domingo, 16 de setembro de 2012

Rescaldo da ida ao Norte (I)

A 1ª etapa desta incursão no Norte foi em Guimarães, Capital da Cultura 2012. Esta cidade, que não visitava há uns anos, está um brinco. Não querendo armar-me em guia turístico, recomendo, no entanto, que se visite o Paço dos Duques de Bragança, os jardins do Palácio de Vila Flor, o Parque da Cidade, a Plataforma das Artes (essencialmente para quem aprecie arte africana), o Bairro dos Couros e a Ilha do Sabão (praticamente desconhecidos, até pela gente da terra), o centro histórico (onde se pode poisar numa das esplanadas da Praça da Oliveira ou do Largo de São Tiago) e, ainda, o Parque da Penha, onde se chega de teleférico.
Quanto a restaurantes apenas tive a ocasião de conhecer o Histórico, Prós e Contras e Rolhas & Rótulos (este é mais wine bar). Pelo que constatei, em relação ao serviço de vinhos, esta cidade ainda tem muito para evoluir, não chegando a cumprir os mínimos nalguns destes espaços que, à partida,  seriam dos melhores. Imagino o que se passará nos mais modestos.
Começo pelo Histórico by Papaboa (Rua de Val Donas), instalado num palacete do século XVII e com um fabuloso pátio esplanada interior. Só pelo espaço este restaurante merece uma visita (tem uma série de salas e uma loja de vinhos com algumas raridades e velharias). O interior é confortável, com uma televisão ligada, embora sem som, mas que considero de mau gosto para aquele espaço algo requintado.
A aposta forte da casa é nos petiscos em doses generosas para partilhar. Comemos salada de migas de bacalhau, pataniscas do mesmo, gambas panadas (aldrabadas, digo eu) e alheira com grelos. Chegou e sobrou.
Quanto à lista de vinhos, tem algumas boas sugestões a preços acessíveis, mas sem anos de colheita. Os tintos são servidos à temperatura ambiente e a copo só o vinho da casa. Ó senhores da ViniPortugal, não podem dar uma mãozinha aqui? Bem precisam!
Bebeu-se o branco Adega Vila Real Reserva 2011, um vinho fresco e frutado, com alguma consistência dada pelo estágio em madeira. Uma aposta sempre segura.

sábado, 8 de setembro de 2012

Uma pausa no blogue

Durante a próxima semana, o blogue andará por terras do Norte. Espero que descubra por lá algo interessante para poder partilhar.

À descoberta do novo Terreiro do Paço (III)

Depois de ter travado conhecimento com o Populi e o Can the Can, foi agora a vez do Museu da Cerveja, que tem como sub-título "dos Países de Língua Oficial Portuguesa". No piso inferior está o restaurante propriamente dito, um espaço de alguma dimensão e bom gosto (obrigatório visitar as casas de banho), que se prolonga numa invejável e agradável esplanada. No piso superior desenvolve-se o museu, que mais adiante daremos pormenores. Mais: o fado está sempre presente, como música de fundo.
A ementa contempla uma dúzia de petiscos, para além de diversos pratos de peixe e meia dúzia de bifes, nada que especialmente se recomende. Comi um caldo verde saboroso e um petisco, em dose avantajada, de meia desfeita de bacalhau, sem entusiasmar.
A aposta forte, como não podia deixar de ser, é na cerveja. A respectiva carta contempla mais de 20 referências, sendo 3 as da casa (a que apelidam de museu), 3 angolanas e as restantes, diversas marcas nacionais. Em falta, estão as brasileiras e moçambicanas, a chegar a todo o momento, segundo me informaram.
Quanto a vinhos, como já esperava, a oferta está abaixo dos mínimos (1 branco, 2 tintos e 1 rosé). Zero a copo! Optei por beber uma cerveja Bohemia, servida numa espécie de copo duplo, a fim de conservar a temperatura durante mais tempo. O serviço, depois de um deslize inicial, foi eficiente e simpático.
Findo o repasto, aconselho que se visite o museu (os clientes são convidados da casa, enquanto que os visitantes que não abancaram pagam 3,50 €).
Está dividido em 4 áreas temáticas: 1.Dos primórdios ao início da produção industrial 2.A história dos produtores nacionais 3.A cerveja nos países de língua oficial portuguesa e 4.A adega monástica.
Pareceu-me bem organizado e com algumas referências históricas curiosas. Já nesses tempos recuados, eram notórias as queixas dos produtores de vinho contra o consumo da cerveja, a que alguém chamou "água choca"!
Uma delas, foi a queixa da Câmara de Lisboa ao rei D.Pedro II, em 6 de Julho de 1689. Rezava assim: "Grande ruina ameaça o vinho (...) se continuar o fabrico e venda de cerveja (...)".
Aconselha-se este espaço especialmente aos apreciadores de cerveja. Mas também aos outros, nem que seja para visitar o WC!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Petiscos em Lisboa (VII)

Mesmo ao lado do Sol e Pesca (R.Nova do Carvalho, ao Cais Sodré), abriu há pouco tempo mais um espaço de petisqueira. Chama-se Povo, tem uma ementa deveras original e comida, à base de petiscos, bem saborosa. Para além do Povo do dia (um prato diferente de 2ª a 6ª), a casa oferece os chamados Almoços do Povo, cada um deles composto por 3 petiscos, em porções mais que suficientes para ficarmos satifeitos. Tanto pode ser o Povo Operário (salada de favas e chouriço, pica-pau e bolo do caco com painho alentejano e queijo de Niza), que foi a minha opção, como o Povo Camponês, Marinheiro, Rico, Vaidoso ou Vegetariano, variando os preços de 8 a 14 € para doses individuais ou de 14,50 a 25 €, no caso de 2 pessoas escolherem a mesma ementa. Tem, ainda, 14 variedades de petiscos de 3,20 € a 10,20 € e 9 de tostas, pregos e bifanas. Muito por onde escolher, portanto.
Quanto a vinhos, a lista contempla 2 espumantes, 7 brancos, 8 tintos, 1 rosé, 1 Porto e 1 Madeira. Nenhuma datação e preços algo puxados para este tipo de espaço. A oferta a copo é praticamente inexistente (2 brancos e 2 tintos), uma incongruência para quem aposta na petisqueira.
Optei pelo Niepoort Ubunto!! 2008 (3,60 €, o que é um preço aceitável) - edição alusiva ao mundial de futebol na Africa do Sul; fruta preta, álcool muito evidente e algo rústico. Prejudicado pela temperatura a que foi servido. Nota 14,5.
Os copos são bons, a garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. A quantidade, servida a olho, foi generosa. O serviço, de um modo geral, foi eficiente e simpático.
É um espaço a recomendar, mas temos que estar atentos à temperatura do vinho escolhido.

domingo, 2 de setembro de 2012

O Pera-Manca, a OIV e nós

A Revista do Expresso, editada em 25 de Agosto e dedicada à década 1993/2002, incluiu a crónica habitual do João Paulo Martins, só que, desta vez, este crítico faz o balanço dos anos 90 e dá-nos conta da sua selecção da década, sendo um dos vinhos eleitos o tinto Pera-Manca 1998. Eu não sou, nem nunca fui, um fã do Pera-Manca. Embora sem o estatuto deste, acho muito mais interessante o Scala Coeli, uma aposta mais recente da Fundação Eugénio Almeida.
Mas a leitura da crónica do JPM, fez-me lembrar uma história passada connosco nas CAV e que teve, como figura central, o badalado Pera-Manca. É uma história que quero partilhar com os amigos e leitores deste blogue. Situamo-nos precisamente no ano de 1998. Foi neste ano que decorreu, no período de 22 a 26 de Junho, no Centro Cultural de Belém, o XXIII Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, organizado pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).
As CAV, estrategicamente situadas no CCB, onde iria decorrer o referido Congresso, com profissionais de todo o mundo vitivinícola, era um espaço apetecido pelos produtores e distribuidores que gostariam de ver os seus vinhos de referência nas prateleiras da nossa loja. Alguns dias antes do início do Congresso, as CAV foram objecto de visita dos citados produtores e distribuidores, que vinham confirmar "in loco", se os seus vinhos mais emblemáticos estavam ali bem visíveis. Uma das visitas foi dos responsáveis máximos da Fundação Eugénio Almeida, que ficaram deveras admirados e confusos quando não avistaram qualquer garrafa de Pera-Manca. Questionados sobre tão insólita situação, respondemos que não alinhávamos em especulações, pois os preços praticados pelas distribuidoras apontavam para aí. Proposta da FEA: e se nós lhes vendessemos directamente? E assim aconteceu. O Pera-Manca passou a ficar bem visível nas CAV e a um preço acessível, após termos chegado a um acordo quanto às condições de compra e venda, que respeitámos até à última garrafa..
Um final feliz para nós, para a FEA e para os congressistas que quiseram levar de Portugal um vinho emblemático.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

À descoberta do novo Terreiro do Paço (II)

Depois de, há cerca de 1 mês, ter falado sobre o Populi, a crónica de hoje é sobre o Can the Can, ali mesmo ao lado. É um espaço de grandes contrastes que ou se ama ou se odeia. Para quem goste de conservas de qualidade, como eu, o menú deste restaurante, muito original e imaginativo, vem mesmo ao nosso encontro. Para quem venha por engano, há sempre 1 prato de bacalhau e 1 bife.
O espaço é, todo ele, dedicado e inspirado nas nossas conservas. Logo à entrada, um enorme candeeiro de tecto, feito com dezenas de latas de conserva, paira sobre as nossas cabeças. No final, até a conta vem numa destas latas ! Já no início do repasto o pão veio em latas redondas, onde se pode ler "filetes de atum",  que pode ser molhado no azeite em lata posta em cima da mesa. Há, ainda, expositores dentro do restaurante e fora (na esplanada) com diversos tipos e marcas de conservas.
Voltando à ementa, constatamos haver 7 entradas (com base em anchovas, muxama, bacalhau, peixe espada preto, cavala alimada, truta fumada e, ainda, uma tábua de degustação das ditas), diversas tibornas, saladas e massas, onde a conserva é praticamente omnipresente. Já tinha anteriormente provado uma excelente salada de ventresca de atum com favinhas mas, desta vez, optei por carpaccio de beterraba com cavala fumada, não tão bem conseguida (a cavala dá só aquilo que pode dar e a mais não é obrigada).
Mas, onde este curioso projecto claudica é no sector dos vinhos. A lista é curta, desequilibrada e desinteressante, inclui 11 brancos, 5 tintos (zero Douro!), 2 rosés, 2 espumantes, 2 moscateis e 3 portos de baixa gama. Com excepção dos mais caros, os preços são exagerados e poderão afastar potenciais clientes.
A copo, apenas os da casa (JP branco e tinto a 3,60 €) e o Ninfa, também nas versões branco e tinto, a 5,80 €, um preço especulativo que não se entende. Bebi o JP branco (simples e correcto, mas sem deixar recordações), em copo generosamente servido, que não foi dado a provar nem sequer mostrada a garrafa.
Em conclusão, vale a pena a visita ao Can the Can pela ementa, lamentando-se que a componente vínica não acompanhe a gastronómica (já agora, senhores responsáveis pelo restaurante, não podem dar uma espreitadela ao vosso vizinho Populi?).
Nota final, as conservas podem ser aqui compradas, mas também no "Sol e Pesca" (R.Nova do Carvalho, ao Cais Sodré) ou na "Loja PortueZa da Baixa" (esquina da R.Fanqueiros com a R.Comércio).

domingo, 26 de agosto de 2012

Quadro de Honra de Vinhos Fortificados (III)

3. Moscatel de Setúbal
Comparado com os restantes fortificados, o Moscatel tem apenas 12 eleitos, pelo que publico a lista completa, para memória futura (incluo aqui o Bastardinho, com características semelhantes ao Moscatel e tratado do mesmo modo):
.com 19,5 - 3 (1952, Superior 1955 e Roxo 1960)
.com 19 - 2 (Roxo 1900 e Trilogia)
.com 18,5+ - 4 (1967, 1973, Roxo Superior 1971 e Superior 1962)
.com 18 - 3 (Roxo 20 Anos, Alambre 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)
A José Maria da Fonseca está de parabens, pois todos os eleitos são da sua produção.