quinta-feira, 29 de março de 2018

Vinhos em família (LXXXVII) : brancos em alta

Mais uns tantos vinhos provados em família (3 brancos e 1 tinto), com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 (13 % vol.) - 90 pontos na Wine Spectator; ligeira oxidação nobre, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca extenso. Boa evolução, elegância e complexidade. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5).
.Primus 2014 (13,5 % vol.) - 92 pontos no Parker; com base em vinhas velhas, maioritariamente Encruzado; fresco e mineral, cítrico, boa acidez, alguma gordura e complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª do Alqueve Tradicional 2013 (13 % vol.) - produzido por Pinhal da Torre, Alpiarça; com base na casta Fernão Pires; nariz discreto, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez no ponto, volume e final de boca médios. Um branco de outono/inverno com uma relação preço/qualidade imbatível. Nota 16.
.Chocapalha Vinha Mãe 2011 (14,5 %) - com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Syrah (30 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês; aroma vibrante, ainda com muita fruta vermelha, alguma acidez e notas de lagar, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Elegante. Nota 17,5.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Revisitando o Crôa pela enésima vez

O Crôa é o meu restaurante preferido na Praia Grande e arredores (Praia das Maçãs e etc). Porque está bem localizado, tem sempre peixe fresco, os preços são acessíveis e porque sim.
Dele já falei em "Curtas (VII)" e "Curtas XXXVIII", crónicas publicadas em 7/5/2013 e 18/9/2014, respectivamente.
Desta vez comemos ameijoas à Bolhão Pato, dourada grelhada com batatas e legumes e, ainda, a belíssima tarte de maçã com gelado. Tudo no ponto.
Na componente vínica é que é o desastre. A  lista é curta, os anos de colheita estão omissos e os copos que estão na mesa uma desgraça. A pedido, vieram copos aceitáveis.
Para compensar, fomos atendidos por um empregado que fez um serviço de 5 estrelas, o que não é habitual num espaço de restauração como este.
Optei por uma garrafa de Catarina 2016 - com base nas castas Fernão Pires, Chardonnay e Arinto; presença de citrinos e fruta madura, acidez nos mínimos, algum verniz e madeira discreta, notas amanteigadas, volume médio e final curto. Gastronómico. Nota 16. O vinho foi dado a provar.
Tem uma boa relação preço/qualidade e é uma boa defesa na restauração. Esta garrafa custou-me 10 € e levei para casa a metade que sobrou.

sábado, 24 de março de 2018

Champanheria do Largo (Av. Liberdade) : uma sombra do passado

Passados 4 anos voltei à Champanheria do Largo (ver "Borbulhas na Champanheria do Largo", crónica publicada em 20/2/2014) e saí de lá com uma grande frustação. É, de facto, uma sombra do passado.
Chegámos mais ou menos em cima das 13 h. A sala estava praticamente vazia, com a clientela, à base de turistas, a ocupar a esplanada exterior. Pedimos 2 pratos emblemáticos, a meia desfeita de bacalhau e os lombinhos de porco ibérico. Afinal nem um nem o outro! Já acabaram, foi a desculpa esfarrapada da empregada. Como é possível não haver bacalhau, património gastronómico nacional?!
Plano B:
.creme de caldo verde (saboroso, mas nada tem a haver com o tradicional)
.da memória portuguesa, os torricados (mexilhão, bacalhau e sardinha, altamente escabechados e sabendo todos ao mesmo, também nada têm a haver com os tradicionais).
Para piorar as coisas, o serviço foi excessivamemte demorado.
Quanto à componente vínica e segundo informação retirada da plataforma Zomato:
.13 champanhes (2 a copo), 8 espumantes (3), 9 brancos (9), 12 tintos (9), 2 Porto (2) e 2 Moscatéis (2), oferta a copo mais do que suficiente
.os brancos verdes estão separados dos outros brancos, um erro
.lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos
Resumindo e concluindo, a Champanheria de hoje está apenas vocacionada para o turismo e não respeita os clientes nacionais, nem sequer a nossa gastronomia.
Cartão vermelho!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Gourmet Experience (II) : o Balcão do Henrique Sá Pessoa

Voltei ao piso 7 do Corte Inglês para continuar a minha descoberta deste novo Mercado da Ribeira para ricos. Desta vez, passada a euforia inicial, o ambiente era de calmia, sem qualquer confusão.
Neste Balcão paga-se primeiro, escolhe-se mesa dentro ou fora deste espaço de restauração e espera-se. Mesmo que se esteja fora, como foi o meu caso, a comida e bebida vêm ter connosco.
A ementa, curtíssima (3 crús, 3 legumes, 3 peixes, 3 carnes e 3 sobremesas), está bem visivel num placard por cima do balcão onde cobram a refeição.
Esperei apenas cerca de 10 minutos por um belo lombo de bacalhau confitado com grão e puré do mesmo, servido numa dose avantajada.
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 5 brancos, 4 tintos, 1 rosé, 1 Porto e 1 Moscatel, todos a copo, com os preços a variar entre 3 e os 6 €.
Optei pelo Qtª Penedo Encruzado 2016 (4,50 €) - fresco e mineral, presença de citrinos, acidez q.b., algum amanteigado, volume e final de boca. Muito equilibrado, é uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo aceitável. Reparei que a temperatura dos tintos estava controlada, uma mais valia.
Gostei da experiência mas, com uma lista tão curta, não dá para visitar este Balcão muitas vezes.
A finalisar esta visita, bebi o café acompanhado com um brigadeiro no balcão da Godiva.

terça-feira, 20 de março de 2018

Novo Formato+ (30ª sessão) : uma justa homenagem a 4 produtores que já nos deixaram

O último encontro deste grupo de enófilos militantes decorreu "chez" Paula/João, tendo a Paula ficado com a responsabilidade dos tachos (ficou muito bem na fotografia) e o João no serviço dos vinhos que escolheu criteriosamente. Decidiu, em boa hora, homenagear 4 grandes senhores do vinho, entretanto já desaparecidos: José Mendonça (Qtª dos Cozinheiros, lamentavelmente declarada insolvente em 2010), António Carvalho (Casal Figueira; faleceu ainda nas vindimas daquele ano), Francisco Colaço do Rosário (Herdade do Esporão e Fundação Eugénio Almeida) e Calheiros Cruz.
Como curiosidade, nalguns dos vinhos provados, acrescentei um palpite ou outro da crítica especializada na época em que os vinhos foram lançados, nomeadamente quanto à sua evolução. Por vezes acertaram, por vezes falharam com estrondo.
Todos provados às cegas, desfilaram:
.Tio Pepe Palomino Fino Gonzalez Byass - um extra dry que serviu de bebida de boas vindas.
Acompanhou frutos secos.
.Qtª Cozinheiros 1999 (12,5 % vol.) - com base nas castas Maria Gomes e Bical; cor dourada, nariz muito afirmativo, fruta madura, oxidação nobre, notas apetroladas, boa acidez, alguma gordura e volume e final de boca longo. Grande surpresa de um vinho branco com quase 20 anos. Nota 17,5+.
O António José Salvador (JAS), no seu Roteiro dos Vinhos Portugueses 2003, não acreditou nele atribuindo-lhe apenas 1 estrela (em 5), enquanto que o João Paulo Martins (JPM) o pontuou com 5/6 (máximo 8), no seu guia Vinhos de Portugal 2002, referindo a sua boa acidez e necessidade de mais tempo.
.Casal Figueira António 2009 (12,5 % vol.) - com base na casta Vital em vinhas velhas situadas nas faldas da Serra de Montejunto; nariz discreto, ligeira oxidação, bela acidez, mas volume apagado e final curto. Nota 16,5.
O JPM no guia Vinhos de Portugal 2011 vaticinou que podia ser bebido e guardado, classificando-o com 16,5.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 Rueda (13 % vol.) - provado em Agosto 2017, mantenho o que afirmei na crónica "Sem Dúvida revisitado" e mantenho a nota de 18.
Estes 3 brancos maridaram com uma saborosíssima sopa do mar.
.Esporão 1987 (12 % vol.) - apresenta-se com um rótulo pintado pelo Cargaleiro; nariz afirmativo, aromas e sabores terciários, acidez presente, especiado, volume médio e final de boca muito persistente. Complexo, fino, fresco e elegante. Um tinto alentejano com mais de 30 anos, é obra! Nota 18,5.
O chamado Guia da Comporta (o primeiro a publicar-se em Portugal) já referia, curiosamente, a cor granada acastanhado e o aroma e sabor a velho, atribuindo-lhe 6 copos (máximo 7).
O JAS, no seu Roteiro 1993, referiu que este tinto, "de um ano para o outro, evoluiu de forma inesperada", classificando-o com 3/4 estrelas (máximo 5).
.Calheiros Cruz Grande Escolha 1997 (13 % vol.) - nariz discreto, alguma fruta e notas vegetais, acidez equilibrada, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Nota 17.
O JPM no seu Guia 2000 considerou-o um vinho de guarda e "um enorme tinto em perspectiva", o que não se confirmou, classificando-o com 7 (em 8).
.Aalto 2014 (15 % vol.) - com base na casta Tinto Fino, estagiuou 16 meses em barrica; aroma intenso, ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado com a pimenta a impor-se, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18 (noutra situação, também 18).
Estes 3 tintos harmonizaram com um misto de carnes no forno (codorniz, frango do campo, coelho e teclado), com migas de batatas e bróculos.
.Madeira Meio Seco Reserva Velha do IVM - nariz exuberante, frutos secos, iodo, caril, vinagrinho, notas salgadas, algum volume e final interminável. Uma complexa raridade. Nota 18,5+.
Acompanhou queijadas de Sintra e peros assados.
Grande e memorável sessão. Obrigado Paula! Obrigado João!

quinta-feira, 15 de março de 2018

Como estamos de brancos (e tintos, já agora)? O que dizem as revistas especializadas. (2ª parte)

continuando...
Não disse na 1ª parte desta crónica (no ponto 2.Metodologia), mas vou dizer agora:
.Parte nas notas atribuídas em ambas as revistas foram dadas individualmente pelo respectivo provador, mas uma parte significativa teve como base os resultados dos painéis da GE (Douro de Excelência, em Novembro, e Tintos do Alentejo, em Dezembro) e da RV (Tintos de Excelência, em Novembro).
.Nas provas verticais, apenas considerei os vinhos de colheitas deste século, ficando de fora os das últimas décadas do século anterior.
.Tive alguma dificuldade na inventariação dos vinhos seleccionados pela RV, uma vez que o mesmo vinho aparecia mais de uma vez ao longo da revista (a título de exemplo, o Pera Manca 2013 apareceu 3 vezes no mesmo número!).
4.TINTOS
4.1 - GE
Foram eleitos 58 vinhos, o que corresponde a 56,9 % do total dos 102 vinhos seleccionados (brancos e tintos), classificados com:
.19 - 9 (Poeira 44 Barricas 2014, Qtª da Leda 2015, Qtª Nova Nossa Srª do Carmo Grande Reserva 2015, Qtª Monte Xisto 2015, Qtª da Boavista Vinha Ujo 2014, Esporão Private Selection 2012, Herdade do Rocim Clay Aged 2015, Júlio J. Bastos Alicante Bouschet Grande Reserva 2014 e Pera Manca 2013).
.18,5 - 16
.18 - 33
Por Região:
.Douro - 32 (55,2 % do total de tintos seleccionados)
.Dão - 5 e Bairrada/Beiras - 5 (17,2 % em conjunto)
.Alentejo - 13 (22,4 %)
.Outras (Lisboa, Tejo e Setúbal) - 3
Por colheita:
.2015 - 22
.2014 - 16
.2013 - 8
.2012 - 3
.2011 - 6
.outras anteriores - 3
4.2 - RV
Foram eleitos 52 vinhos, o que corresponde a 86,7 % do total dos 60 vinhos seleccionados (brancos e tintos), classificados com:
.19 - 4 (Mouchão Tonel 3-4 2011, Qtª da Boavista Vinha do Oratório 2014 e Qtª Gaivosa 2005 e 2011)
.18,5 - 13
.18 - 35
Por Região:
.Douro - 36 (69,2 % do total de tintos seleccionados)
.Dão - 2 e Bairrada/Beiras - 4 (11,5 % em conjunto)
.Alentejo - 8 (15,4 %)
.Outras - 2
Por colheita:
.2015 - 20
.2014 - 10
.2013 - 10
.2012 - 2
.2011 - 3
.outras anteriores - 7
5.Conclusões
.Quanto aos tintos eleitos, o Douro fez o pleno, alcançando o 1º lugar em ambas as revistas, não havendo grandes diferenças no respeitante às restantes Regiões.
.Quanto aos brancos, a diferença é abismal e preocupante. Razões para tal disparidade?
Das duas, uma:
.ou a bitola dos críticos da GE está deveras inflaccionada (e, também a minha*)
.ou os brancos de qualidade (e cada vez há mais) passaram ao lado dos críticos da RV

Caros seguidores do enófilo militante, quem quer dar um palpite?

* nos mesmos 3 meses, elegi 16 brancos provados por mim (8 com 18 pontos, 5 com 17,5+ e 3 com 17,5)



quarta-feira, 14 de março de 2018

Próximos eventos vínicos (continuação)

4.Setembro a Vida Inteira
Com ante-estreia marcada para hoje na Cinemateca, estreia-se àmanhã dia 15, nalgumas salas do país (em Lisboa, no cinema City de Alvalade) o referido filme documentário sobre o mundo do vinho, realizado pela Ana Sofia Fonseca, autora do livro "Barca Velha - Histórias de um Vinho".
Mais informações em www.setembroavidainteira.pt.

5.Gala Tejo 2018
Organizada pela CVR Tejo em parceria com a Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo, realiza-se no dia 24 de Março, pelas 19 h, no Hotel dos Templários, em Tomar, a Gala Tejo que inclui  distribuição de prémios e jantar.
Mais informações em www.confrariadotejo.pt.