1.Ainda o Dão à Prova
Tive, hoje, a ocasião de constatar que a CVRDão disponibilizou, aos restaurantes aderentes, um carrinho onde se colocam os vinhos à prova que, assim, facilmente podem ser mostrados aos clientes. Só que o Can the Can não o utiliza. O que lhe teriam feito? Cartão vermelhíssimo!
Ó senhores da CVRDão, não podem excluir o Can the Can dos restaurantes aderentes? Os clientes agradecem.
2.Portugal Wine Room
É o nome de mais uma garrafeira que abriu em Lisboa. Inaugurada no dia 10/9, situa-se na Rua Ricardo Jorge, 3 A (em Alvalade), bem próximo do Salsa & Coentros. Uma visita breve deu para perceber que tem uma selecção cuidada e a bons preços.
3.Honorato 2
Comparado com o primeiro Honorato, este, localizado na rua de Santa Marta, no espaço que pertenceu ao Luca, está identificado à entrada, é francamente mais desafogado, tem outro ambiente e outra clientela, de uma faixa etária mais elevada, mas, lamentavelmente, coincide na música aos berros. Mas está no "In" e quem vier depois das 13 h, arrisca-se a esperar um bom bocado.
A ementa também consta nas ardósias e o vinho, a copo, já vem servido, num recipiente a cumprir os mínimos. Este espaço merecia um serviço de vinhos bem melhor! O branco que provei, o Casa Santa Vitória Reserva, é o mesmo e mantém o preço simpático de 2,50 €.
Optei pelo hambúrguer Honorato (8,10 €), composto por, além da carne, maionese, milho, alface, tomate, bacon, ovo e queijo cheddar. Estava muito saboroso, mas veio sem tomate e queijo! Dois esquecimentos no mesmo produto é de mais. Mas não se esqueceram de cobrar na totalidade!
Ó senhores do Honorato 2, não podiam melhorar o serviço de vinhos? Os clientes agradecem.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Douro Film Harvest
Vai ter lugar, de 14 a 21 de Setembro, mais uma edição do Douro Film Harvest (DFH).
Segundo a organização "O Douro Film Harvest é um evento que se diferencia por combinar cinema, gastronomia e música de uma forma única. Prima por apresentar algumas das melhores colheitas de filmes no cenário soberbo do Douro e do Porto, ambos património da humanidade, contribuindo para a divulgação e desenvolvimento de uma região com características únicas e com um enorme potencial. Em plena época das vindimas, o DFH leva ao Douro alguns dos nomes mais conceituados da indústria cinematográfica, mediatizando o turismo nacional a nívem internacional."
Mais informações em www.dourofilmharvest.com.pt/programa.aspx.
Segundo a organização "O Douro Film Harvest é um evento que se diferencia por combinar cinema, gastronomia e música de uma forma única. Prima por apresentar algumas das melhores colheitas de filmes no cenário soberbo do Douro e do Porto, ambos património da humanidade, contribuindo para a divulgação e desenvolvimento de uma região com características únicas e com um enorme potencial. Em plena época das vindimas, o DFH leva ao Douro alguns dos nomes mais conceituados da indústria cinematográfica, mediatizando o turismo nacional a nívem internacional."
Mais informações em www.dourofilmharvest.com.pt/programa.aspx.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Cartão amarelo à CVR Dão
A Revista de Vinhos e alguns orgãos de comunicação social, publicaram um anúncio de página inteira, com o destaque "Dão à Prova", referindo "De 6 a 22 de Setembro, prove excelentes vinhos do Dão a copo por um preço especial. (...) Saiba mais em www.cvrdao.pt". Na lista de restaurantes aderentes, em Lisboa, aparecem Assinatura, Aviz, Can the Can, Cantina da Estrela, Casa da Dízima, Clara Jardim, Faz Figura, Jockey Club, La Paparrucha, Petra Rio, Sessenta, Varanda de Lisboa, Tagide, Volver by Chacall, Associação Naval de Lisboa e Viva Lisboa.
Uma boa ideia a explorar, partindo do princípio que a escolha da CVRDão tinha sido criteriosa e optado por espaços de restauração de referência ou conhecidos por terem um bom serviço de vinhos, embora tivesse estranhado a inclusão do Can the Can, ao qual eu já lhe atribuira um cartão amarelo no serviço de vinhos (ver "O novo Terreiro do Paço revisitado", crónica publicada em7/10/2012). Mas, apesar das minhas reticências, resolvi comprovar essa situação, partindo do princípio que o restaurante, ao ser um dos seleccionados, se comportaria de modo a merecê-lo.
Puro engano, as deficiências por mim apontadas continuam na mesma.
Dos 3 vinhos do Dão à prova, mandei vir:
.Qtª do Perdigão Encruzado 2012 - limonado, notas florais, fresco, madeira ainda presente a pedir tempo de garrafa, volume e bom final de boca. Nota 17.
.Casa da Passarela Oenólogo Vinhas Velhas 2009 - nem o cheguei a provar pois, apesar da minha recomendação prévia, o vinho vinha à temperatura ambiente, ou seja, quente! Mandei-o de volta e continuei com o branco.
De lamentar, ainda, que os copos já vêm servidos, sem direito a vislumbrar a garrafa, o que pode possibilitar que seja servido gato por lebre. O serviço é, de um modo geral lento, descoordenado e atrapalhado.
Como nem tudo são desgraças, os copos são muito aceitáveis e o preço (3 €) é de aplaudir.
Finalmente, atribuição de cartões:
.Amarelo à CVRDão, por não ter sido rigorosa na selecção dos restaurantes
.Vermelho ao Can the Can, por acumulação
Tenciono experimentar mais um ou outro restaurante seleccionado pela CVRDão, esperando não ter mais desilusões.
Uma boa ideia a explorar, partindo do princípio que a escolha da CVRDão tinha sido criteriosa e optado por espaços de restauração de referência ou conhecidos por terem um bom serviço de vinhos, embora tivesse estranhado a inclusão do Can the Can, ao qual eu já lhe atribuira um cartão amarelo no serviço de vinhos (ver "O novo Terreiro do Paço revisitado", crónica publicada em7/10/2012). Mas, apesar das minhas reticências, resolvi comprovar essa situação, partindo do princípio que o restaurante, ao ser um dos seleccionados, se comportaria de modo a merecê-lo.
Puro engano, as deficiências por mim apontadas continuam na mesma.
Dos 3 vinhos do Dão à prova, mandei vir:
.Qtª do Perdigão Encruzado 2012 - limonado, notas florais, fresco, madeira ainda presente a pedir tempo de garrafa, volume e bom final de boca. Nota 17.
.Casa da Passarela Oenólogo Vinhas Velhas 2009 - nem o cheguei a provar pois, apesar da minha recomendação prévia, o vinho vinha à temperatura ambiente, ou seja, quente! Mandei-o de volta e continuei com o branco.
De lamentar, ainda, que os copos já vêm servidos, sem direito a vislumbrar a garrafa, o que pode possibilitar que seja servido gato por lebre. O serviço é, de um modo geral lento, descoordenado e atrapalhado.
Como nem tudo são desgraças, os copos são muito aceitáveis e o preço (3 €) é de aplaudir.
Finalmente, atribuição de cartões:
.Amarelo à CVRDão, por não ter sido rigorosa na selecção dos restaurantes
.Vermelho ao Can the Can, por acumulação
Tenciono experimentar mais um ou outro restaurante seleccionado pela CVRDão, esperando não ter mais desilusões.
domingo, 8 de setembro de 2013
"Descobre", mais uma vez
Recentemente, fiz mais 2 incursões no "Descobre Restaurante Mercearia", já aqui referido anteriormente em "Petiscos em Lisboa (V)" e "Curtas (IX)", crónicas publicadas em 9/8/2012 e 5/6/2013. O Descobre é, para mim, o espaço de restauração, em Lisboa, onde se podem comer os mais variados e sofisticados petiscos. E também, onde o cliente pode beber vinho, a copo ou à garrafa, sem correr o risco de ser espoliado, como, lamentavelmente, acontece em muitos restaurantes. Basta ir à sala do lado (à mercearia), escolher uma garrafa e levá-la para a mesa. No fim, paga a garrafa ao preço da prateleira (com 13 % de IVA, se for vinho de mesa/consumo) acrescido de 20 % da taxa de rolha (com 23 % de IVA).
Nestas últimas visitas, bebeu-se à garrafa:
.Munda Encruzado 2010 (paguei 13,90 + 2,78 €) - enologia do Francisco Olazabal; aroma intenso, limonado, acidez bem presente, fresco e mineral, alguma gordura, volume de boca e final longo; muito gastronómico, acompanhou bem toda a refeição. Nota 17,5+.
.Esporão Reserva 2011 branco (paguei 14,50 + 2,90) - não houve ocasião para tomar notas de prova, mas também acompanhou bem todo o repasto. Nota 16,5.
Os vinhos foram dados a provar e servidos em bons copos. De referir que que os 30 vinhos que podem ser degustados a copo, são servidos em recipiente marcado com 15 cl, em vez de o serem a olho.
Para se fazer uma ideia do que se come por aqui, nestas 2 visitas optámos por:
.descobre os nossos camarões
.pica de lulinhas
.pica de polvo em Vinho do Porto
.pica de mexilhões em escabeche e em vinagreta
.pica de pato com laranja
.espetadinha de lombo à Madeirense
.filetes de sarda com ervas
.acompanhamentos diversos (abóbora com suas sementes, beterraba com maçã, batata doce salteada com sésamo, legumes grelhados e batata doce assada)
.sobremesas (doce de ovos com sorvet de limão, mousse de abacate e lima)
A fechar, a única crítica que faço e já fiz em crónica anterior, é quanto ao preço do couver para 1 ou 2 pessoas (5,80 €). No entanto, se forem mais convivas, o preço dilui-se, como foi o caso destas últimas visitas (ficou por 1,90 por cabeça).
De qualquer modo, é um espaço que gosto muito e recomendo vivamente aos enófilos e gastrónomos.
Nestas últimas visitas, bebeu-se à garrafa:
.Munda Encruzado 2010 (paguei 13,90 + 2,78 €) - enologia do Francisco Olazabal; aroma intenso, limonado, acidez bem presente, fresco e mineral, alguma gordura, volume de boca e final longo; muito gastronómico, acompanhou bem toda a refeição. Nota 17,5+.
.Esporão Reserva 2011 branco (paguei 14,50 + 2,90) - não houve ocasião para tomar notas de prova, mas também acompanhou bem todo o repasto. Nota 16,5.
Os vinhos foram dados a provar e servidos em bons copos. De referir que que os 30 vinhos que podem ser degustados a copo, são servidos em recipiente marcado com 15 cl, em vez de o serem a olho.
Para se fazer uma ideia do que se come por aqui, nestas 2 visitas optámos por:
.descobre os nossos camarões
.pica de lulinhas
.pica de polvo em Vinho do Porto
.pica de mexilhões em escabeche e em vinagreta
.pica de pato com laranja
.espetadinha de lombo à Madeirense
.filetes de sarda com ervas
.acompanhamentos diversos (abóbora com suas sementes, beterraba com maçã, batata doce salteada com sésamo, legumes grelhados e batata doce assada)
.sobremesas (doce de ovos com sorvet de limão, mousse de abacate e lima)
A fechar, a única crítica que faço e já fiz em crónica anterior, é quanto ao preço do couver para 1 ou 2 pessoas (5,80 €). No entanto, se forem mais convivas, o preço dilui-se, como foi o caso destas últimas visitas (ficou por 1,90 por cabeça).
De qualquer modo, é um espaço que gosto muito e recomendo vivamente aos enófilos e gastrónomos.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Visita à Adega Mãe (III)
5.A Fugas e a Adega Mãe
Curiosamente, no dia em que visitei a Adega Mãe, já em casa e entretido a ler o Público, fiquei deveras surpreendido ao encontrar na pág.29 da Fugas (separata do jornal de sábado), este sugestivo título "Um Alvarinho de Lisboa com a mesma frescura atlântica do Minho". Tratava-se da proposta da semana, com uma bela fotografia do vinho seleccionado. Nada menos que o Adegamãe Alvarinho 2012, que provara na manhã desse mesmo dia. Ele há cada coincidência...
A nota crítica é assinada pelo jornalista Pedro Garcias que dos 4 monocastas, por ele provados, destaca o Alvarinho e o Viosinho, deixando para segundo plano o Viognier que "ainda está muito marcado pela madeira" (concordo em absoluto e já o afirmei na crónica anterior) e o Chardonnay o qual "mostra-se demasiado maduro, apesar da suculência da fruta e da excelente acidez que possui" (não concordo que esteja assim tão maduro, mas respeito a opinião).
A propósito, recomendo a leitura da Fugas, pois para além do crítico citado, as páginas dedicadas ao vinho contam, ainda, com o Manuel Carvalho e o Rui Falcão, jornalistas especializados nesta área já com provas dadas. Considero o Público o orgão de comunicação social generalista mais atento a assuntos vínicos e gastronómicos. Há sempre notícias, como a referida, que podem interessar aos enófilos.
Curiosamente, no dia em que visitei a Adega Mãe, já em casa e entretido a ler o Público, fiquei deveras surpreendido ao encontrar na pág.29 da Fugas (separata do jornal de sábado), este sugestivo título "Um Alvarinho de Lisboa com a mesma frescura atlântica do Minho". Tratava-se da proposta da semana, com uma bela fotografia do vinho seleccionado. Nada menos que o Adegamãe Alvarinho 2012, que provara na manhã desse mesmo dia. Ele há cada coincidência...
A nota crítica é assinada pelo jornalista Pedro Garcias que dos 4 monocastas, por ele provados, destaca o Alvarinho e o Viosinho, deixando para segundo plano o Viognier que "ainda está muito marcado pela madeira" (concordo em absoluto e já o afirmei na crónica anterior) e o Chardonnay o qual "mostra-se demasiado maduro, apesar da suculência da fruta e da excelente acidez que possui" (não concordo que esteja assim tão maduro, mas respeito a opinião).
A propósito, recomendo a leitura da Fugas, pois para além do crítico citado, as páginas dedicadas ao vinho contam, ainda, com o Manuel Carvalho e o Rui Falcão, jornalistas especializados nesta área já com provas dadas. Considero o Público o orgão de comunicação social generalista mais atento a assuntos vínicos e gastronómicos. Há sempre notícias, como a referida, que podem interessar aos enófilos.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Visita à Adega Mãe (II)
3.A prova
Sob a orientação do enólogo residente, Diogo Lopes de seu nome, provámos 5 brancos (1 Dory e 4 monocastas Adegamãe, todos da colheita 2012) e 2 tintos. Diga-se desde já que, de um modo geral, todos os vinhos deste produtor têm uma relação preço/qualidade imbatível e que é de assinalar a frescura e a mineralidade de quase todos os brancos, abençoados pela proximidade do Atlântico. Para mim, a surpresa foi o branco Dory Colheita, cujo preço recomendado fica abaixo dos 4 €! E a desilusão, relativa, foi o monocasta Viognier, que ainda não conseguiu "digerir" o excesso de madeira que o penalisa.
Passemos aos vinhos, pela ordem em que foram provados, com notas de prova telegráficas e respectivas pontuações, exclusivamente da minha responsabilidade.
.Dory 2012 branco - com base nas castas Arinto, Viognier e Fernão Pires; nariz exuberante, notas tropicais, acidez, alguma mineralidade, volume e final de boca médios. Para consumir jovem e óptimo para acompanhar aperitivos e entradas leves. Foi a surpresa da prova. Nota 16. Fico a aguardar com alguma expectativa a saída do Reserva.
.Alvarinho - nariz discreto, muito fresco e mineral, bom volume de boca, equilibrado e elegante, a bater-se bem com alguns Alvarinhos de Monção e Melgaço. Vai crescer na garrafa nos próximos 4/5 anos e recomenda-se para acompanhar entradas, marisco e peixe grelhado. Foi também uma boa surpresa. Nota 16,5+. O preço recomendado para os monocastas é abaixo de 6 €, o que é uma excelente notícia.
.Viosinho - nariz intenso, fruta madura, notas amanteigadas, acidez equilibrada, estrutura média e bom final de boca. Interessante, mas sem arrasar. Acompanha bem entradas menos leves, peixe grelhado e carnes brancas. Nota 16+.
.Chardonnay - nariz bem presente, citrinos, notas florais, alguma gordura mas fresco, equilibrado e acentuado volume de boca. Aguenta entradas mais pesadas e pratos de bacalhau. Nota 16+.
.Viognier - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; aroma fumado em excesso, a tosta a sentir-se demasiado na boca, algo desequilibrado, com a acidez a fugir. Tenho alguma dificuldade em encontrar parceiro na comida. Nota 15.
.Dory 2011 tinto - com base nas castas Aragonês, Syrah e Caladoc; nariz discreto, alguma fruta e frescura, estrutura e final de boca médios; um pouco rústico. Pode acompanhar bem feijoadas e outros pratos mais ou menos pesados. A beber novo. Preço recomendado inferior a 4 €, um achado. Nota 15,5.
.Dory Reserva 2010 - com base na Touriga Nacional e Syrah, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma sofisticado, notas especiadas, tabaco, madeira discreta, acidez equilibrada, taninos presentes mas civilizados, bom volume e final de boca adocicado. Falta-lhe um pouco mais de acidez para dar o salto para outro patamar. Em forma mais 3/4 anos. Pede um cabrito no forno. Preço recomendado abaixo dos 10 €, uma pechincha! Nota 17.
De referir que este Reserva teve uma óptima prestação no painel dedicado aos vinhos de Lisboa (ver a Revista de Vinhos de Maio 2013).
A fehar este ponto, é de inteira justiça referir que a equipa de enologia é assessorada pelo Anselmo Mendes, também conhecido por "rei dos alvarinhos", que está neste projecto desde a sua génese.
4.O almoço
Foi uma boa sessão de convívio dos donos da casa com o grupo de bloguistas visitantes. O almoço incluiu, com não podia deixar de ser, depois de uns apetecíveis pastelinhos de bacalhau, acolitados por azeite e azeitonas da casa, uns lombos de bacalhau Riberalves memoráveis.
Os vinhos da prova estavam disponíveis e todos podiam ser testados com a comida.
Aceitei parcialmente o desafio e voltei a provar uns quantos, alguns a comportarem-se diferentemente.
Assim, o Dory branco portou-se bem com os pastelinhos, mas passou por baixo do bacalhau. O Alvarinho foi a estrela na maridagem com as entradas e aguentou-se com o prato principal. O Chardonnay foi o que teve a melhor prestação, entre os brancos, com o bacalhau, enquanto que o Viognier, curiosamente, se portou melhor na mesa do que na prova. O Viosinho e o Dory Colheita não foram postos à prova. O Dory Reserva foi o que me deu maior prazer no confronto com o bacalhau.
No final da visita, cada um de nós levou para casa os vinhos provados, com excepção do Viognier. Obrigado, Adega Mãe!
Numa próxima e última crónica, a propósito dos vinhos da Adega Mãe, falarei no Fugas (suplemento de sábado do jornal Público).
Sob a orientação do enólogo residente, Diogo Lopes de seu nome, provámos 5 brancos (1 Dory e 4 monocastas Adegamãe, todos da colheita 2012) e 2 tintos. Diga-se desde já que, de um modo geral, todos os vinhos deste produtor têm uma relação preço/qualidade imbatível e que é de assinalar a frescura e a mineralidade de quase todos os brancos, abençoados pela proximidade do Atlântico. Para mim, a surpresa foi o branco Dory Colheita, cujo preço recomendado fica abaixo dos 4 €! E a desilusão, relativa, foi o monocasta Viognier, que ainda não conseguiu "digerir" o excesso de madeira que o penalisa.
Passemos aos vinhos, pela ordem em que foram provados, com notas de prova telegráficas e respectivas pontuações, exclusivamente da minha responsabilidade.
.Dory 2012 branco - com base nas castas Arinto, Viognier e Fernão Pires; nariz exuberante, notas tropicais, acidez, alguma mineralidade, volume e final de boca médios. Para consumir jovem e óptimo para acompanhar aperitivos e entradas leves. Foi a surpresa da prova. Nota 16. Fico a aguardar com alguma expectativa a saída do Reserva.
.Alvarinho - nariz discreto, muito fresco e mineral, bom volume de boca, equilibrado e elegante, a bater-se bem com alguns Alvarinhos de Monção e Melgaço. Vai crescer na garrafa nos próximos 4/5 anos e recomenda-se para acompanhar entradas, marisco e peixe grelhado. Foi também uma boa surpresa. Nota 16,5+. O preço recomendado para os monocastas é abaixo de 6 €, o que é uma excelente notícia.
.Viosinho - nariz intenso, fruta madura, notas amanteigadas, acidez equilibrada, estrutura média e bom final de boca. Interessante, mas sem arrasar. Acompanha bem entradas menos leves, peixe grelhado e carnes brancas. Nota 16+.
.Chardonnay - nariz bem presente, citrinos, notas florais, alguma gordura mas fresco, equilibrado e acentuado volume de boca. Aguenta entradas mais pesadas e pratos de bacalhau. Nota 16+.
.Viognier - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; aroma fumado em excesso, a tosta a sentir-se demasiado na boca, algo desequilibrado, com a acidez a fugir. Tenho alguma dificuldade em encontrar parceiro na comida. Nota 15.
.Dory 2011 tinto - com base nas castas Aragonês, Syrah e Caladoc; nariz discreto, alguma fruta e frescura, estrutura e final de boca médios; um pouco rústico. Pode acompanhar bem feijoadas e outros pratos mais ou menos pesados. A beber novo. Preço recomendado inferior a 4 €, um achado. Nota 15,5.
.Dory Reserva 2010 - com base na Touriga Nacional e Syrah, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma sofisticado, notas especiadas, tabaco, madeira discreta, acidez equilibrada, taninos presentes mas civilizados, bom volume e final de boca adocicado. Falta-lhe um pouco mais de acidez para dar o salto para outro patamar. Em forma mais 3/4 anos. Pede um cabrito no forno. Preço recomendado abaixo dos 10 €, uma pechincha! Nota 17.
De referir que este Reserva teve uma óptima prestação no painel dedicado aos vinhos de Lisboa (ver a Revista de Vinhos de Maio 2013).
A fehar este ponto, é de inteira justiça referir que a equipa de enologia é assessorada pelo Anselmo Mendes, também conhecido por "rei dos alvarinhos", que está neste projecto desde a sua génese.
4.O almoço
Foi uma boa sessão de convívio dos donos da casa com o grupo de bloguistas visitantes. O almoço incluiu, com não podia deixar de ser, depois de uns apetecíveis pastelinhos de bacalhau, acolitados por azeite e azeitonas da casa, uns lombos de bacalhau Riberalves memoráveis.
Os vinhos da prova estavam disponíveis e todos podiam ser testados com a comida.
Aceitei parcialmente o desafio e voltei a provar uns quantos, alguns a comportarem-se diferentemente.
Assim, o Dory branco portou-se bem com os pastelinhos, mas passou por baixo do bacalhau. O Alvarinho foi a estrela na maridagem com as entradas e aguentou-se com o prato principal. O Chardonnay foi o que teve a melhor prestação, entre os brancos, com o bacalhau, enquanto que o Viognier, curiosamente, se portou melhor na mesa do que na prova. O Viosinho e o Dory Colheita não foram postos à prova. O Dory Reserva foi o que me deu maior prazer no confronto com o bacalhau.
No final da visita, cada um de nós levou para casa os vinhos provados, com excepção do Viognier. Obrigado, Adega Mãe!
Numa próxima e última crónica, a propósito dos vinhos da Adega Mãe, falarei no Fugas (suplemento de sábado do jornal Público).
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Visita à Adega Mãe (I)
1.Preâmbulo
A convite dos responsáveis, visitei recentemente a Adega Mãe, um produtor de vinhos de tenra idade, cujas vinhas e adega se situam nas proximidades de Torres Vedras, a uma dúzia de quilómetros do Atlântico.
A Adega Mãe pertence ao grupo Riberalves e, em 2011, juntou-se ao negócio do bacalhau, da imobiliária e dos cafés. Em estilo moderno, está muito bem desenhada e inserida na paisagem, além de ter uma vista fabulosa para a área envolvente, através de rasgadas janelas.
Tem uma boa capacidade, ao dispor de 21 cubas para 18 toneladas de uvas cada. Quanto a barricas, quase todas de carvalho francês, conta com 150 para o Reserva tinto (10 % são de carvalho americano) e 25 para o Reserva branco.
De salientar, também, a sua preocupação pedagógica ao instalar, em vários pontos da visita, vídeos que contemplam algumas das etapas do ciclo de produção, desde a chegada das uvas ao produto final.
Apesar de neófitos, já conseguiram internacionalizar a marca com a presença de 2 dos seus vinhos (Dory Reserva 2010 tinto e Adegamãe Viosinho 2012) na Bienal de Veneza, integrados no Projecto Trafaria Praia da artista plástica Joana Vasconcelos. É obra!
2.A Adega Mãe e a blogosfera
De louvar a atitude deste produtor ao abrir as suas portas, pela 2ª vez segundo creio, a um grupo de bloguistas e afins.
Os convidados foram recebidos pelo próprio director geral, Bernardo Alves de seu nome.
Para memória futura tiveram presentes, por ordem alfabética:
.Adega dos Leigos (Nuno Ciríaco)
.Air Diogo num Copo (Diogo Rodrigues)
.Enófilo Militante (eu próprio)
.Jójójoli (Jorge Nunes)
.Reserva Recomendada (Rui Pereira)
.Wine & Lifestyle (André Peres)
Em próxima crónica falarei sobre os vinhos (na prova e no almoço).
A convite dos responsáveis, visitei recentemente a Adega Mãe, um produtor de vinhos de tenra idade, cujas vinhas e adega se situam nas proximidades de Torres Vedras, a uma dúzia de quilómetros do Atlântico.
A Adega Mãe pertence ao grupo Riberalves e, em 2011, juntou-se ao negócio do bacalhau, da imobiliária e dos cafés. Em estilo moderno, está muito bem desenhada e inserida na paisagem, além de ter uma vista fabulosa para a área envolvente, através de rasgadas janelas.
Tem uma boa capacidade, ao dispor de 21 cubas para 18 toneladas de uvas cada. Quanto a barricas, quase todas de carvalho francês, conta com 150 para o Reserva tinto (10 % são de carvalho americano) e 25 para o Reserva branco.
De salientar, também, a sua preocupação pedagógica ao instalar, em vários pontos da visita, vídeos que contemplam algumas das etapas do ciclo de produção, desde a chegada das uvas ao produto final.
Apesar de neófitos, já conseguiram internacionalizar a marca com a presença de 2 dos seus vinhos (Dory Reserva 2010 tinto e Adegamãe Viosinho 2012) na Bienal de Veneza, integrados no Projecto Trafaria Praia da artista plástica Joana Vasconcelos. É obra!
2.A Adega Mãe e a blogosfera
De louvar a atitude deste produtor ao abrir as suas portas, pela 2ª vez segundo creio, a um grupo de bloguistas e afins.
Os convidados foram recebidos pelo próprio director geral, Bernardo Alves de seu nome.
Para memória futura tiveram presentes, por ordem alfabética:
.Adega dos Leigos (Nuno Ciríaco)
.Air Diogo num Copo (Diogo Rodrigues)
.Enófilo Militante (eu próprio)
.Jójójoli (Jorge Nunes)
.Reserva Recomendada (Rui Pereira)
.Wine & Lifestyle (André Peres)
Em próxima crónica falarei sobre os vinhos (na prova e no almoço).
Subscrever:
Mensagens (Atom)