terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vinhos em família (XXIV)

Mais um lote de vinhos provados em família e com amigos, 1 branco de Outono e 5 tintos, todos com o rótulo à vista.
.Borges Reserva 09 Branco (Dão) - com base nas castas Encruzado e Malvasia Fina de vinhas com mais de 30 anos; citrinos presentes, alguma baunilha, acidez q.b., madeira na conta, um ligeiro toque oxidativo, volumoso na boca, bom final, muito gastronómico; pena o excesso de teor alcoólico (14,5 % vol.). Nota 17,5.
.Ferreirinha Reserva Especial 03 - ainda com fruta, especiado, notas de tabaco, algum chocolate, acidez a dar-lhe vida, taninos bem presentes mas não agressivos, elegante e equilibrado, bom final de boca. Nota 18,5 (noutras situações 17,5/17,5).
.VT' 04 - diz no contra-rótulo que estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês, embora pareça que há por ali madeira usada; vinificado em lagares, rusticidade evidente, taninos ainda agressivos, final longo com algum rebuçado, teor alcoólico abaixo da moda (13,5 % vol.); precisa de mais 7/8 anos para tudo se harmonizar. Nota 17 (noutra 16).
.Três Bagos Grande Escolha 05 - também com o álcool contido (13,5 % vol.), nariz fino, notas florais, especiado, estruturado, madeira sem se impor, elegante e equilibrado, final longo; um belo Douro que vai continuar em forma mais 6/7 anos. Nota 18,5 (noutras 18/17,5).
.Fronteira Selecção do Enólogo 07 (Douro) - estagiou 12 meses em carvalho francês; frutos vermelhos, especiarias, acidez no ponto, alguma rusticidade, taninos presentes, bom final de boca, gastronómico; mais um bom produto da Companhia das Quintas a bom preço. Nota 16,5+.
.FSF 05 - mais um fora da moda (13,5 % vol.); nariz austero, floral, notas especiadas, belíssima acidez, estrutura de boca, final extenso; no ponto mais 5/6 anos. Nota 17,5.

domingo, 27 de novembro de 2011

Caça no Assinatura

De todos os jantares temáticos no Assinatura em que estive presente (e já participei nuns tantos), este foi o melhor, um deslumbramento.
Foram 5 os momentos criados pelo chefe Henrique Mouro, "Canja de faisão assado, raízes e trufa preta", "Folhado de perdiz com tortulhos e tomilho", "Peito de pombo fumado e gratinado de gila", "Arroz de lebre em vinho tinto e feijão branco" e "Lombo de veado, castanhas e cogumelos". Estariam todos na área da excelência, não fora a lebre, de reduzida dimensão, ter ficado entalada entre o feijão e o presunto crocante, o que lhe retirou protagonismo. Mas, todos os outros momentos, excelência pura. No final, uma deliciosa surpresa, tarte de pera com gelado de caramelo. Serviço exemplar e ritmo adequado. O Henrique Mouro e sua equipa estão (mais uma vez) de parabens!
Com o couvert e a canja bebeu-se, a copo, Soalheiro Alvarinho 10 - nariz exuberante, notas tropicais sem serem em excesso, boa acidez, muito equilibrado e elegante. Nota 17,5 (noutra situação 16,5+).
Com os restantes momentos, usufruimos de uma garrafa de CARM BOCA 04, levada por mim. Produzido quando do 10º aniversário das CAV, resultou de uma viagem nossa (o Juca e eu) a Almendra, onde se situava a adega da CARM. O lote foi escolhido em prova cega entre 3 ou 4 preparados por nós. Revela uma grande boca e um final muito longo e tem tido, ao longo dos últimos 5 anos, uma evolução harmoniosa e surpreendente. É um dos grandes vinhos do Douro da colheita de 2004, lamentavelmente ignorado pela crítica especializada. Foi o vinho mais vendido nas CAV, 150 caixas em 3 meses, é obra!

sábado, 26 de novembro de 2011

Uma garrafeira que nasce e outra que muda de mãos

O mais profissional de todos os amadores, na área da enofilia, profissionalizou-se. Estou a referir-me ao João Quintela, do ex-núcleo duro das CAV e provador activo no Grupo dos 3, Grupo dos 3+4, Grupo do Raul, Núcleo Duro, etc. É, desde ontem, o responsável de um novo espaço dedicado ao vinho e outras coisas, a Garrafeira Néctar das Avenidas, localizada no nº 40 da Av. Luis Bivar, em Lisboa.
Depois de uma pré-inauguração para os amigos, abre hoje às 17 h oficialmente ao público. Pode ser visitada de 2ª a Sábado das 10 às 20 h, até ao final do ano. É uma aposta forte nos vinhos de qualidade, não descurando a mercearia fina, com especial atenção aos produtos açoreanos.
A loja, com muito bom gosto está dividida em 3 espaços, a Recepção (onde está a componente goumet e alguns vinhos), a Garrafeira propriamente dita (aposta forte nas garrafas magnum) e a Sala de Provas. É intenção do João Quintela ter provas periódicas (no futuro, porque agora o espaço está reservado à preparação de cabazes de Natal) e organizar jantares de vinhos (em parceria com um restaurante da zona). À entrada podem ver-se, agarradas à parede tampas de caixas de madeira : Passadouro, Qtª Bageiras, Qtª Crasto, Pintas, Qtª Vallado, Chryseia e Campolargo, algumas das suas marcas preferidas.
João : os meus sinceros votos para que a tua loja seja um êxito e uma referência em Lisboa.
Falta-me falar referir a garrafeira que mudou (outra vez) de mãos : as Coisas do Arco do Vinho, no CCB, que o Juca e eu fundámos em 1996. Também desejo aos novos proprietários que sejam bem sucedidos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Almoço no Grelhas

O Grelhas Restaurante, magnificamente situado no complexo Casa da Guia, a caminho do Guincho, está integrado no Grupo Bar do Guincho, uma espécie de troika que, além deste espaço de restauração, engloba o Bar do Guincho e o Bg Bar e respectiva garrafeira de venda ao úblico (no Monte do Estoril, a olhar o mar).
O Grelhas, o único espaço que tenho frequentado, é algo pretensioso, mas sem motivos para tal. A comida não é nada de especial e o serviço atrapalhado. A mais valia é mesmo a localização.
Quanto a vinhos, a lista é curta e sem a respectiva datação. Tem alguns vinhos a copo, com especial incidência nas referências da marca Monte Cascas, aliás um projecto muito interessante e original. Bebi o branco Monte Cascas Reserva Douro, cujo ano de colheita não registei, porque o copo já vinha servido. Inadmissivel! Pior ainda, o Grupo Bar do Guincho tem uma parceria com os enólogos do projecto Monte Cascas, Helder Cunha e Frederico Vilar Gomes, cujos vinhos estão presentes em todas as listas e à venda na garrafeira. Ó senhores enólogos, não podem dar uma mãozinha aqueles senhores e melhorar o serviço de vinhos?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lisboa à Mesa

Acabou de sair o livro "Lisboa à Mesa - Guia Onde Comer. Onde Comprar" (Ed. Planeta), da autoria de Miguel Pires, crítico gastronómico da nova geração que, vaticino, será o sucessor natural do José Quitério e do saudoso David Lopes Ramos. O prefácio é do Duarte Calvão e as ilustrações, aliás belíssimas, do Tiago Albuquerque. Entre outros, faz crítica no Diário Económico e na Wine. É, ainda, o principal animador do blogue Mesa Marcada (pode-se entrar através do meu link), constituido em parceria com o Duarte Calvão e o Rui Falcão, cuja leitura recomendo.
Na contra-capa pode ler-se que é "Um guia para quem gosta de comer(...) (e) se interessa por restaurantes mas que gosta também de cozinhar e de saber onde comprar ingredientes (...)".
São 280 entradas para restaurantes e afins, lojas, mercados, mercearias, talhos, padarias,..., com informação pertinente e carregadas de sentido de humor.
A organização do guia baseia-se na divisão da cidade em 15 zonas geográficas e, em cada uma, inclui informação "onde comer" e "onde comprar", por ordem alfabética. Faz no entanto falta, no meu entender, uma planta de cada uma das zonas, com a indicação das entradas que poderiam ser numeradas. Por outro lado, parecia-me mais fácil que a ordem não fosse alfabética, mas sim geográfica, para não saltar da Elias Garcia para a Marquês da Fronteira e dali para a Latino Coelho (à consideração do Miguel Pires, com vista a novas edições).
De resto os índices são exaustivos, para além do alfabético inclui por preços, tipo de cozinha, abertos ao domingo, etc. A zona onde vivo (Belém/Restelo), infelizmente para mim, aparece com pouca oferta, ou porque é mesmo assim ou porque o autor vagueou menos por esta ponta da cidade. Só o Miguel poderá confirmar.
Eventuais alterações (encerramento do espaço,por exemplo) vão aparecendo em www.lisboamesa.wordpress.com, de molde a que o guia esteja sempre actualizado. Uma mais valia! Por outro lado, o autor está aberto a críticas e sugestões, através do endereço miguelpirex@yahoo.com. Bingo!
Alfacinhas, gastrónomos ou não : este guia é de consulta obrigatória e agora que o Natal está à porta, uma óptima ideia para uma prenda útil e com um preço adequado à crise.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As marcas que interditei nas CAV

Em mais de 10 anos de gestão da área dos vinhos, tive duas monumentais "birras", do que resultou a interdição de venda nas CAV de algumas marcas muito conceituadas no mercado nacional. E isto por reacção natural ao comportamento inadequado dos principais responsáveis por aquelas marcas. Para que conste, tive sempre o apoio solidário do Juca, meu sócio na altura e amigo de sempre.
A primeira foi com a Carrie Jorgensen (Cortes de Cima), por ter reagido mal quando retirei da prateleira um dos seus vinhos, que fora desclassificado num painel da revista Epicur, organizado pelo malogrado José Matos Cristóvão. A senhora não aceitou bem a situação e enviou-me uma carta arrogante que não primava pela boa educação. Como resultado, devolvi-lhe a missiva e deixámos de vender os vinhos daquela produtora.
A segunda foi com o Carlos Lucas (Dão Sul), por não ter cumprido o que nos prometera. Este senhor, quando da saída do primeiro vinho tinto Pedro & Inês, garantiu-nos publicamente a exclusividade na área de Lisboa. Passado algum tempo, e depois de termos vendido umas dezenas de caixas, esqueceu-se da promessa e entregou o vinho a um distribuidor, fazendo tábua rasa da nossa parceria. Faltou à palavra dada, o que para mim é indesculpável. A partir daí todas as marcas comercializadas pela Dão Sul deixaram de ser vendidas nas CAV, durante largos anos.
Não me arrependo destas "birras" e, passados estes anos todos, voltaria a tomar as mesmas atitudes

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Caça no Assinatura

Nos dias 22, 23 e 24 de Novembro vai processar-se mais uma série de jantares temáticos no Assinatura, debaixo da batuta do chefe Henrique Mouro. São 5 momentos baseados em peças de caça (perdiz, lebre, veado,...). Isto promete. Boa pontaria e bom apetite!