domingo, 31 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (aditamento)

Na minha última crónica sobre o Francisco Albuquerque (FA), onde inventariei as ocasiões em que esteve presente em Lisboa, para apresentar vinhos da Madeira Wine, não cheguei a referir a que decorreu em 24 de Novembro no Hotel Porto Bay Liberdade. Neste evento também esteve o Chris Blandy que teve uma referência elogiosa ao Adelino de Sousa, enófilo madeirense que esteve na origem do nosso grupo de prova de vinhos fortificados.
O FA apresentou 3 Vinhos Madeira Blandy's (1 Colheita e 2 Frasqueiras), recentemente lançados no mercado, a saber:
.Verdelho 2000 - estagiou 16 anos em "canteiro"; muito fresco, salinidade evidente, frutos secos, notas de caril e iodo, algum vinagrinho, volume médio e final de boca longo. Nota 17,5.
.Sercial Vintage 1968 - muito complexo, presença de frutos secos e vinagrinho, notas de iodo, caril e brandy, taninos evidentes, volume considerável e final de boca seco e muito longo. Impressionante! Nota 18,5+.
.Bual Vintage 1957 - complexo e equilibrado, frutos secos, vinagrinho, notas especiadas e balsâmicas, taninos de veludo, volumoso e final de boca muito persistente. Perfeito! Nota 18,5.
Foi mais uma grande sessão, orientada pelo Francisco Albuquerque e com a presença do Chris Blandy.
Esta foi a 1230ª crónica e a última do ano. Ficam por publicar, em 2018:
.Almoço com Vinhos Fortificados (27ª sessão)
.Descobre, Peixe na Avenida e Chutify (curtas)
.O cartaz publicitário da AEVP (curtas)
.Rescaldo das festas 2017/2018

sábado, 30 de dezembro de 2017

Corte Inglês : uma grande aposta enogastronómica

O Corte Inglês apostou forte numa nova área situada no piso 7, que se estende ao longo de 5000 metros quadrados (mais 1000 na esplanada exterior!).
Ali pode encontrar a garrafeira (o Club del Goumet, que veio lá de baixo) que agora ocupa todo o espaço central do 7º piso. Neste momento, deve ser o maior espaço em Portugal na sua componente garrafeira/loja gourmet e com a maior oferta em vinhos de qualidade e produtos de mercearia fina. Tudo boas notícias. A má, é que também os preços estão em consonância.
À semelhança da Time Out, no Mercado da Ribeira, também o Corte Inglês convidou alguns chefes de nomeada para abrirem ali novas antenas dos seus projectos. E eles são:
.José Avillez - Tasca Chic e Jacaré
.Henrique Sá Pessoa - Balcão
.Kiko Martins - O Poke
.Roberto Ruiz - Cascabel (cozinha mexicana)
.Pepe Solla - Atlântico (cozinha galega)
.Aitor Ansorena - Imanol (cozinha basca)
Não entendo porque não convidaram mais um chefe prestigiado (e temos mais uns tantos), em vez de terem dado 2 espaços ao José Avillez. Ele não precisa!
Para além destes espaços gourmet, também se pode usufruir do Wine Bar (vinhos a copo) e de The G Bar (outras bebidas a copo) e dos produtos das marcas de referência (com balcão próprio) Alcôa (doçaria), Godiva (chocolates), Landeau (chocolates), Nannarella (gelados artesanais), La Gondola (conservas), Dammann (chás) e Cigar World (charutos).
Este novo projecto do Corte Inglês, comparado com o Mercado da Ribeira, é mais ambicioso, elitista e, por enquanto, está livre da invasão turística. Mas, por outro lado, prevejo que o acesso ao 7º piso possa ser um inferno, pois o Corte Inglês só dispõe de 2 elevadores para tal.
Logo que possa, irei testar o funcionamento dos novos balcões gastronómicos, tal como fiz no Mercado da Ribeira. Ver para crer.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O regresso ao Magano : o Douro no seu melhor

Tive a oportunidade de regressar ao Magano, a convite de 2 amigos que fazem parte do Grupo dos 6. Os vinhos eram apenas dois (1 branco e 1 tinto em magnum), mas estiveram num patamar de excelência. E eles foram:
.Maçanita Os Canivéis 2015 (garrafa nº 479/866 levada por mim) - produzido pelos irmãos e enólogos Joana e António Maçanita, com base em vinhas velhas (mais de 60 anos) a 600 metros de altitude, tendo estagiado 9 meses em barricas novas; muita fruta, notas florais, acidez notável, um toque de verniz, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis. Uma raridade dificil de encontrar. Complexo e gastronómico. Nota 18.
Acompanhou mini empadas, salada de polvo e torresmos.
Voltou a ser bebido no final da refeição, com queijadas de requeijão.
.Qtª da Leda 1999 em magnum (levada pelo João Quintela e Frederico Oom) - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou 12 a 18 meses em barricas novas de carvalho francês; aromas e sabores terciários, alguma fruta e notas vegetais, acidez no ponto e especiado, taninos civilizados, bom volume e final de boca persistente. Fresco, equilibrado e elegante, ainda longe da reforma. Nota 18,5.
Harmonizou com um excelente cabrito no forno, arroz de miúdos e grelos.
No final do repasto, o dono ainda teve a amabilidade de nos dar a provar um surpreedente Vinho Velho do Douro 1965 (Garrafeira Particular do engº José Montenegro Teixeira Leal) - muito complexo, taninos poderosos e final interminável. Servido em balão, comporta-se como um (bom) conhaque.
Acompanhou uma tarte de amêndoa.
Grande sessão, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.
Resta acrescentar que numa das paredes do Magano, está um quadro com um poema da Florbela Espanca (O Meu Alentejo) e uma aguarela, pintada em 2010 pelo arquitecto que transformou o espaço (lamentavelmente escapou-me o seu nome).

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

CR 7 Corner : um golo e outros tantos perdidos

O CR 7 Corner é um simpático espaço de restauração junto à recepção do hotel Pestana CR 7 (Rua do Comércio,54), uma parceria entre o grupo Pestana e o nosso Cristiano Ronaldo.
Fui experimentar o almoço executivo, disponível de 2ª a 6ª feira. Por 11,50 € tem-se direito a comer o couver, sopa/entrada, prato principal, sobremesa, água aromatizada e café, um muito bom preço para um restaurante de hotel. Comi creme de grão com espinafres, polvo assado com batata doce e cappuccino de pastel de nata, tudo com qualidade acima da média.
Mesas despojadas, na onda da moda mas nada higiénico e, em contradição, guardanapos de pano. Serviço simpático, mas demorado e com algumas falhas. Os empregados são, em simultâneo, recepcionistas, bagageiros e responsáveis pelo serviço das mesas, uma espécie de 3 em 1, dando prioridade aos hóspedes do hotel.
Quanto a vinhos, inventariei 1 espumante (era  Gancia, francamente...), 3 champanhes, 8 brancos (os verdes estão à parte), 6 tintos (à temperatura ambiente) e 2 rosés, todos (exceptuando os champanhes) a copo. Lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos.
Na carta do bar constam, ainda, 8 vinhos do Porto, 1 Madeira e 12 cervejas. Esqueceram-se dos Moscatéis, no entanto.
Uma agradável experiência, com um golo do Ronaldo, mas alguns remates ao lado!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (II)

...continuando:
Nesta 2ª parte, procurarei inventariar as ocasiões em que o Francisco Albuquerque (FA) esteve presente na apresentação de vinhos da Madeira Wine, nas quais participei e referi oportunamente neste mesmo blogue. Ficam por relatar mais umas tantas em que não estive (por exemplo, na Garrafeira Nacional e no restaurante Via Graça) ou que nem sequer tive conhecimento.
Ei-las:
."Jantar no Corte Inglês", crónica publicada em 9/5/2010, onde o FA pôs à prova os Blandy's Malvasia 1992 e o grande Bual 1948.
."O Francisco não merecia isto!", em 15/7/2010, onde se fala de uma apresentação de 5 Colheitas e 3 Frasqueiras (Bual 1980,Terrantez 1976 e Bual 1968), seguida de jantar. Este evento foi organizado pelo Rui Lourenço Pereira (Qtª Wine Guide) e decorreu no restaurante do Clube dos Jornalistas.
."Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreendidos", em 12/7/2011, onde se refere um jantar na Commenda (na altura o restaurante de referência do CCB) comemorativo dos 200 anos da Blandy, contando também com a presença do Chis Blandy. Este evento contou com a presença de 60 participantes da Tertúlia Madeirense e 40 antigos amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho, tendo o Adelino de Sousa, ao pertencer simultaneamente aos 2 grupos, sido o grande impulsionador.
No decorrer do mesmo o FA apresentou 13 (treze!) vinhos Madeira, dos quais 5 eram 40 Anos (Cercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malvasia). Foram ainda servidos 6 Frasqueiras, o que incluiu o Bual 1920, a jóia da coroa da Madeira Wine. Bingo!
A equipa da Maria João Almeida, que também esteve presente neste irrepetível evento, entrevistou o FA, o Chris e o Adelino.
."Um jantar com o Francisco Albuquerque", em 22/5/2014, onde se refere um jantar que decorreu no Real Palácio, desta vez com a presença de uma série de responsáveis por pontos de venda e representantes de órgãos da imprensa especializada (Revista de Vinhos e Wine Passion) e generalista. Foram apresentados alguns colheitas de 1998, mas a estrela da noite foi o lançamento nacional do Blany's Frasqueira Malvasia 1988.
."Curtas (LVIII) : as novidades da Blandy (...)", em 5/5/2015, onde se fala numa apresentação de vinhos Madeira no Hotel Porto Bay Liberdade, mais uma vez com o FA.
."A Madeira em Lisboa", em 8/12/2015, onde se refere uma nova apresentação no Porto Bay, que contou também com a presença do Chris Blady, tendo o FA apresentado 1 Colheita e 5 Frasqueiras, com destaque para o fabuloso Terrantez 1977.
."Vinhos da Madeira em Lisboa : Barbeito, Blandy's e Borges", em 10/11/2016. Este evento, um dos acontecimentos do ano 2016, foi organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas (João e Sara Quintela) e decorreu na sala nova do restaurante Casa do Bacalhau, totalmente lotada. Para além da presença do FA que apresentou 4 vinhos Madeira, também estiveram o Ricardo Diogo (Barbeito) e o Ivo Couto (Borges) com mais outros tantos.
Resta dizer que o grupo de prova de vinhos Madeira, do qual faço parte, já participou em 27 almoços ou jantares, onde em todos eles se provam/bebem néctares daquela ilha.
Mas, por  ter sido muito especial, realço o jantar na Casa da Dízima, por iniciativa do Adelino e com a presença do FA, onde também participaram, como nossos convidados, a Sandra Tavares da Silva e o Jorge Serôdio Borges. Este evento deu origem à crónica "678 anos de vinhos fortificados (...)", publicada em 15/12/2015.
A lista vai longa, mas creio que chega para confirmar que o Francisco Albuquerque teria merecido ser referido pelo Pedro Garcias no artigo da Fugas citado na 1ª parte desta crónica.
 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (I)

O Francisco Albuquerque, reputado enólogo da Madeira Wine, foi injustiçado mais uma vez. A primeira tem a haver com o facto de o seu valor ser reconhecido lá fora (foi nomeado o melhor enólogo do mundo por mais de uma vez), enquanto por cá tardaram em lhe fazer justiça.
Para memória futura, recordo algumas das crónicas que publiquei na altura, nomeadamente "Francisco Albuquerque mais uma vez injustiçado" em 21/2/2011, "Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreedidos", em 12/7/2011 e "Rescaldo dos Prémios 2011 da Revista de Vinhos", em 12/2/2012.
Vem isto a propósito de um artigo de opinião do Pedro Garcias, publicado há cerca de 2 meses (21/10) na Fugas, referindo-se ao vinho da Madeira "(...) nos últimos anos, este vinho fortificado tem vindo a ser descoberto pelos portugueses, graças, acima de tudo, a uma pessoa: Ricardo Diogo, da casa Barbeito. (...) popularizando-o, sobretudo, entre os enófilos e as novas gerações de enólogos. (...)".
Não tenho nada contra o Ricardo Diogo, mas acho de uma grande injustiça o Pedro Garcias não ter mencionado o Francisco Albuquerque, para mim e para o meu grupo de militantes dos vinhos da Madeira (à cabeça dos quais está o Adelino de Sousa, advogado madeirense radicado em Lisboa, grande conhecedor destes vinhos e já elogiado publicamente pelo Chris Blandy, CEO da Madeira Wine), o grande difusor dos néctares de excelência da Madeira Wine.
Esclareça-se que também nada tenho contra o Pedro Garcias, crítico de vinhos na Fugas e produtor no Douro (considero o seu branco Mapa Vinha dos Pais, um dos melhores que se fazem por cá), antes pelo contrário. Já me referi a ele, abonatoriamente, por mais de uma vez, nomeadamente nas crónicas "Pedro Garcias, um crítico emergente", em 22/8/2010, "Vinhos Fortificados : as minhas preferências", em 16/6/2012, e "Confronto de revistas de vinhos e a Fugas"), em 16/5/2017 (no ponto 2."A Fugas : uma pedrada no charco").
Em próxima crónica, procurarei inventariar as diversas acções de divulgação, em Lisboa (naturalmente não serão todas, pois de algumas não tive conhecimento), por parte do Francisco Albuquerque.
continua...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Pesqueiro 25 : sim, mas...

Perante tantos elogios ao Pesqueiro 25 (R. Nova do Carvalho,15-1º andar, ao Cais Sodré), não resisti à curiosidade e, recentemente, fui visitá-lo. Como não sou um grande amante de marisco, mostrei, ao empregado que me atendeu, interesse no menú de almoço do qual tive conhecimento através da net. Qual foi o meu espanto ao dizer-me que desconhecia tal facto, pois nem sequer constava na ementa. Foi um dos sócios, que se apercebeu da conversa, que me ajudou. De facto, existe mesmo um menú de almoço a 15,25 €, com direito a sopa de legumes, prego de atum, bebida "soft" e café. De lamentar que não conste da lista, nem os empregados saibam de tal coisa. Mistérios insondáveis do Pesqueiro 25...
Este espaço fica no 1º andar de um hotel, embora independente na sua gestão por parte dos sócios, dos quais faz parte o chefe João Mendes, responsável pelos tachos e fogões, que muito simpaticamente foi à minha mesa e falou comigo mais de uma vez. Mesas despojadas, como está na moda, louça e guardanapos personalizados, a contrastar. Ambiente pesado, com a predominância do negro (teto, cadeiras, algumas mesas e paredes). Como mais valia, no tempo frio, no dia em que fui estavam a inaugurar a lareira.
Em abono da verdade, tudo o que comi, tanto a sopa de legumes como o prego de atum dos Açores em bolo do caco, sucolento e avantajado, estavam muito bons. O prego, neste momento, deve ser o melhor que se pode encontrar em Lisboa.
A carta de vinhos precisa de levar uma grande volta. Os anos de colheita e os fortificados não constam, os vinhos "verdes" estão àparte e a copo só o vinho da casa. Inventariei 4 espumantes, 4 champanhes, 19 brancos (3 são colheita tardia), 8 tintos e 4 rosés. Cervejas, só as industriais, o que é uma pena num espaço que aposta forte na mariscaria.
Bebi um copo do Papa Figos 2016 - com muita fruta e a irreverência da idade, alguma acidez, taninos dóceis, algum volume e final de boca curto. Simples e correcto, é para beber novo. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo adequado e a uma temperatura aceitável.
No final, muito simpaticamente e para compensar os deslizes iniciais, não me cobraram o copo de vinho.
Pazes feitas!