quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Prova e Jantar Sogevinus. O pleno do nosso grupo.

Nesta prova de vinhos do Porto do grupo Sogevinus, seguida de jantar, os participantes ou eram do antigo núcleo das CAV ou amigos pessoais que foram comigo. Ou seja 100 %, o pleno! Ora esta situação é preocupante, pois se numa próxima vez não nos mobilizarmos, corre-se o risco do enólogo ficar a falar sozinho! Por onde andam os profissionais, os foristas e outros enófilos? Como lhes passou ao lado a prova de tantos vinhos do Porto com a qualidade dos que foram apresentados? E alguns quase impossíveis de encontrar? Mistérios insondáveis...
O evento foi organizado pela Quinta Wine Guide e decorreu no Clube de Jornalistas. Sob a batuta do enólogo Pedro Sá, já premiado pela Revista de Vinhos desfilaram na "passerele", por ordem, Burmester Branco 10 Anos, Kopke Branco 20 e 40 Anos, Burmester Tordiz 40 Anos, Kopke Colheita 60, Burmester Colheita 55 e 37. Curiosos e surpreendentes foram os brancos, com destaque para o 40 Anos. Deliciosos e inesquecíveis foram os últimos 4, o Kopke Colheita 60 e a brigada da Burmester (40 Anos, 1955 e 1937). Mais gordos na boca que os anteriores, mas simultaneamente muito frescos, com um final interminável. Pessoalmente e comparando os 2 últimos achei que o 37 ganhava em frescura e o 55 na potência de boca. Notas para o meu Quadro de Honra : Kopke Colheita 60 - 18,5 (provado pela 1ª vez), Burmester 40 Anos - 18,5 (noutra situação também 18,5), Burmester 55 - 19 (a mesma de uma situação anterior) e Burmester 37 - 18,5+ (19 noutra situação). Nota : foram todos engarrafados em 2010, para a prova.
Seguiu-se o jantar, com uma entrada não muito conseguida a acompanhar o belíssimo branco Curva Reserva 09, que foi o grande vencedor, em relação preço/qualidade, do painel de brancos da RV. Muito mineral, elegante e equilibrado, de uma frescura assinalável, bom volume de boca e persistente. Nota 17. Com o medalhão de vitela (muito bom) entrou o D+D 06 que, apesar do ano, surpreendeu pela frescura, taninos firmes sem agressividade e bom final de boca. Apresentou-se uns furos acima do 2005. Nota 17,5.
Em conclusão, um evento ao mais alto nível, que ficará nas memórias daqueles que participaram (lamentavelmente, poucos).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Grupo de Prova dos 3 (6ª sessão). Confronto Portugal - Espanha

Espanha foi a grande vencedora deste confronto com o excepcional Aalto PS 05. O derrotado foi o Qtª Crasto Maria Teresa 05, que em situações anteriores se mostrou sempre ao nível da excelência. Os vinhos eram do João Quintela e o espaço escolhido foi o restaurante As Colunas, na Venda Nova. Cozinha simples bem confeccionada, matéria prima de primeira, serviço simpático e competente. Acompanharam os vinhos : pasteis de massa tenra, bacalhau lascado e arroz de galo do campo.
As minhas notas telegráficas sobre os vinhos provados :
.Aalto PS 05 - aroma exuberante e complexo, especiarias, tabaco, chocolate, bela acidez, boa madeira sem marcar o vinho, boa profundidade, final de boca muito longo. Nota 18,5 (a entrar no meu Quadro de Honra).
.Crasto Maria Teresa 05 - aroma mais floral, mineral, boca com alguma rusticidade (lagar?), taninos bem presentes, acidez q.b., final longo. Nota 17,5+ (noutras situações 18,5/18,5).
.FMA Bual 64 (o tal que o JPM gostou muito) - frutos secos, iodo, algum caril, acidez presente, volumoso na boca, final muito longo. Nota 18,5 (noutra situação 18,5).
.Bastardinho 30 Anos (garrafa pequena) - mel, frutos secos, déficite de acidez, gordo na boca, final longo. Nota 17,5 Noutra situação 17,5).
Mais uma grande sessão. Isto é qualidade de vida. Obrigado João!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Guia do João Paulo Martins (JPM)

Chegou ao público, na passada 6ª feira, o Guia do JPM "Vinhos de Portugal 2011" , editado por Publicações Dom Quixote (Grupo Leya). É o mais influente e o que mais se vende dos guias que se publicam em Portugal. Obrigatório consultar. O guia do JPM é uma instituição e já vai no 17º ano consecutivo. É obra!
Este último, uma espécie de 2 em 1, uma vez que engloba o guia de verão, é demasiado volumoso o que dificulta o seu manuseamento. Tem 556 páginas, enquanto o 2010 tinha apenas 419 e o 2009 444. Por outro lado, se fosse expurgado das notas de prova de 2009, 2008 e anteriores (excepção feita aos vinhos generosos) poupava cerca de 100 páginas. Este nº foi obtido por estimativa, a partir da análise das provas dos vinhos do Douro. Com efeito e em relação a esta região, há 130 vinhos provados em 2009 e 30 em 2008 e anos anteriores, ou seja 23% dos 693 vinhos do Douro provados.
Há ainda cerca de 20 páginas dedicadas a provas de vinhos velhos, o que sinceramente não creio que possa interessar à maioria dos leitores do JPM.
De qualquer modo, pesado ou não, está sempre condenado ao sucesso.

domingo, 26 de setembro de 2010

O Xico's revisitado

Porque não me canso de ir ao Xico's ? Vista da varanda para o Tejo, bom ambiente, excelente selecção de tapas, bons pratos de bacalhau e entrecôtes, serviço eficiente e simpático, doses generosas, preços imbatíveis para a qualidade do restaurante, são as minhas razões para voltar sempre. Áh, e também o nome!
Desta vez levei vinhos de casa. Com as tapas marchou lindamente o branco Passagem 09, resultado de uma parceria da Qtª de La Rosa com o Jorge Moreira, o enólogo da casa. É feito a partir de vinhas velhas do Douro Superior, situadas a 400 metros de altitude. Fruta discreta, muito mineral, elegante, austero, acidez q.b., boa presença na boca, ao estilo do Jorge. Um vinho para a meia estação e um dos melhores brancos provados este ano. Nota 17. O prato de carne foi acompanhado pelo Qtª Roriz Reserva 04, penso que o último saído com este nome (as uvas desta quinta estão destinadas ao Chryseia, segundo consta). Aroma especiado, notas de tabaco, taninos bem presentes mas macios, boa acidez, final longo. A consumir nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.

sábado, 25 de setembro de 2010

Vinhos do Alentejo em Lisboa

Passei ontem pela Lx Factory, para matar saudades, rever amigos, enólogos e produtores. O local, sem grandes condições para provar vinhos tranquilamente, estava repleto de enófilos e de curiosos, o que não permitia a concentração necessária. Mesmo assim provei uma dúzia de brancos ( retive alguns deles, em primeiro lugar o Terrenus 09 do Rui Reguinga, mas também Esporão Reserva, Herdade dos Grous Reserva, Herdade São Miguel Colh.Seleccionada, Dona Maria e, ainda, os brancos dos produtores Solar dos Lobos e Terras de Alter, todos de 2009 se não me engano) e 2 ou 3 tintos (destaque para o J de José de Sousa 07 do produtor José Maria da Fonseca, escolhido pelo João Paulo Martins como um dos "Melhores do Ano" no Guia 2011, saído ontem a público).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Núcleo Duro (58ª Prova) com os Douro Boys

Após um interregno de mais de 2 meses, o Núcleo Duro reuniu-se no restaurante do CCB (A Commenda) para o seu 58º jantar/prova de vinhos.
Compareceram 6 elementos efectivos, Jorge Sousa, Oliveira Azevedo (Juca), João Quintela, Paula Costa, Pedro Brandão e eu próprio. O Rui Miguel, um dos fundadores do grupo não poude estar e foi substituído pelo Paulo Bento (fez parte do painel de prova das CAV). O Alfredo Penetra esteve como convidado. Os vinhos eram todos da minha garrafeira, foram provados às cegas e o tema incidiu nos Douro Boys colheita 2007 (com excepção dos vinhos fortificados). Já os tinha provado quando da apresentação pública há cerca de 1 ano na Qtª do Vallado. São vinhos fantásticos, do melhor que se faz em Portugal.
Passo a indicá-los telegraficamente, com as minhas classificações que não coincidem com a média do painel.
.Projectos Niepoort Riesling Dócil 07 - ligeiramente doce, mas equilibrado com uma excelente acidez,muito fino,bom final de boca. Nota 16,5 (noutra situação 16,5+). Funcionou como vinho de boas vindas e não competiu com os outros 2 brancos.
.Redoma Reserva 07 (uma das principais referências de brancos portugueses) - aroma complexo, muito especiado, fumado, madeira discreta,belíssima acidez, boca potente, final longo. Nota 17,5+.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 07 (não é um Douro Boy puro, mas tem a mão do Dirk) - aroma tropical sem excessos, alguma gordura, acidez suficiente, boa profundidade, persistência. Nota 17+ (noutras 17+/18,5/18). É o branco por mim mais pontuado desde sempre.
.Vallado Adelaide 07 - muita fruta, especiarias, chocolate, tabaco, boca potente, final longo, inebriante e sedutor deu-me muito gozo. Nota 18,5 (noutra também 18,5).
.Vale Meão 07 - especiado, fino, elegante, boa arquitectura, excelente final de boca. Nota 18 (noutra também 18).
.CV 07 - floral, fino, muito elegante, taninos presentes, bom final de boca. Nota 18 (noutras 18/18,5).
.Crasto Maria Teresa 07 - aroma intenso, fruta madura, ligeiramente adocicado, muito elegante, estruturado, bom final de boca. Nota 17,5 (noutra 17,5+). Na prova de há 1 ano atrás gostei mais do Vinha da Ponte.
De notar que as pontuações dadas aos tintos, em prova cega, coincidem praticamente com as notas que atribui aos mesmos vinhos na referida prova na Qtª do Vallado.
.Fonseca Vintage 94 (o tal dos 100 pontos na Wine Spectator) - aroma demasiado austero, boca fabulosa e final interminável. Nota 18.
.Blandy Malvasia (talvez a casta nobre menos interessante da Madeira) 85 - iodo, alguma acidez, final interminável. Nota 17,5+.
Grande sessão. Vou ficar a água 48 horas!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O painel de brancos da Revista de Vinhos

Este painel (ver a RV de Setembro) teve a virtude de confirmar o que se dizia à boca pequena, afinal o vinho de qualidade não se esgota nos tintos. E só surpreende quem andava distraído. Ora, num painel deste tipo, todos os vinhos que, ao longo dos anos, têm sido objecto de referência deviam lá estar. Concretamente, ficaram omissos alguns dos mais conceituados e com provas dadas, como Redoma Reserva, Bageiras Garrafeira, Foz de Arouce, Morgado Santa Catherina, Esporão Private Seleccion, Castelo d' Alba Vinhas Velhas, etc. Ficamos sem saber, se estes tivessem entrado, quem eram de facto os melhores. Os produtores não enviaram? Comprem-se que eles andam por aí!