terça-feira, 27 de novembro de 2018

Jantar Dona Maria

Quase em cima do seu 8º aniversário, a Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico. Desta vez desceu ao Alentejo e o produtor contemplado foi o Júlio Bastos (vinhos Dona Maria), bem representado pela sua enóloga Sandra Gonçalves que, em vez de estar em casa à espera do momento para ir para a maternidade, assumiu o seu papel e ali esteve connosco a conversar sobre os vinhos do jantar. Louve-se o seu esforço, os seus conhecimentos e a sua grande simpatia. Neste momento em que escrevo já deve ter sido mãe e faço votos para que estejam, mãe e filho (ou filha?) bem.
O restaurante escolhido foi o Vila Graça que já nos habituou a uma gastronomia de qualidade e a um serviço de vinhos de 5 estrelas, com copos Riedel, temperaturas adequadas e os vinhos a chegarem à mesa antes da comida. Nota alta, ainda, para o ritmo do jantar, sem pontos mortos e a acabar a horas apropriadas.
Desfilaram:
.Dona Maria rosé 2017 - com base nas castas Aragonês (60 %) e Touriga Nacional (40 %); cor salmonada, austero, alguma acidez e secura, volume e final de boca médios. Muito gastronómico é uma boa surpresa e um dos rosés mais interessantes que tenho provado ultimamente. Nota 16,5.
Acompanhou o couvert (pães, patés e azeite) e harmonizou muito bem com um delicioso creme de cogumelos com camarão da costa.
.Amantis Viognier Reserva 2015 - estagiou em barricas; nariz contido, fruta madura de caroço, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca médio (14 % vol.). Gastronómico.
Nota 17.
Casou bem com robalo do mar e risotto de lingueirão.
.Dona Maria Petit Verdot 2015 - estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; aroma intenso, muita fruta vermelha, acidez bem presente, algo especiado,taninos firmes e civilizados, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17,5+.
.Dona Maria Touriga Nacional 2015 - estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; nariz mais discreto, notas florais e alguma fruta vermelha, acidez no ponto, taninos de veludo, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos acompanharam um porco preto de bolota com arroz basmati cremoso (demasiado caldoso para o meu gosto).
.Dona Maria Grande Reserva 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (50 %), Syrah, Petit Verdot e Touriga Nacional, fermentou em lagares de mármore e estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; frutado e muito fresco, acidez equilibrada, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume apreciável e final de boca persistente (14,5 % vol.). A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18.
Gastronómico, é uma das jóias da coroa do produtor, tendo ficado em 1º lugar (ex-aequo com mais 3 vinhos) no último grande painel da Vinho Grandes Escolhas, dedicado aos vinhos do Alentejo.
Harmonizou com um lombinho de vitela.
.Dona Maria Colheita Tardia 2011 - com base na casta Sémillon, estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; presença de marmelos, citrinos e algum fruto seco, mel, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca curto. Nota 17.
Acompanhou um crocante de maçã e gelado de baunilha.
Este foi, seguramente, um dos melhores jantares vínicos organizados pela Néctar das Avenidas, não só pela gastronomia e ritmo de toda a refeição, como também pela qualidade dos vinhos apresentados, quase todos para mim desconhecidos, o que me surpreendeu pela positiva.

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