a pena (eu já usufrui de 2 e tenciono continuar).
Todos ao The Fork Fest!

3.Os vinhos da Mercadona
Este retalhista espanhol publicou há 2 semanas um anúncio no Público (pelo menos) de uma página inteira publicitando a sua aposta nos vinhos portugueses, nomeadamente numa parceria com a Quinta do Crasto.
A enquadrar a notícia 2 fotografias, uma de uma loja algures no norte e outra do Centro de Coinovação de Matosinhos, onde aparecem 2 técnicas (?), uma com o copo na mesa e a outra na mão a agarrá-lo com toda a força, não fosse ele fugir. Até parecia o Cavaco, o nosso ex-PR!
Francamente...

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

À volta da cerveja artesanal (V)

1.Mais provas
Mais umas tantas cervejas artesanais provadas em casa ou em espaços de restauração, mantendo-se a classificação de 1 a 5:
.com 5
Letra F American India Pale Ale (Vila Verde)
.com 4,5
Dois Corvos Matiné
Dois Corvos Creature American IPA (noutra situação também 4,5)
.com 4
Korisca Brown Ale (Açores)
Burguesa Imperial Stout (Gaia)
A.M.O. Scottish Ale (noutra situação 4,5)
.com 3,5
Burguesa American Oatmeal Stout (Gaia)
.8ª Colina Sousa Session IPA (Lisboa)
.com 2,5
Dois Corvos Loquat Nation

2.Dois Corvos à prova
Aconteceu há cerca de 1 mês na Garrafeira Empor (Rua Castilho, Lisboa). Foram provadas 8 artesanais, com a presença dos cervejeiros, o casal Susana Cascais e Scott Steffens.
Um exemplo a seguir por outra garrafeiras, são os meus votos.

3.Cerveja em Lisboa
A 3ª edição deste evento arranca hoje às 19 h no Campo Pequeno e prolonga-se até Domingo, com abertura pelas 16 h (6ª feira, Sábado e Domingo).
Conta com 30 cervejeiros nacionais e estrangeiros e, ainda, com algumas bancas de "street food".
Estou curioso e tenciono participar. Boas provas!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Setembro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 10 crónicas publicadas no decorrer de Setembro 2011, destaco estas 3:

."Mais um desabafo"
A propósito de o Comendador Berardo ir frequentemente ao CCB e nunca ter posto os pés na loja Coisas do Arco do Vinho, ele que se queixava do Cavaco (na altura o PR) nunca ter ido ao seu Centro de Exposições.

."O grupo do Raul (9ª sessão)"
Lembrando um almoço vínico no Colunas, com vinhos do João Quintela, com nota alta para o CRF Garrafeira 1980, um bairradino com 30 anos.

."O grupo dos 3 (16ª sessão)"
Lembrando outro almoço, desta vez no Sem Dúvida e com vinhos da minha garrafeira.
Eu não conhecia o dono, mas sim o escanção (Marco Alexandre, agora algures em parte incerta).
Correu tudo muito bem, com destaque para o Blandy Bual 1968.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Grupo dos 6 (18ª sessão) : 2 fortificados estratosféricos

Este grupo de enófilos, agora na sua máxima força, reuniu no Lugar Marcado que, mais uma vez, esteve à altura dos acontecimentos na cozinha e na sala.
A começar, por iniciativa da Fátima, mais uma prova de azeites. Para o meu gosto, deu-se um empate técnico entre o Vale Meão e o Brites Aguiar que ultrapassaram o Oliveira Ramos, elegante mas demasiado "light".
Quanto à componente vínica, provada com os rótulos à vista, desfilaram:
.Maritávora Grande Reserva 2011 branco (levado pelo Frederico) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho em vinhas velhas com mais de 100 anos, estagiou 7 meses em barricas; ainda com saúde, sem ponta de oxidação, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca. Tudo no ponto, mas sem arrasar. Nota 17.
.Pai Abel 2012 branco (levado pelo João) - com base nas castas Bical e Maria Gomes, estagiou em barricas usadas; mais fresco e mineral que o 1º, presença de citrinos e fruta de caroço, boa acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis. Um dos grandes brancos portugueses. Nota 18.
Estes 2 brancos harmonizaram com uma série de entradas (chamuças de bacalhau, berbigão, lulas à algarvia e ovinhos com linguiça).
.Qtª Touriga Chã 2011 (levado pelo J. Rosa) - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês; muito fresco e sedutor, ainda com fruta vermelha, acidez equlibrada, levemente especiado, boa estrutura e final de boca extenso. Fino e harmonioso, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5+.
.Qtª Bageiras Pai Abel 2011 (levado por mim) - com base nas castas Baga (80 %) e Touriga Nacional (20 %), estagiou em barricas usadas; nariz discreto, acidez equilibrada, especiado, notas fumadas, taninos presentes mas civilizados, volume de respeito e final de boca longo. Um Bairrada complexo e consistente, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Dona Maria Grande Reserva 2011 (levado pelo Juca) - com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Petit Verdot e Syrah, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; muito frutado e carnudo, acidez no ponto, especiado, taninos sedosos, algum volume e final de boca. Harmonioso, está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Estes 3 tintos maridaram com coelho frito, presa de porco preto, milho frito e batatas no forno.
A fechar, da melhor maneira, 2 fortificados estratosféricos levados pelo Adelino, dos quais não tomei qualquer nota descritiva. Limitei-me a apreciá-los e a usufruí-los!
.Taylor's Vintage 1977 - 18,5
.Artur Barros e Sousa Verdelho 1965 - 19
Como sobremesas avançaram mousse de chocolate negro (para o Porto), tarte de amêndoa (para o Madeira) e sortido de gelados.
Grande sessão de convívio, comeres e beberes deste grupo de enófilos privilegiados!

domingo, 22 de setembro de 2019

Vinhos em família (XCVII) : mais 4 brancos

Mais 4 brancos provados em casa com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Fundação Oriente Colares Malvasia 2014 - enologia de Jaime Quendera; nariz contido, fresco e mineral, notas cítricas, salinidade, algum volume e complexidade, final de boca médio (13,5 % vol.). Muito gastronómico e ainda longe da reforma. Nota 18.
.Quinta da Murta Clássico 2015 (Bucelas) - enologia de Hugo Mendes; com base na casta Arinto (100 %), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, muito fresco com uma acidez bem pronunciada, notas cítricas e minerais, volume e final de boca médios (13 % vol.). Melhorou no dia seguinte depois de aberto. Nota 17,5. Gostava de o voltar a provar daqui a 3/4 anos.
.Qtª do Rol Colecção Arinto 2015 (regional Lisboa) - estagiou mais de 1 ano em contacto com as borras finas; cheio de frescura e acidez, presença de citrinos, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Ainda em crescimento. Nota 17,5.
.Vale dos Ares Limited Edition Alvarinho 2016 (Monção e Melgaço, garrafa nº 23/600) - estagiou 6 meses em barrica; notas cítricas e tropicais, equilibrio acidez/gordura, alguma complexidade, volume e final de boca médios. (13,5 % vol.). Nota 17.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Grupo dos Madeiras (35ª sessão) : 3 Madeiras de excepção

O encontro deste grupo de privilegiados foi em S. Francisco da Serra "chez" Juca que contou com a preciosa ajuda da Mila (filha) e da Paula nos tachos e do Pedro (genro) e João no serviço de vinhos. O meu aplauso para eles todos.
Como vinhos de boas vindas e a acompanhar uma série de entradas, foram servidos 3 Alvarinhos (Soalheiro 2012, Soalheiro Granit 2015 e Soalheiro 1ª Vinhas 2015, todos a situarem-se nos 17 pontos). Uma referência especial para o Clássico que foi a grande surpresa.
Seguiram-se:
.CARM Maria de Lourdes 2011 branco - com base nas castas Gouveio (40 %), Viosinho (30 %) e Rabigato (30 %); ataque inicial adocicado, ainda com fruta e sem ponta de oxidação, alguma acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca apreciáveis (13 % vol.). Muito gastronómico. Nota 17,5+.
Harmonizou com "Raia à (chefe) Juca".
.CARM Grande Reserva 2010 - com base nas castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, ainda com fruta vermelha, notas florais, alguma acidez e especiarias, taninos vibrantes, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). Uma boa surpresa vinda de um tinto de 2010. Nota 18.
.Pintas 2008 magnum - aroma discreto, cheio de saúde, alguma acidez, taninos ainda bem presentes, notas fumadas, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Elegante e discreto. Nota 18.
Estes tintos maridaram com arroz de rabo de boi.
Seguiram-se 3 Madeiras de excepção, o momento muito alto deste encontro, não tendo tomado qualquer nota descritiva dos mesmos. Foi só usufruir este momento único! E eles foram:
.Leacock Sercial Solera 1860 - 18
.Adega do Torreão Titular Doce - 18,5
.FEM Verdelho Muito Velho - 19
Grande sessão (mais uma) de convívio, comeres e beberes. Obrigado Juca!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O Frade - 3,5 *

Este novo espaço em Belém (Calçada da Ajuda, 14), já objecto de crítica muito positiva no Expresso (Fortunato da Câmara), praticamente reduzido a um balcão, onde se pode assistir ao empratamento das iguarias encomendadas, inspirou-se na tasca/restaurante, com o mesmo nome, localizada em Beja e pertença da família Frade. Em Lisboa, não perdendo de vista a tradição, o espaço e a gastronomia são mais requintados.
Na sala o Sérgio Frade (responsável pelo espaço e o relações públicas) e nos tachos o seu primo Carlos Afonso, já com algum currículo em locais de prestígio.
Por tudo isto valem as 5*, mas perdem em toda a linha na componente vínica, que precisa de dar uma grande volta, pois encalharam nos vinhos de talha da família e pouco mais. Eles já perceberam isso e têm previsto um projecto de garrafeira que lhes vai roubar um pouco do já exíguo espaço. Se isso for à vante, cá estarei para lhes subir a nota.
A ementa é petisqueira e inclui 3 pratos, cuja confecção é de muita qualidade. Para um casal chega perfeitamente 1 dos pratos principais e 2 entradas, tudo para partilhar. Comemos, em 2 visitas, dois dos pratos (arroz de pato e arroz de robalo , excelentes ambos), quatro entradas (lulas com grão, coelho de coentrada e berbigão à Bulhão Pato, esta das 2 vezes). Das sobremesas apenas provámos a mousse de chocolate com azeite e flor de sal.
Quanto a vinhos, os tintos de talha deixam-se beber, mas o branco é imbebível.
Na última visita, por simpatia do dono, provei o Maria Bonita Loureiro 2017 - fresco e mineral, notas cítricas e vegetais, acidez no ponto, volume e final de boca médios. Acompanhou muito bem as entradas, mas passou por baixo do prato. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num copo adequado.
Serviço muito eficiente, rápido e atencioso.
Recomendo, mas sugiro que levem vinho de casa (eu sei que autorizam a pedido).

terça-feira, 10 de setembro de 2019

As contradições dos Prémios W atribuidos pelo Anibal Coutinho

A propósito dos nomeados para "Garrafeira (Loja de Vinhos) do Ano", escreveu o mentor destes prémios W que "(...) as garrafeiras ganhadoras têm um entusiasta do vinho como gestor, um enófilo com muitas viagens aos países vinhateiros e às nossas regiões e produtores, com presença assídua nas principais feiras, com sucesso na dinamização de uma tertúlia interessada, coesa e participativa nos vários eventos vínicos (jantares, conversas, provas cegas, provas comentadas) que a sua loja promove - esse é o factor-chave de sucesso e de diferenciação; essas são as lojas onde me sinto abençoado.(...)".
Depois deste preâmbulo, estava à espera que a primeira garrafeira em Lisboa (não comento a escolha das garrafeiras fora de Lisboa e espalhadas pelo país) a ser nomeada fosse a Néctar das Avenidas que é aquela que mais se encaixa nos considerandos do Anibal Coutinho, pois organiza eventos vínicos praticamente em todo o ano, com realce para o Bairradão (ver Grandes Escolhas de Julho 2019). E que as outras pudessem ser a Empor, a Garrafeira Imperial ou a Wines 9297, que também fazem provas nos seus espaços.
Foi com a maior das surpresas que constatei recentemente que as garrafeiras de Lisboa nomeadas para Garrafeira do Ano foram a Estado d' Alma, a Napoleão e a Wines by Heart! Aquelas 2 limitam-se a vender vinho, não lhes conhecendo quaisquer eventos vínicos, enquanto que esta última abriu há cerca de 1 mês e nada me garante que daqui a 1 ano ainda esteja aberta, embora já tenha sido publicitada na Time Out e no blogue Mesa Marcada.
São os mistérios insondáveis do Anibal Coutinho e os seus Prémios W!
Mas já não é a primeira vez que estes prémios provocam polémica. Para quem tiver curiosidade recomendo a leitura da minha crónica "Prémios W 2015 : o Anibal Coutinho ensandeceu?", publicada em 14/1/2016, onde entre os 10 nomeados para figura do ano, foi incluido o ex- presidente Anibal Cavaco Silva.
Terminava eu assim "Só se foi por solidariedade onomástica!".

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Curtas (CXIV) : Prado, Degust' AR, Story, nova garrafeira e Bairrada

1.Revisitar mais uma vez o Prado - 4,5 *
Já tinha referido este espaço em "Revisitar o Prado - 4,5 *", crónica publicada em 13/11/2018, mas não me canso de o revisitar com o chefe António Galapito sempre inspirado.
Desta vez provei: Mexilhão da ria, Pleurotus, Carapau com alface do mar (prefiro a cavala),Tosta de salmonete (divinal) e Gelado de cogumelos, cevada e caramelo.
Acompanhou uma belíssima cerveja artesanal Dois Corvos Matiné (4,5 em 5).
Uma nota - os copos para vinho são muito bons e custam 1,50 € na Polux, passe a publicidade.
Não há nenhuma desculpa para que os restaurantes não tenham bons copos, mas lamentavelmente a maioria não investe nesta componente, tão importante quanto a comida.

2.Revisitar o Degust' AR - 4,5 *
Já tinha escrito sobre este espaço em "Degust' AR Lisboa - 4 *), crónica publicada em 14/7/2019, mas não tinha tido a oportunidade de testar a componente vínica.
A maridar com umas saborosas e bem servidas migas de espargos com lombinhos de porco ibérico, optei por um copo de tinto Herdade dos Grous 2017 - aberto na cor, fresco, muita fruta vermelha, taninos dóceis, algum volume e final de boca médio. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num belíssimo copo a uma temperatura correcta.
Testado o serviço de vinhos, a apreciação deste restaurante subiu de 4 para 4,5 *.

3.Os restaurantes dos hotéis Story
Esta cadeia está omnipresente na Baixa de Lisboa, com hotéis no Rossio, Rua do Ouro, Rua Augusta, Rua Condes de Monsanto e Praça da Figueira ( a abrir brevemente).
Para quem esteja na Baixa, à hora de almoço, pode ser uma boa aposta abancar num dos restaurantes do grupo (neste momento aconselho o Story Ouro e o Story Augusta), onde a troco de 14 € se pode comer uma refeição completa (couvert, entrada, prato, sobremesa, copo de vinho/cerveja e café).

4.Uma nova garrafeira
Abriu há cerca de 1 mês a garrafeira/wine bar  "Wines by Heart" (Rua Rosa Araújo, 35), com uma aposta nos vinhos estrangeiros, a par dos nacionais, e onde se pode petiscar qualquer coisa e provar vinho a copo.
Apesar de aberta há tão pouco tempo e ainda não ter história, já foi objecto de crónicas na Time Out e no blogue Mesa Marcada. Mais, já consta no Top das 10 melhores garrafeiras, no âmbito dos prémios W 2019 do Anibal Coutinho! A este tema hei-de voltar oportunamente.

5.Vinhos da Bairrada
Vai decorrer nos dias 14 e 15 de setembro, no Pavilhão Desportivo da Anadia, o evento "Aqui na Bairrada - Beber & Saborear", onde se podem provar vinhos e petiscos bairradinos.
Mais, estão programadas 2 Provas Comentadas pelo Luis Lopes, director da Grandes Escolhas.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Agosto 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 14 crónicas publicadas no decorrer de agosto 2011, destaco estas 3:

."Borbulhas em S. Francº da Serra"
Uma curiosa prova organizada pelo meu amigo Juca, no âmbito do grupo Núcleo Duro, onde estive como convidado do anfitrião. Entraram 2 champanhes, 7 espumantes e 1 cava.
Nota alta para o leitão à Bairrada, vindo de um modesto restaurante em Roncão (Santiago do Cacém).

."Ainda o "Prazer na Esplanada"".
A propósito de um artigo publicado na Revista de Vinhos (a antiga), cujo articulista (Samuel Alemão, já desligado da RV) seleccionou, entre outros, o espaço "Soul Devotion", em Campo de Ourique, cuja esplanada nem sequer era digna do nome.

."Os vinhos do amigo Adelino de Sousa"
É sempre com prazer e de inteira justiça relembrar o que se bebe em casa deste enófilo amigo (Grupo dos Madeiras e Grupo dos 6).
Nesse almoço, entre outros vinhos, nota alta para os fortificados
-Moscatel Setúbal Roxo 20 Anos da JMF (18)
-Porto Dona Antónia 1877 (18,5)
-Reserva Velhíssima Adega do Torreão Terrantez 1905 (19,5)

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Grupo FJF (12ª sessão) : vinhos e gastronomia à altura

Mais uma sessão eno-gastronómica no Lugar Marcado, com a Fátima Rodrigues na sala e a Sandra Carvalho nos tachos. Tanto as iguarias como o serviço de vinhos foram de alta qualidade. Só não entendo como é que este restaurante ainda não está nos radares da crítica gastronómica, nem das revistas da especialidade. Mistérios...
A abrir o repasto houve mais uma prova de azeites, por iniciativa da dona, tendo desfilado:
.Oliveira Ramos (o mais discreto, bom para saladas)
.Mouchão Galega (o mais equilibrado e polivalente)
.Principal (o mais impressionante, a pedir um bom bacalhau no forno)
Quanto à componente vínica, com os néctares devidamente decantados, servidos às cegas em bons copos Schott e com as temperaturas controladas, desfilaram:
.Areias Gordas 2014 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Arinto, Fernão Pires e outra (Alvarinho); nariz discreto, notas cítricas e algum tropical, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (12 % vol.). Equilibrado e gastronómico. Nota 17,5.
Este branco harmonizou com chamuças de bacalhau, lulinhas à algarvia e berbigão.
.Monte Branco 2012 (levado pelo João) ; 93 pontos no Parker; enologia e produção de Luis Louro, com base nas castas Aragonez (70 % vol.) e Alicante Bouschet (30 % vol.), estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês; muito fresco, fruta vermelha, acidez presente, algum especiado, notas de chocolate preto, taninos civilizados, algum volume e final de boca muito longo (13,5 % vol.).  A beber nos próxinos 8 a 10 anos. Uma boa surpresa vinda do Alentejo. Nota 18.
Este tinto maridou com coelho frito, milho frito e bife do lombo.
.Niepoort Vintage 1997 (da minha garrafeira) - 96 pontos na Wine Spectator; muito fresco e ainda com muita fruta vermelha, especiado, taninos de veludo, volumoso e final de boca interminável. Exuberante e equilibrado. Colheita muito irregular, alternando garrafas de muita qualidade com outras com problemas aromáticos. Nota 18,5 (noutra situação 17).
Este Vintage acompanhou bolo rançoso, mousse de chocolate preto e sortido de gelados (eram 4).
Grande sessão de convívio, comeres e beberes!

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Ruvida - 4,5 *

O Ruvida (Praça da Armada) é um espaço de restauração centrado na verdadeira cozinha do norte de Itália que utiliza a massa fresca fabricada no local pela respectiva dona (Valentina). Na cozinha impera o marido (Michel), também italiano. Finalmente na sala, fomos servidos por uma artista plástica que trabalha no Ruvida nas horas vagas e faz um atendimento profissional e simpático. Tudo o que veio para a mesa foi devidamente explicado.
O espaço é reduzido a 20 pessoas na sala e outras tantas na esplanada. Mesas despojadas, mas guardanapos de pano.
O que comemos?
."Pasta N' Ostra" e "Sarde in saor" (entradas)
."Tortellini in brodo" e "Tagliatelle al ragú" (pratos)
."Creme de pistaccio" (sobremesa)
Tirando a sobremesa (apenas agradável), as entradas e os pratos estavam de comer e chorar por mais.
Há ainda um menu almoço a custar 16 €, com direito a entrada, prato, sobremesa, água, café e uma bebida (vinho ou cerveja).
Quanto à componente vínica inventariei 3 champanhes, 2 espumantes, 17 brancos (3 alemães), 2 rosés, 36 tintos (8 italianos), 3 Portos e ainda 6 tintos estratosféricos (na qualidade e no preço). Lista alargada e bem construida.
Todos os vinhos têm o ano de colheita e a indicação das castas, uma mais valia. Os copos são de qualidade, mas não cheguei a testar o serviço de vinhos (fica para uma próxima).
Para acompanhar a comida optei por uma cerveja italiana Ichnusa "non filtrata" que nos soube muito bem.
Recomendo e tenciono voltar.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Campo de Ourique, o Dirk, o Fidalgo e o Picamiolos

1.Mercado Campo de Ourique
Já não punha os pés neste mercado há mais de 5 anos. A minha última crónica "Mercado Campo de Ourique revisitado" foi publicada em 8 de maio. Está praticamente na mesma, a começar pela inexistência de tabuleiros, o que não se entendo e lamenta.
Desta vez fiquei-me pela Marisqueira, tendo optado por uma saborosa sopa de peixe e um razoável prego de atum. Serviço confuso, muito demorado e nada simpático. Não tenciono voltar.
A acompanhar, uma cerveja semi-artesanal, a 1927 Bengal Amber, tirada num balcão próprio, a portar-se sempre bem.

2.A entrevista do Dirk
No penúltimo Expresso, a respectiva revista publicou uma interessante e longa entrevista com o Dirk Niepoort. No seu melhor estilo e por vezes desconcertante, foi um prazer lê-la.
À pergunta "Qual é o fascínio da prova cega?", respondeu "Dizer asneiras. Enganarmo-nos. Quanto mais nos enganamos, mais aprendemos.". Assino por baixo.

3.O Fidalgo - 4 *
O Fidalgo é um clássico restaurante, situado em pleno Bairro Alto (Rua da Barroca, 27), que eu frequentava há umas dezenas de anos atrás.
Recentemente fui lá fazer uma espécie de romagem de saudade, tendo partilhado com a minha companheira um delicioso arroz de línguas de bacalhau com grelos e os tradicionais pastéis de massa tenra, o ex-libris da casa.
O Fidalgo é um baluarte da cozinha de tacho e tem pratos que não se encontram por aí, como é o caso deste arroz e dos rins grelhados, por exemplo.
Mais, tem uma garrafeira monumental e muito bem seleccionada. Serviço eficiente, quase sempre a cargo do patrão.
A cozinha tradicional portuguesa no seu melhor. Recomendo e tenciono voltar.

4.O Picamiolos
Fiz-lhe um grande elogio em "O José Júlio Vintém em Lisboa : o Picamiolos - 4,5 *", crónica publicada em 26/2/2019. Tinha pensado neste espaço para levar lá o Grupo dos Madeiras.
Lamentavelmente, já fechou as portas e Lisboa perdeu um espaço que praticava uma cozinha alentejana de grande qualidade.
É a vida...

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Taberna Albricoque - 4 *

Em poucas semanas, 2 ou 3, este espaço de restauração que fica mesmo ao lado da estação de Santa Apolónia (Rua dos Caminhos de Ferro, 98A), foi elogiado pelo Fortunato da Câmara (Expresso) e pelo José Augusto Moreira (Fugas). Hoje é a minha vez.
O conceito é do chefe Bertílio Gomes (já meu conhecido dos bons tempos do restaurante Vírgula, onde as Coisas do Arco do Vinho organizaram alguns jantares vínicos), embora não esteja em permanência. Mas a equipa funciona bem em qualquer situação.
O espaço é informal, as cadeiras almofadadas, os toalhetes de papel, mas os guardanapos são de pano, um luxo para uma taberna. Mais, conservaram-se o chão de pedra e os antigos armários na parede. Tem ainda uma esplanada no exterior e uma sala de jantar que só abre quando é necessário.
Com o couvert vem sempre pão da Gleba e em cima das mesas há flor de sal.
Ao almoço, para além de uma ementa petisqueira algo reduzida, o que não acontece ao jantar, há sempre 3 pratos à escolha (peixe, carne e vegetariano). A cozinha é na maioria de inspiração algarvia.
Numa 1ª visita escolhi um dos pratos do dia, o fabuloso arroz de berbigão com peixe espada frito. Como sobremesa avançou a trilogia algarvia (alfarroba, amêndoa e gelado de figo).
Numa 2ª visita, fui para os petiscos (rissol de berbigão, tártaro de carapau e muxama de atum) e ficaram-me na memória os dois primeiros. No final do almoço entrei na porta do lado na Ice Gourmet, também do Bertílio, e comi um delicioso gelado.
Quanto à componente vínica, inventariei 2 espumantes (1 a copo), 16 brancos (4), 3 rosés (1), 18 tintos (2) e 3 Portos. Uma lista interessante, mas com alguns preços exorbitantes, nomeadamente os vinhos a copo. Quanto a cerveja, ainda não aderiram às artesanais. Dois pontos a rever.
Vinhos provados:
Peripécia Chardonnay 2018 (6,50 €) - presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca. Gastronómico e uma boa surpresa. Nota 17.
.Barranco Longo 2017 rosé (6 €) - nariz expressivo, muito frutado, acidez vibrante, volume assinalável e final de boca seco. Gastronómico e um rosé que não me canso de beber. Nota 17+.
Em qualquer das situações a garrafa veio á mesa, o vinho dado a provar num bom copo Spiegelau e servida uma quantidade generosa.
De um modo geral, serviço eficiente e simpático.
Recomendo vivamente e tenciono voltar.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Vinhos em família (XCVI) : mais 2 brancos e 2 tintos

Mais 4 vinhos (2 brancos e 2 tintos) provados recentemente, em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Qtª da Mata Fidalga Garrafeira 2017 - com base nas castas Maria Gomes (50 %) e Bical (50 %), estagiou mais de 1 ano em garrafa; presença de citrinos e fruta de caroço, notas balsâmicas, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12 % vol.). Original, sofisticado e com uma excelente relação preço/qualidade. Um surpreendente e desconhecido vinho branco que "descobri" no último Bairradão. Nota 17,5+.
.Pai Abel 2015 - 92 pontos no Parker e 18,5 na Grandes Escolhas; também com base nas castas Maria Gomes e Bical, estagiou em barricas usadas; citrinos e fruta madura, ainda com a boa acidez, notas amanteigadas, madeira bem casada, volume e final de boca notáveis (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico. Um dos grandes brancos portugueses. Nota 18.
.Carvalhas (Real Companhia Velha) 2011 - com base em vinhas velhas, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (50 % novas); nariz discreto, muita fruta vermelha, acidez no ponto, notas de esteva, terroso, taninos vigorosos mas civilizados, algum volume e final de boca longo (14 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Cavalo Maluco 2011 - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Petit Verdot, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muita fruta madura, alguma acidez, notas de chocolate preto, taninos macios, algum volume e final de boca médio (13,5 % vol.). Na curva descendente, deve ser consumido de imediato. Nota 17.
O Cavalo Maluco presta sempre homenagem a alguém. Esta colheita 2011 foi dedicada ao saudoso David Lopes Ramos.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

À volta da cerveja artesanal (IV)

1.Mais provas
Mais umas tantas cervejas artesanais e semi-artesanais (onde encaixo as 1927 da Super Bock) provadas recentemente, em casa ou em espaços de restauração, pontuando-as de 1 a 5:
.com 4,5
Sovina Amber (agora da Herdade do Esporão)
D' Ourique Condestável (Mafra) com 9º
1927 Bengal Amber IPA
.com 4+
Dois Corvos Que Syrah,Syrah (com mosto da casta Syrah e estágio em barricas de vinho do Porto)
.com 4
Lince Blonde (Lisboa)
Mean Sardine Brewery (Ericeira) com uvas da casta Jampal da Manzwine
1927 Japonese Rice Lager
1927 Munich Dunkel
.com 3,5
Letra Grape Ale by Anselmo Mendes (com uvas da casta Loureiro)
Bolina Lobo do Mar Weiss (Azambuja)
.com 3
Musa Saison O' Connor

2.O livro
Já referido e recomendado aqui na crónica publicada em 2 de julho, "Uma viagem pelo mundo da cerveja artesanal portuguesa" de Bruno Aquino e Domingos Quaresma, mereceu uma página inteira no Fugas de 20 julho. Assina o artigo o jornalista Rodrigo Nogueira.

3.O restaurante
Na crónica de 9 maio refiro o Ground Burger como o único espaço de restauração que dedica uma especial atenção à cerveja artesanal.
No entanto não é nada patriota, pois a grande maioria da oferta centra-se nos EUA e em alguns países europeus. Em visita recente, verifiquei que das 10 torneiras, só tinham 7 a funcionar (5 dos EUA, 1 alemã e apenas 1 portuguesa, da cervejeira 8ª Colina). Mais, das cervejas seleccionadas no livro acima indicado não consta nem uma. Uma pena...
Um pormenor: este restaurante avia 400 a 500 hambúrgueres por dia. É obra!

4.As Revistas
Tal como a maioria dos enófilos e das garrafeiras, as revistas especializadas estão de costas voltadas para esta nova realidade, o mundo da cerveja artesanal. Uma página mensal, a cargo de alguém que domine a matéria (os autores do livro, por exemplo) traria uma mais valia.
Fica aqui o desafio!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Restaurante do Azeite - 3 *

Confesso que as minhas expectativas estavam demasiado altas, pelo que esta visita ao restaurante do Hotel da Baixa (Rua da Prata, 231 ou Rua dos Correeiros, 164) deixou-me alguma frustação.
O espaço é muito bonito, integrado num edifício histórico, onde se podem observar uns tantos arcos pombalinos.
Mesas despojadas, como lamentavelmente está na moda, tampos de mármore, mas guardanapos de pano para equilibrar.
A ementa, onde o azeite Oliveira da Serra está sempre presente, é curta embora com algumas (poucas) propostas interessantes. Para além desta ementa tradicional, também se podem comer tapas e snacks.
Escolhi uma entrada (salada de tomate com ventresca de atum em conserva), um prato (lascas de bacalhau com broa) e uma sobremesa (pudim de azeite).
As doses são avantajadas e o azeite Gourmet está na mesa à nossa disposição. Além de o serviço na cozinha ter sido muito lento, o que não se entende pois os clientes à hora do almoço eram poucos, a qualidade dos pratos não me convenceu.
Quanto à componente vínica, inventariei 2 champanhes, 2 espumantes, 9 brancos (com os vinhos verdes em separado, o que não se entende), 16 tintos, 1 rosé e 3 vinhos do Porto. Estão mencionadas notas de prova, mas os anos de colheita foram omitidos. A copo só o da casa (branco e tinto) e, embora constasse na lista, não havia qualquer cerveja artesanal.
Por simpatia do empregado (vá lá...), foi-me disponibilizado outro vinho a copo:
.Sedinhas 2015 branco - alguma fruta e acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16.
A garrafa não veio à mesa e nem sequer vislumbrada. O vinho já vinha servido, o que num restaurante de hotel, como este, não faz qualquer sentido.
Face ao exposto, o balanço final não é entusiasmante, uma pena!
Ao lado do restaurante há uma loja exclusivamente dedicada ao azeite Oliveira da Serra, onde se podem provar os azeites deste produtor e que vale a pena visitar.