domingo, 29 de abril de 2012

Lisbon Restaurant Week (LRW)

Está a chegar uma nova edição do LRW, com início em 3 de Maio, terminando em 15. É a grande oportunidade, por apenas19+1 €, de termos acesso a restaurantes emblemáticos e, normalmente, demasiado caros para o comum dos mortais. Imperdível!
Aderiram mais de 60 restaurantes, entre os quais, Arola, Assinatura, Bica do Sapato, Claro, Eleven, Faz Gostos, Flores, Panorama, Papa Açorda, Pedro e o Lobo, Qtª dos Frades, Terraço (Hotel Tivoli) ou XL. Obrigatório reservar.
Depois, não digam que não foram avisados...

sábado, 28 de abril de 2012

Almoçar em hotéis: a grande (des)ilusão (II)

O outro restaurante envolvido dá pelo nome de "Marquês de Pombal" e pertence ao Hotel Zenit Lisboa, sito na Av. 5 de Outubro. Na qualidade de leitor assíduo do blogue "Mesa marcada", chamou-me a atenção uma crónica do Miguel Pires de 24 de Março, intitulada "Pub Gratis (desespero?)", com uma fotografia do cartaz à entrada do hotel, onde se pode ler "Especialistas em Cozinha de Autor" e "Aqui come-se muito muito bem".
Não resisti ao apelo e fui comprovar se era mesmo verdade. Lamentavelmente, conclui que de cozinha de autor não tinham nada e nem sequer se come muito bem. Os preços para hotel, esses, são imbatíveis e aplicam-se aos almoços de 2ª a 6ª feira. O prato "Z" custa 7,45 € e dá direito a couvert (pão, manteiga, azeite e azeitonas), um prato a escolher entre 2 e água ou vinho da casa. Gastando um pouco mais (9,90 €), tem-se direito ao menú "Z", ao qual acresce a sobremesa.
A sala é moderna e acolhedora, mas não faz sentido os guardanapos serem de papel e, embora sem som, terem a televisão ligada! O serviço é algo frio e distante. Optei pelo prato de peixe, que naquele dia era bacalhau frito com cebolada, ao qual não retiraram nem a pele nem as espinhas, e vinha acompanhado de salada. Tudo no mesmo prato! A dose era generosa, mas cozinha de autor? Francamente...
Quanto a vinhos, a lista é curta, desinteressante e sem anos de colheita. Imperdoável! Os copos cumprem os mínimos.
Em conclusão, eles são mesmo muito bons é em marketing. O resto é para esquecer!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Almoçar em hotéis: a grande des(ilusão) (I)

Há cerca de 1 mês, em 2 dias seguidos, tive a oportunidade de almoçar em hotéis. Em qualquer deles as experiências foram diferentes, mas igualmente frustantes. A primeira, no clássico Hotel Aviz e a segunda, no moderno Restaurante Marquês de Pombal (Hotel Zenit). Não escrevi de imediato as minhas impressões, pois dei prioridade a outros acontecimentos, que considerei mais interessante partilhar. Estão neste caso, os jantares vínicos com os produtores Niepoort, Qtª do Perdigão, Lavradores de Feitoria e Qtª do Crasto, a Páscoa na Bairrada (4 crónicas), as provas do Grupo dos 3 e do Novo Formato+, e, ainda, o Peixe em Lisboa (2 crónicas).
Começarei pelo Hotel Aviz, deixando o Zenit para a próxima crónica.
O menú do dia, de 2ª a 6ª feira, custa 18 € com direito a couvert, entretém de boca, entrada, prato, sobremesa e café. As bebidas, água e vinho a copo, são pagas. Em cada dia da semana o menú é fixo e não dá hipótese de escolha. Seria mais simpático se se pudesse optar entre 2 ou 3 alternativas.
No Aviz é tudo muito clássico e requintado, com salas separadas para fumadores e não fumadores. Serviço profissional e simpático. Comemos salada de tomate e mozarella, vinagrete balsâmico e rúcula (o entretém de boca também tinha queijo, o que contribuiu para o desequilibrio da refeição), seguida de um arroz de pato à antiga, algo seco e sem ponta de gordura. Uma nota positiva, perante o nosso comentário desfavorável, um dos cozinheiros veio à mesa para ouvir os nossos reparos e justificar-se. Tiro o meu chapéu, pois raramente os responsáveis pela cozinha dão a cara. A sobremesa, salada de laranja à Aviz, para compensar, estava excelente. O melhor do almoço.
Quanto à componente vínica, a lista é demasiado curta para um hotel como este, alternando preços acessíveis com outros bem altos, de acordo com o ambiente de luxo. Oferta de vinho acopo, reduzida a 3 referências de branco e igual número de tintos, a preços altos. O copo para vinho branco, com um pé muito alto, é ridiculamente diminuto na parte superior, esgotando-se em 3/4 goles. Eu até pensei que era um copo apenas para se provar o vinho antes de o beber!
Bebeu-se o Stanley Chardonnay 09, que veio para a mesa gelado - simples, frutado, muito tropical, menos interessante na boca. Nota 14,5.
Esta jornada foi uma grande desilusão, mas, ao menos uma vez na vida, há que almoçar no Aviz, quanto mais não seja para acrescentar ao currículo! Mas, em abono da verdade, tenho amigos meus que foram jantar à lista e sairam satisfeitos, embora tenham pago muito mais, imagino.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Cravos, música e livros

As crónicas vão rarear nos próximos dias, pois as minhas energias e tempo livre vão ser canalizados para as Comemorações do 25 de Abril, os Dias da Música (concertos no CCB em 27, 28 e 29 de Abril) e a tradicional Feira do Livro, com abertura prevista para hoje e que se estenderá até 13 de Maio.
Para além da militância enófila, a intervenção cívica e os interesses culturais são-me indispensáveis e completam-na. Pode ser que nos encontremos nalgum destes locais. Até breve!

As conservas estão na moda

As conservas nacionais entraram definitivamente nos nossos palatos. Mais: alguns dos chefes mais badalados já as introduziram nalgumas das suas criações. Vem isto a propósito de uma crónica assinada pelo Miguel Pires e publicada no Mesa Marcada, em 18/4, intitulada "Crónica e resultados de uma prova de conservas de peixe" (há um link do meu blogue para lá). Foram realizadas 3 provas, cujos vencedores foram:
.Sardinhas em azeite - Minerva
.Filetes de cavala em azeite - Vasco da Gama
.Prova especial com diversos tipos de conserva - Correctora (com ventresca de atum em azeite)
Resta dizer que no júri estavam nomes sonantes, tais como Luis Baena ou José Avillez.
Também eu fiz, a nível familiar, uma prova com conservas da marca Campos Santos (Albufeira), adquiridas quando do Peixe em Lisboa, que deram muito boa conta de si. Para o meu gosto, nota alta para as sardinhas em azeite e barrigas de atum em azeite, logo seguidas dos filetes de cavala mediterrânicos. Tudo isto acompanhado por um belíssimo branco, o Qtª de Carvalhais Encruzado 2009, que em futura crónica referirei em pormenor.
Para quem queira adquirir conservas de qualidade, aconselho a "Sol e Pesca", na Rua Nova de Carvalho,44 (ao Cais do Sodré), já aqui referida na crónica "Peticos em Lisboa" em 11/9/2011, onde também se podem comer. Tem uma oferta inigualável e está aberta de 3ª a sábado, a partir das 12h até às tantas da manhã.

domingo, 22 de abril de 2012

Jantar Qtª do Crasto

Mais um jantar vínico que participei, no âmbito da minha militância enófila. Não vou a todos, mas há eventos a que não posso faltar. Um deles é quando mete a Qtª do Crasto, mais a mais contando com a presença do Tomás Roquete e, também, do seu director comercial, Pedro Almeida. Recordo, pouco tempo depois de as CAV terem nascido, ter conhecido os irmãos Roquete, o Tomás e o Miguel, no encontro mundial em Bordeus (1988?), e de lhes ter mostrado o nosso interesse em sermos a primeira garrafeira em Portugal a vender os vinhos da Qtª do Crasto (por razões meramente burocráticas, o IVV ainda não tinha autorizado a venda desta marca no mercado nacional). E assim foi. Por essa e por outras, as nossas relações pessoais e institucionais com as pessoas da Qtª do Crasto, foram sempre exemplares. Eles são uns grandes Senhores!
Mas, voltando ao jantar, que decorreu no restaurante principal do Corte Inglês, no geral foi bastante positivo, mas poderia ter sido um grande fiasco. Participaram 24 pagantes (havia ainda 3 pessoas do Corte Inglês), dos quais 19 pertenciam ao antigo núcleo duro das CAV, isto é 80%. Se nós não nos tivessemos mobilizado, o jantar teria decorrido apenas com 5 participantes,  o que teria sido muito pouco simpático para o produtor e uma vergonha para a organização. Ó senhores do Corte Inglês, têm que trabalhar mais, não podem ficar sentados à espera que os clientes caiam do céu!
A gastronomia esteve a cargo do chefe Luis Filipe e sua equipa, que se portaram bem, embora as ligações com o vinho branco não tivessem sido as mais felizes. O serviço na sala, incluindo os vinhos, foi muito profissional, como sempre. Temperaturas correctas e muito bom ritmo em todo o repasto.
Basta de conversa e vamos aos vinhos:
.Crasto 2011 branco - elaborado a partir das castas tradidicionais do Douro, muito frutado e fresco, boa acidez natural, descomplicado,  equilibrado, vocacionado para acompanhar aperitivos e entradas ligeiras. Nota 15. Não ligou com o entretém de boca (foie gras), nem com a entrada de "pregado assado co camarão selvagem e arroz aromático".
.Crasto Superior 2010 - estagiou 12 meses em barrica, alguma fruta, notas florais, algo verde, acidez q.b., elegância, taninos presentes mas macios; para beber daqui a 1 ano. Nota 16,5. Ligou bem com "empada de caça com infusão de tangerina e notas de especiarias".
.Qtª do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2009 - estagiou 18 meses em barrica, nariz exuberante, frutado, especiado, notas de chocolate e tabaco, boa acidez, taninos bem comportados, estruturado, final muito longo; muito equilibrado, beneficiou das uvas da Vinha da Ponte e Maria Teresa; um valor seguro, a beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18+. Esteve muito bem acompanhado de "carré de borrego com legumes e batata confitada em azeite Qtª do Crasto (belíssimo, aliás) e tomilho limão".
.Qtª do Crasto Vintage 2005 - não tomei notas sobre este vinho, muito agradável, mas que me pareceu a meio da fase "estúpida" da sua vida. Teve por companhia "chocolate 70% com frutos vermelhos, pimenta rosa e flor e sal", sobremesa francamente bem conseguida.
Grande jornada de convívio, salva pela militância do antigo núcleo duro das CAV.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Peixe em Lisboa (II)

Segunda e última jornada no Pátio da Galé  (o Peixe em Lisboa encerra no Domingo). Desta vez provámos (3 entradas, 1 prato e 1 sobremesa):
.Pirolitos de lulas com maionese (Gspot) - agradável, original e irreverente.
.Ouriços do mar (Ribamar) - bons, mas sem atingir o patamar de há 1 ou 2 anos atrás.
.Travesseiro de marisco (Spazio Buondi) - entrada leve e agradável.
.Mil folhas de bacalhau com sapateira e batata doce (Spazio Buondi) -  muito bem apresentado e conseguido.
.Caril verde (Umai) - agradou, mas sem entusiasmar.
.Abade de Priscos com sopa de abacaxi (Peixaria da Esquina) - belíssima sobremesa com os dois paladares muito bem ligados.
Muito mais ficou por provar, mas em 2 dias não deu para mais.
Quanto a vinhos, fiquei-me pela José Maria da Fonseca. Primeiro, o Qtª de Camarate Branco Seco 10, seguido do José de Sousa Mayor 08. Ambos cumpriram, cada um no seu patamar, embora o tinto tivesse ficado prejudicado pela temperatura acima do recomendável.
Parabens ao Duarte Calvão e colaboradores. E, para o próximo ano, há mais. Lá estaremos!