sábado, 8 de junho de 2019

O blogue vai de férias

Vou estar mais 1 semana longe do computador.
Ficam por publicar:
.Almoço e provas com a Cooperativa da Vidigueira
.À volta da cerveja artesanal (III)
.Grupo dos 6 (17ª sessão)
.Vinhos em família (XCV)
.Restaurante Degust'AR
.Jantar Qtª Crasto

Novo Formato+ (34ª sessão) : o Soalheiro em alta

O 34º encontro deste grupo de enófilos militantes foi da responsabilidade do casal Marieta/José Rosa e decorreu na Casa da Dízima. Mais uma vez, sob a batuta do Pedro Batista, o serviço foi de 5* com os vinhos a chegarem à mesa antes dos pratos, temperaturas correctas, copos Schott e decantadores Riedel. Um luxo! Nos tachos imperou o chefe João Silva, a merecer nota alta.
Da garrafeira do anfitrião J. Rosa, saltaram para os nossos copos:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 - ainda com fruta cítrica, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca. A evoluir muito bem, impõe-se a frescura e complexidade. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5/18/18/17,5+).
Acompanhou uma série de tapas e carpaccio de vieiras.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 - cor dourada, presença de citrinos e fruta madura, bela acidez, notas amanteigadas e fumadas, volume e final de boca assinaláveis. Complexo e gastronómico, vai no caminho do memorável Reserva 2007. Nota 18,5+ (noutras 18/18/18/18,5).
Maridou com uma bela tranche de salmonete e arroz de choco com sua tinta.
.Qtª Manoella Vinhas Velhas 2009 - com base em vinhas com mais de 100 anos; ainda com fruta vermelha, frescura e acidez, algo especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. A beber nos próximos 9/10 anos. Nota 18 (noutra 18,5).
.Qtª Manoella Vinhas Velhas 2010 - ainda com alguma fruta, frescura e acidez, taninos algo bicudos, volume e final de boca médios. Menos complexo que o anterior, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17 (noutras 17,5/17).
.Qtª Manoella Vinhas Velhas 2012 - ainda com fruta vermelha, bela acidez, notas especiadas com a pimenta a impor-se, taninos presentes e civilizados, grande volume e final de boca longo. Mais complexo que os anteriores, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com carré de borrego de leite e esmagada de batata doce. 
.Burmester Tordiz 40 Anos (engarrafado em 2017) - frutos secos, algum caril e acidez, taninos bem presentes, algum volume e final de boca. Menos complexo que outros Tordiz de engarrafamentos diferentes. Desiludiu. Nota 17,5 (noutras 18,5/18,5/18+).
Mais uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado Marieta! Obrigado J. Rosa!

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Rescaldo da ida ao Norte (II) : Gaia, Porto Cruz e 17.56 Museu & Enoteca

1. Gaia
Todo o enófilo que se preze, pelo menos uma vez na vida, tem que ir a Gaia e praticar um pouco de enoturismo. A oferta é muita, começando pelo Centro Multimédia do Vinho do Porto - AEVP e continuando pelas caves de A. A. Calém, A. Ramos Pinto, Burmester, Churchill's, Cockburns, Ferreira, Offley Forrester, Poças Júnior, Real Companhia Velha, Rozés, Sandeman, W. & J. Graham, Kopke, Quinta do Noval e Espaço Porto Cruz.
Um dos possíveis acessos envolve o metro (entrada na Trindade e saída no Jardim do Morro) e o teleférico. Foi o que eu fiz e aconselho.
Para além do enoturismo, recomenda-se um salto ao antigo mercado, agora transformado, à semelhança do Bom Sucesso, onde se pode petiscar ou fazer uma refeição, pois a oferta é muita.

2. Espaço Porto Cruz
É um espaço moderno que merece uma visita aos seus 5 pisos, a saber:
.0 (ao nível da rua) - loja de vinhos
.1 - exposição de peças e passagem de vídeos alusivos ao Douro
.2 - auditório e sala de provas
.3 - restaurante DeCastro Gaia
.4 - terraço com bar
Desta vez não tive a oportunidade de testar o restaurante do Miguel Castro e Silva, mas fica para uma próxima. Gostei do que vi.

3. Real Companhia Velha (RCV) - 17.56 Museu & Enoteca
A história da RCV confunde-se com a da Região do Douro, pois ambas foram criadas em 1756.
Visitado o Museu, no piso 0, que recomendo, é a altura de subir ao 1º andar, onde se situa a Enoteca que é, em simultâneo, um restaurante de referência.
É um espaço muito amplo, mas muito bem dividido e cheio de recantos bem conseguidos, com uma decoração fantástica. Tudo respira qualidade e bom gosto. Mais, a nível mundial dificilmente se encontrará melhor.
À entrada, uma relações públicas dá as boas vindas e encaminha-nos até à mesa, algo despojada, apenas com um marcador rectangular com o logo 17.56 omnipresente.
Nesta estreia, degustei:
.couvert (pão, manteiga e azeite Qtª dos Aciprestes)
.sopa rica de peixe (belíssima)
.ventresca com feijão frade
.mousse de chocolate
Quanto à componente vínica, a lista é monumental e inclui o melhor que se faz por cá.
Optei por um copo do branco Qtª Cidrô Boal 2015 - nariz discreto, algum citrino e fruta madura, equilibrio acidez/gordura, notas tostadas, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 17,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num excelente copo Riedel. Serviço atencioso e muito profissional.
Este almoço na Enoteca 17.56 foi um dos pontos altos nesta ida ao Norte. Imperdível!
Para quem não conheça e queira ver fotografias do espaço, sugiro uma olhada a
.//enoteca1756.pt
.comerbeberlazer.blogspot.com (crónica publicada em 3/12/2018)

terça-feira, 4 de junho de 2019

Maio 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 16 crónicas publicadas no decorrer do mês em referência, destaco estas 3:

."O Blog está de luto (II)", no dia 4
Foi a continuação do que escrevi em abril, na sequência do falecimento do David Lopes Ramos, um grande senhor no mundo da gastronomia e vinhos (e não só...).

."Frustação no Eleven", no dia 16
Quando um restaurante famoso promete uma coisa e depois não a cumpre.

."Grande jornada na José Maria da Fonseca", no dia 18
O último evento organizado pelo Rui Lourenço Pereira (Qtª Wine Guide). O almoço/prova decorreu em Azeitão, nas instalações da José Maria da Fonseca. Dos 3 Bastardinhos e 9 Moscatéis provados, destaco os Moscatéis de 1952 (19,5), 1967 (18,5+) e 1973 (18,5+), na altura ainda nenhum deles estava engarrafado.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rescaldo da ida ao Norte (I) : Bom Sucesso, Serralves e Póvoa

1.O Mercado do Bom Sucesso e o Hotel da Música
Em recente viagem ao Norte, com destino à Invicta, ficámos hospedados no Hotel da Música, localizado junto à Rotunda da Boavista e bem integrado no Mercado do Bom Sucesso, a versão portuense do lisboeta Mercado da Ribeira.
A estadia neste hotel teve a vantagem de nos resolver o problema dos jantares pois, sem sairmos à rua, tinhamos ali dezenas de alternativas petisqueiras, tendo optado por:
.O Caldeirão das Sopas
.O Forno do Leitão do Zé
.Risotto da Baixa
.El Argento (empanadas)
.Bubbles (tartes)
.Flor de Sal (bacalhau)
Quanto a bebidas para acompanhar, entre outras hipóteses, escolhi a banca Anolokiter, com uma boa oferta de cervejas, entre as quais as 1927, todas a 2,30 €:
.Bengal Amber IPA (nota 4,5 em 5)
.Bavaria Weiss (3,5)
.Munich Dunkel (4)
Resumindo e concluindo, jantei bem todas as noites por cerca de 10 € (comidas e bebidas).

2.Serralves
Um dos motivos que nos levou a viajar até ao Porto foi ver a exposição "I' m Your Mirror" da artista plástica Joana Vasconcelos, com mais de 30 peças e organizada pelo Museu Guggenheim de Bilbau, em parceria com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, a maior parte das quais já conhecia, mas não me canso de ver.
Vista a exposição, poisamos no Restaurante de Serralves (2,5 *), um espaço simpático mas cujo buffet podia e devia ser melhor.
Bebi um copo de branco Malhadinhas 2017 (Cooperativa Agrícola do Távora) - austero, seco e gastronómico. Uma boa surpresa por 2,5 €. Nota 16,5.
O copo já vinha servido e a garrafa só foi mostrada a pedido. Não havia necessidade...

3.Solar das Iscas
Na sequência de um salto à Póvoa de Varzim, via metro, abancámos no Solar das Iscas (2,5 *), muito badalado pela Evasões e que fica no interior da Fortaleza Nossa Senhora da Conceição.
Da ementa petisqueira, provei:
.mãozinhas de vitela com feijão branco
.alheira fatiada grelhada
.iscas (entenda-se, pataniscas) de bacalhau
A comida até era saborosa, mas entre o pedido e a chegada dos petiscos demorou bem 1 hora! E a sala, que nem sequer estava lotada, só dá para 16 pessoas. Não se entende, de todo.
A acompanhar  um copo de branco Vila Régia 2017 (?), sem história e que já vinha servido.
Resumindo e concluindo, para esquecer!

terça-feira, 28 de maio de 2019

Curtas (CXII) : próximos eventos e um novo espaço

1.Próximos eventos
1.1.Douro TGV
Com organização da Regia - Douro Park, realiza-se nos claustros do Governo Civil de Vila Real, a 3ª edição do Douro TGV, que engloba 3 vertentes:
.Turismo (dia 29/5)
.Gastronomia (dia 30/5) - inclui um jantar
.Vinhos (dia 31/5) - comemora os 30 anos DOC Douro e os 30 anos de carreira do João Paulo Martins e inclui uma mostra de Vinhos e Sabores do Douro.
Entrada gratuita.
1.2.Brut Experience
Com organização de Luís Gradíssimo, em parceria com José Miguel Dentinho, realiza-se dia 1 de Junho no Lisbon Marriott Hotel (das 15 às 20 h), a 2ª edição deste evento que conta com mais de 100 espumantes à prova. Entrada 15 €, com direito a copo de prova.
Está, ainda, previsto um jantar vínico.
1.3.Lisboa /Tejo
Na sequência do Bairradão, as garrafeiras Néctar das Avenidas e Wines 9297 (em Telheiras), organizam a 1ª edição do Lisboa/Tejo, com produtores destas 2 Regiões.
O evento decorrerá no Hotel Real Parque (Av. Luis Bivar) e custará 5 €, com direito a copo de prova.
Oportunamente, serão divulgados os produtores presentes.

2.A Taylor's em Lisboa
A Taylor's abriu, recentemente, uma loja (no rés do chão) e salas de provas (no 1º andar), em plena Alfama e mesmo ao lado do Chafariz Del Rei. Das janelas do 1º piso avista-se o terminal de cruzeiros de Lisboa, cujos passageiros são um potencial de clientes a não desprezar. O espaço estará aberto todos os dias, entre as 11 e as 19h30, podendo-se provar uma série de vinhos da marca, desde o Porto Branco ao Vintage, passando pelo LBV e Tawnies de Idade. Também à prova estará o azeite Quinta de Vargellas. A acompanhar as provas, têm pão, queijos e enchidos.
No dia da inauguração, as poucas pessoas que acederam ao convite foram recebidas pela directora do Centro de Visitas (Anne-Marie Faustino) e pelo director de marketing (Richard Bowden). Tivemos, nessa altura, ocasião de provar o branco Chip Dry, o 20 Anos (engarrafado este ano) e o Vintage Vargellas 2012. O meu preferido foi, claramente, o Tawny.
No final, ainda tiveram a gentileza de oferecer a cada um de nós 1 garrafa de LBV 2014. O meu muito obrigado!
Contudo, fiquei sem perceber porque razão as outras marcas do grupo (Fonseca, Croft e Krohn) ficaram de fora. Já o mesmo aconteceu com a banca no Mercado da Ribeira. Mistérios insondáveis...

sábado, 25 de maio de 2019

Paulo Morais em Belém : Tsukiji - 4,5 *

Aconteceu no Domingo de Páscoa. A nossa mesa era a única ocupada e os empregados eram mais que os clientes, logo tivemos direito a um serviço de luxo.
O Tsukiji (nome de um mercado de peixe em Tóquio) ocupa um espaço do Hotel Jerónimo 8, onde esteve o Manuelino, mas do qual é inteiramente independente. É aqui que o Paulo Morais, o chefe português mais qualificado em cozinha asiática e cuja carreira tenho acompanhado desde os tempos do QB em Oeiras, está na hora do almoço (ao jantar estará no Kanasawa).
Espaço luminoso a espalhar-se por 3 salas e 1 wine bar, decoração de muito bom gosto, mesas bem aparelhadas, em contra-mão com a moda, copos Spiegelau, toalhas e guardanapos de pano.
As doses são pequenas, sendo aconselhável pedir 2 pratos por cabeça e partilhá-los. Dos 6 que vieram, nota muito alta para a tempura, as favas e a panqueca de atum, nota boa para o ouriço e o bacalhau e nota fraca para a cavala fumada. Quanto a sobremesas, 1 por cabeça, nota muito alta para o bolo de chocolate e boa para a bebinca e a "matcha".
Quanto à componente vínica, inventariei 6 espumantes (3 a copo), 6 champanhes (2), 42 brancos (9), 9 rosés (3), 30 tintos (4) e 8 sakés. Lista bem construída, com uma boa oferta a copo e os vinhos todos datados. Pena não constar nem cervejas artesanais nem fortificados.
Apesar das malvadezas do Joe, escolhi o Bacalhôa Chardonnay 2017 - cor doirada, citrinos e fruta de caroço, equilíbrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa que ligou bem com os pratos pedidos. Nota 17,5+.
A garrafa foi mostrada e dada a provar.
Com as sobremesas, foi-nos oferecido um copo de Casal de Santa Maria Colheita Tardia 2015, a cumprir bem a sua missão.
Serviço eficiente, profissional e simpático.
Resumindo e concluindo, o Tsukiji é um espaço altamente recomendável, para ir em ocasiões especiais.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Mais provas (Vinicom e Herdade do Mouchão)

1.Vinicom
A convite desta empresa distribuidora de vinhos, cujas referências mais emblemáticas são os Lavradores de Feitoria e a Quinta de Vale Meão, estive em Montes Claros para provar mais alguns vinhos. Com o palato ainda cansado da maratona do Bairradão, limitei-me a degustar 8 brancos, 8 tintos e 4 fortificados, munido de um bom copo Spiegelau, cedido pela organização.
Quanto a brancos, destaco o AB Wines Alvarinho Barricas 2016, um projecto que desconhecia. A seguir outro AB Wines, o Arinto 2018 e, ainda, o Tangente 2017 que também desconhecia.
Quanto a tintos, destaco em primeiríssimo plano o Três Bagos Grande Escolha Estágio Prolongado 2008. A seguir, Qtª Vale Meão 2016, Terras de Santo António Reserva 2015 e o surpreendente João & Maria Grande Reserva 2014..
Finalmente, quanto a fortificados, dos 4 provados apenas destaco o Blackett 30 Anos.

2.Herdade do Mouchão
Recentemente, tive o oportunidade e a honra, diga-se, de visitar a Herdade do Mouchão e provar vinhos, na companhia do anfitrião, Iain Reynolds Richardson, proprietário, gestor e enólogo desta marca emblemática. Já conhecia o Iain dos tempos das Coisas do Arco Vinho, quando ele era responsável pelo projecto "Canto X", um dos vinhos mais vendidos nas CAV.
Além dos vinhos, a sua face mais visível, a Herdade do Mouchão também produz azeites (Galega e Courellas), mel silvestre, cortiça e ovinos (ovelhas da raça Merino Branco).
Quanto às provas, desfilaram 1 branco, 5 tintos e 2 fortificados:
.Dom Rafael branco 2018 - com base nas castas Antão Vaz e Arinto (45 % de cada) e Fernão Pires (10 %), estagiou apenas em inox; bom equilibrio entre a acidez e a gordura. Nota 16,5.
.Dom Rafael 2015 - com base nas castas Aragonês, Trincadeira e Castelão, estagiou 12 meses em barricas e 6 em garrafa; fresco e amentolado, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
.Ponte das Canas 2014 - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Syrah; estagiou 18 meses em barrica e 12 em garrafa; ainda com fruta, notas amentoladas e bem estruturado. Nota 17.
.Mouchão 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (90 %) e Trincadeira; fresco, complexo, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
.Mouchão 1979 - com base na casta Alicante Bouschet (100%); ainda cheio de saúde e com muita personalidade. Grande surpresa. Quem diz que os vinhos alentejanos (não serão todos, claro) não envelhecem bem? Nota 18,5.
.Mouchão Tonel 3-4 2013 - ainda com muita fruta preta, bela acidez e complexidade, taninos presentes e civilizados, encorpado e final de boca longo. Gastronómico, há que esperar por ele. Nota 18,5+.
Foram ainda provados 2 Mouchão Sobremesa, dos quais lamentavelmente não tenho registo.
Resumindo e concluindo, visita e prova inesquecíveis. Obrigado, Iain!

terça-feira, 21 de maio de 2019

Rescaldo do Bairradão (6ª edição)


Terminada mais uma edição deste evento (Bairradão), organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas no Hotel Real Palácio, como é habitual, é a altura para o correspondente balanço.
Passaram por lá cerca de 300 provadores. Bons copos e uma organização eficaz (talvez a melhor de sempre), apesar de algumas bancas não terem as indispensáveis cuspideiras, o que obrigava a cuspir na mesa do lado.
De qualquer modo, a Sara e o João Quintela estão de parabéns. Ficamos à espera do próximo.
Num dia de calor intenso em Lisboa (máxima 32º), provei exclusivamente brancos. Dos 38 vinhos provados, coloco em primeiro lugar o Poço do Lobo Arinto 1994 (o melhor da prova) e o Mata Fidalga Garrafeira 2017 (a grande surpresa, com uma relação preço/qualidade imbatível). Ainda num primeiro patamar, destaco o Pai Abel 2017, Casa de Saima Garrafeira 2015, Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado 2016, Passarella A Descoberta Encruzado 2017, Vinha de Reis Edição Limitada 2017, M.O.B. Vinha Senna 2017, Qtª Saes Reserva 2017, Ribeiro Santo Automático 2017, Pedra Cancela Reserva 2016 e Qtª Mendes Pereira Reserva Encruzado 2015.
No patamar seguinte, incluo o Qtª Valdoeiro 2017, Giz Vinhas Velhas 2017, Casa de Saima Vinhas Velhas 2017, Ataíde Semedo Reserva 2017, Luis Pato Parcela Cândido Cercial 2015, 98 Anos de História 2017, Qtª do Cerrado Reserva 2017, M Marquês Marialva Arinto Grande Reserva 2014 (a precisar de mais tempo em garrafa), M.O.B. Lote 3 2017, Vinha Paz 2017, Qtª do Perdigão Encruzado 2017, Qtª da Fata Encruzado 2017, Qtª da Alameda Reserva 2016, Carvalhão Torto Reserva Encruzado 2017, Ladeira Santa Reserva Encruzado 2017 e Qtª dos Roques Reserva 2015 (a ordem foi a das provas).
De registar que apenas 10 dos brancos provados ficaram de fora destas listas, ou seja, dei boa nota a 28 vinhos em 38 (74%), enquanto que na 5ª edição, apenas elogiei 19 dos 32 brancos provados (59%). Conclusão: estamos cada vez melhores em brancos.

sábado, 18 de maio de 2019

Jantar Lavradores de Feitoria

Se há produtor que esteja sempre presente na minha vida é este, Lavradores de Feitoria (LF).
Ao longo dos anos, publiquei neste blogue umas tantas crónicas:
."Jantar no Gspot" (com os Lavradores, claro), em 14/5/2010
."Jantar Lavradores de Feitoria", em 14/4/2012
."Jantar Lavradores de Feitoria", em 12/2/2015
."Provar vinhos com os Lavradores de Feitoria", em 6/8/2016
."Meruge : do vinho à gastronomia", em 13/12/2016
."A maioridade dos Lavradores de Feitoria (I) : Introdução e Antecedentes", em 6/11/2018
."A maioridade dos Lavradores de Feitoria (II) : a Prova e o Jantar", em 8/11/2018
Recentemente, participei em mais um jantar com os LF, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas no restaurante Via Graça e que contou com o Paulo Ruão, o responsável pela equipa de enologia, cujas intervenções foram muito pedagógicas.
Com harmonizações bem pensadas, boa gastronomia (sob a orientação do chefe João Bandeira) e um serviço de vinhos de qualidade (temperaturas adequadas, bons copos Riedel e os néctares a chegarem à mesa antes dos pratos), foi mais uma jornada a ficar na memória.
Desfilaram:
.Três Bagos Sauvignon Blanc 2017 - 20 % estagiou 4/5 meses em barricas novas de carvalho francês; aromático, notas vegetais com predomínio de espargos, acidez e mineralidade, volume e final médios (13 % vol.). Elegante e harmonioso. Nota 17.
Acompanhou alguns "snacks".
.Meruge 2017 branco - com base na casta Viosinho, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz presente, algum floral, notas citrinas, de fruta madura e fumadas, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Mais complexo e gastronómico que o anterior.  Nota 17,5.
Maridou com um excelente arroz de lingueirão.
.Meruge 2016 tinto - com base nas castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aberto de cor, alguma fruta vermelha, frescura e acidez equilibrada, taninos de veludo, estrutura e final de boca assinaláveis (14 % vol.). Fresco e elegante. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5+.
.Qtª da Costa das Aguaneiras 2016 - estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; menos elegante que o anterior, notas de fruta preta e especiarias, alguma acidez, taninos civilizados, volumoso, final de boca persistente (13,5 % vol.). Concentrado e gastronómico. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos casaram bem com uma belíssima empada de caça. Foi um momento muito pedagógico com estes vinhos, lado a lado, de perfis opostos.
.Três Bagos Grande Escolha 2014 - com base em vinhas velhas, estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz exuberante, muita fruta vermelha, acidez no ponto, notas especiadas, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca consideráveis (15 % vol.). Complexo e harmonioso. A beber nos próximos 12 a 14 anos. Nota 18,5+.
Harmonizou com carré de borrego.
.Três Bagos 2009 branco - cor dourada, aroma complexo, notas de chá e fruta madura, alguma evolução, acidez presente, volume e final de boca médios (12 % vol.). Ainda longe da reforma. Nota 17.
Acompanhou um bolo de chocolate.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O blogue vai de férias

No decorrer da semana, vou estar longe do computador. Logo, não há crónicas para ninguém.
Aguardam publicação:
.Espaços de restauração (Geographia e Tsukiji)
.Jantar Lavradores de Feitoria
.Provas (Bairradão, Vinicom e Herdade do Mouchão

domingo, 12 de maio de 2019

Almoço com vinhos fortificados (32ª sessão) : brancos, tintos e Madeira em boa forma

Esta última sessão decorreu na Casa da Dízima e contou com o Pedro Batista no serviço de vinhos (temperaturas correctas, copos Schott e decantadores Riedel, um luxo!). A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos, mas uma das harmonizações nem por isso. O anfitrião foi o Frederico Oom que partilhou connosco 2 brancos, 4 tintos e 2 fortificados, da sua garrafeira.
Antes de irmos para a mesa, foi servido no imperdível terraço o vinho de boas vindas:
.Somnium 2011 branco em magnum - enologia e produção de Joana Pinhão e Rui Freire; com base nas castas Rabigato e Códega do Larinho, evoluiu muito bem; fresco e mineral, frutado, bela acidez, algum volume e final de boca (13 % vol.). Uma boa surpresa. Melhor que a versão 2014 e muito acima da 2012. Nota 17,5+.
Acompanhou uma série de pequenas entradas (gambas, cavala, queijo e presunto).
Já na mesa, desfilaram:
.Villa Oliveira Encruzado 2014 em magnum - muito fresco e mineral, fruta cítrica, notas florais, alguma tosta, equilibrio acidez/gordura, algum volume  e final de boca (13 % vol.). Grande branco. Nota 18.
Acompanhou pão (3 variedades) e azeite Qtª Lagoalva (magnífico) e, ainda, uma simpática sopa de santola.
.Qtª Crasto Tinta Roriz 2009 - estagiou 18 meses em pipas de carvalho francês; ainda com alguma fruta e acidez, notas vegetais, taninos dóceis, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). No ponto óptimo de consumo. Nota 17.
.Qtª Crasto Tinta Roriz 2011 - estagiou 18 meses em meias pipas de cravalho francês; ainda com alguma fruta, boa acidez, especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis (15 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos não ligaram bem com as bochechas de bacalhau. Perfeita foi a harmonização com o Villa Oliveira.
.Vinha da Ponte 1998 - aromas e sabores terciários, alguma acidez, magro na boca e final curto (14,5 % vol.). Está na curva descendente e desiludiu. Nota 16,5.
.Maria Teresa 2011 - estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês e americano; nariz positivo, ainda com fruta, bela acidez, notas minerais, taninos presentes mas civilizados, volume considerável e final de boca longo (15 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos maridaram com um belíssimo tornedó de cabrito e arroz de castanhas.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1979 (engarrafado em 2007) - nariz contido, frutos secos, iodo e vinagrinho, taninos de veludo,  algum volume e final de boca persistente. Harmonioso e elegante. Nota 17,5+.
.Blandy Malvasia 1977 (nº 156/645 engarrafada em 2018) - nariz exuberante, frutos secos, algum iodo e brandy, vinagrinho, taninos domesticados, volume assinalável e final de boca longo. Uma raridade. Nota 18,5.
Estes 2 Vinhos Madeira casaram bem com um belíssimo brownie de alfarroba, batata doce e gelado de amêndoa.
Foi mais uma bela sessão de convívio, comeres e beberes de qualidade alta. Obrigado, Frederico!

quinta-feira, 9 de maio de 2019

À volta da cerveja artesanal (II)

1.Mais provas
Na crónica "À volta da cerveja artesanal (I)", publicada em 28/3, dei a conhecer uma série de cervejas artesanais, provadas e classificadas por mim.
Com a mesma metodologia classificativa, de 1 a 5, apresento mais umas tantas:
.Com 5
Burguesa (V. N. Gaia), com 9 % vol.
.Com 4,5+
Urraca Vendaval (8ª Colina)
.Com 4,5
Saison by the Sea (Dois Corvos) (noutra situação 4)
ABC Raposa Vermelha Ale (Sesimbra)
.Com 4
ABC Tritão Laranja IPA (Sesimbra)
Y.M.C. Ale Imperial Stout (Musa/Letra), com 10 % vol.
.Com 3,5
ABC Doninha Castanha Pilsner (Sesimbra)
Musa Ale is Love (Lisboa), com cacau Corallo
Bohemia Original (Sagres)
.Com 3
Beirã Weiss (Guarda)

2.Ground Burger
Segundo a Time Out, é o espaço de restauração em Lisboa onde se comem os melhores búrgueres.
Mais, dificilmente haverá outro com tanta e boa oferta de cerveja artesanal.
Recentemente, inventariei 81 (!) assim distribuídas, segundo o tipo e estilo: Lager (6), Weiss (3), Ale (19), IPA (22), Porter/Stout (16), envelhecidas (6) e diversas (15). É um abismal contraste com a oferta de vinho a copo, apenas 1 branco e 1 tinto!

terça-feira, 7 de maio de 2019

Grupo dos 6 (16ª sessão) : a juventude de um Madeira 1900

Mais uma sessão deste grupo de enófilos, desfalcado de um dos seus elementos. Decorreu, como habitualmente, no Magano. Bons copos Schott na mesa, serviço de vinhos irrepreensível e gastronomia num patamar muito alto. Foi o melhor repasto de sempre!
Desfilaram:
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2015 (garrafa nº 205/2950, levada pelo Frederico) - com base nas castas Maria Gomes e Bical, em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas (1/3 novas e 2/3 usadas); fresco e mineral, presença de citrinos, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (14 % vol.). Não fica a perder com o Pai Abel do mesmo ano. Nota 17,5+ (noutras situações 18/17).
.Villa Oliveira Encruzado 2015 (garrafa nº 730/2417 levada pelo J. Rosa) - nariz contido, menos fresco e mais gordo que o 1º, volume assinalável e final de boca médio (13 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos maridaram com as entradas habituais e uma monumental cabeça de garoupa (mais ou menos 3 kg). Melhor o 1º com as entradas e o 2º com a garoupa.
.Qtª da Leda 2000 (levada pelo Juca) - com base nas castas tradicionais do Douro; ainda com alguma fruta, boa acidez, especiado com notas de cacau a imporem-se, taninos de veludo, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18,5 (noutras situações 18/17,5).
.Quanta Terra 2000 (levada pelo João) - aromas e sabores terciários, acidez equilibrada, especiado, volume e final de boca consideráveis (14 % vol.). A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5 (noutra 17).
Estes 2 tintos harmonizaram com tornedó e presunto de pata negra.
.JBF Verdelho 1900 (levada por mim) - presença de frutos secos, notas cítricas, vinagrinho inconfundível, algum iodo e caril, taninos vigorosos, volumoso, final de boca interminável e uma juventude invejável. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Acompanhou pastéis de amêndoa.
Foi uma grande sessão vínica e gastronómica, a ficar nas nossas memórias durante muito tempo.

sábado, 4 de maio de 2019

Abril 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 15 crónicas que publiquei em Abril 2011, destaco estas 4:

."CARM em alta no Corte Inglês", no dia 6
Jantar vínico organizado pelo Corte Inglês, com a presença do produtor Filipe Reboredo Madeira.
De salientar que mais de metade dos participantes pertenceu ao núcleo duro das Coisas do Arco do Vinho (CAV).

."O grupo dos 3 (13ª sessão)", no dia 16
Uma sessão com vinhos da minha garrafeira (1 branco, 2 tintos 2007 e 1 Late Harvest), tendo o almoço decorrido no "Manifesto", o restaurante do chefe Luis Baena, escolhido por mim para esse efeito.
Da equipa do Luis Baena, fazia parte a Marlene Vieira, na altura uma ilustre desconhecida.

."Cabrito estonado no Assinatura", no dia 21
O grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu), reforçado com o Raul Matos, antigo cliente e amigo das CAV, almoçou um divinal cabrito estonado, preparado pelo chefe Henrique Mouro.
Beberam-se, nada menos que 2 Batuta, 1 Pera Manca e 2 Madeira. Um almoço de arromba!

."O Blog está de luto", no dia 29
Um apontamento, muito sentido da minha parte, alusivo à "partida" do saudoso David Lopes Ramos, um grande senhor na área da gastronomia e dos vinhos, ao qual em parte sou devedor da minha formação e paixão por estas matérias.
Se não o tivesse conhecido, nem este blogue nem as CAV teriam existido!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Mais 1 restaurante que vale a pena conhecer : Bacalhoaria Moderna - 4 *

A Bacalhoaria Moderna (R. São Sebastião da Pedreira, 150) é um espaço moderno, luminoso, decorado com bacalhaus em loiça Bordalo Pinheiro e mesas despojadas, como é moda agora.
A dona é a Susana Almeida e Sousa, arquitecta desempregada (?), que muito simpaticamente andou pelas mesas dialogando com a clientela. Na cozinha está a Ana Moura, uma jovem chefe já com currículo feito.
Nesta minha primeira visita, provei o tártaro de bacalhau com vinagreta de mostarda (entrada) e o bacalhau em arroz (prato principal), qualquer deles a merecer nota alta. Ficou a curiosidade de conhecer mais uns tantos pratos à base de bacalhau.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 champanhes (3 a copo), 1 espumante (1), 16 brancos (3), 2 rosés, 20 tintos (4), 7 Portos e 2 Moscatéis (todos os fortificados a copo). Ainda não aderiram à moda da cerveja artesanal e os anos de colheita estão omissos, o que se lamenta.
Optei por um copo de Adega Mãe Sauvignon 2017 - fresco e mineral, notas inconfundíveis de espargos, algum amanteigado, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num muito bom copo Schott. Por ter terminado a garrafa, ainda sem a quantidade suposta, o empregado abriu uma outra e repetiu o ritual, tendo-me dado a provar também esta última, num outro copo. Tiro o meu chapéu a este profissional, pois em 99% das vezes o conteúdo da 2ª garrafa vai misturar-se com o que ainda estava no copo.
Em relação à temperatura dos tintos, informaram-me que as controlam.
Um espaço que recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Novo Formato+ (33ª sessão) : 3 belos vinhos vindos de Espanha

Esta última sessão e a 1ª deste ano, decorreu "chez" Paula/João, sendo a anfitriã a responsável pelos tachos (de salientar um belíssimo cozido) e o João pelos vinhos.
Com bons copos Schott na mesa, desfilaram:
.Porto Senhora do Convento Branco Meio Seco - foi o vinho de boas vindas e acompanhou frutos secos. Agradável, mas sem ficar na memória. Nota 16,5.
Os 3 vinhos que se seguiram (1 branco e 2 tintos produzidos em Espanha), vieram em garrafa magnum e foram provados às cegas.
.Albariño de Fefinanes 2014 - aromático, presença de citrinos e fruta de caroço, notas florais, equilíbrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Nota 17,5+.
Maridou bem com queijos (Serra, creme e um surpreendente brasileiro) e enchidos.
Depois de uma salada de alface, mexilhões, camarões e fruta tropical, para limpeza dos palatos, seguiram-se os tintos
.San Roman 2007 (Toro) - 93 pontos na Wine Spectator e no Parker, estagiou 25 meses em barricas de carvalho francês e italiano; aromático, ainda com fruta, notas especiadas, bela acidez, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Complexo e equilibrado, a beber nos próximos 8/9 anos. Nota 18,5.
.Aalto 2008 (Ribera del Duero) - 95 pontos no Parker; com base na casta tempranillo (tinta roriz) em vinhas velhas, estagiou 23 meses em barricas de carvalho francês; mais floral e fresco que o anterior, acidez no ponto, especiado, taninos correctos, algum volume e final de boca persistente (14 % vol.). Nota 18. A beber nos próximos 10 a 12 anos.
Estes 2 tintos harmonizaram com um cozido à Paula (carnes, enchidos, couves e feijão).
.Porto Senhora do Convento 40 Anos (não foi detectada a data de engarrafamento) - presença de frutos secos, casca de laranja, acidez no ponto, taninos suaves, volume e final de boca médios. Nota 17.
Este tawny acompanhou um bolo de caramelo e noz.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Paula! Obrigado João!

sábado, 27 de abril de 2019

Os 45 anos do 25 de Abril : Cravos, Livros e Música

1.Cravos
À semelhança de anos anteriores, almocei com uns tantos amigos no restaurante da Associação 25 de Abril (a propósito, este restaurante é público), com as mesas cheias de cravos. E foi, de cravo na mão, que desfilei Avenida da Liberdade abaixo, até ao Rossio.
Muitos cravos, muita alegria, milhares de participantes e muita juventude, o que é uma boa surpresa.

2.Livros
Alusivos ao momento histórico, foram publicados os livros:
."A Noite que Mudou a Revolução de Abril", com coordenação de Almada Contreiras (ex-Conselho da Revolução) e participação de Vasco Lourenço (Associação 25 de Abril) e Jacinto Godinho (jornalista da RTP) (Edições Colibri).
O livro tem como base a transcrição da gravação da Assembleia Militar de 11 de Março 1975, erradamente conhecida como "assembleia selvagem", que não foi.
."Todos ou Nenhum", de João Menino Vargas (Edições Colibri).
O autor foi o principal protagonista, como delegado do MFA, na libertação dos presos políticos em Caxias, logo a seguir ao dia 25 de Abril. Da sua histórica intervenção, nasceu esta peça de teatro em 7 actos.

3.Música
Os Dias da Música, a decorrer no CCB, e nos quais tenho participado desde o primeiro, nada têm a haver com o 25 de Abril. É, apenas, uma coincidência de calendário.
Deveras importante, nas comemorações destes 45 anos do 25 de Abril, foi o lançamento do livro-álbum "Zeca Afonso inédito", com textos do jornalista Adelino Gomes e a inclusão de dois CD, a partir das gravações dos concertos em Coimbra (4/5/1968) e em Carreço (23/2/1980), uma aldeia perdida no Minho, e ainda um LP (apenas com as músicas do concerto de Coimbra). Edição limitada a 2875 exemplares.
Notável é, ainda, a peça jornalística da Alexandra Prado Coelho, sobre este tema, publicada na newsletter diária SAPO24, no próprio dia 25.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Grupo FJF (9ª sessão) : 2 tintos 2007 e 1 branco 2012

Mais uma boa sessão no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos. Desfilaram:
.Dona Berta Vinha Centenária Reserva 2012 (levada pelo Frederico) - enologia de Virgílio Loureiro; com base nas castas tradicionais do Douro, plantadas a 500 metros de altitude; nariz austero, presença de citrinos e fruta madura, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Este branco acompanhou as entradas habituais e filetes de peixe galo com arroz de grelos.
.Qtª de Cidrô Marquis 2007 (levada por mim) - com base nas castas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon; nariz exuberante, fruta ainda presente, notas de esteva e chocolate preto, acidez no ponto, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo (14,5 % vol.). Fresco e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Niepoort DW Reserva 2007 (garrafa nº 439/960, também levada por mim) - nariz discreto, alguma fruta vermelha, notas minerais, taninos macios, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Uma curiosidade da Niepoort, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com pernil no forno.
O que restou do branco maridou com queijo da serra e pastéis conventuais.
Mais uma boa sessão vínica, com a "descoberta" de 2 tintos fora dos radares habituais.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Jantar Mota Capitão

Este evento decorreu na Casa da Dízima (já aqui referida "n" vezes) e contou com o José Mota Capitão, produtor dos vinhos da Herdade do Portocarro, já meu conhecido dos tempos das Coisas do Arco Vinho (CAV). Foi um gosto "revê-lo". Quando do uso da palavra, referiu-se em termos elogiosos aos antigos donos das CAV (o Juca e eu, ambos presentes neste jantar) e teve uma palavra simpática para este meu blogue. Os meus agradecimentos.
Com bons copos Schott na mesa, temperaturas adequadas e os vinhos a chegar antes da comida (o Cavalo Maluco foi a excepção), sob a batuta do Pedro Batista, desfilaram:
.Autocarro nº 13 2018 rosé - foi o vinho de boas vindas, ainda antes de nos sentarmos, cumprindo a sua missão.
.Manda Chuva 2018 branco - um branco produzido a partir de castas tintas; nariz discreto, fresco e mineral, alguma fruta cítrica e acidez, notas vegetais, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Adequado a entradas leves. Nota 16,5.
Harmonizou com vieira fresca em azeite de crustáceos e ceviche de manga.
.Gerónimo 2017 branco - Prémio Excelência 2018 atribuído pela Revista de Vinhos, bem merecido; nariz exuberante, presença de citrinos e fruta madura, equilibrio entre a acidez e a gordura, bom volume e final de boca assinalável (13 % vol.). Muito equilibrado e gastronómico, foi o vinho da noite, para mim. Nota 18.
Casou muito bem com lombo de pregado corado sobre puré de pastinaca (o prato da noite).
.Herdade do Portocarro 2015 - com base nas castas Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; presença de fruta vermelha, notas vegetais, alguma acidez, taninos suaves, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 16,5.
Não ligou com ravioli de trufa branca e cogumelos selvagens.
.Anima L12 - com base na casta Sangiovese; aromas e sabores terciários, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, delgado de corpo, mas final de boca persistente (13 % vol.). Fresco e elegante, está no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Teria ligado bem com o ravioli.
.Cavalo Maluco 2012 - ainda com muita fruta vermelha, notas vegetais, acidez evidente, algo especiado, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos acompanharam carré de cordeiro de leite com puré de alfarroba.
.Herdade do Portocarro Partage Sercial 2017 (garrafa nº 29/1467) - desmaiado na cor, aroma complexo, fresco, mineral e adocicado, bela acidez, volume e final de boca médios. Um branco original ao estilo alemão. Nota 17.
Vocacionado para acompanhar pratos asiáticos, não ligou com o carpaccio de ananás.
Uma nota final, o site da Herdade do Portocarro está muito desactualizado. À atenção do produtor.

domingo, 21 de abril de 2019

Provar vinhos com a CVR Lisboa

1.A convite da CVR Lisboa, tive a oportunidade de provar alguns vinhos da Região Lisboa, no espaço do Peixe em Lisboa (que, por sinal, estava às moscas), onde não foi incluído nenhum dos pesos pesados mais emblemáticos desta Região, como é o caso da Qtª Monte d' Oiro ou a Qtª de Chocapalha. Uma pena...
O actual presidente é o Francisco Toscano Rico (que eu não conhecia), vindo da vice-presidência do IVV e que veio substituir o Bernardo Gouvêa (que eu conheci bem nos seus tempos na Herdade do Esporão e, posteriormente, na Bacalhôa) que, por sua vez, foi catapultado à presidência do IVV. Uma ascensão meteórica, que não lhe deu tempo de aquecer o lugar na CVR Lisboa.

2.Ao contrário do que aconteceu na visita à Herdade de São Miguel, nesta prova a blogosfera vínica esteve bem representada. Para memória futura, participaram:
.Avinhar (Luís Gradíssimo)
.Clube de Vinhos Portugueses (Jorge Cipriano e Luís Miraldo)
.Comer, Beber, Lazer (Carlos Janeiro)
.Enófilo Militante (eu, próprio)
.Vinho do Porto Vintage (Carlos Janeiro)
.VIP Gourmet (Virgínia Esteves)
.Winelicious (Natália Pereira) e, ainda
.Ricardo Rodrigues da Pressmedia, a agência organizadora

3.Antes de ir para a mesa, provei o Casa Santos Lima Arinto 2017, fresco e mineral, foi uma boa introdução à prova (nota 16,5).
Já na mesa, a prova foi orientada pela enóloga Madalena Sena Esteves, muito jóvem, mas muito segura, auguro-lhe futuro nestas andanças.
Acompanhados por tapas e pequenos pratos elaborados pelo chefe Paulo Morais (tenho acompanhado a sua carreira, desde o restaurante que teve em Oeiras *) que veio à mesa, desfilaram:
.Mundus 2017, um branco leve da casta Fernão Pires (nota 15,5).
.Sottal 2017, outro branco leve, mas este com excesso de gás e doçura (13).
.Adega Mãe Pinta Negra Rosé 2018, com notas vegetais a imporem-se (14,5).
.Qtª dos Amores Rosé 2017, frutado, fresco e final seco (15,5).
.Lasso Colheita Seleccionada 2017, fresco e mineral (16,5).
.Peripécia Chardonnay 2018, notas mais vegetais e mais amanteigado (15,5).
.Carcavelos Villa Oeiras Superior, muito cítrico, fresco e bom equilibrio acidez/gordura. A confirmação (17).
.Qtª São Francisco Colheita Tardia 2010, fresco e elegante, complexo e harmonioso. A surpresa (17,5).
* O chefe abriu recentemente em Belém (Rua dos Jerónimos, 12) o Tsukiji, que promete e tenciono visitar.

4.É de louvar a postura da CVR Lisboa, ao ter aberto uma loja no Mercado da Ribeira, o que mais nenhuma Região fez (que eu saiba).
Disso dei fé na crónica "Curtas (CV) : a loja da CVRL, (...)", publicada em 3/11/2018.
Mas, por outro lado, a CVR Lisboa tem estado parada, se comparada com as iniciativas da sua vizinha do Tejo. Destas dei fé em:
."À volta da casta Fernão Pires (1ª parte) : a prova didáctica", em 3/4/2018
."À volta da casta Fernão Pires (2ª parte) : o almoço", em 8/4/2018
."Tejo no feminino (1ª parte) : os vinhos", em 5/6/2018
."Tejo no feminino (2ª parte) : o almoço", em 7/6/2018
."Tejo Gourmet (I) : a cozinha ribatejana em Lisboa", em 28/2/2019 e mais 2 crónicas sobre os restaurantes visitados por mim.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Grupo dos 3 (67ª sessão) : a Bairrada no seu melhor

Esta última sessão foi da minha responsabilidade, tendo levado 1 branco, 2 tintos (todos os 3 da Bairrada) e 1 fortificado. Escolhi o restaurante Lugar Marcado (o 23º onde decorreram estes almoços, com vinhos da minha garrafeira), já aqui referido nas crónicas:
."2018 - na hora do balanço (VI) : TOP espaços de restauração", em 22/1/2019
."Um trio maravilha (1ª parte) : Lugar Marcado", em 17/4/2018
Por iniciativa da Fátima Rodrigues, a dona do restaurante, já nossa conhecida dos tempos do Descobre, foram provados 3 azeites, Qtª dos Nogueirões (Douro), Terrenus (Alentejo) e Qtª Vale Meão (Trás-os-Montes), saindo  vencedor este último.
Quanto aos vinhos, desfilaram:
.Messias Clássico 2012 - com base nas castas Bical e Sercial; cor dourada, presença de citrinos e fruta madura, bom equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12 % vol.). Complexo, gastronómico e ainda longe da reforma. Nota 18.
Acompanhou chamuças de bacalhau, berbigão e camarões panados.
.Aliança Baga Clássico by Quinta da Dôna 2011 - enologia de Francisco Antunes; estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês e russo; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca extenso (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5
Curiosamente, em pesquisa recente na net, verifiquei que o crítico Manuel Carvalho, no Fugas de 17/3/2018, os pôs lado a lado, atribuindo-lhes rasgados louvores. Há cada coincidência...
.2221 Terroir Cantanhede 2011 (garrafa nº 2591/4442) - à semelhança dos chefes, este é um vinho a 4 mãos, a saber, José Carvalheira (Caves de São João) e Osvaldo Amado (Adega de Cantanhede); com base nas castas Baga (60 %) e Cabernet Sauvignon (40 %), estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; muito fresco, notas florais e vegetais, acidez no ponto, algum volume e final de boca (14 % vol.). Ainda a crescer, deve ser bebido nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos harmonizaram com coelho frito, pica-pau do lombo e presa de porco preto e companhias (puré de batata doce, milho frito e batata salteada com pesto).
.Niepoort 20 Anos (engarrafado em 1972) - presença de frutos secos, acidez pronunciada, especiarias, complexidade, volume e final de boca notáveis. Uma raridade com mais de 70 anos. Nota 18,5.
Este fortificado maridou com bolo rançoso, leite creme e sortido de gelado.
A terminar, é de toda a justiça salientar:
.os vinhos portaram-se todos muito bem e a Bairrada esteve no seu melhor
.tudo o que veio para a mesa estava muito bom (a cozinha está bem entregue, mas não saber o nome da responsável é uma falha minha)
.a Fátima é a relações públicas, chefe de sala e escanção (praticou um serviço de vinhos de luxo, com copos Schott, vinhos decantados e temperaturas correctas), um 3 em 1 notável
.o Lugar Marcado merece a pontuação de 4,5 * (em 5) e é um espaço que os gastrónomos e os enófilos devem conhecer.

Em tempo:
A responsável pelos tachos é a Sandra Carvalho.

terça-feira, 16 de abril de 2019

A Herdade de São Miguel e a Blogosfera (2ª parte) : o almoço, o site e etc

continuando...

4.O almoço
A seguir à visita, o grupo foi recebido pelos anfitriões na sua residência, no meio das vinhas da Herdade de São Miguel, a poucos quilómetros da adega, a Vera Sá da Bandeira (a comercial da empresa nos tempos das Coisas do Arco do Vinho) e o Alexandre Relvas (filho).
Durante o repasto provámos mais 8 vinhos (não sei se me escapou algum), estes já engarrafados, alguns dos quais me deram muito prazer.
Com uma tábua de queijos e enchidos, bebemos os brancos:
.Madxa 2018, um lote de Arinto e Fernão Pires, com um bom equilibrio entre a acidez e a gordura. Nota 16,5.
.Herdade de São Miguel (nos próximos vou abreviar para HSM) Colheita Seleccionada 2016, um lote de Antão Vaz, Verdelho e Viognier, muito frutado mas menos interessante que o anterior. Nota 15,5.
De referir o baixo teor alcoólico destes brancos (12,5 % vol.).
.HSM Arinto Esquecido 2017, fresco e mineral, citrinos e fruta de caroço, notas vegetais, acidez no ponto, algum volume e final de boca. É um branco de guarda e gostava de o voltar a provar daqui a 2 ou 3 anos. Complexo, deu-me muito prazer bebê-lo. Nota 18.
Com um belíssimo cozido (só faltou a orelha do porco), desfilaram 4 tintos:
.HSM Colheita Seleccionada 2017. Nota 16,5.
.HSM Trincadeira 2014. Nota 17.
.HSM Pé de Mãe 2016, um lote de Trincadeira, Aragonês e Castelão que deu origem a apenas 4000 garrafas. Muito fresco, complexo e elegante, também me deu muito prazer. Nota 18.
De referir que no Público de 6 de Abril (suplemento Fugas), o crítico Pedro Garcias lhe teceu um grande elogio e atribuiu 96 pontos em 100.
.HSM The Friends Collection 2015. Nota 17,5.
Finalmente, com uma sobremesa bem alentejana (sericaia)
.HSM Late Harvest/Colheita Tardia 2014, longe do perfil que eu aprecio. Nota 15.
Foi um grande almoço, sendo de salientar:
.os copos eram Schott (na adega eram Riedel, um luxo!)
.a simpatia dos filhos do casal, a Francisca e o Alexandre (o III), que andaram a distribuir prendas pelo grupo (pedrinhas e desenhos, uma delícia)

5.O "site"
A Herdade de São Miguel (HSM) tem um "site" bem desenhado, com muita informação e que me pareceu estar actualizado, do qual retirei ter:
.350 ha de vinha (metade própria e metade comprada)
.produzir 3 milhões de garrafas
.exportar para 30 países
.99 referências de vinho! (só em rótulos, devem gastar uma fortuna)
.preocupações ambientais
.preocupações sociais, de apoio a famílias carenciadas, a saber
..Cozinha com Alma (em Cascais)
..Centros de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (Cascais, Lisboa e Setúbal)

6.O que falta dizer
.A HSM conta, como consultores, com 2 enólogos prestigiados (Luis Duarte nos tintos e Mário Andrade nos brancos)
.No final da visita, foi oferecida a cada um de nós uma garrafa do tinto Art.Terra Amphora 2017.
.A visita foi organizada pela Chefs Agency.

Resumindo e concluindo, correu tudo bem. Os meus agradecimentos aos anfitriões.

sábado, 13 de abril de 2019

A Herdade de São Miguel e a Blogosfera (1ª parte) : a visita à Adega

1.Introdução
É sempre de louvar a atenção prestada por alguns produtores e organizações vínicas ao mundo da blogosfera. No passado, participei em visitas e eventos patrocinados por José Maria da Fonseca, João Portugal Ramos, Herdade das Servas, Lavradores de Feitoria, Quinta do Crasto, Duorum, Adega Mãe, Herdade Paço do Conde, Quinta da Alorna, Quintas de Melgaço, Adega Cooperativa da Vidigueira e CVR Tejo, tendo daí resultado a publicação de 1 ou mais crónicas para cada um destes momentos. Mais recentemente, participei numa prova organizada pela CVR Lisboa da qual oportunamente darei fé.
Agora foi a vez da Casa Relvas, detentora da Herdade São Miguel, o nome de uma das suas vinhas e, também, dos seus vinhos mais emblemáticos. Para evitar confusões com outra Casa Relvas (Casa-Estúdio Carlos Relvas, na Golegã), referir-me-ei sempre à Herdade São Miguel.

2.O grupo visitante
Responderam ao convite os blogues
.And This is Reality (Tiago da Costa Miranda)
.As minhas escolhas (António Mendes Nunes)
.Copo Meio Cheio (Miguel Zegre e Pedro Almeida)
.Gastrossexual (Pedro Cruz Gomes)
.Gourmets Amadores (Suzana Parreira)
.Enófilo Militante (eu, próprio)
.Entre Vinhas (Madalena Vidigal)
.Mesa do Chefe (Raul Lufinha)
Não sei que critérios foram usados nos convites, mas acho que a blogosfera puramente vínica precisava de uma maior representação.

3.A visita à Adega
A visita à adega, "situada no centro das vinhas da Herdade de São Miguel", no concelho do Redondo, foi orientada pelo Alexandre Relvas (filho) vestido de bata branca, o que nos obrigou a usar uma fatiota semelhante (tamanho "standard", ficando uns apertados e outros folgados).
No decorrer da visita, provámos uns tantos vinhos tirados, no momento, das cubas ou das barricas onde estagiavam, uns já prontos para engarrafamento (Arinto Esquecido e rosé, ambos de 2018) e outros para entrarem em lotes (Touriga Nacional e Trincadeira 2017 e, ainda, Alicante Bouschet e Touriga Franca 2018).
Estas provas de vinhos ainda em construção são algo penosas. É mais gratificante prová-los já engarrafados e harmonizando-os com a gastronomia apropriada, o que veio a acontecer no almoço, que será relatado na 2ª parte desta crónica.

continua...

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Curtas (CXI) : Monte Mar, Enóphilo Wine Fest e Bairradão

1.Monte Mar no Mercado da Ribeira
Em recente regresso ao Mercado da Ribeira, abanquei no Monte Mar, já aqui referido na crónica "Mercado da Ribeira : Monte Mar" (24/2/2015), situado num dos corredores laterais, onde é possível arranjar um lugar ao balcão, já que no centro, encontrar um lugar sentado é mais complicado que achar uma agulha no palheiro.
Desta vez comi uns belíssinos filetes de pescada (2 bons nacos lascados) com arroz de berbigão, que foram acompanhados por um copo do branco Kopke 2017 (5 €, um preço inflacionado) - frutado (citrinos bem presentes), acidez equilibrada, volume e final de boca médios. Fresco e correcto. Nota 16. A garrafa foi mostrada, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.

2.Enóphilo Wine Fest
Mais um edição (a 5ª) deste Enóphilo, da responsabilidade do Luis Gradíssimo, que terá lugar no Lisbon Marriott Hotel no dia 27 de Abril.
Este evento contará 40 produtores, 3 provas especiais e 1 jantar vínico.

3.Bairradão
Nesta 6ª edição, já aqui referida, o evento Bairradão tem confirmados 33 produtores e, ainda, 2 Provas Especiais com:
.Vinhos da Bairrada, orientada pelos enólogos Luis Patrão e Luis Gomes
.Vinhos do Dão, orientada pelo enólogo Osvaldo Amado

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Espaços de restauração revisitados : Santa Clara dos Cogumelos e Farol da Torre

.Santa Clara dos Cogumelos - 4 *
Já me referi a este espaços por diversas vezes, sendo a última em "Espaços de restauração : 2 revisitas e 1 descoberta", crónica publicada em 22/11/2017.
A qualidade da comida, com base nos cogumelos, continua em alta e a componente vínica continua na mesma, isto é, fraca. A minha defesa é continuar a beber a belíssima cerveja artesanal Creature IPA da Dois Corvos, mais barata e melhor que os vinhos a copo neste restaurante.
Desta vez provei/comi:
.Tártaro de cogumelos com gema curada em massa kadafei
.Risotto Santa Clara com cogumelos
.Gnocchi de batata com mix de cogumelos
.Temperança de Santa Clara com alfarroba, chocolate e gelado de requeijão, mas sem cogumelos.
Recomendo e tenciono voltar sempre!

.Farol da Torre - 4 *
Este restaurante, quando ainda funcionava em Pedrouços, era o local onde costumávamos jantar em dias de provas nas Coisas do Arco do Vinho. Com os pais já reformados, o Farol da Torre está entregue às filhas e bem entregue. A cozinha mantém-se em nível alto e o serviço eficiente e simpático.
No entanto, o espaço em Linda-a-Velha (Rua Marcelino Mesquita, 13 - Loja 5, bem perto da estação de serviço) é apertado para tanta clientela e deveras barulhento. Depois de badalado recentemente na Visão, Time Out e Expresso (o crítico Fortunato da Câmara teceu-lhe os maiores e merecidos elogios), só com marcação, sob pena de ter que esperar algum tempo por uma mesa livre.
Nesta revisita comi morcela assada e sarapatel de javali, 2 dos ex-libris da casa, pratos servidos em doses avantajadas.
Quanto à componente vínica, têm um curioso sistema que eu não conhecia: 6 torneiras por onde o vinho sai naturalmente e não à pressão. Cada torneira representa uma casta, a saber Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Arinto e Chardonnay, sendo possível o cliente preparar o seu próprio lote. Os vinhos são provenientes da Quinta da Romeira (gama Principium), agora pertença da Sogrape.
O meu copo, por desconhecimento meu, veio apenas com Touriga Nacional. A quantidade era generosa e o recipiente de qualidade. Vinho correcto, com alguma fruta, acidez e volume e acentuadamente gastronómico (nota 16,5). Por 3 €, não se pode exigir mais. Este sistema ainda não está dessiminado, sendo o Farol da Torre um dos poucos espaços de restauração onde é possivel ser-se enólogo por 1 ou 2 horas.
Recomendo e tenciono voltar!

terça-feira, 2 de abril de 2019

Março 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 15 crónicas publicadas em Março 2011, destaco estas 2:

."Grupo de Prova dos 3+4-2+1", no dia 25
Este grupo de enófilos, com 2 baixas e 1 convidado, reuniu na saudosa Enoteca de Belém *, com o Nelson (agora o escanção do Alma) nos tachos e o Ângelo (não sei onde para) na sala.
O convidado foi o José Rosa que trouxe os vinhos (2 espumantes, 2 brancos, 4 tintos, 1 Porto e 1 Madeira). Quanto à qualidade dos mesmos, houve confirmações mas também desilusões.
O repasto fechou com chave de ouro, o Blandy Bual 1977.
* - notícia de última hora: a Enoteca de Belém reabriu, mas com outra equipa (a do Winebar do Castelo que também passou a gerir o Chafariz do Vinho)

."Jantar de Vinhos no Clara Chiado", no dia 28
Eu e alguns dos antigos amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho ( no total éramos uma dezena), participámos num jantar vínico organizado pelos donos do restaurante Clara Chiado (encerrado há já uns tantos anos), onde a maioria era "socialite", espalhada por mais de uma sala.
Foram servidos apenas 1 espumante, 1 Alvarinho e 2 tintos. Salvou-se o Alvarinho, o resto era uma desgraça!
Modéstia à parte, este jantar foi a antítese dos eventos das CAV.

sábado, 30 de março de 2019

Grupo dos 3 (66ª sessão) : um surpreendente tinto alentejano e um Madeira à altura da sua fama

Esta última sessão foi com vinhos da garrafeira do Juca e decorreu no Magano, cuja gastronomia e serviço de vinhos, mais uma vez, esteve à altura dos acontecimentos.
Desfilaram:
.Blandy Alvada 5 Anos - lote de Bual e Malvasia; presença de frutos secos, notas de brandy e algum iodo, excesso de doçura e défice de acidez, algum volume e final de boca. Um bom Madeira para principiantes. Nota 16,5.
Não ligou com as entradas habituais.
.Vallado Reserva 2015 branco - enologia dos Franciscos (Olazabal e Ferreira); com base nas castas Arinto, Gouveio, Rabigato e Viosino, estagiou 7 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, alguma acidez e fruta madura, notas vegetais, volume médio e final de boca amargo (12,5 % vol.). Gastronómico. Nota 16,5.
Acompanhou sável frito com açorda de ovas do mesmo.
.Esporão Private Selection Garrafeira 2008 - enologia de David Baverstock e Luis Patrão; com base nas castas Alicante Bouschet, Aragonez e Syrah, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e mais 18 meses em garrafa; nariz contido, ainda com alguma fruta e acidez, especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Fresco e elegante, no ponto óptimo de consumo. Nota 18,5. O rótulo é do artista plástico Rui Sanches.
Harmonizou com cabrito e batata no forno.
.Blandy Verdelho 1977 (engarrafado em 2009) - presença de frutos secos, algum iodo e vinagrinho, notas salinas, taninos evidentes, volume notável e final de boca longo. Muito complexo. Nota 18,5+.
Acompanhou as sobremesas habituais.
Mais uma boa sessão, com destaque para um surpreendente tinto alentejano e confirmação de um belo Madeira. Obrigado, Juca!

quinta-feira, 28 de março de 2019

À volta da cerveja artesanal (I)

Na crónica "Cerveja artesanal versus vinho a copo", publicada em 11/8/2018, referia o interesse crescente de órgãos de comunicação social (especializados ou genéricos), pontos de venda (garrafeiras, lojas gourmet e até hiper mercados) e produtores de vinhos (para já, Esporão e Qtª de La Rosa), neste tipo de bebida. Recentemente (nº 597, de 6 a 12 de Março) a Time Out dedicou-lhe 16 páginas com muita e preciosa informação, desde a definição de cada estilo de cerveja artesanal, até aos locais onde podem ser compradas e onde podem ser degustadas.
Atento a esta nova tendência, tenho provado regularmente cervejas artesanais, registando a sua identificação, onde podem ser compradas e a pontuação que lhes atribuí (adoptei, para já, a escala de 1 a 5, mais fácil para mim e enquanto não dominar bem esta nova matéria).
Em pontuação descendente, aqui vão as pontuações das primeiras cervejas artesanais que registei, para memória futura:
Com 5 (o máximo):
.IMP5RIO, uma parceria da cervejeira Letra com a Dois Corvos (estagiou em barricas de Moscatel da Qtª do Portal, tem 10º de álcool e um prazo de validade de 20 anos!). Obrigatório conhecer.
Com 4,5:
.1927 Munich Dunkel (uma semi-artesanal da Super Bock, como as restantes 1927 que mencionarei)
.A.M.O. Scottish Ale (Lisboa)
.Creature American IPA (Dois Corvos, Lisboa)
Com 4:
.1927 Bengal Amber IPA
.1927 Blond Ale
.La Rosa Lager (Qtª de La Rosa)
.Musa Borne in the IPA (Lisboa)
.Co-Lab Mexicali Ale (Lisboa)
.Saison by the Sea (Dois Corvos, com 8,8 º de álcool)
Com 3,5:
.1927 Porter
.La Rosa IPA
.ABC Petisca (Sesimbra)
.Barona APA (Marvão)
Quanto aos locais de compra, destaco a loja gourmet "Adega & Sabores de Portugal" (Rua Coelho da Rocha, 94), já aqui referida, com uma surpreendente selecção e um atendimento impecável. Também comprei na loja "Comida Independente" (Rua Cais do Tojo, 28), na cervejeteca "Cerveja Canil" (Rua dos Douradores, 133, com um atendimento confuso), Corte Inglês e no Auchan  do Allegro.
As garrafeiras, com algumas excepções (Wines 9297, segundo me informaram e Estado d' Alma, esta com uma entrada tímida), não aderiram. Um apelo aos seguidores deste blogue: se sabem de outras, manifestem-se!

terça-feira, 26 de março de 2019

Curtas (CX) : Gastronomia, Porco Preto, Alentejo em Lisboa, Peixe em Lisboa e Bairradão,

Tomem nota nas vossas agendas:

1.História da Gastronomia Portuguesa
É uma série transmitida pela RTP1, aos sábados. O 1º episódio já foi para o ar no passado dia 23, mas ainda pode ser visto. Em cada episódio um chefe fala sobre a gastronomia portuguesa num dado século. O 1º foi dedicado ao século XX, sendo conduzido pelo Ljubomir Stanisic (restaurante 100 Maneiras) e contou com intervenções da Maria de Lurdes Modesto, Vitor Sobral e Alexandra Prado Coelho, entre outros.

2.Porco Preto Bellota
A decorrer até ao dia 4 de Abril, nos restaurantes Rubro, com ementas especialmente dedicadas ao porco preto alentejano. Requer reserva prévia.

3.Alentejo em Lisboa
Mais uma edição do Alentejo em Lisboa, organizada pela CVR Alentejo e apoio da Essência do Vinho, que terá apresentações e provas de vinhos e azeites alentejanos. Este evento decorrerá, como é tradição, na tenda do CCB, em 5 (das 17h30 às 21h) e 6 de Abril (das 15h às 21h).

4.Peixe em Lisboa
Mais uma edição do Peixe em Lisboa, organizada pela Associação Turismo de Lisboa (ATL), que decorrerá no Pavilhão Carlos Lopes de 4 a 14 de Abril e conta com os restaurantes/chefes Arola, Casa do Bacalhau, Ibo, Montemar, Paulo Morais, Marlene Vieira, Porto Santa Maria, Taberna Macau e Tágide.

5.Bairradão
A 6ª edição do Bairradão, organizada pela Garrafeira Néctar das Avenidas (Sara e João Quintela), decorrerá no dia 4 de Maio (das 15h às 20h)  no Hotel Real Palácio, como habitual.
Oportunamente serão divulgados os produtores presentes.

sábado, 23 de março de 2019

Lisbon Restaurant Week (II): Bica do Sapato - 3,5 *

Com a mesma postura com que fui ao À Justa, descrito na crónica anterior, fechei estas jornadas no Bica do Sapato, onde não ia há uma série de anos, e que conta agora com a antiga equipa do Assinatura, o chefe Henrique Mouro e o sub-chefe Pedro Resende.
Espaço amplo, com uma sala para fumadores e outra para os militantes anti-tabaco, como é o meu caso. Mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano, copos Schott de grande qualidade e música de fundo demasiado alta.
Comi, para além do couvert:
.asa de raia de coentrada, dose reduzida e sem sabor (12,50 € na ementa)
.bacalhau fresco escalfado sobre à brás com emulsão de azeitona, algo salgado (20,50 €)
.sorbet de frutos vermelhos, mousse de morango e denso de chocolate branco, o melhor do almoço (6 €)
Houve aqui uma poupança significativa, ao pagar 20 € em vez dos 39 € que me custariam se tivesse ido ao Bica do Sapato noutra altura. O que foi caro foi o couvert (2,75) e o café (1,75).
Quanto à componente vínica, inventariei 8 champanhes (3 a copo), 4 espumantes (4), 44 brancos (16), 3 rosés (2), 42 tintos (12), 12 de uma selecção especial e cerveja semi-artesanal 1927. Na carta não constavam vinhos fortificados, o que não se entende.
Carta bem construida, com uma cuidada  selecção de vinhos, mas a preços nada meigos.
Optei por um copo do rosé Barranco Longo 2017 (4,40 €) - austero, seco, frutado, acidez presente, volume e final de boca assinaláveis para um rosé. Gastronómico. Nota 17. Aqui faço um parêntesis ( o Barranco Longo foi o vencedor 2 ou 3 anos consecutivos no painel de prova cega de rosés nas Coisas do Arco Vinho).
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar e o rótulo só foi mostrado a meu pedido, para confirmar o ano de colheita. Inadmissivel! Um restaurante como este não pode ter um serviço de vinhos de fraca qualidade.
Que saudades dos gloriosos tempos do Assinatura!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Lisbon Restaurant Week 2019 (I) - À Justa - 4,5 *

Aproveito sempre este evento para conhecer ou revisitar restaurantes caros no dia a dia, mas que neste período (7 a 17 de Março) disponibilizaram uma ementa acessível (20 €, com direito a entrada, prato e sobremesa).
O primeiro foi o "À Justa" (Calçada da Ajuda, 107) que ainda não conhecia. Sala pequena, muito bem decorada e confortável, mesas despojadas com tampos de azulejos, iguais aos das paredes e guardanapos de pano.
Comemos a tradicional sopa de santola (9,90 € na carta), mil folhas de pato com batata doce (19,90 €) e cremoso de frutos silvestre (6,85 €). Paguei por esta refeição os tais 20 € (à lista teriam sido 36,65 €, uma diferença de quase 17 € por pessoa). Estava tudo uma maravilha.
A chefe Justa passou pelas mesas, mas nem sequer precisou de entrar na cozinha. Tem umas tantas jovens a desempenharem, da melhor maneira, o seu papel. Mais, todos os pratos foram devidamente explicados pela equipa da sala, muito profissional e simpática, com destaque para o sénior Ricardo Gonçalves, de seu nome.
Quanto à componente vínica, inventariei 5 champanhes (1 a copo), 4 espumantes (1), 34 brancos (4), 54 rosés (2), 42 tintos (14), 4 Portos, 1 Madeira, 1 Moscatel e 1 Colheita Tardia (todos a copo). A carta, bem estruturada, mas com preços altos, inclui os anos de colheita e, ainda, as castas e os nomes dos enólogos, uma mais valia.
A conselho do chefe de sala avançou um copo do branco Flor do Tua Reserva 2017 (6 €, um exagero) - nariz discreto, fresco e mineral, frutado, bela acidez, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
No final do repasto, foi-nos oferecido um Porto 10 Anos, cuja marca não retive, mas com um perfil mais próximo de um 20 Anos. Um boa surpresa.
Recomendo vivamente este restaurante e aconselho marcar através da plataforma The Fork, com um desconto de 30 % em toda a ementa (bebidas à parte).

terça-feira, 19 de março de 2019

Grupo dos 6 (15ª sessão) : brancos, tintos e fortificado na área da excelência

Mais um encontro deste grupo de enófilos, desta vez com brancos de 2015, tintos de 2010 e 1 Madeira de 1946. O evento teve lugar no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos, isto é, muito bem.
Desfilaram:
.Maçanita As Olgas 2015 (garrafa levada por mim) - "encepamento ancestral", isto é, vinhas com 85 a 100 anos; ainda muito frutado e fresco, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Fino e elegante. Nota 17,5+.
.Pai Abel 2015 (levada pelo João) - 92 pontos no Parker; com base nas castas Maria Gomes e Bical; nariz discreto, alguma fruta, notas amanteigadas a imporem-se, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Um perfil diferente e mais gastronómico que o anterior. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e uma divinal barriga de atum.
.Antónia Adelaide Ferreira 2010 (levada pelo J. Rosa) -  estagiou 2 anos em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, alguma acidez, especiado, taninos suaves, algum volume e final de boca persistente (14,5 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Qtª da Falorca Lagar Reserva 2010 (levada pelo Frederico) - 95 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional (70%), Tinta Roriz e Alfrocheiro (15% de cada); frutado e fresco, acidez equilibrada, taninos finos, volume e final de boca notáveis (14 % vol.). Muito elegante e harmonioso. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Vallado Reserva 2010 (levada pelo Juca) - com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 17 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz neutro, alguma fruta e acidez, taninos civilizados, volume e final de boca médios (14,5 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5+.
Estes 3 tintos harmonizaram com carne maturada e legumes.
.Artur Barros e Sousa Boal Muito Velho 1946 (levada pelo Adelino) - notas de frutos secos, iodo e caril, presença acentuada de vinagrinho, complexidade, volume notável e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor. Nota 18,5+.
Foi mais uma grande jornada de convívio e comeres, com os vinhos a situarem-se na área da excelência.

sábado, 16 de março de 2019

Porto Extravaganza 2019

Estive recentemente no Palácio de Seteais, em Sintra, para mais um evento "Porto Extravaganza - os Vinhos Generosos de Portugal", tendo apenas participado na jornada dedicada aos Vinhos da Madeira (nos outros 2 dias, as estrelas foram alguns dos Vinhos do Porto Messias e Qtª do Noval).
No passado, participei numa série de Extravaganzas, todas superiormente organizadas pelo Paulo Cruz, o dono do Bar do Binho em Sintra e grande coleccionador de vinhos fortificados.
Lamentavelmente não ficou qualquer registo meu para memória futura, pois ainda não existia este enófilo militante. A excepção foi a prova dos Garrafeiras da Niepoort, ocorrida há cerca de 2 anos e que foi objecto da crónica "Porto Extravaganza : os Garrafeiras da Niepoort (I)", publicada em 21/3/2017.
Voltando ao Extravaganza 2019, o dia dedicado aos Vinhos da Madeira estava previsto e confirmado para a degustação de vinhos da Madeira Wine quase todos do século XX mas, quase em cima da hora, o seu CEO (Chris Blandy de seu nome) cancelou-a.
Avançou, então, o plano B do Paulo Cruz com vinhos da sua colecção, quase todos do século XIX. Na sua apresentação contou com o apoio da Diana Silva (a produtora dos polémicos vinhos Ilha) e do Paulo Bento (enófilo e coleccionador de Vinhos da Madeira e que fez parte do painel de prova das Coisas do Arco do Vinho, de boa memória). A logística, mais uma vez, esteve a cargo da indispensável Teresa que também é prima do organizador.
A prova, onde estavam maioritariamente enófilos apaixonados por Vinhos da Madeira, marcaram presença o Adelino de Sousa (também ele um grande coleccionador) que interveio várias vezes e mais 3 militantes dos nossos grupos de prova (José Rosa, Frederico Oom e eu ), incidiu sobre 13 vinhos do século XIX e apenas um mais recente (que foi, aliás, o mais fraco). As principais revistas especializadas também se fizeram representar (Grandes Escolhas com o João Paulo Martins e a Revista de Vinhos com o Manuel Moreira).
É de sublinhar:
.a grande surpresa que foram os 2 vinhos Henriques & Henriques, ambos no patamar da excelência
.a confirmação da longevidade dos Vinhos da Madeira que foram provados com todo o respeito devido à sua provecta idade.
Para terminar deixo aqui as minhas classificações, subjectivas certamente, que exprimem os diversos graus de prazer que os vinhos provados me deram. E elas foram:
Com 19 :
.Henriques & Henriques Boal Velhíssimo 1878
Com 18,5 :
.Borges Terrantez 1846
.Henriques & Henriques Verdelho Solera 1887
.D'Oliveiras Malvazia Reserva 1900
Com 18+ :
.Artur Barros e Sousa Boal 1860
.Leacock Malmsey Solera 1863
Com 18 :
.Leacock Solera Sercial 1860
.Torre Bella Sercial 1865
.P.J.L. Malvazia 1880
Com 17,5 :
.Real Vinícola da Madeira 1850
.Sercial do Jardim do Sol (?) 1870
Com 17 :
.Freitas & Irmão Reserva 1825
.Justino Henriques Malvasia 1890
Com 16 :
.Artur Barros e Sousa Listrão Branco do Porto Santo
A fechar:
.alguns destes (poucos) vinhos estão ou estiveram à venda na Garrafeira Nacional e outros em leiloeiras internacionais
.agradeço publicamente a oportunidade (irrepetível) que me foi dada de provar estas relíquias.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Grupo FJF (8ª sessão) : Único 2015, a perfeição

O grupo original reuniu novamente no Magano. O pretexto foi a prova do novo Qtª dos Carvalhais Único (após as colheitas de 2005 e 2009, chegou agora a vez da 2015) para comemorar a entrada do Frederico (um dos F) no Clube Reserva 1500.
Desfilaram:
.Granbazán Limousin Albariño 2010 (garrafa levada pelo João) - com base na casta Albariño, estagiou 6 meses em barrica; evoluído, fruta madura, acidez e gordura, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Muito gastronómico. Nota 17,5.
Acompanhou as entradas habituais e ainda maridou com o prato de sável e açorda de ovas.
.Qtª dos Carvalhais Único 2015 (levada pelo Frederico) - enologia de Beatriz Cabral de Almeida; com base na casta Touriga Nacional (88 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; muito fresco e frutado, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos de veludo, volume de respeito e final de boca muito longo (14 % vol.). Cheio de souplesse e complexidade, é a perfeição no Dão. A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 19.
Casou bem com o sável e ainda fez companhia a um cabrito no forno.
.Lopo de Freitas 2011 (levada por mim) - enologia de Susana Pinho; com base nas castas Touriga Nacional e Baga, estagiou 14 meses em barrica; cheio de juventude e fruta, acidez equilibrada, taninos presentes e civilizados, algo especiado, volume e final de boca notáveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Aguentou o embate com o Único. Nota 18,5.
Casou bem com o cabrito e arroz de miúdos.
.Moscatel J P Vinhos 1989 (da garrafeira do João) - presença de frutos secos, forte componente de iodo, notas de brandy, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Mais uma grande sessão no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.

terça-feira, 12 de março de 2019

Jantar Casa da Passarella : o 100º evento da Néctar das Avenidas

Foi um momento histórico, na vida da Garrafeira Néctar das Avenidas, este jantar com vinhos da Casa da Passarella, apresentados pelo enólogo Paulo Nunes, ao coincidir com o seu 100º evento. Muitos anos e eventos vínicos é o que os enófilos em geral e eu em particular desejamos à Sara e ao João Quintela.
Este jantar, com 80 participantes, decorreu na sala nobre da Casa do Bacalhau, enquanto que na sala ao lado estava um grupo com mais de 100 pessoas. Servir 2 jantares com esta dimensão não é para todos. Acrescento que os copos nas nossas mesas (cerca de 400!), eram na maioria Riedel e, ainda, o ritmo do serviço com os vinhos a chegarem à mesa antes da comida foi o adequado. Parabéns ao João Bandeira e sua equipa.
Depois desta introdução, vamos aos vinhos provados e bebidos:
.A Descoberta 2018 branco - com base nas castas Encruzado, Malvasia e Verdelho, estagiou 6 meses com as borras finas; nariz intenso, muito frutado com notas cítricas e tropicais, alguma acidez, magro de corpo e final de boca curto (13 % vol.). Para consumo imediato e adequado a entadas leves. Nota 15,5.
Acompanhou pastéis e paté de bacalhau.
.Espumante O Fugitivo Bruto - com base na casta Baga, feito o dégorgement em Janeiro 2019; bolha fina, cremoso e notas de pão cozido (12 % vol.). Nota 16,5.
Não ligou bem com pataniscas de bacalhau e arroz de tomate.
.O Enólogo Vinhas Velhas 2015 tinto - com base nas castas tradicionais, estagiou 18 meses em barricas de carvalho; aroma fino com alguma intensidade, fruta vermelha, acidez no ponto, taninos suaves, algum volume e final de boca (14 % vol.). Equilibrado e elegante. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 16,5+.
Maridou com uma feijoada de linguas de bacalhau.
.O Fugitivo Vinhas Centenárias 2015 tinto (3160 garrafas) - aroma fino e austero, fruta vermelha, acidez equilibrada , notas especiadas, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Fresco, harmonioso e complexo. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18.
Casou bem com pernil assado, batatas e chalotas.
.O Fugitivo Branco em Curtimenta 2017 (1955 garrafas) - cor carregada, nariz austero, fruta cozida e de caroço, alguma acidez e gordura, volume considerável e final de boca que desaparece rapidamente (12 % vol.). Servido demasiado frio, é um branco polémico e nada consensual. Nota dos 17,5 aos 15,5 venha o diabo e escolha...
Duas notas finais:
.os contra-rótulos contam histórias, mas sobre os vinhos (castas, estágio,...) nada dizem
.esperava mais dos vinhos e a Néctar das Avenidas merecia melhor.

sábado, 9 de março de 2019

Tejo Gourmet (III) : Mãe Cozinha com Amor - 3 *

O 2º restaurante que frequentei, no âmbito do Tejo Gourmet, foi o Mãe, propriedade de 3 ribatejanos, já aqui referido em "Tejo no feminino (2ª parte) : o almoço", crónica publicada em 7/6/2018. Das críticas feitas na altura apenas corrigiram o nome da Região Ribatejo para Tejo, ficando por corrigir a omissão dos anos de colheita e a temperatura a que estavam e estão os vinhos tintos. Uma pena.
Mesas com toalhetes e guardanapos de papel. Mais, este espaço não tinha publicitado o evento, cujo menu nem sequer constava na lista.
A troco de 20 €, tive direito a couvert (pão, azeitonas e um belíssimo paté), entrada (torricado de perdiz com chips de batata doce, que estava francamente bom), prato (sopa de pedra de bacalhau, já aqui criticada na crónica acima referida) e sobremesa (suspiro com limão e amêndoas).
Acompanhei a refeição com um copo do branco Lagoalva Talhão 1 2017 (uma simpática oferta do dono) - muito aromático e fresco, notas cítricas e tropicais, acidez no ponto, algum volume e final de boca adocicado. Nota 17,5.
A garrafa veio à mesa e dado a provar num copo de qualidade e sem marca (segundo informação do dono, custa pouco mais de 1 €) e servida uma quantidade generosa.
Serviço profissional e simpático.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Tejo Gourmet (II) : Varanda de Lisboa - 4 *

O Varanda de Lisboa, restaurante do Hotel Mundial, foi o 1º espaço de restauração que visitei no âmbito do evento Tejo Gourmet. Além de o site do hotel publicitar o programa, indicando o menu e respectivos preços (19 € ao almoço, sem vinhos e 35 € ao jantar com harmonização de vinhos), o Varanda de Lisboa é o que pratica preços mais acessíveis de todos os restaurantes aderentes. Mais, a ementa está impressa, para que não haja dúvidas.
Usufrui deste menu ao almoço e constatei que os 19 € incluiam couvert (pão, azeite, azeitonas e crepes de camarão), água e café. Os vinhos ou outros extras são pagos à parte.
A entrada (sardinhas albardadas) e o prato (ensopado de enguias) inserem-se muito bem na cozinha tradicional ribatejana, ao contrário da sobremesa (tarte de castanha). Estava tudo com qualidade (as enguias, simplesmente fabulosas) e as doses generosas.
O serviço em geral, demasiado à antiga, embora simpático, teve alguns deslizes inesperados.
Quanto à componente vínica, a lista é alargada, sem indicação dos anos de colheita e com preços altos. A copo tem uma dúzia de sugestões.
Optei por um copo de Qtª de Alorna Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2012 (6 €) - ainda com muita fruta, notas florais e algum vegetal, acidez equilibrada, taninos macios, algum volume e final de boca. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num copo Schott, mas a uma temperatura desadequada que, no entanto, foi rápida e profissionalmente bem resolvida, com um recipiente com água e gelo.
Este Varanda de Lisboa está de parabéns, pois cumpriu da melhor maneira os objectivos definidos pela Confraria do Tejo.
Em próxima crónica falarei da minha experiência no Mãe - Cozinha com Amor.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Aditamento a Curtas (CIX) : a Bairrada em Lisboa

6.Bairrada@LX (3ª edição)
A Bairrada, com o apoio da respectiva CVR, vai voltar a Lisboa. No dia 23 de Março, das 15 às 20 h, 20 produtores bairradinos terão uma série de vinhos à prova no Mercado da Ribeira (1º piso).
Boas provas!

terça-feira, 5 de março de 2019

Curtas (CIX) : Sável, Restaurant Week, Mercado Gourmet, Tejo a Copo e a Hora de Baco

1.O sável é rei em Vila Franca de Xira
Já está em movimento e só termina no final de Março, a campanha "Em Março, o Sável é rei em Vila Franca de Xira", patrocinada pela respectiva Câmara Municipal.
Aderiram 26 restaurantes do concelho, a maioria dos quais (12) em Vila Franca.
Mais informações em www.cm-vfxira.pt.

2.Restaurant Week
Já arrancou em todo o país o Restaurant Week, mas só para clientes detentores de cartão Millennium. A partir do dia 7 deste mês e até ao dia 17, qualquer um de nós pode usufruir deste programa. A troco de 20 € podemos almoçar/jantar em restaurantes caros que não iríamos, por falta de orçamento. O menu fixo de cada restaurante (entrada, prato e sobremesa) pode ser visto na plataforma The Fork.
Em Lisboa e arredores aderiram 63 restaurantes, entre os quais estão o Kais, Akla, Varanda de Lisboa, Nobre, Adlib, Panorama, Adega Machado, Bica do Sapato, o Ato, Arola e Ânfora (Palácio do Governador).
Marcação obrigatória em The Fork.

3.Mercado Gourmet do Campo Pequeno
Neste próximo fim de semana, dia 8 (sexta-feira, a partir das 15 h) e dias 9 e 10 (sábado e domingo, a partir das 12 h), podemos participar neste evento e comprar azeites, queijos, charcutaria, conservas, compotas ou mel.

4.Tejo a Copo
Com organização da CVR Tejo, vai decorrer no próximo dia 9 de Março, das 15 às 21 h, no Convento de São Francisco, em Santarém, este evento "Tejo a Copo", a que aderiram 18 produtores e 2 restaurantes.

5.A Hora de Baco
A RTP Memória está a retransmitir uma série de episódios de 2002, 2003 e outros anos algo recuados.
Já vi alguns e é sempre um prazer recordar momentos, vinhos ou pessoas que, naquela altura, nos disseram alguma coisa.

sábado, 2 de março de 2019

Fevereiro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 14 crónicas publicadas neste blogue em Fevereiro 2011, destaco estas 3:

."Garrafeiras : a lista negra continua", no dia 1
Mais 3 garrafeiras fecharam as portas, juntando-se a outras 3 mencionadas na crónica referente a Dezembro 2010.

."O regresso dos 3+4 (6ª sessão)", no dia 21
Esta sessão decorreu no restaurante As Colunas, com vinhos da garrafeira do Juca que pôs em confronto vinhos da Quinta do Crasto. 3 Vinhas Velhas (2005, 2006 e 2007) mediram forças com outros do mesmo produtor, mas de um patamar mais acima, como foi o caso do Xisto, Touriga Nacional e Maria Teresa (2005, 2006 e 2007, respectivamente). E houve surpresas nas notas atribuídas por mim.
No final do repasto houve, ainda, lugar para o Cossart Gordon Bual 1969 (18,5+)!

."Novo jantar com vinhos da Madeira : a excelência", no dia 27
Este evento desenrolou-se na saudosa Enoteca de Belém e, no que diz respeito aos Madeiras, desfilaram (notas entre parentesis atribuídas por mim):
.Cossart Gordon Terrantez 1977 (18)
.Blandy Bual 1971 (18,5)
.Blandy Bual Solera 1891 (19,5)
.Borges Malvasia + de 40 Anos (18+)
Um luxo!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Tejo Gourmet (I) : a cozinha ribatejana em Lisboa

Hoje é o último dia em que se pode participar no Tejo Gourmet, o 9º Concurso de iguarias e vinhos do Tejo, organizado pela Confraria Nossa Senhora do Tejo, a que aderiram restaurantes de norte a sul. Em Lisboa foram 6, Clube Lisboeta, Mãe - Cozinha com Amor, Pão à Mesa, Quorum, Varanda de Lisboa (Hotel Mundial) e Viva Lisboa (Neya Hotel).
Não sendo fácil almoçar ou jantar em todos eles, um gastrónomo/enófilo interessado ou qualquer potencial cliente, tem de ter informação suficiente para decidir qual o espaço ou espaços de restauração que quer frequentar. No mínimo o menu e respectivo preço, com ou sem harmonização de vinhos. Não foi isso que aconteceu neste Tejo Gourmet, pois a entidade organizadora apenas refere o nome dos restaurantes aderentes e respectiva cidade onde se situam, informação manifestamente insuficiente. À atenção da Confraria.
No meu caso, comecei por pesquisar na net e apenas encontrei informação adequada nos sites do Varanda de Lisboa e do Lisboa Viva. O Clube Lisboeta e o Quorum, que também têm sites operacionais, nada referem quanto ao Tejo Gourmet. Mas também fiz contactos pessoais, calhando passar à porta do Mãe e do Quorum, verificando que nenhum deles tinha qualquer informação visível sobre o menu e respectivos preços, nem sequer constavam nas respectivas ementas!
Quanto a preços, um dos factores de decisão, fiquei a saber (por ordem alfabética):
.Clube Lisboeta - 30 € sem harmonização de vinhos e 45 € com *
.Mãe - Cozinha com Amor - 20 € sem
.Pão à Mesa - 30 € sem e 45 € com *
.Quorum - 49 € sem e 75 € com
.Varanda de Lisboa - almoço 19 € sem e jantar 35 € com (ambos, apenas às 3ª feiras)
.Viva Lisboa - 30 € com
* por indicação, a meu pedido, da Confraria
Rejeitei o Viva Lisboa, pois que o menu (gambas, tranche de garoupa e mousse de queijo) não me pareceu nada ribatejano. Quanto ao Clube Lisboeta, Pão à Mesa e Quorum, os preços não fazem sentido e afastam os potenciais clientes. À atenção da Confraria.
Optei pelos restaurantes Varanda de Lisboa e Mãe, deixando para próximas crónicas as minhas impressões.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O José Júlio Vintém em Lisboa : o Picamiolos - 4,5 *

Já há alguns anos que não tinha o prazer de degustar as iguarias do chefe José Júlio Vintém (JJV), tendo a última ocorrido em 2010 e dado origem à crónica "Almoço no Tomba Lobos", publicada em 3/5/2010, a que se seguiu, em consequência, "2010 : na hora do balanço (II)", publicada em 2/1/2011.
Disse, na 1ª das 2 aqui referidas, "Foi aqui que fiz, há coisa de 2/3 anos, a melhor refeição alentejana da minha vida!". Só que na altura não tinha o blogue e aquele momento não ficou registado, uma pena!
Depois desta introdução, é a altura de falar no Picamiolos, o restaurante que o JJV abriu recentemente em Lisboa. É um espaço alargado, com pequenas salas para grupos reduzidos, muito bem decorado, mesas despojadas, guardanapos de pano e música de fundo alta (não havia necessidade...).
A ementa, deveras original, contempla 10 entradas, 9 pratos, 5 guarnições e 4 sobremesas.
Não podendo provar um pouco de tudo, escolhi para partilhar com a minha companheira:
.couvert (pão e patés de azeitona e de fígados)
.pétalas de toucinho
.costoletas de coelho
.orelha de porco com favas
.focinho de porco grelhado
Uma delícia!
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes (1 a copo), 2 champanhes, 17 brancos (5), 2 rosés (1), 22 tintos (6), 4 Portos (3), 2 Madeiras (2) e 3 Moscatéis (3). Lista abrangente, com preços nada especulativos. Mas, lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos. Também não vi qualquer referência a cervejas artesanais, que estão agora na moda. À atenção do chefe.
Optei por um copo de Meandro 2016 - frutado , alguma acidez, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Interessante, mas sem deslumbrar. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e servida uma boa quantidade num copo Riedel, a uma temperatura correcta (o restaurante possui armários térmicos, uma mais valia). Serviço eficiente e profissional.
Recomendo e tenciono voltar.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Grupo dos 3 (65ª sessão) : 2 surpresas e 1 desilusão

Esta última sessão decorreu no restaurante do Clube dos Jornalistas, com vinhos da minha garrafeira. Foi o 22º espaço de restauração escolhido por mim, cumprindo o objectivo de levar os meus amigos Juca e João sempre a um restaurante diferente. Para memória futura, já fomos ao Nariz de Vinho Tinto*, A Commenda*, Assinatura*, Xico's*, Manifesto*, Sem Dúvida, Casa da Comida*, Bg Bar*, Tapas & Wine Bar Tágide, Jacinto, Rubro Avenida, Chefe Coreiro*, 1300 Taberna, Avenue*, deCastro Flores*, Lisboète, Faz Gostos, Bagos Chiado*, Descobre, Lumni e Real Marisqueira. Os espaços assinalados com * já fecharam ou mudaram de mãos e conceito (50 % do total).
O Clube dos Jornalistas já foi aqui referido recentemente em "A maioridade dos Lavradores de Feitoria (II) : a Prova e o Jantar", crónica publicada em 8/11/2018. Resta dizer que o dono do restaurante e responsável pelos tachos, com base na cozinha brasileira, é o chefe Ivan Fernandes.
Nesta sessão esteve sempre presente e foi o responsável pelo magnífico serviço de vinhos, o nosso antigo cliente José Caetano. Foi um prazer em voltarmos a estar com ele.
Depois deste intróito, que já vai longo, vamos aos beberes e comeres:
.Maria João Private Colection 2013 (garrafa nº 2341/3300) - vinho branco vencedor do IX Concurso "Os Melhores Vinhos do Dão 2018"; enologia de Osvaldo Amado, com base nas castas Encruzado e Malvasia Fina; fresco e mineral, presença de citrinos, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). Um branco delicioso e gastronómico, praticamente desconhecido. Nota 18,5.
Este branco acompanhou o couvert (3 pães feitos na casa, azeite e paté de cenoura) e 4 pequenas entradas (bolinhos de arroz, mozzarella com algas, creme de milho com milho frito e carne fumada e curada). Tudo com qualidade, com excepção do desinteressante paté.
Por simpatia da casa, foi ainda provado o vinho Opção 2017, um branco Regional Minho, muito fresco e mineral, mas que foi esmagado pelo Maria João. Uma pena.
.Maria João Private Colection 2008 (garrafa nº 2846/3200) - enologia de Osvaldo Amado, com base nas castas Touriga Nacional (50 %), Tinta Roriz (20 %), Alfrocheiro (20 %) e Jaen (20 %); nariz contido, ainda com alguma fruta, notas florais, belíssima acidez, especiado ligeiro, taninos presentes e civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18.
Harmonizou com um belo robalo e risotto de lima.
.Quanta Terra Inteiro 2008 (1 das 1500 garrafas lançadas agora) - Prémio Excelência 2018, atribuído pela Revista de Vinhos; enologia de Celso Pereira e Jorge Alves, com base nas castas Touriga Franca e Touriga Nacional em vinhas velhas, estagiou 3 anos em barricas e 6 em cubas de cimento; aroma discreto, alguma fruta e acidez, taninos impressionantes, algum volume e final de boca persistente, mas a faltar-lhe maior complexidade (14 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Uma desilusão relativa, perante a expectativa criada à volta deste tinto. Nota 17,5+.
Maridou com kefta (uma espécie de hambúrguer de borrego), batatinhas assadas e pak choy.
.Moscatel Roxo 20 Anos JMF (engarrafado em 1987 numa botelha de 0,75) - nariz contido, presença de frutos secos, mel e citrinos, acidez no ponto, volume e final de boca assinaláveis. Uma raridade. Nota 18.
Acompanhou uma sobremesa de chocolate, banana e foi gras.
Foi mais uma boa sessão deste grupo de enófilos da linha dura, com a gastronomia e serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Um curioso espaço de restauração : Mami Organic Food - 3,5 *

O Mami Organic Food fica no Centro Comercial Picoas e é uma boa surpresa, mas precisa de afinações na cozinha. A componente vínica é bem melhor.
Dispõe de uma sala ampla, luminosa e confortável, para além de um espaço junto ao bar. Mesas despojadas, mas com guardanapos de pano e, ainda, um pormenor delicioso, os talheres são postos dentro de uma caixa, que me fez lembrar a caixa dos lápis no tempo da minha instrução primária. Na mesa, uma garrafa Mami com água.
No menu constam 12 entradas para partilhar, 6 hambúrgueres, 2 saladas, 7 pratos, 6 acompanhamentos e 7 sobremesas.
Numa primeira visita escolhi como prato um dos hambúrgueres, o Açores (à base de vaca em pão lêvedo que não é aquecido e, daí, pouco interessante) e como sobremesa uma sensaborona tarte de alfarroba e figo.
Numa segunda visita optei por um dos pratos principais, o espadarte com batata doce assada, já num patamar muito aceitável.
Quanto à componente vínica, inventariei 2 espumantes, 4 champanhes, 35 brancos (4 a copo), 5 rosés (1), 44 tintos (3), 2 colheitas tardias e 7 Vinhos do Porto. A selecção não é nada óbvia e tem o acento tónico nos vinhos Bio.
Este espaço dispõe de armários térmicos, com capacidade para dezenas de garrafas, embora a temperatura a que estão (18º) seja demasiado elevada.
Numa das visitas bebi um copo do tinto Casa de Mouraz 2014 - com base nas castas tradicionais e, ainda, Agua-Santa, Tinta Pinheira e Baga, estagiou parcialmente 8 meses em barricas de carvalho francês; alguma fruta e acidez, ligeiro pico na boca (maloláctica mal resolvida?), taninos suaves, volume e final de boca médios (13 % vol.). Nota 14.
A garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade correcta.
Serviço profissional, eficiente e rápido, embora distante.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Os Óscares do Vinho (2018)

Em jantares recentes foram divulgados os "óscares do vinho" atribuídos pelas revistas da especialidade, primeiro a Revista de Vinhos (RV) com 30 "Vinhos de Excelência" e a seguir a Vinho Grandes Escolhas (GE) com o seu TOP 30.
A distribuição dos prémios pelos vários tipos de vinho são algo semelhantes, com a GE a distribui-los por 1 espumante (3 % do total), 6 brancos (20 %), 17 tintos (57 %) e 6 fortificados (20 %), enquanto a RV atribuia a 1 espumante (3 %), 8 brancos (27 %), 16 tintos (53 %) e 5 fortificados (17 %).
De referir o inesperado peso dos brancos na RV, contrariando os resultados da amostragem relativa a Novembro e Dezembro 2017 e Janeiro 2018, expressos nas crónicas "Como estamos de brancos (e tintos, já agora)? O que dizem as revistas especializadas." (1ª parte) e (2ª parte), publicadas em 13 e 15 de Março 2018, neste blogue.
Passando por cima dos espumantes (1 prémio para cada lado) e analisando os prémios atribuídos aos brancos, a GE privilegia a Região Vinhos Verdes (com 3), distribuindo os outros 3 pelo Douro, Bairrada e Alentejo, enquanto a RV é mais democrata, espalhando os seus eleitos por Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada, Setubal, Alentejo, Açores e outro sem região. Quanto aos vinhos em si, a RV apostou em referências desconhecidas da maior parte dos enófilos, eu incluido (Coz's Vital e Titan Vale dos Mil), enquanto a GE se ficou por marcas consagradas. De sublinhar que apenas 1 branco constou nas 2 listas, o Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2017.
Quanto a tintos, a GE distribuiu os seus eleitos por 6 Regiões (5 Douro, 4 Dão, 4 Alentejo, 2 Bairrada, 1 Tejo e 1 Setúbal), voltando a RV a ser mais democrata com 8 Regiões (5 Douro, 3 Dão, 3 Alentejo, Vinhos Verdes, Trás-os-Montes, Bairrada, Lisboa e Tejo, com 1 cada). Nas marcas, a RV voltou a arriscar, com alguma referências pouco badaladas (Giz Vinha dos Cavaleiros e Mythos). Teve, ainda, o atrevimento de atribuir uma das suas Excelências a um verde tinto, o Aphros Vinhão! De referir que apenas 2 dos tintos foram seleccionados por ambas as revistas, Qtª do Crasto Maria Teresa 2015 e Qtª do vale Meão 2016.
Finalmente, nos fortificados, a GE atribui os seus prémios a 4 Porto Vintage 2016, 1 Madeira e 1 Moscatel 20 Anos, enquanto a RV privilegiou 1 Porto Vintage 2016, 1 Porto Tawny, 2 Madeira e 1 Moscatel (o polémico Roxo Superior 1918, que mereceu 19,5 desta revista e 20 da GE). Apenas 1 dos fortificados foi eleito pelas 2 revistas, o Porto Vintage Grahm's Stone Terraces 2016.
Finalmente, quem ainda não souber quais os 60 premiados, pode consultar o blogue "o vinho em folha", para o qual tenho um link.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Vinhos em família (XCIV) : 1 branco e 2 tintos de respeito

Mais 4 vinhos (1 branco e 3 tintos) bebidos em casa, em contexto familiar, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Qtª da Pellada Primus 2015 - 94 pontos no Parker, Top 30 da Grandes Escolhas e Prémio Excelência da RV; com base em vinhas velhas com predominância da casta Encruzado, estagiou 2 anos em garrafa; aroma intenso e complexo, citrinos e fruta de caroço, notas florais, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Um dos grandes brancos produzidos em Portugal. Nota 18,5.
.Qtª do Vallado Reserva 2011 - 96 pontos na Wine Spectator e 94 no Parker; com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês; ainda com muita fruta vermelha, boa acidez, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Outrora Baga Clássico 2011 - 92 pontos na Wine Enthusiast; com base na casta Baga (100 %) em vinhas velhas, estagiou 2 anos em barricas de carvalho; ainda com muita fruta preta, acidez equilibrada, algo especiado, taninos afirmativos, algum volume e final de boca persistente (14 % vol.). Merece decantação. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5+.
.Qtª da Romaneira 2012 - 91 pontos na Wine Spectator e 92 na Wine Enthusiast; com base nas castas Touriga Nacional (75 %), Touriga Franca (15 %) e Tinto Cão (10 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; ainda com muita fruta vermelha, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos algo bicudos, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Mais espaços de restauração : Legaaal e Bistrô du Consulat

1.Legaaal 3,5 *
Fica na Rua da Rosa, 237 e pratica uma interessante cozinha afrancesada. Mesas despojadas, guardanapos de papel, espaço informal com mesas e cadeiras desencontradas e muito desconfortável nesta altura do ano (a enorme porta da rua esteve sempre escancarada, se calhar para deixar sair o cheiro a tabaco, muito presente quando eu cheguei).
Ementa muito reduzida e presente numa mera ardósia. Antes de vir o prato que escolhi, um bife de atum, ofereceram-me uma bela sopa acompanhada do magnífico pão da Gleba. O atum também estava francamente saboroso, podendo eu concluir pela qualidade da cozinha do Legaaal.
Quanto à componente vínica, a lista é confusa, tendo inventariado 2 espumantes, 34 brancos, 2 rosés, 36 tintos e 11 vinhos do Porto, sem qualquer indicação de vinhos a copo, mas com os anos de colheita presentes. Tinha lido na Time Out que este restaurante tinha 200 referências e todas a copo! Uma afirmação leviana, pois a oferta não chega a 100 vinhos e é omissa quanto à possibilidade de se beber a copo.
Perante a minha insistência, o dono que almoçava na mesa do lado, indicou 2 ou 3 vinhos que se podiam provar a copo. Optei pelo Vicentino Syrah 2016 (3,50 €) - com muita fruta presente, alguma acidez, taninos, volume e final de boca assinaláveis. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e a uma temperatura nos limites ( o armário térmico estava a 17/18º). Serviço eficiente e cordial.

2.Bistrô Le Consulat - 2,5 *
Fica na Praça Luis de Camões, 22 (1º andar) e é o último espaço de restauração do chefe André Magalhães, agora autointitulado de "taberneiro". Sala acolhedora, mesas com um toalhete (?) de ráfia e guardanapos de papel. Na ementa constam 7 entradas, 5 pratos, 4 acompanhamentos e 3 sobremesas, para além das tábuas de queijos e enchidos.
Escolhi o arroz de polvo, que afinal era um arroz com polvo e ovos mexidos (!), um prato nada tradicional mas que estava bem saboroso.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes, 5 brancos, 3 rosés e 6 tintos, todos a copo. A lista, além de curta, tinha falhas e não indicava os anos de colheita.
Optei pelo Vallado 3 Melros 2016 (5,50 €, uma exorbitância) - com fruta vermelha, alguma acidez, taninos suaves, algum volume e final de boca persistente. Elegante e consistente. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado aprovar num bom copo. No entanto a temperatura estava acima do razoável. Perante o meu reparo, a empregada, muito simpaticamente, prontificou-se a mergulhar a garrafa em água e gelo. Só quando veio a comida é que serviu o vinho que já estava a uma temperatura adequada.
Não há desculpas para esta falha num dos espaços do conceituado chefe. Mais, no wine bar ao fundo da sala não vislumbrei qualquer máquina térmica para controlo das temperaturas dos tintos. Incompreensível!