Desta vez não foram as "dicas" da TimeOut que me fizeram procurar o Honorato, mas sim a crónica do Luis Antunes, publicada na Revista de Vinhos de Maio 2013. Concordo que a oferta de hambúrgueres é de muita qualidade, extensa e a preços imbatíveis, mas quanto aos outros parâmetros (ambiente, serviço de vinhos, etc) é de fugir. Aliás, este espaço, semi-clandestino, deveria ter à entrada um letreiro a dizer "reservado a menores de 35 anos".
Vamos, então, aos prós:
.oferta alargada de hambúrgures artesanais (14), a saber: X-Burguer, X-Salada, X-Bacon, X-Egg, X-Tudo, Honorato, Picanha, Cap. Fausto, Gorgonzola, Falcão, Pimenta, Vegetariano, Mostarda e Troika, em versão normal e mini.
.preços imbatíveis, variando os normais entre 4,50 e 7,95 € e os mini de 2,40 a 4,10 €
E aos contras:
.a entrada para este espaço não está identificada (se não tivesse levado a morada, não tinha dado com o Honorato, que fica na Rua da Palmeira, 33, próximo da Praça das Flores)
.ambiente mais apropriado ao pessoal da noite, com a música aos berros que não baixaram, mesmo a pedido
.atmosfera demasiado quente, alternando com uma temperatura gélida sempre que ligavam o ar condicionado
.mesas completamente despojadas, sendo necessário pedir o talher
.serviço de vinhos de fraca qualidade, tendo vindo o copo de branco, por mim solicitado, já servido (só à saída, consegui perceber o que tinha bebido
O hambúrguer solicitado foi o "Pimenta", em versão normal (6,30 €), francamente bom. Acompanhei-o com o branco da casa, o único disponível a copo - frutado, fresco e elegante, com alguma untuosidade, o que lhe permitiu aguentar-se com a comida. Tratava-se do Casa Santa Vitória Reserva 2012 e custou 2,00 €. Bom e barato!
Resta dizer que as 2 salas estavam lotadas e havia pessoas à espera de mesa. Muita juventude e barulho de sobra. Consta que o Honorato se vai espalhar por outros locais. Faço votos para que não se esqueçam dos maiores de 35 anos!
sábado, 20 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
À Margem : uma esplanada com vinho a copo
Esta belíssima esplanada, paredes meias com o Hotel Altis Belém e a meia dúzia de metros do rio Tejo, já foi aqui referida na crónica "Almoço n' A Margem", publicada em 4/8/2010, praticamente no arranque do Enófilo Militante. Na altura, para além de alguns merecidos elogios, critiquei a omissão dos anos de colheita dos vinhos mencionados na respectiva carta. Mais a mais, a carta era, e ainda é, da responsabilidade da garrafeira-bar Os Goliardos, sediada na Rua da Mãe d' Água e a uma distância provocatória do bar do João Paulo Martins. Constatei agora, com satisfação, que essa lacuna já foi resolvida.
A carta, embora curta, é interessante e possibilita beber a copo todos os vinhos ali constantes. Inventariei 1 espumante, 5 brancos (preços de 4 a 5,20 €), 5 tintos (3,70 a 5,20), 1 rosé (3,70), 3 Porto (3,80 a 5,20), 1 Moscatel Roxo (5,00), 1 Madeira 10 Anos (6,00) e 1 Colheita Tardia (4,00), todos datados, como já disse, e com informação alargada sobre as características de cada vinho.
Para comer, pode-se escolher entre 11 petiscos e 16 ofertas de tostas, sandes e saladas, mais do que suficiente para uma refeição leve.
Escolhi o Terras de Tavares Encruzado 2008 (4,20 €) - alguma evolução, ligeira oxidação, fruta madura, acidez fabulosa, untuosidade, final longo. Uma boa surpresa e um vinho cheio de personalidade. Nota 17,5.
Fez um bom casamento com uma salada de rosbife.
A garrafa veio à mesa, o vinho não foi dado a provar (será sempre assim ou foi distração?) e foi servido num copo adequado e marcado com 14 cl.
Recomendo este espaço, sem qualquer hesitação. Será, talvez, a melhor esplanada de Lisboa!
A carta, embora curta, é interessante e possibilita beber a copo todos os vinhos ali constantes. Inventariei 1 espumante, 5 brancos (preços de 4 a 5,20 €), 5 tintos (3,70 a 5,20), 1 rosé (3,70), 3 Porto (3,80 a 5,20), 1 Moscatel Roxo (5,00), 1 Madeira 10 Anos (6,00) e 1 Colheita Tardia (4,00), todos datados, como já disse, e com informação alargada sobre as características de cada vinho.
Para comer, pode-se escolher entre 11 petiscos e 16 ofertas de tostas, sandes e saladas, mais do que suficiente para uma refeição leve.
Escolhi o Terras de Tavares Encruzado 2008 (4,20 €) - alguma evolução, ligeira oxidação, fruta madura, acidez fabulosa, untuosidade, final longo. Uma boa surpresa e um vinho cheio de personalidade. Nota 17,5.
Fez um bom casamento com uma salada de rosbife.
A garrafa veio à mesa, o vinho não foi dado a provar (será sempre assim ou foi distração?) e foi servido num copo adequado e marcado com 14 cl.
Recomendo este espaço, sem qualquer hesitação. Será, talvez, a melhor esplanada de Lisboa!
terça-feira, 16 de julho de 2013
Novo Formato+ (12ª sessão)
Mais uma sessão deste grupo de convívio e prova de vinhos. Foi a vez do João Quintela e da Paula Costa oferecerem o almoço e disponibilizarem os vinhos, que foram provados às cegas como é habitual.
O João partilhou connosco 1 colheita tardia, 2 brancos, 4 tintos e 1 fortificado, que se portaram à altura do momento. Surpresa foi a prestação dos 2 tintos do Esporão, a aguentarem muito bem a idade (praticamente 18 anos) e a comprovarem que no Alentejo também se pode envelhecer dignamente.
Desfilaram:
.Gramona Gerwurztraminer Collecció 2009 (Penedès) - nariz discreto, agradável na boca, alguma untuosidade, acidez pouco presente a prejudicar o conjunto. Serviu perfeitamente como vinho de boas vindas. Nota 15,5.
.Frore de Carme Albariño 2006 (Rias Baixas) - aroma contido, , mineral, notas vegetais (espargos?), fresco, alguma gordura, bom final; gastronómico. Nota 17.
Acompanhou bem uma série de conservas (sardinha, cavala, enguia...).
.Olho no Pé Grande Reserva 2008 - evoluido, ligeira oxidação, fruta madura, frescura, notas amanteigadas, madeira ainda presente, estrutura e final longo; claramente um branco vocacionado para o outono/inverno. Nota 17,5.
Servido com uma salada de peixe.
.Esporão Trincadeira e Esporão Aragonês 1995 - côr atijolada, grande frescura, acidez equilibrada, especiados, taninos de veludo, maior complexidade e persistência no Aragonês. Notas 17+ e 17,5+ respectivamente.
Maridaram muito bem com salada de coelho em molho vilão.
.Pó de Poeira 2009 - ainda com muita fruta, acidez q.b., taninos por amaciar, final longo; vinho ainda em construção. Nota 17.
.Qtª da Leda 2008 - nariz exuberante, frutado, acentuada frescura, notas de chocolate e tabaco, profundidade, final de boca muito longo; precisa de tempo de garrafa, melhor daqui a 4/5 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos acompanharam bem um teclado com um belíssimo arroz de coentros.
.Qtª do Noval Colheita 1974 (engarrafado em 2001) - frutos secos, figos em passa, iodo, alguma gordura e acidez, volume de boca e final muito longo. Um belo vinho de um ano emblemático. Nota 18.
Mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado João! Obrigado Paula!
O João partilhou connosco 1 colheita tardia, 2 brancos, 4 tintos e 1 fortificado, que se portaram à altura do momento. Surpresa foi a prestação dos 2 tintos do Esporão, a aguentarem muito bem a idade (praticamente 18 anos) e a comprovarem que no Alentejo também se pode envelhecer dignamente.
Desfilaram:
.Gramona Gerwurztraminer Collecció 2009 (Penedès) - nariz discreto, agradável na boca, alguma untuosidade, acidez pouco presente a prejudicar o conjunto. Serviu perfeitamente como vinho de boas vindas. Nota 15,5.
.Frore de Carme Albariño 2006 (Rias Baixas) - aroma contido, , mineral, notas vegetais (espargos?), fresco, alguma gordura, bom final; gastronómico. Nota 17.
Acompanhou bem uma série de conservas (sardinha, cavala, enguia...).
.Olho no Pé Grande Reserva 2008 - evoluido, ligeira oxidação, fruta madura, frescura, notas amanteigadas, madeira ainda presente, estrutura e final longo; claramente um branco vocacionado para o outono/inverno. Nota 17,5.
Servido com uma salada de peixe.
.Esporão Trincadeira e Esporão Aragonês 1995 - côr atijolada, grande frescura, acidez equilibrada, especiados, taninos de veludo, maior complexidade e persistência no Aragonês. Notas 17+ e 17,5+ respectivamente.
Maridaram muito bem com salada de coelho em molho vilão.
.Pó de Poeira 2009 - ainda com muita fruta, acidez q.b., taninos por amaciar, final longo; vinho ainda em construção. Nota 17.
.Qtª da Leda 2008 - nariz exuberante, frutado, acentuada frescura, notas de chocolate e tabaco, profundidade, final de boca muito longo; precisa de tempo de garrafa, melhor daqui a 4/5 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos acompanharam bem um teclado com um belíssimo arroz de coentros.
.Qtª do Noval Colheita 1974 (engarrafado em 2001) - frutos secos, figos em passa, iodo, alguma gordura e acidez, volume de boca e final muito longo. Um belo vinho de um ano emblemático. Nota 18.
Mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado João! Obrigado Paula!
sábado, 6 de julho de 2013
O blogue vai de férias
Durante algum tempo não vai haver crónicas para ninguém. Fica por publicar mais uma sessão do grupo Novo Formato e uns apontamentos sobre a esplanada "À Margem" e o boteco "Honorato".
Os vinhos e os anos do Raul (versão 2013)
O Raul Matos, já aqui citado por diversas ocasiões (ver a última crónica "Os anos do Raul", publicada em 7/7/2012), juntou recentemente 12 amigos, quase todos enófilos da linha dura, com quem partilhou, às cegas, 7 tintos em versão magnum (sendo 3 monovarietais Baga e 4 Douro, todos da colheita 2005, a portarem-se muito bem) e 3 tawnies, aproveitando para comemorar, por antecipação, o seu aniversário. Ou vice-versa.
O repasto foi no restaurante As Colunas e talvez tivesse sido a minha melhor refeição naquele espaço.
Passando ao lado dos espumantes (foram servidos 2 com alguns aperitivos), desfilaram, pela ordem de chegada à mesa:
.Vinha Barrosa - aroma intenso, notas florais, elegante, fresco e equilibrado, taninos domesticados, estrutura e final longo. Ainda longe da reforma, aguenta mais 7/8 anos. O Luis Pato no seu melhor. Nota 18 (noutras situações 18,5/17,5).
.Qtª das Bageiras Garrafeira - nariz contido, notas vegetais, alguma adstringência, boa acidez, profundidade, mas pouco harmonioso (ainda em construção?); alguma irregularidade na sua evolução. Nota 17+ (noutras 15/17/16,5/18,5/18+).
.Qtª da Pellada - média intensidade, notas de lagar, acidez equilibrada, final extenso e algo adocicado; também a acusar alguma irregularidade. Não terá muitos mais anos à sua frente. Nota 17 (noutras 18/16,5/17,5+/15,5/18).
Fez companhia a estes Bagas, um belíssimo bacalhau com grelos.
.Pintas - notas florais, elegante e fresco, acidez equilibrada, taninos dóceis, profundidade, aguenta bem mais 3/4 anos; sem acentuadas oscilações. Nota 17,5+ (noutras 18/17,5/18,5/18+/17,5).
.Qtª do Crasto T.Nacional - nariz exuberante, notas florais, especiado, algum chocolate preto, acidez evidente, madeira de luxo, boca poderosa, final longo; no seu apogeu, mas a beber com prazer mais 5/6 anos. O Douro no seu melhor! Nota 19 (noutra 18,5).
.Batuta - alguma fruta, notas vegetais, acidez equilibrada, estrutura e final médios; a sua melhor altura já passou, a consumir de imediato. Desiludiu. Nota 17+ (noutras 18,5/18,5/18+/18,5/16,5+).
.Qtª do Vale Meão - nariz exuberante, fresco e elegante, madeira discreta, taninos macios, volume de boca e final longo. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18 (noutra 18,5).
Estes 4 tintos acompanharam bem um naco de vitela barrosã com puré de batata e grelos.
.Manuel Almeida Martins (?) garrafeira particular Vinho Velho 1970 - taninos macios, demasiado doce, a roçar o enjoativo. Uma carta fora do baralho. Nota 14.
.Burmester Colheita 1955 (engarrafado em 1990) - frutos secos, notas de caril e iodo, vinagrinho, boca potente e final muito longo. Já tenho lido opiniões que se deve escolher sempre os engarrafamentos mais recentes, mas, neste caso, é perfeitamente indiferente. É de uma regularidade impressionante! Nota 19 (noutras 19 com data de engarrafamento que não recordo/19 eng em 2010/ 19 eng em 2004).
.Burmester Tordiz Ultra Reserva (é um 40 anos, desconhecendo-se a data de engarrafamento, mas que suponho ser muito antiga, a avaliar pelo rótulo) - notas de iodo e caril, alguma estrutura e bom final de boca, mas a precisar de mais acidez para equilibrar o conjunto. Nota 17,5.
Estes 3 fortificados foram bem com uma tarte de amêndoa e ouriços da Ericeira.
Mais uma grande jornada com vinhos do Raul que gosta de os partilhar com os amigos. Obrigado pelo convite!
O repasto foi no restaurante As Colunas e talvez tivesse sido a minha melhor refeição naquele espaço.
Passando ao lado dos espumantes (foram servidos 2 com alguns aperitivos), desfilaram, pela ordem de chegada à mesa:
.Vinha Barrosa - aroma intenso, notas florais, elegante, fresco e equilibrado, taninos domesticados, estrutura e final longo. Ainda longe da reforma, aguenta mais 7/8 anos. O Luis Pato no seu melhor. Nota 18 (noutras situações 18,5/17,5).
.Qtª das Bageiras Garrafeira - nariz contido, notas vegetais, alguma adstringência, boa acidez, profundidade, mas pouco harmonioso (ainda em construção?); alguma irregularidade na sua evolução. Nota 17+ (noutras 15/17/16,5/18,5/18+).
.Qtª da Pellada - média intensidade, notas de lagar, acidez equilibrada, final extenso e algo adocicado; também a acusar alguma irregularidade. Não terá muitos mais anos à sua frente. Nota 17 (noutras 18/16,5/17,5+/15,5/18).
Fez companhia a estes Bagas, um belíssimo bacalhau com grelos.
.Pintas - notas florais, elegante e fresco, acidez equilibrada, taninos dóceis, profundidade, aguenta bem mais 3/4 anos; sem acentuadas oscilações. Nota 17,5+ (noutras 18/17,5/18,5/18+/17,5).
.Qtª do Crasto T.Nacional - nariz exuberante, notas florais, especiado, algum chocolate preto, acidez evidente, madeira de luxo, boca poderosa, final longo; no seu apogeu, mas a beber com prazer mais 5/6 anos. O Douro no seu melhor! Nota 19 (noutra 18,5).
.Batuta - alguma fruta, notas vegetais, acidez equilibrada, estrutura e final médios; a sua melhor altura já passou, a consumir de imediato. Desiludiu. Nota 17+ (noutras 18,5/18,5/18+/18,5/16,5+).
.Qtª do Vale Meão - nariz exuberante, fresco e elegante, madeira discreta, taninos macios, volume de boca e final longo. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18 (noutra 18,5).
Estes 4 tintos acompanharam bem um naco de vitela barrosã com puré de batata e grelos.
.Manuel Almeida Martins (?) garrafeira particular Vinho Velho 1970 - taninos macios, demasiado doce, a roçar o enjoativo. Uma carta fora do baralho. Nota 14.
.Burmester Colheita 1955 (engarrafado em 1990) - frutos secos, notas de caril e iodo, vinagrinho, boca potente e final muito longo. Já tenho lido opiniões que se deve escolher sempre os engarrafamentos mais recentes, mas, neste caso, é perfeitamente indiferente. É de uma regularidade impressionante! Nota 19 (noutras 19 com data de engarrafamento que não recordo/19 eng em 2010/ 19 eng em 2004).
.Burmester Tordiz Ultra Reserva (é um 40 anos, desconhecendo-se a data de engarrafamento, mas que suponho ser muito antiga, a avaliar pelo rótulo) - notas de iodo e caril, alguma estrutura e bom final de boca, mas a precisar de mais acidez para equilibrar o conjunto. Nota 17,5.
Estes 3 fortificados foram bem com uma tarte de amêndoa e ouriços da Ericeira.
Mais uma grande jornada com vinhos do Raul que gosta de os partilhar com os amigos. Obrigado pelo convite!
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Novos vinhos da Casa da Passarela
Os novos vinhos da Casa da Passarela foram apresentados no decorrer de um jantar organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em parceria com o Real Palácio Hotel. Não é a primeira vez que provei os vinhos da Passarela. Já em finais do ano passado participei num jantar vínico, igualmente organizado pelo João Quintela , mas, dessa vez, em parceria com As Colunas (ver crónica "Jantar Casa da Passarela", publicada em 5/12/2012).
Os novos vinhos, apresentados pelo enólogo Paulo Nunes, contam histórias que podem ser lidas nos respectivos contra-rótulos e têm nomes tão sugestivos como "O Brazileiro" (rosé), "A Descoberta" (branco e tinto) e "O Enólogo" (branco e tinto).
A ementa, a cargo do chefe Ricardo Mourão (já aqui mencionado na crónica "Lisboa Restaurant Week: a confirmação e a surpresa", em 11/4/2011), com base no bacalhau, voltou a surpreender pela positiva, excepção feita ao atrevimento da sobremesa, que não resultou de todo.
Vamos, então, às novidades apresentadas:
.O Brazileiro 2012 - com base na Touriga Nacional e Tinta Roriz estagiou em barrica (20%); simples e imediato, fresco e mineral. Nota 15,5.
Acompanhou uma série de canapés de qualidade.
.A Descoberta 2012 branco - composto por Encruzado, Malvasia (45% de cada) e Verdelho (10%); nariz exuberante, presença de citrinos, fresco e mineral, notas vegetais, alguma untuosidade e bom final; bom preço (5 €) para a qualidade apresentada. Nota 16,5.
.O Enólogo 2012 branco - monovarietal de Encruzado, estagiando em barricas novas de carvalho francês (25%); nariz contido, mais complexo na boca, precisa de tempo de garrafa para se mostrar, acidez equilibrada, estrutura e bom final; melhorou quando a temperatura subiu no copo. Boa relação preço/qualidade (11 €). Nota 17.
Os brancos fizeram boa companhia a creme de bacalhau com saladinha fresca de marisco.
.A Descoberta 2010 tinto - com base na Tinta Roriz (casta maioritária), T.Nacional, Alfrocheiro e Jaen; juventude, muita fruta, acidez equilibrada, alguma rusticidade, estrutura e final médios. Nota 16.
.O Enólogo Vinhas Velhas 2009 tinto - complexidade aromática, especiado, notas de tabaco e chocolate, boa acidez, madeira fina, boca potente, mas com taninos macios e final muito longo; perfil moderno. Nota 18.
Os tintos maridaram com um lombo de bacalhau meia cura com grelos e batata ao sal.
No final foram servidos os Villa Oliveira 2011 Encruzado e 2009 T.Nacional, já apresentados anteriormente no jantar de dezembro 2012, que acompanharam as sobremesas.
O crepe de gelado de bacalhau e espuma de poejo não funcionou e o queijo de cabra caramelizado com telha crocante, que estava francamente bom, ligou muito bem com o Encruzado e pouco com o Touriga.
Uma nota final, a diferença de qualidade entre a linha O Enólogo e a Villa Oliveira, que é mínima, não justifica a diferença de preço. Os Villa Oliveira custam praticamente o dobro dos O Enólogo, o que não se entende. À reflexão dos responsáveis.
Em conclusão, mais uma boa jornada. Obrigado, João!
Os novos vinhos, apresentados pelo enólogo Paulo Nunes, contam histórias que podem ser lidas nos respectivos contra-rótulos e têm nomes tão sugestivos como "O Brazileiro" (rosé), "A Descoberta" (branco e tinto) e "O Enólogo" (branco e tinto).
A ementa, a cargo do chefe Ricardo Mourão (já aqui mencionado na crónica "Lisboa Restaurant Week: a confirmação e a surpresa", em 11/4/2011), com base no bacalhau, voltou a surpreender pela positiva, excepção feita ao atrevimento da sobremesa, que não resultou de todo.
Vamos, então, às novidades apresentadas:
.O Brazileiro 2012 - com base na Touriga Nacional e Tinta Roriz estagiou em barrica (20%); simples e imediato, fresco e mineral. Nota 15,5.
Acompanhou uma série de canapés de qualidade.
.A Descoberta 2012 branco - composto por Encruzado, Malvasia (45% de cada) e Verdelho (10%); nariz exuberante, presença de citrinos, fresco e mineral, notas vegetais, alguma untuosidade e bom final; bom preço (5 €) para a qualidade apresentada. Nota 16,5.
.O Enólogo 2012 branco - monovarietal de Encruzado, estagiando em barricas novas de carvalho francês (25%); nariz contido, mais complexo na boca, precisa de tempo de garrafa para se mostrar, acidez equilibrada, estrutura e bom final; melhorou quando a temperatura subiu no copo. Boa relação preço/qualidade (11 €). Nota 17.
Os brancos fizeram boa companhia a creme de bacalhau com saladinha fresca de marisco.
.A Descoberta 2010 tinto - com base na Tinta Roriz (casta maioritária), T.Nacional, Alfrocheiro e Jaen; juventude, muita fruta, acidez equilibrada, alguma rusticidade, estrutura e final médios. Nota 16.
.O Enólogo Vinhas Velhas 2009 tinto - complexidade aromática, especiado, notas de tabaco e chocolate, boa acidez, madeira fina, boca potente, mas com taninos macios e final muito longo; perfil moderno. Nota 18.
Os tintos maridaram com um lombo de bacalhau meia cura com grelos e batata ao sal.
No final foram servidos os Villa Oliveira 2011 Encruzado e 2009 T.Nacional, já apresentados anteriormente no jantar de dezembro 2012, que acompanharam as sobremesas.
O crepe de gelado de bacalhau e espuma de poejo não funcionou e o queijo de cabra caramelizado com telha crocante, que estava francamente bom, ligou muito bem com o Encruzado e pouco com o Touriga.
Uma nota final, a diferença de qualidade entre a linha O Enólogo e a Villa Oliveira, que é mínima, não justifica a diferença de preço. Os Villa Oliveira custam praticamente o dobro dos O Enólogo, o que não se entende. À reflexão dos responsáveis.
Em conclusão, mais uma boa jornada. Obrigado, João!
terça-feira, 2 de julho de 2013
Visita à Quinta do Gradil
A convite do proprietário, Luis Vieira de seu nome, participei recentemente numa visita à Qtª do Gradil, nas faldas da Serra de Montejunto, que incluiu almoço e prova de vinhos (1 espumante, 4 brancos, 1 rosé e 1 aguardente vínica). De referir que a responsabilidade enológica é do António Ventura e da Vera Moreira (enóloga residente?).
Compareceram à chamada António Falcão (Revista de Vinhos), José Moroso (O Sol), Duarte Calvão (blogue Mesa Marcada), Maria João Almeida (do portal com o mesmo nome), Susana Parreira (blogue Gourmets Amadores) e eu próprio (o único blogue de vinhos que compareceu). Esteve ainda presente o Vasco d' Avillez, presidente da CVR Lisboa, um exímio contador de histórias, entre outras coisas.
A organização logística (convocatória, transporte, etc) esteve a cargo da Ana Matias (Pure Ativism). Só não entendo que, num evento vínico deste tipo, não tenham comparecido mais blogues de vinhos (fiquei com a ideia que mais alguns teriam sido convidados, mas não puderam comparecer).
A quinta inclui um espaço de restauração, explorado pelo Chuva, mas prepara-se para fazer a gestão directa do mesmo, constando ter já contratado um chefe de referência. Os vinhos serão apenas os da casa, o que é um tanto ou quanto arriscado. Estou a lembrar-me do que aconteceu em Catralvos, em que o dono não cedeu a abrir a carta a outros vinhos, tendo como consequência a saída do chefe Luis Baena e o apagamento do restaurante. Fica o alerta. Uma mais valia: os copos são Riedel.
Os vinhos em prova, com excepção do Verdelho (servido antes), foram degustados no decorrer do repasto:
.Verdelho 2012 (3000 garrafas; preço recomendado 6,49 €) - presença de citrinos, sem grande complexidade mas muito elegante, fresco e mineral; liga bem com tapas e entradas leves; óptimo para esta altura do ano. Nota 16.
.Sauvignon Blanc & Arinto 2012 (12000 g; 5,70 €) - 70% e 30%, respectivamente; maior complexidade, notas tropicais, boa acidez, muito consistente, final longo e harmonia total; tem características que permitem bebê-lo ao longo de todo o ano. Nota 16,5+.
Aguentou-se bem com um folhado de queijo Brie.
.Viosinho 2012 (6000 g; 6,49 €) - nariz discreto, notas de fruta madura, um pouco pesado a necessitar de mais acidez, menos harmonioso que os anteriores; é uma casta, no meu entender, mais vocacionada para entrar em lote. Alguma desilusão. Nota 15,5.
Acompanhou salmão corado com legumes salteados.
.Syrah & Touriga Nacional 2012 Rosé (3500 g; 5,70 €) - as castas que o compõem entram em partes iguais; nariz exuberante, frutado, muito fresco, acidez equilibrada, final de boca seco; versátil na ligação com a comida. Só não percebi o protagonismo que lhe foi dado, ao ser servido no copo mais nobre. Nota 16.
Fez companhia a bife de frango com molho de farinheira e uma deliciosas batatinhas à moda do Chuva.
.Espumante 2011 (6000 g; 7,49 €) - nariz neutro, bolha fina e persistente, alguma mousse, mas com excesso de gás, o que o desequilibra. Alguma desilusão. Nota 14,5.
Não casou com a sobremesa (pêssego caramelizado com Porto e nata). Divórcio à vista? Também acho que foi prejudicado ao entrar no final e não no princípio da refeição. À reflexão da organização.
Finalmente e a meu pedido:
.Reserva 2010 Branco - com base nas castas Chardonnay (70%) e Arinto (30%), uma ligação perfeita; estagiou em barricas novas de carvalho francês; complexidade, frescura e untuosidade, madeira discreta,
estrutura, harmonia e bom final de boca; gastronómico. Um belo branco! Nota 17,5.
Ligou muito bem com a sobremesa. Um casamento consolidado.
Com o café:
.Aguardente XO - complexidade aromática e sedosa na boca. Não sendo um verdadeiro apreciador, reconheço que está aqui uma belíssima aguardente vínica.
Em conclusão, uma boa jornada com algumas surpresas nos brancos e uma equipa simpática (ofereceram aos visitantes uma embalagem com 2 garrafas). O meu muito obrigado!
Compareceram à chamada António Falcão (Revista de Vinhos), José Moroso (O Sol), Duarte Calvão (blogue Mesa Marcada), Maria João Almeida (do portal com o mesmo nome), Susana Parreira (blogue Gourmets Amadores) e eu próprio (o único blogue de vinhos que compareceu). Esteve ainda presente o Vasco d' Avillez, presidente da CVR Lisboa, um exímio contador de histórias, entre outras coisas.
A organização logística (convocatória, transporte, etc) esteve a cargo da Ana Matias (Pure Ativism). Só não entendo que, num evento vínico deste tipo, não tenham comparecido mais blogues de vinhos (fiquei com a ideia que mais alguns teriam sido convidados, mas não puderam comparecer).
A quinta inclui um espaço de restauração, explorado pelo Chuva, mas prepara-se para fazer a gestão directa do mesmo, constando ter já contratado um chefe de referência. Os vinhos serão apenas os da casa, o que é um tanto ou quanto arriscado. Estou a lembrar-me do que aconteceu em Catralvos, em que o dono não cedeu a abrir a carta a outros vinhos, tendo como consequência a saída do chefe Luis Baena e o apagamento do restaurante. Fica o alerta. Uma mais valia: os copos são Riedel.
Os vinhos em prova, com excepção do Verdelho (servido antes), foram degustados no decorrer do repasto:
.Verdelho 2012 (3000 garrafas; preço recomendado 6,49 €) - presença de citrinos, sem grande complexidade mas muito elegante, fresco e mineral; liga bem com tapas e entradas leves; óptimo para esta altura do ano. Nota 16.
.Sauvignon Blanc & Arinto 2012 (12000 g; 5,70 €) - 70% e 30%, respectivamente; maior complexidade, notas tropicais, boa acidez, muito consistente, final longo e harmonia total; tem características que permitem bebê-lo ao longo de todo o ano. Nota 16,5+.
Aguentou-se bem com um folhado de queijo Brie.
.Viosinho 2012 (6000 g; 6,49 €) - nariz discreto, notas de fruta madura, um pouco pesado a necessitar de mais acidez, menos harmonioso que os anteriores; é uma casta, no meu entender, mais vocacionada para entrar em lote. Alguma desilusão. Nota 15,5.
Acompanhou salmão corado com legumes salteados.
.Syrah & Touriga Nacional 2012 Rosé (3500 g; 5,70 €) - as castas que o compõem entram em partes iguais; nariz exuberante, frutado, muito fresco, acidez equilibrada, final de boca seco; versátil na ligação com a comida. Só não percebi o protagonismo que lhe foi dado, ao ser servido no copo mais nobre. Nota 16.
Fez companhia a bife de frango com molho de farinheira e uma deliciosas batatinhas à moda do Chuva.
.Espumante 2011 (6000 g; 7,49 €) - nariz neutro, bolha fina e persistente, alguma mousse, mas com excesso de gás, o que o desequilibra. Alguma desilusão. Nota 14,5.
Não casou com a sobremesa (pêssego caramelizado com Porto e nata). Divórcio à vista? Também acho que foi prejudicado ao entrar no final e não no princípio da refeição. À reflexão da organização.
Finalmente e a meu pedido:
.Reserva 2010 Branco - com base nas castas Chardonnay (70%) e Arinto (30%), uma ligação perfeita; estagiou em barricas novas de carvalho francês; complexidade, frescura e untuosidade, madeira discreta,
estrutura, harmonia e bom final de boca; gastronómico. Um belo branco! Nota 17,5.
Ligou muito bem com a sobremesa. Um casamento consolidado.
Com o café:
.Aguardente XO - complexidade aromática e sedosa na boca. Não sendo um verdadeiro apreciador, reconheço que está aqui uma belíssima aguardente vínica.
Em conclusão, uma boa jornada com algumas surpresas nos brancos e uma equipa simpática (ofereceram aos visitantes uma embalagem com 2 garrafas). O meu muito obrigado!
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