quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Dom Alimado : um bufete de luxo

O Dom Alimado é o restaurante do Júpiter Lisboa Hotel (Av. República,46) que disponibiliza, no período de almoço, de 2ª a 6ª feira um bufete temático e ao Sábado um bufete de tapas, reservando o brunch, que eu bem dispenso, para o Domingo. O preço dos bufetes é de 15 € com direito a água e café. Uma excelente relação preço/qualidade, atendendo à quantidade/qualidade das ofertas em cima da mesa (uma boa dúzia de entradas diversas, saladas e sobremesas) e, ainda, meia dúzia de pratos principais. É comer até fartar.
No dia que "descobri" este restaurante, o tema do bufete era a cozinha algarvia, tendo eu provado/comido umas tantas entradas (sopa de peixe, carapaus alimados, saladas de polvo e ovas), alguns dos pratos presentes (cataplana com frutos do mar, xerém com os mesmos, corvina assada e cozido de grão com enchidos da serra) e sobremesas (fruta e doces).
Como se dizia (diz) do rancho na tropa: bom, abundante e bem confeccionado!
Quanto a vinhos, inventariei 3 espumantes (1 a copo), 4 champanhes (1), 16 brancos* (4), 11 tintos (3), e 10 fortificados (todos a copo).
* 1 era colheita tardia
A carta de vinhos, lamentavelmente, é omissa quanto a anos de colheita e tinha algumas falhas.
Optei por um copo do branco Vale da Poupa 2016 - cítrico, fresco e mineral, simples e correcto , mas delgado na boca. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott.
Gostei, recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Jantar Jorge Moreira

Este último evento, organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas*, teve lugar na belíssima sala nobre do restaurante Casa do Bacalhau, totalmente reservada para os participantes. Gastronomia e serviço de vinhos (copos, temperaturas, ritmo,etc) à altura dos acontecimentos, como já nos habituaram.
O vinho de boas vindas foi o Pó de Poeira 2016, fresco e com alguma complexidade, cumpriu bem a sua função e acompanhou bem os pastéis de bacalhau e croquetes de vitela. Nota 16,5.
Com o produtor e enólogo presente (o Jorge Moreira que conhecemos desde os tempos das CAV), que apresentou os restantes vinhos, desfilaram:
.M.O.B. 2013 - com base nas castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga e 12,5 % vol.; muita fruta vermelha, boa acidez, taninos presentes bem comportados, fino  e elegante, volume médio e final de boca persistente. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17+.
.Passagem Reserva 2015 - com base nas castas tradicionais do Douro e 14 % vol.; nariz intenso, frutado e especiado, acidez equilibrada, taninos de veludo, volume e final de boca consideráveis. Na linha do 2009, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos acompanharam um saboroso arroz de bacalhau, tendo o M.O.B. ligado melhor do que o Passagem.
.Poeira 2014 - com 13,5 % vol. estagiou em barrica; nariz intenso e complexo, fruta vermelha e preta, acidez no ponto, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca marcantes. Vinho elegante, com classe e longevo. Pode ser bebido nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5+.
Maridou bem com um apetecível prato de porco braseado com chalotas.
.M.O.B. Lote 3 2016 - com base nas castas Encruzado, Bical e Malvasia Fina e 13% vol.; nariz austero, presença de citrinos e fruta cozida, alguma acidez, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Nota 16.
Acompanhou queijos (Serra e Serpa).
.Qtª La Rosa Tawny 20 Anos - presença de frutos secos, mel e tangerina, acidez e taninos, notas amanteigadas, doçura, algum volume e final de boca médio. Nota 17.
Prejudicado por ter sido servido a uma temperatura acima do recomendável, a única falha do serviço de vinhos.
Harmonizou com uma inesquecível sopa fria e quente de doce de ovos.
Foi um grande jantar vínico na companhia de um grande enólogo!

* Uma semana após este evento, a Garrafeira Néctar das Avenidas comemorou o seu 6º aniversário, com uns quantos amigos e clientes, no decorrer do qual foram apresentados os últimos Poejo d' Algures (Encruzado 2016, Lisboa e Jaen 2015 e Douro 2014), tendo eu gostado francamente do Encruzado e do tinto do Douro. No final do repasto foi servido um Madeira Borges Malvasia 20 Anos, com uma relação preço/qualidade imbatíveis.
Parabéns à Néctar da Avenidas e muitos anos de vida!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Espaços de restauração : 2 revisitas e 1 "descoberta"

1.Santa Clara dos Cogumelos
Já aqui referida por diversas vezes, a última das quais em "Tempo de revisitas : Santa Clara dos Cogumelos, (...)", crónica publicada em 9/3/2017.
Recentemente fui revisitar este imperdível espaço, situado no antigo mercado de Santa Clara, paredes meias com a Feira da Ladra. Pena é que apenas esteja aberto para almoços aos Sábados.
Comi:
.Ménage à 3 (bacalhau à "mantecato", polenta com tinta de choco e pleurotus confitado)
.Risotto Santa Clara (porcini e trombetas de morte, alecrim e nozes)
.Não-Sei-Quê de Santa Clara (brownie com gelado de boletos edulis)
Divinal! É pena não disponibilizem mais almoços e que não se transfiram para uma zona mais à mão.
Quanto à componente vínica está tudo na mesma, ou seja mal. Optei pela belíssima cerveja artesanal "Creature IPA" da Dois Corvos Cervejeira que recomendo vivamente. Depois de se entrar nas artesanais, imperiais nunca mais!
2.Expressões da Nossa Terra
Também já aqui referida em "Expressões da Nossa Terra : um curioso e original espaço 3 em 1", crónica publicada em 8/4/2017.
Continua a ter o menú de almoço a 10 €, com direito a couver, sopa ou entrada, prato principal, bebida e café, uma pechincha. Bons copos, serviço despachado e simpático.
A lista de vinhos é que continua a omitir os anos de colheita. Uma pena.
A loja está bem fornecida e ali pode comprar-se uma série de produtos de qualidade (vinhos, azeites, cerveja artesanal, queijos, enchidos, conservas e compotas).
Recomendo.
3.Luzboa
"Descobri" este espaço através da Time Out. Fica na Rua Marquês Sá da Bandeira,124, paredes meias com a Gulbenkian. A sala é pequena mas, com bom tempo, pode-se usufruir da esplanada, que tem cadeiras de café mas devidamente almofadadas.  Para se assegurar lugar, ou vai-se muito cedo ou lá para as 14 h.
Quando lá fui havia 4 pratos do dia (lulas recheadas, arroz de lingueirão, panado de novilho e salsicha crioula grelhada), uma série de petiscos algarvios (os donos são de lá) e 9 sobremesas.
Optei pelo arroz de lingueirão (excelente, por sinal) e mousse de lima (também muito boa), com os pratos muito bem apresentados.
Quanto à componente vínica, a lista é original mas sem vinhos apelativos e datas de colheita. Copos aceitáveis e serviço despachado.
Recomendo.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Passagem 2009 : aditamento à crónica anterior

Já tinha a crónica publicada quando me alertaram para a existência de 2 tintos Passagem 2009, o Reserva que levei para o almoço referido e o Grande Reserva o vinho que teve direito aos prémios citados. O seu a seu dono...
Mas, de qualquer modo, o Reserva 2009, provado às cegas no Lumni, é um grande, grande vinho!

Grupo dos 3 (58ª sessão) : vinhos e gastronomia de eleição

Após um longo interregno (a 57ª sessão foi em Junho), este grupo de enófilos da linha dura retomou as actividades vínicas. Os vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 Porto) sairam da minha garrafeira e, para o repasto, escolhi o restaurante Numni já aqui referido em "Lumni : o novo poiso do chefe Miguel Castro e Silva", crónica publicada em 1/8/2017.
Foi um grande almoço, com o chefe Miguel Castro e Silva (MCS)* inspirado e presente ao longo de todo o repasto e o serviço de vinhos (temperaturas, copos e "timing"), a cargo do João Gomes, a correr muito bem. Resta dizer que todos os vinhos, previamente decantados, foram provados às cegas.
Desfilaram:
.Marquês de Marialva Grande Reserva 2013 (engarrafado em 2016) - enologia do Osvaldo Amado, com base na casta Arinto (100 %) estagiou 12 meses em barrica e 6 em garrafa; alguma oxidação nobre, fruta madura, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Um branco austero, contra a corrente e gastronómico. "Descobri-o" no último Bairradão. Nota 17,5+.
Acompanhou o couver e a entrada de 3 peixes (atum braseado, robalo marinado e tártaro de camarão), mas passou-lhe por cima. Iria melhor com um peixe no forno (esta entrada harmonizava bem com um Alvarinho).
.Palácio da Bacalhôa 2009 - foi Prémio Excelência 2015 atribuído pela antiga Revista de Vinhos e obteve 94 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Cabernet Sauvignon (68 %), Merlot (28 %) e Petit Verdot, estagiou 16 meses em barrica e 12 em garrafa; aromas terciários, acidez bem presente, especiado, taninos evidentes, algum volume e final de boca extenso. Complexo, fresco e elegante. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
Harmonizou bem com o bacalhau à Gomes de Sá com azeite da Qtª de Ventozelo.
.Passagem Reserva 2009 (uma das 2200 garrafas produzidas) - considerado pela Essência do Vinho o melhor tinto do ano (em 2016) e obteve 95 pontos no Parker; enologia do Jorge Moreira, com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinto Cão (15 %), só foi lançado em 2016!; nariz exuberante, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, notas especiadas, grande estrutura e final de boca muito persistente. Muito complexo e longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
Casou bem com uma costela mendinha e risotto de sepes.
.Dalva Colheita 1985 - bem pontuado pela Jancis Robinson (18 em 20); frutos secos, casca de laranja, acidez equilibrada, notas de iodo e brandy, taninos ainda bem presentes, volume e final de boca consideráveis. Com um tawny desta qualidade, dispenso bem um vintage. Nota 18,5.
Acompanhou uma pera caramelizada com gorgonzola, o elo mais fraco de um excelente repasto.
Foi mais uma grande sessão, com vinhos e gastronomia de eleição.
* o chefe MCS, além deste Lumni, também é responsável pela gastronomia do Less (Embaixada, no Príncipe Real), cafetaria da Pollux (Rua dos Fanqueiros), cafetaria do Museu da Gulbenkian e, desde há pouco tempo, pelo Mercado (cafetaria do Hotel Lumiares).

sábado, 18 de novembro de 2017

Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores

À semelhança dos anos transactos, participei no Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores, mas apenas no dia 30 (2ª feira), a jornada reservada aos profissionais que decorre sempre sem grandes confusões, até porque o novo espaço, na FIL, é muito mais amplo. Organização impecável, por parte da VINHO, a antiga Revista de Vinhos.
Costumo aproveitar este evento para, além de provar vinhos, reencontrar amigos, produtores, enólogos, vendedores e antigos clientes, com os quais tive as melhores relações pessoais e institucionais nos tempos da saudosa loja/garrafeira Coisas do Arco Vinho.
Provei, neste dia 30, 71 vinhos (2 brancos, 48 tintos e 21 fortificados).
Por curiosidade provei os brancos Marquesa de Alorna Grande Reserva 2015 (o vencedor do painel da imprensa, do qual fiz parte) e o Regueiro Alvarinho Barricas 2015, um branco para beber daqui a uns anos.
Quanto aos tintos destaco, em primeiro plano, os clássicos Poeira 2014, Abandonado 2013, Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal 2008, Calda Bordaleza 2009, Duorum Reserva 2015, CV 2014, Qtª da Touriga Chã 2014, Júlia Kemper Touriga Nacional 2012, Qtª da Falorca Noblesse Oblige 2011, Kompassus Private Selection 2007 e 2011 e, ainda, o surpreendente Ataíde Semedo Grande Reserva 2015.
Logo a seguir, nota alta para Qtª La Rosa Reserva 2014,Vinha do Lordelo 2013, Robustus 2013, Palpite Grande Reserva 2014, Qtª Vale Meão 2015, VZ 15 Gerações 2013, Dalva Grande Reserva 2014, Qtª Ventozelo Essência 2014, Calheiros Cruz Memórias Grande Reserva 2014, Qtª Crasto Vinhas Velhas 2015 e Chryseia 2015.
Quanto aos fortificados destaque para os Portos Rozés +40 Anos, Graham's 30 Anos e Colheita 1972, Burmester Tordiz 40 Anos, Sandeman 30 Anos e Madeira Henriques e Henriques Terrantez 20 Anos. Logo a seguir, em plano alto, os Portos Messias 30 Anos e Colheita 1967, Graham's 40 Anos, Burmester Colheita 1989, Kopke Colheita 1981, Vasques de Carvalho 30 Anos (não provei o 40 Anos, porque já tinha acabado), Ramos Pinto 30 Anos, Amável Costa 40 Anos (completamente desconhecido, para mim), Madeira Henriques e Henriques Boal 15 Anos e Moscatel Alambre 20 Anos.
Grande e extenuante jornada! Para o ano há mais...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A chefe Felicidade : o bom e o mau

Já aqui me referi, por mais de uma vez, à Cozinha da Felicidade situada no Mercado da Ribeira, onde tive boas e más experiências. Mas diga-se, desde já, que a comida ali apresentada esteve sempre a um nível superior de qualidade. Já o mesmo não posso dizer do serviço, conforme relatei em "Curtas (LXI) : Mercados (Ribeira, Algés e CCB)", crónica publicada em 7/8/2015.
Recentemente fui conhecer o Pharmacia (R. Marechal Saldanha,1 no edifício do Museu da Farmácia), com uma espectacular esplanada exterior.
Optei por comer, em partilha com a minha companheira:
.arroz carolino de lingueirão com coentros
.polvo à lagareiro com salada algarvia e puré de batata doce
.mousse de amendoim, banana da Madeira e caramelo salgado
Nada a opor, antes pelo contrário, pois estava tudo no patamar da excelência.
Já quanto ao serviço, o que me aconteceu é inqualificável. Eu explico: pedido um dos poucos vinhos a copo, o Chocapalha Chardonnay, veio para a mesa já servido, o que acho péssimo (o copo César & Castro até era bom). Como a carta de vinhos é omissa quanto a anos de colheita, o que se lamenta, pedimos para ver a garrafa. Mas, para nosso espanto, o que me foi mostrado não era o vinho pedido. Tratava-se do branco Monopólio Chardonnay, um vinho regional do Minho!
Quantos clientes foram já enganados, por não terem pedido para verem a garrafa?
Isto é inqualificável. Uma autêntica fraude!
Quem dá o nome a um espaço de restauração, como é o caso da Susana Felicidade, tem responsabilidades, não só na cozinha como também na sala. Tem que saber o que se passa.
Cartão amarelo à chefe Felicidade!