terça-feira, 30 de agosto de 2011

Os vinhos do amigo Adelino de Sousa

Releio esta crónica do jornalista Duarte Calvão, publicada no DN em 22/12/2007, sob o título "Vinhos de colecção para beber com amigos", resultante da sua visita à garrafeira do nosso amigo Adelino de Sousa, madeirense de nascimento e advogado estabelecido em Lisboa. Ali se refere a invulgar dimensão desta garrafeira particular, tendo contabilizado, na altura, mais de 3000 garrafas, com predomínio dos vinhos generosos (1500 Portos, 500 Madeiras e 200 Moscatéis). No decorrer da conversa com o Duarte Calvão, afirma o entrevistado "(...) Gosto muito de trazer cá amigos aos fins de semana e abrir estas garrafas com eles. Os vinhos são para partilhar(...)". E foi o que aconteceu recentemente, tendo eu sido o feliz contemplado.
Vejam só as relíquias que foram partilhadas, no final do almoço:
.Moscatel de Setúbal JMF Roxo 20 Anos (engarrafado em 1987) - aroma com predominância de doce de laranja, boca pujante e final longo; falta-lhe alguma acidez para ser perfeito. Nota 18 (noutras situações, em que não retive a data de engarrafamento, 17/18/18,5/18+).
.Dona Antónia 1877 - frutos secos, algum vinagrinho, profundidade de boca, final muito longo; eternamente jóvem; curiosamente está próximo do estilo de um Madeira velho. Nota 18,5.
.Reserva Velhíssima da Adega do Torreão Terrantez 1905 (reengarrafado em 1958) - frutos secos, notas de caril, frescura acentuada, boca poderosa, estruturado, final interminável; do melhor que tenho bebido! Nota 19,5.
Falta-me referir os vinhos que acompanharam a refeição :
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 09 - mais próximo do Reserva do que do Colheita; aroma expressivo com algumas notas tropicais, elegância, acidez no ponto, boca envolvente, bom final; gastronómico, acompanha bem peixe grelhado ou mesmo no forno; aguenta mais 4/5 anos. Nota 17,5+ (noutras 16+/16,5/16,5/17,5+/17,5+).
.Duas Quintas Reserva Especial 95 - côr ainda expressiva, alguma fruta preta, boca poderosa e final longo: estrutura a fazer lembrar um Porto. Precisa de um prato forte a acompanhar. Nota 18.
Grande jornada! Obrigado Adelino, por ter partilhado comigo as suas raridades.

domingo, 28 de agosto de 2011

Vinhos em família (XIX)

Nesta época do ano, apesar das partidas que a meteorologia nos tem pregado, apetece consumir brancos, o que tenho feito com regularidade. Mas também é verdade que andava com saudades de provar um tinto, o que veio a acontecer recentemente. Vamos, então aos vinhos que tenho bebido, descontraidamente, em família ou com amigos.
.Prova Régia Premium 10 - muito frutado, fresco e elegante, uma espécie de "upgrade" do colheita, mas longe da complexidade do Morgado; óptimo para consumir com aperitivos ou marisco; está em promoção no Corte Inglês abaixo dos 4 €, o que o torna imperdível. Nota 16+ (noutra situação 16).
.Morgado Santa Catherina Reserva 08 - notas de melão e pêssego, amanteigado, algum fumado, acidez equilibrada, estrutura e bom final de boca. O que se pode pedir mais? Não me canso de o beber. Mais : tenho-o comprado a um preço imbatível (5,95 €). Nota 17,5+ (noutras 17/17,5+/17,5+).
.Monte Cascas Reserva 09 - é um Douro feito com base nas castas Rabigato e Códega do Larinho, muito elegante, alguma gordura, acidez correcta, bom final de boca; pede comida; uma boa surpresa surgida deste recente projecto. Nota 17.
.Poeira 01 - continua muito elegante, austero, com uma belíssima acidez e taninos delicados (os 13% vol. podem ajudar) e alguma evolução, mas ainda com pernas para andar. Nota 17,5 (noutras situações 18/18/17,5/18,5/17,5/16/16/16,5/18, o que denota alguma irregularidade na evolução em garrafa).
.VT'05 - resulta de uma parceria entre José Maria Calém, Cristiano van Zeller e Jorge Serôdio Borges; vinificado em lagares com pisa a pé, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (usadas?); austero no nariz, floral, acidez no ponto, algo rústico, taninos já domesticados, final médio; a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

OITO DEZOITO revisitado

Mantenho o que disse em crónica anterior: não faz sentido a inexistência da uma lista de vinhos a copo. A empregada que nos atendeu sabia as marcas, mas questionada sobre anos de colheita e preços teve que ir indagar. Podem aproveitar a lista principal, que até prevê preços para garrafa e copo. É só preencher. Será assim tão complicado?
Já não exijo que se leve a garrafa à mesa e se dê o vinho a provar, pois o sistema logístico implantado não o permite. Mas fico com sérias dúvidas que na ausência do barman, que funciona como escanção da casa, alguma das empregadas tenha conhecimentos e treino que detecte uma eventual garrafa com rolha ou outro defeito.
Bebi um copo do branco Tapada de Coelheiros 09, que acompanhou bem um agradável Bacalhau à Gomes de Sá. Custou 4,60 €, o que considero um exagero, pois 1 copo e meio chega para pagar a garrafa.
Ó dr. José António Saraiva, não pode dar uma mãozinha e convencer o pessoal a pôr os preços dos vinhos a copo?

sábado, 20 de agosto de 2011

Almoço no Sea Me

O "Sea Me peixaria moderna", uma boa surpresa, fica na Rua do Loreto, muito próximo do Largo de Camões. É uma espécie de 4 em 1, pois inclui restaurante, bar, sushibar e peixaria. O que se come pode ser adquirido, ainda em cru. A ementa é variada e imaginativa, com destaque para os petiscos à base de peixe, não esquecendo pratos mais clássicos e a cozinha japonesa.
Degustei carapau alimado com batatas de molho frio e uma ovas à Bulhão Pato. Entre outros petiscos, registei estupeta de atum, salsicha de marisco grelhado, ceviche de peixes e sopa rica de caranguejo com amêndoas. Ficará, de certeza, para uma próxima visita.
Acresce o serviço eficiente, os preços acessíveis e um certo sentido de humor (as casas de banho estão assinaladas com "o carapau" e "a sardinha").
Quanto a vinhos, a lista tem ofertas interessantes e inclui espumantes, colheitas tardias e generosos. Há diversos vinhos a copo (15 cl), servidos de modo profissional (a garrafa vem à mesa e o néctar é dado a provar, o que nem sempre acontece na restauração). Os copos são adequados, as temperaturas as correctas e os preços muito sensatos.
Bebi Muros Antigos Alvarinho 2010 (3 €) - aromático, notas tropicais sem excessos, boa acidez, equilibrado e elegante, melhor daqui a 2/3 anos; acompanha bem entradas e pratos leves. Nota 16,5+.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Darwin's Cafe revisitado

A cozinha melhorou, mas o serviço mantém-se mal organizado e com falhas. O vinho a copo continua a vir para a mesa já servido, sem o darem a provar, nem sequer o cliente vislumbra a garrafa. O serviço normal com a garrafa, prima pela distração dos empregados, sendo necessário estar sempre a chamá-los. A lista continua curta e não muito interessante, sem direito a anos de colheita. Uma vergonha! E é uma pena, pois aquele espaço é fabuloso, mais a mais acrescido de uma bela esplanada, praticamente em cima do Tejo.
O serviço é mau, mas a lotação está quase sempre esgotada. Lamentavelmente, falta massa crítica aos clientes!
Bebeu-se o branco Redoma 2010 - vivacidade, madeira bem casada, a encher a boca; gastronómico, vai melhorar na garrafa. Nota 16,5.

sábado, 13 de agosto de 2011

Jantar no Umai

Um aviso à navegação : não sou militante da cozinha japonesa, hoje tão na moda, e detesto peixe crú. Mas o conceito de cozinha asiática, praticado pelo Paulo Morais no antigo QB em Oeiras, e agora no Umai, na Rua da Cruz dos Poiais em Lisboa, a meias com a Anna Lins, sua mulher, deslumbra-me. Dizem eles que a "Asian Twist é uma interpretação muito particular do que nos atrai na cozinha asiática. No Umai aplicamo-la em pequenos pratos para que a vossa viagem dentro da nossa visão seja o mais completa possível."
Fuji aos menús de degustação, todos eles com pratos de peixe crú, e degustei 4 pratos, com preços entre 5 e 8 € :
.Cornucópia de césamo com caranguejo real
.Espuma de caril indiano com vieiras coradas
.Tempura de caranguejo de casca mole
.Laksa lemak (massa malaia com peixe e marisco em caldo de caril e leite de coco).
Estava tudo uma delícia e a quantidade foi mais do que suficiente. Fiquei de olho em outros tantos pratos e aguardo nova oportunidade para lá voltar.
A sala estava cheia no turno das 20 h e havia marcações para o das 22 h. O serviço foi eficiente (inicialmente a um ritmo alucinante, que abrandou na fase final do jantar) e simpático.
A lista de vinhos, todos datados, está bem seleccionada e os preços são muito decentes. A oferta de vinho a copo é suficiente (2 espumantes, 4 brancos e 4 tintos). A garrafa vem à mesa e o vinho é dado aprovar. Não sei se é habitual, mas foi o próprio Paulo Morais que serviu o vinho em bom copo.
Bebi o Qtª do Ameal Loureiro 2010, que não tem nada do que detesto nos vinhos verdes, o excesso e agressividade da acidez e do gás. Muito aromático, acidez muito equilibrada e muito gastronómico que acompanhou bem a cozinha asiática. Um belo branco, cheio de personalidade. Nota 16,5.
Em conclusão é obrigatório conhecer o Umai e este tipo de gastronomia.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Actualizações de crónicas anteriores

1.Rescaldo da ida ao Douro (III) : uma visita guiada à Qtª de Nápoles (em 17/7)
.O Diálogo 2010 Branco já está no mercado. Vale a pena comprar.
.Quanto às quintas visitadas, disseram-me que também estive na Qtª da Cavadinha (em grupo) e na Qtª das Hidrângeas (isolado). O total das quintas/adegas visitadas no Douro, passa para 36.
2.Almoço no Néctar (em 24/8/2010)
Este Wine Bar já encerrou. Mais um espaço para a lista negra.
3.Chiado Unique : a sedução do cliente
.Entretanto este excelente restaurante da Fátima Lopes, alterou o nome para Faces (in Chiado).
.Lamentavelmente acabou de fechar em Lisboa e vai transferir-se de armas e bagagens para Vila Moura. Receio da futura concorrência dos restaurantes do José Avillez, a abrir ali bem perto?