quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rescaldo da ida ao Norte (I) : Bom Sucesso, Serralves e Póvoa

1.O Mercado do Bom Sucesso e o Hotel da Música
Em recente viagem ao Norte, com destino à Invicta, ficámos hospedados no Hotel da Música, localizado junto à Rotunda da Boavista e bem integrado no Mercado do Bom Sucesso, a versão portuense do lisboeta Mercado da Ribeira.
A estadia neste hotel teve a vantagem de nos resolver o problema dos jantares pois, sem sairmos à rua, tinhamos ali dezenas de alternativas petisqueiras, tendo optado por:
.O Caldeirão das Sopas
.O Forno do Leitão do Zé
.Risotto da Baixa
.El Argento (empanadas)
.Bubbles (tartes)
.Flor de Sal (bacalhau)
Quanto a bebidas para acompanhar, entre outras hipóteses, escolhi a banca Anolokiter, com uma boa oferta de cervejas, entre as quais as 1927, todas a 2,30 €:
.Bengal Amber IPA (nota 4,5 em 5)
.Bavaria Weiss (3,5)
.Munich Dunkel (4)
Resumindo e concluindo, jantei bem todas as noites por cerca de 10 € (comidas e bebidas).

2.Serralves
Um dos motivos que nos levou a viajar até ao Porto foi ver a exposição "I' m Your Mirror" da artista plástica Joana Vasconcelos, com mais de 30 peças e organizada pelo Museu Guggenheim de Bilbau, em parceria com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, a maior parte das quais já conhecia, mas não me canso de ver.
Vista a exposição, poisamos no Restaurante de Serralves (2,5 *), um espaço simpático mas cujo buffet podia e devia ser melhor.
Bebi um copo de branco Malhadinhas 2017 (Cooperativa Agrícola do Távora) - austero, seco e gastronómico. Uma boa surpresa por 2,5 €. Nota 16,5.
O copo já vinha servido e a garrafa só foi mostrada a pedido. Não havia necessidade...

3.Solar das Iscas
Na sequência de um salto à Póvoa de Varzim, via metro, abancámos no Solar das Iscas (2,5 *), muito badalado pela Evasões e que fica no interior da Fortaleza Nossa Senhora da Conceição.
Da ementa petisqueira, provei:
.mãozinhas de vitela com feijão branco
.alheira fatiada grelhada
.iscas (entenda-se, pataniscas) de bacalhau
A comida até era saborosa, mas entre o pedido e a chegada dos petiscos demorou bem 1 hora! E a sala, que nem sequer estava lotada, só dá para 16 pessoas. Não se entende, de todo.
A acompanhar  um copo de branco Vila Régia 2017 (?), sem história e que já vinha servido.
Resumindo e concluindo, para esquecer!

terça-feira, 28 de maio de 2019

Curtas (CXII) : próximos eventos e um novo espaço

1.Próximos eventos
1.1.Douro TGV
Com organização da Regia - Douro Park, realiza-se nos claustros do Governo Civil de Vila Real, a 3ª edição do Douro TGV, que engloba 3 vertentes:
.Turismo (dia 29/5)
.Gastronomia (dia 30/5) - inclui um jantar
.Vinhos (dia 31/5) - comemora os 30 anos DOC Douro e os 30 anos de carreira do João Paulo Martins e inclui uma mostra de Vinhos e Sabores do Douro.
Entrada gratuita.
1.2.Brut Experience
Com organização de Luís Gradíssimo, em parceria com José Miguel Dentinho, realiza-se dia 1 de Junho no Lisbon Marriott Hotel (das 15 às 20 h), a 2ª edição deste evento que conta com mais de 100 espumantes à prova. Entrada 15 €, com direito a copo de prova.
Está, ainda, previsto um jantar vínico.
1.3.Lisboa /Tejo
Na sequência do Bairradão, as garrafeiras Néctar das Avenidas e Wines 9297 (em Telheiras), organizam a 1ª edição do Lisboa/Tejo, com produtores destas 2 Regiões.
O evento decorrerá no Hotel Real Parque (Av. Luis Bivar) e custará 5 €, com direito a copo de prova.
Oportunamente, serão divulgados os produtores presentes.

2.A Taylor's em Lisboa
A Taylor's abriu, recentemente, uma loja (no rés do chão) e salas de provas (no 1º andar), em plena Alfama e mesmo ao lado do Chafariz Del Rei. Das janelas do 1º piso avista-se o terminal de cruzeiros de Lisboa, cujos passageiros são um potencial de clientes a não desprezar. O espaço estará aberto todos os dias, entre as 11 e as 19h30, podendo-se provar uma série de vinhos da marca, desde o Porto Branco ao Vintage, passando pelo LBV e Tawnies de Idade. Também à prova estará o azeite Quinta de Vargellas. A acompanhar as provas, têm pão, queijos e enchidos.
No dia da inauguração, as poucas pessoas que acederam ao convite foram recebidas pela directora do Centro de Visitas (Anne-Marie Faustino) e pelo director de marketing (Richard Bowden). Tivemos, nessa altura, ocasião de provar o branco Chip Dry, o 20 Anos (engarrafado este ano) e o Vintage Vargellas 2012. O meu preferido foi, claramente, o Tawny.
No final, ainda tiveram a gentileza de oferecer a cada um de nós 1 garrafa de LBV 2014. O meu muito obrigado!
Contudo, fiquei sem perceber porque razão as outras marcas do grupo (Fonseca, Croft e Krohn) ficaram de fora. Já o mesmo aconteceu com a banca no Mercado da Ribeira. Mistérios insondáveis...

sábado, 25 de maio de 2019

Paulo Morais em Belém : Tsukiji - 4,5 *

Aconteceu no Domingo de Páscoa. A nossa mesa era a única ocupada e os empregados eram mais que os clientes, logo tivemos direito a um serviço de luxo.
O Tsukiji (nome de um mercado de peixe em Tóquio) ocupa um espaço do Hotel Jerónimo 8, onde esteve o Manuelino, mas do qual é inteiramente independente. É aqui que o Paulo Morais, o chefe português mais qualificado em cozinha asiática e cuja carreira tenho acompanhado desde os tempos do QB em Oeiras, está na hora do almoço (ao jantar estará no Kanasawa).
Espaço luminoso a espalhar-se por 3 salas e 1 wine bar, decoração de muito bom gosto, mesas bem aparelhadas, em contra-mão com a moda, copos Spiegelau, toalhas e guardanapos de pano.
As doses são pequenas, sendo aconselhável pedir 2 pratos por cabeça e partilhá-los. Dos 6 que vieram, nota muito alta para a tempura, as favas e a panqueca de atum, nota boa para o ouriço e o bacalhau e nota fraca para a cavala fumada. Quanto a sobremesas, 1 por cabeça, nota muito alta para o bolo de chocolate e boa para a bebinca e a "matcha".
Quanto à componente vínica, inventariei 6 espumantes (3 a copo), 6 champanhes (2), 42 brancos (9), 9 rosés (3), 30 tintos (4) e 8 sakés. Lista bem construída, com uma boa oferta a copo e os vinhos todos datados. Pena não constar nem cervejas artesanais nem fortificados.
Apesar das malvadezas do Joe, escolhi o Bacalhôa Chardonnay 2017 - cor doirada, citrinos e fruta de caroço, equilíbrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa que ligou bem com os pratos pedidos. Nota 17,5+.
A garrafa foi mostrada e dada a provar.
Com as sobremesas, foi-nos oferecido um copo de Casal de Santa Maria Colheita Tardia 2015, a cumprir bem a sua missão.
Serviço eficiente, profissional e simpático.
Resumindo e concluindo, o Tsukiji é um espaço altamente recomendável, para ir em ocasiões especiais.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Mais provas (Vinicom e Herdade do Mouchão)

1.Vinicom
A convite desta empresa distribuidora de vinhos, cujas referências mais emblemáticas são os Lavradores de Feitoria e a Quinta de Vale Meão, estive em Montes Claros para provar mais alguns vinhos. Com o palato ainda cansado da maratona do Bairradão, limitei-me a degustar 8 brancos, 8 tintos e 4 fortificados, munido de um bom copo Spiegelau, cedido pela organização.
Quanto a brancos, destaco o AB Wines Alvarinho Barricas 2016, um projecto que desconhecia. A seguir outro AB Wines, o Arinto 2018 e, ainda, o Tangente 2017 que também desconhecia.
Quanto a tintos, destaco em primeiríssimo plano o Três Bagos Grande Escolha Estágio Prolongado 2008. A seguir, Qtª Vale Meão 2016, Terras de Santo António Reserva 2015 e o surpreendente João & Maria Grande Reserva 2014..
Finalmente, quanto a fortificados, dos 4 provados apenas destaco o Blackett 30 Anos.

2.Herdade do Mouchão
Recentemente, tive o oportunidade e a honra, diga-se, de visitar a Herdade do Mouchão e provar vinhos, na companhia do anfitrião, Iain Reynolds Richardson, proprietário, gestor e enólogo desta marca emblemática. Já conhecia o Iain dos tempos das Coisas do Arco Vinho, quando ele era responsável pelo projecto "Canto X", um dos vinhos mais vendidos nas CAV.
Além dos vinhos, a sua face mais visível, a Herdade do Mouchão também produz azeites (Galega e Courellas), mel silvestre, cortiça e ovinos (ovelhas da raça Merino Branco).
Quanto às provas, desfilaram 1 branco, 5 tintos e 2 fortificados:
.Dom Rafael branco 2018 - com base nas castas Antão Vaz e Arinto (45 % de cada) e Fernão Pires (10 %), estagiou apenas em inox; bom equilibrio entre a acidez e a gordura. Nota 16,5.
.Dom Rafael 2015 - com base nas castas Aragonês, Trincadeira e Castelão, estagiou 12 meses em barricas e 6 em garrafa; fresco e amentolado, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
.Ponte das Canas 2014 - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Syrah; estagiou 18 meses em barrica e 12 em garrafa; ainda com fruta, notas amentoladas e bem estruturado. Nota 17.
.Mouchão 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (90 %) e Trincadeira; fresco, complexo, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
.Mouchão 1979 - com base na casta Alicante Bouschet (100%); ainda cheio de saúde e com muita personalidade. Grande surpresa. Quem diz que os vinhos alentejanos (não serão todos, claro) não envelhecem bem? Nota 18,5.
.Mouchão Tonel 3-4 2013 - ainda com muita fruta preta, bela acidez e complexidade, taninos presentes e civilizados, encorpado e final de boca longo. Gastronómico, há que esperar por ele. Nota 18,5+.
Foram ainda provados 2 Mouchão Sobremesa, dos quais lamentavelmente não tenho registo.
Resumindo e concluindo, visita e prova inesquecíveis. Obrigado, Iain!

terça-feira, 21 de maio de 2019

Rescaldo do Bairradão (6ª edição)


Terminada mais uma edição deste evento (Bairradão), organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas no Hotel Real Palácio, como é habitual, é a altura para o correspondente balanço.
Passaram por lá cerca de 300 provadores. Bons copos e uma organização eficaz (talvez a melhor de sempre), apesar de algumas bancas não terem as indispensáveis cuspideiras, o que obrigava a cuspir na mesa do lado.
De qualquer modo, a Sara e o João Quintela estão de parabéns. Ficamos à espera do próximo.
Num dia de calor intenso em Lisboa (máxima 32º), provei exclusivamente brancos. Dos 38 vinhos provados, coloco em primeiro lugar o Poço do Lobo Arinto 1994 (o melhor da prova) e o Mata Fidalga Garrafeira 2017 (a grande surpresa, com uma relação preço/qualidade imbatível). Ainda num primeiro patamar, destaco o Pai Abel 2017, Casa de Saima Garrafeira 2015, Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado 2016, Passarella A Descoberta Encruzado 2017, Vinha de Reis Edição Limitada 2017, M.O.B. Vinha Senna 2017, Qtª Saes Reserva 2017, Ribeiro Santo Automático 2017, Pedra Cancela Reserva 2016 e Qtª Mendes Pereira Reserva Encruzado 2015.
No patamar seguinte, incluo o Qtª Valdoeiro 2017, Giz Vinhas Velhas 2017, Casa de Saima Vinhas Velhas 2017, Ataíde Semedo Reserva 2017, Luis Pato Parcela Cândido Cercial 2015, 98 Anos de História 2017, Qtª do Cerrado Reserva 2017, M Marquês Marialva Arinto Grande Reserva 2014 (a precisar de mais tempo em garrafa), M.O.B. Lote 3 2017, Vinha Paz 2017, Qtª do Perdigão Encruzado 2017, Qtª da Fata Encruzado 2017, Qtª da Alameda Reserva 2016, Carvalhão Torto Reserva Encruzado 2017, Ladeira Santa Reserva Encruzado 2017 e Qtª dos Roques Reserva 2015 (a ordem foi a das provas).
De registar que apenas 10 dos brancos provados ficaram de fora destas listas, ou seja, dei boa nota a 28 vinhos em 38 (74%), enquanto que na 5ª edição, apenas elogiei 19 dos 32 brancos provados (59%). Conclusão: estamos cada vez melhores em brancos.

sábado, 18 de maio de 2019

Jantar Lavradores de Feitoria

Se há produtor que esteja sempre presente na minha vida é este, Lavradores de Feitoria (LF).
Ao longo dos anos, publiquei neste blogue umas tantas crónicas:
."Jantar no Gspot" (com os Lavradores, claro), em 14/5/2010
."Jantar Lavradores de Feitoria", em 14/4/2012
."Jantar Lavradores de Feitoria", em 12/2/2015
."Provar vinhos com os Lavradores de Feitoria", em 6/8/2016
."Meruge : do vinho à gastronomia", em 13/12/2016
."A maioridade dos Lavradores de Feitoria (I) : Introdução e Antecedentes", em 6/11/2018
."A maioridade dos Lavradores de Feitoria (II) : a Prova e o Jantar", em 8/11/2018
Recentemente, participei em mais um jantar com os LF, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas no restaurante Via Graça e que contou com o Paulo Ruão, o responsável pela equipa de enologia, cujas intervenções foram muito pedagógicas.
Com harmonizações bem pensadas, boa gastronomia (sob a orientação do chefe João Bandeira) e um serviço de vinhos de qualidade (temperaturas adequadas, bons copos Riedel e os néctares a chegarem à mesa antes dos pratos), foi mais uma jornada a ficar na memória.
Desfilaram:
.Três Bagos Sauvignon Blanc 2017 - 20 % estagiou 4/5 meses em barricas novas de carvalho francês; aromático, notas vegetais com predomínio de espargos, acidez e mineralidade, volume e final médios (13 % vol.). Elegante e harmonioso. Nota 17.
Acompanhou alguns "snacks".
.Meruge 2017 branco - com base na casta Viosinho, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz presente, algum floral, notas citrinas, de fruta madura e fumadas, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Mais complexo e gastronómico que o anterior.  Nota 17,5.
Maridou com um excelente arroz de lingueirão.
.Meruge 2016 tinto - com base nas castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aberto de cor, alguma fruta vermelha, frescura e acidez equilibrada, taninos de veludo, estrutura e final de boca assinaláveis (14 % vol.). Fresco e elegante. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5+.
.Qtª da Costa das Aguaneiras 2016 - estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; menos elegante que o anterior, notas de fruta preta e especiarias, alguma acidez, taninos civilizados, volumoso, final de boca persistente (13,5 % vol.). Concentrado e gastronómico. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos casaram bem com uma belíssima empada de caça. Foi um momento muito pedagógico com estes vinhos, lado a lado, de perfis opostos.
.Três Bagos Grande Escolha 2014 - com base em vinhas velhas, estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz exuberante, muita fruta vermelha, acidez no ponto, notas especiadas, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca consideráveis (15 % vol.). Complexo e harmonioso. A beber nos próximos 12 a 14 anos. Nota 18,5+.
Harmonizou com carré de borrego.
.Três Bagos 2009 branco - cor dourada, aroma complexo, notas de chá e fruta madura, alguma evolução, acidez presente, volume e final de boca médios (12 % vol.). Ainda longe da reforma. Nota 17.
Acompanhou um bolo de chocolate.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O blogue vai de férias

No decorrer da semana, vou estar longe do computador. Logo, não há crónicas para ninguém.
Aguardam publicação:
.Espaços de restauração (Geographia e Tsukiji)
.Jantar Lavradores de Feitoria
.Provas (Bairradão, Vinicom e Herdade do Mouchão

domingo, 12 de maio de 2019

Almoço com vinhos fortificados (32ª sessão) : brancos, tintos e Madeira em boa forma

Esta última sessão decorreu na Casa da Dízima e contou com o Pedro Batista no serviço de vinhos (temperaturas correctas, copos Schott e decantadores Riedel, um luxo!). A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos, mas uma das harmonizações nem por isso. O anfitrião foi o Frederico Oom que partilhou connosco 2 brancos, 4 tintos e 2 fortificados, da sua garrafeira.
Antes de irmos para a mesa, foi servido no imperdível terraço o vinho de boas vindas:
.Somnium 2011 branco em magnum - enologia e produção de Joana Pinhão e Rui Freire; com base nas castas Rabigato e Códega do Larinho, evoluiu muito bem; fresco e mineral, frutado, bela acidez, algum volume e final de boca (13 % vol.). Uma boa surpresa. Melhor que a versão 2014 e muito acima da 2012. Nota 17,5+.
Acompanhou uma série de pequenas entradas (gambas, cavala, queijo e presunto).
Já na mesa, desfilaram:
.Villa Oliveira Encruzado 2014 em magnum - muito fresco e mineral, fruta cítrica, notas florais, alguma tosta, equilibrio acidez/gordura, algum volume  e final de boca (13 % vol.). Grande branco. Nota 18.
Acompanhou pão (3 variedades) e azeite Qtª Lagoalva (magnífico) e, ainda, uma simpática sopa de santola.
.Qtª Crasto Tinta Roriz 2009 - estagiou 18 meses em pipas de carvalho francês; ainda com alguma fruta e acidez, notas vegetais, taninos dóceis, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). No ponto óptimo de consumo. Nota 17.
.Qtª Crasto Tinta Roriz 2011 - estagiou 18 meses em meias pipas de cravalho francês; ainda com alguma fruta, boa acidez, especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis (15 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos não ligaram bem com as bochechas de bacalhau. Perfeita foi a harmonização com o Villa Oliveira.
.Vinha da Ponte 1998 - aromas e sabores terciários, alguma acidez, magro na boca e final curto (14,5 % vol.). Está na curva descendente e desiludiu. Nota 16,5.
.Maria Teresa 2011 - estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês e americano; nariz positivo, ainda com fruta, bela acidez, notas minerais, taninos presentes mas civilizados, volume considerável e final de boca longo (15 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos maridaram com um belíssimo tornedó de cabrito e arroz de castanhas.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1979 (engarrafado em 2007) - nariz contido, frutos secos, iodo e vinagrinho, taninos de veludo,  algum volume e final de boca persistente. Harmonioso e elegante. Nota 17,5+.
.Blandy Malvasia 1977 (nº 156/645 engarrafada em 2018) - nariz exuberante, frutos secos, algum iodo e brandy, vinagrinho, taninos domesticados, volume assinalável e final de boca longo. Uma raridade. Nota 18,5.
Estes 2 Vinhos Madeira casaram bem com um belíssimo brownie de alfarroba, batata doce e gelado de amêndoa.
Foi mais uma bela sessão de convívio, comeres e beberes de qualidade alta. Obrigado, Frederico!

quinta-feira, 9 de maio de 2019

À volta da cerveja artesanal (II)

1.Mais provas
Na crónica "À volta da cerveja artesanal (I)", publicada em 28/3, dei a conhecer uma série de cervejas artesanais, provadas e classificadas por mim.
Com a mesma metodologia classificativa, de 1 a 5, apresento mais umas tantas:
.Com 5
Burguesa (V. N. Gaia), com 9 % vol.
.Com 4,5+
Urraca Vendaval (8ª Colina)
.Com 4,5
Saison by the Sea (Dois Corvos) (noutra situação 4)
ABC Raposa Vermelha Ale (Sesimbra)
.Com 4
ABC Tritão Laranja IPA (Sesimbra)
Y.M.C. Ale Imperial Stout (Musa/Letra), com 10 % vol.
.Com 3,5
ABC Doninha Castanha Pilsner (Sesimbra)
Musa Ale is Love (Lisboa), com cacau Corallo
Bohemia Original (Sagres)
.Com 3
Beirã Weiss (Guarda)

2.Ground Burger
Segundo a Time Out, é o espaço de restauração em Lisboa onde se comem os melhores búrgueres.
Mais, dificilmente haverá outro com tanta e boa oferta de cerveja artesanal.
Recentemente, inventariei 81 (!) assim distribuídas, segundo o tipo e estilo: Lager (6), Weiss (3), Ale (19), IPA (22), Porter/Stout (16), envelhecidas (6) e diversas (15). É um abismal contraste com a oferta de vinho a copo, apenas 1 branco e 1 tinto!

terça-feira, 7 de maio de 2019

Grupo dos 6 (16ª sessão) : a juventude de um Madeira 1900

Mais uma sessão deste grupo de enófilos, desfalcado de um dos seus elementos. Decorreu, como habitualmente, no Magano. Bons copos Schott na mesa, serviço de vinhos irrepreensível e gastronomia num patamar muito alto. Foi o melhor repasto de sempre!
Desfilaram:
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2015 (garrafa nº 205/2950, levada pelo Frederico) - com base nas castas Maria Gomes e Bical, em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas (1/3 novas e 2/3 usadas); fresco e mineral, presença de citrinos, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (14 % vol.). Não fica a perder com o Pai Abel do mesmo ano. Nota 17,5+ (noutras situações 18/17).
.Villa Oliveira Encruzado 2015 (garrafa nº 730/2417 levada pelo J. Rosa) - nariz contido, menos fresco e mais gordo que o 1º, volume assinalável e final de boca médio (13 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos maridaram com as entradas habituais e uma monumental cabeça de garoupa (mais ou menos 3 kg). Melhor o 1º com as entradas e o 2º com a garoupa.
.Qtª da Leda 2000 (levada pelo Juca) - com base nas castas tradicionais do Douro; ainda com alguma fruta, boa acidez, especiado com notas de cacau a imporem-se, taninos de veludo, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18,5 (noutras situações 18/17,5).
.Quanta Terra 2000 (levada pelo João) - aromas e sabores terciários, acidez equilibrada, especiado, volume e final de boca consideráveis (14 % vol.). A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5 (noutra 17).
Estes 2 tintos harmonizaram com tornedó e presunto de pata negra.
.JBF Verdelho 1900 (levada por mim) - presença de frutos secos, notas cítricas, vinagrinho inconfundível, algum iodo e caril, taninos vigorosos, volumoso, final de boca interminável e uma juventude invejável. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Acompanhou pastéis de amêndoa.
Foi uma grande sessão vínica e gastronómica, a ficar nas nossas memórias durante muito tempo.

sábado, 4 de maio de 2019

Abril 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 15 crónicas que publiquei em Abril 2011, destaco estas 4:

."CARM em alta no Corte Inglês", no dia 6
Jantar vínico organizado pelo Corte Inglês, com a presença do produtor Filipe Reboredo Madeira.
De salientar que mais de metade dos participantes pertenceu ao núcleo duro das Coisas do Arco do Vinho (CAV).

."O grupo dos 3 (13ª sessão)", no dia 16
Uma sessão com vinhos da minha garrafeira (1 branco, 2 tintos 2007 e 1 Late Harvest), tendo o almoço decorrido no "Manifesto", o restaurante do chefe Luis Baena, escolhido por mim para esse efeito.
Da equipa do Luis Baena, fazia parte a Marlene Vieira, na altura uma ilustre desconhecida.

."Cabrito estonado no Assinatura", no dia 21
O grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu), reforçado com o Raul Matos, antigo cliente e amigo das CAV, almoçou um divinal cabrito estonado, preparado pelo chefe Henrique Mouro.
Beberam-se, nada menos que 2 Batuta, 1 Pera Manca e 2 Madeira. Um almoço de arromba!

."O Blog está de luto", no dia 29
Um apontamento, muito sentido da minha parte, alusivo à "partida" do saudoso David Lopes Ramos, um grande senhor na área da gastronomia e dos vinhos, ao qual em parte sou devedor da minha formação e paixão por estas matérias.
Se não o tivesse conhecido, nem este blogue nem as CAV teriam existido!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Mais 1 restaurante que vale a pena conhecer : Bacalhoaria Moderna - 4 *

A Bacalhoaria Moderna (R. São Sebastião da Pedreira, 150) é um espaço moderno, luminoso, decorado com bacalhaus em loiça Bordalo Pinheiro e mesas despojadas, como é moda agora.
A dona é a Susana Almeida e Sousa, arquitecta desempregada (?), que muito simpaticamente andou pelas mesas dialogando com a clientela. Na cozinha está a Ana Moura, uma jovem chefe já com currículo feito.
Nesta minha primeira visita, provei o tártaro de bacalhau com vinagreta de mostarda (entrada) e o bacalhau em arroz (prato principal), qualquer deles a merecer nota alta. Ficou a curiosidade de conhecer mais uns tantos pratos à base de bacalhau.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 champanhes (3 a copo), 1 espumante (1), 16 brancos (3), 2 rosés, 20 tintos (4), 7 Portos e 2 Moscatéis (todos os fortificados a copo). Ainda não aderiram à moda da cerveja artesanal e os anos de colheita estão omissos, o que se lamenta.
Optei por um copo de Adega Mãe Sauvignon 2017 - fresco e mineral, notas inconfundíveis de espargos, algum amanteigado, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num muito bom copo Schott. Por ter terminado a garrafa, ainda sem a quantidade suposta, o empregado abriu uma outra e repetiu o ritual, tendo-me dado a provar também esta última, num outro copo. Tiro o meu chapéu a este profissional, pois em 99% das vezes o conteúdo da 2ª garrafa vai misturar-se com o que ainda estava no copo.
Em relação à temperatura dos tintos, informaram-me que as controlam.
Um espaço que recomendo e tenciono voltar.