terça-feira, 25 de junho de 2019

Jantar Qtª do Crasto (II)

Adiei uma viagem a Tavira, há muito prevista, pois não podia faltar a este jantar. As nossas relações (do Juca e minhas) com a Qtª do Crasto vêm de longe e a nossa amizade com os manos Roquete e com o Pedro Almeida, que esteve neste último jantar, idem.
Para os mais curiosos, vale a pena ver o que escrevi nas crónicas
."O último evento das CAV: 2 anos depois", em 31/10/2011
."Jantar Qtª do Crasto", em 22/4/2012
A crónica de hoje refere-se ao jantar  organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, o qual decorreu na Casa do Bacalhau, tendo contado com a presença do Pedro Almeida, como acima referi, e do seu enólogo Manuel Lobo que apresentou os vinhos.
Da parte da Casa do Bacalhau não houve surpresas. A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos, o serviço foi profissional, as temperaturas correctas e os copos Riedel, um luxo!
Desfilaram 6 vinhos Qtª do Crasto:
.Rosé 2017 - com base nas castas Touriga Nacional (85%) e Tinta Roriz (15%) em vinhas a 400 metros de altitude; alguma austeridade, mas também complexidade para um rosé, volume assinalável e gastronómico (13 % vol.). E agora uma heresia: tem um perfil que me fez lembrar o rosé Barranco Longo que, nos painéis de prova cega organizados pelas CAV, foi vencedor por 3 vezes. Nota 17.
Ligou bem com as pataniscas de bacalhau.
.Branco Superior 2017 - com base nas castas Verdelho e Viosinho, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; nariz presente, fresco e mineral, fruta cítrica e de caroço, bem balanceado entre a acidez e a gordura, madeira bem casada, volume e final de boca de assinalar (13,5 % vol.). Nota 17,5+.
Harmonizou com um belíssimo lavagante e massa fresca.
.Reserva Vinhas Velhas 2015 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e americano e foi engarrafado em setembro 2017; nariz positivo, com fruta e acidez, especiado com a pimenta a impor-se, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. Elegante, harmonioso e gastronómico (14,5 % vol.). O Vinhas Velhas porta-se sempre muito bem e, quanto ao preço de prateleira, serve-me de padrão quando entro numa garrafeira. Se estiver abaixo dos 30 € tudo bem, mas se estiver acima saio de imediato. Nota 18,5.
Casou bem com magret de pato e puré de batata.
.Tinta Roriz 2015 - estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês e foi engarrafado em junho 2017; muito fresco e frutado, alguma acidez, notas especiadas, taninos bem presentes, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Nota 18.
.Touriga Franca 2016 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado em outubro 2018; nariz mais contido que o anterior, fruta vermelha, notas vegetais, taninos dóceis, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Nota 17,5.
Estes 2 monocastas, muito unidireccionais, não apagaram a prestação do Vinhas Velhas que foi o meu vinho do jantar!
Maridaram com um delicioso bife welligton e arroz de forno.
.Porto Colheita 1998 (engarrafado em 2018) - presença de frutos secos, alguma fruta vermelha mas muita uva passa, alguma acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca persistente. Foi o elo mais fraco do jantar. Nota 17.
Acompanhou pudim do abade.
Foi mais uma boa sessão "gastrovínica", onde matei saudades com os meus amigos do Crasto.

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