Foi em Maio de 2010, um mês após ter iniciado este blogue, que fiz um primeiro balanço dos vinhos provados, registados e classificados, a partir de 1997/98, balanço este actualizado em Dezembro de 2010 e 2011. Eram vinhos provados em serviço ou em sessões privadas (em família, com o Núcleo Duro, Grupo dos 3, Grupo dos 3+4, Novo Formato, etc). Inventariei, até agora, cerca de 3300 vinhos e, se calhar, outros tantos foram provados mas não registados (foi o caso das visitas anuais às mostras organizadas pela Revista de Vinhos e pela Wine, entre outras).
Os critérios que estabeleci para a entrada nos QH, exigiam uma classificação de 18,5 o que, mais tarde, considerei injusto para os brancos. Assim, alterei o critério relativo à excelência dos brancos, baixando-o para 17,5. Como consequência, os vinhos eleitos passaram dos 115 iniciais (3,8 % do total registado) para os actuais 243 (7,4 %), o que dá uma média de 20 por ano, quantidade inferior aos Prémios Excelência atribuídos anualmente pela revista de Vinhos ou aos Melhores do Ano seleccionados pelo João Paulo Martins no seu guia Vinhos de Portugal. Nada de mais, portanto...
Nesta última actualização, contabilizei 163 vinhos de mesa/consumo (67,1 % dos eleitos) e 80 fortificados (32,9 %). Dos 163, 110 são tintos (45,3 %) e 53 brancos (21,8 %). Quanto aos fortificados, 32 são Porto (13,2 %), 37 Madeira (15,2 %) e 11 Moscatel de Setúbal (4,5 %).
Em próximas crónicas, tratarei destes números em pormenor, para melhor se perceber as minhas preferências, nomeadamente quanto a tipos de vinho, marcas/produtores e anos de colheita. É um exercício deveras interessante que os enófilos organizados poderiam fazer, a partir dos seus registos e anotações. Chegarão, pela certa, a conclusões bem diferentes das minhas ou não tanto. Fica aqui o desafio.
domingo, 19 de agosto de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Vinhos em família (XXXV)
Em recente convívio em minha casa, para comemoração de 2 aniversários, bebemos umas pingas de acordo com a efeméride, a saber:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 10 - austero no nariz, com notas de citrinos, marcado ainda pela madeira, mas com boa acidez e estrutura de boca; gastronómico, mas não fez a melhor ligação com uma sopa rica de peixe, aliás ao nível da excelência. Há que esperar mais 2/3 anos para estar na melhor forma. Nota 17.
.Barca Velha 04 - decantado na hora, côr ainda muito viva, saúde invejável, complexidade aromática, notas fumadas, tabaco e chocolate preto, acidez equilibrada, frescura, madeira discreta, estruturado e final persistente. Um hino ao vinho! Nota 19.
Era a nº 1900 de 26068 garrafas. Se hipoteticamente fossem todas vendidas, ao preço do Clube 1500 (100 €), a Sogrape encaixava 2 milhões, seiscentos seis mil e oitocentos €, o que é muita massa. O valor de mercado tem a tendência para ir subindo, ao longo dos anos, à medida que as existências vão encolhendo. Mas, não sendo o caso deste Barca Velha 2004 ( praticamente ainda não foi iniciada a sua comercialização), fico surpreendido ao constatar que a Garrafeira Nacional já anunciou a sua venda a 300 €. Pura e desenfreada especulação!
.Ramos Pinto Colheita 37 (engarrafado em 1979, portanto com mais de 40 anos de casco) - límpido, frutos secos, notas florais, iodo, algum vinagrinho, madeira discreta, boca poderosa e final interminável. Nota 18 (fica a anos luz de outro exemplar engarrafado em 1968; mais 11 anos de casco fez a diferença).
Já fora deste convívio, continuei com as sobras da sopa de peixe, mas desta vez acompanhada com:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 11 - mais mineral e com os citrinos mais presentes, acidez equilibrada, elegante, harmonioso, final longo; ligou francamente melhor com a sopa rica. Nota 17,5+.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 10 - austero no nariz, com notas de citrinos, marcado ainda pela madeira, mas com boa acidez e estrutura de boca; gastronómico, mas não fez a melhor ligação com uma sopa rica de peixe, aliás ao nível da excelência. Há que esperar mais 2/3 anos para estar na melhor forma. Nota 17.
.Barca Velha 04 - decantado na hora, côr ainda muito viva, saúde invejável, complexidade aromática, notas fumadas, tabaco e chocolate preto, acidez equilibrada, frescura, madeira discreta, estruturado e final persistente. Um hino ao vinho! Nota 19.
Era a nº 1900 de 26068 garrafas. Se hipoteticamente fossem todas vendidas, ao preço do Clube 1500 (100 €), a Sogrape encaixava 2 milhões, seiscentos seis mil e oitocentos €, o que é muita massa. O valor de mercado tem a tendência para ir subindo, ao longo dos anos, à medida que as existências vão encolhendo. Mas, não sendo o caso deste Barca Velha 2004 ( praticamente ainda não foi iniciada a sua comercialização), fico surpreendido ao constatar que a Garrafeira Nacional já anunciou a sua venda a 300 €. Pura e desenfreada especulação!
.Ramos Pinto Colheita 37 (engarrafado em 1979, portanto com mais de 40 anos de casco) - límpido, frutos secos, notas florais, iodo, algum vinagrinho, madeira discreta, boca poderosa e final interminável. Nota 18 (fica a anos luz de outro exemplar engarrafado em 1968; mais 11 anos de casco fez a diferença).
Já fora deste convívio, continuei com as sobras da sopa de peixe, mas desta vez acompanhada com:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 11 - mais mineral e com os citrinos mais presentes, acidez equilibrada, elegante, harmonioso, final longo; ligou francamente melhor com a sopa rica. Nota 17,5+.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Petiscos em Lisboa (VI)
Desta vez fui à "descoberta" do Duetos da Sé, situado na travessa do Almargem. A reportagem (uma página inteira) no Fugas de 28/7, aguçou-me o apetite. Os mentores deste projecto são os dois irmãos Lála e, daí, o nome da casa. Enquanto o Eduardo, músico e professor no Conservatório, se movimenta nessa área, o irmão Carlos é o gastrónomo, com experiência e passagem pelo Feitoria, Pragma e Faces in Chiado.
A sala tem um piano que, penso, só estará activo pela noite fora. Durante o dia, apenas música de fundo, que estava demasiado alta. Eu não me importei , até porque a música de jazz é a minha preferida. Mas, imagino, o desconforto para quem não a aprecie.
Fiquei com a impressão que este Dueto está preferencialmente vocacionado para a noite e abancar para almoço, com eu fiz, é um verdadeiro risco. No dia que o visitei, estava visível apenas um empregado que, a cada pergunta que eu fazia, tinha que se ausentar da sala para perguntar ao patrão. Se a sala estivesse composta de clientes, teria sido um desatino. O patrão, apareceu já com o almoço a decorrer e, diga-se em abono da verdade, foi extremamente simpático e atenuou a má impressão inicial.
O menú contempla "petiscos e entradinhas" de 1,50 a 7 €, pratos de 9 a 12 € e, ainda, sopas, saladas, sandocas e sobremesas. Comi francanente bem, a começar pelo caldo verde, que nada tem a haver com o descrito pela jornalista do Fugas, continuando com um pastel de bacalhau e croquete, acompanhados de salada, finalizando com chouriço assado.
Quanto a vinhos, a lista é curta (5 brancos, 4 tintos, 1 rosé e 1 frizante (!?))e desinteressante, mas todos com o ano de colheita. A copo só têm um vinho do Dão, branco e tinto, o Terras S.Miguel. A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar (serviço prestado pelo patrão; fiquei com dúvidas como seria se o patrão não estivesse). Os copos são aceitáveis, mas a quantidade servida a olho fica aquém do esperado. Bebi um copo do branco Terras S.Miguel 2010 - fechado no nariz, austero, presença de citinos, acidez equilibrada, boca mediana e final adocicado. Nota 14. Salvou-se o preço, 2,50 €, o que é um verdadeiro achado. Provei, ainda, o branco leve Fiuza 3 castas Nature, simpática oferta do Carlos Lála, mas que não fez a minha felicidade.
Em conclusão, recomendável para o pessoal da noite e a evitar à hora do almoço.
A sala tem um piano que, penso, só estará activo pela noite fora. Durante o dia, apenas música de fundo, que estava demasiado alta. Eu não me importei , até porque a música de jazz é a minha preferida. Mas, imagino, o desconforto para quem não a aprecie.
Fiquei com a impressão que este Dueto está preferencialmente vocacionado para a noite e abancar para almoço, com eu fiz, é um verdadeiro risco. No dia que o visitei, estava visível apenas um empregado que, a cada pergunta que eu fazia, tinha que se ausentar da sala para perguntar ao patrão. Se a sala estivesse composta de clientes, teria sido um desatino. O patrão, apareceu já com o almoço a decorrer e, diga-se em abono da verdade, foi extremamente simpático e atenuou a má impressão inicial.
O menú contempla "petiscos e entradinhas" de 1,50 a 7 €, pratos de 9 a 12 € e, ainda, sopas, saladas, sandocas e sobremesas. Comi francanente bem, a começar pelo caldo verde, que nada tem a haver com o descrito pela jornalista do Fugas, continuando com um pastel de bacalhau e croquete, acompanhados de salada, finalizando com chouriço assado.
Quanto a vinhos, a lista é curta (5 brancos, 4 tintos, 1 rosé e 1 frizante (!?))e desinteressante, mas todos com o ano de colheita. A copo só têm um vinho do Dão, branco e tinto, o Terras S.Miguel. A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar (serviço prestado pelo patrão; fiquei com dúvidas como seria se o patrão não estivesse). Os copos são aceitáveis, mas a quantidade servida a olho fica aquém do esperado. Bebi um copo do branco Terras S.Miguel 2010 - fechado no nariz, austero, presença de citinos, acidez equilibrada, boca mediana e final adocicado. Nota 14. Salvou-se o preço, 2,50 €, o que é um verdadeiro achado. Provei, ainda, o branco leve Fiuza 3 castas Nature, simpática oferta do Carlos Lála, mas que não fez a minha felicidade.
Em conclusão, recomendável para o pessoal da noite e a evitar à hora do almoço.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Aditamento a "2 Anos de Assinatura (I)"
Na crónica publicada em 1/7/2012, ponto "2.Os sortudos", não referi, por lapso, a presença de Adriana Freire, animadora do blogue "o estado da cozinha portuguesa". Reparação feita. Mais vale tarde do que nunca!
Petiscos em Lisboa (V)
Acabei de "descobrir" o Descobre Restaurante Mercearia, aberto há muito pouco tempo na Rua Bartolomeu Dias, mesmo em frente da Cervejaria Nunes, uma das referências em Lisboa. Uma grande surpresa, pela positiva. Espaço sóbrio, luminoso e decorado com gosto. Ambiente requintado, mesas bem aparelhadas, serviço eficiente e profissional. À entrada fica o espaço gourmet/enoteca e, ao lado, o restaurante propriamente dito.
Na sala estão as sócias Fátima Rodrigues e Susana Luis, sendo uma delas a mentora do menú, uma das cartas mais originais que conheço na restauração. Para além das clássicas divisões peixe/carne/vegetarianos/saladas/acompanhamentos/sobremesas, marca a diferença nos items "descobre as espetadinhas", "descobre os sentidos" e "pic'aqui-pic'ali". Isto é, tanto se pode petiscar, com fizemos, como comer uma refeição habitual. Nesta minha primeira incursão, petisquei filetes de carapau com ervas, espetadinha de lulas com molho de coentros, acompanhada com batata doce salteada com sésamo. Tudo delicioso. O menos conseguido foi a sobremesa, bolo de alfarroba com gelado.
Quanto aos vinhos, a lista está centrada no Alentejo e Douro, mas lamentavelmente parte dos vinhos não tem o ano de colheita. Os preços são de venda ao público, acrescendo 20 % (taxa de rolha) quando consumidos lá dentro. Vinhos a copo são 12 (2 espumantes, 5 tintos, 4 brancos e 1 rosé), a preços surpreendentemente em conta. Como mais valia deste espaço, qualquer vinho da carta pode ser consumido a copo, custando 1/4 do preço da garrafa, acrescido dos tais 20 %. É uma postura correcta que os clientes agradecem. Os copos são Schott e as temperaturas, dada a existência de armários térmicos, as correctas. Não tendo consumido vinho a copo reparei, no entanto, que ao meu lado a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Bebeu-se o branco Olho no Pé Grande Reserva 09 - proveniente de vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas de carvalho; côr dourada, ligeiro toque oxidativo, fruta madura, citrinos, acidez bem presente, madeira discreta, estrutura de boca e muito gastronómico. É pena o teor alcoólico (14 % vol), algo excessivo. Nota 17,5.
Este Descobre é um espaço polivalente, onde se pode comer, petiscar, provar e adquirir vinhos ou fazer compras de produtos gourmet, seja azeites, conservas, compotas, etc. Recomendo-o vivamente. À atenção do Miguel Pires, quando da 2ª edição do seu "Lisboa à Mesa".
Na sala estão as sócias Fátima Rodrigues e Susana Luis, sendo uma delas a mentora do menú, uma das cartas mais originais que conheço na restauração. Para além das clássicas divisões peixe/carne/vegetarianos/saladas/acompanhamentos/sobremesas, marca a diferença nos items "descobre as espetadinhas", "descobre os sentidos" e "pic'aqui-pic'ali". Isto é, tanto se pode petiscar, com fizemos, como comer uma refeição habitual. Nesta minha primeira incursão, petisquei filetes de carapau com ervas, espetadinha de lulas com molho de coentros, acompanhada com batata doce salteada com sésamo. Tudo delicioso. O menos conseguido foi a sobremesa, bolo de alfarroba com gelado.
Quanto aos vinhos, a lista está centrada no Alentejo e Douro, mas lamentavelmente parte dos vinhos não tem o ano de colheita. Os preços são de venda ao público, acrescendo 20 % (taxa de rolha) quando consumidos lá dentro. Vinhos a copo são 12 (2 espumantes, 5 tintos, 4 brancos e 1 rosé), a preços surpreendentemente em conta. Como mais valia deste espaço, qualquer vinho da carta pode ser consumido a copo, custando 1/4 do preço da garrafa, acrescido dos tais 20 %. É uma postura correcta que os clientes agradecem. Os copos são Schott e as temperaturas, dada a existência de armários térmicos, as correctas. Não tendo consumido vinho a copo reparei, no entanto, que ao meu lado a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Bebeu-se o branco Olho no Pé Grande Reserva 09 - proveniente de vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas de carvalho; côr dourada, ligeiro toque oxidativo, fruta madura, citrinos, acidez bem presente, madeira discreta, estrutura de boca e muito gastronómico. É pena o teor alcoólico (14 % vol), algo excessivo. Nota 17,5.
Este Descobre é um espaço polivalente, onde se pode comer, petiscar, provar e adquirir vinhos ou fazer compras de produtos gourmet, seja azeites, conservas, compotas, etc. Recomendo-o vivamente. À atenção do Miguel Pires, quando da 2ª edição do seu "Lisboa à Mesa".
domingo, 5 de agosto de 2012
Roubos e "distracções"
No condomínio onde resido, anda toda a gente num reboliço. Desde meados de Maio deste ano, já foram assaltadas 5 apartamentos. Segundo a polícia, trata-se de um gangue romeno, altamente treinado e profissional, que consegue calmamente entrar nas casas, sem forçar as portas, mesmo aquelas com trancas de alta segurança e consideradas invioláveis, até agora.
E a propósito disto, lembrei-me de alguns casos, relacionados com roubos e "distracções", que tivemos enquanto responsáveis das CAV. Vou, então, partilhar algumas pequenas histórias vividas por nós:
1.Tinha referenciado um sujeito, que só entrava na loja à hora do almoço e desde que tivesse apenas um de nós presente. Trazia sempre um casaco por cima das costas, uma espécie de kit de mãos livres. E, de vez em quando, lá desaparecia uma garrafita, quase sempre whisky. Imagino que não seria enófilo.
Um belo dia, à hora do almoço, estava eu sózinho nas CAV, entrou o dito sujeito. Fiquei de olho nele e disse, para mim, é hoje que apanho este fdp. Azar o meu, entra um cliente que me pergunta o preço de algo que estava numa montra atrás de mim, o que me obrigou a voltar as costas por um instante. Foi o suficiente. O sujeito desapareceu e, no lugar das garrafas de whiski, ficou uma clareira. Um grande FDP, mas também um grande profissional, na sua área. Mas, como ele percebeu que eu percebi, nunca mais voltou a pôr os pés nas CAV.
2.Quem frequentou as CAV, deve lembrar-se da existência de um saco de lona, com capacidade para 6 garrafas, tanto utilizado por nós como pelos próprios clientes. Servia para transporte dos vinhos das prateleiras até ao balcão, onde eram acondicionados e feito o respectivo pagamento.
Ora este saco foi, por 2 vezes, parar a casa de clientes. O que nos valeu, foi o visionamento das gravações das câmaras dos seguranças, instaladas no exterior da loja, mas que cobriam a respectiva porta.
Numa primeira vez, avistámos um grupo que esteve a fazer compras, mas que não identificámos por não serem clientes habituais. No entanto, lembrámo-nos que tinham sido acompanhados por alguém que conhecíamos bem e tinha sido formador daquele grupo. O saco foi recuperado e tudo acabou em bem. Tinha sido uma mera "distração"...
Na outra vez, identificámos claramente um cliente nosso, de quem sabiamos o nome, morada e telefone. Feito o contacto, deu uma justificação algo atabalhoada. Passados 2 ou 3 dias, um seu familiar foi á loja devolver-nos o saco de transporte. Quanto ao cliente, tal foi a vergonha, nunca mais apareceu nas CAV. Grande "distracção"!
3.Um domingo de manhã, uma altura sempre tranquila, estavam na loja um nosso cliente, bastante assíduo, por sinal, e um casal de estrangeiros, de meia idade e com bom aspecto. O que é certo é que, um bocado depois de terem saído e com a loja vazia, saltou-me à vista que 2 garrafas de Porto Vintage, por sinal bem caras, tinham voado, com preço e tudo. Teria sido o casal com bom aspecto? Teria sido o nosso cliente assíduo? O visionamento da gravação não foi conclusivo, de modo que ainda hoje vivo com essa dúvida. Apenas uma certeza, não foi nenhuma distracção, mas sim um roubo descarado!
E a propósito disto, lembrei-me de alguns casos, relacionados com roubos e "distracções", que tivemos enquanto responsáveis das CAV. Vou, então, partilhar algumas pequenas histórias vividas por nós:
1.Tinha referenciado um sujeito, que só entrava na loja à hora do almoço e desde que tivesse apenas um de nós presente. Trazia sempre um casaco por cima das costas, uma espécie de kit de mãos livres. E, de vez em quando, lá desaparecia uma garrafita, quase sempre whisky. Imagino que não seria enófilo.
Um belo dia, à hora do almoço, estava eu sózinho nas CAV, entrou o dito sujeito. Fiquei de olho nele e disse, para mim, é hoje que apanho este fdp. Azar o meu, entra um cliente que me pergunta o preço de algo que estava numa montra atrás de mim, o que me obrigou a voltar as costas por um instante. Foi o suficiente. O sujeito desapareceu e, no lugar das garrafas de whiski, ficou uma clareira. Um grande FDP, mas também um grande profissional, na sua área. Mas, como ele percebeu que eu percebi, nunca mais voltou a pôr os pés nas CAV.
2.Quem frequentou as CAV, deve lembrar-se da existência de um saco de lona, com capacidade para 6 garrafas, tanto utilizado por nós como pelos próprios clientes. Servia para transporte dos vinhos das prateleiras até ao balcão, onde eram acondicionados e feito o respectivo pagamento.
Ora este saco foi, por 2 vezes, parar a casa de clientes. O que nos valeu, foi o visionamento das gravações das câmaras dos seguranças, instaladas no exterior da loja, mas que cobriam a respectiva porta.
Numa primeira vez, avistámos um grupo que esteve a fazer compras, mas que não identificámos por não serem clientes habituais. No entanto, lembrámo-nos que tinham sido acompanhados por alguém que conhecíamos bem e tinha sido formador daquele grupo. O saco foi recuperado e tudo acabou em bem. Tinha sido uma mera "distração"...
Na outra vez, identificámos claramente um cliente nosso, de quem sabiamos o nome, morada e telefone. Feito o contacto, deu uma justificação algo atabalhoada. Passados 2 ou 3 dias, um seu familiar foi á loja devolver-nos o saco de transporte. Quanto ao cliente, tal foi a vergonha, nunca mais apareceu nas CAV. Grande "distracção"!
3.Um domingo de manhã, uma altura sempre tranquila, estavam na loja um nosso cliente, bastante assíduo, por sinal, e um casal de estrangeiros, de meia idade e com bom aspecto. O que é certo é que, um bocado depois de terem saído e com a loja vazia, saltou-me à vista que 2 garrafas de Porto Vintage, por sinal bem caras, tinham voado, com preço e tudo. Teria sido o casal com bom aspecto? Teria sido o nosso cliente assíduo? O visionamento da gravação não foi conclusivo, de modo que ainda hoje vivo com essa dúvida. Apenas uma certeza, não foi nenhuma distracção, mas sim um roubo descarado!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Vidago: o que ficou por dizer
Para além da minha referência à "Não-Garrafeira" do Vidago Palace (ver crónica "O meu não-assunto" de 14/7), há mais 2 pontos que importa divulgar.
O primeiro, foi a "descoberta" do restaurante Quinta dos Carvalhos (276907241/937220988), localizado no Vidago, o único recomendado pelo Palace. E merece bem a recomendação. Sala em estilo moderno, bem aparelhada, guardanapos de pano, uma parede totalmente envidraçada. Serviço profissional, bons copos, decantadores para utilizar nos vinhos que deles careçam. Não tem armários térmicos para controlar as temperaturas dos tintos, mas o dono, Carlos Ferreira de seu nome, tem sensibilidade suficiente para mergulhar a garrafa em água e gelo, quando necessário. Tudo isto dispõe bem e é meio caminho andado para dar nota muito positiva a este restaurante. E a comida? Excelente, no seu estilo tradicional ultramontano. Além das entradas e sobremesas, comeu-se bacalhau e naco de carne barrosã, ambos à moda da Quinta, em meias doses que dão para uma família inteira.
Carta de vinhos centrada no Douro e Alentejo, sem anos de colheita, uma falha desnecessária. Ausência de critérios nos preços, com alguns acessíveis e os mais badalados demenciais.
Bebeu-se um tinto de Trás-os-Montes, o Qtª Arcossó 2007 (13 €), da responsabilidade enológica do Francisco Montenegro (Aneto e Terrus, entre outros) - vinificado em lagar com pisa a pé, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês e americano; fruta ainda presente, algo rústico, acidez no ponto, taninos espigadotes e final longo. Nota 16,5.
Uma boa surpresa este restaurante, que recomendo a quem vá para aquelas bandas.
O segundo, a existência de um novo hotel no Vidago, a menos de 100 metros do Palace, que dá pelo sugestivo nome de Primavera Perfume Hotel. Uma óptima solução para quem não possa, por restrições orçamentais, ou não queira, ficar no Palace. Por metade do preço ou menos, tem á disposição um moderno, aromático e confortável hotel, com bons quartos, um restaurante de qualidade (com bons copos e serviço de vinho profissional) e piscina à disposição.
O primeiro, foi a "descoberta" do restaurante Quinta dos Carvalhos (276907241/937220988), localizado no Vidago, o único recomendado pelo Palace. E merece bem a recomendação. Sala em estilo moderno, bem aparelhada, guardanapos de pano, uma parede totalmente envidraçada. Serviço profissional, bons copos, decantadores para utilizar nos vinhos que deles careçam. Não tem armários térmicos para controlar as temperaturas dos tintos, mas o dono, Carlos Ferreira de seu nome, tem sensibilidade suficiente para mergulhar a garrafa em água e gelo, quando necessário. Tudo isto dispõe bem e é meio caminho andado para dar nota muito positiva a este restaurante. E a comida? Excelente, no seu estilo tradicional ultramontano. Além das entradas e sobremesas, comeu-se bacalhau e naco de carne barrosã, ambos à moda da Quinta, em meias doses que dão para uma família inteira.
Carta de vinhos centrada no Douro e Alentejo, sem anos de colheita, uma falha desnecessária. Ausência de critérios nos preços, com alguns acessíveis e os mais badalados demenciais.
Bebeu-se um tinto de Trás-os-Montes, o Qtª Arcossó 2007 (13 €), da responsabilidade enológica do Francisco Montenegro (Aneto e Terrus, entre outros) - vinificado em lagar com pisa a pé, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês e americano; fruta ainda presente, algo rústico, acidez no ponto, taninos espigadotes e final longo. Nota 16,5.
Uma boa surpresa este restaurante, que recomendo a quem vá para aquelas bandas.
O segundo, a existência de um novo hotel no Vidago, a menos de 100 metros do Palace, que dá pelo sugestivo nome de Primavera Perfume Hotel. Uma óptima solução para quem não possa, por restrições orçamentais, ou não queira, ficar no Palace. Por metade do preço ou menos, tem á disposição um moderno, aromático e confortável hotel, com bons quartos, um restaurante de qualidade (com bons copos e serviço de vinho profissional) e piscina à disposição.
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