quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um passeio por Azenhas do Mar

Antes destas chuvadas, num belo dia cheio de sol, andámos pela zona de Azenhas do Mar e arredores.
O almoço foi na Adega das Azenhas, enorme, barulhento, vocacionado para grupos ruidosos e famílias numerosas. Ementa alargada, mas sem nada que o diferencie dos restaurantes do mesmo género. As meias doses são muito fartas e dão para 2 pessoas.
A carta de vinhos contempla uma série de "narizes de cera", como diz o José Quitério, sem qualquer data de colheita. Faz, ainda, referência a uma lista especial que, por mim solicitada, afinal não existia! As meias garrafas não me seduziram e vinho a copo é coisa em que não apostaram. Sugeriram-me Barão de Nelas Reserva 04 (50% de T.Nacional), que vinha numa garrafa já aberta e com o líquido por metade. Não me souberam dizer há quanto tempo fora aberta, mas resolvi arriscar. Boa surpresa : nariz discreto, ainda com fruta, belíssima acidez, taninos presentes, profundidade e bom final de boca. Nota 16,5. Copo aceitável e serviço a cumprir os mínimos.
Mas o melhor do passeio foi a "descoberta" da Mercearia d'Aldeia, que me tinha sido veementemente recomendada no decorrer do EVS. Fica no centro de Janas, um local improvável para uma loja de qualidade.
É um misto de mercado, mercearia fina e garrafeira. Tem uma louvável selecção de vinhos de qualidade, com evidente incidência nas gamas alta e média/alta. Vinhos da moda e novidades estão lá quase todas. E, mais ainda : os preços são uma tentação e o dono, Pedro Martins, uma simpatia.
Tenciono voltar e aconselho uma visita à Mercearia. Ninguém se arrependerá.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vinhos em família (XXII)

Mais uma prova com os rótulos à vista, no sossego da minha casa. Os tintos ainda não entraram em força, apenas 2, acompanhados por 2 Madeiras e 1 branco.
.Artur Barros e Sousa Verdelho Reserva Velha (eng. em 2007) - nariz discreto, alguns sedimentos em suspensão, notas de iodo, acidez não muito pronunciada, corpo e final médios, muito "light" se comparado com um Blandy. Nota 15,5.
.Olho no Pé Grande Reserva 09 - a partir de vinhas velhas esteve 12 meses em borras finas; côr carregada, aroma exuberante, fruta madura, untuoso, alguma tosta, acidez no ponto, boca afirmativa, bom final, gastronómico; branco deveras original, mas com álcool excessivo (14 % vol.), o que é pena. Nota 17,5.
.Charme 04 - floral, taninos finos, madeira bem casada, acidez, profundidade, bom final de boca, elegante e harmonioso, álcool contido (13,5 % vol.), um vinho aristocrático. Em forma mais 7/8 anos. Nota 18,5.
.Vale Meão 03 - à base de T.Nacional (60%), fruta vermelha ainda bem presente, notas florais, tabaco e cacau, acidez equilibrada, elegante, fino na boca, taninos presentes mas domados, estruturado e bom final de boca. Aguenta mais 5/6 anos em bom estilo. Nota 18,5.
Artur Barros e Sousa Boal Reserva Velha (eng. em 2009) - límpido, cristalino, frutos secos, tangerina, notas de iodo, vinagrinho, taninos finos, elegante, bom final de boca. Nota 18.

sábado, 5 de novembro de 2011

A grande festa do Vinho a Copo

Não pondo em causa a importância deste evento, iniciativa da Viniportugal e com o apoio da Revista de Vinhos, fico perplexo com um dos cartazes difundidos pela organização que considero contraproducente. O referido cartaz mostra, em grande plano, dois jovens a agarrarem fortemente o corpo do copo, ignorando o pé do dito. E passando os olhos pelas diversas fotografias que suportam a reportagem da RV, constato que, salvo raras e honrosas excepções, a maioria esmagadora dos participantes não sabe pegar no copo. Este problema a nível nacional não é nada brilhante, a começar pelo inquilino de Belém (ver crónica de 9/6/2010) e outras figuras públicas. Falta formação a esta gente. A Academia Revista de Vinhos e outros formadores não podiam dar uma mãozinha em futuros eventos deste tipo? (a despropósito, no capítulo 3 do Módulo A do programa do curso, aparece referida "Terras do Sado" como Região vinícola, que me parece ter deixado de existir como tal).
Em abono da verdade, no meio desta desgraça quase total, salva-se a Ministra da Agricultura que ou já sabia pegar num copo de vinho ou teve formação adequada logo que tomou posse.

Os 200 anos da Blandy e a Revista de Vinhos

Fiquei deveras satisfeito ao ler, na RV de Novembro, o texto do João Afonso "200 anos da Blandy's" e as respectivas notas de prova dos 12 Madeiras degustados na ocasião, 5 dos quais na zona da excelência. Será desta que o Francisco Albuquerque vai ter direito ao prémio do melhor enólogo de vinhos generosos? Palpita-me que sim. Mais vale tarde do que nunca.
Ficou-me uma dúvida, porque razão o João Paulo Martins, também presente na prova comemorativa, não assinou o texto nem as notas de prova. Mistério...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Encontro com o Vinho e com os Sabores 2011 (EVS)

Participei na 2ª feira (das 14 às 18 h), como profissional reformado, neste grande e obrigatório evento que é o EVS. Foram 4 horas muito intensas, ao longo das quais (re)encontrei amigos, antigos clientes, produtores, enólogos, vendedores, etc e conheci pessoas com quem nunca tinha contactado no passado. 193 Stands com vinhos à prova, 15 de sabores, 7 de acessórios e 10 Provas Especiais é obra. Parabens à Revista de Vinhos!
É claro que me limitei a provar uma ínfima parte dos que estavam à prova, a grande maioria bem à vista e uns quantos debaixo da mesa. Para não cansar demasiado o palato quase não provei tintos, tendo privilegiado os brancos e deixado para o fim alguns fortificados. No entanto esta metodologia tem os seus inconvenientes, pois quando me propunha provar alguns frasqueiras da Blandy encontrei as garrafas vazias. Só deu para cheirar, os aromas ainda lá estavam!
Passando aos vinhos provados, é de realçar o patamar médio de grande qualidade dos brancos. Não me lembro de ter provado, no passado, um conjunto tão interessante. Correndo o risco de ser injusto, até porque apenas provei uma pequena quantidade, destaco em primeiro lugar (a ordem é a da prova) : Qtª de Bageiras Garrafeira 09, Muros de Melgaço Alvarinho 10, Monte Cascas 09 (Colares), Dona Berta Vinhas Velhas Reserva 10, Passagem 10 e Redoma Reserva 10. E, ainda nos brancos, registei a qualidade de mais os seguintes : Campolargo 10, Qtª das Marias Encruzado (Barricas) 10, Qtª Sant'Ana Alvarinho 10, Qtª Seara d'Ordens 10, Anselmo Mendes Curtimenta 09, Morgadio da Calçada 10, Borges Reserva 09 (Dão), Dona Berta Vinha Centenária 09, Pera Manca 09, Qtª do Pinto Grande Escolha 09, Pinto Limited Edition 10 e Malhadinha 10.
Quanto a tintos, é de referir (seguindo também a ordem dos stands) : Poeira 09, Qtª da Pellada 01, CH by Chocapalha 08 (a maior surpresa em tintos), MR Premium 07 (Monte da Ravasqueira), Altas Quintas Reserva-do 05, Três Bagos Grande Escolha 08, Vale Meão 09, Scala Coeli 07 (100% TN), Marquesa de Alorna Reserva 08, Vinha Barrosa 09, Qtª do Ribeirinho Baga Pé Franco 11 (solo argilo-calcáreo), Qtª da Casa Amarela Grande Reserva 09 e Casa da Passarela Vinhas Velhas 08. Contra a corrente, registei o desalinhado Lavradores de Feitoria X Edição Especial Tinto Cão 06 (um borgonhês a lembrar o Charme) e as provocações do Luis Pato, Pato Rebel 10 e Fernão Pires by LP 11 (um tinto a partir de uvas brancas!).
Finalmente e depois do cheirinho dos frasqueiras, tive a ocasião de provar Portos : Dalva Branco 20 Anos e Colheita 85 (ambos eng. em 2010), Barros 30 Anos e Colheita 81 (ambos em 2011), Poças 30 Anos (2011), Graham 20 Anos (2010), Ramos Pinto R P 20 Anos (2011) e Qtª do Noval Colheita 86 (2011). A grande surpresa deste lote foi o Barros Colheita 81. Simplesmente fantástico!
E, para o ano, há mais...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O grupo dos 3 (17ª sessão)

Mais uma sessão do grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu). Desta vez com os vinhos do Juca que escolheu o restaurante Horta dos Brunos (à Estefânia). Quando se entra na sala fica-se logo impressionado : estamos num local onde o culto do vinho é evidente. Prateleiras cheias, armários térmicos e caixas e caixas empilhadas em todo o espaço disponível. Deveras impressionante.
A lista de vinhos, mal arrumada e não contemplando todas as referências disponíveis, é extensa, embora muito centrada no Alentejo. Serviço profissional, copos Riedel e preços honestos. Tem uma dúzia de vinhos a copo, mas também demasiado alentejana.
Provámos, às cegas, 1 branco, 2 tintos e um colheita tardia, a saber :
.Qtª Foz de Arouce 08 - austero no nariz melhorou com o tempo, algo floral, acidez equilibrada, fresco e elegante, madeira discreta, bom final de boca e muito gastronómico. Ainda vai melhorar nos próximos anos.Nota 17. Acompanhou bem uma série de entradas.
.Qtª da Pellada 05 - aroma complicado, excesso de sulfuroso(?), acidez elevada, final longo, mas muito desequilibrado. Nota 15,5.
.Carrocel 03 - Rolha!
A acompanhar um excelente bife de vitela à Pedro, muito bem temperado.
.Anselmann Ortega 06 - um surpreedente colheita tardia desconhecido para nós com 8,5 % vol; notas de citrinos, algum melado, fresco e untuoso, encorpado e final longo; um vinho com personalidade que acompanhou bem as sobremesas. Nota 18.
Come-se bem na Horta dos Brunos, um restaurante com grande potencial na área dos vinhos. No entanto, para mim, tem 2 aspectos negativos que é importante corrigir. Fuma-se na sala, o que é uma incongruência para quem aposta forte nos vinhos, e não tem MB nem Visa, o que é incompreensível atendendo ao tipo de clientela que tem.
Obrigado Juca! A intenção era boa e não tens culpa que os tintos se tivessem portado mal.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mais um jantar com vinhos da Madeira

Verdade seja dita que este último jantar ficou uns furos abaixo dos 2 primeiros (ver crónicas de 17/12/2010 e 27/02/2011). De facto não esteve ao nível a que estamos habituados. A qualidade média dos Madeiras provados não estava na zona da excelência e com o Ângelo de baixa o serviço ressentiu-se (o Nelson desdobrou-se entre a cozinha e a sala, mas não foi suficiente).
O formato desta sessão foi diferente das anteriores pois, para além dos Madeiras (2 no início e 2 no final), foi dado algum protagonismo a 3 vinhos brancos, solução amiga dos nossos palatos.
Começámos com um agradável espumante bruto Qtª do Valdoeiro Baga/Chardonnay 05, simpática oferta da casa.
A acompanhar uma interessante salada de bacalhau, avançaram os primeiros Madeiras :
.Artur Barros e Sousa Serceal 80 (eng. em 97), trazida pelo Modesto Pereira - límpido e cristalino, secura acentuada, nariz discreto, notas de caril e iodo pouco acentuadas, algum metálico, algo desequilibrado, mas bom final de boca. Nota 16,5.
.Cossart Gordon Verdelho 75 (eng. em 2004), levada por mim - aroma mais presente, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e caril, boca mais potente e final mais longo do que o anterior. Nota 18.
Com uma entrada de vieiras com pouco sabor e uma belíssima espetada de polvo e gambas, foram provados 3 brancos do João Quintela :
.Projectos Niepoort Riesling 04 - ainda com fruta presente, fumado,, boa acidez, muito elegante, estrutura e bom final de boca, um grande branco pleno de equilibrio. Nota 18.
.Anselmo Mendes Alvarinho/Loureiro 10 - aroma exuberante, notas tropicais, acidez acentuada, corpo e final médios, foi melhorando ao longo da refeição. Nota 17.
.Soalheiro Reserva 09 - mais floral e delicado, mineral, elegante e equilibrado, bom final de boca; precisa de tempo de garrafa para atingir o seu máximo. Nota 17+.
Finalmente e com um série de sobremesas (bolos,doces e fruta):
.Artur Barros e Sousa Bastardo 66 (sem data de engarrafamento), saído da garrafeira do Adelino de Sousa - límpido e cristalino, austero, vinagrinho evidente, alguma secura, corpo médio e final longo, melhorou bastante no copo. Nota 17.
.Barbeito Malvasia 30 Anos (eng. em 2006; garrafa nº 1276 de 1550), levado pelo Juca - turvo, austero no nariz, acidez acentuada, aguardente evidente, muito desequilibrado, a desilusão da noite. Nota 15.
Apesar de tudo, mais uma boa jornada e um são convívio entre militantes dos Madeiras.