sábado, 18 de agosto de 2018

Almoço com Vinhos Fortificados (29ª sessão) : uma grande jornada em Porto Covo

Este grupo de enófilos militantes, também conhecido pelo Grupo dos Madeiras, rumou a Porto Covo, "chez" Natalina (nos tachos) e Modesto (nos vinhos). Diga-se desde já que o casal de anfitriões se esmerou e deu o seu melhor, tanto na gastronomia como nos vinhos (1 espumante, 2 brancos, 1 tinto e 3 Madeiras). Nota alta para o casal.
A bebida de boas vindas foi o espumante Soalheiro, a cumprir bem a sua missão. Mas também se podiam provar os brancos, a acompanhar uma série de entradas (chamuças, cogumelos recheados e uma imperdível casquinha de sapateira).
.Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2009, em versão magnum - aromas e sabores terciários, acidez bem presente, notas glicerinadas, complexo, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 18.
Já com o grupo instalado à mesa, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015, em versão 3 litros - mais fresco e mineral, acidez no ponto, notas florais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5/17,5+).
Harmonizou com a canja de garoupa, ameijoas e espinafres.
.Borges Sercial 1979 (sem data de engarrafamento visível) - presença de frutos secos e vinagrinho, notas de iodo, brandy e caril, grande complexidade, boa estrutura e final de boca interminável. Nota 19 (noutras situações 18,5/18,5/19/19/19/18+).
Serviu para preparar o palato para o prato seguinte. Um luxo!
.Vallado Reserva 2011, em versão 3 litros - com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com muita fruta, bela acidez, especiado e complexo, taninos de veludo, grande volume e final de boca persistente. A beber dentro de 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutra situação também 18,5+).
Maridou com uma feijoada de lebre.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1980 (engarrafado em 2011) - nariz discreto, presença de frutos secos, notas de caril e iodo, algum vinagrinho, taninos evidentes, algum volume e final de boca assinalável. Nota 18,5 (noutra situação 17,5+).
.Cossart Gordon Bual 1969 (engarrafado em 2004; nº 506/2000) - aroma exuberante, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, taninos vigorosos, boa estrutura e final de boca interminável. Nota 19 (noutras situações 18,5+/17,5+/18).
Estes fortificados acompanharam doces diversos, tábua de queijos e salada de frutos tropicais.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Natalina! Obrigado Modesto!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Jantar Portal do Fidalgo

Em pleno verão e em cima das férias da maioria dos consumidores, a Garrafeira Néctar das Avenidas "atreveu-se" a realizar mais um jantar vínico, mas com o cuidado de se adaptar às circunstâncias. O produtor escolhido foi o Portal do Fidalgo que apresentou 10 Alvarinhos (1 espumante e 9 tranquilos), numa sessão muito didáctica ao colocar lado a lado vinhos com 10 anos de diferença. Com uma única excepção, os mais antigos sobrepuseram-se aos mais jovens, como seria de esperar, pois a casta Alvarinho precisa de uns anos de evolução. No seu melhor é a grande casta portuguesa que compete bem com as melhores do mundo.
O evento contou com a presença do enólogo da casa (Abel Codesso), demonstrando uma grande facilidade de comunicação, e a equipa comercial (João Marques, já meu conhecido dos bons velhos tempos das CAV, e Nuno Araújo) e decorreu na esplanada interior do Hotel Real Palácio, registando-se com agrado a boa logística e o ritmo adequado. Quanto à comida, foi a possível...
A bebida de boas vindas foi o espumante Côto de Mamoelas Bruto 2015 que cumpriu da melhor maneira a sua função. Seguiram-se (apenas com as respectivas classificações):
.Portal do Fidalgo 2007 (18) e 2017 (15,5)
com rolinhos de salmão fumado
.Portal do Fidalgo 2006 (17,5) e 2016 (16,5)
com bolinhas de vitela e, ainda, de alheira
.Contradição 2014 (17,5) e 2017 (17)
com brás de espargos e tomate seco
.Portal do Fidalgo Reserva 25 Anos 2015 (18; noutra situação também 18: ver crónica "Grupo dos 6 (11ª sessão) : um conjunto equilibrado de vinhos", publicada no dia 7)
com risotto de lima e coentros com tempura de polvo
.Portal do Fidalgo 1999 (14,5 foi o elo mais fraco, ou seja, a excepção a confirmar a regra) e 2011 (17,5+)
com torta de laranja com queijo mascarpone e citrinos
Conclusão: beber agora os vinhos de casta Alvarinho acabados de sair para o mercado é pura pedofilia; há que esperar por eles meia dúzia de anos (há colheitas antigas ainda à venda)

sábado, 11 de agosto de 2018

Cerveja artesanal versus vinho a copo

1.Uma introdução
Desde que "descobri" as cervejas artesanais, a minha escolha está feita. A velha imperial está fora de questão, já não a consigo tragar. Quando vou a um restaurante e se o mesmo tiver alguma cerveja artesanal, ou mesmo a 1927, a semi-artesanal da Super Bock (superior à Bohemia, a semi-artesanal da Sagres), não hesito. É bem melhor do que beber um vinho a copo banal, quase sempre o da casa, e mais caro.
E não é por acaso que a cerveja artesanal, além de estar na moda, despertou o interesse de alguns produtores de vinho (a Herdade do Esporão que comprou a Sovina, a Qtª La Rosa, a Qtª do Gradil e o Dirk Niepoort que já produzem as suas próprias marcas, além de parcerias avulsas com o Anselmo Mendes e Qtª do Portal) e mereceu já uma atenção esclarecida  por parte de alguma comunicação social.
No espaço de pouco mais de 1 mês, a Fugas de 30 de Junho dedicou-lhe um extenso artigo de 8 páginas, assinado por Luís Octávio Costa (LOC), jornalista do Público, e a Vinho Grandes Escolhas, saída há dias, pela pena do jornalista José Miguel Dentinho (JMD), debruçou-se sobre o mesmo tema, também ao longo de 8 páginas. Curiosamente, também na Fugas (27 de Julho), o Miguel Esteves Cardoso, muito conservador em termos vínicos e não só, fez o seu acto de contrição e aderiu à excelência da cerveja artesanal.
Na blogosfera, que eu me tivesse apercebido, apenas no "Comer Beber Lazer" e no "Joli" foram comentadas cervejas artesanais.

2.A Fugas
No artigo acima mencionado, publicado com o título "Quando a cerveja é tratada como vinho" e assinado por LOC, o autor refere "(...) Uma nova onda de produtores artesanais está a combinar cerveja e vinificação para criar cervejas únicas perfeitas para os amantes do vinho (...)". Além do artigo principal, dedica outro à cerveja "Dois Corvos" e outro ainda a "Esporão e Sovina", onde a propósito sublinha a atitude do João Roquette, em querer "fazer crescer em Portugal uma cultura da cerveja artesanal".

3.Grandes Escolhas
No nº de Agosto desta revista o jornalista JMD assina 3 artigos, sendo o 1º "Criatividade e Paixão", uma introdução ao tema onde refere "São já quase uma centena as marcas de cervejas criadas por pequenos produtores, dando corpo à categoria a que se convencionou chamar cerveja artesanal. Um nome apropriado, já que em cada copo destas cervejas está um pouco do empenho, da paixão e da capacidade de quem a produz". O 2º "Esporão aposta no sector cervejeiro" (a compra da Sovina pela Herdade do Esporão) e o 3º "Do vinho à cerveja artesanal" (a propósito da produção da Qtª La Rosa, já com 2 cervejas e uma 3ª na forja).

4.Uma conclusão (a minha)
Que eu saiba (e corrijam-me se estiver enganado), o único ponto de venda de vinhos de prestígio que aderiu às cervejas artesanais é o novo espaço da loja gourmet do Corte Inglês. Uma pena que não haja mais lojas ou garrafeiras de referência a cavalgar esta nova e desafiante onda.
Atrevo-me a afirmar que este fenómeno da cerveja artesanal veio atrasado 10 anos ou mais, pois se fosse no tempo da saudosa e emblemática Coisas do Arco do Vinho, as suas portas estariam abertas a esta nova aposta.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Vinhos em família (XC) : brancos de qualidade

A crónica de hoje é dedicada aos últimos vinhos que bebi em família, todos brancos e todos com qualidade, o que seria impensável há uns anos atrás. Aliás, vou bebendo brancos ao longo de todo o ano, enquanto que nos dias mais quentes os tintos não são tão apelativos e ficam à espera de melhor oportunidade.
Ei-los, os últimos 5:
.Kompassus Reserva 2015 (12 % vol.) - enologia de Anselmo Mendes; com base nas castas Arinto (70 %) e Bical (30 %), estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês (60 % novas e 40 % usadas); muito fresco e mineral, presença de citrinos, acidez q.b., volume e final de boca médios. Fino e elegante, acompanha bem entradas leves. Nota 17.
.Anselmo Mendes Beira Interior 2014 (12,5 % vol.) - com base na casta Síria em vinhas velhas, estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês seguido de 24 meses em garrafa; muito floral, alguma frescura e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
.Regueiro Alvarinho Barricas 2015 (13 % vol.; garrafa nº 548/1976) - estagiou em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta madura, bela acidez e algum amanteigado, volume e final de boca consistentes. Potencial de envelhecimento e gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª do Ameal Escolha 2015 (11,5% vol.) - com base nas castas Loureiro (90 %) e Arinto (10 %), estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês usadas; muito fresco, mineral e cítrico, acidez no ponto, algum amanteigado, volume e final de boca médios. Elegante, acompanha bem marisco, peixe grelhado ou entradas leves. Nota 17,5.
.Terrenus Reserva Vinhas Velhas 2015 (13 % vol.) - 92 pontos no Parker; com base em vinhas velhas com mais de 90 anos, plantadas a 700 metros de altitude na Serra São Mamede, estagiou 12 meses em cubas de cimento e mais 12 em garrafa; presença de fruta de caroço, alguma acidez e gordura, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 17.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Grupo dos 6 (11ª sessão) : um conjunto equilibrado de vinhos

Este grupo de enófilos da linha dura (Adelino, Juca, João, J.Rosa, Frederico e eu) reuniu, uma vez mais, no restaurante Magano (boa comida e serviço de vinhos exemplar, sempre!) para provar 6 vinhos (2 brancos, 3 tintos e 1 Madeira).
E eles foram:
.Portal do Fidalgo Alvarinho Reserva 25 Anos 2015 (levado pelo J.Rosa) - Prémio de Excelência 2017 atribuído pela Revista de Vinhos; aromático, presença de citrinos e fruta madura, acidez equilibrada, algum amanteigado, volume considerável e final de boca persistente. Elegância e personalidade. 13 % vol. Nota 18.
Acompanhou as habituais entradas.
.Maritávora Grande Reserva Vinhas Velhas 2011 (levado pelo Frederico) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho, em vinhas velhas com mais de 100 anos, estagiou 6 meses em barrica; nariz contido, alguma oxidação nobre, madeira bem integrada, fruta madura, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca adocicado. Já atingiu o seu ponto óptimo de consumo. 12,5 % vol. Nota 17,5.
Maridou bem com um bife de atum e grelos.
.Herdade das Servas Parcela V 2011 (1 das 1000 garrafas produzidas, levada por mim) - com base em vinhas velhas com mais de 70 anos, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês, seguido de mais 36 meses em garrafa; ainda com alguma fruta preta, fresco, acidez no ponto, taninos presentes mas civilizados, alguma complexidade e volume, final de boca muito extenso. No pico da forma. Nota 17,5+.
.Qtª da Falorca Garrafeira 2011 (levado pelo Juca) - 95 pontos no Parker; estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês e mais 30 meses em garrafa; frutado, notas florais, acidez equilibrada, taninos presentes, volume e final de boca consideráveis. Muito elegante e complexo. A beber daqui até 7/8 anos. Nota 18,5.
.Qtª de Saes Reserva Estágio Prolongado 2011 (levado pelo João) - com base em vinhas velhas, estagiou em barricas 14 meses e mais uns tantos em garrafa; ainda com muita fruta vermelha, fresco e floral, bela acidez, volume e final de boca médios. A beber já ou nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com vitela assada no forno.
.Artur Barros e Sousa Malvasia 1965 (levado pelo Adelino) - muito fresco, presença de frutos secos, iodo, brandy e vinagrinho, taninos civilizados, algum volume e final de boca extenso. Muito equilibrado. Nota 18,5.
Acompanhou tarte de amêndoa (excelente ligação) e pão de ló.
Foi uma sessão muito equilibrada e sem desilusões, sendo justo destacar o Qtª da Falorca e o Madeira.

sábado, 4 de agosto de 2018

Julho 2010: o que se passou aqui há 8 anos?

Das 15 crónicas publicadas no decorrer de Julho 2010, destaco estas 3:

."O Francisco não merecia isto!", no dia 15
Apresentação e prova de vinhos Madeira, orientada pelo Francisco Albuquerque, seguida de jantar, no Clube dos Jornalistas.
Não fora a militância do núcleo duro das Coisas do Arco do Vinho, o Francisco tinha ficado praticamente a falar sozinho.

."Impressões de Paris, 2ª parte - Lavinia, o deslumbramento", no dia 18
Quando um lojista tuga (eu próprio) se sente esmagado por uma garrafeira de outra galáxia...

."Jantar no Assinatura", no dia 21
Um dos jantares temáticos ("Cascas e Pinças") em que participei, concebidos pelo chefe Henrique Mouro, no auge da sua carreira e antes de se ter eclipsado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Rescaldo das férias (V) : Paço dos Cunhas e O Tachinho

continuando...

9.Paço dos Cunhas de Santar (Santar) - 3*
Este espaço é mais um restaurante da Global Wines (o outro aqui referido é o Qtª de Cabriz), tendo sido já objecto da crónica "Enoturismo no Dão (II) : Paço dos Cunhas de Santar", publicada em 11/10/2016, e feito parte do meu TOP 10 espaços de restauração, em 2014.
Mas, em contramão, esta última visita foi uma desilusão, embora o espaço seja confortável, as mesas bem aparelhadas, os copos Schott tenham qualidade e continuem, muito simpaticamente, a oferecer, à chegada, um flute de espumante (desta vez foi o Qtª do Encontro Bruto).
Primeiro aspecto negativo: sem direito a ementa, foi-nos dito que durante a semana só serviam o menu do dia (ovos mexidos com farinheira e enchidos, arroz de polvo e arroz doce).
Segundo: o vinho que acompanhava era o tinto Cabriz Colheita Seleccionada 2015 (16,5), a garrafa veio à mesa e servido de imediato, sem ter sido dado a provar. Mais, a temperatura não era a adequada, e o copo foi rejeitado. Veio um 2º, menos mal, mas acima do recomendável.
Com a sobremesa foi provado o Moscatel do Douro Palestra (15,5).
Serviço a cumprir os mínimos, mas mais preocupado com as mesas onde comiam estrangeiros.
Paço dos Cunhas, quem o viu e quem o vê!

10.O Tachinho (Seia) - 4*
"Descoberto" na net, foi uma das surpresas destas férias. Afastado do centro, não é fácil lá chegar (só com GPS, que não tenho, ou ouvindo via telefone as explicações duma empregada, que foi o nosso caso). Ambiente familiar, sala espaçosa e iluminada (naturalmente), toalhas de papel, mas guardanapos de pano. Atendimento eficiente e muito simpático.
Veio para a mesa, de comer e chorar por mais:
.joelho de porco assado no forno, com legumes e arroz de feijão
.arroz de entrecosto de javali
Quanto à componente vínica, a lista estava toda datada (atenção , restaurantes com pretensões mas que omitem os anos de colheita, ponham os olhos neste modesto espaço), centrada no Dão, mas com algumas falhas e sem vinhos a copo (só o da casa).
Optei por uma garrafa Dão Alvaro de Castro 2011 (17,5+) que foi dada a provar num bom copo (a pedido). A temperatura não era a mais adequada, mas prontamente resolveram a questão.
Bebemos metade da garrafa e o resto marchou no jantar no hotel.
Recomendo, sem hesitar!

Fim dos nossos serviços...