domingo, 18 de novembro de 2018

A propósito dos vinhos Ilha e da casta Tinta Negra

Na sequência de uma operação de marketing muito bem montada, os vinhos madeirenses Ilha, branco, tinto e rosé, com base exclusiva na casta Tinta Negra, estiveram nas bocas do mundo. Apresentados com pompa e circunstância pela madeirense Diana Silva, produtora destes vinhos e que chegou a trabalhar como escanção no Manifesto do chefe Luís Baena, tiveram direito a notícias desenvolvidas nas páginas do Expresso (João Paulo Martins), Fugas (Pedro Garcias) e Evasões (Fernando Melo).
Movido pela curiosidade provei o branco (garrafa nº 455/3626) - transparente e discreto, fresco e salino, alguma acidez, magro de boca e final curto. Louve-se a coragem e ousadia da produtora. Nota 16.
A Tinta Negra, também chamada Tinta Negra Mole por alguns ou confundida com a Negra Mole, por outros, aguçou-me a curiosidade e fui à procura de outras opiniões. Nos 3 críticos acima mencionados, apenas o Pedro Garcias é perentório em afirmar "(...) Durante muito tempo, a Tinta Negra foi também chamada de Tinta Negra Mole, suscitando equívocos que tardam em desaparecer, dada a existência de uma outra variedade com o nome de Negra Mole. Tinta Negra e Negra Mole são duas castas diferentes.(...)"
No livro "Mais Histórias com Vinho & novos condimentos" referido aqui em "Histórias com Vinho, segundo o João Paulo Martins (JPM)", crónica publicada em 6/10/2018, o autor dá a entender que a Tinta Negra e a Negra Mole são a mesma casta, a propósito dos 200 anos da Madeira Blandy (pág. 114).
Mas a confusão vai aumentando à medida que vamos lendo o que as instituições oficiais ou não, opinam sobre esta problemática das castas.
.O IVV publicou, sem data, o livrinho "Castas Aptas à Produção de Vinho em Portugal - Nomenclatura", onde a Negra Mole (casta da Madeira) aparece como sinónimo da Tinta Negra.
Já no respectivo portal, aparecem em separado a Negra Mole (sem nenhum sinónimo) e a Tinta Negra (sinónimos Molar e Saborinho).
.No portal da Infovini - Vinhos de Portugal, que tem o apoio financeiro do IVV, aparece a Tinta Negra, Negra Mole ou Tinta Negra Mole, como casta da Madeira e Algarve.
.A Wikipédia, com base na Infovini, refere as castas Negra Mole e Tinta Negra(sinónimo Negra Mole)
.No portal da Enoteca, aparece a Tinta Negra ou Negra Mole, como casta da Madeira e Algarve.
.No portal Wines of Portugal, apenas aparece a Tinta Negra, como casta da Madeira.
.O INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária) refere a Portaria nº 380/2012 de 12 Novembro que actualiza a lista de castas aptas à produção de vinho: a Negra-Mole (com hífen, para baralhar) e a Tinta Negra (sinónimos Molar e Saborinho)
.No livro "Guide to Wine Grapes" (ediçao de 1996) a master wine Jancis Robinson refere a Tinta Negra Mole como casta da Madeira e a Negra Mole como casta do Algarve (Negramoll em Espanha)
.Finalmente, o livro "A Vinha e o Vinho na História da Madeira" de Alberto Vieira e editado em 2003 pela Secretaria Regional do Turismo e Cultura da Madeira refere que, de acordo com o Estatuto da Vinha e do Vinho, aprovado em 1985, as castas do vinho Madeira distribuem-se em castas recomendadas (Tinta da Madeira e Negra Mole) e autorizadas (Tinto Negro). E mais à frente, em novo capítulo ("Os diversos tipos de Vinho Madeira"), refere a casta Tinta negra-mole.
Que grande confusão! Alguém que queira desbaralhar? Aqui fica o meu apelo.

sábado, 17 de novembro de 2018

Aditamento a "Jantar e leilão na José Maria da Fonseca (JMF)"

Aí está o primeiro ponto de vendas a anunciar o badalado Moscatel Roxo Superior 1918: é a Garrafeira Nacional pelo "módico" preço de 999 €!

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Jantar e leilão na José Maria da Fonseca (JMF)

1.O Moscatel Roxo Superior 1918
Este Moscatel foi apresentado na JMF no passado dia 25 de Outubro, com um jantar e leilão, cuja finalidade principal foi homenagear os 100 anos do nascimento de Fernando Soares Franco, grande defensor desta casta e pai dos actuais responsáveis pela empresa, Domingos e António Soares Franco, a 6ª geração, e mas também assinalar os seus 184 anos (da JMF).
Foram leiloadas 100 garrafas deste 1918, para além de outras, como referirei quando falar sobre o leilão. Foi uma grande operação de marketing, bem planeada e melhor executada. Com todo o respeito que merece este centenário Moscatel, parece-me algo exagerada a pontuação que lhe foi atribuída pelas revistas da especialidade (20 numa e 19,5 noutra), em contraponto com as opiniões dos amigos que estavam comigo no jantar, o nosso Grupo dos 6, parte dos quais prova moscatéis e outros vinhos fortificados há uma série de anos, e que o classificou com  notas de 16,5 a 17,5.
Pela parte que me toca, consultados os meus registos encontrei notas referentes a "n" moscatéis DSF, Setúbal 20 Anos e Roxo 20 Anos, mas também o 25 Anos, Roxo Superior 1900, 1960, 1971 e 1979, Setúbal 1918, 1931, 1939, 1945, 1952, 1954, 1955, 1962, 1965, 1967, 1973, 1975 e 1979 (aqui não destrincei os Superior dos outros), e ainda Bastardinho 20 Anos, 30 Anos e 1927.

2.O Jantar
O jantar comemorativo e que antecedeu o leilão aconteceu na Adega dos Teares Novos, no meio dos tonéis e já minha conhecida quando dos jantares da Confraria do Periquita, da qual faço parte.
Estavam 120 convivas e o jantar correu animado até ao início do leilão, já passava das 23h.
Para memória futura bebemos e comemos:
.Colecção Privada DSF Sauvignon Blanc 2017 (nota 16), com uma excelente sopa de crustáceos, o ponto alto do jantar
.Hexagon 2009 tinto (nota 17,5+), com um fraco peito de perú, com recheio de carne e frutos secos,...
.Moscatel Roxo 20 Anos, engarrafado em 2016 (nota 18), com trufa de chocolate, carpaccio de morangos,...
.Moscatel Roxo Superior 1918 (17,5) - gordo em excesso, falta-lhe frescura; seria óptimo para entrar no Trilogia em lote com vinhos mais novos e frescos.
Os copos eram Schott, as temperaturas e o ritmo de serviço os adequados.
Resumindo e concluindo, este jantar no respeitante ao menu esteve uns furos abaixo dos jantares da Confraria, a que estou habituado.

3.O Leilão
A cargo do Palácio do Correio Velho, começou tarde mas foi muito bem conduzido e em pouco mais de meia hora depacharam os 35 lotes. Bingo!
Para além das 100 garrafas de Moscatel Roxo Superior 1918, já referidas, entraram em lotes (concretamente em 33), mais 13 Moscatel Superior (1902, 1904, 1905, 1906, 1907, 1911, 1930, 1944, 1955, 1960 e 1963, alguns com mais de 1 garrafa) e mais 11 outras bebidas (Trilogia, Alambre 20 Anos, Roxo 20 Anos, Colecção Privada DSF, Bastardinho 40 Anos, Aguardente Velha Reserva 1964 e Aguardente Espírito, também algumas com mais de 1 garrafa). Em lotes isolados, foram licitadas 1 garrafa de Torna Viagem (por 2200 €) e 1 garrafa de Apothéose Bastardinho (por 4500 €!).
Resta dizer que este leilão rendeu 67200 €, ficando o valor médio dos 33 lotes em 1833 € e o valor médio da cada garrafa do Moscatel Roxo Superior 1918, licitadas em lotes sem outros moscatéis, ficou em 551,50 €.
Sabendo que alguns dos licitadores têm pontos de venda, fico expectante para saber a que preço vai chegar ao mercado o 1918.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Revisitar o Prado - 4,5*

A 1ª vez que fui ao Prado fiquei deslumbrado e, em sequência, publiquei em 19/4/2018 a crónica "Um trio maravilha (2ª parte) : Prado e Enoteca de Belém". O António Galapito, responsável pelos tachos no Prado e ex-braço direito do Nuno Mendes em Londres deve ser, neste momento, o chefe mais criativo e talentoso a trabalhar em Portugal, nada ficando a dever aos estrelados.
Não resisto a transcrever o que disse o Miguel Pires sobre o António Galapito e o seu Prado, ainda em 23/9/2017, premonitoriamente,  no blogue Mesa Marcada: "(...)O tempo o dirá, mas não estarei sozinho ao dizer que é sempre bom sentir mais uma brisa de ar fresco a passar por Lisboa. Uma cidade com o seu estatuto tem de conseguir acolher restaurantes com características diferentes. Pelo menos assim o espero". E o tempo deu-lhe razão.
Nesta revisita repeti alguns pratos e provei outros que não conhecia, tudo em doses para partilhar, bem apresentados e deliciosos, acompanhados da cerveja artesanal Avenida Blond Ale (Dois Corvos):
.couvert (pão de trigo barbela, etc)
.berbigão, acelgas, coentros e pão frito
.tártaro de minhota e couve grelhada
.pleurotos, massa de pimentão e trigo sarraceno
.cavala, vinagrete de alface do mar e salsa
.figo pingo de mel e gelado de leite fumado
Quanto à componente vínica, a lista, original e nada óbvia, aumentou, tendo inventariado 9 espumantes (2 a copo), 24 brancos (4), 4 rosés (1), 23 tintos (5), 4 fortificados e 7 vinhos laranja (uma moda que veio de Itália, perfeitamente escusada tal como a dos vinhos azuis).
Mais, o Prado tem uma jovem escanção, todos os vinhos têm a informação sobre as castas que os compõem e, ainda, os respectivos anos de colheita. Só que os copos se limitam a 12,5 cl, em vez dos normais 15 cl, a única menos valia detectada.
Resumindo e concluindo, recomendo e tenciono voltar na primeira oportunidade.

domingo, 11 de novembro de 2018

Uma overdose de provas (Escolha da Imprensa, Vinhos e Sabores e Emprodalbe)

1.Escolha da Imprensa
Fiz parte, uma vez mais, do painel "Escolha da Imprensa", sendo um dos 60 jurados convidados pela Vinho Grandes Escolhas. Na minha mesa foram provados 12 brancos, 5 rosés, 12 tintos e 5 fortificados, num total de 49 vinhos.
 O serviço estava bem organizado, sem quebras no ritmo de chegada dos vinhos à mesa, mas os brancos vieram gelados e os fortificados demasado frios, o que dificultou a prova.
Seguiu-se uma finalíssima, com os 3 vinhos mais pontuados em cada tipo (espumantes, brancos, rosés, tintos e fortificados), tendo a organização facultado as notas dadas, por cada um de nós, na primeira fase, mas não o fazendo quanto à finalíssima. Uma situação a rever, no futuro.
Embora seja do domínio público, aqui se registam os 5 Grandes Prémios:
.Espumante - Murganheira Vintage Bruto 2009 (Távora-Varosa)
.Branco - Villa Oliveira Encruzado 2015 (Dão)
.Rosé - Mar de Rosas 2017 (Lisboa)
.Tinto - Duorum Old Vines Reserva 2015 (Douro)
.Generoso - Moscatel Alambre 20 Anos JMF

2.Vinhos e Sabores
Visitei esta grande feira de vinhos e sabores, organizada pela revista Vinho Grandes Escolhas, de 26 a 29 de Outubro na FIL (Parque das Nações), tendo apenas estado no dia 29 (2ª feira), jornada dedicada aos profissionais. É a grande ocasião para, em paralelo com as provas, reencontrar amigos, antigos clientes das Coisas do Arco do Vinho, produtores, enólogos e vendedores.
Quanto aos vinhos ali presentes, provei "apenas" 55 (3 brancos, 46 tintos e 6 fortificados). Nos brancos, provados mais por curiosidade, destaco o Procura 2016 e o Villa Oliveira Encruzado 2015 (o vencedor do painel da Imprensa), mas não consegui "entranhar" o Procura na Ânfora 2017.
Quanto a tintos, destaco em primeiro plano Duorum Reserva 2015 (vencedor do painel da Imprensa),  Cadão Vinhas Velhas 2011, Marquês Marialva Grande Reserva 2011, Passadouro Reserva 2015, Talentus Grande Escolha 2015, Vallegre Vinhas Velhas Reserva Especial 2014 e Dúvida? 2011. Logo a seguir Vale de Pios as Tourigas 2007, Dona Maria Grande Reserva 2013, Marquesa de Cadaval 2013, Qtª Manoella Vinhas Velhas 2016, Pintas 2016, Passagem Reserva 2016, Poeira 36 Barricas 2015, Qtª Extrema Ediçao 1 2015, H. O. Grande Escolha 2015, Qtª Boa Esperança Colheita Seleccionada 2015, Messias Bairrada Clássico Garrafeira 2013, Valle Pradinhos Grande Reserva 2015, Andreza Grande Reserva 2014, Qtª Gaivosa 2015, Ataíde Semedo Reserva Touriga Nacional/Baga 2016, Qtª Roques Reserva 2015, Flor das Maias 2007, Fonte do Ouro Grande Reserva 2013, Mapa Reserva Especial 2014, Castelo d'Alba Limited Edition 2015, Qtª Foz Arouce Vinhas Velhas 2015, Qtª Cidrô Marquis 2007, Borges Douro Grande Reserva 2015 e Palácio dos Távoras Gold Edition 2015.
Finalmente nos fortificados, em primeiro plano Ramos Pinto RP 30 Anos, Vasques de Carvalho 40 Anos, Grahams 30 Anos e Qtª Noval Vintage 2016. E, logo a seguir, Vasques de Carvalho 30 Anos e Vieira de Sousa  White 20 Anos.
De referir:
.pude provar alguns tintos de anos mais recuados, como foram os 2008 e, muito especialmente, os de 2011, a minha colheita preferida
.o aumento da qualidade média dos tintos provados agora (destacados 31 em 55, ou seja 56 %), comparados com 2017 (destacados 23 em 48, ou seja 48 %). 

3.Emprodalbe
Convidado pela Ana Chaves, minha antiga colaboradora estive no Hotel Real a provar mais alguns vinhos (8 brancos e 6 tintos) distribuídos pela Emprodalbe. Nos brancos destaco o Pôpa Black Edition 2017, logo seguido de Margarida 2015 e Pato Frio Grande Escolha 2016. Nos tintos, destaque para o Pôpa Vinhas Velhas 2014 e Teixuga 2014, logo seguidos de Monte dos Cabaços Reserva 2010, Qtª Portal Grande Reserva 2014 e Gaudio Reserva 2014.

No total foram 133 vinhos! Uf...

sábado, 10 de novembro de 2018

Vinhos em família (XCII) : bons brancos e tintos

Mais 2 brancos e 2 tintos bebidos em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega:
.Niepoort Qtª de Baixo Vinhas Velhas Bical/Mª Gomes 2015 (11,5 % vol.) - com base em vinhas de mais de 60 anos, fermentou 20 meses em "fuders" de 1000 litros; nariz discreto, presença de citrinos e notas de maçã, acidez pronunciada, fresco e elegante ao melhor estilo Dirk, volume médio e final de boca algo persistente. Nota 17,5.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2015 branco (14% vol.) (garrafa nº 1587/2950) - 93 pontos no Parker; com base nas castas Maria Gomes e Bical em vinhas velhas com mais de 75 anos; fechado no nariz, presença de citrinos e fruta cozida, boa acidez, notas florais e amanteigadas, volume e final de boca médios. Nota 17 (noutra situação 18).
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2011 (14 % vol.) (garrafa nº 5820/6056) - 95 pontos no Parker; com base na casta Baga em vinhas velhas, fermentou em lagares e estagiou 18 meses em tonéis antigos; ainda com muita fruta vermelha, acidez pronunciada, fresco e elegante, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18 (noutras 18/17,5+).
.Qtª da Costa das Aguaneiras 2011 (14,5 % vol.) - produzido pelos Lavradores de Feitoria, com base nas castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e outras, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, bela acidez, especiado, taninos presentes bem comportados, estrutura e final de boca assinaláveis. Gastronómico, a beber nos próximos 6 a 8 anos. Nota 18.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A maioridade dos Lavradores de Feitoria (II) : a Prova e o Jantar

...continuando:

3.A Prova
Com a orientação do Paulo Ruão e a presença de revistas especializadas (Vinho Grandes Escolhas, Revista de Vinhos e Revista Paixão pelo Vinho), da blogosfera (Mendes Nunes, Comer Beber Lazer e este Enófilo Militante) e da imprensa e sites generalistas, foram apresentados e provados os seguintes vinhos (as notas de degustação e os pontos atribuídos, são da minha responsabilidade):
.18º Aniversário Tinto Cão 2016 (14,5 % vol.) - alguma fruta e acidez, elegante, taninos de veludo, volume e final de boca médios. Ainda está muito novo e precisa de tempo para se mostrar. Produzidas apenas 700 garrafas. Nota 17.
.10º Aniversário Tinto Cão 2006 - aberto de cor, especiado, alguma acidez e elegância, taninos dóceis, volume e final de boca médios. Ainda está com saúde. Nota 16,5+.
Estes 2 monovarietais de Tinto Cão, uma casta que não me apaixona, resultam de uma vinha da Qtª de Pias (Cima Corgo), com mais de 45 anos. A fermentação "é iniciada em lagar, com engaço, e o estágio é feito em barrica nova de carvalho francês".
.Grande Escolha 2014 (15 % vol.) - estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz intenso, fruta preta, acidez equilibrada, complexidade, notas especiadas, taninos redondos, grande volume e final de boca longo. Ainda muito jovem, há que esperar por ele. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18.
.Grande Escolha 2008 Estágio Prolongado  (14 % vol.) - parte do lote inicial estagiou em garrafa até agora; nariz discreto, fruta vermelha, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Muito elegante e equilibrado. A beber nos próximos 8/10 anos. Nota 18,5.
Os Grande Escolha são produzidos a partir de uma vinha velha com mais de 60 anos e sujeitos a pisa a pé e fermentação em lagares tradicionais e balseiros de carvalho. São, para mim, grandes vinhos do Douro. Ao longo dos anos provei todos e, com excepção do 2000,  registei-os. Começando pela pontuação mais alta: com 19 (2004), com 18,5+ (2005, 2007 e 2008), com 18,5 (2001), com 18+ (2003) e com 18 (2011 que foi provado na  altura em que saíu, mas vou voltar a prová-lo).

4.O Jantar
O jantar comemorativo dos 18 anos dos LF decorreu no Clube dos Jornalistas, onde eu não ia há uma série de anos. A minha primeira e grande surpresa foi encontar ali um antigo cliente das Coisas do Arco do Vinho (CAV), José Caetano de seu nome, actual gerente daquele espaço de restauração.
Falaram a Olga e o António Barreto (antigo cliente das CAV e autor do prefácio da brochura comemorativa do 10º Aniversário das CAV, onde referiu "(...) Comemoram este ano o seu 10º aniversário. Ou antes, comemoramos...Tanto estão eles de parabéns, que fizeram obra, como nós, que dela beneficiamos. (...)"). Ambos se referiram, em termos elogiosos às CAV. Os nossos agradecimentos.
Para memória futura, bebemos e comemos:
.Três Bagos 2017 Sauvignon Blanc 2017 - nariz exuberante, presença de citrinos e espargos, acidez vibrante, algum volume e final de boca. Serviu de vinho de boas vindas (portanto, antes da prova e do jantar) e está super afinado. Um dos melhores Sauvignon produzidos em Portugal. Nota 17,5.
.Três Bagos 2017 - fresco e mineral, bela acidez, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Ligou bem com uma muito original entrada de bacalhau lascado, batata palha e coentros.
.18º Aniversário Tinto Cão 2016 (já aqui descrito)
Ligou muito bem com um excelente risotto de moqueca de camarão e menos bem com um wrap de pato e cogumelos.
.Grande Escolha 2014 e Grande Escolha Estágio Prolongado 2008 (já anteriormente descritos)
Acompanharam bolo de chocolate, queijos e compotas.
Pena foi que não tivesse sido provado um Colheita Tardia.
Resta dizer que a ementa estava impressa, os copos eram dos LF (marca Riedel com o logo do produtor), o ritmo foi o adequado, o serviço de vinhos, sob a batuta do José Caetano, competente, e a organização, a cargo da Joana Pratas, impecável uma vez mais.

A fechar, o meu muito obrigado à Olga e, de papinho cheio (elogios, comida e bebida), ergo o meu copo (com o Grande Escolha Estágio Prolongado 2008) desejando muitos anos de vida aos Lavradores de Feitoria!