sábado, 10 de setembro de 2011

Almoço no Cantinho do Avillez

"Um espaço descontraido e confortável, com cozinha simples, mas sofisticada". Isto foi dito pelo José Avillez e define bem a filosofia deste seu espaço, inaugurado esta semana, a poucos metros do restaurante da Fátima Lopes, recentemente transferido para os Algarves. Lá mais para o final do ano, abrirá o Belcanto, este já com um conceito mais próximo do Tavares, última morada do chefe.
A sala, pequena, confortável e moderna, tem capacidade para pouco mais de uma trintena de mastigantes. Acresce uma mesa à entrada, com capacidade para mais 10 clientes e vocacionada para grupos.
Quanto à ementa, contempla 13 petiscos e pequenas entradas, 10 pratos principais, 3 pregos especiais e 6 sobremesas, um pouco ao estilo da Tasca da Esquina do Vitor Sobral. Quem fique nos petiscos e não coma excessivamente, fica perfeitamente saciado. Mas também é verdade que tenho uns amigos que ficariam com fome. Estilos!
Nesta minha primeira visita (obviamente, tenciono voltar), degustei o creme frio de santola com ovo cozido e cornichons, simplesmente divinal, fígados de aves salteados com uvas e Porto, bom mas sem subir aos céus, e sorvete de limão com majericão e vodka, óptimo para final de refeição. Os preços para se ter acesso às iguarias de um chefe estrelado, são perfeitamente acessíveis. O serviço, com algumas falhas, ainda não está ao nível da cozinha. O tempo o afinará, creio.
Quanto a néctares, a lista, não sendo extensa, tem boas propostas, mas preços elevados. A oferta de vinhos a copo é boa e os preços mais em conta. Temperaturas correctas e bons copos da Schott.
Bebi, a copo (14 ou 15 cl), o branco JA Projecto de José Avillez e José Bento dos Santos 2010, com base nas castas Viognier e Arinto. Aroma contido, austero, pouca frescura, final curto. Esperava mais. Nota 14,5.
Apontamento final : só têm MB. Neste tipo de restaurante e com esta clientela, é indesculpável não se poder pagar com Visa.
De qualquer modo, é obrigatório conhecer, pois as falhas encontradas são de fácil correcção.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vinhos em família (XX)

E a tendência mantém-se, bebendo prioritariamente brancos e, de quando em vez, um tinto para matar saudades. Os que a seguir indico, foram provados em família ou com amigos, em são convívio. As provas às cegas recomeçarão já na próxima semana com o Grupo do Raul (também conhecido pelo 3+4) e, na seguinte, com o Grupo dos 3. Mal posso esperar...
.Domingos Soares Franco Colecção Privada 208 Castas 2010 - nariz pouco expressivo, notas florais, acidez no ponto, desaparece rápido, o que provoca alguma desilusão face às expectativas criadas. Nota 15. Para quê tantas castas? O contra rótulo refere, como exemplo, Larião, Mourisco de Azeitão, Macabeu e Raksitelli, não estando as 2 últimas sequer referenciadas pelo IVV na sua lista "Castas aptas à produção de vinho em Portugal" que contabiliza apenas 153 castas. Daí se pode concluir que as outras 55 não foram consideradas aptas. Ó confrade Domingos, não havia necessidade!
.Paço dos Cunhas Vinha do Contador 09 - alguma fruta, com predominância do melão, algo pesado notando-se a madeira ainda não digerida, acidez presente que não o torna enjoativo, estruturado, melhorou alguns dias depois da abertura da garrafa. De qualquer modo, alguma desilusão com esta garrafa. Nota 16+ (noutra situação 17,5+).
.Qtª Carvalhais Colheita Seleccionada 07 - menos interessante do que outra garrafa provada anteriormente (ver crónica de 26/4/2011). Nota 16 (noutras 17/16,5+).
.Qtª Carvalhais Reserva 07 - fruta vermelha, mineral e especiado, boa acidez, mas pouca elegância, profundidade e bom final de boca. Melhor daqui a 3/4 anos. 90 pontos na Wine Spectator (prova de Kim Marcus). Nota 17,5.
.Fabre & Montmayou Gran Reserva Malbec/T.Nacional 07 (Argentina) - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês, nariz exuberante, frutos vermelhos, complexidade, alguma acidez mas talvez não suficiente para lhe dar longevidade, estrutura e bom final de boca, guloso mas não enjoativo. Bom trabalho enológico da parceria Hervé Fabre e Rui Reguinga. Nota 18.
.Qtª Cozinheiros Lagar 04 - castas Poeirinho (Baga) e Água Santa, vinificado em lagar, estagiou em barricas de carvalho e em garrafa, ainda no tempo do saudoso José Mendonça. Evoluído, aromas terciários, belíssima acidez, taninos presentes mas domesticados, bom final de boca. É um estilo contra a corrente. A beber nos próximos 3 anos. Nota 16,5.

sábado, 3 de setembro de 2011

Mais um desabafo

Há dias, no CCB, cruzei-me com o Comendador Berardo e veio-me à memória uma conversa, tida há anos, com um dos seus colaboradores mais próximos. Dizia-me ele que o Comendador estava todo chateado com o Cavaco (sim, esse mesmo), porque habitando tão próximo do CCB, nunca tinha posto os pés na Fundação Berardo. Ao que retorqui de imediato, que nós (os donos das Coisas do Arco do Vinho, na altura) também estávamos chateados com o Berardo que nunca tinha entrado na nossa loja.
Ó senhor Comendador, que o nosso PR nunca tenha ido visitar as suas exposições é de perdoar, pois ele não é um homem de cultura, agora o senhor que é produtor de vinhos e nunca tivesse entrado nas CAV, até para ver como estavam a ser tratados os seus vinhos, isso é que é imperdoável!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Os vinhos do amigo Adelino de Sousa

Releio esta crónica do jornalista Duarte Calvão, publicada no DN em 22/12/2007, sob o título "Vinhos de colecção para beber com amigos", resultante da sua visita à garrafeira do nosso amigo Adelino de Sousa, madeirense de nascimento e advogado estabelecido em Lisboa. Ali se refere a invulgar dimensão desta garrafeira particular, tendo contabilizado, na altura, mais de 3000 garrafas, com predomínio dos vinhos generosos (1500 Portos, 500 Madeiras e 200 Moscatéis). No decorrer da conversa com o Duarte Calvão, afirma o entrevistado "(...) Gosto muito de trazer cá amigos aos fins de semana e abrir estas garrafas com eles. Os vinhos são para partilhar(...)". E foi o que aconteceu recentemente, tendo eu sido o feliz contemplado.
Vejam só as relíquias que foram partilhadas, no final do almoço:
.Moscatel de Setúbal JMF Roxo 20 Anos (engarrafado em 1987) - aroma com predominância de doce de laranja, boca pujante e final longo; falta-lhe alguma acidez para ser perfeito. Nota 18 (noutras situações, em que não retive a data de engarrafamento, 17/18/18,5/18+).
.Dona Antónia 1877 - frutos secos, algum vinagrinho, profundidade de boca, final muito longo; eternamente jóvem; curiosamente está próximo do estilo de um Madeira velho. Nota 18,5.
.Reserva Velhíssima da Adega do Torreão Terrantez 1905 (reengarrafado em 1958) - frutos secos, notas de caril, frescura acentuada, boca poderosa, estruturado, final interminável; do melhor que tenho bebido! Nota 19,5.
Falta-me referir os vinhos que acompanharam a refeição :
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 09 - mais próximo do Reserva do que do Colheita; aroma expressivo com algumas notas tropicais, elegância, acidez no ponto, boca envolvente, bom final; gastronómico, acompanha bem peixe grelhado ou mesmo no forno; aguenta mais 4/5 anos. Nota 17,5+ (noutras 16+/16,5/16,5/17,5+/17,5+).
.Duas Quintas Reserva Especial 95 - côr ainda expressiva, alguma fruta preta, boca poderosa e final longo: estrutura a fazer lembrar um Porto. Precisa de um prato forte a acompanhar. Nota 18.
Grande jornada! Obrigado Adelino, por ter partilhado comigo as suas raridades.

domingo, 28 de agosto de 2011

Vinhos em família (XIX)

Nesta época do ano, apesar das partidas que a meteorologia nos tem pregado, apetece consumir brancos, o que tenho feito com regularidade. Mas também é verdade que andava com saudades de provar um tinto, o que veio a acontecer recentemente. Vamos, então aos vinhos que tenho bebido, descontraidamente, em família ou com amigos.
.Prova Régia Premium 10 - muito frutado, fresco e elegante, uma espécie de "upgrade" do colheita, mas longe da complexidade do Morgado; óptimo para consumir com aperitivos ou marisco; está em promoção no Corte Inglês abaixo dos 4 €, o que o torna imperdível. Nota 16+ (noutra situação 16).
.Morgado Santa Catherina Reserva 08 - notas de melão e pêssego, amanteigado, algum fumado, acidez equilibrada, estrutura e bom final de boca. O que se pode pedir mais? Não me canso de o beber. Mais : tenho-o comprado a um preço imbatível (5,95 €). Nota 17,5+ (noutras 17/17,5+/17,5+).
.Monte Cascas Reserva 09 - é um Douro feito com base nas castas Rabigato e Códega do Larinho, muito elegante, alguma gordura, acidez correcta, bom final de boca; pede comida; uma boa surpresa surgida deste recente projecto. Nota 17.
.Poeira 01 - continua muito elegante, austero, com uma belíssima acidez e taninos delicados (os 13% vol. podem ajudar) e alguma evolução, mas ainda com pernas para andar. Nota 17,5 (noutras situações 18/18/17,5/18,5/17,5/16/16/16,5/18, o que denota alguma irregularidade na evolução em garrafa).
.VT'05 - resulta de uma parceria entre José Maria Calém, Cristiano van Zeller e Jorge Serôdio Borges; vinificado em lagares com pisa a pé, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (usadas?); austero no nariz, floral, acidez no ponto, algo rústico, taninos já domesticados, final médio; a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

OITO DEZOITO revisitado

Mantenho o que disse em crónica anterior: não faz sentido a inexistência da uma lista de vinhos a copo. A empregada que nos atendeu sabia as marcas, mas questionada sobre anos de colheita e preços teve que ir indagar. Podem aproveitar a lista principal, que até prevê preços para garrafa e copo. É só preencher. Será assim tão complicado?
Já não exijo que se leve a garrafa à mesa e se dê o vinho a provar, pois o sistema logístico implantado não o permite. Mas fico com sérias dúvidas que na ausência do barman, que funciona como escanção da casa, alguma das empregadas tenha conhecimentos e treino que detecte uma eventual garrafa com rolha ou outro defeito.
Bebi um copo do branco Tapada de Coelheiros 09, que acompanhou bem um agradável Bacalhau à Gomes de Sá. Custou 4,60 €, o que considero um exagero, pois 1 copo e meio chega para pagar a garrafa.
Ó dr. José António Saraiva, não pode dar uma mãozinha e convencer o pessoal a pôr os preços dos vinhos a copo?

sábado, 20 de agosto de 2011

Almoço no Sea Me

O "Sea Me peixaria moderna", uma boa surpresa, fica na Rua do Loreto, muito próximo do Largo de Camões. É uma espécie de 4 em 1, pois inclui restaurante, bar, sushibar e peixaria. O que se come pode ser adquirido, ainda em cru. A ementa é variada e imaginativa, com destaque para os petiscos à base de peixe, não esquecendo pratos mais clássicos e a cozinha japonesa.
Degustei carapau alimado com batatas de molho frio e uma ovas à Bulhão Pato. Entre outros petiscos, registei estupeta de atum, salsicha de marisco grelhado, ceviche de peixes e sopa rica de caranguejo com amêndoas. Ficará, de certeza, para uma próxima visita.
Acresce o serviço eficiente, os preços acessíveis e um certo sentido de humor (as casas de banho estão assinaladas com "o carapau" e "a sardinha").
Quanto a vinhos, a lista tem ofertas interessantes e inclui espumantes, colheitas tardias e generosos. Há diversos vinhos a copo (15 cl), servidos de modo profissional (a garrafa vem à mesa e o néctar é dado a provar, o que nem sempre acontece na restauração). Os copos são adequados, as temperaturas as correctas e os preços muito sensatos.
Bebi Muros Antigos Alvarinho 2010 (3 €) - aromático, notas tropicais sem excessos, boa acidez, equilibrado e elegante, melhor daqui a 2/3 anos; acompanha bem entradas e pratos leves. Nota 16,5+.