Mais uma sessão do grupo dos 3 (Juca, João Quintela e eu) a fechar o ano. O restaurante escolhido foi a Casa da Comida, já referida e elogiada por mim anteriormente (ver crónica de 2/10). A equipa, Bruno Salvado (antigo braço direito do Bertílio Gomes) na cozinha e Sílvia Martins na sala (prémio "Arte da Sala e da Mesa 2010", atribuido pela Academia Portuguesa de Gastronomia), foi agora reforçada com o escanção Marco Alexandre, vindo do Sem Dúvida, onde criou uma das mais interessantes cartas de vinhos que conheço. Este restaurante, Casa da Comida, ainda pouco badalado, é uma referência em Lisboa e um local de frequência obrigatória.
Antes de irmos para a mesa, provámos um agradável branco adocicado Moscato Casti 07, simpática oferta do Marco. Iniciada a sessão, com um complexo mas bem equilibrado entretem de boca, seguido de uma entrada de toro de atum com puré de funcho e lima, muito bem conseguida, provámos um branco de Colares 2008 da Fundação do Oriente, com uma surpreendente acidez, já por mim referido anteriormente (ver crónica de 3/12). Nota 17,5+ (noutra situação também 17,5+).
Com o prato principal, uma excelente costoleta de leite (vitela) com molho de queijo da serra e legumes braseados, beberam-se 2 tintos de 2005, o primeiro com problemas de excesso de sulfuroso, segundo informação do escanção que teve de o arejar previamente e o segundo em grande forma. Foi uma surpresa pois a ideia que tinhamos de provas anteriores apontava para uma situação contrária. Descodificando :
.Calda Bordaleza - depois da decantação e do forte arejamento que sofreu, mostrou-se ainda algo químico, acidez elevada, boa estrutura de boca e final longo. Nota 16,5+ (noutras 17,5/18,5/18,5).
.Qtª da Pellada - mais amigável, acidez equilibrada, elegante, profundidade e final longo; está ainda para durar e esta garrafa não tem nada a haver com uma outra que provámos em conjunto. Nota 18 (noutras 18/16,5/17,5+/15,5 a mostrar alguma irregularidade).
Finalmente, com uma original sobremesa de fruta em diferentes texturas num cremoso de dióspiro, avançou um surpreendente Noval Colheita 1974 (engarrafado em 1985) - notas de mel, citrinos, frutos secos, algum iodo, encorpado e bom final de boca; mostrou um perfil com semelhanças a moscatel e uma personalidade e características que nada têm a haver com um estágio em madeira de apenas 11 anos. Nota 17,5+ (noutra 15,5).
Uma grande jornada vínica (apesar de tudo) e gastronómica. Parabens à equipa da Casa da Comida.
.
sábado, 31 de dezembro de 2011
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Os vinhos no Natal (2 situações)
1ª Situação (jantar de 24)
O jantar de 24 decorreu em casa de familiares, com muita gente, crianças à solta e sem o sossego necessário à degustação de grandes vinhos. No entanto, os vinhos de gama média/baixa, pelo menos no preço, portaram-se bem.
.Espumante Qtª Poço do Lobo Arinto/Chardonnay 07 - está na linha do 2006, aqui já referido, e tem uma relação preço/qualidade imbatível; acompanhou bem uns pastelinhos de bacalhau e outros entretens de boca. Nota 16,5.
.Catarina 10 - à base das castas Fernão Pires, Arinto e Chardonnay, fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês; é um branco típico de outono/inverno; bebeu-se com polvo cozido, mas esta combinação não foi muito feliz. Nota 15,5+.
.Qtª da Fronteira Selecção do Enólogo 08 - medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2011; estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; está ainda muito jóvem e vai melhorar nos próximos 3/4 anos; aguentou bem um bacalhau com broa que é um prato bem pesado. Nota 16,5.
.Dalva LBV 05 - muita fruta, estrutura e final de boca; acompanhou bem algumas sobremesas e outras não tanto. Nota 16,5+.
2ª Situação (almoço de 25)
Como é tradição, foi em minha casa com um número de familiares mais reduzido e mais próximo das enofilias. Os vinhos servidos eram da minha garrafeira e situavam-se num patamar superior. Com excepção do espumante, tiveram um comportamento exemplar.
.Espumante Murganheira Chardonnay 04 - aroma muito discreto, bolha fina (acabou por morrer um dia depois), boca a impor-se, gastronómico e muito pesado para se beber a solo ou acompanhado de frutos secos, que foi o caso. Nota 16,5.
.Kompassus Private Selection 05 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; exuberante no nariz, grande boca, final muito longo; a baga no seu melhor; tem ainda muitos anos pela frente. Nota 18,5.
.CV Curriculum Vitae 05 - mais elegante e sofisticado que o anterior; está ainda muito longe da reforma. Nota 18. Os 2 tintos beberam-se com umas Couves à Dom Prior.
.Sandeman 20 Anos (engarrafado em 2011) - cristalino, nariz discreto, citrinos, frutos secos, algum iodo, estrutura e final de boca. Nota 17,5.
.Blandy Bual 48 - excelente (esta mesma garrafa já foi referida na crónica de 10/12). Ambos fizeram boa companhia a um bolo de chila e amêndoa.
A terminar, lanço um desafio aos amigos e leitores deste blogue que comentem e partilhem connosco o que beberam nos respectivos Natais.
O jantar de 24 decorreu em casa de familiares, com muita gente, crianças à solta e sem o sossego necessário à degustação de grandes vinhos. No entanto, os vinhos de gama média/baixa, pelo menos no preço, portaram-se bem.
.Espumante Qtª Poço do Lobo Arinto/Chardonnay 07 - está na linha do 2006, aqui já referido, e tem uma relação preço/qualidade imbatível; acompanhou bem uns pastelinhos de bacalhau e outros entretens de boca. Nota 16,5.
.Catarina 10 - à base das castas Fernão Pires, Arinto e Chardonnay, fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês; é um branco típico de outono/inverno; bebeu-se com polvo cozido, mas esta combinação não foi muito feliz. Nota 15,5+.
.Qtª da Fronteira Selecção do Enólogo 08 - medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2011; estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; está ainda muito jóvem e vai melhorar nos próximos 3/4 anos; aguentou bem um bacalhau com broa que é um prato bem pesado. Nota 16,5.
.Dalva LBV 05 - muita fruta, estrutura e final de boca; acompanhou bem algumas sobremesas e outras não tanto. Nota 16,5+.
2ª Situação (almoço de 25)
Como é tradição, foi em minha casa com um número de familiares mais reduzido e mais próximo das enofilias. Os vinhos servidos eram da minha garrafeira e situavam-se num patamar superior. Com excepção do espumante, tiveram um comportamento exemplar.
.Espumante Murganheira Chardonnay 04 - aroma muito discreto, bolha fina (acabou por morrer um dia depois), boca a impor-se, gastronómico e muito pesado para se beber a solo ou acompanhado de frutos secos, que foi o caso. Nota 16,5.
.Kompassus Private Selection 05 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; exuberante no nariz, grande boca, final muito longo; a baga no seu melhor; tem ainda muitos anos pela frente. Nota 18,5.
.CV Curriculum Vitae 05 - mais elegante e sofisticado que o anterior; está ainda muito longe da reforma. Nota 18. Os 2 tintos beberam-se com umas Couves à Dom Prior.
.Sandeman 20 Anos (engarrafado em 2011) - cristalino, nariz discreto, citrinos, frutos secos, algum iodo, estrutura e final de boca. Nota 17,5.
.Blandy Bual 48 - excelente (esta mesma garrafa já foi referida na crónica de 10/12). Ambos fizeram boa companhia a um bolo de chila e amêndoa.
A terminar, lanço um desafio aos amigos e leitores deste blogue que comentem e partilhem connosco o que beberam nos respectivos Natais.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Empadaria do Chef : nem tudo o que parece, é...
A Empadaria do Chef, instalada na zona de restauração do Colombo, resultou de uma parceria do chefe José Avillez com a cadeia H3. Aposta forte nas empadas que, se forem pedidas na modalidade Menu, valem uma refeição. Por 6,95 €, tem-se direito a uma das 8 variedades de empadas (200 gramas) concebidas pelo José Avillez, servidas com 2 acompanhamentos (arroz, batata palha ou salada) e uma bebida. E para quem não goste de comer muito, chega perfeitamente. Experimentou-se a empada de cozido (excelente) e a de camarão. Só que, esta última, do dito só com uma lupa. Chamando a atenção dos empregados, por duas vezes, a reclamação não foi atendida, ficando o cliente com uma pedra no sapato e sem vontade de voltar. Não havia necessidade. Ó chefe Avillez, mude o nome à empada ou ponha lá camarão que se veja!
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Irritante falta de informação
Ocasionalmente a descer a Calçada da Estrela, constatei que 2 restaurantes naquela zona de Lisboa, o clássico XL e o debutante Agua Benta estavam encerrados. Estão no seu direito, mas é uma grande falta de consideração por eventuais futuros clientes não afixarem o horário e dias de encerramento. Será que seremos todos obrigados a conhecer os ditos?
Por acaso já tinha almoçado e essa falta de informação não me afectou, mas irritou-me!
Por acaso já tinha almoçado e essa falta de informação não me afectou, mas irritou-me!
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Quadro de Honra (QH) dos Vinhos Fortificados
Entraram mais 16 fortificados (2 Portos, 6 Madeiras e 8 Moscateis) para este meu QH. Num total de 74 eleitos, ficaram os Portos e Madeiras empatados cada um com 31 vinhos, correspondendo cada um a 42% do total. De salientar a grande recuperação dos Moscateis, atingindo a quantidade de 12 entrados no QH, ou seja 16% do total. Este acréscimo tem a haver com 2 visitas/provas feitas à José Maria da Fonseca no corrente ano.
Portos
.Os Colheitas (15) e os tawnies de idade (7 com 30 e 40 anos) continuam a ser a minha preferência, atingindo 71% do total nos Portos. Só os Colheitas são quase 50% (48,4%).
Seguem-se os Vintage com 8 e os brancos velhos apenas com 1 referência.
.A Burmester mantém-se no topo (6 referências), seguida da Noval (5) e da Wiese & Krohn (4).
Madeiras
.Nos Madeiras a minha escolha vai para a casta Bual, com 15 referências (48,4% do total), logo seguida pela casta Verdelho, com 7 referências. Estas 2 castas impõem-se com uns expressivos 71% do total.
Seguem-se Sercial, Terrantez e Malvasia, empatados com 3 eleitos cada.
.Quanto a marcas, a Blandy está presente em quase 50% dos vinhos que elegi (rigorosamente 48,4%).
Moscateis
São 12, todos da José Maria da Fonseca. Ao Trilogia e Moscateis Roxo de 1900, 60 e 71, vieram juntar-se algumas das raridades provadas no decorrer deste ano (52, 55, 62, 67, e 73, para além dos Alambre e Roxo 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)
Portos
.Os Colheitas (15) e os tawnies de idade (7 com 30 e 40 anos) continuam a ser a minha preferência, atingindo 71% do total nos Portos. Só os Colheitas são quase 50% (48,4%).
Seguem-se os Vintage com 8 e os brancos velhos apenas com 1 referência.
.A Burmester mantém-se no topo (6 referências), seguida da Noval (5) e da Wiese & Krohn (4).
Madeiras
.Nos Madeiras a minha escolha vai para a casta Bual, com 15 referências (48,4% do total), logo seguida pela casta Verdelho, com 7 referências. Estas 2 castas impõem-se com uns expressivos 71% do total.
Seguem-se Sercial, Terrantez e Malvasia, empatados com 3 eleitos cada.
.Quanto a marcas, a Blandy está presente em quase 50% dos vinhos que elegi (rigorosamente 48,4%).
Moscateis
São 12, todos da José Maria da Fonseca. Ao Trilogia e Moscateis Roxo de 1900, 60 e 71, vieram juntar-se algumas das raridades provadas no decorrer deste ano (52, 55, 62, 67, e 73, para além dos Alambre e Roxo 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Quadro de Honra (QH) dos Vinhos de Mesa (brancos e tintos)
Neste ano de 2011, entraram para este QH uma quantidade igual de brancos e tintos, 20 para cada lado. O que quer dizer que a qualidade dos brancos tem vindo a subir, ano após ano. E também que provo brancos ao longo de todo o ano, com uma clara preferência para os de outono/inverno. Num total de 132 vinhos com direito a QH, 38 são brancos, a que corresponde uma percentagem de 28,8% (20% no final de 2010)!
Mais uma vez o Douro fez o pleno, tendo ficado em 1º lugar tanto nos brancos (39,5%) como nos tintos (74,5%)! Enquanto nos tintos o Douro não é ameaçado por nenhuma outra região, nos brancos os Alvarinhos estão bem colocados (26,3%).
Quanto às datas e colheita, mantém-se a preferência pelo ano de 2009 para os brancos e o de 2004 para os tintos.
Finalmente quanto a produtores/marcas, a competição entre a Qtª do Crasto e a Niepoort, é agora favorável a este último produtor. Em 3º lugar está a Sogrape, que descolou do resto do pelotão.
1. Por Região
Brancos
.Douro - 15
.V.Verdes - 10
.Estrangeiros - 4
.Bairrada/Beiras - 3
.Lisboa/Colares/Bucelas - 3
.Dão - 2
.Setúbal - 1
Tintos
.Douro - 70
.Bairrada/Beiras - 8
.Estrangeiros - 7 (sendo Ribera del Duero - 6)
.Alentejo - 5
.Dão - 3
.Lisboa/Estremadura - 1
.Austrália - 1
2.Por ano de colheita
Brancos
.2009 - 12
.2007 - 8
.2008 - 7
.2004 - 4
.2005, 2006 e 2010 - 2 cada
.2000 - 1
Tintos
.2004 - 21
.2005 - 16
.2007 - 13
.2003 - 11
.2001 - 9
.2000 - 7
.2006 - 6
.2002 - 3
.outros - 8
Mais uma vez o Douro fez o pleno, tendo ficado em 1º lugar tanto nos brancos (39,5%) como nos tintos (74,5%)! Enquanto nos tintos o Douro não é ameaçado por nenhuma outra região, nos brancos os Alvarinhos estão bem colocados (26,3%).
Quanto às datas e colheita, mantém-se a preferência pelo ano de 2009 para os brancos e o de 2004 para os tintos.
Finalmente quanto a produtores/marcas, a competição entre a Qtª do Crasto e a Niepoort, é agora favorável a este último produtor. Em 3º lugar está a Sogrape, que descolou do resto do pelotão.
1. Por Região
Brancos
.Douro - 15
.V.Verdes - 10
.Estrangeiros - 4
.Bairrada/Beiras - 3
.Lisboa/Colares/Bucelas - 3
.Dão - 2
.Setúbal - 1
Tintos
.Douro - 70
.Bairrada/Beiras - 8
.Estrangeiros - 7 (sendo Ribera del Duero - 6)
.Alentejo - 5
.Dão - 3
.Lisboa/Estremadura - 1
.Austrália - 1
2.Por ano de colheita
Brancos
.2009 - 12
.2007 - 8
.2008 - 7
.2004 - 4
.2005, 2006 e 2010 - 2 cada
.2000 - 1
Tintos
.2004 - 21
.2005 - 16
.2007 - 13
.2003 - 11
.2001 - 9
.2000 - 7
.2006 - 6
.2002 - 3
.outros - 8
Actualização dos meus Quadros de Honra
À semelhança do que fiz há um ano (ver crónicas de 22 e 23/12/2010), chegou a altura de actualizar os meus Quadros de Honra, onde têm cabimento os vinhos por mim provados e classificados com notas a partir de 17,5+ (os brancos) e de 18,5 (os tintos e os fortificados). As preferências por regiões, anos ou tipo de vinho têm a haver com o meu gosto, com as referências que fui acumulando na minha garrafeira e, também, com os vinhos de qualidade que os meus amigos vão partilhando comigo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)