quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Jantar Jorge Moreira

Antes de entrar no desenvolvimento do jantar, dois apontamentos sobre este evento:
1º - Só se realizou porque o Jorge Moreira, uma grande referência no mundo do vinho, tem um sentido das responsabilidades muito apurado. Eu digo isto porque ele sofreu, na véspera, um grande e aparatoso acidente que praticamente lhe destruiu o carro. Podia ter ficado a descansar tranquilamente em casa, mas não o fez.
2º - Chamaram-lhe "Jantar de Vinhos - Quinta de La Rosa", mas rigorosamente não o foi, pois foram provados 2 vinhos Passagem que não são daquele produtor, mas sim resultantes de uma parceria da família Bergqvist com o Jorge Moreira.
Voltando ao evento, este foi organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas e decorreu na sala nova da Casa do Bacalhau (um dos espaços mais bonitos que conheço em Lisboa), que já nos habituou a uma boa gastronomia, ritmo adequado, temperaturas correctas e copos Riedel, embora o serviço de vinhos esteja abaixo do da equipa do Via Graça.
Desfilaram:
.Qtª de La Rosa Porto Branco Extra Dry - serviu de bebida de boas vindas, cumpriu a sua função, mas não ficou na memória.
Acompanhou amendoas torradas.
.Passagem Reserva 2017 branco - com base em vinhas velhas a 400 metros de altitude, onde predominam as castas Viosinho, Gouveio, Rabigato e Códega do Larinho, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês usadas; fresco e mineral, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca médios (13 % vol.). A conselhado para acompanhar entradas simples ou para beber a solo. Nota 16,5+.
Ligou bem com uns pastéis de bacalhau.
.Tim Grande Reserva 2015 branco (2500 garrafas produzidas) - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Viosinho, Gouveio e Arinto, esatgiou 6 meses em barricas de carvalho francês e 18 em garrafa; aromático e complexo, presença de citrinos e fruta cozida, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Gastronómico, acompanha entradas mais pesadas ou peixe no forno. Melhor daqui a 4/5 anos. Nota 17,5+.
Maridou com um prato de pataniscas e arroz de tomate.
.Passagem Reserva 2016 tinto - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Touriga Nacional (70 %), Touriga Franca (25 %) e Sousão (5 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muito frutado, notas vegetais (eucalipto?), acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14,5 %). Demasiado jovem, há que esperar por ele. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.La Rosa Reserva 2016 tinto - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muito floral e fresco, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume notável e final de boca muito longo (14,5 %). Ainda muito novo, vai melhorar com o tempo. A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos armonizaram com bacalhau de cura  de 10 meses assado com batatas a murro.
.Qtª de La Rosa Tawny 30 Anos - é a estreia em tawnies com esta idade e foi lançado agora para comemorar os 30 anos da empresa; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz de letra A e provenientes dos patamares mais antigos; presença de frutos secos, mel, alguma acidez e gordura, volume e final de boca assinaláveis. Engarrafado e armazenado no Douro. Nota 18.

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