A convite do João Quintela, o mentor da idéia, tomei parte neste painel que contou também com a presença do Juca, Paula Costa, Raul Matos, Alfredo Penetra e João Chedas. O tema era percebermos qual das colheitas, 2004 ou 2005, estava em melhor forma. O João Quintela escolheu 3 pares (Pintas, Batuta e S de Soberanas) e acrescentou o Poeira 04, vencedor de outros painéis. A prova, rigorosamente cega, decorreu no restaurante As Colunas. O resultado final não foi, para mim, conclusivo. Talvez que, em próximas sessões, se possa chegar a um veredicto final incontestável.
As apreciações e notas atribuídas são inteiramente minhas e, nalguns casos, não coincidem rigorosamente com as do painel. Quando o confronto é com vinhos de um patamar muito elevado (a título de curiosidade, 5 destes foram Prémios de Excelência da RV, como foi o caso dos 2 Batuta, dos Pintas e do S 04) é natural que o gosto pessoal se imponha e leve a bonificar determinadas características de um vinho em prejuizo de outras.
Mas chega de conversa e vamos aos vinhos em confronto:
.Poeira 04 (levado pelo João Chedas) - aroma intenso, notas florais, taninos presentes civilizados, acidez, estrutura, final longo, todo ele equilibrado e elegante. O Douro no seu melhor! Ainda aguenta uns 5/6 anos em forma. Nota 18,5 (noutras situações 18+/18/18,5/18/18,5/17/18,5).
.S de Soberanas 04 (João Quintela) - nariz exuberante, fruta, especiado, notas achocolatadas, taninos aveludados, estrutura e final interminável; deveras gastronómico. A beber agora. Nota 18 (noutras 18+/17,5/17/16/17,5+/18,5/17,5+).
.S de Sobeanas 05 (Alfredo) - aroma intenso, notas florais, especiado, acidez no ponto, elegante, estruturado e final longo. Ainda longe da reforma. Nota 17,5+ (noutras 18/18+/17,5/18/17,5+/18,5/17,5).
.Pintas 04 (era meu) - nariz subtil, muito fino, notas florais, boa acidez, taninos domesticados, harmonioso e final longo. A beber durante mais 3/4 anos. Nota 17,5 (noutras 18+/17,5/18,5).
.Pintas 05 (Juca) - nariz fechado a abrir no decorrer da prova, fino e elegante, taninos ainda não domados, final longo. Aguenta bem mais 5/6 anos. Nota 17,5 (noutras 18/17,5/18,5/18+).
.Batuta 05 (Paula) - aroma pesado, notas achocolatadas, acidez discreta, taninos macios, final de boca médio, uma desilusão. A consumir desde já. Nota 16,5+ (noutras 18,5/18,5/18+/18,5).
.Batuta 04 (Raul) - notas vegetais, acidez no ponto, estrutura e final de boca médios; falta-lhe algo, outra desilusão. Nota 16,5 (noutras 17+/18,5/18/18+/17,5+).
Provámos ainda, mas agora com a garrafa à vista, um surpreendente Moscatel do Douro da zona de Favaios, com mais de 40 anos, sem rótulo. Uma simpática oferta do João Chedas.
A fechar e pago por todos, provámos um Verdelho 1913, ainda cheio de juventude.
Uma boa jornada, embora não conclusiva. Obrigado João Quintela, podes continuar!
domingo, 31 de março de 2013
sábado, 30 de março de 2013
No rescaldo do Lisboa Restaurantt Week (LRW)
Por 19 € + 1 € (este destinado a causas sociais), vale a pena participar neste evento para conhecer ou revisitar espaços de restauração interessantes. No passado aproveitei para ir ao Guarda Real (Hotel Real Palácio), Faz Figura, Casa da Comida, Estufa Real, Petra Rio, Papa Açorda, Bica do Sapato, Claro!, Vela Latina, Tágide e Colares Velho.
Nesta última edição do LRW, em março de 2013, visitei o Flores do Bairro (F), situado no Bairro Alto Hotel, e o Aura (A), o mais antigo dos restaurantes instalados no Terreiro do Paço.
1.A sala e o ambiente
Ambiente informal, algumas mesas pouco adequadas e assentos algo desconfortaveis no F.
Espaço mais requintado, mas algo pretensioso, presença de uma relações públicas cuja finalidade não entendi e música alta no A. Neste espaço presenciei algumas cenas caricatas, protagonizadas pelos turistas que estavam na esplanada e entravam no restaurante à procura das casas de banho. Um aspecto a corrigir.
2.O menú
No F provei trilogia de peixes, lascas de chambão, arroz de berbigão com chips de pampo e crumble de maçã com gelado de baunilha. Estava tudo muito bom. Nota alta para o chefe Vasco Lello.
No A optei por sopa à alentejana com bacalhau, asa de raia braseada com puré de batata e tarte folhada de maçã. No geral a comida estava boa, com excepção da raia, demasiado passada e algo seca. O responsável pelos tachos é o chefe Duarte Mathias.
3.Os vinhos
O F tem uma uma belíssima oferta de vinhos a copo, tendo eu contabilizado 4 champanhes, 1 espumante, 12 brancos, 12 tintos, 1 rosé e 4 Vinhos do Porto, mas a preços de hotel, ou seja, demasiado puxados.
Bebi Qtª de Camarate Seco 2011 (5,50 €) - frutado, notas fumadas, boa acidez, fresco, elegante e descomplexado. Cumpriu bem a sua função. Nota 16.
O A também tem uma boa oferta a copo e ganha claramente nos vinhos fortificados. Contabilizei 1 espumante, 8 brancos, 12 tintos, 1 rosé, 10 Portos e 3 Madeiras, a preços mais aceitáveis.
Consumi o Beira Quartz 2011 (3,50 €) - enologia do Rui Reboredo Madeira, garantia de qualidade nos brancos; fruta evidente nada enjoativa, bela acidez, elegante e harmonioso, alguma gordura, estrutura e final de boca; gastronónico; excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+.
4.O serviço
No F a garrafa veio à mesa e dado a provar. Foi servido por 2 vezes em "meias doses" para não aquecer no copo que, aliás, era de qualidade. É um pormenor simpático, embora de dificil controlo da quantidade servida. O serviço foi sempre eficiente e muito simpático. Não vislumbrei a figura de um chefe de sala, o que achei estranho num restaurante de hotel.
No A o serviço de vinhos é de luxo ou não estivesse lá o Armindo Saraiva, que veio do Assinatura. O vinho foi previamente provado por ele e só depois deu a provar, num bom copo e sempre com a garrafa à vista. Foi servida uma quantidade generosa.
O dono veio à mesa para saber se estava tudo a correr bem, o que foi uma mais valia.
5.Os preços e os postais
O F não cobrou nem a água nem o couver, o que deveria ser o procedimento correcto no âmbito do LRW. Mas, no entanto, não entregou os postais que até dizem "Leve este postal. Só assim assegura o seu contributo!". Esquecimento?
Já o A cobrou o couver (2,50 € por cabeça) e a água (3,20 € por garrafa de litro), mas entregou um postal por cada pessoa presente.
E lá para setembro ou outubro vai haver mais. Estejamos atentos!
Nesta última edição do LRW, em março de 2013, visitei o Flores do Bairro (F), situado no Bairro Alto Hotel, e o Aura (A), o mais antigo dos restaurantes instalados no Terreiro do Paço.
1.A sala e o ambiente
Ambiente informal, algumas mesas pouco adequadas e assentos algo desconfortaveis no F.
Espaço mais requintado, mas algo pretensioso, presença de uma relações públicas cuja finalidade não entendi e música alta no A. Neste espaço presenciei algumas cenas caricatas, protagonizadas pelos turistas que estavam na esplanada e entravam no restaurante à procura das casas de banho. Um aspecto a corrigir.
2.O menú
No F provei trilogia de peixes, lascas de chambão, arroz de berbigão com chips de pampo e crumble de maçã com gelado de baunilha. Estava tudo muito bom. Nota alta para o chefe Vasco Lello.
No A optei por sopa à alentejana com bacalhau, asa de raia braseada com puré de batata e tarte folhada de maçã. No geral a comida estava boa, com excepção da raia, demasiado passada e algo seca. O responsável pelos tachos é o chefe Duarte Mathias.
3.Os vinhos
O F tem uma uma belíssima oferta de vinhos a copo, tendo eu contabilizado 4 champanhes, 1 espumante, 12 brancos, 12 tintos, 1 rosé e 4 Vinhos do Porto, mas a preços de hotel, ou seja, demasiado puxados.
Bebi Qtª de Camarate Seco 2011 (5,50 €) - frutado, notas fumadas, boa acidez, fresco, elegante e descomplexado. Cumpriu bem a sua função. Nota 16.
O A também tem uma boa oferta a copo e ganha claramente nos vinhos fortificados. Contabilizei 1 espumante, 8 brancos, 12 tintos, 1 rosé, 10 Portos e 3 Madeiras, a preços mais aceitáveis.
Consumi o Beira Quartz 2011 (3,50 €) - enologia do Rui Reboredo Madeira, garantia de qualidade nos brancos; fruta evidente nada enjoativa, bela acidez, elegante e harmonioso, alguma gordura, estrutura e final de boca; gastronónico; excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+.
4.O serviço
No F a garrafa veio à mesa e dado a provar. Foi servido por 2 vezes em "meias doses" para não aquecer no copo que, aliás, era de qualidade. É um pormenor simpático, embora de dificil controlo da quantidade servida. O serviço foi sempre eficiente e muito simpático. Não vislumbrei a figura de um chefe de sala, o que achei estranho num restaurante de hotel.
No A o serviço de vinhos é de luxo ou não estivesse lá o Armindo Saraiva, que veio do Assinatura. O vinho foi previamente provado por ele e só depois deu a provar, num bom copo e sempre com a garrafa à vista. Foi servida uma quantidade generosa.
O dono veio à mesa para saber se estava tudo a correr bem, o que foi uma mais valia.
5.Os preços e os postais
O F não cobrou nem a água nem o couver, o que deveria ser o procedimento correcto no âmbito do LRW. Mas, no entanto, não entregou os postais que até dizem "Leve este postal. Só assim assegura o seu contributo!". Esquecimento?
Já o A cobrou o couver (2,50 € por cabeça) e a água (3,20 € por garrafa de litro), mas entregou um postal por cada pessoa presente.
E lá para setembro ou outubro vai haver mais. Estejamos atentos!
quinta-feira, 28 de março de 2013
Curtas (VI)
1.Garrafeiras
.Abriram há pouco tempo 2 novos espaços, a Garrafeira Dom Pedro (na Baixa de Lisboa), a apostar forte nos vinhos fortificados, com algumas raridades de peso, e a Garrafeira/Wine Bar Wine Spot (no Chiado), candidata ao prémio (se existisse) "A loja de vinhos mais bonita do país", com uma excelente selecção e possibilidade de beber uns tantos a copo.
.Por outro lado, a Garrafeira Vital em Tavira, já aqui referida no passado, foi absorvida pela cadeia Soares, tendo perdido a sua identidade. Uma pena...
2.Dicas para comer
.Caneca de Prata (na Rua da Prata, pois claro), com uma boa oferta de petiscos. Falha, como tantos outros espaços, nos vinhos. Uma pena...
.La Brasserie de l' Entrecôte (Praça de Touros, Campo Pequeno), cópia da que existe há muitos anos na Rua do Alecrim. É um espaço algo requintado, onde se pode comer de 2ª a 6ª, o Menú Executivo por 12,90 €, com direito a entrada, prato principal (entrecôte) e vinho a copo.
.A Noélia (em Cabanas) fez obras, passou a ser um espaço algo requintado, que não era, e com uma boa carta de vinhos, que não tinha. Barca Velha a 260 €, por exemplo. Só não se percebe porque perdeu o direito ao nome. Agora chama-se simplesmente Restaurante Jerónimo. Injustiças!
3.Júlia Vinagre
Fico satisfeito pela minha crónica de 9/3 "Morreu uma grande senhora", não ter caído em saco roto. Tem uma ligação para a crónica "Júlia Vinagre : uma grande senhora caída no esquecimento", publicada em 13/1/2012, que já alcançou o 2º lugar das crónicas mais lidas, desde sempre, crónica esta que nem sequer constava no Top 10, em 31/12/2012.
4.Aniversário do blogue
Discretamente e sem qualquer aparato, o enófilo militante comemorou o seu 3º aniversário no passado dia 9 de março. E a propósito dos Top 10, relativamente a 2012, ficou incluído em 2: a selecção do Aníbal Coutinho e um dos mais lidos (entre os blogues portugueses de vinhos, entenda-se) segundo um site norte americano.
É um incentivo para continuar!
.Abriram há pouco tempo 2 novos espaços, a Garrafeira Dom Pedro (na Baixa de Lisboa), a apostar forte nos vinhos fortificados, com algumas raridades de peso, e a Garrafeira/Wine Bar Wine Spot (no Chiado), candidata ao prémio (se existisse) "A loja de vinhos mais bonita do país", com uma excelente selecção e possibilidade de beber uns tantos a copo.
.Por outro lado, a Garrafeira Vital em Tavira, já aqui referida no passado, foi absorvida pela cadeia Soares, tendo perdido a sua identidade. Uma pena...
2.Dicas para comer
.Caneca de Prata (na Rua da Prata, pois claro), com uma boa oferta de petiscos. Falha, como tantos outros espaços, nos vinhos. Uma pena...
.La Brasserie de l' Entrecôte (Praça de Touros, Campo Pequeno), cópia da que existe há muitos anos na Rua do Alecrim. É um espaço algo requintado, onde se pode comer de 2ª a 6ª, o Menú Executivo por 12,90 €, com direito a entrada, prato principal (entrecôte) e vinho a copo.
.A Noélia (em Cabanas) fez obras, passou a ser um espaço algo requintado, que não era, e com uma boa carta de vinhos, que não tinha. Barca Velha a 260 €, por exemplo. Só não se percebe porque perdeu o direito ao nome. Agora chama-se simplesmente Restaurante Jerónimo. Injustiças!
3.Júlia Vinagre
Fico satisfeito pela minha crónica de 9/3 "Morreu uma grande senhora", não ter caído em saco roto. Tem uma ligação para a crónica "Júlia Vinagre : uma grande senhora caída no esquecimento", publicada em 13/1/2012, que já alcançou o 2º lugar das crónicas mais lidas, desde sempre, crónica esta que nem sequer constava no Top 10, em 31/12/2012.
4.Aniversário do blogue
Discretamente e sem qualquer aparato, o enófilo militante comemorou o seu 3º aniversário no passado dia 9 de março. E a propósito dos Top 10, relativamente a 2012, ficou incluído em 2: a selecção do Aníbal Coutinho e um dos mais lidos (entre os blogues portugueses de vinhos, entenda-se) segundo um site norte americano.
É um incentivo para continuar!
sábado, 23 de março de 2013
Peixe em Lisboa 2013
De 4 a 14 de Abril decorre o Peixe em Lisboa, no Pátio da Galé mais uma vez. É a grande oportunidade de se visitar uns tantos restaurantes, quase em simultâneo. A entrada num, o prato noutro e a sobremesa noutro ainda. Vão estar presentes : A Travessa, Assinatura, Cais da Pedra (o novo espaço do Sá Pessoa), GSpot, José Avillez, Spazio Buondi, Ribamar, Sea Me, Umai e Vitor Sobral.
A não perder, de todo!
A não perder, de todo!
sexta-feira, 22 de março de 2013
Jantar Luis Pato
Em boa hora a Garrafeira Néctar das Avenidas voltou ao Assinatura para mais uma parceria. Desta vez a figura central foi o Luis Pato, criador de vinhos, como se define, e mister Baga como o intitulam lá fora. Ele é um experimentador e traz sempre consigo coisas novas e nunca vistas. Foi também uma sessão pedagógica, ao permitir que se pudessem comparar as colheitas de 2001 e 2009.
No tempo em que fomos (o Juca e eu) os responsáveis das CAV, mantivémos com ele uma relação pessoal e profissional muito próxima. O Luis Pato, primeiro a solo e posteriormente na companhia da filha Filipa, esteve presente, por diversas vezes, em provas e jantares vínicos organizados por nós. Por outro lado, chegámos a levar a Óis do Bairro, um grupo de mais de 30 clientes, para visita e almoço na adega.
De nós, escreveram eles (pai e filha), na brochura comemorativa do nosso 10º aniversário :
"De Belém partiram as Caravelas.
De Belém partem hoje as novas dos vinhos portugueses.
Da Garrafeira das Coisas do Arco do Vinho, é claro."
Mas chega de intróito e vamos aos beberes e comeres provados no decorrer deste repasto.
.Espumante Maria Gomes método antigo 2012 - é um bruto natural com base na Maria Gomes, acrescida da Cercealinho; bolha fina, notas de pão acabado de cozer, muito fresco e elegante; pensado para acompanhar aperitivos. Nota 16,5.
.Maria Gomes 2012 - mais austero, notas florais, acidez equilibrada, final seco, gastronómico. Nota 15,5.
Acompanharam espadarte fumado com migas de espargos, tendo a ligação com o vinho tranquilo resultado melhor.
.Fernão Pires 2011 tinto - obtido a partir de 94% da casta Maria Gomes/Fernão Pires, a que se acrescentou 6% de películas tintas da casta Baga; algo enigmático e difícil de descrever; boa acidez, notas vegetais, muito soft, estrutura e final médios; uma curiosidade: um tinto de brancas, mas que nada acrescenta ao mundo dos tintos. Nota 15,5.
Foi acompanhado por bacalhau assado (ligeiramente salgado), com ervilhas, presunto e ovo, que se sobrepôs ao vinho.
.Vinhas Velhas 01 e 09 - frescura e juventude é o que os une; o 01 ainda longe da reforma e o 09 mais redondo e de perfil mais moderno; estrutura e final de boca médios. Notas 16,5 e 16, respectivamente.
Acompanharam bem leitão assado com arroz de pézinhos e cheróvias
.Vinha Pan 01 e 09 - em comum a exuberância, juventude, acidez, elegância e personalidade; taninos ainda por domar e perfil mais clássico no 01 e taninos aveludados e perfil mais moderno no 09; o 01 aguenta bem mais meia dúzia de anos e o 09 deve ser consumido daqui por mais 7/8 anos.
Tiveram por companhia veado com puré, pêra e sitarcas do Alentejo, para mim o ponto mais alto do jantar. Excelente!
.AM 2010 Rosado, ou seja um abafado molecular com base na casta Baga; frutado, fresco e deveras simples. Apenas uma curiosidade. Deveria ter sido servido mais frio.
Balanço final: menú ao nível do que o chefe Henrique Mouro e sua equipa já nos habituaram e serviço de vinhos, onde incluo os copos e temperaturas, eficiente e profissional. Uma grande jornada!
Por último:
.o grupo que estava na mesa do chefe era demasiado barulhento e, por vezes, perturbava quem estava concentrado nos vinhos e comida;
.faz falta uma ementa com os vinhos e pratos que vão ser servidos; basta imprimir o que está no computador, não custa nada.
No tempo em que fomos (o Juca e eu) os responsáveis das CAV, mantivémos com ele uma relação pessoal e profissional muito próxima. O Luis Pato, primeiro a solo e posteriormente na companhia da filha Filipa, esteve presente, por diversas vezes, em provas e jantares vínicos organizados por nós. Por outro lado, chegámos a levar a Óis do Bairro, um grupo de mais de 30 clientes, para visita e almoço na adega.
De nós, escreveram eles (pai e filha), na brochura comemorativa do nosso 10º aniversário :
"De Belém partiram as Caravelas.
De Belém partem hoje as novas dos vinhos portugueses.
Da Garrafeira das Coisas do Arco do Vinho, é claro."
Mas chega de intróito e vamos aos beberes e comeres provados no decorrer deste repasto.
.Espumante Maria Gomes método antigo 2012 - é um bruto natural com base na Maria Gomes, acrescida da Cercealinho; bolha fina, notas de pão acabado de cozer, muito fresco e elegante; pensado para acompanhar aperitivos. Nota 16,5.
.Maria Gomes 2012 - mais austero, notas florais, acidez equilibrada, final seco, gastronómico. Nota 15,5.
Acompanharam espadarte fumado com migas de espargos, tendo a ligação com o vinho tranquilo resultado melhor.
.Fernão Pires 2011 tinto - obtido a partir de 94% da casta Maria Gomes/Fernão Pires, a que se acrescentou 6% de películas tintas da casta Baga; algo enigmático e difícil de descrever; boa acidez, notas vegetais, muito soft, estrutura e final médios; uma curiosidade: um tinto de brancas, mas que nada acrescenta ao mundo dos tintos. Nota 15,5.
Foi acompanhado por bacalhau assado (ligeiramente salgado), com ervilhas, presunto e ovo, que se sobrepôs ao vinho.
.Vinhas Velhas 01 e 09 - frescura e juventude é o que os une; o 01 ainda longe da reforma e o 09 mais redondo e de perfil mais moderno; estrutura e final de boca médios. Notas 16,5 e 16, respectivamente.
Acompanharam bem leitão assado com arroz de pézinhos e cheróvias
.Vinha Pan 01 e 09 - em comum a exuberância, juventude, acidez, elegância e personalidade; taninos ainda por domar e perfil mais clássico no 01 e taninos aveludados e perfil mais moderno no 09; o 01 aguenta bem mais meia dúzia de anos e o 09 deve ser consumido daqui por mais 7/8 anos.
Tiveram por companhia veado com puré, pêra e sitarcas do Alentejo, para mim o ponto mais alto do jantar. Excelente!
.AM 2010 Rosado, ou seja um abafado molecular com base na casta Baga; frutado, fresco e deveras simples. Apenas uma curiosidade. Deveria ter sido servido mais frio.
Balanço final: menú ao nível do que o chefe Henrique Mouro e sua equipa já nos habituaram e serviço de vinhos, onde incluo os copos e temperaturas, eficiente e profissional. Uma grande jornada!
Por último:
.o grupo que estava na mesa do chefe era demasiado barulhento e, por vezes, perturbava quem estava concentrado nos vinhos e comida;
.faz falta uma ementa com os vinhos e pratos que vão ser servidos; basta imprimir o que está no computador, não custa nada.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Almoço na Taberna Moderna
Já há muito que tencionava conhecer este tão badalado espaço da Rua dos Bacalhoeiros. Aconteceu após uma recente visita à Fundação Saramago, na Casa dos Bicos, que, aliás, recomendo.
É um espaço amplo e luminoso, com uma pequena esplanada em cima do passeio. Mesas despojadas e guardanapos de papel, a condizer com o nome mas não com o ambiente. Música demasiado alta. O menú é deveras original, com base numa cozinha de fusão, inspirada em pratos da Galiza e do Alentejo. Aliás o dono e orientador da cozinha, Luis Carballo, é galego. Comi "salada de bacalhau com caviar de ouriços" e "arroz Portobello com farinheira" (um arroz cremoso com cogumelos), muito saborosos e bem confeccionados.
Quanto a vinhos, a carta é curta, as datações estão omissas e os preços, na generalidade, altos. Inventariei 12 tintos, 7 brancos e 2 rosés, dos quais apenas 2 brancos e 2 tintos a copo, o que é manifestamente insuficiente numa casa deste tipo. Para contra-balançar tem uma boa oferta de cervejas e uma excepcional escolha de gins, para quem apreciar.
Bebi, a copo:
.Vinha do Monte 12 (3,50 €) - servido gelado, não sabia a nada; pareceu-me muito simples e algo pesado. Nota 12,5.
.Montefino Edição Especial 08 (3,50 €) - servido a uma temperatura aceitável, mas não a ideal; acidez equilibrada, notas especiadas, alguma estrutura e bom final de boca. Nota 17.
Lamentavelmente, os vinhos vieram já servidos, embora em bons copos e numa boa quantidade. As garrafas só me foram mostradas, depois de ter mostrado o meu desagrado. É uma pena, pois come-se muito bem e as pessoas são deveras simpáticas (o dono veio à mesa mais de uma vez). Faço votos para que sejam corrigidas as falhas no serviço de vinhos!
É um espaço amplo e luminoso, com uma pequena esplanada em cima do passeio. Mesas despojadas e guardanapos de papel, a condizer com o nome mas não com o ambiente. Música demasiado alta. O menú é deveras original, com base numa cozinha de fusão, inspirada em pratos da Galiza e do Alentejo. Aliás o dono e orientador da cozinha, Luis Carballo, é galego. Comi "salada de bacalhau com caviar de ouriços" e "arroz Portobello com farinheira" (um arroz cremoso com cogumelos), muito saborosos e bem confeccionados.
Quanto a vinhos, a carta é curta, as datações estão omissas e os preços, na generalidade, altos. Inventariei 12 tintos, 7 brancos e 2 rosés, dos quais apenas 2 brancos e 2 tintos a copo, o que é manifestamente insuficiente numa casa deste tipo. Para contra-balançar tem uma boa oferta de cervejas e uma excepcional escolha de gins, para quem apreciar.
Bebi, a copo:
.Vinha do Monte 12 (3,50 €) - servido gelado, não sabia a nada; pareceu-me muito simples e algo pesado. Nota 12,5.
.Montefino Edição Especial 08 (3,50 €) - servido a uma temperatura aceitável, mas não a ideal; acidez equilibrada, notas especiadas, alguma estrutura e bom final de boca. Nota 17.
Lamentavelmente, os vinhos vieram já servidos, embora em bons copos e numa boa quantidade. As garrafas só me foram mostradas, depois de ter mostrado o meu desagrado. É uma pena, pois come-se muito bem e as pessoas são deveras simpáticas (o dono veio à mesa mais de uma vez). Faço votos para que sejam corrigidas as falhas no serviço de vinhos!
sexta-feira, 15 de março de 2013
Grupo dos 3 (28ª sessão)
Esta sessão foi com vinhos meus, sendo 1 branco e 2 tintos, todos da Niepoort, e, ainda, um Moscatel com quase 50 anos de vida.
Escolhi o restaurante Jacinto, habituado a fazer jantares vínicos. Era aqui que a Vinodivino, mais conhecida pela garrafeira das "meninas da Lapa", fazia os seus eventos. Considero que, neste espaço, o serviço de vinhos é quase luxuoso, desde os copos e decantadores da Riedel às temperaturas irrepreensiveis. Tem, ainda, uma mais valia, que é uma espécie de loja na cave, onde vendem os vinhos que constam na carta do restaurante e outras preciosidades. O grande responsável é, obviamente, o Luis Cardoso, o dono e animador do Jacinto.
Depois deste intróito, vamos aos beberes e comeres:
.Navazos 10 - um branco diferente, feito pelo Dirk na região de Málaga, com uvas da casta palomino; nariz fechado, carregado na côr, aparentando muito mais idade, boa acidez, frescura e secura final; é um branco algo controverso, muito afastado dos padrões a que estamos habituados. Nota 16.
Acompanhou uma tábua de queijos, presunto de vaca e um belo arroz de lingueirão com gambas.
.Omlet 07 - um Douro com a mão do Telmo Rodriguez; alguma exuberância olfactiva, acidez no ponto, taninos macios, estrutura e final longo. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
.Ultreia 08 - outro Douro, mas desta vez, com a participação do Raul Perez; mais austero no nariz, alguma fruta, notas especiadas, caril e tabaco, taninos mais evidentes, boa estrutura e final muito longo. Em forma mais 7/8 anos. Prémio Excelência 2012 da RV. Nota 18.
Estes 2 tintos tiveram por companhia empada de perdiz com boletos, talvez demasiada apurada, e um delicioso javali estufado com castanhas.
.Moscatel de Setúbal 20 Anos José Maria da Fonseca (engarrafado em 1986) - nariz e boca exuberantes, presença de citrinos com a tangerina a sobrepôr-se, notas de mel, alguma gordura, fresco, estruturado e final muito longo. O vinho do almoço. Nota 18,5.
Foi uma sessão muito didáctica. Os enófilos que se prezam deveriam conhecer este espaço. Obrigatório!
Nota final - o restaurante estava completamente cheio ao almoço e praticamente em todas as mesas se bebia vinho. A crise não passou por aqui...
Escolhi o restaurante Jacinto, habituado a fazer jantares vínicos. Era aqui que a Vinodivino, mais conhecida pela garrafeira das "meninas da Lapa", fazia os seus eventos. Considero que, neste espaço, o serviço de vinhos é quase luxuoso, desde os copos e decantadores da Riedel às temperaturas irrepreensiveis. Tem, ainda, uma mais valia, que é uma espécie de loja na cave, onde vendem os vinhos que constam na carta do restaurante e outras preciosidades. O grande responsável é, obviamente, o Luis Cardoso, o dono e animador do Jacinto.
Depois deste intróito, vamos aos beberes e comeres:
.Navazos 10 - um branco diferente, feito pelo Dirk na região de Málaga, com uvas da casta palomino; nariz fechado, carregado na côr, aparentando muito mais idade, boa acidez, frescura e secura final; é um branco algo controverso, muito afastado dos padrões a que estamos habituados. Nota 16.
Acompanhou uma tábua de queijos, presunto de vaca e um belo arroz de lingueirão com gambas.
.Omlet 07 - um Douro com a mão do Telmo Rodriguez; alguma exuberância olfactiva, acidez no ponto, taninos macios, estrutura e final longo. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
.Ultreia 08 - outro Douro, mas desta vez, com a participação do Raul Perez; mais austero no nariz, alguma fruta, notas especiadas, caril e tabaco, taninos mais evidentes, boa estrutura e final muito longo. Em forma mais 7/8 anos. Prémio Excelência 2012 da RV. Nota 18.
Estes 2 tintos tiveram por companhia empada de perdiz com boletos, talvez demasiada apurada, e um delicioso javali estufado com castanhas.
.Moscatel de Setúbal 20 Anos José Maria da Fonseca (engarrafado em 1986) - nariz e boca exuberantes, presença de citrinos com a tangerina a sobrepôr-se, notas de mel, alguma gordura, fresco, estruturado e final muito longo. O vinho do almoço. Nota 18,5.
Foi uma sessão muito didáctica. Os enófilos que se prezam deveriam conhecer este espaço. Obrigatório!
Nota final - o restaurante estava completamente cheio ao almoço e praticamente em todas as mesas se bebia vinho. A crise não passou por aqui...
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