terça-feira, 24 de setembro de 2019

Grupo dos 6 (18ª sessão) : 2 fortificados estratosféricos

Este grupo de enófilos, agora na sua máxima força, reuniu no Lugar Marcado que, mais uma vez, esteve à altura dos acontecimentos na cozinha e na sala.
A começar, por iniciativa da Fátima, mais uma prova de azeites. Para o meu gosto, deu-se um empate técnico entre o Vale Meão e o Brites Aguiar que ultrapassaram o Oliveira Ramos, elegante mas demasiado "light".
Quanto à componente vínica, provada com os rótulos à vista, desfilaram:
.Maritávora Grande Reserva 2011 branco (levado pelo Frederico) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho em vinhas velhas com mais de 100 anos, estagiou 7 meses em barricas; ainda com saúde, sem ponta de oxidação, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca. Tudo no ponto, mas sem arrasar. Nota 17.
.Pai Abel 2012 branco (levado pelo João) - com base nas castas Bical e Maria Gomes, estagiou em barricas usadas; mais fresco e mineral que o 1º, presença de citrinos e fruta de caroço, boa acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis. Um dos grandes brancos portugueses. Nota 18.
Estes 2 brancos harmonizaram com uma série de entradas (chamuças de bacalhau, berbigão, lulas à algarvia e ovinhos com linguiça).
.Qtª Touriga Chã 2011 (levado pelo J. Rosa) - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês; muito fresco e sedutor, ainda com fruta vermelha, acidez equlibrada, levemente especiado, boa estrutura e final de boca extenso. Fino e harmonioso, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5+.
.Qtª Bageiras Pai Abel 2011 (levado por mim) - com base nas castas Baga (80 %) e Touriga Nacional (20 %), estagiou em barricas usadas; nariz discreto, acidez equilibrada, especiado, notas fumadas, taninos presentes mas civilizados, volume de respeito e final de boca longo. Um Bairrada complexo e consistente, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Dona Maria Grande Reserva 2011 (levado pelo Juca) - com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Petit Verdot e Syrah, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; muito frutado e carnudo, acidez no ponto, especiado, taninos sedosos, algum volume e final de boca. Harmonioso, está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Estes 3 tintos maridaram com coelho frito, presa de porco preto, milho frito e batatas no forno.
A fechar, da melhor maneira, 2 fortificados estratosféricos levados pelo Adelino, dos quais não tomei qualquer nota descritiva. Limitei-me a apreciá-los e a usufruí-los!
.Taylor's Vintage 1977 - 18,5
.Artur Barros e Sousa Verdelho 1965 - 19
Como sobremesas avançaram mousse de chocolate negro (para o Porto), tarte de amêndoa (para o Madeira) e sortido de gelados.
Grande sessão de convívio, comeres e beberes deste grupo de enófilos privilegiados!

domingo, 22 de setembro de 2019

Vinhos em família (XCVII) : mais 4 brancos

Mais 4 brancos provados em casa com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Fundação Oriente Colares Malvasia 2014 - enologia de Jaime Quendera; nariz contido, fresco e mineral, notas cítricas, salinidade, algum volume e complexidade, final de boca médio (13,5 % vol.). Muito gastronómico e ainda longe da reforma. Nota 18.
.Quinta da Murta Clássico 2015 (Bucelas) - enologia de Hugo Mendes; com base na casta Arinto (100 %), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, muito fresco com uma acidez bem pronunciada, notas cítricas e minerais, volume e final de boca médios (13 % vol.). Melhorou no dia seguinte depois de aberto. Nota 17,5. Gostava de o voltar a provar daqui a 3/4 anos.
.Qtª do Rol Colecção Arinto 2015 (regional Lisboa) - estagiou mais de 1 ano em contacto com as borras finas; cheio de frescura e acidez, presença de citrinos, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Ainda em crescimento. Nota 17,5.
.Vale dos Ares Limited Edition Alvarinho 2016 (Monção e Melgaço, garrafa nº 23/600) - estagiou 6 meses em barrica; notas cítricas e tropicais, equilibrio acidez/gordura, alguma complexidade, volume e final de boca médios. (13,5 % vol.). Nota 17.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Grupo dos Madeiras (35ª sessão) : 3 Madeiras de excepção

O encontro deste grupo de privilegiados foi em S. Francisco da Serra "chez" Juca que contou com a preciosa ajuda da Mila (filha) e da Paula nos tachos e do Pedro (genro) e João no serviço de vinhos. O meu aplauso para eles todos.
Como vinhos de boas vindas e a acompanhar uma série de entradas, foram servidos 3 Alvarinhos (Soalheiro 2012, Soalheiro Granit 2015 e Soalheiro 1ª Vinhas 2015, todos a situarem-se nos 17 pontos). Uma referência especial para o Clássico que foi a grande surpresa.
Seguiram-se:
.CARM Maria de Lourdes 2011 branco - com base nas castas Gouveio (40 %), Viosinho (30 %) e Rabigato (30 %); ataque inicial adocicado, ainda com fruta e sem ponta de oxidação, alguma acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca apreciáveis (13 % vol.). Muito gastronómico. Nota 17,5+.
Harmonizou com "Raia à (chefe) Juca".
.CARM Grande Reserva 2010 - com base nas castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, ainda com fruta vermelha, notas florais, alguma acidez e especiarias, taninos vibrantes, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). Uma boa surpresa vinda de um tinto de 2010. Nota 18.
.Pintas 2008 magnum - aroma discreto, cheio de saúde, alguma acidez, taninos ainda bem presentes, notas fumadas, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Elegante e discreto. Nota 18.
Estes tintos maridaram com arroz de rabo de boi.
Seguiram-se 3 Madeiras de excepção, o momento muito alto deste encontro, não tendo tomado qualquer nota descritiva dos mesmos. Foi só usufruir este momento único! E eles foram:
.Leacock Sercial Solera 1860 - 18
.Adega do Torreão Titular Doce - 18,5
.FEM Verdelho Muito Velho - 19
Grande sessão (mais uma) de convívio, comeres e beberes. Obrigado Juca!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O Frade - 3,5 *

Este novo espaço em Belém (Calçada da Ajuda, 14), já objecto de crítica muito positiva no Expresso (Fortunato da Câmara), praticamente reduzido a um balcão, onde se pode assistir ao empratamento das iguarias encomendadas, inspirou-se na tasca/restaurante, com o mesmo nome, localizada em Beja e pertença da família Frade. Em Lisboa, não perdendo de vista a tradição, o espaço e a gastronomia são mais requintados.
Na sala o Sérgio Frade (responsável pelo espaço e o relações públicas) e nos tachos o seu primo Carlos Afonso, já com algum currículo em locais de prestígio.
Por tudo isto valem as 5*, mas perdem em toda a linha na componente vínica, que precisa de dar uma grande volta, pois encalharam nos vinhos de talha da família e pouco mais. Eles já perceberam isso e têm previsto um projecto de garrafeira que lhes vai roubar um pouco do já exíguo espaço. Se isso for à vante, cá estarei para lhes subir a nota.
A ementa é petisqueira e inclui 3 pratos, cuja confecção é de muita qualidade. Para um casal chega perfeitamente 1 dos pratos principais e 2 entradas, tudo para partilhar. Comemos, em 2 visitas, dois dos pratos (arroz de pato e arroz de robalo , excelentes ambos), quatro entradas (lulas com grão, coelho de coentrada e berbigão à Bulhão Pato, esta das 2 vezes). Das sobremesas apenas provámos a mousse de chocolate com azeite e flor de sal.
Quanto a vinhos, os tintos de talha deixam-se beber, mas o branco é imbebível.
Na última visita, por simpatia do dono, provei o Maria Bonita Loureiro 2017 - fresco e mineral, notas cítricas e vegetais, acidez no ponto, volume e final de boca médios. Acompanhou muito bem as entradas, mas passou por baixo do prato. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num copo adequado.
Serviço muito eficiente, rápido e atencioso.
Recomendo, mas sugiro que levem vinho de casa (eu sei que autorizam a pedido).

terça-feira, 10 de setembro de 2019

As contradições dos Prémios W atribuidos pelo Anibal Coutinho

A propósito dos nomeados para "Garrafeira (Loja de Vinhos) do Ano", escreveu o mentor destes prémios W que "(...) as garrafeiras ganhadoras têm um entusiasta do vinho como gestor, um enófilo com muitas viagens aos países vinhateiros e às nossas regiões e produtores, com presença assídua nas principais feiras, com sucesso na dinamização de uma tertúlia interessada, coesa e participativa nos vários eventos vínicos (jantares, conversas, provas cegas, provas comentadas) que a sua loja promove - esse é o factor-chave de sucesso e de diferenciação; essas são as lojas onde me sinto abençoado.(...)".
Depois deste preâmbulo, estava à espera que a primeira garrafeira em Lisboa (não comento a escolha das garrafeiras fora de Lisboa e espalhadas pelo país) a ser nomeada fosse a Néctar das Avenidas que é aquela que mais se encaixa nos considerandos do Anibal Coutinho, pois organiza eventos vínicos praticamente em todo o ano, com realce para o Bairradão (ver Grandes Escolhas de Julho 2019). E que as outras pudessem ser a Empor, a Garrafeira Imperial ou a Wines 9297, que também fazem provas nos seus espaços.
Foi com a maior das surpresas que constatei recentemente que as garrafeiras de Lisboa nomeadas para Garrafeira do Ano foram a Estado d' Alma, a Napoleão e a Wines by Heart! Aquelas 2 limitam-se a vender vinho, não lhes conhecendo quaisquer eventos vínicos, enquanto que esta última abriu há cerca de 1 mês e nada me garante que daqui a 1 ano ainda esteja aberta, embora já tenha sido publicitada na Time Out e no blogue Mesa Marcada.
São os mistérios insondáveis do Anibal Coutinho e os seus Prémios W!
Mas já não é a primeira vez que estes prémios provocam polémica. Para quem tiver curiosidade recomendo a leitura da minha crónica "Prémios W 2015 : o Anibal Coutinho ensandeceu?", publicada em 14/1/2016, onde entre os 10 nomeados para figura do ano, foi incluido o ex- presidente Anibal Cavaco Silva.
Terminava eu assim "Só se foi por solidariedade onomástica!".

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Curtas (CXIV) : Prado, Degust' AR, Story, nova garrafeira e Bairrada

1.Revisitar mais uma vez o Prado - 4,5 *
Já tinha referido este espaço em "Revisitar o Prado - 4,5 *", crónica publicada em 13/11/2018, mas não me canso de o revisitar com o chefe António Galapito sempre inspirado.
Desta vez provei: Mexilhão da ria, Pleurotus, Carapau com alface do mar (prefiro a cavala),Tosta de salmonete (divinal) e Gelado de cogumelos, cevada e caramelo.
Acompanhou uma belíssima cerveja artesanal Dois Corvos Matiné (4,5 em 5).
Uma nota - os copos para vinho são muito bons e custam 1,50 € na Polux, passe a publicidade.
Não há nenhuma desculpa para que os restaurantes não tenham bons copos, mas lamentavelmente a maioria não investe nesta componente, tão importante quanto a comida.

2.Revisitar o Degust' AR - 4,5 *
Já tinha escrito sobre este espaço em "Degust' AR Lisboa - 4 *), crónica publicada em 14/7/2019, mas não tinha tido a oportunidade de testar a componente vínica.
A maridar com umas saborosas e bem servidas migas de espargos com lombinhos de porco ibérico, optei por um copo de tinto Herdade dos Grous 2017 - aberto na cor, fresco, muita fruta vermelha, taninos dóceis, algum volume e final de boca médio. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num belíssimo copo a uma temperatura correcta.
Testado o serviço de vinhos, a apreciação deste restaurante subiu de 4 para 4,5 *.

3.Os restaurantes dos hotéis Story
Esta cadeia está omnipresente na Baixa de Lisboa, com hotéis no Rossio, Rua do Ouro, Rua Augusta, Rua Condes de Monsanto e Praça da Figueira ( a abrir brevemente).
Para quem esteja na Baixa, à hora de almoço, pode ser uma boa aposta abancar num dos restaurantes do grupo (neste momento aconselho o Story Ouro e o Story Augusta), onde a troco de 14 € se pode comer uma refeição completa (couvert, entrada, prato, sobremesa, copo de vinho/cerveja e café).

4.Uma nova garrafeira
Abriu há cerca de 1 mês a garrafeira/wine bar  "Wines by Heart" (Rua Rosa Araújo, 35), com uma aposta nos vinhos estrangeiros, a par dos nacionais, e onde se pode petiscar qualquer coisa e provar vinho a copo.
Apesar de aberta há tão pouco tempo e ainda não ter história, já foi objecto de crónicas na Time Out e no blogue Mesa Marcada. Mais, já consta no Top das 10 melhores garrafeiras, no âmbito dos prémios W 2019 do Anibal Coutinho! A este tema hei-de voltar oportunamente.

5.Vinhos da Bairrada
Vai decorrer nos dias 14 e 15 de setembro, no Pavilhão Desportivo da Anadia, o evento "Aqui na Bairrada - Beber & Saborear", onde se podem provar vinhos e petiscos bairradinos.
Mais, estão programadas 2 Provas Comentadas pelo Luis Lopes, director da Grandes Escolhas.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Agosto 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 14 crónicas publicadas no decorrer de agosto 2011, destaco estas 3:

."Borbulhas em S. Francº da Serra"
Uma curiosa prova organizada pelo meu amigo Juca, no âmbito do grupo Núcleo Duro, onde estive como convidado do anfitrião. Entraram 2 champanhes, 7 espumantes e 1 cava.
Nota alta para o leitão à Bairrada, vindo de um modesto restaurante em Roncão (Santiago do Cacém).

."Ainda o "Prazer na Esplanada"".
A propósito de um artigo publicado na Revista de Vinhos (a antiga), cujo articulista (Samuel Alemão, já desligado da RV) seleccionou, entre outros, o espaço "Soul Devotion", em Campo de Ourique, cuja esplanada nem sequer era digna do nome.

."Os vinhos do amigo Adelino de Sousa"
É sempre com prazer e de inteira justiça relembrar o que se bebe em casa deste enófilo amigo (Grupo dos Madeiras e Grupo dos 6).
Nesse almoço, entre outros vinhos, nota alta para os fortificados
-Moscatel Setúbal Roxo 20 Anos da JMF (18)
-Porto Dona Antónia 1877 (18,5)
-Reserva Velhíssima Adega do Torreão Terrantez 1905 (19,5)