terça-feira, 28 de abril de 2020

A minha biblioteca vínica (III) : os livros do José António Salvador (2ª parte)

continuando...

4.Portugal Vinhos Cultura e Tradição (Círculo de Leitores, 2006)
Esta última referência dos livros publicados pelo José A. Salvador é, a meu ver, uma obra monumental e a mais importante, publicada em Portugal sobre as regiões, os produtores, os vinhos, as castas e as gentes deste país vinícola. São nada menos que 1494 páginas!
Segundo o seu autor, "(...) Desdobrada em 6 volumes, esta obra comporta informação actualizada sobre os aspectos genéricos de cada região e sobre os mais relevantes produtores portugueses de vinho. Para além da visão pessoal do autor, procuramos fornecer a informação oficial de cada região, com o respectivo regulamento, rotas oficiais de vinho, confrarias e outros elementos institucionais (...)".

.1º volume (224 páginas), com o subtítulo "As rotas dos vinhos da Região dos Vinhos Verdes"
Este 1º volume inicia-se com um pouco de história, dos fenícios ao século XXI, e continua pelas castas obrigatórias e autorizadas, e, ainda, as rotas do enoturismo.
A 1ª rota é a do vale do Alvarinho, contemplando a Quinta do Soalheiro, Dona Paterna, Quinta do Regueiro, Adega Cooperativa de Monção, Palácio da Brejoeira, Quinta de Alderiz e Provam.
Segue-se a rota do Rio Lima (Quinta do Ameal) e outras menos emblemáticas.

.2º volume (271 páginas), com o subtítulo "As rotas dos vinhos do Porto, do Douro e de Trás-os-Montes"
Depois de uma curta introdução, onde o autor refere "Tenho para mim que o Douro é a mais fascinante e a mais bela região vitivinícola do Mundo", continua com a definição das 3 sub-regiões do Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior) e das 5 castas rainhas (Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão e Tinta Roriz).
Segue depois pelas quintas, produtores e enólogos, destacando no Vinho do Porto a Real Companhia Velha, Quinta do Noval, Taylor's , Fonseca, Symington, João Nicolau de Almeida e Dirk Niepoort, entre outros.
Nos vinhos do Douro, destaque para os Lavradores de Feitoria, Barca Velha, Douro Boys, Qtª Vallado, Qtª Crasto, Qtª La Rosa e Qtª Vale Meão. Finalmente, nos vinhos de Trás-os-Montes o acento tónico é no Valle Pradinhos.

.3º volume (256 páginas), com o subtítulo "As rotas dos vinhos Regional Beiras, do Távora-Varosa, da Beira Interior e do Dão"
Deixando a Bairrada para outro volume (o que não se entende), o autor debruça-se sobre os vinhos Regional Beiras e Beira Interior, destacando a Adega Cooperativa de Cantanhede, mas também o Luis Pato, Filipa Pato, Campolargo e Qtª Cozinheiros.
Quanto aos vinhos do Dão, destaque para Qtª Carvalhais, Passarella, Casa da Ínsua, Casa de Santar, Qtª Roques/Maias, QtªLemos, Qtª Fonte do Ouro e Álvaro de Castro.
Finalmente, destaque aos espumantes das Caves da Murganheira e da Raposeira, quando refere os vinhos de Távora- Varosa.

.4º volume (263 páginas), com o subtítulo "As rotas dos vinhos da Bairrada, da Estremadura e do Ribatejo"
Nos vinhos da Bairrada (que deveriam estar no 3º volume), destaque para os espumantes das principais Caves (Aliança, Primavera e Messias), como também para os vinhos do Buçaco.
Quanto aos vinhos da Estremadura, agora Lisboa, referência às marcas Loridos, Monte d' Oiro, Pancas e Santos Lima. Também dentro deste capítulo, o autor refere os vinhos de Carcavelos, Colares e Bucelas.
Nos vinhos do Ribatejo, agora Tejo, referência à Qtª Lagoalva, Casa Cadaval, Conde Vimioso, Marquesa de Alorna, Companhia das Lezírias e Rui Reguinga.

.5º volume (256 páginas), com o subtítulo "As rotas dos vinhos de Palmela, do Moscatel de Setúbal e do Alentejo"
Quanto aos vinhos de Palmela e Moscatel de Setúbal, destaque para a José Maria da Fonseca e Domingos Soares Franco e, ainda, Quinta da Bacalhôa e Filipa Tomaz da Costa. Seguem-se a Casa Ermelinda Freitas e o Jaime Quendera.
Nos vinhos do Alentejo, referências à Tapada de Chaves, Mouchão, Lima Mayer, João Portugal Ramos, Qtª do Mouro, Margarida Cabaço, Herdade das Servas, Qtª Carmo, Fundação Eugénio Almeida, Tapada de Coelheiros, Herdade do Esporão, Herdade do Peso, Luis Duarte e Malhadinha, entre outros.

.6º volume (224 páginas), com o subtítulo "As rotas dos vinhos do Algarve, da Madeira e dos Açores"
Nos vinhos do Algarve, referência ao Barranco Longo e poucos mais produtores.
Quanto aos vinhos da Madeira, destaque para alguns dos vinhos mais emblemáticos, referência aos produtores (Artur Barros e Sousa, D' Oliveiras, H. M. Borges, Barbeito, Justino Henriques, Henriques & Henriques e Madeira Wine) e às principais figuras (Francisco Albuquerque e Ricardo Diogo).
Sobre os vinhos dos Açores, de realçar o destaque dado à Casa Agrícola Brum.
A fechar, o autor apresenta uma aliciante sugestão para uma garrafeira de Vinhos da Madeira, nada menos que 49 destes fortificados:
.Artur Barros e Sousa - 10
.D' Oliveiras - 6
.Borges - 5
.Barbeito - 9
.Justino's - 3
.Henriques & Henriques - 7
.Blandy's - 4
.Cossart Gordon - 5

domingo, 26 de abril de 2020

Curtas (CXXII) : 25 de Abril, take away, Padaria da Esquina e um filme temático

1.25 de Abril
Este ano o corona vírus interferiu com o nosso 25 de Abril, impedindo-nos de almoçar no restaurante da Associação 25 de Abril e participar no desfile Avenida da Liberdade abaixo, o que fomos fazendo ao longo dos anos.
No entanto, depois de almoçarmos em casa, fomos dar a habitual volta higiénica para esticar as pernas e arejar a cabeça. Só que desta vez "desfilei" de cravo ao peito!
No regresso ouvi e vi na net, o grande concerto do Zeca Afonso no Coliseu em 1983, a que na altura tive a oportunidade de assistir ao vivo. Inesquecível!
Para o ano esperamos voltar ao programa tradicional, assim o espero.

2.Take away
Estando a utilizar a modalidade de take away neste tempo de confinamento, deixo aqui algumas referências que podem interessar a quem resida na parte ocidental de Lisboa.
Recomendo vivamente:
.Restaurante A Marítima do Restelo (Rua Bartolomeu Dias, 110 - telefones 213010577/913606025)
comida de tacho bem confeccionada e doses individuais generosas
.São Bernardo Alimentação (Rua da Junqueira, 120 ao Hospital Egas Moniz - tel. 213600570)
doses para 2 pessoas com qualidade, congeladas ou para comer na altura
Com sérias reservas
.Fora de Casa Catering (Rua D. Francisco de Almeida, 8)
mais vocacionada para casamentos e baptisados, alternando pratos bons com outros de fraca qualidade e quantidade
A evitar absolutamente
.Hotel Vila Galé Ópera (Travessa Conde da Ponte)
experiência desastrosa com o cabrito da Páscoa, com pouca quantidade (excesso de ossos e acompanhamento reduzido), o que originou uma reclamação escrita da minha parte e um correcto pedido de desculpas por parte do hotel.

3.Padaria da Esquina
"Descobri", um pouco por acaso, esta padaria do Vitor Sobral, em parceria com o Mário Rolando, aqui na zona (Rua Gonçalves Zarco, 21 E - telemóvel 910019616), tendo experimentado os pães espelta e cerveja. Uma delícia. Recomendo vivamente!

4."Summer in the Vineyard"
É o título de um filme norte americano, realizado por Martin Wood, que tive a oportunidade de ver, em tempo de pandemia, no Canal Fox Life. Interessante, sem deslumbrar, passa-se na cidade St. Madeleine, Califórnia e filmado no Vale Okanagan e anda à volta de um casal vinhateiro e os seus Cabernet Sauvignon.
É o 2º filme de uma série de 3, sendo o 1º "Autumn in the Vineyard" e o último "Valentine in the Vineyard".
Alguém viu?

sexta-feira, 24 de abril de 2020

A minha biblioteca vínica (III) : os livros do José António Salvador (1ª parte)

Já referi aqui o grande papel desempenhado pelo José António Salvador (JAS), prematuramente desaparecido, na divulgação do mundo do vinho, tendo-o referido nas crónicas:
."Críticos e divulgadores de vinhos"
."José António Salvador : o mundo do vinho ficou mais pobre"
."Viagens no Reino de Baco : regresso ao passado e a propósito do José A. Salvador"
Para além dos Guias já referidos nas 2 crónicas, recentemente publicadas sobre este tema, o JAS escreveu ainda estes livros que a seguir indico e que fazem parte da minha biblioteca vínica.

1.O Livro dos Vinhos (Editorial Fragmentos, 1989)
Que eu saiba e até prova em contrário, este foi o 1º grande livro de divulgação dos vinhos portugueses.
Nesta obra (232 páginas em formato de álbum) o JAS debruça-se sobre todas as regiões demarcadas para vinhos de consumo e, ainda, contempla os vinhos fortificados. Refere também as confrarias báquicas, o serviço e a prova de vinhos, não esquecendo as personalidades que referiu como o rosto do vinho:
.José dos Santos : artista dos "Buçacos"
.Nicolau de Almeida : o Pai do Barca Velha
.Manuel Vieira : arquitecto do Carcavelos
.Luis Costa : o "irmão" do Frei João
.Luis Pato : criador de vinhos
.João Portugal (Ramos) : do lagar ao computador
.Miguel Champalimaud : uma pedrada no charco

2.Os Autores dos Grandes Vinhos Portugueses (Edições Afrontamento, 2003)
Neste livro (325 páginas em formato de álbum) o autor, após uma introdução histórica, navega pelas regiões demarcadas onde, em cada uma delas, se debruça nos grandes vinhos, sejam brancos, tintos ou fortificados, capítulo a capítulo (em cada um deles indicarei entre parêntesis os vinhos escolhidos pelo JAS):
.Vinhos espumantes. No silêncio das caves (Murganheira Pinot Bruto 1999 e Qtª da Rigodeira Bairrada Especial Vintage Bruto 1999).
.Vinhos Brancos. Alvarinho, um príncipe do Minho (Soalheiro Alvarinho 2001).
.Bucelas. O rei Arinto (Morgado Stª Catherina Bucelas 2001).
.Vinhos tintos. Douro : o vale do vinho (Barca Velha 1995, Qtª de Roriz Reserva 2000, Qtª Vale Meão 1999 e Duas Quintas Reserva 1999).
.Dão : os melhores vinhos tintos portugueses (Adega Cooperativa de V. N. Tazém Alfrocheiro Preto 2000 e Qtª da Pellada Touriga Nacional 1996).
.Bairrada : o reino da Baga (Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco 2001).
.Alentejo : os vinhos da planície (Tapada de Coelheiros Garrafeira 2000, Marquês de Borba Reserva 2000 e Esporão Garrafeira 1997).
.Vinho do Porto Vintage, o vinho (Qtª do Noval Nacional 1996, Fonseca Guimaraens 1976, Taylor's Qtª  Vargellas Vinha Velha 1995 e Graham's Malvedos 1988).
.Vinhos Moscatel de Setúbal. Das encostas de Azeitão às planícies de Palmela (Setúbal Superior 1965 da JMF).
.Vinhos da Madeira. Até aos últimos cálices de Artur Barros e Sousa (ABS Terrantez 1980).

3.16 Castas Portuguesas (Diário de Notícias, 2005)
Como o título indica, esta obra (72 páginas em formato álbum) contempla 16 castas portuguesas, mas para cada uma delas o autor escolheu um enólogo e um vinho:
.Touriga Nacional, a melhor casta do mundo (Álvaro de Castro/Carrocel 2003)
.Fernão Pires, o rei do Ribatejo (Frederico Falcão/Companhia das Lezírias)
.Castelão, a rainha Periquita (Jaime Quendera/Leo d'Honor Grande Escolha 2001)
.Moscatel de Setúbal, o rei de Azeitão (Filipa Tomaz da Costa/Setúbal 1996 da JP Vinhos)
.Touriga Franca, a rainha de Trás-os-Montes (José Maria Soares Franco/Qtª da Leda 2000)
.Vinhão, o rei Sousão (António Agrellos/Qtª Noval Nacional 2000)
.Síria, pelos reinos de Trás-os-Montes ao Algarve (Manuel Romão/Algarseco)
.Baga, a rainha da Bairrada (Luis Pato/Vinha Pan 2003)
.Malvasia Fina, a princesa do Varosa (Orlando Lourenço/espumante Murganheira)
.Trincadeira, a rainha do Ribatejo (Rui Reguinga/Casa Cadaval 2003)
.Arinto, o rei de Bucelas (João Corrêa/Prova Régia 2004)
.Tinta Roriz, a princesa do Vale do Douro (João Nicolau Almeida/Duas Quintas 2003)
.Alvarinho, o deus Baco do rio Minho (António Luis Cerdeira/Soalheiro)
.Jaen, a princesa do Dão (Pedro Nuno Pereira/Adega Cooperativa V.N. Tazém 2001)
.Encruzado, o principe do Dão (Manuel Vieira/Qtª Carvalhais 2003)
.Alfrocheiro, o rei no Dão e Alentejo (Virgílio Loureiro/Cruz Miranda 2001)

continua...

terça-feira, 21 de abril de 2020

Vinhos em família (CIII) : mais uma vez à boleia do Covid-19

Mais 4 vinhos provados em quarentena e com os rótulos à vista, sem a pressão da prova cega. E eles foram:

.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 - nariz contido, oxidação acima do esperado, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca acentuados (13 % vol.). Gastronómico. Esta garrafa, comparada com as outras que tenho provado, desiludiu. Nota 17,5 (noutras situações 18/18/18/18,5/18,5+/18,5).

.San Joanne Superior 2015 - com base nas castas Alvarino e Malvasia Fina; aromático, muito fresco, mineral e cítrico, belíssima acidez, notas glicerinadas, volume e final de boca consideráveis (12,5 % vol.). Elegante e harmonioso, uma boa surpresa. Nota 18.

.Adega Vila Real Premium 2015 tinto - enologia de Rui Madeira e Luis Cortinhas; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou parcialmente em madeira francesa e americana; presença de frutos vermelhos, alguma acidez, taninos presentes e civilizados, algum volume e final de boca (14 % vol.). Excepcional relação preço/qualidade (3,99 € no Lidl), a consumir nos próximos 4/5 anos. Nota 17.

.Adega Vila Real Premium 2018 branco - enologia da mesma equipa; com base nas castas Viosinho, Malvasia Fina e Gouveio, estagiou em barricas de carvalho francês, em contacto com as borras finas; presença de citrinos e fruta de caroço, mineralidade, acidez pronunciada, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Gastronómico. Excepcional relação preço/qualidade (3,99 € no Lidl). Nota 17.

Tiro o meu chapéu à Adega Vila Real por ter posto à venda 2 belíssimos vinhos a um preço muito aliciante. Mais, às cegas ninguém acertaria com este preço. Bingo!

domingo, 19 de abril de 2020

A minha biblioteca vínica (II) : ainda os Guias

Alguém me perguntou se eu, efectivamente, tinha todos os guias referidos na 1ª crónica. A minha resposta é sim, tenho-os todos e bem conservados. O mesmo se aplicará para todos ou outros livros que mencionarei nesta e nas próximas crónicas. Continuando:

1.Mais Guias do José A. Salvador
Por lapso, não mencionei na crónica anterior "Os Melhores Vinhos Portugueses xxxx" ( o xxxx indica o ano), referentes a 1997, 1998, 1999 e 2000, mini-guias (menos de 200 páginas) publicados todos com a chancela do jornal Público.
É de louvar a postura do José Salvador ao sublinhar, há 20 anos atrás, a excelência dos brancos portugueses, tendo na selecção de 2000 escolhido a mesma quantidade de brancos e tintos (38 de cada) para o seu top de vinhos.
Escreveu ele "(...) Começa a ser polémica e duvidosa mesmo a afirmação que Portugal não é um país de vinhos brancos. Com a adopção de novas tecnologias de vinificação, com o mais profundo conhecimento das características e potencialidades das castas, os vinhos brancos começam a ser um caso sério. Vejam os Alvarinhos, os Bucelas, os Encruzados e os brancos vinificados em madeira. (...)". Bingo!

2.Alguns Guias analisados pelo enófilo militante
Para os mais curiosos, aqui vai uma série de links para as crónicas referentes a alguns dos Guias do João Paulo Martins (a maioria) e, também, do Rui Falcão e outros:
."Críticos e divulgadores de vinhos", em 20/4/2010
."O Guia do João Paulo Martins (JPM)", em 27/9/2010
."Ainda o Guia do JPM", em 5/10/2010
."Guia de Vinhos 2011 do Rui Falcão", em 15/11/2010
."João Paulo Martins (JPM) e Rui Falcão (RF) : diferenças e semelhanças", em 6/1/2011
."O Guia 2012 do João Paulo Martins (I)", em 6/10/2011
.idem (II), em 9/10/2011
.idem (III), em 11/10/2011
."O Guia 2013 do João Paulo Martins (I)", em 15/11/2012
.idem (II), em 17/11/2012
."O Guia do João Paulo Martins (JPM) 2014 : Prós e Contras", em 3/12/2013

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Vinhos em família (CII) : continuando à boleia do Covid-19

Mais 4 vinhos provados em quarentena, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:

.Ramilo Vital 2017 (Lisboa) - com base na casta Vital; presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, alguma saliniddae; notas glicerinadas, algum volume e final de boca (13 % vol.). Gastronómico, elegante e harmonioso. Uma boa surpresa, vinda de um produtor que desconhecia completamente. Nota 17,5.

.Adega Mãe Dory 2018 (Lisboa) - com base nas castas Viosinho, Alvarinho, Arinto e Viognier, tendo estagiado 4 meses em contacto com as borras finas; muito fresco, presença de citrinos e maçã verde, acidez evidente, alguma mineralidade, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Boa relação preço/qualidade (4,45 € no Lidl). Nota 17.

.Antónia Adelaide Ferreira 2008 - pensado para comemorar os 200 anos de nascimento da Dona Antónia; com base nas castas Touriga Nacional (57 %), Touriga Franca (20 %) e Sousaão (3 %) e os restantes 20 % em vinha velha, estagiou 24 meses em barricas novas de carvalho francês; muito frutado e fresco, notas especiadas, taninos presentes e civilizados, bom volume e final de boca longo (14 % vol.). Harmonioso e gastronómico, a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18 (provadas 8 garrafas noutras situações, com uma classificação média de 18,5).

PAPE 2012 - 91 pontos no Parker; com base num lote de Touriga Nacional (da PAssarella) e noutro de vinhas velhas (da PEllada), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; alguma fruta e acidez, fresco e muito elegante, notas especiadas, taninos de veludo, bom volume e final de boca alargado (13 % vol.). Um perfil aristocrata, a beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18.

terça-feira, 14 de abril de 2020

A minha biblioteca vínica (I) : os Guias

A falta de eventos vínicos, como já referi na crónica anterior, será compensada com os "Vinhos em família", alternando com "A minha biblioteca vínica", constituida por largas dezenas de livros temáticos. Publico hoje o 1º episódio desta nova série, com referência a 46 Guias.

1.Os Guias da Comporta (5)
Com o título "Guia de Vinhos Portugueses 1990", mais conhecido pelo Guia da Comporta, nasceu em 1989 o 1º guia de vinhos. A autoria foi da dupla Ponte Fernandes (Presidente da Câmara de Provadores do IVV) e Nelson Heitor (Director da Revista O Escanção, entre outras ocupações), pioneiros nesta área, e a edição da Herdade da Comporta.
Além desta 1ª edição (1990), publicaram-se, ainda, as de 1991, 1992, 1993 e 1994.
Classificação de 1 a 7 copos (!).

2.Os Roteiros do José A. Salvador (14)
O jornalista José António Salvador foi o responsável pelo "O Jornal Vinhos", suplemento mensal do semanário "o Jornal" e acabou a sua carreira profissional na SIC.
O 1º guia que publicou foi o "Roteiro de Vinhos Portugueses 1991", editado pelo "O Jornal", e o último o de 2003, com a chancela Edições Afrontamento. Entre ambas as citadas, publicaram-se as de 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002.
Publicou, ainda, o "Roteiro de Vinhos da Bairrada" em 1993, editado pela "Terramar".
Classificação de 1 a 5 *.

3.Os Guias do João Paulo Martins (21)
O João Paulo Martins é um jornalista especializado e crítico de vinhos que pertenceu ao corpo redatorial da Revista de Vinhos (a antiga) e agora pertence à Vinho Grandes Escolhas.
Publicou 23 Guias de vinhos, dos quais possuo 21 (todos de 1995 a 2014 e o 2018). O 1º foi "Vinhos de Portugal 1995" (291 páginas), editado pelas Publicações Dom Quixote, e o último (definitivamente?) o de 2018 (582 páginas!) com a chancela da editora Oficina.
Classificação de 1 a 8 (!) até ao 2005 e de 1 a 20 a partir do Guia de 2006.

4.Outros Guias (6)
."Os Meus 50 Melhores Vinhos", de António Lopes Vieira, editado em 1990 pela Chaves Ferreira
."Guia do Douro e do Vinho do Porto", de Manuel Carvalho (actual director do Público), com a chancela de Edições Afrontamento em 1995. Não é bem um guia de vinhos, mas mais um guia de enoturismo.
."Jancis Robinson Prova os Melhores Vinhos Portugueses" desta especialista em vinhos, editado em 1999 pela Cotovia.
."Guia 2004 de Vinhos Portugueses & Estrangeiros", pela equipa Os5às8 (Rui Falcão, Pedro Gomes e Tiago Teles), publicado por Edições Asa em 2004.
."Vinhos do Douro" de Francisco Esteves (na altura cliente e amigo das Coisa do Arco Vinho), editado em 2008 pela Colares Editora. Não é bem um guia de vinhos, mas sim um levantamento exaustivo de quintas, produtores e marcas da Região Demarcada do Douro.
."Guia de Vinhos 2011" de Rui Falcão,editado em 2010 pelo Clube do Autor.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Vinhos em família (CI) : à boleia do Covid-19

Em tempo de quarentena, sem qualquer hipótese de frequentar restaurantes ou participar em eventos vínicos (provas alargadas, jantares organizados pela Garrafeira Néctar das Avenidas ou almoços com os vários grupos de prova de que faço parte), resta-me ir desbastando a minha garrafeira.
Com a família reduzida à minha companheira, provámos com os rótulos à vista:

.Aveleda Reserva da Família 2013 branco (garrafa nº 1163/4326) - com base nas castas Maria Gomes (50 %), Chardonnay (40 %), Bical (5 %) e Rabo de Ovelha (5 %) em vinhas velhas, tendo estagiado 6 meses em barricas de carvalho francês em contacto com as borras finas; nariz discreto, fresco e mineral, sem ponta de oxidação, notas cítricas, belíssima acidez, algum volume e final de boca longo (12 % vol.). Uma boa surpresa que vai aguentar bem uma série de anos mais. Nota 18.

.Mapa Vinha dos Pais 2015 branco - com base nas castas Rabigato, Viosinho, Arinto e Gouveio, em vinha a 500 metros de altitude; nariz fechado, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca respeitáveis (12,5 % vol.). Harmonioso e gastronómico. Um grande branco duriense, na linha do 2013. Nota 18 (noutra situação 17,5+).

.H M Lisboa 2016 branco (garrafa nº 1215) - nariz discreto, presença de citrinos e alguma maçã verde, bela acidez, fresco e elegante, algum amanteigado, volume e final de boca de assinalar (11 % vol.). Um agradável branco de um produtor que é, em simultâneo, o responsável por um curioso blogue (Wizard Aprenttice). Nota 17,5+.

.Qtª da Leda 2011 - com base nas castas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e outras, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (50 % novas e 50 % usadas); muita fruta vermelha e preta, alguma frescura e acidez, algo terroso, notas de chocolate preto e especiarias, taninos firmes, volume de respeito e final de boca persistente (14,5 % vol.). Sempre um valor seguro, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5 (notras 18/18+).

terça-feira, 7 de abril de 2020

À volta da cerveja artesanal (IX)

1.Provas
Provadas mais 9 cervejas artesanais e 3 semi-artesanais, classificadas de 1 a 5, a saber:
Com 5
.IMP5RIO (Letra/Dois Corvos) estagiada em barricas de Moscatel da Qtª do Portal, com 10 % de álcool e 20 anos de validade (!)
Com 4,5
.8ª Colina Plantageneta (Lisboa) com estágio em barricas de Vinho Madeira (Malvasia) da Justino's e 11% de álcool
.Luzia Italian Grape Ale 2017 (Mealhada) maturada em barricas de carvalho francês 5 meses, com 11 % de álcool e sumo de uvas das castas Baga, Chardonnay e Sauvignon Blanc
.Post Scriptum Melindrosa (Lisboa)
.Letra Oak Barrel Aged Oatmeal Stout (Vila Verde) envelhecida em barricas de carvalho com adição de Whisky e 20 anos de validade (a garrafa e a rolha são de espumante e nada fáceis de abrir)
.1927 Bengal Amber IPA
Com 4
.Trevo Lucky Number Seven Blonde Ale (Caparica)
.Letra A Blonde Ale
.1927 Munich Dunkel
Com 3,5
.Sovina Amber (Porto)
.Soberana Lady Libeerty American Pilsner (Sintra)
Com 3
.1927 Bawaria Weiss

2.Museu da Cerveja - 3 *
O Museu da Cerveja é um espaço de restauração muito bem situado em pleno Terreiro do Paço e que inclui uma muito agradável esplanada, atraindo a clientela estrangeira. Espaço amplo com uma decoração a encher o olho dos turistas, mesas despojadas mas guardanapos de pano, serviço distante, desatento e descoordenado e, ainda, preços excessivos.
Mais, uma aposta forte no inenarrável pastel de bacalhau com queijo da Serra, alvo de uma grande polémica na blogosfera, ao ser de apelidado de pornográfico pela Maria de Lourdes Modesto.
Mas, o que me despertou a curiosidade e me levou ao Museu da Cerveja foi a oferta de cervejas artesanais (22).
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes, 4 champanhes, 15 brancos, 14 tintos e 8 fortificados. A copo só o vinho da casa (1 branco e 1 tinto).
Optei pela cerveja artesanal Sovina Amber à pressão que não me entusiasmou e classifiquei apenas com 3,5. O que surpreendeu foi o copo, desenhado pelo artista plástico Júlio Pomar, em que foi servida e que conserva a temperatura da mesma. Só que custa 19 € (!) com a bandeira da cada país gravada.
Este espaço está mesmo vocacionado para turistas. Não recomendo, nem tenciono voltar.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Março 2012 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 20 crónicas publicadas no decorrer de Março 2012, destaco estas 4:

."Jantar com Vinhos da Madeira (4ª sessão)"
A propósito de um encontro do Grupo dos Madeiras na Enoteca de Belém, ainda com a antiga equipa, onde foram provados/bebidos 4 vinhos Madeira:
.Artur Barros e Sousa Verdelho 1984 (18,5)
.Artur Barros e Sousa Verdelho Reserva Velha (18)
.Leacock Bual 1966 (18,5)
.Miles Bual 1934 (19)

."Perplexidades (VI)"
A propósito do mau comportamento de uma antiga figura pública no mundo do vinho, ligada em tempos a uma revista especializada.
Quem pôs água na fervura foi o Dirk Niepoort, um grande senhor no mundo do vinho, que assistiu à cena.

."Perplexidades (VII)"
A propósito de outro senhor mal comportado, antigo cliente das Coisas do Arco do Vinho e porta-voz de um partido político, envolto recentemente em grande polémica ao ser proposto para o Tribunal Constitucional.

."Francisco Olazabal (Vito) : 17 anos depois"
A propósito de um grande senhor, para equilibrar os 2 mal comportados acima referidos, e como eu o conheci num jantar organizado pela antiga Revista de Vinhos, cujo tema era a Casa Ferreirinha eo seus vinhos, claro.