segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E o Expresso?

Quando recomendei a Fugas e a Visão (ver crónica de 8/12), não referi o Expresso, essa instituição que compro desde o nº 1. Era tão evidente que assumi não ser necessário recomendá-lo. No entanto e para que não haja leituras distorcidas, aqui estou a recomendar a Única (separata do dito semanário), onde escrevem o José Quitério sobre gastronomia e o João Paulo Martins sobre vinhos, eles também instituições nas respectivas áreas.
Esclarecimento feito!

sábado, 10 de dezembro de 2011

O grupo Novo Formato

O grupo de prova "Novo Formato" é o herdeiro do "De Vez em Quando", que se constituiu em 2003 e extinguiu em 2007. Juntávamo-nos 3 ou 4 vezes por ano, rodando de casa em casa. Além dos provadores da linha dura (Juca, João Quintela, Paula Costa e eu), participavam também nas provas, sempre às cegas, as mulheres dos fundadores das CAV (Lena e Bety). O casal Saldanha que fazia parte do grupo antigo, não integrou o "Novo Formato".
A última prova, organizada por mim, teve um convidado especial (o nosso amigo Alfredo Penetra), pelo que a esta nova composição se pode dar o nome de "Novo Formato+". O repasto não decorreu em minha casa, com era habitual, mas sim na Enoteca de Belém. Foi uma belíssima jornada gastronómica, ao longo daqual a equipa da casa (a Renata na cozinha e o Nelson na sala, ajudado pela Madalena) teve uma excelente prestação e, desta vez, não se sentiu a falta do Ângelo. É o maior elogio que lhes posso fazer.
Quanto aos vinhos, todos da minha garrafeira, foram provados 1 espumante com umas deliciosas tapas, 3 brancos com um estupendo pargo no forno, 3 tintos com umas saborosas bochechas de vitela, 1 Porto com queijos e bolo brigadeiro e 1 Madeira com o respectivo bolo regional e fruta a fechar. Todos os vinhos se portaram muito bem (apesar de um dos brancos se encontrar algo oxidado), metade dos quais na área da excelência e os outros por lá perto. Ei-los:
.Espumante Murganheira Assemblage 95 - incrível frescura para um espumante com 16 anos, bolha fina, notas de pão a sair do forno, estruturado. Nota 17,5 (noutras situações 17,5/17,5/17+).
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 07 - nariz exuberante, algo tropical sem excessos, bela acidez, untuoso a encher a boca, final persistente. Evolução harmoniosa, a provar que a casta Alvarinho precisa de tempo para se mostrar ao seu melhor nível. Nota 18 (noutras 16,5+/16,5/17/17/17,5).
.Pinto Viognier/Chardonnay 07 - discreto no nariz, boa acidez, madeira presente mas sem se impor, estrutura e final de boca médios. Um vinho quase desconhecido que se aguentou muito bem com os consagrados. Nota 17,5 (noutra 17,5+).
..Casal Figueira 95 - o primeiro branco criado pelo malogrado António Carvalho; apesar da oxidação evidente e dos seus 16 anos, defendeu-se bem com a acidez que lhe dá vida; é muito gastronómico e de acentuada personalidade. Nota 16,5+ (noutra 14,5).
.Ferreira Vinhas Velhas 07 - nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, madeira fina e bem casada, taninos presentes mas elegantes, boa arquitectura de boca e final longo. Tem tido uma evolução surpreendente. Nota 18,5+ (noutras 17,5+/18).
.Qtª Monte d'Oiro ex-aequo 07 - resultante de uma parceria de Bento dos Santos com a casa Chapoutier; exuberante no nariz, muita fruta preta, acidez equilibrada, estruturado e bom final de boca; ficou entalado entre 2 vinhos de excepção, o que o prejudicou. Nota 18.
.Herdade do Peso Ícone 07 - notas de tabaco e chocolate, acidez equilibrada, madeira muito fina, taninos em evidência mas sem rugas, final persistente. O Alentejo no seu melhor. Nota 18,5 (noutra 18,5).
.Warre Vintage 94 - um bom exemplar de um ano de eleição; doçura acentuada, grande frescura, taninos ainda bem presentes, final longo. Nota 18.
.Blandy Bual 48 (engarrafado em 2004) - frutos secos, iodo, vinagrinho, taninos ainda de arrasar, final interminável; um grande Madeira que não deixa ninguém indiferente, a fechar em beleza este magnífico repasto. Algumas diferenças de garrafa para garrafa. Nota 18,5+ (noutras 19,5/17,5/18,5).
Mais uma grande jornada, em que tive a ocasião de partilhar alguns dos meus vinhos, com estes Amigos!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fugas e Visão : a não perder

Quem se interessa por este mundo dos vinhos e gastronomia, tem que saber que este tema não se esgota nas revistas especializadas, nomeadamente a Revista de Vinhos e a Wine/Essência do Vinho (as outras não contam).
Nesta linha de pensamento, considero indispensável a leitura da Fugas (separata de sábado do jornal Público) e da revista Visão (sai à 5ª feira).
Começando pela Fugas, cujo "pai" e animador nos primeiros tempos foi o saudoso David Lopes Ramos, tem hoje uma equipa de peso. Rui Falcão, um nome já consagrado, Manuel Carvalho, autor do "Guia do Douro e do Vinho do Porto" (Edições Afrontamento,1995) que, creio, ter sido o 1º guia que se publicou em Portugal sobre este tema, e Pedro Garcias (PG), para o qual já chamei a atenção em 2 crónicas de 2010 (em 20/4: PG, um nome a reter e em 22/8: PG, um crítico emergente). De destacar, ainda, na última Fugas (3/12), uma belíssima reportagem da jornalista, responsável pela edição, Sandra Silva Costa, intitulada "Douro património mundial". De vez em quando sai uma Fugas especial, em parceria com a Revista de Vinhos. Foi o caso da edição de 26/11 que, penso, os enófilos não perderam.
Quanto à Visão, conta com a colaboração do decano da crítica de vinhos em Portugal, o José António Salvador, e na gastronomia com o Manuel Gonçalves da Silva. Recentemente, saíu a Visão Gourmet Outono/Inverno 2011. Por 1,50 € tem-se acesso a 82 páginas, que incluem uma entrevista com José Quitério, receitas do Vítor Sobral , Fausto Airoldi, Bertílio Gomes e dos finalistas do masterchef. Completa a edição, uma selecção de restaurantes de Lisboa e Porto da responsabilidade do Manuel Gonçalves da Silva e os 100 melhores vinhos de 2011, eleitos pelo José A. Salvador. E os melhores foram : espumante Raposeira Blanc de Noirs Bruto 2006, branco Soalheiro Alvarinho 2010, tinto Qtª do Noval 2009, rosé Qtª da Romaneira 2010 e Porto Qtª Senhora da Ribeira Vintage 2009. Esta Visão Gourmet ainda está nas bancas. Compre antes que esgote.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vinhos em família (XXV)

Nas minhas últimas jornadas em família, provei 3 tintos, 1 branco, 1 Vintage e 1 Madeira, com especial relevo para este fortificado. Ei-los :
.Adega Vila Real Grande Reserva 09 - nariz complexo, fruta e especiarias, acidez q.b., madeira equilibrada, frescura e bom final de boca; teor alcoólico comedido (13 % vol.); em forma mais 4/5 anos. A Adega de Vila Real é um produtor que está a fazer brancos de qualidade a muito bom preço (Colheita, Reserva e este Grande Reserva). Nota 17+ (noutra situação 16,5+).
.Batuta 04 - nariz discreto, algo floral, acidez equilibrada, taninos agressivos no primeiro ataque, que depois se civilizam, arquitectura de boca e final muito longo. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18+ (noutras 17+/18,5/18).
.Poeira 05 - um toque de rolha e excesso de sulfuroso. Azar!
.San Roman 05 (Toro) - 23 meses em barricas de carvalho francês e americano; nariz exuberante, frutos pretos, especiarias, acidez equilibrada, taninos firmes, final longo; estilo Douro/Ribera del Duero; está para durar pelo menos mais 10 anos. Nota 18.
.Passadouro Vintage 97 (amostra de casco) - nariz inexpressivo, corpo e final medianos, pouco harmonioso; uma desilusão. Nota 13,5.
.Blandy Verdelho 77 (engarrafado em 2004) - nariz complexo, frutos secos, caril, brandy, vinagrinho, estruturado, final interminável. 2h30 depois de bebido o aroma ainda pairava na sala de jantar. A Madeira no seu melhor! Nota 18,5+ (noutras 18,5/17,5+/17/17,5+/18/18+).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um banho de cultura

Fui visitar, recentemente, a magnífica exposição "A Natureza-Morta na Europa" 2ª parte séculos XIX-XX (1840-1955), a decorrer no Museu Calouste Gulbenkian até 8 de Janeiro. Das 93 obras expostas (maioritariamente telas, mas também fotografias, objectos e porcelanas), 1/3 tem algo a haver com o mundo do vinho, concretamente 29 pinturas, 1 foto e 1 objecto. Garrafas, jarros, copos e canecas com vinho ou sem ele estão presentes e foram uma preocupação dos artistas. Também os cachos de uvas fazem parte da temática.
Uns tantos põem em destaque estes motivos que são aproveitados para identificação da obra por parte dos autores. É o caso das telas de Pablo Picasso (Natureza-Morta com copo e...), Vicent van Gogh (Cesto com limões e garrafa), Mikhail Larimov (Natureza-Morta com garrafa e...), Juan Gris (Tabuleiro de xadrês, copo e...), Umberto Boccioni (Natureza-Morta com garrafa), Gustave Courbert (Cacho de uvas) e Amédée Ozefant (Garrafa, cachimbo e...). E, ainda, a fotografia de Charles Aubry (Cacho de uvas) e o objecto de Marcel Duchamp (Le porte bouteilles). Há a acrescentar mais 22 quadros com o título Natureza-Morta ou outros nomes relacionados com o tema, saídos das mãos de autores tão credenciados como Phillipe Rousseau, Claude Monet, Paul Gauguin, Henri Matisse, George Braque, Mário Eloy, Maria Helena Vieira da Silva ou René Magritte.
Uma exposição a não perder, até porque está relacionada com o vinho e suas coisas. Um banho de cultura não faz mal a ninguém!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Almoço no Azenhas do Mar

O Azenhas do Mar, localizado na vila com o mesmo nome, é um simpático espaço, solarengo e praticamente em cima do mar, quase sempre bem revolto.
Comeu-se um agradável caril de gambas e polvo assado, uma das especialidades da casa. Pena foi que viesse com as pontas dos tentáculos esturricadas.
A lista de vinhos é tamanhina, mas bem seleccionada, embora sem datação, o que é para mim inaceitável. Tem disponíveis uma dúzia de vinhos a copo. Serviço de vinhos a cumprir sem grandes rasgos, copos aceitáveis (a pedido vieram outros bem melhores) e preços relativamente altos.
Bebeu-se o Colares branco 2008 da Fundação Oriente - aroma complexo, grande frescura e acidez, algum fumado, madeira discreta, arquitectura de boca e bom final; vai ainda melhorar com mais uns anitos de garrafa (gostava de o voltar a provar daqui a 10 anos, poderá ser uma bela surpresa). Nota 17,5+.
Em conclusão, um local com uma localização espectacular, comida apenas agradável, serviço descoordenado (os cafés ficaram esquecidos e vieram frios), mas simpático (oferta de miniaturas de queijadas de Sintra). A voltar quando sentir saudades do mar por perto.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O grupo dos 3 (18ª sessão)

Mais uma sessão deste grupo em prova cega. Os vinhos foram da responsabilidade do João Quintela que escolheu, para local do repasto, o restaurante principal do Corte Inglês. O prato principal foi uma monumental cabeça de garoupa, que deu para repetir e levar para casa. O protagonismo foi dado aos brancos (2), ainda com uns anos pela frente, tendo ainda sido posto à prova 1 tinto e 1 Madeira (nota: todos eles foram decantados) :
.Projectos Niepoort Chardonnay 04 - fruta madura, citrinos, um toque oxidativo, acidez muito presente, alguma gordura, estruturado e grande final de boca; um grande branco de Outono/Inverno, deveras gastronómico. Nota 18 (noutra situação 17+).
.Redoma Reserva 05 - nariz contido, notas florais, mineral, acidez marcante, madeira bem comportada, boca evidente e bom final; um branco cheio de personalidade. Nota 17,5+ (de referir as diferenças de garrafa para garrafa : 17,5/16,5+/16/15,5/16,5/15,5/16,5/17,5/18/17/17,5+).
.Quanta Terra 01 - nariz fechado, alguma fruta e acidez, taninos pontiagudos, final longo, algo desequilibrado; passou nitidamente por debaixo dos brancos. Nota 16,5+ (noutras 17/17/18/13).
.Madeira Malvazia 1879 - frutos secos, muito iodo e vinagrinho, caril e maracujá, grande boca e final longo; foi a melhor garrafa deste 1879 (a decantação fez a diferença). Nota 18+ (noutras 16,5/18/17,5/17/18).
Grande jornada com os brancos em alta. Obrigado João!