terça-feira, 30 de abril de 2019

Novo Formato+ (33ª sessão) : 3 belos vinhos vindos de Espanha

Esta última sessão e a 1ª deste ano, decorreu "chez" Paula/João, sendo a anfitriã a responsável pelos tachos (de salientar um belíssimo cozido) e o João pelos vinhos.
Com bons copos Schott na mesa, desfilaram:
.Porto Senhora do Convento Branco Meio Seco - foi o vinho de boas vindas e acompanhou frutos secos. Agradável, mas sem ficar na memória. Nota 16,5.
Os 3 vinhos que se seguiram (1 branco e 2 tintos produzidos em Espanha), vieram em garrafa magnum e foram provados às cegas.
.Albariño de Fefinanes 2014 - aromático, presença de citrinos e fruta de caroço, notas florais, equilíbrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Nota 17,5+.
Maridou bem com queijos (Serra, creme e um surpreendente brasileiro) e enchidos.
Depois de uma salada de alface, mexilhões, camarões e fruta tropical, para limpeza dos palatos, seguiram-se os tintos
.San Roman 2007 (Toro) - 93 pontos na Wine Spectator e no Parker, estagiou 25 meses em barricas de carvalho francês e italiano; aromático, ainda com fruta, notas especiadas, bela acidez, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Complexo e equilibrado, a beber nos próximos 8/9 anos. Nota 18,5.
.Aalto 2008 (Ribera del Duero) - 95 pontos no Parker; com base na casta tempranillo (tinta roriz) em vinhas velhas, estagiou 23 meses em barricas de carvalho francês; mais floral e fresco que o anterior, acidez no ponto, especiado, taninos correctos, algum volume e final de boca persistente (14 % vol.). Nota 18. A beber nos próximos 10 a 12 anos.
Estes 2 tintos harmonizaram com um cozido à Paula (carnes, enchidos, couves e feijão).
.Porto Senhora do Convento 40 Anos (não foi detectada a data de engarrafamento) - presença de frutos secos, casca de laranja, acidez no ponto, taninos suaves, volume e final de boca médios. Nota 17.
Este tawny acompanhou um bolo de caramelo e noz.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Paula! Obrigado João!

sábado, 27 de abril de 2019

Os 45 anos do 25 de Abril : Cravos, Livros e Música

1.Cravos
À semelhança de anos anteriores, almocei com uns tantos amigos no restaurante da Associação 25 de Abril (a propósito, este restaurante é público), com as mesas cheias de cravos. E foi, de cravo na mão, que desfilei Avenida da Liberdade abaixo, até ao Rossio.
Muitos cravos, muita alegria, milhares de participantes e muita juventude, o que é uma boa surpresa.

2.Livros
Alusivos ao momento histórico, foram publicados os livros:
."A Noite que Mudou a Revolução de Abril", com coordenação de Almada Contreiras (ex-Conselho da Revolução) e participação de Vasco Lourenço (Associação 25 de Abril) e Jacinto Godinho (jornalista da RTP) (Edições Colibri).
O livro tem como base a transcrição da gravação da Assembleia Militar de 11 de Março 1975, erradamente conhecida como "assembleia selvagem", que não foi.
."Todos ou Nenhum", de João Menino Vargas (Edições Colibri).
O autor foi o principal protagonista, como delegado do MFA, na libertação dos presos políticos em Caxias, logo a seguir ao dia 25 de Abril. Da sua histórica intervenção, nasceu esta peça de teatro em 7 actos.

3.Música
Os Dias da Música, a decorrer no CCB, e nos quais tenho participado desde o primeiro, nada têm a haver com o 25 de Abril. É, apenas, uma coincidência de calendário.
Deveras importante, nas comemorações destes 45 anos do 25 de Abril, foi o lançamento do livro-álbum "Zeca Afonso inédito", com textos do jornalista Adelino Gomes e a inclusão de dois CD, a partir das gravações dos concertos em Coimbra (4/5/1968) e em Carreço (23/2/1980), uma aldeia perdida no Minho, e ainda um LP (apenas com as músicas do concerto de Coimbra). Edição limitada a 2875 exemplares.
Notável é, ainda, a peça jornalística da Alexandra Prado Coelho, sobre este tema, publicada na newsletter diária SAPO24, no próprio dia 25.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Grupo FJF (9ª sessão) : 2 tintos 2007 e 1 branco 2012

Mais uma boa sessão no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos. Desfilaram:
.Dona Berta Vinha Centenária Reserva 2012 (levada pelo Frederico) - enologia de Virgílio Loureiro; com base nas castas tradicionais do Douro, plantadas a 500 metros de altitude; nariz austero, presença de citrinos e fruta madura, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Este branco acompanhou as entradas habituais e filetes de peixe galo com arroz de grelos.
.Qtª de Cidrô Marquis 2007 (levada por mim) - com base nas castas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon; nariz exuberante, fruta ainda presente, notas de esteva e chocolate preto, acidez no ponto, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo (14,5 % vol.). Fresco e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Niepoort DW Reserva 2007 (garrafa nº 439/960, também levada por mim) - nariz discreto, alguma fruta vermelha, notas minerais, taninos macios, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Uma curiosidade da Niepoort, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com pernil no forno.
O que restou do branco maridou com queijo da serra e pastéis conventuais.
Mais uma boa sessão vínica, com a "descoberta" de 2 tintos fora dos radares habituais.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Jantar Mota Capitão

Este evento decorreu na Casa da Dízima (já aqui referida "n" vezes) e contou com o José Mota Capitão, produtor dos vinhos da Herdade do Portocarro, já meu conhecido dos tempos das Coisas do Arco Vinho (CAV). Foi um gosto "revê-lo". Quando do uso da palavra, referiu-se em termos elogiosos aos antigos donos das CAV (o Juca e eu, ambos presentes neste jantar) e teve uma palavra simpática para este meu blogue. Os meus agradecimentos.
Com bons copos Schott na mesa, temperaturas adequadas e os vinhos a chegar antes da comida (o Cavalo Maluco foi a excepção), sob a batuta do Pedro Batista, desfilaram:
.Autocarro nº 13 2018 rosé - foi o vinho de boas vindas, ainda antes de nos sentarmos, cumprindo a sua missão.
.Manda Chuva 2018 branco - um branco produzido a partir de castas tintas; nariz discreto, fresco e mineral, alguma fruta cítrica e acidez, notas vegetais, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Adequado a entradas leves. Nota 16,5.
Harmonizou com vieira fresca em azeite de crustáceos e ceviche de manga.
.Gerónimo 2017 branco - Prémio Excelência 2018 atribuído pela Revista de Vinhos, bem merecido; nariz exuberante, presença de citrinos e fruta madura, equilibrio entre a acidez e a gordura, bom volume e final de boca assinalável (13 % vol.). Muito equilibrado e gastronómico, foi o vinho da noite, para mim. Nota 18.
Casou muito bem com lombo de pregado corado sobre puré de pastinaca (o prato da noite).
.Herdade do Portocarro 2015 - com base nas castas Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; presença de fruta vermelha, notas vegetais, alguma acidez, taninos suaves, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 16,5.
Não ligou com ravioli de trufa branca e cogumelos selvagens.
.Anima L12 - com base na casta Sangiovese; aromas e sabores terciários, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, delgado de corpo, mas final de boca persistente (13 % vol.). Fresco e elegante, está no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Teria ligado bem com o ravioli.
.Cavalo Maluco 2012 - ainda com muita fruta vermelha, notas vegetais, acidez evidente, algo especiado, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos acompanharam carré de cordeiro de leite com puré de alfarroba.
.Herdade do Portocarro Partage Sercial 2017 (garrafa nº 29/1467) - desmaiado na cor, aroma complexo, fresco, mineral e adocicado, bela acidez, volume e final de boca médios. Um branco original ao estilo alemão. Nota 17.
Vocacionado para acompanhar pratos asiáticos, não ligou com o carpaccio de ananás.
Uma nota final, o site da Herdade do Portocarro está muito desactualizado. À atenção do produtor.

domingo, 21 de abril de 2019

Provar vinhos com a CVR Lisboa

1.A convite da CVR Lisboa, tive a oportunidade de provar alguns vinhos da Região Lisboa, no espaço do Peixe em Lisboa (que, por sinal, estava às moscas), onde não foi incluído nenhum dos pesos pesados mais emblemáticos desta Região, como é o caso da Qtª Monte d' Oiro ou a Qtª de Chocapalha. Uma pena...
O actual presidente é o Francisco Toscano Rico (que eu não conhecia), vindo da vice-presidência do IVV e que veio substituir o Bernardo Gouvêa (que eu conheci bem nos seus tempos na Herdade do Esporão e, posteriormente, na Bacalhôa) que, por sua vez, foi catapultado à presidência do IVV. Uma ascensão meteórica, que não lhe deu tempo de aquecer o lugar na CVR Lisboa.

2.Ao contrário do que aconteceu na visita à Herdade de São Miguel, nesta prova a blogosfera vínica esteve bem representada. Para memória futura, participaram:
.Avinhar (Luís Gradíssimo)
.Clube de Vinhos Portugueses (Jorge Cipriano e Luís Miraldo)
.Comer, Beber, Lazer (Carlos Janeiro)
.Enófilo Militante (eu, próprio)
.Vinho do Porto Vintage (Carlos Janeiro)
.VIP Gourmet (Virgínia Esteves)
.Winelicious (Natália Pereira) e, ainda
.Ricardo Rodrigues da Pressmedia, a agência organizadora

3.Antes de ir para a mesa, provei o Casa Santos Lima Arinto 2017, fresco e mineral, foi uma boa introdução à prova (nota 16,5).
Já na mesa, a prova foi orientada pela enóloga Madalena Sena Esteves, muito jóvem, mas muito segura, auguro-lhe futuro nestas andanças.
Acompanhados por tapas e pequenos pratos elaborados pelo chefe Paulo Morais (tenho acompanhado a sua carreira, desde o restaurante que teve em Oeiras *) que veio à mesa, desfilaram:
.Mundus 2017, um branco leve da casta Fernão Pires (nota 15,5).
.Sottal 2017, outro branco leve, mas este com excesso de gás e doçura (13).
.Adega Mãe Pinta Negra Rosé 2018, com notas vegetais a imporem-se (14,5).
.Qtª dos Amores Rosé 2017, frutado, fresco e final seco (15,5).
.Lasso Colheita Seleccionada 2017, fresco e mineral (16,5).
.Peripécia Chardonnay 2018, notas mais vegetais e mais amanteigado (15,5).
.Carcavelos Villa Oeiras Superior, muito cítrico, fresco e bom equilibrio acidez/gordura. A confirmação (17).
.Qtª São Francisco Colheita Tardia 2010, fresco e elegante, complexo e harmonioso. A surpresa (17,5).
* O chefe abriu recentemente em Belém (Rua dos Jerónimos, 12) o Tsukiji, que promete e tenciono visitar.

4.É de louvar a postura da CVR Lisboa, ao ter aberto uma loja no Mercado da Ribeira, o que mais nenhuma Região fez (que eu saiba).
Disso dei fé na crónica "Curtas (CV) : a loja da CVRL, (...)", publicada em 3/11/2018.
Mas, por outro lado, a CVR Lisboa tem estado parada, se comparada com as iniciativas da sua vizinha do Tejo. Destas dei fé em:
."À volta da casta Fernão Pires (1ª parte) : a prova didáctica", em 3/4/2018
."À volta da casta Fernão Pires (2ª parte) : o almoço", em 8/4/2018
."Tejo no feminino (1ª parte) : os vinhos", em 5/6/2018
."Tejo no feminino (2ª parte) : o almoço", em 7/6/2018
."Tejo Gourmet (I) : a cozinha ribatejana em Lisboa", em 28/2/2019 e mais 2 crónicas sobre os restaurantes visitados por mim.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Grupo dos 3 (67ª sessão) : a Bairrada no seu melhor

Esta última sessão foi da minha responsabilidade, tendo levado 1 branco, 2 tintos (todos os 3 da Bairrada) e 1 fortificado. Escolhi o restaurante Lugar Marcado (o 23º onde decorreram estes almoços, com vinhos da minha garrafeira), já aqui referido nas crónicas:
."2018 - na hora do balanço (VI) : TOP espaços de restauração", em 22/1/2019
."Um trio maravilha (1ª parte) : Lugar Marcado", em 17/4/2018
Por iniciativa da Fátima Rodrigues, a dona do restaurante, já nossa conhecida dos tempos do Descobre, foram provados 3 azeites, Qtª dos Nogueirões (Douro), Terrenus (Alentejo) e Qtª Vale Meão (Trás-os-Montes), saindo  vencedor este último.
Quanto aos vinhos, desfilaram:
.Messias Clássico 2012 - com base nas castas Bical e Sercial; cor dourada, presença de citrinos e fruta madura, bom equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12 % vol.). Complexo, gastronómico e ainda longe da reforma. Nota 18.
Acompanhou chamuças de bacalhau, berbigão e camarões panados.
.Aliança Baga Clássico by Quinta da Dôna 2011 - enologia de Francisco Antunes; estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês e russo; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca extenso (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5
Curiosamente, em pesquisa recente na net, verifiquei que o crítico Manuel Carvalho, no Fugas de 17/3/2018, os pôs lado a lado, atribuindo-lhes rasgados louvores. Há cada coincidência...
.2221 Terroir Cantanhede 2011 (garrafa nº 2591/4442) - à semelhança dos chefes, este é um vinho a 4 mãos, a saber, José Carvalheira (Caves de São João) e Osvaldo Amado (Adega de Cantanhede); com base nas castas Baga (60 %) e Cabernet Sauvignon (40 %), estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; muito fresco, notas florais e vegetais, acidez no ponto, algum volume e final de boca (14 % vol.). Ainda a crescer, deve ser bebido nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos harmonizaram com coelho frito, pica-pau do lombo e presa de porco preto e companhias (puré de batata doce, milho frito e batata salteada com pesto).
.Niepoort 20 Anos (engarrafado em 1972) - presença de frutos secos, acidez pronunciada, especiarias, complexidade, volume e final de boca notáveis. Uma raridade com mais de 70 anos. Nota 18,5.
Este fortificado maridou com bolo rançoso, leite creme e sortido de gelado.
A terminar, é de toda a justiça salientar:
.os vinhos portaram-se todos muito bem e a Bairrada esteve no seu melhor
.tudo o que veio para a mesa estava muito bom (a cozinha está bem entregue, mas não saber o nome da responsável é uma falha minha)
.a Fátima é a relações públicas, chefe de sala e escanção (praticou um serviço de vinhos de luxo, com copos Schott, vinhos decantados e temperaturas correctas), um 3 em 1 notável
.o Lugar Marcado merece a pontuação de 4,5 * (em 5) e é um espaço que os gastrónomos e os enófilos devem conhecer.

Em tempo:
A responsável pelos tachos é a Sandra Carvalho.

terça-feira, 16 de abril de 2019

A Herdade de São Miguel e a Blogosfera (2ª parte) : o almoço, o site e etc

continuando...

4.O almoço
A seguir à visita, o grupo foi recebido pelos anfitriões na sua residência, no meio das vinhas da Herdade de São Miguel, a poucos quilómetros da adega, a Vera Sá da Bandeira (a comercial da empresa nos tempos das Coisas do Arco do Vinho) e o Alexandre Relvas (filho).
Durante o repasto provámos mais 8 vinhos (não sei se me escapou algum), estes já engarrafados, alguns dos quais me deram muito prazer.
Com uma tábua de queijos e enchidos, bebemos os brancos:
.Madxa 2018, um lote de Arinto e Fernão Pires, com um bom equilibrio entre a acidez e a gordura. Nota 16,5.
.Herdade de São Miguel (nos próximos vou abreviar para HSM) Colheita Seleccionada 2016, um lote de Antão Vaz, Verdelho e Viognier, muito frutado mas menos interessante que o anterior. Nota 15,5.
De referir o baixo teor alcoólico destes brancos (12,5 % vol.).
.HSM Arinto Esquecido 2017, fresco e mineral, citrinos e fruta de caroço, notas vegetais, acidez no ponto, algum volume e final de boca. É um branco de guarda e gostava de o voltar a provar daqui a 2 ou 3 anos. Complexo, deu-me muito prazer bebê-lo. Nota 18.
Com um belíssimo cozido (só faltou a orelha do porco), desfilaram 4 tintos:
.HSM Colheita Seleccionada 2017. Nota 16,5.
.HSM Trincadeira 2014. Nota 17.
.HSM Pé de Mãe 2016, um lote de Trincadeira, Aragonês e Castelão que deu origem a apenas 4000 garrafas. Muito fresco, complexo e elegante, também me deu muito prazer. Nota 18.
De referir que no Público de 6 de Abril (suplemento Fugas), o crítico Pedro Garcias lhe teceu um grande elogio e atribuiu 96 pontos em 100.
.HSM The Friends Collection 2015. Nota 17,5.
Finalmente, com uma sobremesa bem alentejana (sericaia)
.HSM Late Harvest/Colheita Tardia 2014, longe do perfil que eu aprecio. Nota 15.
Foi um grande almoço, sendo de salientar:
.os copos eram Schott (na adega eram Riedel, um luxo!)
.a simpatia dos filhos do casal, a Francisca e o Alexandre (o III), que andaram a distribuir prendas pelo grupo (pedrinhas e desenhos, uma delícia)

5.O "site"
A Herdade de São Miguel (HSM) tem um "site" bem desenhado, com muita informação e que me pareceu estar actualizado, do qual retirei ter:
.350 ha de vinha (metade própria e metade comprada)
.produzir 3 milhões de garrafas
.exportar para 30 países
.99 referências de vinho! (só em rótulos, devem gastar uma fortuna)
.preocupações ambientais
.preocupações sociais, de apoio a famílias carenciadas, a saber
..Cozinha com Alma (em Cascais)
..Centros de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (Cascais, Lisboa e Setúbal)

6.O que falta dizer
.A HSM conta, como consultores, com 2 enólogos prestigiados (Luis Duarte nos tintos e Mário Andrade nos brancos)
.No final da visita, foi oferecida a cada um de nós uma garrafa do tinto Art.Terra Amphora 2017.
.A visita foi organizada pela Chefs Agency.

Resumindo e concluindo, correu tudo bem. Os meus agradecimentos aos anfitriões.

sábado, 13 de abril de 2019

A Herdade de São Miguel e a Blogosfera (1ª parte) : a visita à Adega

1.Introdução
É sempre de louvar a atenção prestada por alguns produtores e organizações vínicas ao mundo da blogosfera. No passado, participei em visitas e eventos patrocinados por José Maria da Fonseca, João Portugal Ramos, Herdade das Servas, Lavradores de Feitoria, Quinta do Crasto, Duorum, Adega Mãe, Herdade Paço do Conde, Quinta da Alorna, Quintas de Melgaço, Adega Cooperativa da Vidigueira e CVR Tejo, tendo daí resultado a publicação de 1 ou mais crónicas para cada um destes momentos. Mais recentemente, participei numa prova organizada pela CVR Lisboa da qual oportunamente darei fé.
Agora foi a vez da Casa Relvas, detentora da Herdade São Miguel, o nome de uma das suas vinhas e, também, dos seus vinhos mais emblemáticos. Para evitar confusões com outra Casa Relvas (Casa-Estúdio Carlos Relvas, na Golegã), referir-me-ei sempre à Herdade São Miguel.

2.O grupo visitante
Responderam ao convite os blogues
.And This is Reality (Tiago da Costa Miranda)
.As minhas escolhas (António Mendes Nunes)
.Copo Meio Cheio (Miguel Zegre e Pedro Almeida)
.Gastrossexual (Pedro Cruz Gomes)
.Gourmets Amadores (Suzana Parreira)
.Enófilo Militante (eu, próprio)
.Entre Vinhas (Madalena Vidigal)
.Mesa do Chefe (Raul Lufinha)
Não sei que critérios foram usados nos convites, mas acho que a blogosfera puramente vínica precisava de uma maior representação.

3.A visita à Adega
A visita à adega, "situada no centro das vinhas da Herdade de São Miguel", no concelho do Redondo, foi orientada pelo Alexandre Relvas (filho) vestido de bata branca, o que nos obrigou a usar uma fatiota semelhante (tamanho "standard", ficando uns apertados e outros folgados).
No decorrer da visita, provámos uns tantos vinhos tirados, no momento, das cubas ou das barricas onde estagiavam, uns já prontos para engarrafamento (Arinto Esquecido e rosé, ambos de 2018) e outros para entrarem em lotes (Touriga Nacional e Trincadeira 2017 e, ainda, Alicante Bouschet e Touriga Franca 2018).
Estas provas de vinhos ainda em construção são algo penosas. É mais gratificante prová-los já engarrafados e harmonizando-os com a gastronomia apropriada, o que veio a acontecer no almoço, que será relatado na 2ª parte desta crónica.

continua...

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Curtas (CXI) : Monte Mar, Enóphilo Wine Fest e Bairradão

1.Monte Mar no Mercado da Ribeira
Em recente regresso ao Mercado da Ribeira, abanquei no Monte Mar, já aqui referido na crónica "Mercado da Ribeira : Monte Mar" (24/2/2015), situado num dos corredores laterais, onde é possível arranjar um lugar ao balcão, já que no centro, encontrar um lugar sentado é mais complicado que achar uma agulha no palheiro.
Desta vez comi uns belíssinos filetes de pescada (2 bons nacos lascados) com arroz de berbigão, que foram acompanhados por um copo do branco Kopke 2017 (5 €, um preço inflacionado) - frutado (citrinos bem presentes), acidez equilibrada, volume e final de boca médios. Fresco e correcto. Nota 16. A garrafa foi mostrada, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.

2.Enóphilo Wine Fest
Mais um edição (a 5ª) deste Enóphilo, da responsabilidade do Luis Gradíssimo, que terá lugar no Lisbon Marriott Hotel no dia 27 de Abril.
Este evento contará 40 produtores, 3 provas especiais e 1 jantar vínico.

3.Bairradão
Nesta 6ª edição, já aqui referida, o evento Bairradão tem confirmados 33 produtores e, ainda, 2 Provas Especiais com:
.Vinhos da Bairrada, orientada pelos enólogos Luis Patrão e Luis Gomes
.Vinhos do Dão, orientada pelo enólogo Osvaldo Amado

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Espaços de restauração revisitados : Santa Clara dos Cogumelos e Farol da Torre

.Santa Clara dos Cogumelos - 4 *
Já me referi a este espaços por diversas vezes, sendo a última em "Espaços de restauração : 2 revisitas e 1 descoberta", crónica publicada em 22/11/2017.
A qualidade da comida, com base nos cogumelos, continua em alta e a componente vínica continua na mesma, isto é, fraca. A minha defesa é continuar a beber a belíssima cerveja artesanal Creature IPA da Dois Corvos, mais barata e melhor que os vinhos a copo neste restaurante.
Desta vez provei/comi:
.Tártaro de cogumelos com gema curada em massa kadafei
.Risotto Santa Clara com cogumelos
.Gnocchi de batata com mix de cogumelos
.Temperança de Santa Clara com alfarroba, chocolate e gelado de requeijão, mas sem cogumelos.
Recomendo e tenciono voltar sempre!

.Farol da Torre - 4 *
Este restaurante, quando ainda funcionava em Pedrouços, era o local onde costumávamos jantar em dias de provas nas Coisas do Arco do Vinho. Com os pais já reformados, o Farol da Torre está entregue às filhas e bem entregue. A cozinha mantém-se em nível alto e o serviço eficiente e simpático.
No entanto, o espaço em Linda-a-Velha (Rua Marcelino Mesquita, 13 - Loja 5, bem perto da estação de serviço) é apertado para tanta clientela e deveras barulhento. Depois de badalado recentemente na Visão, Time Out e Expresso (o crítico Fortunato da Câmara teceu-lhe os maiores e merecidos elogios), só com marcação, sob pena de ter que esperar algum tempo por uma mesa livre.
Nesta revisita comi morcela assada e sarapatel de javali, 2 dos ex-libris da casa, pratos servidos em doses avantajadas.
Quanto à componente vínica, têm um curioso sistema que eu não conhecia: 6 torneiras por onde o vinho sai naturalmente e não à pressão. Cada torneira representa uma casta, a saber Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Arinto e Chardonnay, sendo possível o cliente preparar o seu próprio lote. Os vinhos são provenientes da Quinta da Romeira (gama Principium), agora pertença da Sogrape.
O meu copo, por desconhecimento meu, veio apenas com Touriga Nacional. A quantidade era generosa e o recipiente de qualidade. Vinho correcto, com alguma fruta, acidez e volume e acentuadamente gastronómico (nota 16,5). Por 3 €, não se pode exigir mais. Este sistema ainda não está dessiminado, sendo o Farol da Torre um dos poucos espaços de restauração onde é possivel ser-se enólogo por 1 ou 2 horas.
Recomendo e tenciono voltar!

terça-feira, 2 de abril de 2019

Março 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 15 crónicas publicadas em Março 2011, destaco estas 2:

."Grupo de Prova dos 3+4-2+1", no dia 25
Este grupo de enófilos, com 2 baixas e 1 convidado, reuniu na saudosa Enoteca de Belém *, com o Nelson (agora o escanção do Alma) nos tachos e o Ângelo (não sei onde para) na sala.
O convidado foi o José Rosa que trouxe os vinhos (2 espumantes, 2 brancos, 4 tintos, 1 Porto e 1 Madeira). Quanto à qualidade dos mesmos, houve confirmações mas também desilusões.
O repasto fechou com chave de ouro, o Blandy Bual 1977.
* - notícia de última hora: a Enoteca de Belém reabriu, mas com outra equipa (a do Winebar do Castelo que também passou a gerir o Chafariz do Vinho)

."Jantar de Vinhos no Clara Chiado", no dia 28
Eu e alguns dos antigos amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho ( no total éramos uma dezena), participámos num jantar vínico organizado pelos donos do restaurante Clara Chiado (encerrado há já uns tantos anos), onde a maioria era "socialite", espalhada por mais de uma sala.
Foram servidos apenas 1 espumante, 1 Alvarinho e 2 tintos. Salvou-se o Alvarinho, o resto era uma desgraça!
Modéstia à parte, este jantar foi a antítese dos eventos das CAV.