quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Petiscar na Tasca da Esquina

Nota alta para o Vitor Sobral e equipa (a Tasca funciona e bem sem o chefe presente, o que é um bom sinal). Penso que este é o caminho a seguir. Cozinha descomplicada mas, em simultâneo, criativa e com qualidade, boas doses e preços mais do que acessiveis, serviço eficiente e simpático. Uma aposta ganha. Um reparo : lista de vinhos curta e preços de alguns vinhos acima do que seria de esperar.
Nesta última visita desfilaram : sopa fria de tomate e ameixa, alhada de camarão, requeijão com pimentos e poejo, atum salteado com oregãos (excelente), figados de aves de escabeche com pera (excelente) e cogumelos gratinados.
Bons copos e selecção de vinhos a copo a condizer, serviço impecável. Bebeu-se o branco Luis Pato Vinhas Velhas 08, com base nas castas Cerceal, Cercealinho e Bical. Muito frutado, alguma complexidade dada pela madeira, boa acidez, equilibrado, final médio. Nota 16.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cozinha Velha revisitada

A qualidade gastronómica do bufete e o serviço, muito profissional, continuam em alta. Desta vez nem sequer foi necessário pedir bons copos. O empregado tinha boa memória e pô-los, de imediato, na mesa.
Levei um branco, o Altas Quintas 2008, para mim o vinho mais interessante deste produtor. Ligeira oxidação a dar-lhe complexidade, alguma fruta madura, notas tropicais, untuoso na boca, excelente acidez, bom final de boca. Um vinho com personalidade. Nota 17 (noutras situações 17/17).
E já que estou numa de brancos, bebi, recentemente e em família, 2 CARM 09 (Códega do Larinho e Rabigato), ambos de qualidade mas este último mais interessante, Herdade dos Grous 08 e o surpreendente Adega de Vila Real Reserva 08. Este com alguma exuberância e complexidade aromática, notas de citrinos, boa acidez, equilibrado e fresco, alguma persistência final e, sobretudo uma imbativel relação preço/qualidade. Notas 16/ 16,5/ 15,5+/ 16,5 respectivamente.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um jantar no 27º andar

Foi no Panorama, o restaurante do Hotel Sheraton em Lisboa. É para ir uma vez na vida, pois os preços são elevadíssimos e não justificam a cozinha de autor do Leonel Pereira, aliás de grande qualidade, nem a vista sobre Lisboa, de cortar a respiração.
Pontos fortes :
. a vista, sempre
. o ambiente
. a inspiração e a segurança do chefe, patentes nos pratos provados
. o cuidado posto na garrafeira, situada num espaço transparente a temperatura controlada (faz lembrar a do Flor de Sal, em Mirandela)
. copos adequados
. serviço correcto e simpático
Pontos fracos :
. preços exorbitantes nalguns pratos e vinhos
. quantidades exíguas de alguns dos itens servidos
. lista de vinhos curta, atendendo a que estamos num hotel de referência
. pouca oferta de vinhos a copo
. omissão dos anos de colheita na maior parte dos vinhos (imperdoável)
Bebeu-se durante a refeição Morgado de Santa Catherina Reserva 2008, a copo, que desiludiu (madeira demasiado presente que o desequilibra). Nota 14,5.
Com a sobremesa, belíssima, avançou um Moscatel Alambre 20 Anos da JMF. Nariz extremamente complexo, com notas de citrinos, frutos secos, figos, mel, untuoso na boca e um final muito longo. Qualidade muito próxima de alguns dos grandes moscateis (Trilogia, 1960, 1971,...), com a vantagem de ter um preço acessivel. Nota 18.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Provas na Viniportugal

Vários cartazes à entrada anunciavam, para Agosto, provas de vinhos das Regiões Alentejo, Vinhos Berdes (sic!) e Bairrada. É claro que perguntei se a Viniportugal tinha aderido a um novo acordo ortográfico imposto pelo pessoal do Norte. Que não, fora apenas uma gralha. E os cartazes gralhados foram logo substituidos.
Estas provas são gratuitas e dirigem-se, prioritariamente aos turistas interessados nos nossos vinhos, o que é de louvar. Estavam à prova e estarão até ao final de Agosto cerca de 15 vinhos de cada uma das Regiões indicadas. Nenhum de 1ª linha, pareceu-me.
O espaço é muito agradável, bem decorado, confortável e com muita informação. Bons copos, temperaturas de serviço adequadas e apoio técnico feminino.
Na última 4ª feira de cada mês (Agosto excluido), também há provas de azeites. E segundo a Viniportugal "(...) Consumir azeite produzido em cooperativas é consumir um produto de grande qualidade". Afirmação no mínimo polémica. Ó senhores da Viniportugal, então os outros ?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Almoço n' A Margem

É um restaurante com uma magnífica esplanada, bem junto ao Tejo e paredes meias com o Hotel Altis Belém. Comida mais ou menos leve, à base de substanciais saladas, mas sempre com uma qualidade que não é habitual neste tipo de espaço. Um dos meus locais preferidos na zona de Belém.
Tem como mais valia o facto de se poder beber vinho a copo (1,4 dl). Lista curta, mas escolhida com critério, oferecendo algumas referências de brancos, tintos, rosés, espumantes e colheitas tardias. Como nota crítica a ausência das datas de colheita. Ó senhores Goliardos, é assim tão complicado ? Os clientes merecem a informação.
Bons copos, serviço impecável e temperaturas correctas, o que é uma boa surpresa.
Numa das últimas vezes bebi o tinto Vinha Paz 08. Muita fruta vermelha, algum corpo, acidez presente, muito fresco e bom final de boca. Nota 16,5.

domingo, 1 de agosto de 2010

Entender de Vinho, de João Afonso. Um livro acabado à pressa ?

O João Afonso (JA), com este livro editado por A Esfera dos Livros, em Junho de 2010, junta-se ao José Salvador e ao João Paulo Martins como divulgador de vinhos (ver crónica Críticos e Divulgadores de Vinhos, publicada neste Blog em 20 de Abril). Segundo o autor "É um livro de consulta, de partilha e entendimento entre o vinho e o seu consumidor. Aborda inúmeros temas da produção e consumo deste produto primário na origem e quantas vezes ambrósia(?) no destino. É um livro ao serviço do vinho e de quem o aprecia.(...)".
É, também, um livro ambicioso, digo eu, ao abarcar, em pouco mais de 200 páginas, assuntos tão diversos como :
.A História do Vinho
.Os Vinhos Portugueses
.A Produção do Vinho - da Vinha à Maturação
.Grandes Marcas de Grandes Vinhos
.A Degustação do Vinho - da Compra à Mesa
.Defeitos do Vinho
.Saúde e Vinho
É uma intenção louvável, mas prejudicada por algumas omissões (a mais grave é a que diz respeito aos enólogos) e falta de rigor nalgumas informações, nomeadamente no Anexo Garrafeiras.
Vou, então, tentar ser o mais objectivo possivel, de modo a que o título desta crónica faça algum sentido.
1. No capítulo Profissionais do Vinho, o JA apresenta a sua lista dos Principais Enólogos, a qual omite alguns dos grandes criadores dos vinhos portugueses. Só a pressa de pôr o livro cá fora justifica o injustificável.
Foram esquecidos Alvaro de Castro, António Luis Cerdeira, António Saramago, Carlos Campolargo, Celso Pereira, Francisco Albuquerque, Francisco Montenegro, Francisco Olazabal, João Brito e Cunha, José Maria Soares Franco, Luis Pato, Luis Seabra, Orlando Lourenço, Paulo Ruão, Pedro Baptista, Rita Ferreira, Rui Madeira, Susana Esteban, Virgílio Loureiro, ... E quanto a grupos falhou a Global Wines (equipa liderada por Carlos Lucas) e os enólogos principais do grupo João Portugal Ramos (Mário Andrade e Perry Vidal).
2. Contrariamente ao que fez noutros itens (Empresas e produtores mais prestigiados, Principais Enólogos e Someliers mais conhecidos) não há nenhum nome no capítulo Jornalistas e Críticos de Vinhos. Porque não assumiu ?
3. No capítulo Grandes Marcas de Grandes Vinhos e no que se refere a candidatos a Grande Marca, as omissões mais gritantes são a dos espumantes (a marca Vértice não merece ?) e das Regiões Tejo/Ribatejo, Lisboa/Estremadura e Palmela/Terras do Sado (então não há aqui grandes vinhos, incluindo alguns que o JA classificou com nota alta ?).
Finalmente e dentro do mesmo capítulo, os vinhos generosos esgotam-se nos Portos e Moscateis ? Então e os Madeiras ? Grande injustiça !
4. A escolha feita para Uma Possivel Garrafeira Ideal não contempla nenhum branco do Dão e de Bucelas (a única região só para brancos !)
5. No anexo Garrafeiras constam algumas desaparecidas desde há anos, diria desde o século passado (o Espírito do Vinho e a Torres & Brinkman) e outras omitidas sem que se perceba porquê (Tasca do Joel, Wine Company, Wine o'Clock, Veneza e Venha à Vinha) ! Algumas destas têm sido referidas na própria Revista de Vinhos e, inclusivé, uma delas foi premiada a Garrafeira do Ano ! Ó João Afonso, estava mesmo distraido !
Em conclusão, um bom projecto a que não foi dado o devido cuidado. A minha recomendação : se houver uma 2ª edição do livro, e espero que sim, não haja pressa em pô-la cá fora !

Para ler nas férias e deitar fora

É o que se deve fazer com o livro "Paixão Bordeaux" de Rosie Thomas, edição de Saída de Emergência (original em 1982, 1ª edição em 2009 e 2ª em 2010). Pertence ao género de literatura light, razoavelmente mal escrito, daria um bom guião para uma novela barata. O que nos conta ? Uma inglesa, jornalista de vinhos, embrulha-se com os produtores que vai entrevistar, um em Bordeus e outro em Napa Valey. Ponto positivo (único ?), a história desenvolve-se, em parte, com as vindimas em Bordeus como pano de fundo.
Já leu ? Já pode deitar fora !