Releio esta crónica do jornalista Duarte Calvão, publicada no DN em 22/12/2007, sob o título "Vinhos de colecção para beber com amigos", resultante da sua visita à garrafeira do nosso amigo Adelino de Sousa, madeirense de nascimento e advogado estabelecido em Lisboa. Ali se refere a invulgar dimensão desta garrafeira particular, tendo contabilizado, na altura, mais de 3000 garrafas, com predomínio dos vinhos generosos (1500 Portos, 500 Madeiras e 200 Moscatéis). No decorrer da conversa com o Duarte Calvão, afirma o entrevistado "(...) Gosto muito de trazer cá amigos aos fins de semana e abrir estas garrafas com eles. Os vinhos são para partilhar(...)". E foi o que aconteceu recentemente, tendo eu sido o feliz contemplado.
Vejam só as relíquias que foram partilhadas, no final do almoço:
.Moscatel de Setúbal JMF Roxo 20 Anos (engarrafado em 1987) - aroma com predominância de doce de laranja, boca pujante e final longo; falta-lhe alguma acidez para ser perfeito. Nota 18 (noutras situações, em que não retive a data de engarrafamento, 17/18/18,5/18+).
.Dona Antónia 1877 - frutos secos, algum vinagrinho, profundidade de boca, final muito longo; eternamente jóvem; curiosamente está próximo do estilo de um Madeira velho. Nota 18,5.
.Reserva Velhíssima da Adega do Torreão Terrantez 1905 (reengarrafado em 1958) - frutos secos, notas de caril, frescura acentuada, boca poderosa, estruturado, final interminável; do melhor que tenho bebido! Nota 19,5.
Falta-me referir os vinhos que acompanharam a refeição :
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 09 - mais próximo do Reserva do que do Colheita; aroma expressivo com algumas notas tropicais, elegância, acidez no ponto, boca envolvente, bom final; gastronómico, acompanha bem peixe grelhado ou mesmo no forno; aguenta mais 4/5 anos. Nota 17,5+ (noutras 16+/16,5/16,5/17,5+/17,5+).
.Duas Quintas Reserva Especial 95 - côr ainda expressiva, alguma fruta preta, boca poderosa e final longo: estrutura a fazer lembrar um Porto. Precisa de um prato forte a acompanhar. Nota 18.
Grande jornada! Obrigado Adelino, por ter partilhado comigo as suas raridades.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
Vinhos em família (XIX)
Nesta época do ano, apesar das partidas que a meteorologia nos tem pregado, apetece consumir brancos, o que tenho feito com regularidade. Mas também é verdade que andava com saudades de provar um tinto, o que veio a acontecer recentemente. Vamos, então aos vinhos que tenho bebido, descontraidamente, em família ou com amigos.
.Prova Régia Premium 10 - muito frutado, fresco e elegante, uma espécie de "upgrade" do colheita, mas longe da complexidade do Morgado; óptimo para consumir com aperitivos ou marisco; está em promoção no Corte Inglês abaixo dos 4 €, o que o torna imperdível. Nota 16+ (noutra situação 16).
.Morgado Santa Catherina Reserva 08 - notas de melão e pêssego, amanteigado, algum fumado, acidez equilibrada, estrutura e bom final de boca. O que se pode pedir mais? Não me canso de o beber. Mais : tenho-o comprado a um preço imbatível (5,95 €). Nota 17,5+ (noutras 17/17,5+/17,5+).
.Monte Cascas Reserva 09 - é um Douro feito com base nas castas Rabigato e Códega do Larinho, muito elegante, alguma gordura, acidez correcta, bom final de boca; pede comida; uma boa surpresa surgida deste recente projecto. Nota 17.
.Poeira 01 - continua muito elegante, austero, com uma belíssima acidez e taninos delicados (os 13% vol. podem ajudar) e alguma evolução, mas ainda com pernas para andar. Nota 17,5 (noutras situações 18/18/17,5/18,5/17,5/16/16/16,5/18, o que denota alguma irregularidade na evolução em garrafa).
.VT'05 - resulta de uma parceria entre José Maria Calém, Cristiano van Zeller e Jorge Serôdio Borges; vinificado em lagares com pisa a pé, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (usadas?); austero no nariz, floral, acidez no ponto, algo rústico, taninos já domesticados, final médio; a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.
.Prova Régia Premium 10 - muito frutado, fresco e elegante, uma espécie de "upgrade" do colheita, mas longe da complexidade do Morgado; óptimo para consumir com aperitivos ou marisco; está em promoção no Corte Inglês abaixo dos 4 €, o que o torna imperdível. Nota 16+ (noutra situação 16).
.Morgado Santa Catherina Reserva 08 - notas de melão e pêssego, amanteigado, algum fumado, acidez equilibrada, estrutura e bom final de boca. O que se pode pedir mais? Não me canso de o beber. Mais : tenho-o comprado a um preço imbatível (5,95 €). Nota 17,5+ (noutras 17/17,5+/17,5+).
.Monte Cascas Reserva 09 - é um Douro feito com base nas castas Rabigato e Códega do Larinho, muito elegante, alguma gordura, acidez correcta, bom final de boca; pede comida; uma boa surpresa surgida deste recente projecto. Nota 17.
.Poeira 01 - continua muito elegante, austero, com uma belíssima acidez e taninos delicados (os 13% vol. podem ajudar) e alguma evolução, mas ainda com pernas para andar. Nota 17,5 (noutras situações 18/18/17,5/18,5/17,5/16/16/16,5/18, o que denota alguma irregularidade na evolução em garrafa).
.VT'05 - resulta de uma parceria entre José Maria Calém, Cristiano van Zeller e Jorge Serôdio Borges; vinificado em lagares com pisa a pé, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (usadas?); austero no nariz, floral, acidez no ponto, algo rústico, taninos já domesticados, final médio; a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
OITO DEZOITO revisitado
Mantenho o que disse em crónica anterior: não faz sentido a inexistência da uma lista de vinhos a copo. A empregada que nos atendeu sabia as marcas, mas questionada sobre anos de colheita e preços teve que ir indagar. Podem aproveitar a lista principal, que até prevê preços para garrafa e copo. É só preencher. Será assim tão complicado?
Já não exijo que se leve a garrafa à mesa e se dê o vinho a provar, pois o sistema logístico implantado não o permite. Mas fico com sérias dúvidas que na ausência do barman, que funciona como escanção da casa, alguma das empregadas tenha conhecimentos e treino que detecte uma eventual garrafa com rolha ou outro defeito.
Bebi um copo do branco Tapada de Coelheiros 09, que acompanhou bem um agradável Bacalhau à Gomes de Sá. Custou 4,60 €, o que considero um exagero, pois 1 copo e meio chega para pagar a garrafa.
Ó dr. José António Saraiva, não pode dar uma mãozinha e convencer o pessoal a pôr os preços dos vinhos a copo?
Já não exijo que se leve a garrafa à mesa e se dê o vinho a provar, pois o sistema logístico implantado não o permite. Mas fico com sérias dúvidas que na ausência do barman, que funciona como escanção da casa, alguma das empregadas tenha conhecimentos e treino que detecte uma eventual garrafa com rolha ou outro defeito.
Bebi um copo do branco Tapada de Coelheiros 09, que acompanhou bem um agradável Bacalhau à Gomes de Sá. Custou 4,60 €, o que considero um exagero, pois 1 copo e meio chega para pagar a garrafa.
Ó dr. José António Saraiva, não pode dar uma mãozinha e convencer o pessoal a pôr os preços dos vinhos a copo?
sábado, 20 de agosto de 2011
Almoço no Sea Me
O "Sea Me peixaria moderna", uma boa surpresa, fica na Rua do Loreto, muito próximo do Largo de Camões. É uma espécie de 4 em 1, pois inclui restaurante, bar, sushibar e peixaria. O que se come pode ser adquirido, ainda em cru. A ementa é variada e imaginativa, com destaque para os petiscos à base de peixe, não esquecendo pratos mais clássicos e a cozinha japonesa.
Degustei carapau alimado com batatas de molho frio e uma ovas à Bulhão Pato. Entre outros petiscos, registei estupeta de atum, salsicha de marisco grelhado, ceviche de peixes e sopa rica de caranguejo com amêndoas. Ficará, de certeza, para uma próxima visita.
Acresce o serviço eficiente, os preços acessíveis e um certo sentido de humor (as casas de banho estão assinaladas com "o carapau" e "a sardinha").
Quanto a vinhos, a lista tem ofertas interessantes e inclui espumantes, colheitas tardias e generosos. Há diversos vinhos a copo (15 cl), servidos de modo profissional (a garrafa vem à mesa e o néctar é dado a provar, o que nem sempre acontece na restauração). Os copos são adequados, as temperaturas as correctas e os preços muito sensatos.
Bebi Muros Antigos Alvarinho 2010 (3 €) - aromático, notas tropicais sem excessos, boa acidez, equilibrado e elegante, melhor daqui a 2/3 anos; acompanha bem entradas e pratos leves. Nota 16,5+.
Degustei carapau alimado com batatas de molho frio e uma ovas à Bulhão Pato. Entre outros petiscos, registei estupeta de atum, salsicha de marisco grelhado, ceviche de peixes e sopa rica de caranguejo com amêndoas. Ficará, de certeza, para uma próxima visita.
Acresce o serviço eficiente, os preços acessíveis e um certo sentido de humor (as casas de banho estão assinaladas com "o carapau" e "a sardinha").
Quanto a vinhos, a lista tem ofertas interessantes e inclui espumantes, colheitas tardias e generosos. Há diversos vinhos a copo (15 cl), servidos de modo profissional (a garrafa vem à mesa e o néctar é dado a provar, o que nem sempre acontece na restauração). Os copos são adequados, as temperaturas as correctas e os preços muito sensatos.
Bebi Muros Antigos Alvarinho 2010 (3 €) - aromático, notas tropicais sem excessos, boa acidez, equilibrado e elegante, melhor daqui a 2/3 anos; acompanha bem entradas e pratos leves. Nota 16,5+.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Darwin's Cafe revisitado
A cozinha melhorou, mas o serviço mantém-se mal organizado e com falhas. O vinho a copo continua a vir para a mesa já servido, sem o darem a provar, nem sequer o cliente vislumbra a garrafa. O serviço normal com a garrafa, prima pela distração dos empregados, sendo necessário estar sempre a chamá-los. A lista continua curta e não muito interessante, sem direito a anos de colheita. Uma vergonha! E é uma pena, pois aquele espaço é fabuloso, mais a mais acrescido de uma bela esplanada, praticamente em cima do Tejo.
O serviço é mau, mas a lotação está quase sempre esgotada. Lamentavelmente, falta massa crítica aos clientes!
Bebeu-se o branco Redoma 2010 - vivacidade, madeira bem casada, a encher a boca; gastronómico, vai melhorar na garrafa. Nota 16,5.
O serviço é mau, mas a lotação está quase sempre esgotada. Lamentavelmente, falta massa crítica aos clientes!
Bebeu-se o branco Redoma 2010 - vivacidade, madeira bem casada, a encher a boca; gastronómico, vai melhorar na garrafa. Nota 16,5.
sábado, 13 de agosto de 2011
Jantar no Umai
Um aviso à navegação : não sou militante da cozinha japonesa, hoje tão na moda, e detesto peixe crú. Mas o conceito de cozinha asiática, praticado pelo Paulo Morais no antigo QB em Oeiras, e agora no Umai, na Rua da Cruz dos Poiais em Lisboa, a meias com a Anna Lins, sua mulher, deslumbra-me. Dizem eles que a "Asian Twist é uma interpretação muito particular do que nos atrai na cozinha asiática. No Umai aplicamo-la em pequenos pratos para que a vossa viagem dentro da nossa visão seja o mais completa possível."
Fuji aos menús de degustação, todos eles com pratos de peixe crú, e degustei 4 pratos, com preços entre 5 e 8 € :
.Cornucópia de césamo com caranguejo real
.Espuma de caril indiano com vieiras coradas
.Tempura de caranguejo de casca mole
.Laksa lemak (massa malaia com peixe e marisco em caldo de caril e leite de coco).
Estava tudo uma delícia e a quantidade foi mais do que suficiente. Fiquei de olho em outros tantos pratos e aguardo nova oportunidade para lá voltar.
A sala estava cheia no turno das 20 h e havia marcações para o das 22 h. O serviço foi eficiente (inicialmente a um ritmo alucinante, que abrandou na fase final do jantar) e simpático.
A lista de vinhos, todos datados, está bem seleccionada e os preços são muito decentes. A oferta de vinho a copo é suficiente (2 espumantes, 4 brancos e 4 tintos). A garrafa vem à mesa e o vinho é dado aprovar. Não sei se é habitual, mas foi o próprio Paulo Morais que serviu o vinho em bom copo.
Bebi o Qtª do Ameal Loureiro 2010, que não tem nada do que detesto nos vinhos verdes, o excesso e agressividade da acidez e do gás. Muito aromático, acidez muito equilibrada e muito gastronómico que acompanhou bem a cozinha asiática. Um belo branco, cheio de personalidade. Nota 16,5.
Em conclusão é obrigatório conhecer o Umai e este tipo de gastronomia.
Fuji aos menús de degustação, todos eles com pratos de peixe crú, e degustei 4 pratos, com preços entre 5 e 8 € :
.Cornucópia de césamo com caranguejo real
.Espuma de caril indiano com vieiras coradas
.Tempura de caranguejo de casca mole
.Laksa lemak (massa malaia com peixe e marisco em caldo de caril e leite de coco).
Estava tudo uma delícia e a quantidade foi mais do que suficiente. Fiquei de olho em outros tantos pratos e aguardo nova oportunidade para lá voltar.
A sala estava cheia no turno das 20 h e havia marcações para o das 22 h. O serviço foi eficiente (inicialmente a um ritmo alucinante, que abrandou na fase final do jantar) e simpático.
A lista de vinhos, todos datados, está bem seleccionada e os preços são muito decentes. A oferta de vinho a copo é suficiente (2 espumantes, 4 brancos e 4 tintos). A garrafa vem à mesa e o vinho é dado aprovar. Não sei se é habitual, mas foi o próprio Paulo Morais que serviu o vinho em bom copo.
Bebi o Qtª do Ameal Loureiro 2010, que não tem nada do que detesto nos vinhos verdes, o excesso e agressividade da acidez e do gás. Muito aromático, acidez muito equilibrada e muito gastronómico que acompanhou bem a cozinha asiática. Um belo branco, cheio de personalidade. Nota 16,5.
Em conclusão é obrigatório conhecer o Umai e este tipo de gastronomia.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Actualizações de crónicas anteriores
1.Rescaldo da ida ao Douro (III) : uma visita guiada à Qtª de Nápoles (em 17/7)
.O Diálogo 2010 Branco já está no mercado. Vale a pena comprar.
.Quanto às quintas visitadas, disseram-me que também estive na Qtª da Cavadinha (em grupo) e na Qtª das Hidrângeas (isolado). O total das quintas/adegas visitadas no Douro, passa para 36.
2.Almoço no Néctar (em 24/8/2010)
Este Wine Bar já encerrou. Mais um espaço para a lista negra.
3.Chiado Unique : a sedução do cliente
.Entretanto este excelente restaurante da Fátima Lopes, alterou o nome para Faces (in Chiado).
.Lamentavelmente acabou de fechar em Lisboa e vai transferir-se de armas e bagagens para Vila Moura. Receio da futura concorrência dos restaurantes do José Avillez, a abrir ali bem perto?
.O Diálogo 2010 Branco já está no mercado. Vale a pena comprar.
.Quanto às quintas visitadas, disseram-me que também estive na Qtª da Cavadinha (em grupo) e na Qtª das Hidrângeas (isolado). O total das quintas/adegas visitadas no Douro, passa para 36.
2.Almoço no Néctar (em 24/8/2010)
Este Wine Bar já encerrou. Mais um espaço para a lista negra.
3.Chiado Unique : a sedução do cliente
.Entretanto este excelente restaurante da Fátima Lopes, alterou o nome para Faces (in Chiado).
.Lamentavelmente acabou de fechar em Lisboa e vai transferir-se de armas e bagagens para Vila Moura. Receio da futura concorrência dos restaurantes do José Avillez, a abrir ali bem perto?
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