segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Declaração de Princípios

Já tenho abordado este tema, por diversas vezes, embora sempre a avulso. Volto ao assunto, procurando agora sistematizá-lo. Pretendo que esta declaração seja simples e clara.
O primeiro e grande objectivo deste blogue é, simplesmente, partilhar com quem me lê as minhas impressões, sejam de vinhos da minha ou de outras garrafeiras, sejam de visitas a restaurantes, onde ponho o acento tónico no serviço de vinhos, sejam de livros relacionados com o tema. Não sou, nem pretendo ser, crítico de vinhos (daí não receber amostras para prova) nem de restaurants. Também tenho partilhado pequenas histórias, ocorridas durante a minha permanência nas Coisas do Arco do Vinho e que me pareceram interessantes difundir.
Continuarei a divulgar o que me parece susceptivel de reparo, independentemente do estatuto de quem critico. Para mim, não há intocáveis.
Embora este blogue esteja vocacionado para o mundo do vinho e tudo o que o rodeia, poderei abordar outros assuntos que ache importante partilhar.
Finalmente, escrevo e continuarei a escrever de acordo com a antiga ortografia.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Mais uma boa jornada na Fonte Santa

Em visita recente à Quinta da Fonte Santa, domínio do Banco de Portugal, tive o prazer de usufruir um belíssimo repasto, a que a equipa da casa (o Filipe e a Vanessa) já nos habituou (ver crónicas de 14/3 e 27/10/2011).
Começou-se por uma agradável e original entrada, uma espécie de 2 em 1 de camarão, isto é, um coquetel de camarão e uma cebolada de manga com o dito.
O prato principal foi um fresquíssimo e opulento pargo assado, com mais de 3 quilos, acompanhado de uma saborosa tibornada. Como sobremesa avançou um petit gateaux com coulis de frutos silvestres e gelado de baunilha, de comer e chorar por mais. E ainda havia queijos de Niza e Serra d'Ossa.
Os vinhos vieram todos da garrafeira do nosso amigo Alfredo Penetra, a saber:
.Champanhe Canard-Duchêne Charles VII - fresco, fino e elegante, bolha persistente; muito agradável para início de refeição. Nota 16,5.
.Morgado Santa Catherina 09 - a caminho da excelência do 2008, acidez, equilibrio, profundidade e final de boca. Nota 17,5 (noutras situações 16,5+/17,5).
.Qtª Monte d'Oiro Madrigal Viognier 09 - aroma complexo, ligeira oxidação, madeira discreta, acidez no ponto, elegância e personalidade, estrutura de boca, deveras gastronómico; não tem nada a haver com as colheitas iniciais, que eram uma fraude (vinhos pesados a preços especulativos). Nota 18.
.Ferreira Vinhas Velhas 07 - mantém o perfil já descrito (ver crónica sobre o grupo Novo Formato, em 10/12/2011). Nota 18,5 (noutras 17,5+/18/18,5+).
.Krohn Colheita 78 (engarrafado em 2008) - frutos secos, alperce, mel, caril, um toque de iodo, bela acidez, estrutura de boca, final longo. Esta marca nunca nos deixa ficar mal, além de excelente pratica preços não especulativos. Nota 18,5+.
Mais uma boa jornada. Obrigado Alfredo!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Bufete no Clara Chiado

Por 11 € pode-se comer, no wine bar do Clara Chiado, 1 sopa, uma série de entradas frias, 2 pratos quentes e 1 sobremesa, nada verdeiramente entusiasmante. Bebidas à parte.
A carta de vinhos, está elaborada com base no Alentejo e no Douro, tem algumas boas referências, mas sem critérios nos preços, alternando preços cordatos com outros algo especulativos. Datação incluida como mandam as regras.
A copo disponibiliza 1 espumante, 2 champanhes, 7 brancos, 3 rosés e 4 tintos, o que considero uma boa oferta, embora desequilibrada (a quantidade de tintos é, nesta altura do ano, curta). Custam a maioria 5 €, o que é um exagero, até porque os vinhos são quase todos de entrada de gama.
O serviço também não ajuda. Depois de se terem enganado na garrafa solicitada (Catarina em vez de Morgado de Santa Catherina), acabou por uma outra, um belíssimo arinto "Prova Régia", ter vindo para a mesa já aberta, embora fosse dada a provar. Copos aceitáveis.
Em conclusão, um espaço simpático, mas com nada de muito aliciante que me faça voltar tão cedo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Almoço no Faroleiro

O Faroleiro é um dos muitos restaurantes de peixe, espalhados pelo Guincho. Boa matéria prima, mas serviço atabalhoado.
Carta de vinhos sem datação, algumas escolhas criteriosas no Alentejo e Douro, preços altos com um ou outro mais cordato, ausência de oferta a copo. Serviço de copos à antiga, destinando-se o maior para a água e os outros para os vinhos, sendo o dos brancos minúsculo. Foi quase necessário obrigar o empregado trocar a ordem dos ditos.
Bebeu-se o Dona Berta Rabigato Vinhas Velhas Reserva 09 - fruta madura, acidez plena, madeira discreta, boca poderosa e bom final, personalidade quanto baste; ainda está longe da reforma. Nota 17,5+.
O vinho estava gelado e, ainda por cima, veio num balde com gelo. Só desgraças!
Curiosamente constatei, pelo parque automóvel circundante, que todos os restaurantes no Guincho estavam cheios. É a crise...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Uma volta por Linda-a-Velha

Numa primeira incursão abancámos no Jacó (Rua Rangel de Lima,2), restaurante tipicamente tradicional, paredes saturadas de fotografias e alguns artefactos, ementa em ardósias, televisão ligada embora sem som, toalhas e guardanapos de papel. Cozinha segura, com algumas opções de grande qualidade (provou-se um excelente javali estufado com puré de batata, arroz de bacalhau com gambas e Braz de camarão bem confeccionados.
Lista de vinhos mal arrumada e sem datas, algumas referências interessantes, preços desajustados e meia dúzia de vinhos a copo. Aposta forte em whiskies e aguardentes velhas. Bons copos, mas o serviço não foi testado (levei vinho de casa, já comentado anteriormente).
Um segundo repasto teve lugar no Alma Lusa (Rua Irene Lisboa,3 A), nos antípodas do anterior. Sala remodelada, sóbria, mesas bem parelhadas, guardanapos de pano, serviço eficiente mas nada personalizado. Cozinha tradicional com boas opções. Comi umas divinais iscas, prato que não é nada fácil encontrar nos nossos restaurantes.
Carta de vinhos com algumas raridades (uma colecção de Barca Velha e Pera Manca, a preços cordatos), razoável oferta de generosos, mas um pouco parada no tempo. Preços na generalidade altos, bons copos e oferta de vinho a copo diminuta. Aceitámos o vinho recomendado, que veio para a mesa um pouco acima da temperatura ideal, mas prontamente corrigida, o tinto Andreza Reserva 09 - muito frutado, jovem e irrequieto, boca poderosa, taninos redondos, guloso. Boa relação preço/qualidade (14,90 € até ao final do mês). Nota 16,5.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Uma volta por Algés

A nossa escolha para almoço apontou para o Restaurante Taberna Le Petit d' Algés, nas bordas de Lisboa, mas já em terras do Isaltino. O Le Petit é um clássico, recentemente transfigurado, no bom sentido, com cores vermelhas e fotos alusivas ao vinho. Cozinha tradicional, sem grandes rasgos, e petiscos para o final de tarde.
Lista de vinhos de média dimensão, com algumas referências interessantes e alguns narizes de cera, como diz o José Quitério, sem datas, com preços acessíveis, e algumas surpresas, como por exemplo, Barca Velha 148 €, Reserva Especial 49 €, CV 58 € e Torre do Esporão 75 €! Oferta centrada no Alentejo e Douro.
A oferta de vinhos a copo está reduzida a meia dúzia de tintos (e os brancos, senhores?), guardados em dispensadores, que lhes garantem conservação e temperaturas correctas. São servidos em copos bonitos, mas de formato invulgar. Nas mesas canecas de barro!? Serviço a cumprir os mínimos.
Bebeu-se a garrafa nº 1138 de 1400 de Projectos Niepoort Riesling 06 - nariz exuberante, fruta madura, frutos secos, toque oxidativo, belíssima acidez, presença na boca, persistência final. Não vale a pena guardar mais tempo. Nota 17.
Noutra visita poisámos no Afonsos, que fica na Av. General Norton de Matos, mesmo encostado à PSP (Algés? Miraflores?), o que tem vantagens (segurança pessoal e dos nossos teres e haveres), mas também inconvenientes (os primeiros a ser apanhados num eventual sopro de balão). Tem uma sala muito acolhedora, cheia de recantos e uma clientela à base de executivos. O serviço, embora com falhas, é esforçado, mas a cozinha precisa ser reciclada, pois apresentou algumas insuficiências.
Carta de vinhos com algumas ofertas interessantes, preços altos, sem datação e tudo arrumado por ordem alfabética!? Não tem vinhos a copo e o serviço não cumpre os mínimos. A garrafa solicitada (Fronteira Selecção do Enólogo 07) já veio aberta e não era a pedida. No seu lugar veio o Fronteira do mesmo ano, mas da gama de entrada, que nem sequer constava na carta. Ainda por cima cobraram ao preço do outro, o que originou que reclamassemos. O vinho acabou por ficar, mas tinha excesso de ácido acético. Nota 10. Só desgraças!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Uma volta por Campo de Ourique (II)

Ontem, finalmente, consegui ir à Cervejaria da Esquina e comer o prego de atum dos Açores. A conselho do empregado, o prego veio no pão, ainda quente e estaladiço. Simplesmente divinal! Também pode ser servido no prato, mas não é a mesma coisa. Como acompanhamento, à parte, pode-se comer batata frita, arroz ou legumes. Optei, em boa hora, pelos legumes, uma boa dose com base nuns deliciosos cogumelos frescos. Antes do prego, comi um belíssimo creme de marisco que me aqueceu a alma.
O restaurante, já muito badalado, resultou da remodelação de um antigo espaço. É muito agradável a decoração moderna, as madeiras e toda aquela claridade, com a cozinha à vista, praticamente dentro da sala. As toalhas, de papel, têm impresso a carta de vinhos. Ideia original, mas não muito prática. Imprimem novas toalhas cada vez que haja alteração dos vinhos? Não me parece. Os guardanapos são de pano, o serviço profissional e despachado.
A carta de vinhos contém 8 espumantes e 2 champanhes (4 a copo), 35 brancos (13 a copo) e 23 tintos (11 a copo). A Dão Sul tem quase 20% das referências o que, não sendo monopólio, considero excessivo. Não descortinei vinhos generosos, o que é um ponto fraco, caso não haja.
Bebi o Qtª do Pinto Chardonnay/Viognier 07, servido num bom copo, com uma boa quantidade (14 cl? 15 cl?), mas servida a olho. A garrafa veio à mesa e o vinho foi-me dado a provar.
Quanto ao vinho, mostrou um bom casamento das castas utilizadas, uma ligeira oxidação que o enobrece, aroma com complexidade, untuoso, acidez a equilibrar o conjunto, madeira discreta, estruturado e bom final de boca. Um grande branco de Lisboa de um produtor que importa conhecer melhor. Nota 17,5+.
Como apontamento final, a presença na equipa do Vitor Sobral da Catarina, que foi no passado responsável pela cozinha do restaurante A Commenda.
Hei-de voltar, quanto mais não seja, para comer o prego de atum!