Este restaurante situa-se na Boca do Inferno, a poucos metros do Atlântico. Tem algumas particularidades que só o abonam : a localização da esplanada, a qualidade do peixe (fresquíssimo) e dos mariscos, o serviço profissional e despachado, a cargo de uma equipa adulta que se mantém igual há já alguns anos, o que não é habitual nos tempos que correm. A cereja em cima do bolo : tem uma relação preço/qualidade imbatível (não há comparação possivel com os restaurantes mais badalados do Guincho). Convém marcar porque o restaurante está sempre cheio. Pelos vistos a crise não passou por aqui!
E quanto a vinhos? Tem uma boa selecção a preços acessíveis, bons copos, temperaturas adequadas (possui armários térmicos para os tintos). Pontos a corrigir : carta de vinhos sem datas de colheita e inexistência de vinhos a copo.
Bebeu-se um excelente Muros de Melgaço Alvarinho 08, da responsabilidade do Anselmo Mendes - muito frutado, aroma tropical sem excessos, acidez fabulosa, presença discreta da madeira, boa profundidade e final longo. Vai durar ainda mais alguns anos. Nota 18.
domingo, 19 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Jantar no Alma
O Henrique Sá Pessoa e sua equipa estão de parabens. Bom ambiente, decoração minimalista (tudo branco), atendimento correcto e simpático, menus de degustação imaginativos e com muita qualidade. Metade da mesa optou pelo Novidade e a outra metade pelo Clássico. No que me diz respeito, desfilaram, após o amouse de bouche, polvo assado, lombo de bacalhau de meia cura, leitão confitado, sorvete e tarte de pêra e amêndoas com gelado. Preço sem vinho 39 € (50 € com vinhos). Esta bela refeição foi acompanhada pelo tinto duriense Family Estates 06 - especiado, notas de tabaco e chocolate, boa profundidade e final de boca, muito equilibrado. Nota 17,5.
Temperaturas adequadas, serviço profissional e despachado. Mas nem tudo são rosas. A lista de vinhos é algo desequilibrada, com vinhos normais a par de topos de gama e algumas discrepâncias nos preços (por exemplo, o Pintas Character mais caro que o Poeira). Além disso tem pouca oferta de vinhos a copo (meia dúzia de referências de brancos e tintos).
Em conclusão : recomendo e hei-de voltar.
Temperaturas adequadas, serviço profissional e despachado. Mas nem tudo são rosas. A lista de vinhos é algo desequilibrada, com vinhos normais a par de topos de gama e algumas discrepâncias nos preços (por exemplo, o Pintas Character mais caro que o Poeira). Além disso tem pouca oferta de vinhos a copo (meia dúzia de referências de brancos e tintos).
Em conclusão : recomendo e hei-de voltar.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Imoralidades
Acabo de regressar a Lisboa, após 1 semana de descanso no Algarve, cheio de saudades de recomeçar a beber bons vinhos a preços sensatos. Foi uma semana para esquecer em termos vínicos. Só a título de exemplo, no hotel onde estive, o Palácio da Brejoeira custava 60 €, o Muros de Melgaço e o Dona Berta Rabigato 45 €. O vinho mais acessivel era o Esteva a 20 €!
Moral da história : aguinha e algumas imperiais.
Mas como homem prevenido vale por dois, levei comigo uma garrafa de Niepoort Colheita 1991 (eng. 2007) que estava soberbo. Aroma afirmativo, frutos secos em abundância, acidez no ponto, muito equilibrado, taninos bem presentes, final interminável. Nota 17,5 +.
Moral da história : aguinha e algumas imperiais.
Mas como homem prevenido vale por dois, levei comigo uma garrafa de Niepoort Colheita 1991 (eng. 2007) que estava soberbo. Aroma afirmativo, frutos secos em abundância, acidez no ponto, muito equilibrado, taninos bem presentes, final interminável. Nota 17,5 +.
sábado, 4 de setembro de 2010
Almoço no Furnas do Guincho
Recomendável e simpático restaurante com uma enorme esplanada quase em cima do Atlântico, especializado em marisco e peixe fresco. Tem uma boa carta de vinhos a preços sensatos, embora a oferta de vinho a copo e vinhos de sobremesa seja diminuta. Copos aceitáveis, serviço desembaraçado a cumprir os mínimos, apesar da confusão (era Domingo). Não tive a oportunidade de testar o serviço dos tintos. Bebeu-se um branco, o Três Bagos Sauvignon 09, já uma referência. Tropical, algumas notas de espargos, boa acidez, vinho de grande elegância. Nota 16+.
P.S. - o Blog vai de férias na próxima semana de 6 a 12/9. Boas provas|
P.S. - o Blog vai de férias na próxima semana de 6 a 12/9. Boas provas|
E assim vão as Confrarias Gastronómicas
Está a passar completamente ao lado dos militantes da gastronomia portuguesa o 1º Festival das Confrarias Gastronómicas, promovido pela respectiva Federação, Câmara Municipal de Lisboa e Turismo de Lisboa. O evento começou hoje no Mercado da Ribeira e termina àmanhã,dia 5 (Domingo). Ainda se pode jantar hoje e almoçar àmanhã. Eu aproveitei e acabei de fazer uma degustação boa e barata, à base de tapas (2,50 € cada). Não cheguei a gastar 10 € ! A outra modalidade é uma refeição completa por 15 €.
Foi pena a organização não se ter empenhado na divulgação deste evento.
Todos ao Mercado da Ribeira em apoio da Confraria Nabos e Companhia(Carapelhos,Mira) e restantes congéneres!
Foi pena a organização não se ter empenhado na divulgação deste evento.
Todos ao Mercado da Ribeira em apoio da Confraria Nabos e Companhia(Carapelhos,Mira) e restantes congéneres!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Vinhos em família (II)
Notas telegráficas em relação aos vinhos provados em recente convívio familiar :
.VZ 08 B - um dos brancos mais interessantes provados ultimamente, aroma ainda um pouco preso, compensado por uma notável presença na boca, muito mineral, belíssima acidez, boa persistência no final de boca. Nota 17,5.
.Terrenus Reserva 04 - um dos grandes tintos alentejanos, obra de arte do Rui Reguinga, todo ele complexo no nariz e na boca, contribuição de mais de 1 ano de estágio em boa madeira, acidez equilibrada, acentada profundidade, bom final de boca. Ainda tem alguns anos pela frente. Nota 17,5+.
.FMA (Francisco Machado Albuquerque) Bual 64, engarrafado em 2004 - uma das grandes criações do Francisco Albuquerque, fora dos circuitos comerciais. Presença de frutos secos, iodo, vinagrinho, equilibrado, notável arquictetura de boca, final interminável com o aroma a pairar na sala de jantar. Nota 18,5 (a entrar no meu Quadro de Honra *). Constou-me que o João Paulo Martins já o provou e que ficou apaixonado.
* vem juntar-se aos seguintes Madeira (todos com 18,5 ou mais) :
.Blandy Terrantez 75
.Blandy Sercial 74
.Blandy Verdelho Solera
.Blandy Bual - 1920, 48, 63, 64, 68, 71 e 77
.Cossart Terrantez 77
.Cossart Verdelho 73
.Cossart Bual 58
.FEM (o avô do Francisco Albuquerque) Sercial
.idem Verdelho
.Artur Barros e Sousa Verdelho 81
.idem Malvasia 80 e Reserva Velha
.VZ 08 B - um dos brancos mais interessantes provados ultimamente, aroma ainda um pouco preso, compensado por uma notável presença na boca, muito mineral, belíssima acidez, boa persistência no final de boca. Nota 17,5.
.Terrenus Reserva 04 - um dos grandes tintos alentejanos, obra de arte do Rui Reguinga, todo ele complexo no nariz e na boca, contribuição de mais de 1 ano de estágio em boa madeira, acidez equilibrada, acentada profundidade, bom final de boca. Ainda tem alguns anos pela frente. Nota 17,5+.
.FMA (Francisco Machado Albuquerque) Bual 64, engarrafado em 2004 - uma das grandes criações do Francisco Albuquerque, fora dos circuitos comerciais. Presença de frutos secos, iodo, vinagrinho, equilibrado, notável arquictetura de boca, final interminável com o aroma a pairar na sala de jantar. Nota 18,5 (a entrar no meu Quadro de Honra *). Constou-me que o João Paulo Martins já o provou e que ficou apaixonado.
* vem juntar-se aos seguintes Madeira (todos com 18,5 ou mais) :
.Blandy Terrantez 75
.Blandy Sercial 74
.Blandy Verdelho Solera
.Blandy Bual - 1920, 48, 63, 64, 68, 71 e 77
.Cossart Terrantez 77
.Cossart Verdelho 73
.Cossart Bual 58
.FEM (o avô do Francisco Albuquerque) Sercial
.idem Verdelho
.Artur Barros e Sousa Verdelho 81
.idem Malvasia 80 e Reserva Velha
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Independência, já!
Nestes dias de calor apetece-me beber brancos. E quem diz brancos diz alvarinhos, quase todos eles muito tropicais, notas de citrinos também, aromas inebriantes, frescos e elegantes, minerais, acidez presente sem excessos, prolongando-se no palato. Enfim, vinhos com vincada personalidade.
Como se pode não gostar desta casta? Lamentavelmente ainda há muitos consumidores que têm preconceitos quanto à região de origem destes vinhos. Quando ainda estava nas CAV, aconteceu-me por diversas vezes, ao aconselhar um alvarinho, obter como resposta "não gosto de vinhos verdes". Como ultrapassar este dilema? Independência aos alvarinhos, já!
Passo a resumir as minhas impressões dos alvarinhos provados recentemente.
.Soalheiro 09 - perfil algo discreto e contido, muito mineral. Nota 16.
.Soalheiro 1ª Vinhas 09 - ainda muito preso, a precisar de tempo de garrafa para se mostrar. Nota 16,5.
.Muros Antigos 09 - o mais inebriante de todos, não precisa de mais tempo, difícil não se gostar. Nota 16,5+.
.Anselmo Mendes Contacto 09 - discreto, acidez elevada, algumas semelhanças com o Soalheiro. Nota 16.
.Qtª do Regueiro Reserva 09 - algo discreto, o mais floral de todos. Nota 16.
.Qtª Edmun do Val 07 (Valença) - o único que não é da sub-região Monção-Melgaço (é um Regional Minho), aromas ausentes, demasiado vegetal, já com alguma oxidação. Nota 14.
De qualquer modo esta colheita de 2009 parece-me inferior à de 2008 e, especialmente à de 2007 que, para mim, produziu o melhor branco português dos últimos anos, o Soalheiro Alvarinho Reserva.
Como se pode não gostar desta casta? Lamentavelmente ainda há muitos consumidores que têm preconceitos quanto à região de origem destes vinhos. Quando ainda estava nas CAV, aconteceu-me por diversas vezes, ao aconselhar um alvarinho, obter como resposta "não gosto de vinhos verdes". Como ultrapassar este dilema? Independência aos alvarinhos, já!
Passo a resumir as minhas impressões dos alvarinhos provados recentemente.
.Soalheiro 09 - perfil algo discreto e contido, muito mineral. Nota 16.
.Soalheiro 1ª Vinhas 09 - ainda muito preso, a precisar de tempo de garrafa para se mostrar. Nota 16,5.
.Muros Antigos 09 - o mais inebriante de todos, não precisa de mais tempo, difícil não se gostar. Nota 16,5+.
.Anselmo Mendes Contacto 09 - discreto, acidez elevada, algumas semelhanças com o Soalheiro. Nota 16.
.Qtª do Regueiro Reserva 09 - algo discreto, o mais floral de todos. Nota 16.
.Qtª Edmun do Val 07 (Valença) - o único que não é da sub-região Monção-Melgaço (é um Regional Minho), aromas ausentes, demasiado vegetal, já com alguma oxidação. Nota 14.
De qualquer modo esta colheita de 2009 parece-me inferior à de 2008 e, especialmente à de 2007 que, para mim, produziu o melhor branco português dos últimos anos, o Soalheiro Alvarinho Reserva.
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