terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Grupo dos 3 (69ª sessão) : 3 vinhos a merecerem nota alta

A crónica deste evento deveria ter sido publicada antes das crónicas dedicadas ao Grupo dos 6 e ao Jantar Quinta do Crasto, mas os papéis onde tomei as minhas notas andaram perdidos. Mas já foram encontrados. Logo, assunto resolvido!
Este último encontro vínico dos 3, foi da responsabilidade do Juca que pôs à prova (cega, como é habitual neste grupo) 3 vinhos da sua garrafeira, tendo escolhido o restaurante do Hotel Real Parque (Av. Luis Bívar) no dia dedicado ao bacalhau (todas as quintas-feiras, em serviço bufete).
Sala a abarrotar de gente ruidosa, ambiente nada propício a provas cegas e guardanapos de papel. Salvaram-se os vinhos, a saber:
.Qtª da Falorca Reserva 2018 branco - enologia de Carlos e Pedro Figueiredo; com base maioritariamente na casta encruzado (97 %), estagiou parcialmente 2 meses em barrica; fresco e mineral, presença de citrinos, acidez elevada, algum volume e final de boca (14 % vol.). Nota 17,5+.
Este branco acompanhou pataniscas, bacalhau às lascas e uma tábua de queijos.
.M.O.B. 2012 tinto (elaborado e produzido pelo trio de amigos jorge Moreira, francisco Olazabal e jorge serôdio Borges) - com base nas castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga; alguma fruta e notas vegetais, acidez e elegância, taninos de veludo, algum volume e final de boca extenso (12,5 % vol.). Ainda longe da reforma, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18,5.
Harmonizou com bacalhau à braz e à lagareiro.
.Blandy Bual 30 Anos - 92 pontos no Parker; nariz afirmativo, presença de frutos secos, notas de brandy e iodo, vinagrinho equilibrado, volume notável e final de boca interminável. Nota 19.
Acompanhou com bolo rainha e mousses de chocolate, manga e maracujá.
Obrigado Juca e desculpa lá o atraso!

domingo, 29 de dezembro de 2019

Taberna Albricoque revisitada - 4,5 *

As minhas primeiras impressões deste espaço do chefe Bertílio Gomes foram objecto da crónica "Taberna Albricoque - 4 *", publicada em 20/8/2019.
Estive lá recentemente e constatei que o projecto está perfeitamente consolidado e melhorado. Já se pode beber cerveja artesanal, as 4 variedades da algarvia Marafada. Também ali reencontrei o Bruno Salvado, agora o chefe residente, que já conhecia dos tempos da Casa da Comida e do Vírgula.
Nas mesas, flor de sal, toalhetes e guardanapos de papel reciclado.
Desta vez comemos, em partilha:
.couvert (pão da Gleba e cenoura roxa de conserva com azeitonas de sal)
.rissol de berbigão
.carapau em tártaro com pickles de algas
.berbigão à bulhão pato
.bacalhau lascado com puré de castanhas
Estava tudo delicioso. Nota alta para o trabalho na cozinha.
Para acompanhar, escolhi um branco algarvio, Barranco Longo Chardonnay 2018 - fresco e elegante, equilíbrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Nota 17,5.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num bom copo Chef & Sommelier.
Serviço eficiente, profissional e simpático.
Por tudo isto, a classificação da Taberna Albricoque subiu das 4 * iniciais para 4,5 *, o que é de inteira justiça.
A voltar, sempre!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Grupo dos 6 (20ª sessão) : a 1500ª crónica

Foi em 19 de Março 2010 que publiquei aqui a minha 1ª crónica e hoje, passados quase 10 anos, estamos na 1500ª que vai ser dedicada à 20ª sessão do Grupo dos 6.
Este grupo de privilegiados enófilos, desfalcado de um dos seus protagonistas (falta justificada), reuniu no Magano para mais uma sessão de respeito, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.
O tema era provarmos os 2 brancos lançados agora pelo Clube Reserva 1500, 2 tintos de 2004 e 2 fortificados da garrafeira pessoal do nosso amigo Adelino.
Desfilaram:
.Série Impar Sercialinho 2017 (garrafa nº 619/2050 levada pelo Frederico) - enologia de António Braga; com base na casta Sercialinho (100 %), estagiou em barricas usadas; intensidade aromática, presença de citrinos, acidez fabulosa, algum adocicado, volume e final de boca assinaláveis (12,5 % vol.). Longevo, ainda não mostrou tudo o que vale. Há que esperar mais uns anos. Nota 18.
.Qtª dos Carvalhais Atípico Branco Especial (levada por mim) - com base nas castas Encruzado, Gouveio e Sémillon, estagiou em barricas usadas de carvalho francês; já engarrafado neste ano, junta vinhos das colheitas de 2004 a 2018, com predominância de 2013 e 2014; nariz discreto, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (14 % vol.). Gastronómico, ainda está muito marcado pela madeira. Nota 17.
Estes 2 brancos maridaram com as entradas habituais e uma lulas recheadas com puré de batata.
.BOCA 2004* (levada pelo Juca) - ainda com alguma fruta, aromas/sabores já terciários, especiado, taninos de veludo, algum volume e final de boca longo (14,5 % vol.). Elegante e complexo, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18,5.
.Qtª da Dôna 2004 (levada pelo João) - com base na casta Baga, estagiou 14 meses em barricas de carvalho; ainda com fruta, bela acidez, especiado com predomínio da pimenta, taninos suaves, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Ainda com saúde, a beber nos próximos 3/4 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos harmonizaram com um cabrito no forno e grelos.
.Moscatel Roxo 1992 J.P. (levada pelo Adelino) - presença de citrinos, casca de laranja cristalizada e frutos secos, boa acidez, algum volume e final de boca. Nota 18.
.FMA Bual 1964 (levada pelo Adelino) - presença de citrinos, frutos secos e vinagrinho, notas de brandy, caril e iodo, volume e final de boca impressionante. Nota 19.
Estes 2 fortificados acompanharam pastéis de amêndoa, mil folhas e pão de ló.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes, a última de 2019.

* Não é demais relembrar que este BOCA (anagrama das iniciais de Barão da Cunha e Oliveira Azevedo, sócios gerentes da saudosa garrafeira Coisas do Arco do Vinho) resultou de um lote concebido por nós (Juca e eu), a partir das castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, tendo estagiado 12 meses em barricas de carvalho francês. Foi lançado no âmbito das comemorações do 10º Aniversário das CAV, em Setembro 2006.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

À volta da cerveja artesanal (VII)

1.Mais provas (classificação de 1 a 5)
.Com 5
Imp5Rio, uma parceria Letra/Dois Corvos (noutra situação também 5)
.Com 4,5
8ª Colina Iolanda Double IPA
8ª Colina Bardolfo
Musa Born in the IPA (noutra 4)
1927 Bengal Amber IPA (noutras 4/4,5/4+)
.Com 4
5 e Meio Inca (Venda do Pinheiro)
5 e Meio Ruby Strong Ale
Post Scriptum Ora et Labora (Lisboa)
Dois Corvos Murmúrios American Amber Ale
.Com 3
Beertec Chica nº 101 (Queluz)

2.Oitava Marquês
A cervejeira 8ª Colina abriu recentemante um espaço de restauração (Av. Duque de Loulé, 85-87) que já foi objecto de crónicas no blogue "marcadomen.com" do meu filho Bruno (tenho um link para ele), em 6 de Dezembro, sob o título "A 8ª Colina desceu ao Marquês" e também na Fugas de 7 de Dezembro, intitulada "A cerveja da 8ª Colina já não pertence só à Graça".
Cheio de curiosidade pus-me a caminho e fui lá almoçar num dia destes.
Espaço reduzido que se estende por 3 pisos, ao nível da rua o "taproom", um misto de bar com 14  torneiras (13 da marca e 1 em parceria com a Musa) e loja onde se podem comprar as artesanais da 8ª Colina em garrafa.
No piso de cima é o restaurante e no de baixo as casas de banho. Só que os acessos com uma escada tipo caracol pouco simpática não são nada fáceis. Aconselha-se seguro de vida actualizado...
A lista gastronómica é curta, com 8 pratos principais (2 de peixe, 4 de carne e 2 vegetarianos) e mais o do dia, onde referem que podem aconselhar a cerveja mais adequada ao prato escolhido. Eu fiz o contrário, escolhi a cerveja, a Bardolfo, uma artesanal com 10,5 % vol. que estagiou em barricas de vinho Madeira (casta Verdelho) da empresa Justino's (não faz sentido a carta das cervejas estar maioritariamente em inglês).
Veio para a mesa o prato do dia (uma deliciosa barriga de porco com batata doce e couve avinagrada em excesso), a que se seguiu uma sobremesa (flan de coco com caramelo).
Serviço esforçado, mas inseguro.
Voltei lá, mas desta vez à loja, para comprar uma embalagem com as 3 artesanais resultantes da parceria com a Justino's (Plantageneta, Falstaff e a Bardolfo).
Está de parabéns a 8ª Colina com este projecto. Tem pernas para andar, embora tenha que limar algumas arestas.
Tenciono voltar e recomendo este espaço aos apreciadores das artesanais. 

3.Herdade do Rocim
Mais um produtor de vinhos a aderir ao mundo da cerveja. A Herdade de Rocim acabou de lançar a sua primeira artesanal, a Mimi, uma grape ale fermentada em ânforas.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Jantar Quinta do Crasto

A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico no seu espaço, cujo tema foi uma dupla vertical com brancos Crasto Superior (colheitas 2015, 2016 e 2017) e tintos Reserva Vinhas Velhas (colheitas de 2010, 2013 e 2016) da Quinta do Crasto, em garrafas magnum. Presentes o produtor Pedro Almeida, o enólogo Manuel Lobo e, ainda, Tiago Tavares (azeite Quatro Tavares).
A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos, tendo o prato de peixe vindo da Churrasqueira das Avenidas e o prato de carne sido confeccionado pela Paula Costa. O serviço de vinhos esteve a cargo dos donos e animadores da Néctar das Avenidas, Sara e João Quintela.
Desfilaram:
.2017 - com base nas castaViosinho (60 %) e Verdelho (40 %) em vinhas de altitude (600 metros), estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês (novas e velhas, em partes iguais), aplicando-se isto aos restantes brancos; nariz exuberante, fresco, cítrico e mineral, acidez acentuada, algum amanteigado, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Nota 17,5.
.2016 - perfil semelhante ao anterior, mas ligeiramente menos fresco, melhorou quando a temperatura subiu (12,5 % vol.). Nota 17.
.2015 - idem, mas mais complexo e com maior volume de boca (13 % vol.). Nota 17,5+.
Estes 3 brancos harmonizaram com umas belíssimas lulas à lagareiro, batata a murro e couve salteada.
.2010 - ainda com alguma fruta vermelha, fresco, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). Nota 17,5.
.2013 - perfil semelhante, mas todo ele mais austero (14,5 % vol.). Nota 17.
.2016 - perfil semelhante, mas mais exuberante e com maior volume (14,5 % vol.). Nota 18.
Estes 3 tintos maridaram com uma saborosa caldeirada de cabrito à africana.
.Porto Colheita 2000 (engarrafado em 2018) - ainda com muita fruta, alguma acidez, volume efinal de boca médios. Não me emocionou. Nota 17.
Acompanhou um recomendável bolo rainha.
Este foi o último evento da Néctar das Avenidas em 2019, mas já tem um marcado para 2020. Soma e segue!
Só é pena que os seus amigos e clientes não se tivessem manifestado, concordando ou discordando daquilo que referi na crónica "As contradições dos Prémios W atribuídos pelo Aníbal Coutinho", publicada em 10/9/2019, a propósito da não inclusão da Néctar das Avenidas nas nomeadas para a Garrafeira do Ano, o que apenas mereceu um comentário de outra garrafeira (a Wines 9297).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Curtas (CXVIII) : Barca Velha, Mesa Portuguesa..., Livros para o Natal, Imperdíveis e Vila Galé

1.Barca Velha 2011
A Casa Ferreirinha já confirmou que a colheita de 2011 foi eleita para ser o 20º Barca Velha, a sair em Maio de 2020. Nem outra coisa seria de esperar!
Afirmou o enólogo Luís Sottomayor que "2011 foi um ano extraordinário, dos melhores de sempre no Douro, intenso e de grande qualidade, pelo que da nossa parte foi só uma questão de paciência até podermos confirmar o potencial que a vindima deixou antever".
Também eu apostei neste ano e comprei quase todos os tintos do Douro das gamas alta e média-alta. Como sou sócio do Clube 1500 da Sogrape, vou ter a possibilidade de comprar directamente este Barca Velha a preço decente e não especulativo.

2.Mesa Portuguesa...com Estrelas com certeza!
É o nome de uma série de 28 episódios sobre os nossos chefes estrelados (portugueses ou estrangeiros a trabalhar em Portugal) que passa na RTP1 às quartas-feiras (quando não há futebol ou outros eventos em directo). O formato não se esgota na cozinha dos chefes, pois vamos acompanhá-los aos mercados e a outros espaços de restauração por eles frequentados.
Nesta altura já deram os 2 primeiros:
.E1 - Louis Anjos (Bon Bon)
.E2 - Leonel Pereira (São Gabriel) que nos levou ao restaurante da Noélia, em Cabanas
Estou a ver e recomendo.

3.Livros para o Natal
Este final de ano foi muito pobre em livros sobre o vinho. Que eu tivesse dado conta, nem o João Paulo Martins, nem a Maria João Almeida, nem outros autores, publicaram algo sobre a temática vínica. Um deserto editorial.
A honra do convento foi salva por 2 estudiosos, docentes e investigadores Virgílio Loureiro e Manuel Malfeito Ferreira que publicaram "O Vinho Sentido - sem descrever aromas ou atribuir pontuações" (Plátano Editora), que se divide em 3 partes:
I - A prova clássica e os sentidos
II - O novo método de prova: descrever e entender as emoções do provador
III- Modas, estilos de vinho e preferências
Não esperei pelo Pai Natal e já o comprei.

4.Imperdíveis
Já começou a 9ª temporada deste programa do Canal Porto, sobre vinhos (mais) e gastronomia (menos).
Só que enferma do mesmo problema das temporadas anteriores, omitindo na programação o nº do episódio, que só aparece depois de começado. Moral da história, nunca se sabe que episódio se vai ver pela 1ª vez ou se já foi visto. Uma confusão...
Cartão amarelo!

5.Vila Galé
Estive recentemente hospedado neste hotel em Tavira. Lamentavelmente, a crítica feita aqui no ponto " (...) 5. Espumante inqualificável no Vila Galé de Tavira" da crónica Curtas (CVIII), publicada em 12/2/2019, caíu em saco roto. Cartão Amarelo!
Cartão vermelho por acumulação de amarelos!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

ME TOO (a propósito de uma entrevista do João Paulo Martins à Fugas)

A Fugas de 30 de Novembro publicou uma interessante e oportuna entrevista ao João Paulo Martins (JPM), conduzida pelo jornalista e também produtor de vinhos, Pedro Garcias (PG). Pela leitura desta entrevista fiquei a saber que a maior parte dos meus gostos vínicos, explanados em parte nas crónicas
."Vinhos fortificados : as minhas preferências", publicada em 16/6/2012
."Porto Colheita versus Porto Vintage", publicada em 12/5/2015
coincidem com os do JPM, como se pode concluir de algumas das suas respostas.
PG - "Gostas mais de vinho branco ou mais de tinto?
JPM - "Actualmente gosto mais de branco. Também bebo tinto com muito prazer, mas no dia-a-dia bebo mais branco. Quando comecei, preferia os vinhos mais novos. Hoje, prefiro-os com alguma idade. (...)"
Eu - Me Too. Hoje em dia compro mais brancos do que tintos e guardo-os algum tempo, antes de os consumir. Nesta altura, estou a beber os de 2015 e alguns mais antigos que vou encontrando.
PG - "És mais Vintage ou mais Tawny?"
JPM - "Tenho muita dificuldade em responder a isso. (...)"
Eu - Eu não. Sou claramente mais Tawny, como se pode comprovar pelo que escrevi nas crónicas acima referidas.
PG - "Gostas mais de Porto ou de vinho Madeira?"
JPM - "Com mais prazer, bebo Porto, mas adoro Madeira. É um vinho tão bicudo, com tanta personalidade, que exige do provador uma atitude mais séria do que o Porto. (...). Eu bebi só uma vez na vida um vinho Madeira do século XIX, do ano de 1895, mas tive a nítida sensação que se lhe passarem mais 100 anos por cima o vinho vai estar igual. Era deslumbrante. É um vinho eterno."
Eu - Me Too, em parte. Sou claramente pelo Madeira. Graças, maioritariamente, ao nosso amigo Adelino, madeirense genuino, tenho provado largas dezenas de vinhos Madeira. Quanto a néctares do século XIX, que eu tivesse registado e publicado aqui, bebi 16 dos anos 1814, 1825 (ou 1827?), 1856, 1860 (2), 1863, 1870, 1875, 1880 (4), 1890 (2), 1891 e 1898. E, se calhar, mais alguns que não registei.
PG - "(...) Também tiveste a tua fase Robert Parker..."
JPM - "Era inevitável. Havia um fascínio pelos vinhos mais poderosos que impressionavam. Ficávamos esmagados quando provávamos aquilo. Também passei por isso, como é evidente, não vou dizer que não."
Eu - Me Too. Também fiquei agarrado pelas grandes bombas do Douro.
PG - "Qual é a região portuguesa de que mais gostas?"
JPM - "Gosto muito do Douro. E também sou um grande adepto da elegância dos vinhos do Dão. (...) Só sou um bocadinho mais radical, no sentido negativo, em relação aos chamados vinhos naturais, pela simples razão que se confunde com frequência vinho natural com vinho mal feito. (...)"
Eu - Me Too. Douro sempre em primeiríssimo lugar, mas também guardo boas recordações de vinhos do Dão e da Bairrada e, ultimamente, alguns brancos de Lisboa (uma boa surpresa).
PG - "Então os vinhos de talha para ti não podem ser grandes vinhos..."
JPM - "Não é isso. Acho que são vinhos muito expressivos de uma certa forma de trabalhar, aquela coisa da talha, etc.Mas vou engarrafar esse vinho para deixar aos meus filhos? Não vou. O vinho não vai chegar lá. São vinhos com alguma fragilidade, para beber novos. (...)"
Eu - Me Too. Ainda não bebi um vinho de talha que me tivesse apaixonado. Pelo contrário, as minhas últimas experiências foram desastrosas!

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Grupo FJF (14ª sessão) : um grande tinto fora dos radares

Esta última sessão foi num restaurante, para mim desconhecido, que dá pelo nome de Lagar do Xisto (Av. Columbano Bordalo Pinheiro, 103) e cujo dono é o Simão, antigo empregado no Magano. Aberto em Fevereiro deste ano, desenvolve-se em 2 pisos, sendo o 1º destinado a fumadores e a cave, arejada e espaçosa, para os clientes normais. Mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano e copos Riedel a pedido, destoando 2 televisões ligadas, embora sem som. Não havia necessidade...
Gastronomia alentejana com uma oferta similar à do Magano e um bom serviço de vinhos. Temos restaurante!
Provámos/bebemos:
.Mestre Daniel 2018 (levado pelo João) - vinho de talha DOC Alentejo com base nas castas Antão Vaz, Perrum e Roupeiro; aparentemente um vinho "laranja", turvo, nariz neutro, aromas e sabores a salada de frutas, acidez bem presente, magro e final de boca curto. Completamente desinteressante. Desclassificado.
Acompanhou algumas entradas (queijo fresco, presunto, empadas e pastéis de massa tenra).
.Grandes Quintas Vinha do Cerval 2011 (garrafa nº 816/1550 levada por mim) - com base nas castas Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Sousão e Alicante Bouschet), estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês e foi engarrafado em Julho 2014; aroma afino, fruta discreta, notas florais, acidez equilibrada, um toque apimentado, madeira bem integrada, taninos civilizados, volume e final de boca de respeito (14 % vol.). Fresco, fino e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5+ (noutras situações 18,5/18,5).
Destinado a harmonizar com um cabrito no forno e arroz de miúdos, também ligou bem com os filetes de peixe galo e açorda (excelente!).
.Porto Messias + 40 Anos engarrafado em 2017 (levado pelo Frederico) - presença de frutos secos, notas de iodo e brandy, acidez nos mínimos, doçura bem visível, volume médio, mas final de boca longo. Nota 17,5.
Acompanhou uma encharcada e tarte de amêndoa.
Descontando o branco de talha, uma carta fora do baralho, foi mais uma boa sessão de comeres e beberes.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Jantar do 8º Aniversário da Garrafeira Néctar das Avenidas

1.Introdução
A Néctar das Avenidas comemorou o seu 8º aniversário, com um jantar vínico apoiado pelos produtores Messias, Real Companhia Velha e Tiago Cabaço e, ainda, pelos distribuidores Carlos Chança, Taveira Wines e Vinalda, onde participaram 58 pessoas (amigos e clientes).
Foi o 120º evento organizado pela Néctar, sendo a maior parte jantares vínicos, mas também 6 edições do Bairradão, 1 do Lisboa Tejo e algumas visitas a produtores. É obra!
O repasto decorreu na Casa do Bacalhau, tendo a gastronomia e o serviço de vinhos estado ao nível do acontecimento. Na mesa cerca de 300 copos Riedel.

2.Os beberes e os comeres
Dos 24 vinhos servidos ao longo do repasto (2 espumantes, 9 brancos, 9 tintos e 4 fortificados), provei 16 dos quais me limitarei a incluir a pontuação que me mereceram, com excepção dos vinhos provados inicialmente, ainda com os participantes em pé (Qtª do Regueiro Alvarinho Reserva, Qtª do Cardo Síria Reserva, Qtª de Pancas Arinto Reserva, Qtª do Síbio Arinto e Pegos Claros Castelão Blanc de Noir, acompanhados por amêndoas torradas e pastéis de bacalhau).
Havia, ainda, os espumantes Messias Grand Cuvée Millésime e Messias Grande Reserva Blanc de Noirs, que não cheguei a provar.
E eles foram:
.Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (nota 17,5)
.Qtª do Regueiro Alvarinho Barricas 2017 (17,5+)
.Qtª do Perdigão Encruzado 2018 (16,5).
Estes 3 brancos maridaram com uma sopa alentejana de bacalhau.
.Qtª do Perdigão Jaen 2013 (17,5)
.Pegos Claros Castelão Vinhas Velhas 2014 (16)
.Qtª do Cardo Touriga Nacional Reserva 2016 (16,5)
.Qtª de Cidrô Touriga Nacional 2016 (17)
.Qtª de Pancas Reserva 2016 (17)
Estes 5 tintos harmonizaram com pataniscas de bacalhau com arroz de tomate (era para ser arroz de grelos).
.Messias Clássico Garrafeira 2013 em magnum (18)
.Qtª da Alorna Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional em magnum (não provado)
.Tiago Cabaço Vinhas Velhas em double magnum (não provado)
Estes 3 tintos casaram com um bacalhau à Margarida da Praça.
.Carvalhas 2011 branco (15)
.Messias Vintage 2017 (17,5)
.Tiago Cabaço Blog Bivarietal tinto (não provado)
Estes 3 diferentes tipos de vinho acompanharam uma trilogia de queijos.
.Madeira Justino's Verdelho 1997 (17,5)
.Moscatel de Setúbal António Saramago 10 Anos (não provado)
.Real Companhia Velha Colheita 2008 (não provado)
Estes 3 fortificados acompanharam o bolo de aniversário (noz e caramelo).

3.A terminar
Foi uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. A Casa do Bacalhau também está de parabéns, pois não é nada fácil servir com qualidade tanta gente (a sala do lado estava cheia) e não conheço nenhum restaurante com capacidade para tantos copos Riedel.
Finalmente, um beijinho à Sara e um grande abraço ao João de parabéns pelo 8º aniversário e com votos de que venham a comemorar muitos mais, mas no dia 26 (e não a 25 de Novembro) que foi o dia em que a garrafeira abriu ao público.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Novembro 2011 : o que aconteceu aqui há 8 anos

Das 18 crónicas publicadas no decorrer de Novembro 2011, destaco estas 3:

."As marcas que interditei nas CAV"
Ao longo dos 13 anos e meio que gerimos as Coisas do Arco do Vinho, tivemos sempre as melhores relações pessoais e profissionais com produtores, enólogos e comerciais ligados ao mundo do vinho.
No entanto tivemos, também, as nossas zangas nomeadamente com 2 conhecidos produtores que se portaram mal connosco, Cortes de Cima e Dão Sul.
Para os mais curiosos, remeto-os para a crónica acima referida, onde justifico as nossas razões.

."Uma garrafeira que nasce e outra que muda de mãos"
A garrafeira que mudou de mãos foi a Coisas do Arco do Vinho. Quem ficou com as CAV quando nos retirámos (o Juca e eu) em Março 2010 não se aguentou e, ao fim de 1 ano e 8 meses passou-a. Os novos donos também não se aguentaram muito tempo e fecharam-na definitivamente. Posteriormente, o espaço das CAV no CCB foi ocupado pela garrafeira Estado d' Alma que, ainda no corrente ano, acabou por a encerrar.
Neste momento em vez de vinhos temos lá uma loja de perfumes e sabonetes. É a vida...
A que nasceu foi a Garrafeira Néctar das Avenidas na Av. Luis Bivar, do nosso antigo cliente e agora amigo João Quintela e da filha Sara, sobre a qual me tenho referido aqui inúmeras vezes.
A abertura oficial foi no dia 26 de Novembro, mas eles neste ano comemoraram 1 dia antes.

."Caça no Assinatura"
É sempre bom relembrar o período áureo do chefe Henrique Mouro, mais uma vez desaparecido dos radares da comunicação social. Este jantar temático, quase na totalidade acompanhado por uma garrafa do inesquecível CARM BOCA 2004, foi um autêntico deslumbramento.