quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Guia 2013 do João Paulo Martins (I)

1.Preliminares
Tenho a maior consideração e estima pelo JPM, identifico-me com o seu gosto e sou seu leitor desde o Guia 1995 (o 1º que publicou), ainda nem sequer sonhava que me iria profissionalizar. Prezo o seu trabalho, que chega a ser hercúleo, tantos são os vinhos que tem de provar num curto espaço de tempo.
Mas não há ninguém neste mundo do vinho que seja intocável. Apesar de fiel seguidor do JPM (tenho na minha casa todos os seus Guias, para além de outros livros por ele publicados), ficaria mal com a minha consciência se não referisse alguns aspectos do Guia de que discordo e que deveriam/poderiam ser alterados.
2.A questão da antiguidade
Na contra capa continua a afirmar-se que "Vinhos de Portugal, o mais antigo e prestigiado guia de vinhos do país, é publicado há 19 anos consecutivos e continua a ser a referência do sector vinícola, do consumidor e do bom apreciador.(...)". Eu concordo que seja o mais prestigiado, mais a mais que a concorrência foi ficando pelo caminho (João Afonso, Pedro Gomes, Rui Falcão,...), mas discordo frontalmente com a afirmação de que é o Guia mais antigo (é o chamado Guia da Comporta publicado em 1990). Ficaria correcto se a "o mais antigo" tivessem acrescentado "dos que se continuam a publicar", como já sugeri em crónica anterior. O seu a seu dono.
3.A questão do tamanho
Disse o JPM, creio que no Forum da RV, "(...) Como vai ver, o livro aumentou de tamanho, com mais 16 páginas(...) não sei onde isto vai parar (...)". O Guia, nesta edição vai com 653 páginas (e pesa 650 gramas!), quando começou com 291, em 2000 passou para 325, em 2005 para 342 e em 2010 para 419. Tem subido exponencialmente!
A ideia que se faz de um guia é que deve ser facilmente transportável e manuseável, logo não muito volumoso ou pesado. Ó JPM, tem que ser drástico e cortar nas gorduras. Os seus leitores vão comprando os seus Guias e não é necessário repetir notas de prova. Este Guia 2013 tem mais de 1000 notas de prova repetidas, o que representa cerca de 130 páginas. Se somar a isto 15 páginas de perguntas e respostas (b a bá para principiantes) e 17 de vinhos velhos ("(...) A variação de garrafa para garrafa aumenta com a idade (...) Caso esteja boa não quer isso dizer que todas estejam (...)", palavras do JPM).
E já vamos em 162 páginas de gorduras!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Jantar Quinta de Sant' Ana

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez em parceria com o Restaurante Tágide. Vista fabulosa sobre Lisboa, bons vinhos, gastronomia à altura, bons copos, temperaturas controladas e serviço profissional. O que se quer mais?
A Quinta de Sant' Ana fica em Gradil, encostada à Tapada de Mafra, num sítio improvável para grandes vinhos. Mas, no entanto, o trabalho de James Frost na viticultura e do António Maçanita na enologia deram fruto. A Quinta era pertença dos pais da Ann, de nacionalidade alemã, agora casada com o britânico James. Nela nasceram os vinhos que provámos no jantar de ontem, a saber:
.Qtª de Sant' Ana Riesling 2011 e Sauvignon Blanc 2011 - ambos austeros no nariz, frescos e elegantes, com uma acidez a prolongar-lhes a vida, mais mineral e citrino o Riesling, a pedir tempo de garrafa para se mostrar, mais estruturado e com uma componente de espargos bem evidente, o segundo. Notas 16 e 16,5. Acompanharam, respectivamente, uns tantos canapés e um tártaro de salmão.
.Q de Sant' Ana Pinot Noir 2010 - estagiou 14 meses em barricas usadas, côr não muito viva, alguma fruta, notas florais, fresco e harmonioso, taninos domesticados, estrutura e bom final de boca, em forma mais 7/8 anos; uma boa surpresa. Nota 17,5. Curiosamente este belo vinho foi desclassificado pelos burocratas da CVR Lisboa, por falta de côr (!?) e tipicidade, sendo considerado, à face da lei, um mero vinho de mesa. Haja paciência, para tanto dislate! Foi bebido com um folhado de cogumelos com faisão.
.Qtª de Sant' Ana Homenagem a Baron Gustav von Für Stenberg 2007 (o sogro) - com base nas castas Merlot e T.Nacional em partes iguais, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês - aroma vibrante, especiado, acidez equilibrada, taninos macios, profundidade e muito fino. Para beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17,5. Servido com bochechas de porco e migas de legumes.
.Qtª de Sant' Ana Colheita Tardia (lote de 2010 e 2011) - tem um perfil nada comum aos Colheita Tardia/Late Harvest a que estamos habituados; nariz pouco expressivo, notas de maçã assada e mel, acidez evidente e gordura inexistente. Uma agradável curiosidade. Acompanhou uma belíssima sobremesa de mil folhas de azevia.
Finalmente, foi pena que a sala não tivesse ficado, na sua totalidade, por conta do jantar vínico, pois os clientes normais eram, para o meu gosto, demasiado ruidosos.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Encontro com os Vinhos e Sabores (EVS) 2012

À semelhança dos anos anteriores, marquei presença no EVS, onde estive das 12 às 18 h de 2ª feira. Só que este ano a deslocação para o Centro de Congressos foi um sofrimento, graças à senhora Merkel. Com o trânsito altamente condicionado e uma notória falta de transportes colectivos, meti-me a caminho, a pé, só chegando ao meu destino 1 hora depois de ter saído de casa. Ainda por cima os polícias estavam descoordenados e debitaram-me 3 diferentes versões para o melhor acesso. Lá cheguei, mas reconheço que é preciso muita militância para enfrentar estas contrariedades e não ter desistido dos meus intentos.
Mas não me arrependo. Frequentar este evento é mesmo obrigatório para os enófilos, militantes ou não. 197 expositores de Vinhos, 26 de Sabores, 8 de Acessórios e 9 sessões de Provas Especiais é obra. Mais uma vez os meus parabéns à Revista de Vinhos. Aproveitei, como sempre, para matar saudades de inúmeros amigos e conhecidos, fossem produtores, enólogos, antigos clientes ou fornecedores. Perdoem-me a imodéstia, mas as palavras de apreço que ouvi encheram-me o ego e justificaram plenamente a minha ida ao EVS.
Como é fácil de entender só provei uma ínfima parte dos vinhos presentes, umas largas centenas. Mesmo assim, consegui degustar uns 50, que quase me anestesiaram a boca e o nariz. E ficaram uns tantos para trás, porque estavam mal colocados, como foi o caso da José Maria da Fonseca, entre outros. Depois de ter provado Madeiras, Portos e Moscatéis, é praticamente impossivel meter à boca vinhos de mesa/consumo.
Ficaram-me na memória (a ordem é aleatória) os brancos Qtª do Regueiro Blend (um lote dos Avarinhos de 2007, 2008, 2009 e 2010), Porta dos Cavaleiros 85 (grande surpresa), Vinha de Saturno 10, Nostalgia Alvarinho 11, Uniqo Sercial 09 (um vinho muito original produzido pela Companhia das Quintas em Bucelas), Tons de Duorum 11, Altas Quintas 10, Esporão Private Selection 11, Qtª do Pinto Grande Escolha 10, Scala Coeli 10 e Fonte do Ouro Encruzado 11, os tintos Pape 08, Qtª Monte d'Oiro Syrah 24 08, Vinha Saturno 09, Grandes Quintas Reserva 09, CV 10, Herdade das Servas Vinhas Velhas 09, Duorum Vinhas Velhas Reserva 09, Qtª da Casa Amarela Grande Reserva 09, PL/LR 08 (amostra), Altas Quintas Reserva-do 05, Qtª da Leda 09, Esporão Private Selection 08, Três Bagos Grande Escolha 08, Qtª Vale Meão 10, Borges 08 (Dão), Borges 09 (Douro), Kompassus Private Selection 09, Qtª dos Frades Vinhas Velhas 08 e Tributo 10 e, ainda, os fortificados Blandy Bual 69 (amostra), Graham's Colheita 69, Burmester 40 Anos, Calém Colheita 61, Noval Colheita 37 (sublime, ou não fosse o meu ano) e Alambre 20 Anos.
E, para o ano, há mais!  

domingo, 11 de novembro de 2012

Intenções

Depois de um fim de semana alargado em Tavira, tenciono:
.Ir amanhã ao EVS 2012, se a segurança da senhora Merkel não impedir que me desloque da zona do CCB, onde resido, até ao local do encontro.
.Actualizar o blogue, prevendo as seguintes crónicas sobre:
..Rescaldo da ida ao EVS
..Guia 2013 do João Paulo Martins (JPM)
..Almoço no novo UMAI
..Jantar de Vinhos Qtª de Santana

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Reclamar, sempre! (II)

Em 24/3/2012 publiquei uma crónica intitulada "Reclamar, sempre! (I)", sobre um conflito de consumo contra a empresa representante da marca Paul & Shark. Ajudado por um advogado amigo, consegui que fosse marcado julgamento em tribunal, que só não se efectivou porque o advogado da parte contrária entrou em contacto connosco, no sentido de apresentar uma solução que nos fosse favorável.
Na crónica de hoje, irei relatar um conflito com o Estado, o qual subiu até à Provedoria de Justiça que me deu inteira razão. Desde já autorizo a utilização do despacho do Provedor-Adjunto de Justiça, caso algum dos leitores deste blogue esteja a viver um caso semelhante.
Poderá parecer algo deslocadas estas crónicas, que nada têm a haver com vinhos, mas achei alguma pertinência na sua divulgação. Se forem úteis a alguém, fico satisfeito.
Passemos, então à cronologia dos factos:
1.No início de Março de 2010, recebi uma carta da SPET (Secção de Processo Executivo de Lisboa) do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, intimando-me a pagar um determinado montante, no prazo de 30 dias, referente a dívidas de uma empresa da qual nem sequer sabia da sua existência.
2.Reclamei via e-mail, sem qualquer resultado. O SPET exigia-me que apresentasse uma certidão da referida empresa. Em vez de a terem solicitado oficial e directamente, empurraram para mim a responsabilidade de provar a minha inocência.
3.Perante tal prova de força, desloquei-me à Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, onde obtive uma certidão da tal empresa, onde logicamente o meu nome não constava. Custou-me a certidão 19,50 €.
4.Todo este processo só foi possivel devido:
 a)À incompetência do Centro Distrital de Lisboa da S.S., ao não controlarem correctamente as dívidas da empresa em causa, nem identificarem os seus responsáveis, enviando as Certidões de Dívida para o SPET, sem qualquer controlo.
Deste facto apresentei em 27/5 reclamação escrita na Av. Afonso Costa.
b)À prepotência do SPET que, face às minhas reiteradas afirmações de inocência, não se deu ao incómodo de as averiguar.
Desta atitude também apresentei em 4/5 reclamação escrita na Praça de Londres.
5.Face à ausência de respostas válidas sobre as minhas reclamações, apresentei em 20/7, por escrito, um pedido de audiência ao Gabinete do Secretário de Estado da Segurança Social, que não se dignou a conceder-ma.
6.Após algumas insistências, em 29/11 recebi um e-mail do Departamento de Gestão da Dívida do IGFSS, o qual se limitava a "(...) lamentamos qualquer inconveniente pelo incómodo causado a V.Exª".
Quanto ao pedido de desculpas e ao ressarcimento do custo da certidão, por mim solicitados, silêncio total!
7.Em 10/2/2011, não tendo notícias nem das desculpas nem da devolução dos 19,50 €, decidi avançar com uma queixa junto da Provedoria de Justiça.
8.Em 19/10/2011, finalmente, recebi um ofício assinado pelo Provedor-Adjunto de Justiça, dando-me conhecimento do respectivo despacho enviado para o IGFSS que, a dada altura, refere "(...)No caso em apreço, a Administração demitiu-se claramente do dever de apurar e confirmar os factos alegados (...). Ao demitir-se desse dever, transferiu para o executado injustamente a necessidade de fazer prova de um facto negativo, com as inerentes dificuldades e encargos (...).
Mais, a dada altura do ofício enviado para mim, afirma "reconhecendo que não cabia a V.Exª obter a certidão comercial da empresa... e, nesse sentido, disponibilizando-se para ressarcir V.Exª do valor de € 19,50 (...)".
9.Embora não me tivesse sido feito um pedido formal de desculpas, o despacho referido é-me inteiramente favorável. Sei que, na altura, brindei com um dos frasqueiras da Blandy, mas não me lembro de qual.
Em conclusão: reclamar, sempre!

domingo, 4 de novembro de 2012

Petiscos em Lisboa (VIII)

Estive recentemete no Bar/Enoteca do Hotel Avenue (Av. Liberdade, 129), um espaço moderno onde se pode petiscar, beber um copo de vinho ou, mesmo, comprar uma garrafa. Um contra: a música demasiado alta. Era jazz que eu adoro. Mas, e se não gostasse?
A lista de vinhos é apresentada em suporte iPad (?), o que não dá para inventariar, com rigor, a respectiva oferta. Fiquei, no entanto, com a ideia que têm uma selecção criteriosa e uma boa quantidade de vinhos a copo. Mais: os copos são os apropriados, as temperaturas as adequadas (possuem armários térmicos) e os preços de acordo com aquele espaço, isto é, acima da média.
Bebi um copo do branco Churchill Estates 2011 (5,50 €) - frutado, alguma mineralidade, fresco, bom final de boca. Nota 16,5. Um senão: a garrafa é de rosca! Ó senhores produtores, então não devemos defender a rolha de cortiça? Lembro-me, a propósito, de nos tempos das CAV ter deixado de comprar o rosé da Churchill por idêntico motivo. E isto apesar da amizade que tínhamos com a responsável da área comercial/marketing.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e a quantidade, servida a olho, generosa. Serviço profissional e simpático.
Quanto a comeres escolhi alguns petiscos/entradas: peixinhos da horta com maionese de coentros (3 €), choquinhos em tempura com aioli de caril (4 €) e moelas de pato confitadas com cerveja, tomate e gindungo (6 €), servidas em boas doses. Ao almoço a oferta de petiscos/entradas é algo reduzida, o que não se compreende, pois ao jantar é praticamente o dobro.
Para terminar, uma nota simpática: a chefe Marlene Vieira veio à mesa para se inteirar se estava tudo ao meu gosto, o que raramente acontece noutros espaços de restauração.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Jantar Herdade dos Grous

Mais uma parceria da garrafeira Nectar das Avenidas com o restaurante As Colunas, desta vez com a Herdade dos Grous, que esteve representada pelo enólogo residente, Pedro Ribeiro, muito seguro a explicar as características de cada vinho. Estava acompanhado por um elemento da Prime Drinks, empresa distribuidora.
Os vinhos apresentados, todos com uma qualidade acima da média, foram:
.Colheita 2011 - com base nas castas Antão Vaz (50 %), Arinto e Roupeiro; nariz discreto, alguma fruta, notas florais, muito fresco, estrutura e final médios; um branco para todo o ano. Nota 16+. Ligou bem com os pastéis de massa tenra (excelentes!) e o requeijão de Seia.
.Reserva 2010 - a partir de Antão Vaz, Verdelho e Viognier, estagiou 6 a 8 meses em barricas novas de carvalho francês; mais complexo e aromático que o anterior, madeira bem casada com a fruta, boa acidez, alguma gordura, mas menos pesado do que as colheitas anteriores; claramente um branco de outono/inverno; dois reparos: o excesso de graduação alcoólica, 14,5 % vol (não havia necessidade...) e, por outro lado, a diferença de qualidade para o colheita não justifica a diferença de preço. Nota 16,5. Acompanhou uma massada de garoupa com gambas.
.Colheita tinto 2010 - com base  em Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet e T.Nacional, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, fruta vermelha, fresco, algo rústico, taninos bem presentes; para beber em novo. Nota 16.
.23 Barricas 2010 - vinificado apenas com T.Nacional e Syrah, estagiou 12 meses (?) em carvalho francês; mais complexo que o colheita, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, taninos presentes mas aveludados, bom final de boca; tem perfil para estar em forma mais meia dúzia de anos. Nota 17,5. Estes 2 tintos foram bem acompanhados por uma perna de porco preto no forno com grelos salteados.
.Reserva 2009 - a partir de Alicante Bouschet, Tinta Miúda e T. Nacional, esteve 16 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, notas de chocolate preto e couro, acidez no ponto, taninos ainda por domesticar; estrutura e final persistente; mais 2 reparos: teor alcoólico algo excessivo (15 % vol) e a diferença de qualidade para o 23 Barricas não justifica a diferença de preço. Nota 17,5+. Bebido a solo.
A sobremesa, que não apreciei, não teve companhia. Palpita-me que , com outra sobremesa (queijo, por exemplo), o reserva branco teria uma boa prestação.
Nota final: a Joana, mais uma vez, esteve incansável!