Esta e a próxima crónica são dedicadas a 3 espaços de restauração que me cativaram, dos quais um é a confirmação (Enoteca de Belém) e os outros dois (Prado e Lugar Marcado) surpresas apaixonantes.
Começo pelo
1.Lugar Marcado (Rua do Regedor,7 ao Largo do Caldas)
Este espaço, restaurante e garrafeira cuja proprietária, gestora e chefe de sala, é a Fátima Rodrigues (ex-sócia do Descobre) já aqui citada, é pequeno (apenas 25 lugares), muito confortável, bem decorado e não aderiu a modas, pois todas as mesas têm direito a toalhas e guardanapos de pano, o que é de louvar.
O conceito deste novo espaço tem alguma coisa a haver com o Descobre, nomeadamente quanto ao menú e à garrafeira disponível a clientes e a não clientes (mas no Lugar Marcado os preços são sempre os mesmos, quer se consuma a garrafa na altura ou se leve para casa).
Os copos são Schott, com a marca dos 15cl bem visível, e os vinhos são servidos à temperatura correcta, pois o restaurante dispõe de armários térmicos, uma mais valia. Mas nem tudo é perfeito, pois a lista dos vinhos a copo (2 espumantes, 5 brancos, 3 tintos, 2 rosés, 10 fortificados e 2 cervejas artesanais) é omissa quanto a anos de colheita. Um aspecto a corrigir.
Nas comidas é possível escolher entre 7 tábuas, 20 petiscos, 6 peixes, 5 carnes, 8 sobremesas, 11 acompanhamentos e 3 pratos vegetarianos, uma oferta mais que suficiente.
Escolhi empadinhas, berbigão à Bolhão Pato, petisco de alheira com maçã caramelizada, polvo marinado e gelado de alfarroba, tudo de grande qualidade e em doses generosas para partilhar.
Quanto a vinhos optei pelo Qtª Stº António Encruzado 2014 (4,50 € o copo) - nariz intenso, fresco e mineral, presença de citrinos e maçãs, acidez no ponto e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Resumindo e concluindo, foi uma bela jornada. Recomendo e tenciono voltar.
A 2ª parte desta crónica será dedicada ao Prado (novidade) e à Enoteca de Belém (confirmação).
terça-feira, 17 de abril de 2018
quinta-feira, 12 de abril de 2018
Grupo dos 6 (9ª sessão) : fortificados raros e nunca vistos
Mais uma sessão deste grupo de enófilos da linha dura (embora desfalcado de um dos seus elementos) que decorreu no Magano, com a qualidade gastronómica e um serviço de vinhos que já nos habituaram, tendo-se batido com 2 brancos, 2 tintos e 2 fortificados.
Desfilaram:
.Villa Oliveira Vinha do Províncio 2012 (garrafa nº 798/1238, levada pelo Frederico) - estagiou 9 meses em barricas, tendo sido lançado em Outubro 2015; simultaneamente fresco e untuoso, bela acidez, grande complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Ainda longe da reforma. Nota 18.
.Sidecar 2016 (garrafa nº 1434/1700, levada pelo J.Rosa) - Prémio Excelência 2017 da Revista de Vinhos; presença de citrinos e algum vegetal, acidez contida, volume e final de boca médios. Apagou-se ao lado do anterior. Com má relação preço/qualidade, precisa de tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e uma belíssima barriga de atum braseada com grelos.
.Qtª Leda 2009 (levado pelo João) - com base nas castas T. Nacional (50 %), T. Franca (40 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 1 ano em barricas de carvalho (50 % novas); nariz discreto, ainda com alguma fruta vermelha, acidez equilibrada, algum especiado, taninos presentes civilizados, algum volume e final de boca extenso. a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Ferreirinha Reserva Especial 2009 (levado por mim) - aroma discreto, ainda com fruta, acidez fabulosa, especiado e complexo, taninos evidentes, grande estrutura e final de boca muito persistente.
A meio caminho entre a potência e a "finesse". A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos maridaram com um saboroso arroz de pombo bravo.
.Krohn Vintage 1931 (levado pelo Adelino) - nariz contido, frutos secos, notas de iodo e caril, acidez no ponto, fresco e complexo, taninos suaves, estrutura e final de boca interminável. Uma raridade com um perfil muito próximo de um tawny velho. Nota 18,5+.
.Artur Barros e Sousa Malvasia da Fajã 1934 (também levado pelo Adelino) - aromático, presença de frutos secos, citrinos, iodo e caril, vinagrinho e taninos evidentes, algum volume e final de boca muito persistente. Uma raridade, ainda longe da reforma. Nota 19.
Estes 2 fortificados harmonizaram com bolo de chocolate, sericaia e tarte de amêndoa.
Foi uma grande e irrepetível sessão, com 1 surpreendente branco ( o outro desiludiu), 2 tintos de respeito e 2 fortificados raros e (quase) nunca vistos!
Desfilaram:
.Villa Oliveira Vinha do Províncio 2012 (garrafa nº 798/1238, levada pelo Frederico) - estagiou 9 meses em barricas, tendo sido lançado em Outubro 2015; simultaneamente fresco e untuoso, bela acidez, grande complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Ainda longe da reforma. Nota 18.
.Sidecar 2016 (garrafa nº 1434/1700, levada pelo J.Rosa) - Prémio Excelência 2017 da Revista de Vinhos; presença de citrinos e algum vegetal, acidez contida, volume e final de boca médios. Apagou-se ao lado do anterior. Com má relação preço/qualidade, precisa de tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e uma belíssima barriga de atum braseada com grelos.
.Qtª Leda 2009 (levado pelo João) - com base nas castas T. Nacional (50 %), T. Franca (40 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 1 ano em barricas de carvalho (50 % novas); nariz discreto, ainda com alguma fruta vermelha, acidez equilibrada, algum especiado, taninos presentes civilizados, algum volume e final de boca extenso. a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Ferreirinha Reserva Especial 2009 (levado por mim) - aroma discreto, ainda com fruta, acidez fabulosa, especiado e complexo, taninos evidentes, grande estrutura e final de boca muito persistente.
A meio caminho entre a potência e a "finesse". A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos maridaram com um saboroso arroz de pombo bravo.
.Krohn Vintage 1931 (levado pelo Adelino) - nariz contido, frutos secos, notas de iodo e caril, acidez no ponto, fresco e complexo, taninos suaves, estrutura e final de boca interminável. Uma raridade com um perfil muito próximo de um tawny velho. Nota 18,5+.
.Artur Barros e Sousa Malvasia da Fajã 1934 (também levado pelo Adelino) - aromático, presença de frutos secos, citrinos, iodo e caril, vinagrinho e taninos evidentes, algum volume e final de boca muito persistente. Uma raridade, ainda longe da reforma. Nota 19.
Estes 2 fortificados harmonizaram com bolo de chocolate, sericaia e tarte de amêndoa.
Foi uma grande e irrepetível sessão, com 1 surpreendente branco ( o outro desiludiu), 2 tintos de respeito e 2 fortificados raros e (quase) nunca vistos!
terça-feira, 10 de abril de 2018
Gourmet Experience (III) : o Atlántico de Pepe Solla e o Poke do Kiko
1.Atlántico
O chefe galego Pepe Solla, já agraciado pelo Guia Michelin pelo seu restaurante em Pontevedra, abriu um espaço no 7º piso do Corte Inglês, essencialmente dedicado ao peixe.
Na curtíssima ementa constam apenas 3 pratos "desde o mar até à mesa" e 2 "somos mais que o mar", todos a preços altos, tendo eu optado por uma deslumbrante "merluza de Celeiro", o topo de gama da pescada a nivel mundial.
Quanto a vinhos, 8 brancos e 7 tintos a copo, mas sem indicação dos anos de colheita.
Escolhi o Dão Alvaro de Castro 2016 (4,50 €) - fresco, presença de citrinos, notas florais, acidez no ponto, volume e final de boca médios, ligou bem com a pescada. Nota 16.
Mesas despojadas, mas com o talher protegido dentro do guardanapo de papel, e serviço desatento.
A sobremesa foi um pampilho, comprado no balcão do Alcôa.
2.Poke
A moda do Poke veio do Havai e o chefe Kiko Martins já a adoptou.
A oferta não é muito alargada, mas entre uma dezena destes pratos, escolhi o Poke puro à base de atum, algas, sésamo e abacate. Uma explosão de sabores!
Quanto à componente vínica inventariei 1 espumante (também a copo), 1 champanhe, 8 brancos (1 a copo), 2 rosés, 4 tintos (1), 1 Porto e 1 Moscatel (estes fortificados a copo). A oferta a copo, como se constata, é demasiado curta.
Optei pelo branco A Cevicharia 2017 (uma parceria com a Qtª Monte d' Oiro, 4,80 €) - muito aromático, fresco e mineral, cítrico, fino e elegante, volume e final de boca médios. Ligou bem com o prato. Nota 16.
Fiquei ao balcão, onde se pode acompanhar o que se passa na cozinha.
Mesas despojadas, vinhos tintos à temperatura ambiente e serviço desatento.
Quanto à sobremesa, voltei ao Alcôa e marchou um belíssimo pastel de nata.
Resumindo e concluindo, boas apostas gastronómicas, preços altos e serviços desatentos.
O chefe galego Pepe Solla, já agraciado pelo Guia Michelin pelo seu restaurante em Pontevedra, abriu um espaço no 7º piso do Corte Inglês, essencialmente dedicado ao peixe.
Na curtíssima ementa constam apenas 3 pratos "desde o mar até à mesa" e 2 "somos mais que o mar", todos a preços altos, tendo eu optado por uma deslumbrante "merluza de Celeiro", o topo de gama da pescada a nivel mundial.
Quanto a vinhos, 8 brancos e 7 tintos a copo, mas sem indicação dos anos de colheita.
Escolhi o Dão Alvaro de Castro 2016 (4,50 €) - fresco, presença de citrinos, notas florais, acidez no ponto, volume e final de boca médios, ligou bem com a pescada. Nota 16.
Mesas despojadas, mas com o talher protegido dentro do guardanapo de papel, e serviço desatento.
A sobremesa foi um pampilho, comprado no balcão do Alcôa.
2.Poke
A moda do Poke veio do Havai e o chefe Kiko Martins já a adoptou.
A oferta não é muito alargada, mas entre uma dezena destes pratos, escolhi o Poke puro à base de atum, algas, sésamo e abacate. Uma explosão de sabores!
Quanto à componente vínica inventariei 1 espumante (também a copo), 1 champanhe, 8 brancos (1 a copo), 2 rosés, 4 tintos (1), 1 Porto e 1 Moscatel (estes fortificados a copo). A oferta a copo, como se constata, é demasiado curta.
Optei pelo branco A Cevicharia 2017 (uma parceria com a Qtª Monte d' Oiro, 4,80 €) - muito aromático, fresco e mineral, cítrico, fino e elegante, volume e final de boca médios. Ligou bem com o prato. Nota 16.
Fiquei ao balcão, onde se pode acompanhar o que se passa na cozinha.
Mesas despojadas, vinhos tintos à temperatura ambiente e serviço desatento.
Quanto à sobremesa, voltei ao Alcôa e marchou um belíssimo pastel de nata.
Resumindo e concluindo, boas apostas gastronómicas, preços altos e serviços desatentos.
domingo, 8 de abril de 2018
À volta da casta Fernão Pires (2ª parte) : o almoço
...continuando:
3.O almoço
O repasto decorreu na Taberna Ó Balcão, no centro de Santarém, com o Rodrigo Castelo, chefe e proprietário deste espaço, a harmonizar as suas iguarias com os vinhos servidos, todos com base na casta Fernão Pires, a rainha da festa.ça
Desfilaram:
.Companhia das Lezírias Tyto Alba 2016 (terroir Charneca) - com um pouco de Arinto; presença de citrinos, acidez e algum vegetal, volume e final de boca médios. Nota 15,5.
Acompanhou tábuas de queijos e enchidos e, ainda, 3 surpreendentes e deliciosos petiscos (coscorão do rio até ao mar, croquete de toiro bravo e bucha de capado).
.João Barbosa Ninfa Maria Gomes 2016 (terroir Bairro; não entendo a lógica deste produtor, ao colocar no rótulo o nome bairradino da Fernão Pires) - aromático, fresco e mineral, acidez equilibrada, notas vegetais, algum volume e final de boca curto. Nota 16.
Servido com achegã (peixe demasiado neutro) e uma fabulosa açorda de ovas de barbo, o vinho passou por baixo.
.Casal Branco Falcoaria Fernão Pires Vinhas Velhas 2016 (terroir Charneca) - vencedor do último Concurso de Vinhos do Tejo; aroma complexo, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez no ponto, notas amanteigadas, estruturado e final de boca persistente. Nota 17,5.
Aguentou-se com acém de toiro maturado, puré de inhame e legumes grelhados.
.Qtª da Alorna Abafado 5 Anos - fresco, simples e agradável, cumpriu a sua função. Nota 16.
.Qtª da Lagoalva Abafado 1964 - muito mais complexo, gordo, alguma acidez e boa estrutura. Uma raridade. Nota 17,5
Estes vinhos finais foram servidos com algumas sobremesas da casa.
De louvar:
.a criatividade do chefe e o facto de ter vindo às mesas
.os copos Riedel para todos os vinhos (que também foram utilizados na prova didáctica, o que, por lapso, não referi na 1ª parte da crónica)
De criticar:
.os vinhos chegaram sempre atrasados à mesa, já os pratos lá estavam, quando deveria ser ao contrário. Um aspecto a corrigir.
4.O senhor Fernão Pires
Achei curioso recordar o que o saudoso José António Salvador (JAS) escreveu no seu livro "16 Castas Portuguesas", edição do Jornal de Notícias em 2005. Para cada uma das 16 castas seleccionadas, o autor nomeou um enólogo representativo e um vinho da sua autoria, tendo escolhido para a casta Fernão Pires o actual presidente do IVV, Frederico Falcão (FF) de seu nome, na altura enólogo na Companhia das Lezírias. O vinho seleccionado foi o Companhia das Lezírias Fernão Pires 2003, considerado pelo JAS uma obra-prima.
Entre outras perguntas e respostas, destaco esta:
"JAS - Considera a casta Fernão Pires de nível qualitativo semelhante à Alvarinho, Encruzado ou Arinto?
FF - Sem duvida. Considero a Fernão Pires uma grande casta e uma das que tem mais potencial entre as castas brancas nacionais. Estou convencido que o Ribatejo já aprendeu a trabalhar esta casta devidamente e surgem já no mercado grandes vinhos de Fernão Pires. Respeite-se a casta e a sua acidez natural e vamos confirmar que é uma casta de grande potencial vinícola.".
5.Conclusões
A CVR Tejo está de parabéns ao organizar, com o apoio da Joana Pratas, este didáctico evento à volta da casta Fernão Pires.
A prova das amostras pode ter sido cansativa, mas foi largamente compensada com a prova de alguns vinhos mais antigos (e foi pena que não tivessem sido mais), que comprovaram que a Fernão Pires, se bem tratada, pode proporciar-nos brancos apaixonantes, como foi o caso do 5ª de Mahler 2000 e do Falcoaria 1994.
3.O almoço
O repasto decorreu na Taberna Ó Balcão, no centro de Santarém, com o Rodrigo Castelo, chefe e proprietário deste espaço, a harmonizar as suas iguarias com os vinhos servidos, todos com base na casta Fernão Pires, a rainha da festa.ça
Desfilaram:
.Companhia das Lezírias Tyto Alba 2016 (terroir Charneca) - com um pouco de Arinto; presença de citrinos, acidez e algum vegetal, volume e final de boca médios. Nota 15,5.
Acompanhou tábuas de queijos e enchidos e, ainda, 3 surpreendentes e deliciosos petiscos (coscorão do rio até ao mar, croquete de toiro bravo e bucha de capado).
.João Barbosa Ninfa Maria Gomes 2016 (terroir Bairro; não entendo a lógica deste produtor, ao colocar no rótulo o nome bairradino da Fernão Pires) - aromático, fresco e mineral, acidez equilibrada, notas vegetais, algum volume e final de boca curto. Nota 16.
Servido com achegã (peixe demasiado neutro) e uma fabulosa açorda de ovas de barbo, o vinho passou por baixo.
.Casal Branco Falcoaria Fernão Pires Vinhas Velhas 2016 (terroir Charneca) - vencedor do último Concurso de Vinhos do Tejo; aroma complexo, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez no ponto, notas amanteigadas, estruturado e final de boca persistente. Nota 17,5.
Aguentou-se com acém de toiro maturado, puré de inhame e legumes grelhados.
.Qtª da Alorna Abafado 5 Anos - fresco, simples e agradável, cumpriu a sua função. Nota 16.
.Qtª da Lagoalva Abafado 1964 - muito mais complexo, gordo, alguma acidez e boa estrutura. Uma raridade. Nota 17,5
Estes vinhos finais foram servidos com algumas sobremesas da casa.
De louvar:
.a criatividade do chefe e o facto de ter vindo às mesas
.os copos Riedel para todos os vinhos (que também foram utilizados na prova didáctica, o que, por lapso, não referi na 1ª parte da crónica)
De criticar:
.os vinhos chegaram sempre atrasados à mesa, já os pratos lá estavam, quando deveria ser ao contrário. Um aspecto a corrigir.
4.O senhor Fernão Pires
Achei curioso recordar o que o saudoso José António Salvador (JAS) escreveu no seu livro "16 Castas Portuguesas", edição do Jornal de Notícias em 2005. Para cada uma das 16 castas seleccionadas, o autor nomeou um enólogo representativo e um vinho da sua autoria, tendo escolhido para a casta Fernão Pires o actual presidente do IVV, Frederico Falcão (FF) de seu nome, na altura enólogo na Companhia das Lezírias. O vinho seleccionado foi o Companhia das Lezírias Fernão Pires 2003, considerado pelo JAS uma obra-prima.
Entre outras perguntas e respostas, destaco esta:
"JAS - Considera a casta Fernão Pires de nível qualitativo semelhante à Alvarinho, Encruzado ou Arinto?
FF - Sem duvida. Considero a Fernão Pires uma grande casta e uma das que tem mais potencial entre as castas brancas nacionais. Estou convencido que o Ribatejo já aprendeu a trabalhar esta casta devidamente e surgem já no mercado grandes vinhos de Fernão Pires. Respeite-se a casta e a sua acidez natural e vamos confirmar que é uma casta de grande potencial vinícola.".
5.Conclusões
A CVR Tejo está de parabéns ao organizar, com o apoio da Joana Pratas, este didáctico evento à volta da casta Fernão Pires.
A prova das amostras pode ter sido cansativa, mas foi largamente compensada com a prova de alguns vinhos mais antigos (e foi pena que não tivessem sido mais), que comprovaram que a Fernão Pires, se bem tratada, pode proporciar-nos brancos apaixonantes, como foi o caso do 5ª de Mahler 2000 e do Falcoaria 1994.
quinta-feira, 5 de abril de 2018
Próximos eventos : Peixe em Lisboa, Vinho à Mesa e Enophilo Wine Fest
1.Peixe em Lisboa
Organizada pela ATL (Associação do Turismo de Lisboa, cuja face mais visível é o Duarte Calvão) a 11ª edição deste evento arranca hoje às 18h no Pavilhão Carlos Lopes, estende-se até ao dia 15, sempre com início às 12h, e conta com os seguintes espaços de restauração e chefes:
.Ribamar (Helder Chagas)
.Ibo
.Loco (Alexandre Silva)
.Paulo Morais
.Kiko Martins
.Arola by Penha Longa
.Varanda - Ritz Four Seasons
.Taberna Fina (André Magalhães)
.O Mariscador (Rodrigo Castelo)
.Casa do Bacalhau (João Bandeira)
2.Vinho à Mesa
O último livro da Maria João Almeida, "Vinho à Mesa. Treze Chefes, Treze Regiões, 265 Vinhos" vai ser apresentado dia 12 de Abril, também no Pavilhão Carlos Lopes, pelo gastrónomo Duarte Calvão (blogue Mesa Marcada) e pelo enólogo Frederico Falcão (presidente do IVV).
3.Enophilo Wine Fest
Com organização do Luís Gradíssimo (blogue Avinhar), irá decorrer no Salão Nobre do Hotel Ritz a 4ª edição deste evento que contará com 3 Provas Especiais e prova livre de cerca de 200 vinhos de 40 produtores.
Organizada pela ATL (Associação do Turismo de Lisboa, cuja face mais visível é o Duarte Calvão) a 11ª edição deste evento arranca hoje às 18h no Pavilhão Carlos Lopes, estende-se até ao dia 15, sempre com início às 12h, e conta com os seguintes espaços de restauração e chefes:
.Ribamar (Helder Chagas)
.Ibo
.Loco (Alexandre Silva)
.Paulo Morais
.Kiko Martins
.Arola by Penha Longa
.Varanda - Ritz Four Seasons
.Taberna Fina (André Magalhães)
.O Mariscador (Rodrigo Castelo)
.Casa do Bacalhau (João Bandeira)
2.Vinho à Mesa
O último livro da Maria João Almeida, "Vinho à Mesa. Treze Chefes, Treze Regiões, 265 Vinhos" vai ser apresentado dia 12 de Abril, também no Pavilhão Carlos Lopes, pelo gastrónomo Duarte Calvão (blogue Mesa Marcada) e pelo enólogo Frederico Falcão (presidente do IVV).
3.Enophilo Wine Fest
Com organização do Luís Gradíssimo (blogue Avinhar), irá decorrer no Salão Nobre do Hotel Ritz a 4ª edição deste evento que contará com 3 Provas Especiais e prova livre de cerca de 200 vinhos de 40 produtores.
terça-feira, 3 de abril de 2018
À volta da casta Fernão Pires (1ª parte : a prova didáctica)
1.Introdução
A convite da CVR Tejo, um grupo de enófilos participou numa interessantíssima prova didáctica sobre a casta Fernão Pires (Maria Gomes, na Bairrada). Tendo como pano de fundo uma vista espectacular do Tejo, fomos recebidos pelo presidente da CVR (Luís de Castro) e pelo director geral (João Silvestre) que explicou a casta e respectivos "terroirs", onde ela se desenvolve, ou seja, o Bairro a norte do rio (mais apropriado a tintos), a Charneca a sul e o Campo/Lezíria do Tejo, entalado entre ambos, onde a Fernão Pires melhor se revela. Se bem tratada, produz vinhos longevos e de grande personalidade.
As principais revistas especializadas (Vinho Grandes Escolhas, Revista de Vinhos, Escanção e Paixão pelo Vinho), alguma imprensa generalista (Público, Sábado, Observador e Correio da Manhã) e a blogosfera (Avinhar, Comer Beber Lazer, Gastrossexual, Joli e este enófilo militante) estiveram presentes.
2. A prova
Com orientação dos enólogos Martta Simões (Qtª Alorna) e Diogo Campilho (Qtª Lagoalva) desfilaram uma série de vinhos base representativos da casta Fernão Pires, oriundos dos diversos "terroirs", saídos das cubas e cujo destino final, ou como mono-casta ou para lote, ainda não está definido.A prova foi algo penosa para o meu palato dado que, na maior parte, os vinhos ainda não estavam feitos.
Mas a situação alterou-se quando passámos a provar brancos da casta Fernão Pires já com alguma idade, como foi o caso do Qtª S.João Baptista 2003 (oxidado, mas com uma boa acidez a suportá-lo), do surpreendente e original Terra Larga 5ª de Mahler 2000 (já aqui referido em "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónica publicada em 1/2/2018), do Casal Branco Falcoaria 1994 (ainda do tempo do João Portugal Ramos, cheio de saúde e personalidade) e do Caves Dom Teodósio Garrafeira Particular 1983 (este em agonia lenta).
Para fechar esta 1ª parte, provaram-se os colheitas tardias Qtª Alorna 2012, Bridão 2016 e Falcoaria 2014, o mais entusiasmante.
continua...
A convite da CVR Tejo, um grupo de enófilos participou numa interessantíssima prova didáctica sobre a casta Fernão Pires (Maria Gomes, na Bairrada). Tendo como pano de fundo uma vista espectacular do Tejo, fomos recebidos pelo presidente da CVR (Luís de Castro) e pelo director geral (João Silvestre) que explicou a casta e respectivos "terroirs", onde ela se desenvolve, ou seja, o Bairro a norte do rio (mais apropriado a tintos), a Charneca a sul e o Campo/Lezíria do Tejo, entalado entre ambos, onde a Fernão Pires melhor se revela. Se bem tratada, produz vinhos longevos e de grande personalidade.
As principais revistas especializadas (Vinho Grandes Escolhas, Revista de Vinhos, Escanção e Paixão pelo Vinho), alguma imprensa generalista (Público, Sábado, Observador e Correio da Manhã) e a blogosfera (Avinhar, Comer Beber Lazer, Gastrossexual, Joli e este enófilo militante) estiveram presentes.
2. A prova
Com orientação dos enólogos Martta Simões (Qtª Alorna) e Diogo Campilho (Qtª Lagoalva) desfilaram uma série de vinhos base representativos da casta Fernão Pires, oriundos dos diversos "terroirs", saídos das cubas e cujo destino final, ou como mono-casta ou para lote, ainda não está definido.A prova foi algo penosa para o meu palato dado que, na maior parte, os vinhos ainda não estavam feitos.
Mas a situação alterou-se quando passámos a provar brancos da casta Fernão Pires já com alguma idade, como foi o caso do Qtª S.João Baptista 2003 (oxidado, mas com uma boa acidez a suportá-lo), do surpreendente e original Terra Larga 5ª de Mahler 2000 (já aqui referido em "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónica publicada em 1/2/2018), do Casal Branco Falcoaria 1994 (ainda do tempo do João Portugal Ramos, cheio de saúde e personalidade) e do Caves Dom Teodósio Garrafeira Particular 1983 (este em agonia lenta).
Para fechar esta 1ª parte, provaram-se os colheitas tardias Qtª Alorna 2012, Bridão 2016 e Falcoaria 2014, o mais entusiasmante.
continua...
domingo, 1 de abril de 2018
O que se passou aqui há 8 anos (Março 2010)?
Podemos encontar em meios de comunicação social uma coluna de efemérides, recordando notícias de há 10 ou 100 anos. Aqui vai ser diferente, nem 100 nem 10, apenas 8 anos.
Foi em Março de 2010 que passámos (eu e o meu sócio e amigo de longa data, Oliveira Azevedo, mais conhecido pelo Juca),para outras mãos, a loja/garrafeira Coisas do Arco do Vinho (CAV). Mas não me desliguei destas coisas do vinho, pois em 19 de Março estava a publicar a minha 1ª crónica neste blogue.
No final de cada mês mencionarei o que mais interessante, na minha óptica, aconteceu no enófilo militante há 8 anos atrás. Hoje é o dia dedicado às crónicas publicadas no decorrer de Março 2010.
Entre as 13 crónicas publicadas, seleccionei estas:
."Núcleo Duro", em 19/3
Foi a 52ª prova cega em que participei com este grupo de 7 amigos, criado pelo Rui Massa (blogue Pingas no Copo) e Jorge Sousa. Os restantes participantes eram o Juca, João Quintela (um dos donos da Néctar das Avenidas), Paula Costa, Pedro Brandão e eu.
Entre outros vinhos, foram provados 6 tintos 2004 do Douro, tendo eu eleito vencedor o Abandonado, logo seguido pelo Pintas e o BOCA (um CARM, cujo lote foi criado pelo Juca e por mim, em Almendra).
."Almoço no Q.B.", em 22/3
Esta crónica sobre este restaurante na Beloura, mereceu um comentário do João Paulo Martins.
."O Anti-Jantar", em 25/3
Aconteceu no Faz Figura, com vinhos da Herdade de Cadouços. entretanto desaparecida. Aconteceu tudo ao contrário do que deve ser um jantar vínico.
."Grupo de prova dos 3", em 30/3
Foi a 1ª sessão deste grupo de prova (Juca , João Quintela e eu) que decorreu no restaurante Nariz de Vinho Tinto, na Rua do Conde, entretanto encerrado.
Os vinhos eram da minha garrafeira, os Scala Coeli 2008 branco e 2007 tinto e, ainda, o Blandy Malvasia 1990.
Este grupo ainda funciona e já vai na 58ª sessão.
."Prova dos 3+4", em 30/3
Foi um almoço, no restaurante As Colunas (na Venda Nova), com um grupo mais alargado, pois aos já mencionados 3 juntaram-se mais 4 antigos amigos e clientes das CAV (Paula Costa, Raul Matos, Carlos Borges e Rui Rodrigues).
Entre outros, foram provados às cegas os Aalto 2004, 2005 e 2006 (este, de longe, o melhor), saídos da garrafeira do João. Marchou, ainda, um Blandy Bual 1948!
Foi em Março de 2010 que passámos (eu e o meu sócio e amigo de longa data, Oliveira Azevedo, mais conhecido pelo Juca),para outras mãos, a loja/garrafeira Coisas do Arco do Vinho (CAV). Mas não me desliguei destas coisas do vinho, pois em 19 de Março estava a publicar a minha 1ª crónica neste blogue.
No final de cada mês mencionarei o que mais interessante, na minha óptica, aconteceu no enófilo militante há 8 anos atrás. Hoje é o dia dedicado às crónicas publicadas no decorrer de Março 2010.
Entre as 13 crónicas publicadas, seleccionei estas:
."Núcleo Duro", em 19/3
Foi a 52ª prova cega em que participei com este grupo de 7 amigos, criado pelo Rui Massa (blogue Pingas no Copo) e Jorge Sousa. Os restantes participantes eram o Juca, João Quintela (um dos donos da Néctar das Avenidas), Paula Costa, Pedro Brandão e eu.
Entre outros vinhos, foram provados 6 tintos 2004 do Douro, tendo eu eleito vencedor o Abandonado, logo seguido pelo Pintas e o BOCA (um CARM, cujo lote foi criado pelo Juca e por mim, em Almendra).
."Almoço no Q.B.", em 22/3
Esta crónica sobre este restaurante na Beloura, mereceu um comentário do João Paulo Martins.
."O Anti-Jantar", em 25/3
Aconteceu no Faz Figura, com vinhos da Herdade de Cadouços. entretanto desaparecida. Aconteceu tudo ao contrário do que deve ser um jantar vínico.
."Grupo de prova dos 3", em 30/3
Foi a 1ª sessão deste grupo de prova (Juca , João Quintela e eu) que decorreu no restaurante Nariz de Vinho Tinto, na Rua do Conde, entretanto encerrado.
Os vinhos eram da minha garrafeira, os Scala Coeli 2008 branco e 2007 tinto e, ainda, o Blandy Malvasia 1990.
Este grupo ainda funciona e já vai na 58ª sessão.
."Prova dos 3+4", em 30/3
Foi um almoço, no restaurante As Colunas (na Venda Nova), com um grupo mais alargado, pois aos já mencionados 3 juntaram-se mais 4 antigos amigos e clientes das CAV (Paula Costa, Raul Matos, Carlos Borges e Rui Rodrigues).
Entre outros, foram provados às cegas os Aalto 2004, 2005 e 2006 (este, de longe, o melhor), saídos da garrafeira do João. Marchou, ainda, um Blandy Bual 1948!
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