terça-feira, 20 de agosto de 2019

Taberna Albricoque - 4 *

Em poucas semanas, 2 ou 3, este espaço de restauração que fica mesmo ao lado da estação de Santa Apolónia (Rua dos Caminhos de Ferro, 98A), foi elogiado pelo Fortunato da Câmara (Expresso) e pelo José Augusto Moreira (Fugas). Hoje é a minha vez.
O conceito é do chefe Bertílio Gomes (já meu conhecido dos bons tempos do restaurante Vírgula, onde as Coisas do Arco do Vinho organizaram alguns jantares vínicos), embora não esteja em permanência. Mas a equipa funciona bem em qualquer situação.
O espaço é informal, as cadeiras almofadadas, os toalhetes de papel, mas os guardanapos são de pano, um luxo para uma taberna. Mais, conservaram-se o chão de pedra e os antigos armários na parede. Tem ainda uma esplanada no exterior e uma sala de jantar que só abre quando é necessário.
Com o couvert vem sempre pão da Gleba e em cima das mesas há flor de sal.
Ao almoço, para além de uma ementa petisqueira algo reduzida, o que não acontece ao jantar, há sempre 3 pratos à escolha (peixe, carne e vegetariano). A cozinha é na maioria de inspiração algarvia.
Numa 1ª visita escolhi um dos pratos do dia, o fabuloso arroz de berbigão com peixe espada frito. Como sobremesa avançou a trilogia algarvia (alfarroba, amêndoa e gelado de figo).
Numa 2ª visita, fui para os petiscos (rissol de berbigão, tártaro de carapau e muxama de atum) e ficaram-me na memória os dois primeiros. No final do almoço entrei na porta do lado na Ice Gourmet, também do Bertílio, e comi um delicioso gelado.
Quanto à componente vínica, inventariei 2 espumantes (1 a copo), 16 brancos (4), 3 rosés (1), 18 tintos (2) e 3 Portos. Uma lista interessante, mas com alguns preços exorbitantes, nomeadamente os vinhos a copo. Quanto a cerveja, ainda não aderiram às artesanais. Dois pontos a rever.
Vinhos provados:
Peripécia Chardonnay 2018 (6,50 €) - presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca. Gastronómico e uma boa surpresa. Nota 17.
.Barranco Longo 2017 rosé (6 €) - nariz expressivo, muito frutado, acidez vibrante, volume assinalável e final de boca seco. Gastronómico e um rosé que não me canso de beber. Nota 17+.
Em qualquer das situações a garrafa veio á mesa, o vinho dado a provar num bom copo Spiegelau e servida uma quantidade generosa.
De um modo geral, serviço eficiente e simpático.
Recomendo vivamente e tenciono voltar.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Vinhos em família (XCVI) : mais 2 brancos e 2 tintos

Mais 4 vinhos (2 brancos e 2 tintos) provados recentemente, em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Qtª da Mata Fidalga Garrafeira 2017 - com base nas castas Maria Gomes (50 %) e Bical (50 %), estagiou mais de 1 ano em garrafa; presença de citrinos e fruta de caroço, notas balsâmicas, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12 % vol.). Original, sofisticado e com uma excelente relação preço/qualidade. Um surpreendente e desconhecido vinho branco que "descobri" no último Bairradão. Nota 17,5+.
.Pai Abel 2015 - 92 pontos no Parker e 18,5 na Grandes Escolhas; também com base nas castas Maria Gomes e Bical, estagiou em barricas usadas; citrinos e fruta madura, ainda com a boa acidez, notas amanteigadas, madeira bem casada, volume e final de boca notáveis (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico. Um dos grandes brancos portugueses. Nota 18.
.Carvalhas (Real Companhia Velha) 2011 - com base em vinhas velhas, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (50 % novas); nariz discreto, muita fruta vermelha, acidez no ponto, notas de esteva, terroso, taninos vigorosos mas civilizados, algum volume e final de boca longo (14 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Cavalo Maluco 2011 - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Petit Verdot, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muita fruta madura, alguma acidez, notas de chocolate preto, taninos macios, algum volume e final de boca médio (13,5 % vol.). Na curva descendente, deve ser consumido de imediato. Nota 17.
O Cavalo Maluco presta sempre homenagem a alguém. Esta colheita 2011 foi dedicada ao saudoso David Lopes Ramos.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

À volta da cerveja artesanal (IV)

1.Mais provas
Mais umas tantas cervejas artesanais e semi-artesanais (onde encaixo as 1927 da Super Bock) provadas recentemente, em casa ou em espaços de restauração, pontuando-as de 1 a 5:
.com 4,5
Sovina Amber (agora da Herdade do Esporão)
D' Ourique Condestável (Mafra) com 9º
1927 Bengal Amber IPA
.com 4+
Dois Corvos Que Syrah,Syrah (com mosto da casta Syrah e estágio em barricas de vinho do Porto)
.com 4
Lince Blonde (Lisboa)
Mean Sardine Brewery (Ericeira) com uvas da casta Jampal da Manzwine
1927 Japonese Rice Lager
1927 Munich Dunkel
.com 3,5
Letra Grape Ale by Anselmo Mendes (com uvas da casta Loureiro)
Bolina Lobo do Mar Weiss (Azambuja)
.com 3
Musa Saison O' Connor

2.O livro
Já referido e recomendado aqui na crónica publicada em 2 de julho, "Uma viagem pelo mundo da cerveja artesanal portuguesa" de Bruno Aquino e Domingos Quaresma, mereceu uma página inteira no Fugas de 20 julho. Assina o artigo o jornalista Rodrigo Nogueira.

3.O restaurante
Na crónica de 9 maio refiro o Ground Burger como o único espaço de restauração que dedica uma especial atenção à cerveja artesanal.
No entanto não é nada patriota, pois a grande maioria da oferta centra-se nos EUA e em alguns países europeus. Em visita recente, verifiquei que das 10 torneiras, só tinham 7 a funcionar (5 dos EUA, 1 alemã e apenas 1 portuguesa, da cervejeira 8ª Colina). Mais, das cervejas seleccionadas no livro acima indicado não consta nem uma. Uma pena...
Um pormenor: este restaurante avia 400 a 500 hambúrgueres por dia. É obra!

4.As Revistas
Tal como a maioria dos enófilos e das garrafeiras, as revistas especializadas estão de costas voltadas para esta nova realidade, o mundo da cerveja artesanal. Uma página mensal, a cargo de alguém que domine a matéria (os autores do livro, por exemplo) traria uma mais valia.
Fica aqui o desafio!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Restaurante do Azeite - 3 *

Confesso que as minhas expectativas estavam demasiado altas, pelo que esta visita ao restaurante do Hotel da Baixa (Rua da Prata, 231 ou Rua dos Correeiros, 164) deixou-me alguma frustação.
O espaço é muito bonito, integrado num edifício histórico, onde se podem observar uns tantos arcos pombalinos.
Mesas despojadas, como lamentavelmente está na moda, tampos de mármore, mas guardanapos de pano para equilibrar.
A ementa, onde o azeite Oliveira da Serra está sempre presente, é curta embora com algumas (poucas) propostas interessantes. Para além desta ementa tradicional, também se podem comer tapas e snacks.
Escolhi uma entrada (salada de tomate com ventresca de atum em conserva), um prato (lascas de bacalhau com broa) e uma sobremesa (pudim de azeite).
As doses são avantajadas e o azeite Gourmet está na mesa à nossa disposição. Além de o serviço na cozinha ter sido muito lento, o que não se entende pois os clientes à hora do almoço eram poucos, a qualidade dos pratos não me convenceu.
Quanto à componente vínica, inventariei 2 champanhes, 2 espumantes, 9 brancos (com os vinhos verdes em separado, o que não se entende), 16 tintos, 1 rosé e 3 vinhos do Porto. Estão mencionadas notas de prova, mas os anos de colheita foram omitidos. A copo só o da casa (branco e tinto) e, embora constasse na lista, não havia qualquer cerveja artesanal.
Por simpatia do empregado (vá lá...), foi-me disponibilizado outro vinho a copo:
.Sedinhas 2015 branco - alguma fruta e acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 16.
A garrafa não veio à mesa e nem sequer vislumbrada. O vinho já vinha servido, o que num restaurante de hotel, como este, não faz qualquer sentido.
Face ao exposto, o balanço final não é entusiasmante, uma pena!
Ao lado do restaurante há uma loja exclusivamente dedicada ao azeite Oliveira da Serra, onde se podem provar os azeites deste produtor e que vale a pena visitar.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Grupo dos Madeiras (34ª sessão) : o privilégio de provar/beber vinhos do século XIX

Neste último encontro do denominado Grupo dos Madeiras, os anfitriões foram o casal Carlota/Adelino que nos proporcionaram, em Azeitão, mais uma jornada inesquecível. É um privilégio pertencer a este grupo de enófilos e ter acesso a raridades do século XIX e não só. Dificilmente, em Portugal e noutras partes do planeta, se terá acesso, numa mesma sessão, a vinhos fortificados desta qualidade, como é o caso deste grupo.
Desfilaram 2 brancos, 2 tintos e 4 fortificados:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2009 magnum - presença de citrinos e algum tropical, sem ponta de oxidação, equilibrio acidez/gordura, complexidade, volume e final de boca assinaláveis. O melhor 1ª Vinhas de sempre! Há que ter paciência e esperar que um Alvarinho como este cresça. Nota 18+.
Acompanhou uma série de tapas.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2009 magnum - ainda com fruta cítrica e alguma oxidação nobre, belíssima acidez, notas amanteigadas, grande estrutura e final de boca muito longo. Muito complexo e ainda longe da reforma. Nota 18,5.
Harmonizou com um delicioso choco frito.
.Qtª Vale Meão 2011 - com base nas castas Touriga Nacional (55%), Touriga Franca (34%), Tinta Barroca (6%) e Tinta Roriz (5%); ainda com fruta vermelha, alguma acidez, especiado, taninos bem presentes, algum volume e final de boca persistente. Abertas 2 garrafas, mereceram notas diferentes (18 e 18,5).
.Qtª Monte Xisto 2011 - com base nas castas Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (35%) e Sousão (5%); alguma fruta e acidez, levemente especiado, taninos dóceis, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos maridaram com espetada à moda da Madeira, em pau de louro e muita fruta tropical. A carne desfazia-se na boca. Mas, para mim, heresias à parte, a melhor ligação com a espetada foi o Soalheiro Reserva.
.Artur Barros e Sousa Malvasia Solera 1914 - cor límpida, nariz intenso, frutos secos, vinagrinho bem presente, notas de iodo e caril, não muito doce, algum volume e final de boca interminável. Um grande Madeira! Nota 18,5+.
Acompanhou uma série de sobremesas.
Mas o repasto não acabou aqui e teve direito a um grande final, com 1 Porto, 1 Moscatel e 1 Madeira.
Devo confessar que deixei de tomar notas de prova e limitei-me a usufruir destas preciosidades, a saber, por ordem crescente do prazer que me deram:
.Moscatel José Maria da Fonseca 1955 (nota 17,5)
.Noval Colheita 1880 (19)
.Blandy Bual 1863 (19,5)
Foi mais uma grande sessão de convívio e o privilégio de aceder à garrafeira do nosso amigo Adelino.
Obrigado Carlota e Adelino!

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Julho 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 10 crónicas publicadas no decorrer do mês de Julho 2011, destaco estas 5:

."Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreendidos"
No âmbito das comemorações dos 200 anos da Blandy, foram apresentados pelo Francisco Albuquerque os cinco 40 Anos com base nas castas nobres da Madeira (Sercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malvasia), num jantar memorável que decorreu no CCB (restaurante A Commenda).
A iniciativa foi do nosso amigo Adelino de Sousa (Grupo dos Madeiras e Grupo dos 6), na qualidade de sócio da Tertúlia Madeirense, que contou com o apoio das Coisas do Arco do Vinho.
Este foi, para mim e não só, o evento vínico do século!

."Rescaldo da ida ao Douro (I) : o DOC..."
O DOC, uma referência no Norte e também no país, revisitado por mim, no decorrer de mais uma incursão na Região do Douro.

."Rescaldo da ida ao Douro (II) : e os outros"
Repastos no Castas e Pratos (Régua) e no Cais da Villa (Vila Real). Este último com a mais valia de termos (a minha companheira e eu) almoçado com a Olga Martins (Lavradores de Feitoria), que muito prezo.

."Rescaldo da ida ao Douro (III) : uma visita guiada à Quinta de Nápoles"
O privilégio de termos sido recebidos pelo Dirk Niepoort, um grande senhor no mundo do vinho.

."Rescaldo da ida ao Douro (IV) : os 200 anos da Dona Antónia"
Uma visita à exposição "Dona Antónia - Uma vida singular", comemorativa dos 200 anos de nascimento da "Ferreirinha", que estava patente ao público no Museu do Douro, na Régua.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Grupo FJF (11ª sessão) : uma bela jornada no Lugar Marcado

Esta última sessão do FJF decorreu no restaurante Lugar Marcado (Rua do Regedor, ao Largo do Caldas), um espaço em Lisboa que gosto particularmente. Na sala a Fátima Rodrigues (a proprietária), a fazer um serviço de vinhos de 5*, enquanto que nos tachos estava a Sandra Carvalho, de cujas mãos sairam as iguarias, todas de qualidade elevada.
O repasto iniciou-se com uma prova de azeites, por iniciativa da Fátima. Estiveram em confronto Qtª dos Lagares Zabodes (Douro), Kopke BIO (Trás-os-Montes) e Mouchão (Alentejo), todos com qualidade. O vencedor, para o meu gosto, foi o Mouchão  que arrasou a concorrência, mais fresca e light.
Quanto aos vinhos desfilaram:
.Vale D. Maria VVV 2015 branco (levado pelo João) - vinho engarrafado em julho 2017; nariz discreto, presença de citrinos, notas florais, bela acidez, notas amanteigadas, madeira discreta, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Nota 17,5.
Este branco maridou com o couvert (pão e azeites), chamuças de bacalhau, berbigão e ovinhos de codorniz.
.Zambujeiro 2011 (da minha garrafeira) - com base nas castas Petit Verdot, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional, estagiou 24 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com fruta vermelha,acidez equilibrada, especiado com a pimenta em evidência, notas de chocolate, taninos firmes e civilizados, bom volume e final de boca extenso. Um dos tintos alentejanos mais interessantes que conheço, embora com um teor alcoólico excessivo (16 º não se notam, mas estão lá). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5.
Este tinto harmonizou com coelho frito, pá de borreguinho assado, milho frito e batatas no forno.
.Moscatel Roxo José Maria da Fonseca 20 Anos (levado pelo Frederico) - presença de frutos secos e algum citrino maduro, notas de mel, acidez nos mínimos, taninos redondos, gordo na boca e final de boca assinalável. Nota 17,5.
Este fortificado acompanhou  bolo rançoso, pudim de laranja e sortido de gelados.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes, com a equipa do Lugar Marcado inspirada.

domingo, 28 de julho de 2019

Jantar Esporão

Com a presença do David Baverstock *, o responsável pela enologia da Herdade do Esporão, decorreu na Garrafeira Néctar das Avenidas e com o apoio da Pastelaria/Restaurante "A Virtuosa", um jantar cujo tema foram os vinhos Private Selection, brancos e tintos. Foram provados/bebidos, para além dos 7 Private Selection (3 brancos e 4 tintos), mais 3 vinhos (1 espumante, 1 branco Bio e 1 LH), num total de 10 néctares daquele produtor. É obra!
Devidamente explicados pelo David, desfilaram:
.Espumante Bruto 2015 - cumpriu a sua missão, sem ficar na memória
.Esporão BIO 2017 - fruta cítrica, notas herbáceas, alguma acidez, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Nota 16 (noutra situação 15,5).
Acompanhou uma tábua de enchidos.
.Private Selection 2017 - com base na casta Sémillon, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês e mais 6 na garrafa; fruta madura, com evidência para os citrinos, fresco e mineral, equilibrio acidez/gordura, notas tostadas, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Nota 17,5.
.Private Selection 2015 - estilo semelhante ao anterior, final adocicado (14 % vol.). Nota 17.
.Private Selection 2013 - estilo também semelhante ao 2017, mas com mais acidez e maior complexidade (14 % vol.). O melhor desta vertical de brancos. Nota 17,5+.
Estes brancos harmonizaram com uma sopa de cação.
.Private Selection Garrafeira 2013 - com base nas castas Aragonês, Alicante Bouschet e Syrah, estagiou 18 meses em barricas novas e usadas e mais 12 em garrafa; ainda com fruta, fresco e acidez, levemente especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14,5 % vol.). Nota 17.
.Private Selection Garrafeira 2014 - algumas semelhanças com o anterior, mas mais fresco e elegante, taninos mais presentes, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Nota 17,5.
.Private Selection Garrafeira 2012 - perfil idêntico ao anterior, muito fino e elegante, especiado, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito longo. Harmonioso e equilibrado, foi o melhor da vertical de tintos. Nota 18,5 (noutra 18,5).
.Private Selection Garrafeira 2008 - aromas e sabores terciários, alguma acidez e ligeiramente especiado, já na curva descendente é necessário pegar nele com pinças (provada outra garrafa, estava com mais saúde). Nota 17,5 (noutras 18,5/17,5/18/17,5+).
Estes tintos maridaram com carne de alguidar e migas de espargos verdes.
O Private Selection 2017 branco voltou a entrar nos copos, desta vez para fazer companhia a uma tábua de queijos. Pessoalmente, teria preferido o 2013.
.Esporão Late Harvest 2017 - fresco e agradável, alguma acidez e volume, final de boca curto. Demasiado "light" para o meu gosto. Nota 15,5.

* Sempre tivemos nas Coisas do Arco do Vinho uma óptima relação institucional e também pessoal com o David, tendo ele estado presente por diversas ocasiões, em eventos vínicos, com realce para  o jantar que decorreu no restaurante do Terreiro do Paço, nos tempos da saudosa Júlia Vinagre. Estiveram cerca de 160 participantes (não cabiam mais). Um evento que ficou na história das CAV.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Wine House - 3,5 *

Este Wine House, que visitei em alturas diferentes, é o restaurante do Lisbon Wine Hotel (R. Portas de Santo Antão, 88), tem coisas boas mas, para merecer o nome, ainda tem muito caminho a percorrer.
Sala pequena e acolhedora, mas onde está a recepção e um televisor ligado (embora sem som), o que não faz nenhum sentido, toalhetes e guardanapos de papel. No exterior, uma simpática esplanada para esta altura do ano.
Serviço algo errático, numa das minhas visitas a perguntarem se era alérgico a algum alimento e na outra a não o fazerem. Também num dos dias trouxeram o couvert (que faz parte do menu) e no outro não.
Para além do menu, à base de petiscaria e tábuas de queijos e enchidos, é possível almoçar de 2ª a 6ª feira por 11,50 €, com direito a couvert (pão, manteiga e 2 patés), prato (a escolher entre 2), sobremesa, bebida e café (Nespresso). Uma pechincha!
No entanto, os pratos variam ao longo da semana, mas são sempre os mesmos todo o ano! A alternativa são as saladas, sempre as mesmas. Uma solução barata, mas muito redutora.
Num dia (uma 3ª feira) comi bacalhau à braz e noutro dia (uma 4ª feira) o hamburguer na tábua com queijo e salada.
A sobremesa, está reduzida a uma belíssima mousse de chocolate com frutos secos e a salada de frutas. Das duas vezes deliciei-me com a mousse.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 champanhes, 2 espumantes (1 a copo), 32 brancos (5), 25 tintos (4), 3 rosés (2) e 6 fortificados (4 Porto, 1 Madeira e 1 Moscatel, todos a copo). A lista está bem construida e inclui os anos de colheita e especifica, para cada um dos vinhos, as castas que o compõem. Não têm cerveja artesanal. Mais, nem todos os tintos a copo estavam com a temperatura controlada, tendo eu numa das visitas rejeitado o vinho, o que não se entende num espaço que aposta neste néctar.
Vinhos provados a copo:
.Qtª S.Francisco 2018 branco - fresco, frutado e com boa acidez, notas amanteigadas, volume efinal de boca médios. Gastronómico, acompanhou bem o bacalhau. Nota 16,5.
.Confidencial Reserva 2014 tinto - ainda com muita fruta preta, alguma acidez, taninos gulosos, algum volume e final de boca persistente. Harmonizou bem com o hamburguer. Nota 17.
Em ambas as situações a garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
É um espaço contraditório, mas que merece uma visita.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Novo Formato+ (35ª sessão) : uma grande jornada em S. Francisco da Serra

Esta última sessão deste grupo de enófilos decorreu chez Juca que disponibilizou 8 vinhos (1 espumante, 2 brancos, 2 tintos e 3 fortificados) da sua garrafeira, parte deles em formato magnum.
A gastronomia, saída das mãos do anfitrião com o contributo da Paula, portou-se à altura dos acontecimentos. O meu aplauso para eles.
Quanto à componente vínica, desfilaram:
.Espumante Luiz Costa Pinot Noir/Chardonnay 2010 - foi a bebida de boas vindas, acompanhou uma série de tapas e cumpriu a sua missão.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015 em magnum - presença de citrinos, alguma fruta madura, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca assinalável. Consistente e gastronómico, tem tido uma boa evolução. Nota 18 (noutras situações 17,5/17,5+/17,5+).
Harmonizou com uma belíssima sopa de garoupa.
.Henriques e Henriques Sercial (engarrafado em 1973?) - presença de frutos secos e iodo, défice de acidez e alguma doçura. Tem um perfil muito longe da casta. Grande desilusão (garrafa avariada?). Nota 14,5 (noutra 18).
Serviu para limpar o palato.
.Qtª Poço do Lobo Reserva 2009 em magnum - com base nas castas Touriga Nacional (50%), Baga (35%) e Cabernet Sauvignon (15%), estagiou 12 meses em pipas de carvalho francês; ainda com alguma fruta e notas florais, fresco e especiado, alguma acidez, taninos de veludo, volume e final de boca de respeito. No ponto óptimo de consumo. Teve uma boa evolução. Nota 18 (noutras 17,5+/16,5/17,5+/17,5+).
.Aalto PS 2012 em magnum - com base na casta Tempranilho em vinhas velhas, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado em julho 2014; ainda com muita fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos vigorosos mas civilizados, volume e final de boca notáveis. Grande vinho, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 19.
Estes 2 tintos maridaram com um saboroso rabo de boi e puré de batata.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2012 - nariz contido, presença de citrinos e algum tropical, alguma acidez e notas amanteigadas, volume médio e final de boca algo adocicado. Nota 17,5 (noutras 17,5/18/17,5+).
Acompanhou uma tábua de queijos.
.Carcavelos Villa Oeiras Superior - estagiou 15 anos em barricas de carvalho português e francês; presença de frutos secos, notas fortes de iodo, alguma acidez e gordura, volume considerável e algum final de boca. Nota 18.
.Blandy Verdelho Solera - presença de frutos secos, notas de iodo e brandy, vinagrinho, algum volume e final de boca interminável. Nota 18,5+ (noutras 19/18,5+).
Estes 2 fortificados acompanharam umas tantas sobremesas.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado, Juca!

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Olhó Bacalhau - 3,5 *

O restaurante Olhó Bacalhau é o 4º espaço dedicado ao bacalhau que conheço em Lisboa e o último a aparecer. Para os mais curiosos, os outros são a Laurentina, Casa do Bacalhau e Bacalhoaria Moderna. Se me está a falhar algum, que me digam. Fica aqui um apelo aos seguidores deste blogue.
O Olhó Bacalhau fica num local improvável (Rua dos Mastros, 28) que pode afastar potenciais clientes. A sala é diminuta, com lugar para 18 pessoas e loja agregada e as mesas despojadas, acompanhando infelizmente a moda. Pertence ao grupo Terra do Bacalhau que tem uma banca no Mercado da Ribeira, onde se podem comprar 3 tipos de pastel de bacalhau para consumir in loco ou levar para casa, como já fiz.
O chefe residente é o Gonçalo Alpalhão, mas quem desenhou a ementa foi o Luis Gaspar, eleito em 2017 Chefe Cozinheiro do Ano, que já é o responsável pela Sala de Corte, Casa Lisboa e Big Fish Poke. Temos aqui mais um José Avillez, neste momento mais gestor que chefe.
A ementa é curta e tem o acento tónico na petisqueira (aos almoços de 2ª a 6ª feira, tem um prato fixo que muda semanalmente). O bacalhau é o da Noruega, com 9 meses de cura e altamente publicitado pelo Vitor Sobral.
Nesta minha visita comi:
.couvert (pão sofrível, azeite Esporão, azeitonas e pele de bacalhau crocante)
.conserva de bacalhau com escabeche de pimentos
.tarte de amêndoa e chocolate
Quanto à componente vínica, a lista está reduzida aos mínimos e demasiado centrada no Alentejo, os anos de colheita estão omissos e não há cervejas artesanais. Optei por um copo do vinho da casa que cumpriu a sua missão. A garrafa veio à mesa, mas não foi dada a provar. O vinho foi servido num copo aceitável e com a indicação dos 15 cl.
O atendimento, por parte do gerente/chefe de sala de quem lamentavelmente não retive o nome, foi muito personalizado , profissional e simpático.
À saída, teve a gentileza de me oferecer uma lata de "Oh My Cod", uma conserva de bacalhau em azeite e alho.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Almoço com vinhos fortificados (33ª sessão) : mais uma boa jornada em Porto Covo

O denominado Grupo dos Madeiras, embora desfalcado, reuniu em Porto Covo, chez Natalina/Modesto, para mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes, onde se destacaram 2 Madeiras fora de série..
Desfilaram:
.Soalheiro Granit Alvarinho 2015 (dupla magnum) - cor doirada, nariz intenso, componente mineral a impor-se, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca seco. Gastronómico e ao nível do 1ª Vinhas. Nota 18.
Acompanhou uma série de tapas (casquinha de sapateira, cogumelos recheados e chamuças) e, ainda, uma bela canja de garoupa.
.Borges Sercial 1979 - cristalino, notas de frutos secos, caril, iodo e especiarias, vinagrinho bem presente, bom volume e final de boca seco e interminável. O melhor Sercial da Madeira. Nota 19 (esta foi a 8ª garrafa provada e a 5ª a ser pontuada com 19).
Acompanhou frutos secos e serviu para limpar o palato.
.Chryseia 2009 - muito fresco, notas florais, acidez equilibrada, especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Na curva descendente, a beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5 (noutra situação 18).
.Pintas 2009 - ainda com alguma fruta, acidez equilibrada, especiado com a pimenta a impor-se, taninos domesticados, volume e final de boca assinaláveis. Ganhou complexidade. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5 (noutra 18).
Estes 2 tintos maridaram com cabrito assado no forno.
.Blandy Bual 1948 (engarrafado em 2004 com o nº 1007/1668) - nariz intenso, presença de frutos secos, notas de caril, brandy e iodo, vinagrinho, algum tanino, volume considerável e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor! Nota 19 (noutras 19,5/17,5/18,5/18,5+).
Harmonizou com bolo de bolacha, pastéis de nata e salada de frutas.
Obrigado Natalina, obrigado Modesto!

domingo, 14 de julho de 2019

Degust' AR Lisboa - 4 *

Este Degust'AR que abriu recentemente nas Picoas (R. Latino Coelho, 63) pertence a um grupo que gere 2 hotéis e mais alguns espaços de restauração em Évora. A aposta, como não podia deixar de ser, é na cozinha alentejana, sob a batuta do chefe António Nobre. Os preços dos pratos, uma boa vintena, de 2ª a 6ª feira ao almoço, são muito acessíveis, mas disparam ao jantar e fim de semana.
Espaço amplo mas confortável, mesas bem aparelhadas, música demasiado alta e serviço lento e algo descoordenado.
Nesta minha estreia comi, para além do couvert (3 variedades de pão, 3 patés, azeitonas e azeite Esporão), umas belíssimas pataniscas (muito finas e sem ponta de gordura) acompanhadas de arroz de coentros algo neutro e uma dispensável salada. Dose abundante e bem apresentada.
Quanto à componente vínica, excessivamente centrada nos vinhos alentejanos, inventariei 5 espumantes (3 a copo), 31 brancos (5), 5 rosés (1), 45 tintos (4) e 9 fortificados. Não testei o serviço de vinhos, mas percebi haver alguma preocupação com o controlo de temperaturas nos tintos, dada a existência de armários térmicos.
Tem ainda 2 cervejas artesanais da Musa, tendo eu optado por uma delas, a Saison O´Connor, que me desiludiu. Esperava mais.
Feito o balanço, ficou aprovado este espaço, embora a precisar de algumas correcções, ao qual tenciono voltar.

domingo, 7 de julho de 2019

O blogue vai de férias

Mais uma semana afastado do computador. Ficam por publicar:
.Degust'AR (ainda?)
.Olhó Bacalhau
.Grupo dos Madeiras
.Lisbon Wine Hotel
.Novo Formato+
.Jantar Esporão
Até ao meu regresso...

sábado, 6 de julho de 2019

Rescaldo do Lisboa & Tejo (1ª edição)

Esta 1ª edição do evento "Lisboa & Tejo", organizado pelas garrafeiras Néctar das Avenidas (responsável pelo Bairradão) e Wines 9297, decorreu no Hotel Real Parque e contou, se fiz bem as contas, com 21 produtores dos quais 16 de Lisboa (Lx) e 5 do Tejo (Tj). Fico na dúvida a que se deve tamanho desequilíbrio, se desinteresse dos produtores do Tejo ou por não terem sido sensibilizados para medirem forças com os vinhos de Lisboa.
Quanto aos vinhos provados (20 brancos e 17 tintos), de um modo geral, cativaram-me os brancos de Lisboa, frescos e harmoniosos, e cansaram-me um pouco os tintos, quase todos degustados a temperaturas acima do recomendável.
Começando pelos brancos, dou uma nota muito alta ao Baías e Enseadas Arinto 2017 (Lx), o melhor da prova entre brancos e tintos, seguido de Baías e Enseadas Fernão Pires 2017 (Lx), Colares Fundação Oriente Malvasia 2014 (Lx), Checkmate Arinto 2018 (Lx), CH by Chocapalha Arinto 2017 (Lx), Qtª do Rol Arinto Colecção 2015 (Lx) e Casa Cadaval Reserva 2017 (Tj). Noutro plano, Baías e Enseadas Malvasia 2017 (Lx), Casal Santa Maria Malvasia 2016 (Lx), Qtª Monte d' Oiro Reserva 2017 (Lx), Qtª do Rol Selecção 2015 (Lx), Qtª Boa Esperança Reserva 2016 (Lx) e Falcoaria Vinhas Velhas 2017 (Tj).
Quanto a tintos, coloco em 1º plano o Chocapalha Vinha Mãe 2013 (Lx), Guarita de Chocapalha 2015 (Lx), Vale da Mata Reserva 2014 (Lx), Qtª São Sebastião Grande Escolha 2015 (Lx), Qtª Pancas Grande Reserva 2013 (Lx), Qtª Boa Esperança Syrah 2015 (Lx) e Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (Tj). No plano seguinte o Qtª Monte d' Oiro Touriga Nacional 2015 (Lx), Qtª Escusa Reserva 2015 (Tj), Serra Oca 2015 (Lx) e Casa Cadaval Reserva 2015 (Tj).
Ficam os organizadores de parabéns por esta 1ª edição do Lisboa & Tejo, com votos que na próxima consigam a paridade entre as 2 Regiões.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Junho 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 14 crónicas publicadas em Junho 2011, merecem destaque estas 3:

."A troika algarvia", no dia 6
Estes eram, há 8 anos, os meus 3 restaurantes preferidos nos arredores de Tavira:
 .Primo dos Caracóis, em Quatrim
 .Noélia e Jerónimo, em Cabanas
 .A Casa, em Santa Luzia
Os 2 primeiros mantêm-se, enquanto que o último foi substituído pelo Constantino, em Santa Catarina da Fonte do Bispo, um restaurante de caça, longe da confusão e com preços imbatíveis.

."As Pousadas e os vinhos", no dia 13
A propósito de uma entrevista publicada na Revista de Vinhos (a antiga) e conduzida pelo João Paulo Martins e Fernando Melo ao Director das Pousadas pertencente, em simultâneo, à direcção da Adega Cooperativa Granja-Amareleja e que admitiu nada perceber de vinhos!

."Os 50 anos da Lena e do Juca", no dia 20
Rememorando, simplesmente... (para aqueles que participaram ou os conheceram).

terça-feira, 2 de julho de 2019

À volta da cerveja artesanal (III)

1.Mais provas
Mais umas tantas cervejas artesanais (e também semi-artesanais) provadas, umas pela 1ª vez e outras em repetição, mantenho a metologia classificativa (de 1 a 5):
.com 4,5+
Dois Corvos Power of Three, com estágio em barricas de Porto e de Whiskey e 10,1 % de álcool
.com 4,5
Dois Corvos Finisterra Imperial Porter, com 8,5 %
1927 Bengal Amber IPA (noutra situação 4)
.com 4+
Dois Corvos Into the Woods Scotch Ale
.com 4
8ª Colina Zé Arnaldo Porter
Nortada Vienna Lager
La Rosa IPA (noutra 3,5)
1927 Munich Dunkel (noutra 4,5)
.com 3,5+
La Rosa Lager (noutra 4)
.com 3,5
Bolina Rajada Pilsner
1927 Bavaria Weiss
.com 3
Nortada Weiss Bier

2.O Livro
Saíu recentemente o livro "Uma Viagem pelo Mundo da Cerveja Artesanal Portuguesa" (edição Casa das Letras), uma louvável iniciativa que se deve a dois carolas deste novo, aliciante e viciante mundo das artesanais:
.Bruno Aquino que, segundo a editora "É o rosto da cerveja artesanal em Portugal e um dos bons embaixadores que temos em eventos no estrangeiro.". É o João Paulo Martins da cerveja, acrescento eu.
.Domingos Quaresma que "Acompanha o movimento cervejeiro artesanal português desde 2005 (...)".
É o escritor, acrescento eu.
A 1ª parte do livro é dedicada à "Cultura da Cerveja Artesanal" (história, escolas e famílias cervejeiras, ingredientes básicos, como fazer e harmonização com a gastronomia).
A 2ª parte "Notas de Prova" (condições ideais para apreciar cervejas e como se avaliam) inclui, ainda, o resultado da prova cega de mais de 150 artesanais, cujo painel contou com os 2 autores e mais 5 provadores de reconhecido mérito.
Daqui resultou o TOP 50 com as respectivas notas de prova e, ainda, uma lista das 15 que gostaram particularmente, independentemente das pontuações obtidas.
A quem quiser saber algo mais que os ingredientes básicos (água, malte, lúpulo e levedura), as escolas (alemã, belga, inglesa e norte americana) e as grandes famílias ALE ( leveduras de alta fermentação, mais complexa e recomendada para gastronomia mais elaborada) e LAGER (leveduras de baixa fermentação, mais parecida com as industriais e indicada para comidas mais leves), recomendo sem qualquer hesitação a leitura deste livro/guia.
No entanto e prevendo que venham a ser publicadas mais edições, apelo a que os autores ponderem publicar algumas informações omitidas nesta 1ª edição e que as viriam a enriquecer:
.uma referência à cerveja IMP5RIO, resultante de uma parceria Letra/Dois Corvos, com 10 % de álcool e uma longevidade de 20 anos (!), caso que penso ser inédito neste mundo cervejeiro
.a inclusão da Quinta La Rosa na lista dos 127 produtores de cerveja artesanal (uma omissão que não se entende, até porque é o único produtor de vinhos que também é produtor cervejeiro)
.incluir as moradas e contactos dos 31 bares e lojas referenciados.
.incluir o grau alcoólico e prazos de validade nas fichas das 65 cervejas seleccionadas.

3.Um jantar cervejeiro
Tomei conhecimento pela leitura da crónica "O Atlântico de Laffan à mesa com cerveja" publicada em 20/6 no blogue "Mesa do Chef", para o qual tenho um link, que a Confraria da Cerveja organizou um jantar, cujas harmonizações dos vários pratos do menu foram feitas com cerveja artesanal, em vez de vinho. Este evento decorreu no restaurante Atlântico do chefe Miguel Laffan, no Monte Estoril.

sábado, 29 de junho de 2019

Grupo FJF (10ª sessão) : vinhos contra a corrente

Esta última sessão deste grupo de enófilos militantes decorreu no restaurante Bacalhoaria Moderna que nos preparou um extenso menú de degustação, com base no bacalhau (com excepção das sobremesas), a saber:
.couvert
.tártaro de bacalhau com vinagreta de mostarda
.línguas de bacalhau com gema de ovo
.bacalhau à braz
.bacalhau em arroz
.bacalhau com grão e seu puré
.mousse de chocolate
.torta de laranja
.tarte de queijo
Foi um autêntico e delicioso banquete, orquestrado pela chefe Ana Moura.
Na sala, mesas despojadas, bons copos Schott, temperaturas correctas e serviço profissional.
Quanto a vinhos, desfilaram:
.Flor Nobre Reserva 2014 (um branco da Beira Interior, levado por mim) - produção de Casas do Côro e enologia do Dirk Niepoort, com base em vinhas a 600 metros de altitude; alguma oxidação nobre, fruta cítrica e de caroço, acidez nos mínimos, notas amanteigadas, bom volume e final de boca adocicado (13 % vol.). Original e gastronómico, precisava de mais acidez para dar o salto a outro patamar. Nota 17,5.
.Giz Vinha das Cavaleiras 2015 (uma das 600 garrafas levada pelo Frederico) - produção e enologia de Luiz Gomes, com base na casta Baga em vinhas centenárias, estagiou 20 meses em barricas novas de carvalho francês; notas vegetais, bela acidez, taninos suaves, algum especiado, volume e final de boca ponderados (12,5 % vol.). Nota 17,5.
.Justino's Verdelho 1997 (um Madeira levado pelo João) - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, algum volume e final de boca. Mais doce do que se esperava desta casta, mas uma boa surpresa. Nota 18.
Foi uma pedagógica sessão, com vinhos contra a corrente a ligarem bem com o menú de degustação. Uma experiência a repetir.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Curtas (CXIII) : o Berardo, a Enoteca de Belém e o Vinho ao Vivo

1.Os Vinhos do Berardo
Muita tinta correu com as "golpadas" do Joe Berardo e sua provocatória prestação na Assembleia da República. Uma obscura garrafeira/enoteca denominada Baco Alto, sediada em pleno Bairro Alto, saíu do anonimato ao proclamar aos quatro ventos que deixaria de vender os vinhos das empresas em que o Berardo tivesse alguma posição como accionista, como seria o caso da Bacalhôa, da Aliança e da Sogrape. Só que lhe saíu o tiro pela culatra pois, em relação à Sogrape, a afirmação não era verdadeira e o desmentido, emitido por aquela prestigiada empresa, não se fez tardar.
Por outro lado, o Pedro Garcias na Fugas dedicou uma página inteira ao Berardo, pondo em dúvida a razoabilidade do boicote, pois segundo o jornalista, "(...) Os únicos penalizados iriam ser os trabalhadores.(...)".
Finalmente, a TAP. Esta controversa transportadora aérea continua a fornecer, nas refeições da classe económica, vinhos do Berardo, nomeadamente o JP branco e o Alabastro tinto. Com tanto vinho, de tanto produtor, a necessitar de ser escoado, aqui fazia sentido a TAP escolher outras marcas fora dos radares da polémica.

2.A Enoteca de Belém
A Enoteca de Belém onde tantas vezes serviu de palco a encontros memoráveis, onde os vinhos eram as estrelas, reabriu com outra gente. Curiosamente, os novos responsáveis pela Enoteca, o Daniel Afonso e o Nuno Santos, eram clientes das Coisas do Arco do Vinho e militantes dos jantares vínicos organizados pela nossa loja.
Largaram a enoteca do Castelo e agora, para além da de Belém, também dirigem o Chafariz do Vinho que esteve (ou ainda estará) ligado ao João Paulo Martins.
Muitos anos de vida são os meus votos.

3.O Vinho ao Vivo
Vai decorrer nos dias 6 e 7 de julho, das 19 às 24 horas, a 10ª edição do Vinho ao Vivo na Esplanada À Margem, em Belém mesmo junto ao Tejo. Este evento, que também dá pelo nome de Festival Europeu do Terroir, é organizado pelos Goliardos.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Jantar Qtª do Crasto (II)

Adiei uma viagem a Tavira, há muito prevista, pois não podia faltar a este jantar. As nossas relações (do Juca e minhas) com a Qtª do Crasto vêm de longe e a nossa amizade com os manos Roquete e com o Pedro Almeida, que esteve neste último jantar, idem.
Para os mais curiosos, vale a pena ver o que escrevi nas crónicas
."O último evento das CAV: 2 anos depois", em 31/10/2011
."Jantar Qtª do Crasto", em 22/4/2012
A crónica de hoje refere-se ao jantar  organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, o qual decorreu na Casa do Bacalhau, tendo contado com a presença do Pedro Almeida, como acima referi, e do seu enólogo Manuel Lobo que apresentou os vinhos.
Da parte da Casa do Bacalhau não houve surpresas. A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos, o serviço foi profissional, as temperaturas correctas e os copos Riedel, um luxo!
Desfilaram 6 vinhos Qtª do Crasto:
.Rosé 2017 - com base nas castas Touriga Nacional (85%) e Tinta Roriz (15%) em vinhas a 400 metros de altitude; alguma austeridade, mas também complexidade para um rosé, volume assinalável e gastronómico (13 % vol.). E agora uma heresia: tem um perfil que me fez lembrar o rosé Barranco Longo que, nos painéis de prova cega organizados pelas CAV, foi vencedor por 3 vezes. Nota 17.
Ligou bem com as pataniscas de bacalhau.
.Branco Superior 2017 - com base nas castas Verdelho e Viosinho, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; nariz presente, fresco e mineral, fruta cítrica e de caroço, bem balanceado entre a acidez e a gordura, madeira bem casada, volume e final de boca de assinalar (13,5 % vol.). Nota 17,5+.
Harmonizou com um belíssimo lavagante e massa fresca.
.Reserva Vinhas Velhas 2015 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e americano e foi engarrafado em setembro 2017; nariz positivo, com fruta e acidez, especiado com a pimenta a impor-se, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. Elegante, harmonioso e gastronómico (14,5 % vol.). O Vinhas Velhas porta-se sempre muito bem e, quanto ao preço de prateleira, serve-me de padrão quando entro numa garrafeira. Se estiver abaixo dos 30 € tudo bem, mas se estiver acima saio de imediato. Nota 18,5.
Casou bem com magret de pato e puré de batata.
.Tinta Roriz 2015 - estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês e foi engarrafado em junho 2017; muito fresco e frutado, alguma acidez, notas especiadas, taninos bem presentes, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Nota 18.
.Touriga Franca 2016 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado em outubro 2018; nariz mais contido que o anterior, fruta vermelha, notas vegetais, taninos dóceis, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Nota 17,5.
Estes 2 monocastas, muito unidireccionais, não apagaram a prestação do Vinhas Velhas que foi o meu vinho do jantar!
Maridaram com um delicioso bife welligton e arroz de forno.
.Porto Colheita 1998 (engarrafado em 2018) - presença de frutos secos, alguma fruta vermelha mas muita uva passa, alguma acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca persistente. Foi o elo mais fraco do jantar. Nota 17.
Acompanhou pudim do abade.
Foi mais uma boa sessão "gastrovínica", onde matei saudades com os meus amigos do Crasto.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Vinhos em família (XCV) : mais 4 brancos

Ou porque tenho bebido menos vinho em casa ou porque tenho andado a provar cervejas artesanais nestes últimos tempos, o que é um facto é que já há algum tempo não publicava nenhuma crónica deste tema "Vinhos em família".
Hoje só me referirei a brancos provados há relativamente pouco tempo, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Vértice Grande Reserva 2009 - enologia de Celso Pereira, com base nas castas Rabigato e Gouveio; evoluído e algo oxidado, fruta madura, glicerinado, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios (14 % vol.). Gastronómico, requer comida algo pesada. Nota 17.
.Qtª Saes Encruzado Estágio Prolongado 2015 - presença de citrinos e alguma fruta cozida, notas florais e fumadas, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (13 % vol.). Elegante e equilibrado. A beber com entradas leves ou mais pesadas. Nota 17,5.
.Morgado Santa Catherina Reserva 2012 - com base na casta Arinto, estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta de caroço, bem balanceado entre a acidez e a gordura, volume e final de boca consideráveis (14 % vol.). A acompanhar alguma entradas e queijos de pasta mole. Nota 17,5+.
.Colares Chitas Reserva 2016 - produzido por António Bernardino Paulo da Silva, com base na casta Malvasia; presença de citrinos, nota florais e salinidade, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca assinaláveis (12 % vol.). A beber com um peixe no forno. Complexo e original. A grande surpresa destas provas! Nota 18.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Grupo dos 6 (17ª sessão) : 5 vinhos de eleição

O Grupo dos 6, ainda desfalcado de um dos seus elementos, voltou a reunir-se no Magano. Como é habitual a gastronomia era de qualidade e o serviço de vinhos impecável. O único ponto criticável é os fumadores poderem sacar do cigarro. Normalmente a tiragem é boa, mas por vezes (como foi o caso) o fumo passa e incomoda quem esteja a provar/beber vinhos a sério.
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 (garrafa levada pelo Juca) - cor dourada, presença de citrinos e fruta madura, bela acidez, notas amanteigadas e fumadas, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, ao nível do apaixonante Reserva 2007. Nota 18,5.
Harmonizou bem com garoupa frita e arroz de tomate e menos bem com as entradas habituais.
.Santiago Rascunho Alvarinho 2014 (garrafa nº 64/500 levada por mim) - estagiou 3 anos em barrica e mais 1 em garrafa; nariz contido, muito fresco e mineral, citrinos presentes, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Fino e elegante é uma preciosidade dificil de encontrar no mercado. Nota 17,5+.
Acompanhou muito bem as entradas e menos bem a garoupa.
.CV 2005 (levada pelo J. Rosa) - ainda com muita fruta, acidez equilibrada, cheio de frescura e juventude, especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca muito longo (14,5 % vol.). A beber nos próximos 7/8 anos. Evoluiu muito bem. Nota 18,5+ (noutras situações 18/18/17,5+).
.La Rosa Vale do Inferno 2005 (levada pelo Frederico) - ainda com frescura, acidez, alguma fruta e especiarias, taninos presentes, algum volume e final de boca (15 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos maridaram bem com plumas de porco preto.
.Moscatel JP 1991 (levada pelo João) - presença de tangerina e frutos secos, frescura e acidez, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. Nota 18.
Ligou bem com os tradicionais pastéis de amêndoa.
Foi mais uma grande jornada vínica e gastronómica, embora prejudicada na parte final com o fumo da mesa do lado.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Almoço e prova de vinhos com a Adega Cooperativa da Vidigueira (ACV)

1.Introdução
A convite da ACV tive a oportunidade de provar 8 dos seus vinhos, 6 dos quais no decorrer do almoço que teve lugar no restaurante Quorum.
Aliás, esta não foi a 1ª vez que tal aconteceu, estando registada a prova de há 2 anos na crónica "Provar vinhos com a Adega Cooperativa da Vidigueira", publicada em 25/5/2017. Na altura, dos 8 vinhos provados critiquei apenas 2 (monocastas Vermentino e Alvarinho) que nada acrescentavam ao seu portefólio. Por coincidência ou não, estes já não constam no portefólio actual.
A prova deste ano, à semelhança da de há 2 anos, foi dirigida à imprensa especializada e generalista, mas também à blogosfera o que é louvável.
Por parte da ACV, estava a direcção em peso e o responsável pela enologia, Luis Leão de seu nome, já meu conhecido de outras andanças.
A ACV é uma cooperativa ímpar e a sua brochura institucional um caso à parte no mundo do vinho, diria mesmo a mais original. O texto alude à ligação da Vidigueira a Vasco da Gama e estabelece uma curiosa ligação dos seus vinhos à viagem do navegador, em "7 atos - e mais alguns". Tiro o meu chapéu ao autor do texto.

2.Almoço e prova de vinhos
Os vinhos foram sendo apresentados pelo enólogo Luis Leão. Ainda informalmente e de pé, acompanhados por tapas, provámos:
.Ato V - A Decisão - Espumante DOC 2016 - fresco, bolha fina, notas de pão cozido (nota 16,5)
.Ato III - A Saudade - Vidigueira Rosé 2018 - algo pesado (15)
Já na mesa, desfilaram:
.Ato IV -A Inspiração - Vidigueira Antão Vaz 2018 - austero, fruta madura, notas vegetais e algum tropical, volume e final de boca médios; gastronómico (16,5)
Acompanhou uma açorda de cação com ovo e não ligou bem.
.Ato V - A Decisão - Vidigueira Grande Escolha 2017 branco - com base nas castas Antâo Vaz e Perrum, estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 3 em garrafa; presença de citrinos e fruta madura, bom equilibrio entre a acidez e a gordura, salinidade, volume e final de boca apreciáveis (17,5)
Harmonizou com um excelente bacalhau assado.
.Ato IV - A Inspiração - Vidigueira Alicante Bouschet 2017 - notas vegetais, alguma acidez, taninos civilizados, algum volume e final de boca (16)
.Ato V - A Decisão - Vidigueira Grande Escolha 2015 tinto - com base nas castas Trincadeira e Alicante Bouschet, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês (70%) e americano (30 %); ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, notas de chocolate preto, taninos vigorosos, volume e final de boca assinaláveis; muito afinado (17,5+)
Estes 2 tintos maridaram (melhor o Grande Escolha) com um borrego de leite alentejano.
No final do repasto, foram provados 2 licorosos:
.Ato Único - Branco 2017 (demasiado "light") e Tinto 2013 (próximo de um LBV).
A fechar, a ACV ofereceu, a cada um dos participantes, 2 garrafas de vinho Vidigueira (Antão Vaz 2018 e Grande Escolha 2017 branco). O meu obrigado.

3.O Quorum - 3,5 *
Mesas despojadas e cadeiras desconfortáveis.
A comida, com excepção da entrada, esteve à altura do esperado e harmonizou bem com os vinhos.
O serviço, por vezes muito demorado, alternou o profissionalismo dos(as) empregados(as) com algumas falhas indesculpáveis.
Os copos também alternaram os bons com os sofríveis, o que não se entende num restaurante deste nível.

sábado, 8 de junho de 2019

O blogue vai de férias

Vou estar mais 1 semana longe do computador.
Ficam por publicar:
.Almoço e provas com a Cooperativa da Vidigueira
.À volta da cerveja artesanal (III)
.Grupo dos 6 (17ª sessão)
.Vinhos em família (XCV)
.Restaurante Degust'AR
.Jantar Qtª Crasto

Novo Formato+ (34ª sessão) : o Soalheiro em alta

O 34º encontro deste grupo de enófilos militantes foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa e decorreu na Casa da Dízima. Mais uma vez, sob a batuta do Pedro Batista, o serviço foi de 5* com os vinhos a chegarem à mesa antes dos pratos, temperaturas correctas, copos Schott e decantadores Riedel. Um luxo! Nos tachos imperou o chefe João Silva, a merecer nota alta.
Da garrafeira do anfitrião J. Rosa, saltaram para os nossos copos:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 - ainda com fruta cítrica, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca. A evoluir muito bem, impõe-se a frescura e complexidade. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5/18/18/17,5+).
Acompanhou uma série de tapas e carpaccio de vieiras.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 - cor dourada, presença de citrinos e fruta madura, bela acidez, notas amanteigadas e fumadas, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, vai no caminho do memorável Reserva 2007. Nota 18,5+ (noutras 18/18/18/18,5).
Maridou com uma bela tranche de salmonete e arroz de choco com sua tinta.
.Qtª Manoella Vinhas Velhas 2009 - com base em vinhas com mais de 100 anos; ainda com fruta vermelha, frescura e acidez, algo especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18 (noutra 18,5).
.Qtª Manoella Vinhas Velhas 2010 - ainda com alguma fruta, frescura e acidez, taninos algo bicudos, volume e final de boca médios. Menos complexo que o anterior, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17 (noutras 17,5/17).
.Qtª Manoella Vinhas Velhas 2012 - ainda com fruta vermelha, bela acidez, notas especiadas com a pimenta a impor-se, taninos presentes e civilizados, grande volume e final de boca longo. Mais complexo que os anteriores, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com carré de borrego de leite e esmagada de batata doce. 
.Burmester Tordiz 40 Anos (engarrafado em 2017) - frutos secos, algum caril e acidez, taninos bem presentes, algum volume e final de boca. Menos complexo que outros Tordiz de engarrafamentos diferentes. Desiludiu. Nota 17,5 (noutras 18,5/18,5/18+).
Mais uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado Marieta! Obrigado J. Rosa!

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Rescaldo da ida ao Norte (II) : Gaia, Porto Cruz e 17.56 Museu & Enoteca

1. Gaia
Todo o enófilo que se preze, pelo menos uma vez na vida, tem que ir a Gaia e praticar um pouco de enoturismo. A oferta é muita, começando pelo Centro Multimédia do Vinho do Porto - AEVP e continuando pelas caves de A. A. Calém, A. Ramos Pinto, Burmester, Churchill's, Cockburns, Ferreira, Offley Forrester, Poças Júnior, Real Companhia Velha, Rozés, Sandeman, W. & J. Graham, Kopke, Quinta do Noval e Espaço Porto Cruz.
Um dos possíveis acessos envolve o metro (entrada na Trindade e saída no Jardim do Morro) e o teleférico. Foi o que eu fiz e aconselho.
Para além do enoturismo, recomenda-se um salto ao antigo mercado, agora transformado, à semelhança do Bom Sucesso, onde se pode petiscar ou fazer uma refeição, pois a oferta é muita.

2. Espaço Porto Cruz
É um espaço moderno que merece uma visita aos seus 5 pisos, a saber:
.0 (ao nível da rua) - loja de vinhos
.1 - exposição de peças e passagem de vídeos alusivos ao Douro
.2 - auditório e sala de provas
.3 - restaurante DeCastro Gaia
.4 - terraço com bar
Desta vez não tive a oportunidade de testar o restaurante do Miguel Castro e Silva, mas fica para uma próxima. Gostei do que vi.

3. Real Companhia Velha (RCV) - 17.56 Museu & Enoteca
A história da RCV confunde-se com a da Região do Douro, pois ambas foram criadas em 1756.
Visitado o Museu, no piso 0, que recomendo, é a altura de subir ao 1º andar, onde se situa a Enoteca que é, em simultâneo, um restaurante de referência.
É um espaço muito amplo, mas muito bem dividido e cheio de recantos bem conseguidos, com uma decoração fantástica. Tudo respira qualidade e bom gosto. Mais, a nível mundial dificilmente se encontrará melhor.
À entrada, uma relações públicas dá as boas vindas e encaminha-nos até à mesa, algo despojada, apenas com um marcador rectangular com o logo 17.56 omnipresente.
Nesta estreia, degustei:
.couvert (pão, manteiga e azeite Qtª dos Aciprestes)
.sopa rica de peixe (belíssima)
.ventresca com feijão frade
.mousse de chocolate
Quanto à componente vínica, a lista é monumental e inclui o melhor que se faz por cá.
Optei por um copo do branco Qtª Cidrô Boal 2015 - nariz discreto, algum citrino e fruta madura, equilibrio acidez/gordura, notas tostadas, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 17,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num excelente copo Riedel. Serviço atencioso e muito profissional.
Este almoço na Enoteca 17.56 foi um dos pontos altos nesta ida ao Norte. Imperdível!
Para quem não conheça e queira ver fotografias do espaço, sugiro uma olhada a
.//enoteca1756.pt
.comerbeberlazer.blogspot.com (crónica publicada em 3/12/2018)

terça-feira, 4 de junho de 2019

Maio 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 16 crónicas publicadas no decorrer do mês em referência, destaco estas 3:

."O Blog está de luto (II)", no dia 4
Foi a continuação do que escrevi em abril, na sequência do falecimento do David Lopes Ramos, um grande senhor no mundo da gastronomia e vinhos (e não só...).

."Frustação no Eleven", no dia 16
Quando um restaurante famoso promete uma coisa e depois não a cumpre.

."Grande jornada na José Maria da Fonseca", no dia 18
O último evento organizado pelo Rui Lourenço Pereira (Qtª Wine Guide). O almoço/prova decorreu em Azeitão, nas instalações da José Maria da Fonseca. Dos 3 Bastardinhos e 9 Moscatéis provados, destaco os Moscatéis de 1952 (19,5), 1967 (18,5+) e 1973 (18,5+), na altura ainda nenhum deles estava engarrafado.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rescaldo da ida ao Norte (I) : Bom Sucesso, Serralves e Póvoa

1.O Mercado do Bom Sucesso e o Hotel da Música
Em recente viagem ao Norte, com destino à Invicta, ficámos hospedados no Hotel da Música, localizado junto à Rotunda da Boavista e bem integrado no Mercado do Bom Sucesso, a versão portuense do lisboeta Mercado da Ribeira.
A estadia neste hotel teve a vantagem de nos resolver o problema dos jantares pois, sem sairmos à rua, tinhamos ali dezenas de alternativas petisqueiras, tendo optado por:
.O Caldeirão das Sopas
.O Forno do Leitão do Zé
.Risotto da Baixa
.El Argento (empanadas)
.Bubbles (tartes)
.Flor de Sal (bacalhau)
Quanto a bebidas para acompanhar, entre outras hipóteses, escolhi a banca Anolokiter, com uma boa oferta de cervejas, entre as quais as 1927, todas a 2,30 €:
.Bengal Amber IPA (nota 4,5 em 5)
.Bavaria Weiss (3,5)
.Munich Dunkel (4)
Resumindo e concluindo, jantei bem todas as noites por cerca de 10 € (comidas e bebidas).

2.Serralves
Um dos motivos que nos levou a viajar até ao Porto foi ver a exposição "I' m Your Mirror" da artista plástica Joana Vasconcelos, com mais de 30 peças e organizada pelo Museu Guggenheim de Bilbau, em parceria com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, a maior parte das quais já conhecia, mas não me canso de ver.
Vista a exposição, poisamos no Restaurante de Serralves (2,5 *), um espaço simpático mas cujo buffet podia e devia ser melhor.
Bebi um copo de branco Malhadinhas 2017 (Cooperativa Agrícola do Távora) - austero, seco e gastronómico. Uma boa surpresa por 2,5 €. Nota 16,5.
O copo já vinha servido e a garrafa só foi mostrada a pedido. Não havia necessidade...

3.Solar das Iscas
Na sequência de um salto à Póvoa de Varzim, via metro, abancámos no Solar das Iscas (2,5 *), muito badalado pela Evasões e que fica no interior da Fortaleza Nossa Senhora da Conceição.
Da ementa petisqueira, provei:
.mãozinhas de vitela com feijão branco
.alheira fatiada grelhada
.iscas (entenda-se, pataniscas) de bacalhau
A comida até era saborosa, mas entre o pedido e a chegada dos petiscos demorou bem 1 hora! E a sala, que nem sequer estava lotada, só dá para 16 pessoas. Não se entende, de todo.
A acompanhar  um copo de branco Vila Régia 2017 (?), sem história e que já vinha servido.
Resumindo e concluindo, para esquecer!

terça-feira, 28 de maio de 2019

Curtas (CXII) : próximos eventos e um novo espaço

1.Próximos eventos
1.1.Douro TGV
Com organização da Regia - Douro Park, realiza-se nos claustros do Governo Civil de Vila Real, a 3ª edição do Douro TGV, que engloba 3 vertentes:
.Turismo (dia 29/5)
.Gastronomia (dia 30/5) - inclui um jantar
.Vinhos (dia 31/5) - comemora os 30 anos DOC Douro e os 30 anos de carreira do João Paulo Martins e inclui uma mostra de Vinhos e Sabores do Douro.
Entrada gratuita.
1.2.Brut Experience
Com organização de Luís Gradíssimo, em parceria com José Miguel Dentinho, realiza-se dia 1 de Junho no Lisbon Marriott Hotel (das 15 às 20 h), a 2ª edição deste evento que conta com mais de 100 espumantes à prova. Entrada 15 €, com direito a copo de prova.
Está, ainda, previsto um jantar vínico.
1.3.Lisboa /Tejo
Na sequência do Bairradão, as garrafeiras Néctar das Avenidas e Wines 9297 (em Telheiras), organizam a 1ª edição do Lisboa/Tejo, com produtores destas 2 Regiões.
O evento decorrerá no Hotel Real Parque (Av. Luis Bivar) e custará 5 €, com direito a copo de prova.
Oportunamente, serão divulgados os produtores presentes.

2.A Taylor's em Lisboa
A Taylor's abriu, recentemente, uma loja (no rés do chão) e salas de provas (no 1º andar), em plena Alfama e mesmo ao lado do Chafariz Del Rei. Das janelas do 1º piso avista-se o terminal de cruzeiros de Lisboa, cujos passageiros são um potencial de clientes a não desprezar. O espaço estará aberto todos os dias, entre as 11 e as 19h30, podendo-se provar uma série de vinhos da marca, desde o Porto Branco ao Vintage, passando pelo LBV e Tawnies de Idade. Também à prova estará o azeite Quinta de Vargellas. A acompanhar as provas, têm pão, queijos e enchidos.
No dia da inauguração, as poucas pessoas que acederam ao convite foram recebidas pela directora do Centro de Visitas (Anne-Marie Faustino) e pelo director de marketing (Richard Bowden). Tivemos, nessa altura, ocasião de provar o branco Chip Dry, o 20 Anos (engarrafado este ano) e o Vintage Vargellas 2012. O meu preferido foi, claramente, o Tawny.
No final, ainda tiveram a gentileza de oferecer a cada um de nós 1 garrafa de LBV 2014. O meu muito obrigado!
Contudo, fiquei sem perceber porque razão as outras marcas do grupo (Fonseca, Croft e Krohn) ficaram de fora. Já o mesmo aconteceu com a banca no Mercado da Ribeira. Mistérios insondáveis...

sábado, 25 de maio de 2019

Paulo Morais em Belém : Tsukiji - 4,5 *

Aconteceu no Domingo de Páscoa. A nossa mesa era a única ocupada e os empregados eram mais que os clientes, logo tivemos direito a um serviço de luxo.
O Tsukiji (nome de um mercado de peixe em Tóquio) ocupa um espaço do Hotel Jerónimo 8, onde esteve o Manuelino, mas do qual é inteiramente independente. É aqui que o Paulo Morais, o chefe português mais qualificado em cozinha asiática e cuja carreira tenho acompanhado desde os tempos do QB em Oeiras, está na hora do almoço (ao jantar estará no Kanasawa).
Espaço luminoso a espalhar-se por 3 salas e 1 wine bar, decoração de muito bom gosto, mesas bem aparelhadas, em contra-mão com a moda, copos Spiegelau, toalhas e guardanapos de pano.
As doses são pequenas, sendo aconselhável pedir 2 pratos por cabeça e partilhá-los. Dos 6 que vieram, nota muito alta para a tempura, as favas e a panqueca de atum, nota boa para o ouriço e o bacalhau e nota fraca para a cavala fumada. Quanto a sobremesas, 1 por cabeça, nota muito alta para o bolo de chocolate e boa para a bebinca e a "matcha".
Quanto à componente vínica, inventariei 6 espumantes (3 a copo), 6 champanhes (2), 42 brancos (9), 9 rosés (3), 30 tintos (4) e 8 sakés. Lista bem construída, com uma boa oferta a copo e os vinhos todos datados. Pena não constar nem cervejas artesanais nem fortificados.
Apesar das malvadezas do Joe, escolhi o Bacalhôa Chardonnay 2017 - cor doirada, citrinos e fruta de caroço, equilíbrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa que ligou bem com os pratos pedidos. Nota 17,5+.
A garrafa foi mostrada e dada a provar.
Com as sobremesas, foi-nos oferecido um copo de Casal de Santa Maria Colheita Tardia 2015, a cumprir bem a sua missão.
Serviço eficiente, profissional e simpático.
Resumindo e concluindo, o Tsukiji é um espaço altamente recomendável, para ir em ocasiões especiais.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Mais provas (Vinicom e Herdade do Mouchão)

1.Vinicom
A convite desta empresa distribuidora de vinhos, cujas referências mais emblemáticas são os Lavradores de Feitoria e a Quinta de Vale Meão, estive em Montes Claros para provar mais alguns vinhos. Com o palato ainda cansado da maratona do Bairradão, limitei-me a degustar 8 brancos, 8 tintos e 4 fortificados, munido de um bom copo Spiegelau, cedido pela organização.
Quanto a brancos, destaco o AB Wines Alvarinho Barricas 2016, um projecto que desconhecia. A seguir outro AB Wines, o Arinto 2018 e, ainda, o Tangente 2017 que também desconhecia.
Quanto a tintos, destaco em primeiríssimo plano o Três Bagos Grande Escolha Estágio Prolongado 2008. A seguir, Qtª Vale Meão 2016, Terras de Santo António Reserva 2015 e o surpreendente João & Maria Grande Reserva 2014..
Finalmente, quanto a fortificados, dos 4 provados apenas destaco o Blackett 30 Anos.

2.Herdade do Mouchão
Recentemente, tive o oportunidade e a honra, diga-se, de visitar a Herdade do Mouchão e provar vinhos, na companhia do anfitrião, Iain Reynolds Richardson, proprietário, gestor e enólogo desta marca emblemática. Já conhecia o Iain dos tempos das Coisas do Arco Vinho, quando ele era responsável pelo projecto "Canto X", um dos vinhos mais vendidos nas CAV.
Além dos vinhos, a sua face mais visível, a Herdade do Mouchão também produz azeites (Galega e Courellas), mel silvestre, cortiça e ovinos (ovelhas da raça Merino Branco).
Quanto às provas, desfilaram 1 branco, 5 tintos e 2 fortificados:
.Dom Rafael branco 2018 - com base nas castas Antão Vaz e Arinto (45 % de cada) e Fernão Pires (10 %), estagiou apenas em inox; bom equilibrio entre a acidez e a gordura. Nota 16,5.
.Dom Rafael 2015 - com base nas castas Aragonês, Trincadeira e Castelão, estagiou 12 meses em barricas e 6 em garrafa; fresco e amentolado, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
.Ponte das Canas 2014 - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Syrah; estagiou 18 meses em barrica e 12 em garrafa; ainda com fruta, notas amentoladas e bem estruturado. Nota 17.
.Mouchão 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (90 %) e Trincadeira; fresco, complexo, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
.Mouchão 1979 - com base na casta Alicante Bouschet (100%); ainda cheio de saúde e com muita personalidade. Grande surpresa. Quem diz que os vinhos alentejanos (não serão todos, claro) não envelhecem bem? Nota 18,5.
.Mouchão Tonel 3-4 2013 - ainda com muita fruta preta, bela acidez e complexidade, taninos presentes e civilizados, encorpado e final de boca longo. Gastronómico, há que esperar por ele. Nota 18,5+.
Foram ainda provados 2 Mouchão Sobremesa, dos quais lamentavelmente não tenho registo.
Resumindo e concluindo, visita e prova inesquecíveis. Obrigado, Iain!

terça-feira, 21 de maio de 2019

Rescaldo do Bairradão (6ª edição)


Terminada mais uma edição deste evento (Bairradão), organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas no Hotel Real Palácio, como é habitual, é a altura para o correspondente balanço.
Passaram por lá cerca de 300 provadores. Bons copos e uma organização eficaz (talvez a melhor de sempre), apesar de algumas bancas não terem as indispensáveis cuspideiras, o que obrigava a cuspir na mesa do lado.
De qualquer modo, a Sara e o João Quintela estão de parabéns. Ficamos à espera do próximo.
Num dia de calor intenso em Lisboa (máxima 32º), provei exclusivamente brancos. Dos 38 vinhos provados, coloco em primeiro lugar o Poço do Lobo Arinto 1994 (o melhor da prova) e o Mata Fidalga Garrafeira 2017 (a grande surpresa, com uma relação preço/qualidade imbatível). Ainda num primeiro patamar, destaco o Pai Abel 2017, Casa de Saima Garrafeira 2015, Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado 2016, Passarella A Descoberta Encruzado 2017, Vinha de Reis Edição Limitada 2017, M.O.B. Vinha Senna 2017, Qtª Saes Reserva 2017, Ribeiro Santo Automático 2017, Pedra Cancela Reserva 2016 e Qtª Mendes Pereira Reserva Encruzado 2015.
No patamar seguinte, incluo o Qtª Valdoeiro 2017, Giz Vinhas Velhas 2017, Casa de Saima Vinhas Velhas 2017, Ataíde Semedo Reserva 2017, Luis Pato Parcela Cândido Cercial 2015, 98 Anos de História 2017, Qtª do Cerrado Reserva 2017, M Marquês Marialva Arinto Grande Reserva 2014 (a precisar de mais tempo em garrafa), M.O.B. Lote 3 2017, Vinha Paz 2017, Qtª do Perdigão Encruzado 2017, Qtª da Fata Encruzado 2017, Qtª da Alameda Reserva 2016, Carvalhão Torto Reserva Encruzado 2017, Ladeira Santa Reserva Encruzado 2017 e Qtª dos Roques Reserva 2015 (a ordem foi a das provas).
De registar que apenas 10 dos brancos provados ficaram de fora destas listas, ou seja, dei boa nota a 28 vinhos em 38 (74%), enquanto que na 5ª edição, apenas elogiei 19 dos 32 brancos provados (59%). Conclusão: estamos cada vez melhores em brancos.

sábado, 18 de maio de 2019

Jantar Lavradores de Feitoria

Se há produtor que esteja sempre presente na minha vida é este, Lavradores de Feitoria (LF).
Ao longo dos anos, publiquei neste blogue umas tantas crónicas:
."Jantar no Gspot" (com os Lavradores, claro), em 14/5/2010
."Jantar Lavradores de Feitoria", em 14/4/2012
."Jantar Lavradores de Feitoria", em 12/2/2015
."Provar vinhos com os Lavradores de Feitoria", em 6/8/2016
."Meruge : do vinho à gastronomia", em 13/12/2016
."A maioridade dos Lavradores de Feitoria (I) : Introdução e Antecedentes", em 6/11/2018
."A maioridade dos Lavradores de Feitoria (II) : a Prova e o Jantar", em 8/11/2018
Recentemente, participei em mais um jantar com os LF, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas no restaurante Via Graça e que contou com o Paulo Ruão, o responsável pela equipa de enologia, cujas intervenções foram muito pedagógicas.
Com harmonizações bem pensadas, boa gastronomia (sob a orientação do chefe João Bandeira) e um serviço de vinhos de qualidade (temperaturas adequadas, bons copos Riedel e os néctares a chegarem à mesa antes dos pratos), foi mais uma jornada a ficar na memória.
Desfilaram:
.Três Bagos Sauvignon Blanc 2017 - 20 % estagiou 4/5 meses em barricas novas de carvalho francês; aromático, notas vegetais com predomínio de espargos, acidez e mineralidade, volume e final médios (13 % vol.). Elegante e harmonioso. Nota 17.
Acompanhou alguns "snacks".
.Meruge 2017 branco - com base na casta Viosinho, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz presente, algum floral, notas citrinas, de fruta madura e fumadas, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Mais complexo e gastronómico que o anterior.  Nota 17,5.
Maridou com um excelente arroz de lingueirão.
.Meruge 2016 tinto - com base nas castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aberto de cor, alguma fruta vermelha, frescura e acidez equilibrada, taninos de veludo, estrutura e final de boca assinaláveis (14 % vol.). Fresco e elegante. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5+.
.Qtª da Costa das Aguaneiras 2016 - estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; menos elegante que o anterior, notas de fruta preta e especiarias, alguma acidez, taninos civilizados, volumoso, final de boca persistente (13,5 % vol.). Concentrado e gastronómico. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos casaram bem com uma belíssima empada de caça. Foi um momento muito pedagógico com estes vinhos, lado a lado, de perfis opostos.
.Três Bagos Grande Escolha 2014 - com base em vinhas velhas, estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz exuberante, muita fruta vermelha, acidez no ponto, notas especiadas, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca consideráveis (15 % vol.). Complexo e harmonioso. A beber nos próximos 12 a 14 anos. Nota 18,5+.
Harmonizou com carré de borrego.
.Três Bagos 2009 branco - cor dourada, aroma complexo, notas de chá e fruta madura, alguma evolução, acidez presente, volume e final de boca médios (12 % vol.). Ainda longe da reforma. Nota 17.
Acompanhou um bolo de chocolate.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O blogue vai de férias

No decorrer da semana, vou estar longe do computador. Logo, não há crónicas para ninguém.
Aguardam publicação:
.Espaços de restauração (Geographia e Tsukiji)
.Jantar Lavradores de Feitoria
.Provas (Bairradão, Vinicom e Herdade do Mouchão

domingo, 12 de maio de 2019

Almoço com vinhos fortificados (32ª sessão) : brancos, tintos e Madeira em boa forma

Esta última sessão decorreu na Casa da Dízima e contou com o Pedro Batista no serviço de vinhos (temperaturas correctas, copos Schott e decantadores Riedel, um luxo!). A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos, mas uma das harmonizações nem por isso. O anfitrião foi o Frederico Oom que partilhou connosco 2 brancos, 4 tintos e 2 fortificados, da sua garrafeira.
Antes de irmos para a mesa, foi servido no imperdível terraço o vinho de boas vindas:
.Somnium 2011 branco em magnum - enologia e produção de Joana Pinhão e Rui Freire; com base nas castas Rabigato e Códega do Larinho, evoluiu muito bem; fresco e mineral, frutado, bela acidez, algum volume e final de boca (13 % vol.). Uma boa surpresa. Melhor que a versão 2014 e muito acima da 2012. Nota 17,5+.
Acompanhou uma série de pequenas entradas (gambas, cavala, queijo e presunto).
Já na mesa, desfilaram:
.Villa Oliveira Encruzado 2014 em magnum - muito fresco e mineral, fruta cítrica, notas florais, alguma tosta, equilibrio acidez/gordura, algum volume  e final de boca (13 % vol.). Grande branco. Nota 18.
Acompanhou pão (3 variedades) e azeite Qtª Lagoalva (magnífico) e, ainda, uma simpática sopa de santola.
.Qtª Crasto Tinta Roriz 2009 - estagiou 18 meses em pipas de carvalho francês; ainda com alguma fruta e acidez, notas vegetais, taninos dóceis, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). No ponto óptimo de consumo. Nota 17.
.Qtª Crasto Tinta Roriz 2011 - estagiou 18 meses em meias pipas de cravalho francês; ainda com alguma fruta, boa acidez, especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis (15 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos não ligaram bem com as bochechas de bacalhau. Perfeita foi a harmonização com o Villa Oliveira.
.Vinha da Ponte 1998 - aromas e sabores terciários, alguma acidez, magro na boca e final curto (14,5 % vol.). Está na curva descendente e desiludiu. Nota 16,5.
.Maria Teresa 2011 - estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês e americano; nariz positivo, ainda com fruta, bela acidez, notas minerais, taninos presentes mas civilizados, volume considerável e final de boca longo (15 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos maridaram com um belíssimo tornedó de cabrito e arroz de castanhas.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1979 (engarrafado em 2007) - nariz contido, frutos secos, iodo e vinagrinho, taninos de veludo,  algum volume e final de boca persistente. Harmonioso e elegante. Nota 17,5+.
.Blandy Malvasia 1977 (nº 156/645 engarrafada em 2018) - nariz exuberante, frutos secos, algum iodo e brandy, vinagrinho, taninos domesticados, volume assinalável e final de boca longo. Uma raridade. Nota 18,5.
Estes 2 Vinhos Madeira casaram bem com um belíssimo brownie de alfarroba, batata doce e gelado de amêndoa.
Foi mais uma bela sessão de convívio, comeres e beberes de qualidade alta. Obrigado, Frederico!

quinta-feira, 9 de maio de 2019

À volta da cerveja artesanal (II)

1.Mais provas
Na crónica "À volta da cerveja artesanal (I)", publicada em 28/3, dei a conhecer uma série de cervejas artesanais, provadas e classificadas por mim.
Com a mesma metodologia classificativa, de 1 a 5, apresento mais umas tantas:
.Com 5
Burguesa (V. N. Gaia), com 9 % vol.
.Com 4,5+
Urraca Vendaval (8ª Colina)
.Com 4,5
Saison by the Sea (Dois Corvos) (noutra situação 4)
ABC Raposa Vermelha Ale (Sesimbra)
.Com 4
ABC Tritão Laranja IPA (Sesimbra)
Y.M.C. Ale Imperial Stout (Musa/Letra), com 10 % vol.
.Com 3,5
ABC Doninha Castanha Pilsner (Sesimbra)
Musa Ale is Love (Lisboa), com cacau Corallo
Bohemia Original (Sagres)
.Com 3
Beirã Weiss (Guarda)

2.Ground Burger
Segundo a Time Out, é o espaço de restauração em Lisboa onde se comem os melhores búrgueres.
Mais, dificilmente haverá outro com tanta e boa oferta de cerveja artesanal.
Recentemente, inventariei 81 (!) assim distribuídas, segundo o tipo e estilo: Lager (6), Weiss (3), Ale (19), IPA (22), Porter/Stout (16), envelhecidas (6) e diversas (15). É um abismal contraste com a oferta de vinho a copo, apenas 1 branco e 1 tinto!

terça-feira, 7 de maio de 2019

Grupo dos 6 (16ª sessão) : a juventude de um Madeira 1900

Mais uma sessão deste grupo de enófilos, desfalcado de um dos seus elementos. Decorreu, como habitualmente, no Magano. Bons copos Schott na mesa, serviço de vinhos irrepreensível e gastronomia num patamar muito alto. Foi o melhor repasto de sempre!
Desfilaram:
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2015 (garrafa nº 205/2950, levada pelo Frederico) - com base nas castas Maria Gomes e Bical, em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas (1/3 novas e 2/3 usadas); fresco e mineral, presença de citrinos, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (14 % vol.). Não fica a perder com o Pai Abel do mesmo ano. Nota 17,5+ (noutras situações 18/17).
.Villa Oliveira Encruzado 2015 (garrafa nº 730/2417 levada pelo J. Rosa) - nariz contido, menos fresco e mais gordo que o 1º, volume assinalável e final de boca médio (13 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos maridaram com as entradas habituais e uma monumental cabeça de garoupa (mais ou menos 3 kg). Melhor o 1º com as entradas e o 2º com a garoupa.
.Qtª da Leda 2000 (levada pelo Juca) - com base nas castas tradicionais do Douro; ainda com alguma fruta, boa acidez, especiado com notas de cacau a imporem-se, taninos de veludo, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18,5 (noutras situações 18/17,5).
.Quanta Terra 2000 (levada pelo João) - aromas e sabores terciários, acidez equilibrada, especiado, volume e final de boca consideráveis (14 % vol.). A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5 (noutra 17).
Estes 2 tintos harmonizaram com tornedó e presunto de pata negra.
.JBF Verdelho 1900 (levada por mim) - presença de frutos secos, notas cítricas, vinagrinho inconfundível, algum iodo e caril, taninos vigorosos, volumoso, final de boca interminável e uma juventude invejável. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Acompanhou pastéis de amêndoa.
Foi uma grande sessão vínica e gastronómica, a ficar nas nossas memórias durante muito tempo.

sábado, 4 de maio de 2019

Abril 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 15 crónicas que publiquei em Abril 2011, destaco estas 4:

."CARM em alta no Corte Inglês", no dia 6
Jantar vínico organizado pelo Corte Inglês, com a presença do produtor Filipe Reboredo Madeira.
De salientar que mais de metade dos participantes pertenceu ao núcleo duro das Coisas do Arco do Vinho (CAV).

."O grupo dos 3 (13ª sessão)", no dia 16
Uma sessão com vinhos da minha garrafeira (1 branco, 2 tintos 2007 e 1 Late Harvest), tendo o almoço decorrido no "Manifesto", o restaurante do chefe Luis Baena, escolhido por mim para esse efeito.
Da equipa do Luis Baena, fazia parte a Marlene Vieira, na altura uma ilustre desconhecida.

."Cabrito estonado no Assinatura", no dia 21
O grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu), reforçado com o Raul Matos, antigo cliente e amigo das CAV, almoçou um divinal cabrito estonado, preparado pelo chefe Henrique Mouro.
Beberam-se, nada menos que 2 Batuta, 1 Pera Manca e 2 Madeira. Um almoço de arromba!

."O Blog está de luto", no dia 29
Um apontamento, muito sentido da minha parte, alusivo à "partida" do saudoso David Lopes Ramos, um grande senhor na área da gastronomia e dos vinhos, ao qual em parte sou devedor da minha formação e paixão por estas matérias.
Se não o tivesse conhecido, nem este blogue nem as CAV teriam existido!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Mais 1 restaurante que vale a pena conhecer : Bacalhoaria Moderna - 4 *

A Bacalhoaria Moderna (R. São Sebastião da Pedreira, 150) é um espaço moderno, luminoso, decorado com bacalhaus em loiça Bordalo Pinheiro e mesas despojadas, como é moda agora.
A dona é a Susana Almeida e Sousa, arquitecta desempregada (?), que muito simpaticamente andou pelas mesas dialogando com a clientela. Na cozinha está a Ana Moura, uma jovem chefe já com currículo feito.
Nesta minha primeira visita, provei o tártaro de bacalhau com vinagreta de mostarda (entrada) e o bacalhau em arroz (prato principal), qualquer deles a merecer nota alta. Ficou a curiosidade de conhecer mais uns tantos pratos à base de bacalhau.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 champanhes (3 a copo), 1 espumante (1), 16 brancos (3), 2 rosés, 20 tintos (4), 7 Portos e 2 Moscatéis (todos os fortificados a copo). Ainda não aderiram à moda da cerveja artesanal e os anos de colheita estão omissos, o que se lamenta.
Optei por um copo de Adega Mãe Sauvignon 2017 - fresco e mineral, notas inconfundíveis de espargos, algum amanteigado, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num muito bom copo Schott. Por ter terminado a garrafa, ainda sem a quantidade suposta, o empregado abriu uma outra e repetiu o ritual, tendo-me dado a provar também esta última, num outro copo. Tiro o meu chapéu a este profissional, pois em 99% das vezes o conteúdo da 2ª garrafa vai misturar-se com o que ainda estava no copo.
Em relação à temperatura dos tintos, informaram-me que as controlam.
Um espaço que recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Novo Formato+ (33ª sessão) : 3 belos vinhos vindos de Espanha

Esta última sessão e a 1ª deste ano, decorreu "chez" Paula/João, sendo a anfitriã a responsável pelos tachos (de salientar um belíssimo cozido) e o João pelos vinhos.
Com bons copos Schott na mesa, desfilaram:
.Porto Senhora do Convento Branco Meio Seco - foi o vinho de boas vindas e acompanhou frutos secos. Agradável, mas sem ficar na memória. Nota 16,5.
Os 3 vinhos que se seguiram (1 branco e 2 tintos produzidos em Espanha), vieram em garrafa magnum e foram provados às cegas.
.Albariño de Fefinanes 2014 - aromático, presença de citrinos e fruta de caroço, notas florais, equilíbrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Nota 17,5+.
Maridou bem com queijos (Serra, creme e um surpreendente brasileiro) e enchidos.
Depois de uma salada de alface, mexilhões, camarões e fruta tropical, para limpeza dos palatos, seguiram-se os tintos
.San Roman 2007 (Toro) - 93 pontos na Wine Spectator e no Parker, estagiou 25 meses em barricas de carvalho francês e italiano; aromático, ainda com fruta, notas especiadas, bela acidez, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Complexo e equilibrado, a beber nos próximos 8/9 anos. Nota 18,5.
.Aalto 2008 (Ribera del Duero) - 95 pontos no Parker; com base na casta tempranillo (tinta roriz) em vinhas velhas, estagiou 23 meses em barricas de carvalho francês; mais floral e fresco que o anterior, acidez no ponto, especiado, taninos correctos, algum volume e final de boca persistente (14 % vol.). Nota 18. A beber nos próximos 10 a 12 anos.
Estes 2 tintos harmonizaram com um cozido à Paula (carnes, enchidos, couves e feijão).
.Porto Senhora do Convento 40 Anos (não foi detectada a data de engarrafamento) - presença de frutos secos, casca de laranja, acidez no ponto, taninos suaves, volume e final de boca médios. Nota 17.
Este tawny acompanhou um bolo de caramelo e noz.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Paula! Obrigado João!

sábado, 27 de abril de 2019

Os 45 anos do 25 de Abril : Cravos, Livros e Música

1.Cravos
À semelhança de anos anteriores, almocei com uns tantos amigos no restaurante da Associação 25 de Abril (a propósito, este restaurante é público), com as mesas cheias de cravos. E foi, de cravo na mão, que desfilei Avenida da Liberdade abaixo, até ao Rossio.
Muitos cravos, muita alegria, milhares de participantes e muita juventude, o que é uma boa surpresa.

2.Livros
Alusivos ao momento histórico, foram publicados os livros:
."A Noite que Mudou a Revolução de Abril", com coordenação de Almada Contreiras (ex-Conselho da Revolução) e participação de Vasco Lourenço (Associação 25 de Abril) e Jacinto Godinho (jornalista da RTP) (Edições Colibri).
O livro tem como base a transcrição da gravação da Assembleia Militar de 11 de Março 1975, erradamente conhecida como "assembleia selvagem", que não foi.
."Todos ou Nenhum", de João Menino Vargas (Edições Colibri).
O autor foi o principal protagonista, como delegado do MFA, na libertação dos presos políticos em Caxias, logo a seguir ao dia 25 de Abril. Da sua histórica intervenção, nasceu esta peça de teatro em 7 actos.

3.Música
Os Dias da Música, a decorrer no CCB, e nos quais tenho participado desde o primeiro, nada têm a haver com o 25 de Abril. É, apenas, uma coincidência de calendário.
Deveras importante, nas comemorações destes 45 anos do 25 de Abril, foi o lançamento do livro-álbum "Zeca Afonso inédito", com textos do jornalista Adelino Gomes e a inclusão de dois CD, a partir das gravações dos concertos em Coimbra (4/5/1968) e em Carreço (23/2/1980), uma aldeia perdida no Minho, e ainda um LP (apenas com as músicas do concerto de Coimbra). Edição limitada a 2875 exemplares.
Notável é, ainda, a peça jornalística da Alexandra Prado Coelho, sobre este tema, publicada na newsletter diária SAPO24, no próprio dia 25.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Grupo FJF (9ª sessão) : 2 tintos 2007 e 1 branco 2012

Mais uma boa sessão no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos. Desfilaram:
.Dona Berta Vinha Centenária Reserva 2012 (levada pelo Frederico) - enologia de Virgílio Loureiro; com base nas castas tradicionais do Douro, plantadas a 500 metros de altitude; nariz austero, presença de citrinos e fruta madura, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Este branco acompanhou as entradas habituais e filetes de peixe galo com arroz de grelos.
.Qtª de Cidrô Marquis 2007 (levada por mim) - com base nas castas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon; nariz exuberante, fruta ainda presente, notas de esteva e chocolate preto, acidez no ponto, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo (14,5 % vol.). Fresco e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Niepoort DW Reserva 2007 (garrafa nº 439/960, também levada por mim) - nariz discreto, alguma fruta vermelha, notas minerais, taninos macios, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Uma curiosidade da Niepoort, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com pernil no forno.
O que restou do branco maridou com queijo da serra e pastéis conventuais.
Mais uma boa sessão vínica, com a "descoberta" de 2 tintos fora dos radares habituais.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Jantar Mota Capitão

Este evento decorreu na Casa da Dízima (já aqui referida "n" vezes) e contou com o José Mota Capitão, produtor dos vinhos da Herdade do Portocarro, já meu conhecido dos tempos das Coisas do Arco Vinho (CAV). Foi um gosto "revê-lo". Quando do uso da palavra, referiu-se em termos elogiosos aos antigos donos das CAV (o Juca e eu, ambos presentes neste jantar) e teve uma palavra simpática para este meu blogue. Os meus agradecimentos.
Com bons copos Schott na mesa, temperaturas adequadas e os vinhos a chegar antes da comida (o Cavalo Maluco foi a excepção), sob a batuta do Pedro Batista, desfilaram:
.Autocarro nº 13 2018 rosé - foi o vinho de boas vindas, ainda antes de nos sentarmos, cumprindo a sua missão.
.Manda Chuva 2018 branco - um branco produzido a partir de castas tintas; nariz discreto, fresco e mineral, alguma fruta cítrica e acidez, notas vegetais, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Adequado a entradas leves. Nota 16,5.
Harmonizou com vieira fresca em azeite de crustáceos e ceviche de manga.
.Gerónimo 2017 branco - Prémio Excelência 2018 atribuído pela Revista de Vinhos, bem merecido; nariz exuberante, presença de citrinos e fruta madura, equilibrio entre a acidez e a gordura, bom volume e final de boca assinalável (13 % vol.). Muito equilibrado e gastronómico, foi o vinho da noite, para mim. Nota 18.
Casou muito bem com lombo de pregado corado sobre puré de pastinaca (o prato da noite).
.Herdade do Portocarro 2015 - com base nas castas Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; presença de fruta vermelha, notas vegetais, alguma acidez, taninos suaves, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 16,5.
Não ligou com ravioli de trufa branca e cogumelos selvagens.
.Anima L12 - com base na casta Sangiovese; aromas e sabores terciários, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, delgado de corpo, mas final de boca persistente (13 % vol.). Fresco e elegante, está no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Teria ligado bem com o ravioli.
.Cavalo Maluco 2012 - ainda com muita fruta vermelha, notas vegetais, acidez evidente, algo especiado, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos acompanharam carré de cordeiro de leite com puré de alfarroba.
.Herdade do Portocarro Partage Sercial 2017 (garrafa nº 29/1467) - desmaiado na cor, aroma complexo, fresco, mineral e adocicado, bela acidez, volume e final de boca médios. Um branco original ao estilo alemão. Nota 17.
Vocacionado para acompanhar pratos asiáticos, não ligou com o carpaccio de ananás.
Uma nota final, o site da Herdade do Portocarro está muito desactualizado. À atenção do produtor.

domingo, 21 de abril de 2019

Provar vinhos com a CVR Lisboa

1.A convite da CVR Lisboa, tive a oportunidade de provar alguns vinhos da Região Lisboa, no espaço do Peixe em Lisboa (que, por sinal, estava às moscas), onde não foi incluído nenhum dos pesos pesados mais emblemáticos desta Região, como é o caso da Qtª Monte d' Oiro ou a Qtª de Chocapalha. Uma pena...
O actual presidente é o Francisco Toscano Rico (que eu não conhecia), vindo da vice-presidência do IVV e que veio substituir o Bernardo Gouvêa (que eu conheci bem nos seus tempos na Herdade do Esporão e, posteriormente, na Bacalhôa) que, por sua vez, foi catapultado à presidência do IVV. Uma ascensão meteórica, que não lhe deu tempo de aquecer o lugar na CVR Lisboa.

2.Ao contrário do que aconteceu na visita à Herdade de São Miguel, nesta prova a blogosfera vínica esteve bem representada. Para memória futura, participaram:
.Avinhar (Luís Gradíssimo)
.Clube de Vinhos Portugueses (Jorge Cipriano e Luís Miraldo)
.Comer, Beber, Lazer (Carlos Janeiro)
.Enófilo Militante (eu, próprio)
.Vinho do Porto Vintage (Carlos Janeiro)
.VIP Gourmet (Virgínia Esteves)
.Winelicious (Natália Pereira) e, ainda
.Ricardo Rodrigues da Pressmedia, a agência organizadora

3.Antes de ir para a mesa, provei o Casa Santos Lima Arinto 2017, fresco e mineral, foi uma boa introdução à prova (nota 16,5).
Já na mesa, a prova foi orientada pela enóloga Madalena Sena Esteves, muito jóvem, mas muito segura, auguro-lhe futuro nestas andanças.
Acompanhados por tapas e pequenos pratos elaborados pelo chefe Paulo Morais (tenho acompanhado a sua carreira, desde o restaurante que teve em Oeiras *) que veio à mesa, desfilaram:
.Mundus 2017, um branco leve da casta Fernão Pires (nota 15,5).
.Sottal 2017, outro branco leve, mas este com excesso de gás e doçura (13).
.Adega Mãe Pinta Negra Rosé 2018, com notas vegetais a imporem-se (14,5).
.Qtª dos Amores Rosé 2017, frutado, fresco e final seco (15,5).
.Lasso Colheita Seleccionada 2017, fresco e mineral (16,5).
.Peripécia Chardonnay 2018, notas mais vegetais e mais amanteigado (15,5).
.Carcavelos Villa Oeiras Superior, muito cítrico, fresco e bom equilibrio acidez/gordura. A confirmação (17).
.Qtª São Francisco Colheita Tardia 2010, fresco e elegante, complexo e harmonioso. A surpresa (17,5).
* O chefe abriu recentemente em Belém (Rua dos Jerónimos, 12) o Tsukiji, que promete e tenciono visitar.

4.É de louvar a postura da CVR Lisboa, ao ter aberto uma loja no Mercado da Ribeira, o que mais nenhuma Região fez (que eu saiba).
Disso dei fé na crónica "Curtas (CV) : a loja da CVRL, (...)", publicada em 3/11/2018.
Mas, por outro lado, a CVR Lisboa tem estado parada, se comparada com as iniciativas da sua vizinha do Tejo. Destas dei fé em:
."À volta da casta Fernão Pires (1ª parte) : a prova didáctica", em 3/4/2018
."À volta da casta Fernão Pires (2ª parte) : o almoço", em 8/4/2018
."Tejo no feminino (1ª parte) : os vinhos", em 5/6/2018
."Tejo no feminino (2ª parte) : o almoço", em 7/6/2018
."Tejo Gourmet (I) : a cozinha ribatejana em Lisboa", em 28/2/2019 e mais 2 crónicas sobre os restaurantes visitados por mim.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Grupo dos 3 (67ª sessão) : a Bairrada no seu melhor

Esta última sessão foi da minha responsabilidade, tendo levado 1 branco, 2 tintos (todos os 3 da Bairrada) e 1 fortificado. Escolhi o restaurante Lugar Marcado (o 23º onde decorreram estes almoços, com vinhos da minha garrafeira), já aqui referido nas crónicas:
."2018 - na hora do balanço (VI) : TOP espaços de restauração", em 22/1/2019
."Um trio maravilha (1ª parte) : Lugar Marcado", em 17/4/2018
Por iniciativa da Fátima Rodrigues, a dona do restaurante, já nossa conhecida dos tempos do Descobre, foram provados 3 azeites, Qtª dos Nogueirões (Douro), Terrenus (Alentejo) e Qtª Vale Meão (Trás-os-Montes), saindo  vencedor este último.
Quanto aos vinhos, desfilaram:
.Messias Clássico 2012 - com base nas castas Bical e Sercial; cor dourada, presença de citrinos e fruta madura, bom equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12 % vol.). Complexo, gastronómico e ainda longe da reforma. Nota 18.
Acompanhou chamuças de bacalhau, berbigão e camarões panados.
.Aliança Baga Clássico by Quinta da Dôna 2011 - enologia de Francisco Antunes; estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês e russo; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca extenso (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5
Curiosamente, em pesquisa recente na net, verifiquei que o crítico Manuel Carvalho, no Fugas de 17/3/2018, os pôs lado a lado, atribuindo-lhes rasgados louvores. Há cada coincidência...
.2221 Terroir Cantanhede 2011 (garrafa nº 2591/4442) - à semelhança dos chefes, este é um vinho a 4 mãos, a saber, José Carvalheira (Caves de São João) e Osvaldo Amado (Adega de Cantanhede); com base nas castas Baga (60 %) e Cabernet Sauvignon (40 %), estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; muito fresco, notas florais e vegetais, acidez no ponto, algum volume e final de boca (14 % vol.). Ainda a crescer, deve ser bebido nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos harmonizaram com coelho frito, pica-pau do lombo e presa de porco preto e companhias (puré de batata doce, milho frito e batata salteada com pesto).
.Niepoort 20 Anos (engarrafado em 1972) - presença de frutos secos, acidez pronunciada, especiarias, complexidade, volume e final de boca notáveis. Uma raridade com mais de 70 anos. Nota 18,5.
Este fortificado maridou com bolo rançoso, leite creme e sortido de gelado.
A terminar, é de toda a justiça salientar:
.os vinhos portaram-se todos muito bem e a Bairrada esteve no seu melhor
.tudo o que veio para a mesa estava muito bom (a cozinha está bem entregue, mas não saber o nome da responsável é uma falha minha)
.a Fátima é a relações públicas, chefe de sala e escanção (praticou um serviço de vinhos de luxo, com copos Schott, vinhos decantados e temperaturas correctas), um 3 em 1 notável
.o Lugar Marcado merece a pontuação de 4,5 * (em 5) e é um espaço que os gastrónomos e os enófilos devem conhecer.

Em tempo:
A responsável pelos tachos é a Sandra Carvalho.

terça-feira, 16 de abril de 2019

A Herdade de São Miguel e a Blogosfera (2ª parte) : o almoço, o site e etc

continuando...

4.O almoço
A seguir à visita, o grupo foi recebido pelos anfitriões na sua residência, no meio das vinhas da Herdade de São Miguel, a poucos quilómetros da adega, a Vera Sá da Bandeira (a comercial da empresa nos tempos das Coisas do Arco do Vinho) e o Alexandre Relvas (filho).
Durante o repasto provámos mais 8 vinhos (não sei se me escapou algum), estes já engarrafados, alguns dos quais me deram muito prazer.
Com uma tábua de queijos e enchidos, bebemos os brancos:
.Madxa 2018, um lote de Arinto e Fernão Pires, com um bom equilibrio entre a acidez e a gordura. Nota 16,5.
.Herdade de São Miguel (nos próximos vou abreviar para HSM) Colheita Seleccionada 2016, um lote de Antão Vaz, Verdelho e Viognier, muito frutado mas menos interessante que o anterior. Nota 15,5.
De referir o baixo teor alcoólico destes brancos (12,5 % vol.).
.HSM Arinto Esquecido 2017, fresco e mineral, citrinos e fruta de caroço, notas vegetais, acidez no ponto, algum volume e final de boca. É um branco de guarda e gostava de o voltar a provar daqui a 2 ou 3 anos. Complexo, deu-me muito prazer bebê-lo. Nota 18.
Com um belíssimo cozido (só faltou a orelha do porco), desfilaram 4 tintos:
.HSM Colheita Seleccionada 2017. Nota 16,5.
.HSM Trincadeira 2014. Nota 17.
.HSM Pé de Mãe 2016, um lote de Trincadeira, Aragonês e Castelão que deu origem a apenas 4000 garrafas. Muito fresco, complexo e elegante, também me deu muito prazer. Nota 18.
De referir que no Público de 6 de Abril (suplemento Fugas), o crítico Pedro Garcias lhe teceu um grande elogio e atribuiu 96 pontos em 100.
.HSM The Friends Collection 2015. Nota 17,5.
Finalmente, com uma sobremesa bem alentejana (sericaia)
.HSM Late Harvest/Colheita Tardia 2014, longe do perfil que eu aprecio. Nota 15.
Foi um grande almoço, sendo de salientar:
.os copos eram Schott (na adega eram Riedel, um luxo!)
.a simpatia dos filhos do casal, a Francisca e o Alexandre (o III), que andaram a distribuir prendas pelo grupo (pedrinhas e desenhos, uma delícia)

5.O "site"
A Herdade de São Miguel (HSM) tem um "site" bem desenhado, com muita informação e que me pareceu estar actualizado, do qual retirei ter:
.350 ha de vinha (metade própria e metade comprada)
.produzir 3 milhões de garrafas
.exportar para 30 países
.99 referências de vinho! (só em rótulos, devem gastar uma fortuna)
.preocupações ambientais
.preocupações sociais, de apoio a famílias carenciadas, a saber
..Cozinha com Alma (em Cascais)
..Centros de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (Cascais, Lisboa e Setúbal)

6.O que falta dizer
.A HSM conta, como consultores, com 2 enólogos prestigiados (Luis Duarte nos tintos e Mário Andrade nos brancos)
.No final da visita, foi oferecida a cada um de nós uma garrafa do tinto Art.Terra Amphora 2017.
.A visita foi organizada pela Chefs Agency.

Resumindo e concluindo, correu tudo bem. Os meus agradecimentos aos anfitriões.