quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Grupo FJF (13ª sessão) : nota alta para o branco e o tinto

Esta última sessão do FJF, por impossibilidade do Magano, foi no restaurante Coelho da Rocha, na rua com o mesmo nome e propriedade do irmão do Mário (dono daquele espaço de restauração).
Boa gastronomia, serviço profissional a cargo do Pedro Rocha (?), mas excessivamente barulhento e com a televisão ligada, embora sem som, que impediam uma adequada concentração na prova de vinhos às cegas, como era o caso. Bons copos, mas sortidos (Spiegelau, Ridel e Chef & Sommelier).
Desfilaram:
.Casas do Côro Reserva 2015 (levado por mim) - um branco da Beira Interior, com uma mão do Dirk;  com base em vinhas velhas, onde predominam as castas Rabigato e Códega do Larinho, estagiou 24 meses em barricas usadas de carvalho francês; nariz contido, presença de citrinos e fruta de caroço, notas minerais, equilibrio acidez/gordura, madeira bem casada, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Austero, complexo e gastronómico, melhorou muito quando a temperatura do vinho subiu. Nota 18.
Acompanhou algumas entradas (salada de polvo, empadinhas e pastéis de massa tenra) e harmonizou muito bem com um delicioso pregado à Bulhão Pato e ameijoas.
.Qtª do Vesúvio 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Touriga Franca (35 %) e Tinta Amarela (5 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes e civilizados, volume de respeito e final de boca interminável (14 % vol.). O Douro no seu melhor, a consumir até 8 a 10 anos. Nota 18,5+.
Maridou com um prato de picanha e carne japonesa Wagyu, vinda da Austrália.
.Qtª Alorna Colheita Tardia 2001 (levada pelo João) - com base na casta Fernão Pires; nariz preso, presença de citrinos, com a casca de laranja a impor-se, acidez e frescura, volume e final de boca médios (14 % vol.). Um vinho de sobremesa, com a mão do Nuno Cancela de Abreu, ainda comprado nas Coisas do Arco do Vinho. Vale pela componente sentimental. Nota 17.
Acompanhou um pijaminha de sobremesas.
Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes, apesar do barulho de fundo.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Grupo dos Madeiras (36ª sessão) : mais uma grande sessão na Casa da Dízima

Esta última sessão decorreu na Casa da Dízima, tendo os anfitriões sido os nossos amigos Marieta e José Rosa. Compareceu o Grupo dos Madeiras na sua máxima força, tendo sido acrescido de um convidado especial, o Rui Cunha, produtor, enófilo e amante dos vinhos Madeira.
Antes de nos sentarmos, houve um momento de convívio à volta de uma série de pequenas entradas (gambas de Moçambique, céviche de vieiras, tosta de tomate seco com bacalhau fumado), azeites (Casa Stº Amaro Prestige e Acushla Old Edition da Qtª do Prado) e queijos (Azeitão e Parmesão).
O vinho acompanhante foi o Soalheiro Alvarinho Granit 2015 em magnum (fresco e mineral, a merecer 17,5).
Só com estas belíssimas vitualhas fiquei praticamente almoçado.
Já na mesa, desfilaram:
.Mirábilis Grande Reserva 2017 (garrafa nº 4563/13500) - 94 pontos no Parker; com base nas castas Viosinho e Gouveio, em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barrica; presença de citrinos e fruta madura, notas vegetais, equilibrio acidez/gordura, alguma complexidade, volume e final de boca (14 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Este branco maridou com creme de santola e com asa de raia (a meu pedido, no final do repasto voltou à mesa para acompanhar os queijos da entrada).
.Blandy Terrantez 1976 (engarrafado em 1997 e voltado a enrolhar em 2015) - nariz intenso, presença de frutos secos e iodo, vinagrinho, volume e final de boca consideráveis. Complexidade e elegância. Nota 18,5.
Este fortificado serviu de limpa palato, entre o peixe e a carne.
.Vinha da Ponte 2010 em magnum - 92 pontos na Wine Spectator e 94 no Parker; com base em vinhas centenárias, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês; nariz fechado, foi abrindo ao longo do almoço, ainda com alguma fruta, acidez equlibrada, notas especiadas, taninos dóceis, algum volume e final de boca longo (15 % vol.). Complexo e austero, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Vinha da Ponte 2012 - 96 pontos na Wine Spectator e 94 no Parker; com base em vinhas centenárias, estagiou 20 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz austero, alguma fruta e acidez, especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14,5 % vol.). Fresco e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com um prato de "toro bravo", puré de castanhas e legumes assados.
.Real Companhia Vinícola (um tawny com 80/90 anos) - frutos secos, alguma acidez e gordura, notas especiadas e de brandy, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18.
.PJL Malvasia 1880 (Pedro José Lomelino, fundador da Artur Barros e Sousa) - aroma intenso, frutos secos, notas de iodo e brandy, especiado, vinagrinho bem acentuados, volume assinalável e final de boca interminável e seco. Nota 18,5+.
Estes 2 fortificados acompanharam uma sobremesa à base de caramelo, amendoa e praliné, especialmente preparada para este almoço.
Resta referir que sob a batuta do Pedro Batista, a gastronomia e o serviço de vinhos, estiveram a um nível alto.
Grande sessão de convívio. Obrigado Marieta e J.Rosa!

domingo, 24 de novembro de 2019

Grupo dos 3 (68ª sessão) : uma sessão equilibrada

Após uma longa hibernação (7 meses) este grupo voltou a reunir-se. Desta vez foi na Bacalhoaria Moderna, com vinhos da garrafeira do João Quintela. Mesas despojadas, guardanapos de pano, copos Schott e serviço profissional, com os pratos devidamente explicados ao chegarem à mesa.
desfilaram:
.Casa Amarela Reserva 2018 - enologia de Jean-Huges Gros; com base nas castasViosinho, Rabigato e Malvasia Fina, estagiou em barricas novas de carvalho francês; nariz intenso, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Nota 17,5+.
Este branco acompanhou o couvert (brandade de bacalhau, pastéis do mesmo e manteiga dos Açores com flor de sal) e 2 entradas (tártaro de bacalhau e línguas do mesmo).
.Qtª da Leda 2015 - 94 pontos na Wine Spectator e no Parker; com base nas castas Touriga Franca (50 %), Touriga Nacional (20 %), Tinta Roriz (15 %) e Tinto Cão (5 %); muita fruta preta, alguma frescura e acidez, notas especiadas, taninos de veludo, volume e final de boca respeitáveis (13,5 % vol.). Ainda muito jovem, precisa de tempo para se mostrar. Nota 18.
Harmonizou com umas pataniscas com arroz de bacalhau e um bacalhau com grão e broa, mas não ligou com o bacalhau à Braz (melhor o branco).
.Borges Boal 15 Anos - 87 pontos no Parker; presença de frutos secos, alguma acidez, notas iodadas, bom volume e final de boca longo. Um bom Madeira, mas sem apaixonar. Nota 17,5.
Este fortificado maridou com um pijaminha de sobremesas (mousse de chocolate, cheesecake e torta de laranja).
No final do repasto, a chefe Ana Moura veio à mesa, o que é sempre uma maisvalia.
Mais uma boa sessão deste grupo de enófilos, com a gastronomia e o serviço à altura dos acontecimentos. Obrigado, João!

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

À volta da cerveja artesanal (VI)

1.Mais provas
Mais umas tantas cervejas artesanais, provadas em casa ou em espaços de restauração, mantendo a classificação de 1 (as mais fracas) a 5 (as excelentes):
.Com 5
Letra on Oak Port Sour Ale (Vila Verde) - garrafa de 0,375 com rolha de espumante, 12º de álcool, 20 anos de validade (!) e estágio em barricas de Vinho do Porto da Qtª do Portal
Letra F American India Pale Ale (noutra situação, também 5)
.Com 4,5
Dois Corvos Metropolitan Pale Ale (Lisboa)
D' Ourique da Fonte (Mafra) - com 8,5 %
5 e Meio AI-PI-EI India Pale Ale (Venda do Pinheiro)
Barona Boleima (Marvão) - com 9 %, maçã e canela
.Com 3,5
Trevo Lucky Number Seven Blonde Ale (Caparica)

2.Paixão pela Cerveja
É o nome da única revista que se publica em Portugal e pertence à mesma organização da Paixão pelo Vinho, cuja directora executiva em ambas é a Maria Helena Duarte.
A Paixão pela Cerveja tem periocidade quadrimestral e inclui prova cega de cervejas (onde identifica os provadores), historial de alguma marcas, entrevistas com cervejeiros e chefes, etc. Está, pois de parabens pela iniciativa.
Para quando uma página dedicada à cerveja artesanal nas revistas de vinhos? Impõe-se.

3.Eventos cervejeiros
Já aqui referi alguns, tais como:
.jantar com o chefe Miguel Laffan, organizado pela Confraria da Cerveja
.a Cerveja em Lisboa, com organização do Campo Pequeno
.prova de cervejas Dois Corvos na Garrafeira Empor
Recentemente foi a Paixão pela Cerveja que organizou o "Awards & Beer Party", no Marriott Hotel em Lisboa, com a presença de 20 cervejeiros.
Confesso, no entanto, que fiquei algo desiludido, pois:
.não foi produzido nenhum folheto com o historial de cada cervejeiro presente e notas das cervejas em prova
.não havia qualquer ponto de lavagem de copos, como é normal em provas vínicas e faz muita falta
.em contra partida, a música de fundo demasiado alta não permitia um mínimo de concentração
.a sessão de atribuição de medalhas às cervejas mais pontuadas, prevista para as 17 h, às 17h30 ainda não tinha começado.
Organização, precisa-se!

4.Nota final
É de inteira justiça destacar a selecção de cervejas artesanais que se pode encontrar na loja "Adega & Sabores de Portugal", situada na Rua Coelho da Rocha, 94.
É lá que compro a maior parte das artesanais aqui provadas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O José Mário Branco partiu e a Cultura em Portugal ficou mais pobre

Antes de ser um enófilo militante, eu era um militante da música popular portuguesa e de intervenção.Tinha e ainda tenho todos os LP's do Zé Mário e não falhava um espectáculo com este grande senhor. Ficaram-me na memória os históricos "A Noite" no Coliseu e "FMI" no antigo Teatro Aberto.
Quem o quiser conhecer melhor e ouvir as suas músicas, aconselho uma ida ao blogue do meu filho Bruno //marcadomem.com (tenho um link aqui ao lado; entrar em "marca de homem") e ler/ver a crónica "A cantiga é uma arma? Claro que é!", publicada no dia 19 (ontem).

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Jantar Pêra-Grave

Mais um evento vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que decorreu na Casa da Dízima, com a presença do produtor João Grave e do enólogo responsável pelo Carcavelos.
A gastronomia, os copos, as temperaturas dos vinhos, as harmonizações e o serviço, sob a batuta do Pedro Batista, estiveram à altura dos acontecimentos.
Desfilaram:
.Pêra Grave 2018 branco - com base nas castas Arinto, Verdelho e Alvarinho; nariz exuberante, muito fresco e mineral, presença de citrinos, acidez equilibrada, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Perfil pouco alentejano, com uma óptima relação preço/qualidade. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
Este branco maridou com o couvert e lombo de cachaço de porco preto e, ainda, com os camarões que acompanharam o vinho que veio a seguir.
.Pera Grave Alvarinho 2018 - nariz contido, notas cítricas e tropicais, alguma acidez e volume, final de boca médio (12 % vol.). Agradável, mas tem pouco a haver com a casta no seu berço de origem. Nota 16,5.
Este branco acompanhou gambas de Moçambique com massa tafi.
.Pêra Grave 2017 tinto - com base nas castas Syrah, Alicante Bouschet, Aragonês e Cabernet Sauvignon, estagiou 1 ano em barricas usadas; muita fruta, alguma frescura, notas apimentadas, taninos civilizados, volume médio e final de boca adocicado (14 % vol.). Perfil tipicamente alentejano, com um boa relação preço/qualidade. Ainda muito jovem, precisa de tempo para se mostrar. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.
Maridou com galinha em caril à goesa.
.Pêra Grave Reserva 2016 - com base nas castas Touriga Nacional e Syrah, estagiou em barricas de carvalho francês novas e usadas; perfil algo semelhante ao anterior, mas com maior intensidade aromática, alguma acidez e especiarias, taninos mais presentes, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Elegante e sofisticado, com uma boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Pêra Grave Grande Reserva 2015 - com base nas castas Syrah e Alicante Bouschet, estagiou 24 meses em barricas novas; mais complexo que o anterior, frutado e fresco, especiado, taninos de veludo, volume e final de boca de respeito. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Um único senão, o seu preço excessivo. Nota 18,5.
Estes 2 tintos casaram bem com um medalhão de javali sobre puré de castanhas.
Resta dizer que o enólogo responsável é o Nuno Cancela de Abreu, já nosso conhecido de há muito tempo e que os vinhos deste produtor foram uma boa surpresa para quem os não conhecia, como era o meu caso. Lamenta-se que estejam um pouco fora dos radares da crítica especializada.
.Carcavelos Villa Oeiras Superior 15 Anos - com base nas castas Arinto, Galego Dourado e Ratinho, estagiou 15 anos em barricas de carvalho português e francês; notas de tangerina, casca de laranja e brandy, alguma acidez, gordura e volume e final de boca longo. Para quem tenha o palato aferido aos Madeiras e tawnies velhos, este fortificado passa um pouco por baixo. Nota 17.

domingo, 17 de novembro de 2019

Curtas (CXVII) : Dão Capital e 4 espaços de restauração revisitados (O Frade, Fidalgo, Poke e Farol da Torre)

1.Dão Capital
Com organização da CVR Dão e apoio da revista Grandes Escolhas vai decorrer, no estúdio Time Out no Mercado da Ribeira (1º piso), mais uma edição do evento Dão Capital, nos dias 22 e 23 deste mês, entre as 15 e as 22 h.
Estarão presentes 33 produtores do Dão, em cujas bancas se podem provar vinhos. Há ainda provas comentadas pela equipa da Grandes Escolhas e dedicadas às castas mais emblemáticas desta região (Touriga Nacional e Encruzado).

2.O Frade - 4,5 *
Já aqui comentado na crónica "O Frade - 3,5 *", publicada em 12/9/2019, constatei nesta revisita que acabou a ditadura dos vinhos detalha. Agora já se podem beber outros vinhos, pelo que lhe subi a classificação de 3,5 * para 4,5*.
Comemos e partilhámos (a minha companheira e eu) 2 entradas (berbigão e pato de escabeche), 1 prato (bacalhau assado e batatas confitadas) e 1 sobremesa (mousse de chocolate e frutos secos, com um toque de azeite e flor de sal). Estava tudo uma delícia, com a mais valia de podermos assistir aos respectivos empratamentos.
Quanto a vinhos optámos por um copo do Qtª La Rosa Reserva 2018 - aroma intenso, notas cítricas e fruta madura, acidez equilibrada, algum amanteigado, volume e final de boca. Elegante e gastronómico. Nota 17,5+.
A garrafa foi mostrada, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
Recomendo e tenciono voltar.

3.Fidalgo - 4 *
Já aqui comentado em "Campo de Ourique, o Dirk, o Fidalgo e o Picamiolos", crónica publicada em 22/8/2019, mantém a qualidade na sua cozinha de tacho.
Voltámos a partilhar os pastéis de massa tenra com arroz de tomate, um dos ex-libris da casa e, ainda, o arroz de bochechas de bacalhau com grelos. Bom, mas prefiro com as línguas do dito.
Bebemos, a copo, o branco Seara d' Ordens Reserva 2016 que acompanhou bem o repasto. Nota 16,5.
Recomendo e tenciono voltar.

4.Poke do Kiko - 4 *
Já aqui comentado em "Gourmet Experience (III) : o (...) e o Poke do Kiko", crónica publicada em 10/4/2018, manteve a qualidade da comida e melhorou muito no serviço, desta vez profissional e simpático.
Partilhei a entrada Spring Rolls de Camarão e Porco Preto e comi um prato de Poke de Camarão com Abacate.
Bebemos, a copo, o vinho branco da casa A Cevicheria 2017, resultante de uma parceria do Kiko Martins com a Qtª Monte d' Oiro, também a harmonizar bem com a gastronomia. Nota 16,5. A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e servida uma quantidade deveras generosa.
Recomendo e tenciono voltar.

5.Farol da Torre - 4*
Já aqui comentado em "Espaços de restauração revisitados : (...) e Farol da Torre", crónica publicada em 4/4/2019, manteve a qualidade gastronómica baseada na cozinha tradicional.
Partilhei a entrada Morcela Assada, o prato Arroz de Peixe à Casa e a sobremesa Mousse de Chocolate. O peixe estava bom, mas a morcela e a mousse eram divinais.
Quanto a vinho voltei a experimentar a gama Principium, os monocastas da Qtª da Romeira. Quiz fazer um lote de Chardonnay com Arinto, mas o primeiro destes vinhos já tinha acabado. Ficámos pelo Arinto que me desiludiu um pouco. Já o lote que sugeri a um casal nosso amigo, à base de Touriga Nacional (50 %), Cabernet Sauvignon (25 %) e Syrah (25 %), estava muito agradável.
Recomendo e tenciono voltar.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Grupo dos 6 (19ª sessão) : mais 2 fortificados estratosféricos

Este grupo de enófilos da linha dura regressou ao Magano, para mais uma jornada com vinhos de eleição, sendo de inteira justiça destacar os 2 fortificados (1 Porto e 1 Madeira) que todos nós levaríamos para a tal ilha deserta. Comida, harmonizações, copos, temperaturas e serviço à altura dos acontecimentos.
Desfilaram:
.Poço do Lobo Arinto 1994 (levado por mim) - 92 pontos no Parker; oxidação nobre, fruta madura, notas florais, acidez bem presente, algum amanteigado, volume e final de boca consideráveis (11,5 % vol.). Uma ligação perfeita para queijos, com um ligeiro toque de rolha que rapidamente desapareceu e não o prejudicou. Nota 18.
.Principal Grande Reserva 2011 (levado pelo Frederico) - 90 pontos no Parker e 1º classificado no TOP 10 vinhos portugueses (brancos), resultante de um painel internacional organizado pela Revista de Vinhos; muito fresco e mineral, presença de citrinos, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca de referir (13 % vol.). Fino elegante. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e filetes de peixe galo com arroz de coentros.
.Casa da Passarella Vinhas Velhas 2008 (levado pelo Juca) - ainda com muita fruta, acidez no ponto, notas especiadas, chocolate preto, taninos civilizados, volume considerável e final de boca muito longo (13,5 % vol.). Complexo e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Quanta Terra Inteiro 2008 (levado pelo Frederico) - alguma fruta e acidez, notas vegetais, especiado, taninos de veludo, volume e final de boca notáveis (14 % vol.). Melhor do que uma outra garrafa provada no principio deste ano *, mas sem atingir os céus. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Dona Maria Reserva 2008 (levado pelo João) - com base nas castas Alicante Bouschet (50 %), Petit Verdot e Syrah, estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; ainda com fruta, acidez nos mínimos, algum especiado, bom volume e final de boca adocicado. No ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Estes 3 tintos maridaram com um cabrito e batatas no forno e arroz de miúdos.
Finalmente os 2 fortificados levados pelo Adelino, dos quais não tomei quaisquer notas, limitando-me a usufruí-los com o maior dos respeitos:
.Porto Tordiz Ultra Reserva (com mais ou menos 80 anos). Nota 18,5+.
Provado com pastéis de amêndoa do Vimieiro.
.Artur Barros e Sousa Muito Velho Bual 1946. Nota 19.
Provado com tarte de amêndoas.
Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

* ver crónica "Grupo dos 3 (65ª sessão) : 2 surpresas e 1 desilusão", publicada em 24/2/2019.

domingo, 10 de novembro de 2019

Vinhos em família (XCVIII) : 1 tinto de respeito e 3 brancos fora dos radares

Mais 4 vinhos provados em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega:
.Guyot 2016 (Douro) - enologia de Morais Vaz e Olazabal Ferreira; com base nas castas Rabigato, Códega do Larinho, Síria e Malvasia Fina em vinhas velhas, 40 % do lote estagiou 9 meses em barricas usadas; presença de citrinos, algum mineral, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (11,5 % vol.). Fresco e discreto. Nota 17.
.Alto do Joa 2016 (V. R. Trás-os-Montes) - enologia de Jorge Afonso; com base em vinhas centenárias, é um vinho de curtimenta tendo estagiado 18 meses em barricas usadas de carvalho francês; cor carregada, alguma oxidação nobre, notas florais e de fruta de caroço, acidez viva e algum amanteigado, volume notável e final de boca médio (13,5 % vol.). Um branco contra a corrente a harmonizar bem com queijos. Nota 17,5.
.Baías e Enseadas Reserva Arinto 2017 (V. R. Lisboa) - enologia de Daniel Afonso; estagiou 1 ano em barricas usadas; evoluido na cor, presença de citrinos e fruta de caroço, notas salinas, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). Fresco e gastronómico. Nota 17,5+.
.Duas Quintas Reserva 2011 - enologia de João Nicolau de Almeida; com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Touriga Franca (30 %) e Tinta da Barca (10 %), estagiou 18 meses em pipas de carvalho novo e 1 ano na garrafa; aroma intenso e muito fino, presença de frutos vermelhos, boa acidez, notas achocolatadas, especiado, taninos firmes e civilizados, volume e final de boca notáveis(14,5 % vol.). Muito elegante e harmonioso, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Jantar Rui Cunha

Este último evento vínico, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, decorreu nas suas próprias instalações para uma vintena de privilegiados. Temperaturas correctas, bons copos e comida, fornecida pela Churrasqueira das Avenidas, à altura dos acontecimentos. Serviço de vinhos a cargo dos donos. Na mesa, 2 belíssimos azeites (Covela e Quinta da Boa-Vista).
O tema era uma vertical de Covela Escolha brancos em garrafa magnum e Quinta da Boavista Reserva tintos, todos devidamente apresentados pelo Rui Cunha, o enólogo responsável pelos vinhos destas 2 quintas.
Desfilaram:
.Covela Avesso Reserva 2018 - nariz e presença de citrinos intensa, acidez muito acentuada, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Este vinho branco de boas vindas fez companhia ao couvert (azeite, pão, tostas e queijo).
.Covela Escolha 2016 - aroma com alguma complexidade, presença de citrinos e alguma fruta de caroço, acidez equilibrada, volume médio e final de boca com alguma persistência. Nota 16,5+.
.Covela Escolha 2015 - perfil semelhante ao anterior, mas mais fresco e mineral. Nota 17.
.Covela Escolha 2014 - mais complexo que os anteriores, muita fruta, acidez bem presente, volume e final de boca assinaláveis. Para mim, o grande vencedor desta vertical. Nota 17,5+.
.Covela Escolha 2013 - algumas semelhanças com o 2014, mas menos complexo. Nota 17,5.
Estes brancos harmonizaram com um delicioso atum braseado.
.Boa-Vista Reserva 2016 - muita fruta vermelha, alguma acidez, taninos delicados, volume e final de boca médios. Precisa de mais tempo em garrafa. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 16,5+.
.Boa-Vista Reserva 2015 - também muito frutado, notas vegetais, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.Boa-Vista Reserva 2014 - perfil algo semelhante ao anterior, mas mais complexo e inclusivo, com os taninos mais presentes, mais volume e final de boca mais longo. Para mim, o grande vencedor desta vertical, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Boa-Vista Reserva 2013 - não estava previsto entrar nesta prova; perfil algo semelhante ao anterior, mas menos intenso e complexo. Nota 17,5.
Estes tintos casaram bem com um saboroso borrego no forno e batata assada.
.Porto Qtª das Tecedeiras Tawny Reserve - muito frutado, alguma acidez, taninos dóceis, algum volume e final de boca persistente. Agradável, mas sem entusiasmar. Nota 16,5.
Este fortificado acompanhou um bolo de chocolate e noz.
No final do repasto ainda foi servida uma aguardente Covela que apenas cheirei.
Foram 2 provas muito didácticas, a comprovar que os vinhos destes patamares, sejam tintos ou brancos, precisam de tempo para se mostrarem.
Nota à margem deste jantar: tive a oportunidade de, em conversa com o Rui Cunha, lembrar os vinhos Campo Ardosa, dos quais ele foi o responsável pela enologia, e que foram na altura dos mais vendidos nas Coisas do Arco do Vinho. Quem ainda se lembra destes tintos já desaparecidos?

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Outubro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 16 crónicas publicadas no decorrer de Outubro 2011, selecciono estas 4:

."O grupo do Raul (10ª sessão)"
Um almoço inesquecível no restaurante Colunas com vinhos do enófilo Raul Matos. Provados às cegas 12 (doze!) tintos da colheita 2003 da sua garrafeira numa surpreendente e desconcertante prova. Algumas confirmações, mas também algumas desilusões.

."Almoço no Gspot Gastronomia"
Um almoço num pequeno espaço em Sintra que me deixou saudades, com o Manuel Moreira (o mentor do projecto) na sala e o João Sá nos tachos. Comia-se bem e em conta.

."Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca (JMF)"
Um encontro exclusivo com os responsáveis de 15 blogues, alguns já encerrados, organizado por uma grande empresa produtora de vinhos, que percebeu a importância da blogosfera.
Presentes o Domingos (6ª geração da família Soares Franco), responsável pela enologia e que partilhou connosco algumas das experiências que tem feito na JMF e, ainda, a Sofia (7ª geração) responsável pelo marketing da casa.

."O último evento das CAV : 2 anos depois"
Recordando o último encontro vínico, que foi um almoço, cujos protagonistas foram os "Douro Boys", uns grandes senhores do mundo do vinho que fizeram questão em estar presentes.