domingo, 15 de janeiro de 2012

Jantar Qtª das Bágeiras

Estive presente no Assinatura,na passada 5ª feira, que em parceria com a garrafeira Nectar das Avenidas concebeu um repasto de 5 estrelas. O Mário Sérgio Nuno, responsável pela Qtª das Bágeiras e um dos valores mais seguros da Bairrada, apresentou os vinhos clara e objectivamente. Quem o conheceu há 15 anos atrás, nem parece a mesma pessoa. Está muito mais desenvolto e à vontade. E os vinhos, quase todos em grande estilo!
Neste 1º jantar, organizado pela Néctar das Avenidas (houve um outro, na mesa do chefe, para um grupo restrito de pessoas, o que não conta para este campeonato), correu tudo muito bem, o chefe Henrique Mouro estava inspirado, os vinhos tinham qualidade e os participantes eram quase todos de reconhecida militância enófila e a maioria passou pelo antigo núcleo duro das CAV. O próximo, com o Jorge Serôdio Borges, já está agendado para o dia 7 de Fevereiro, mantendo-se a parceria Néctar das Avenidas/Assinatura.
Mas vamos aos factos. Começou-se pelo espumante Rosé (bruto natural) 2010 - com base na casta Baga, muito seco, algo pesado sem comida por perto, gastronómico, bolha pouco persistente. Nota 14,5.
Seguiu-se-lhe outro espumante, o Grande Reserva 03, este já noutro patamar - feito a partir da Maria Gomes e Bical, ligeira oxidação, bolha mais persistente, notas de pão a sair do forno, fresco e gastronómico, estruturado e bom final de boca. Nota 16,5+. Acompanhou muito bem uma 1ª entrada que estava divinal, polvo assado, batata doce e azeitona.
Depois, com a 2ª entrada, uma terrina de veado com figos secos, ao nível da excelência, foi a apresentação nacional do branco Pai Abel 2010 (está na continuação do 09, esgotado quase instantâneamente) - também com base nas castas Maria Gomes e Bical, fruta madura, notas florais, mineralidade, toque oxidativo, perfil original, especiado, madeira discreta, alguma untuosidade, profundidade, acidez, final longo; melhor daqui a 4/5 anos. Nota 18.
Com o prato principal, umas saborisíssimas burras em baga e migas de pingo, brilhou o Garrafeira 05 - vinificado em lagar com engace, 80% de Baga e 20% de T.Nacional, exuberante no nariz, notas florais, acidez bem presente, complexidade, taninos firmes mas disciplinados, arquitectura de boca, final longo, gastronómico. A Bairrada no seu melhor. Nota 18,5.
Seguiu-se, a acompanhar uma bela sobremesa de abóbora, requeijão de ovelha e nozes, o branco Garrafeira 02 em magnum - ligeira oxidação, boa acidez, madeira bem integrada, notas de tabaco, gordura evidente, boca poderosa e final longo; ainda longe da reforma. Nota 17,5+.
Além deste branco foi servido um abafado experimental, com base na Baga e feito com a excelente aguardente Qtª das Bágeiras (que também foi provada, a par da bagaceira). Precisa de estagiar mais uns anitos. Poderá ser um caso sério, se houver paciêncis para esperar e não o pôr já à venda.
Parabens à parceria. Obrigado Mário Sérgio (jamais esquecerei o apoio dado às CAV, nomeadamente na comemoração do 1º aniversário, com a oferta de leitão e do espumante)!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Júlia Vinagre : uma grande senhora caída no esquecimento

A Júlia Vinagre, uma grande senhora da gastronomia alentejana, retirada prematuramente da vida activa, acabou por cair no esquecimento. Mas é de inteira justiça vir aqui relembrá-la. Para quem não saiba, foi a primeira mulher a receber um prémio da Academia Portuguesa de Gastronomia, na categoria de "Director de Restaurante" e referido ao ano de 2002, que foi o seu ano de ouro.
Responsável pelo seu restaurante "Bolota Castanha" na Terrugem, pela "Galeria do Esporão", na Herdade com o mesmo nome e, posteriormente, pelo "Terreiro do Paço", desdobrava-se por todos eles, com a paixão e o frenesim que todos lhe reconheciam. Foi numa destas correrias que sofreu um grave acidente de automóvel que lhe interrompeu a sua fulgurante carreira e a obrigou a recolher à sua casa na Terrugem.
Conheci pessoalmente a Júlia Vinagre em 2002, quando a Cerger, empresa responsável por uma série de espaços de restauração, entre os quais A Commenda, resolveu promover um concurso interno para os seus chefes/cozinheiros. Para isso era necessário um júri que avaliasse e classificasse os candidatos ao prémio, tendo a Cerger convidado a Júlia Vinagre, o presidente da Associação dos Cozinheiros (Carlos Miranda, na altura) e a loja Coisas do Arco do Vinho. A esta fizeram ainda o desafio de escolher os vinhos que melhor se harmonizassem com as ementas a concurso. E é aqui que eu entro, na qualidade de responsável pelos vinhos nas CAV, tendo participado na maioria dos jantares e apresentando as bebidas escolhidas, normalmente 1 branco, 1 tinto e 1 generoso.
Ao longo de mais de uma dezena de sessões, tive a oportunidade de conhecer a Júlia, tanto como gastrónoma profissional como pessoa. A ela ficarei ligado por muita consideração e uma grande estima. Estas sessões eram muito didácticas e com a Júlia consolidei alguns conhecimentos na área da gastronomia, nomeadamente o equilibrio dos aromas e sabores na composição de um prato ou de uma ementa completa. Da parte da Júlia, sempre se mostrou interessada nos vinhos escolhidos, confidenciando que desconhecia a maior parte, pois nos seus restaurantes e naqueles que frequentava, as cartas eram muito semelhantes e sem grandes rasgos.
Um belo dia, entrou eufórica n'A Commenda, afirmando que acabara de ser convidada pelo Turismo de Lisboa para explorar e gerir o restaurante Terreiro do Paço. Mas, para aceitar tal honra, contava com o apoio das CAV na elaboração de uma carta de vinhos que se impusesse pela qualidade e diferença. Assim nasceu uma parceria, que mereceu na altura rasgados elogios da imprensa especializada ou generalista, e que acabou abruptamente quando do acidente acima referido.
Obrigado Júlia por a termos conhecido e os nossos votos para que seja sempre lembrada!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Almoço no 5 Jotas Gourmet

Espaço agradável no último piso do Corte Inglês, mesas sem atoalhados, mas com guardanapos de pano. Tanto se pode petiscar com se pode fazer um refeição mais completa; é só optar pelas tapas, meias doses ou doses. A ementa está bem construida, desdobrando-se em presunto, paleta, cana e paiola, queijos e, ainda, para petiscar, à colher, do mar, da capoeira e da serra. Há muito por onde escolher. Quando da minha visita optei por tapas, que incluiram presunto ibérico puro de bolota, pimentos padron, cozido da Serra de Aracena e tortilha de escombro. Tudo aceitável, mas nada que me tivesse apaixonado.
A carta de vinhos aposta forte nas bebidas a copo, contemplando 2 com borbulhas (champanhe e cava), 5 Xerez, 5 brancos, 2 rosés e 4 tintos. As marcas eram, para mim, totalmente estranhas, não incluindo nenhum dos mais badalados dos nossos vizinhos. Copos aceitáveis, serviço despachado, mas não muito rigoroso (a garrafa vem à mesa, mas o vinho não é dado a provar e a quantidade é servida a olho).
Provei um copo de um branco de Cádiz, Gadir 2010, com 60% de palomino e 40% de chardonnay. Achei-o austero, pesado, pouco elegante e com o álcool muito evidente.
Na próxima vez, levarei debaixo do braço um guia de vinhos espanhois do João Paulo Martins lá daquelas bandas!

sábado, 7 de janeiro de 2012

2011 : na hora do balanço (IV)

Esta 4ª e última parte do balanço de 2011, diz respeito às crónicas que venho escrevendo neste blogue "enófilo militante", ou seja, as mais lidas, países de origem dos leitores e fontes de tráfego (como vieram aqui parar). Devo esclarecer que os resultados que a seguir apresento correspondem a valores acumulados, desde o início do blogue em Março de 2010, uma vez que o sistema não me dá informação desagregada por ano.
CRÓNICAS MAIS LIDAS (entre parêntesis as datas em que foram postas)
1.Almoço na Maria Pimenta (de longe, a mais lida) - 22/8/2010
2.Almoço no Cantinho do Avillez - 10/9/2011
3.Entender de Vinho, de João Afonso : um livro acabado à pressa? - 1/8/2010
4.Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreendidos - 12/7/2011
5.Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca - 25/10/2011
6.Almoço no Grelhas - 24/11/2011
7.Caça no Assinatura - 27/11/2011
8.Perplexidades (IV) - 13/11/2011
9.As marcas que interditei nas CAV - 17/11/2011
10.Almoço no Oito/Dezoito - 10/8/2011
PAISES DE ORIGEM
1.Portugal (a maioria esmagadora)
2.França
3.Brasil
4.EUA
5.Espanha
6.Alemanha
7.Reino Unido
8.Luxemburgo
9.Rússia (!?)
10.Coreia do Sul (!!!???)
FONTES DE TRÁFEGO
1.Google Portugal (a grande maioria)
2.Blogue Pingas no Copo
3.Blogue Rui Falcão
4.Blogue Copo de 3
5.Blogue Saca a Rolha
6.Blogue Adega dos Leigos
7.Google Brasil
8.Blogue Jardinagens
9.Blogue Pinga Amor
10.Blogue Pumadas

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

2011 : na hora do balanço (III)

Esta lista, por ordem alfabética, contempla os 10 Restaurantes que mais gostei, entre as largas dezenas que frequentei durante o ano de 2011. Factores que contribuiram para a minha escolha : a cozinha com qualidade e criatividade, o atendimento personalizado, o ambiente, o serviço de vinhos, os copos, a carta, a oferta de vinhos a copo, os preços, enfim uma imensidão de coisas que me agradaram nestes espaços e me farão voltar sempre que possa. Nem sempre é fácil hierarquizar restaurantes, como fiz com os vinhos, daí a ordem alfabética. De qualquer modo, é de inteira justiça destacar três, Sabores de Itália, Assinatura e Casa da Comida.
Vamos, então, à lista por ordem alfabética :
.Assinatura (Lisboa)
.Cais da Villa (Vila Real)
.Casa da Comida (Lisboa)
.DOC (Folgosa do Douro, Régua)
.Enoteca de Belém (não é propriamente um restaurante, mas tenho lá feito grandes refeições)
.Gspot (Sintra)
.Manifesto (Lisboa)
.Rubro (Lisboa)
.Sabores de Itália (Caldas da Rainha)
.UMAI (Lisboa)
É de facto uma grande concentração em Lisboa e arredores, embora desta vez tenha contemplado 2 restaurantes bem ao Norte. Falta-me o Grande Porto, mas tenho uma grande vontade de preencher esta lacuna em 2012.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

2011 : na hora do balanço (II)

Os vinhos seleccionados foram todos provados no decorrer do ano 2011, uns às claras em família ou com amigos e outros às cegas com o grupo dos 3, 3+4 ou amigos do Raul. Foram dezenas de provas e centenas de vinhos testados. Elegi 10 de cada tipo (brancos e tintos de mesa e fortificados). Muitos ficaram de fora e, se calhar, mereciam ter sido os eleitos. Algumas injustiças cometi, mas paciência.É a vida!
BRANCOS
1.Soalheiro Alvarinho Reserva 07 (18,5)
2.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 07 (18)
3.Parcela Única Alvarinho 09 (18)
4.Projectos Niepoort Chardonnay 04 (18)
5.Redoma Reserva 05 (17,5+)
6.Qtª dos Carvalhais Encruzado 07 e 09 (17,5+)
7.Qtª das Bageiras Garrafeira 09 (17,5+)
8.Morgado Stª Catherina 08 (17,5+)
9.CARM Reserva 09 (17,5+)
10.Fundação Oriente Colares 08 (17,5+)
De realçar a prestação da casta Alvarinho que obteve os 3 primeiros lugares e, ainda, a posição conquistada por 2 brancos de regiões não muito badaladas, Bucelas e Colares.
TINTOS
1.Robustus 04 (19)
2.Batuta 01 (18,5+)
3.Pintas 01 (18,5+)
4.Kompassus Private Seleccion 05 (18,5+)
5.Ferreira Vinhas Velhas 07 (18,5+)
6.Herdade do Peso Icone 07 (18,5)
7.Três Bagos Grande Escolha 04 e 05 (18,5)
8.Qtª do Crasto T.Nacional 01 (18,5)
9.CARM BOCA 04 (18,5)
10.Terrus 05 (18,5)
Maioria esmagadora do Douro e destaque para as posições alcançadas por um baga bairradino e um alentejano. Tiro também o chapéu ao nosso BOCA e ao Terrus, que passou completamente ao lado da crítica.
FORTIFICADOS
1.Moscatel Superior 55 JMF (19,5)
2.Moscatel 52 JMF (19,5)
3.Blandy Terrantez 75 (19)
4.Blandy Bual 68 (19)
5.Krohn Colheita 61 (19)
6.FMA Bual 64 (18,5+)
7.Blandy Bual 48 (18,5+)
8.Blandy Bual 71 (18,5+)
9.Blandy Verdelho 40 Anos (18,5+)
10.Blandy Verdelho 73 (18,5+)
Apesar da quase omnipresença dos Madeiras, o que vai sendo uma rotina, desta vez o meu destaque vai para os Moscateis da JMF que conquistaram os dois primeiros lugares. Uma palavra de apreço para o Colheita da Krohn que bem a merece.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2011 : na hora do balanço (I)

Enterrado o ano 2011 e passadas as festas, há que fazer o respectivo balanço. Começo pelos acontecimentos do ano, um sector que não foi contemplado em 2010. A listagem que se segue não está hierarquizada, mas pretende ser cronológica. Entre parêntesis indicam-se as datas das crónicas em que relatei os referidos acontecimentos.

.Jantares com Vinhos da Madeira
Dois na Enoteca de Belém, com o núcleo duro do nosso amigo Adelino de Sousa (27/2 e 1/11) e um no restaurante A Commenda, com a presença do Chris Blandy e do Francisco Albuquerque (12/7). Uma série de raridades provadas.

.Jantares temáticos no Assinatura
Participei em 5, dos quais o da Caça atingiu um patamar de qualidade, ao nível da excelência e nada fácil de alcançar. Foram 5 grandes jornadas, a saber : Queijos (13/1), Primavera (2/4), Cabrito Estonado (21/4), Ostras (20/5) e Caça (27/11).

.Peixe em Lisboa
Um acontecimento já consagrado e imperdível, desta vez de regresso ao Pátio da Galé (13/4).

.Visitas e provas na José Maria da Fonseca (JMF)
Foram 2 jornadas de alto nível, em que a JMF abriu os cofres e pôs à nossa disposição algumas das relíquias do seu património (18/5 e 25/10), tendo sido a última dedicada à blogosfera.

.Festas de aniversário
Pela quantidade e qualidade dos vinhos apresentados, pelo convívio e, ainda, pela amizade dos aniversariantes, é toda a justiça destacar os anos do João Quintela (23/5) e os 50 anos da Lena e do Juca (20/6).

.Exposição "Dona Antónia - uma vida singular"
Exposição comemorativa dos 200 anos do seu nascimento que esteve (está?) patente ao público no Museu do Douro, na Régua (21/7). Quem não viu, devia ter visto.

.Visita guiada à Qtª de Nápoles
Foi um privilégio termos feito esta visita guiados pelo próprio dono, o Dirk Niepoort, um grande senhor e o nosso embaixador dos vinhos do Douro (17/7).

.Encontro dos Vinhos e Sabores
Organizado pela Revista de Vinhos, é anualmente a grande ocasião para se provar vinhos nacionais e não só, reencontrar produtores e enólogos ou simples amigos e conhecidos (3/11).