quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Agosto 2010 : o que se passou aqui há 8 anos?

Das 20 crónicas publicadas em Agosto 2010, destaco estas 3:

."O Grupo Pestana retalia", no dia 13
Depois de ter sido autorizado a levar vinho comigo para o restaurante Cozinha Velha (Pousada de Queluz), mediante o pagamento da respectiva taxa de rolha, alguém que não consegui identificar, melindrado com a minha crónica "Almoço na Cozinha Velha", publicada em 21/6/2010, e com mau perder, telefonou para minha casa, na véspera à noite, a cancelar a autorização anterior. Inqualificável!
Anos mais tarde voltei lá e constatei que, lamentavelmente, se mantinha tudo o que escrevi anteriormente (ver o ponto 2 da crónica "Curtas (IV)", publicada em 23/1/2013.

."Como vamos de vinhos nos Museus?", no dia 20
Este escrito veio na sequência de uma visita ao Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), onde almocei na respectiva cafetaria.
Este espaço e, se calhar, todos os outros ligados à museologia, visitado por milhares de turistas, estrangeiros ou nacionais, merecia uma melhor atenção à componente vínica que é uma autêntica vergonha, perante a passividade e ignorância dos políticos.
Em visita recente ao MNAA, constatei que, lamentavelmente, está tudo na mesma.
À atenção do Ministro da Cultura, do 1º Ministro e do PR.

."Almoço na Maria Pimenta", no dia 22
Uma crítica minha à componente vínica e outros aspectos deste restaurante, situado na antiga Fábrica da Pólvora em Barcarena, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, provocou por parte de uma senhora (a dona ou amiga dos donos?) alguns comentários mal dispostos, desajustados e revelando uma iliteracia confrangedora, que mereceram respostas adequadas por parte de outros seguidores.
Esta crónica é de longe a mais lida, vá lá perceber-se porquê...
Serão os mistérios insondáveis da blogosfera!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (III)

continuando...

5.Tapas Bar 47 (Rua do Alecrim,47A) - 2,5*
Este espaço fica dentro da Garrafeira Imperial (GI) ou será ao contrário, a Garrafeira é que fica dentro deste Tapas Bar? Confesso que não entendi, até porque o site da GI não lhe faz qualquer referência.
Diga-se que já conhecia a GI, onde, quando em quando, compro algum vinho que dificilmente se encontra noutros locais, a preços honestos.
E só tenho a dizer bem do atendimento, por parte da Maristela Lima (infelizmente de férias quando da minha visita ao Tapas Bar).
Como andava curioso já há algum tempo, recentemente resolvi testar o Tapas Bar, mas esta experiência foi um desastre, como explicarei adiante.
O Tapas Bar tem um menú de almoço (14,90 €), com direito a couver, entrada (a escolher entre 3), prato (idem), bebida e café. Optei pelo coelho de escabeche (ainda vinha morno e de escabeche pouco ou nada) e pelo entrecosto com favas (era à base de enchidos, entrecosto quase nada e favas praticamente desfeitas).
Quanto à bebida escolhi um copo de tinto que já veio servido (!?) e a garrafa nem sequer foi mostrada (nem quando perguntei que vinho era e repectivo ano de colheita). Nem no mais modesto restaurante fariam tal coisa. Lamentável!
Acabei por saber que o vinho era Casa Santos Lima Touriga Franca 2015 (16,5+) que veio a uma temperatura, copo e quantidade aceitáveis.
O serviço, dividido entre a garrafeira e as duas salas deste espaço de restauração, mostrou-se desatento e desorganizado. Depois de ter comido, estive à espera 20 (vinte!) minutos que me levantassem os pratos da mesa e eu pudesse pedir o café. Lamentável...
Mais, fuma-se tanto no Tapas Bar como na própria GI, o que de todo não entendo.

domingo, 26 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (II)

continuando...

3.Restaurante da Adega - 3*
Este espectacular espaço é pertença do produtor Ribafreixo Wines, localizado na Vidigueira. Com uma vista panorâmica para as vinhas, dispõe de uma sala ampla mas confortável, mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano, pratos Vista Alegre e bons copos italianos.
A ementa é curta e os pratos especiais só por encomenda. Comemos uma açorda de espinafres com bacalhau, queijo e ovo, uma dose para 2 pessoas, muito bem apresentada numa telha, embora pouco saborosa e longe da receita tradicional.
Vinhos disponíveis, apenas os do produtor, como seria de esperar. Carta de vinhos muito didáctica, incluindo a descrição, notas de prova e harmonizações, para cada um deles.
Escolhemos o topo de gama da casa, o Gaudio Reserva 2013 - com base nas castas Alicante Bouschet (80 %) e Touriga Nacional (20%), estagiou 13 meses em barricas novas de carvalho francês e mais 16 meses em garrafa, o que é de aplaudir. Perfil e estrutura adequada à cozinha alentejana. Nota 17,5.
Só que a garrafa veio à mesa a uma temperatura acima (bastante) do recomendável. Chamada à atenção, a empregada explicou que era assim mesmo que se provava um vinho!!!???
Perante a nossa insistência, acabou por ir buscar uma manga e nós tivemos que esperar uma boa meia hora para que a temperatura baixasse uns graus!
Isto na casa do produtor, o que é indesculpável. Cartão amarelo à Ribafreixo!
Ó Paulo Laureano (o enólogo consultor ) dê lá formação ao pessoal do restaurante, que bem precisa!

4.Bem Haja (Rua Marcos Portugal,5 à Praça das Flores) - 3,5 *
Depois de ter estado em Nelas e abancado no Bem Haja (ver crónica "Rescaldo das férias (II) - Bem Haja e Mesa de Lemos", publicada em 26/7/2018), tive a curiosidade de poisar no Bem Haja original, da Isabel Raposo que o trouxe para Lisboa (primeiro em Campolide e agora na Praça das Flores, no mesmo espaço onde esteve o Castro Flores).
Sala acolhedora, mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano. Pedi o mesmo prato que comi em Nelas, o entrecosto com arroz de carqueja. O entrecosto estava saborosíssimo, mas o arroz era requentado e da carqueja nem o rasto.
Quanto à componente vínica, a lista é razoável, mas omite os anos de colheita e a copo só da casa (o Grão Vasco 2016). A garrafa veio à mesa, a uma temperatura adequada e dado a provar num bom copo.
Quanto ao serviço, foi tudo excessivamente demorado, pois a empregada (uma boa profissional, diga-se) estava a atender clientes, em simultâneo, na sala e na esplanada (cheia), enquanto que na cozinha, o seu filho, sem qualquer ajuda, fazia autênticos milagres.
A dona acabou por aparecer, já nós estavamos a terminar o almoço. Perante as nossas queixas, ofereceu a sobremesa, Vá lá...
Mas este Bem Haja não ganha ao de Nelas. Outra desilusão.
continua...

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Curtas (CI) : a Sandra na RTP3 e a Comida Independente

1.A Sandra na RTP3
A RTP3 no seu programa "Grande Entrevista" deu a voz à Sandra Tavares da Silva, a mediática enóloga de reconhecidos méritos (Chocapalha, Pintas, etc).
A entrevista veio para o ar na passada 4ª feira, cerca das 23h, e quem perdeu o programa ainda pode vê-lo até à próxima 4ª feira (no canal 6 para quem tenha a NOS).
Ficam avisados, sem desculpas para esquecimentos.

2.Comida Independente (Rua Cais do Tojo, 28 em Santos)
É uma loja gourmet ou uma mercearia fina, como lhe queiram chamar, cujo lema é "Grandes Produtos - Pequenos Produtores", que arrancou há cerca de 6 meses. Ali se pode encontrar enchidos, queijos, conservas, vinho, cervejas artesanais e azeites, que não se encontram facilmente, mas também legumes e pão fresco. Uma pena ficar tão escondida.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Espaços de restauração : algumas decepções (I)

Ultimamente tive algumas decepções em espaços de restauração (alguns bem badalados na comunicação social), nomeadamente quanto ao serviço de vinhos.

1.Skora - nordic cuisine (Av. Duque d' Ávila, 45 D) - 1*
Aqui correu tudo muito mal, a saber:
.não havia ementa, tendo-me remetido para uma ardósia que está na rua à porta do restaurante
.na ementa apenas constava uns filetes de peixe, um prato de pato e uma salsicha dinamarquesa (o único prato nórdico, por sinal pouco apelativo)
.não havia lista de vinhos, apenas tinham o da casa, branco e tinto (optei por uma cerveja belga)
.quando paguei, não me entregaram a factura, dizendo que havia um problema com a impressora (prometeram enviar via email, mas não o fizeram)
.quando fui ao WC fiquei às escuras (a luz só veio quando abri a porta)
.ao lavar as mãos constatei que o contentor das toalhas de papel estava avariado, pelo que tive de me deslocar ao WC das senhoras.
Só desgraças!
Há poucos dias, decorrido cerca de 1 mês, passei por lá e estava encerrado. Fiquei com a sensação que definitivamente. Só podia...

2.Estufa Real (Jardim Botânico da Ajuda) - 2*
Frequentei uma série de vezes este espaço, no passado, sempre com boas experiências, fosse na área gastronómica, fosse na componente vínica (lembro-me, até, que a carta de vinhos fora desenhada pelo mestre de enologia Virgílio Loureiro).
Passados uns anos revisitei a Estufa Real, no âmbito do Lisboa Restaurant Week, tendo ficado desiludido, como se pode constatar na crónica "Lisboa Restaurant Week (III)", publicada em 4/10/2011.
Em má hora, revisitei este icónico espaço, tendo a desilusão sido ainda foi maior. O restaurante só abre para o brunch dos Domingos ou para casamentos e baptizados. Uma pena...
Agora, para almoços de 2ª a 6ª feira, só funciona a esplanada, com uma ementa simples, reduzida e desinteressante. Tencionava beber vinho a copo, mas quando me trouxeram os ditos copos, inqualificáveis, mandei-os para trás. Ainda perguntei se tinham alguma cerveja artesanal, mas perante a resposta negativa optei por beber água.
Estufa Real, nunca mais! Quem a viu e quem a vê...
continua...

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Grupo FJF (4ª sessão) : tudo na maior!

O Grupo FJF, reforçado com outro J (J.Rosa), reuniu novamente no Magano. Com excepção do fortificado, os 3 vinhos de mesa foram provados às cegas, com bons resultados. E eles foram:
.Muros de Magma Verdelho 2015 (levado por mim) - DO Biscoitos, com 12,5 % vol. e enologia de Anselmo Mendes, estagiou 6 meses em barricas usadas de carvalho francês; nariz exuberante, fresco, cítrico e salino, muito boa acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca longo. Pura elegância. Nota 18.
Acompanhou as entradas habituais.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 (levado pelo João) - DO Rueda, com 13 % vol., a partir de vinhas velhas com mais de 100 anos e sem estágio em barrica; austero, mineral e cítrico, acidez equilibrada e notas amanteigadas, bom volume e final de boca médio. Gastronómico. Nota 17,5+ (noutras situações 18/18).
Maridou com filetes de peixe com arroz.
.Conde de Vilar Seco Touriga Nacional Garrafeira 2010 (levado pelo Frederico) - garrafa nº 811/1246, produzida por Qtª da Fata, a partir da vinha que obteve o 1º prémio "A melhor vinha do Dão 2016", com 13 % vol.; com pisa a pé, estagiou em barricas de carvalho francês; ainda com fruta e notas florais, acidez no ponto, frescura e juventude, algum especiado, volume e final de boca. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5.
Harmonizou com bochecha de vitela e grelos.
.Blandy Bual 1977 (levada pelo J.Rosa) - engarrafada em 2007, com o nº 404/1666; frutos secos, notas de iodo, brandy e caril, vinagrinho bem presente, taninos civilizados, volume considerável e final de boca interminável. Não me canso de beber esta Madeira (esta foi a 19ª garrafa que me passou pelo estreito!). Nota 19.
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoa, a ligação perfeita.
Resta acrescentar que a gastronomia e o serviço de vinhos estiveram à altura dos acontecimentos. Nem outra coisa seria de esperar.

sábado, 18 de agosto de 2018

Almoço com Vinhos Fortificados (29ª sessão) : uma grande jornada em Porto Covo

Este grupo de enófilos militantes, também conhecido pelo Grupo dos Madeiras, rumou a Porto Covo, "chez" Natalina (nos tachos) e Modesto (nos vinhos). Diga-se desde já que o casal de anfitriões se esmerou e deu o seu melhor, tanto na gastronomia como nos vinhos (1 espumante, 2 brancos, 1 tinto e 3 Madeiras). Nota alta para o casal.
A bebida de boas vindas foi o espumante Soalheiro, a cumprir bem a sua missão. Mas também se podiam provar os brancos, a acompanhar uma série de entradas (chamuças, cogumelos recheados e uma imperdível casquinha de sapateira).
.Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2009, em versão magnum - aromas e sabores terciários, acidez bem presente, notas glicerinadas, complexo, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 18.
Já com o grupo instalado à mesa, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015, em versão 3 litros - mais fresco e mineral, acidez no ponto, notas florais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5/17,5+).
Harmonizou com a canja de garoupa, ameijoas e espinafres.
.Borges Sercial 1979 (sem data de engarrafamento visível) - presença de frutos secos e vinagrinho, notas de iodo, brandy e caril, grande complexidade, boa estrutura e final de boca interminável. Nota 19 (noutras situações 18,5/18,5/19/19/19/18+).
Serviu para preparar o palato para o prato seguinte. Um luxo!
.Vallado Reserva 2011, em versão 3 litros - com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com muita fruta, bela acidez, especiado e complexo, taninos de veludo, grande volume e final de boca persistente. A beber dentro de 7/8 anos. Nota 18,5+ (noutra situação também 18,5+).
Maridou com uma feijoada de lebre.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1980 (engarrafado em 2011) - nariz discreto, presença de frutos secos, notas de caril e iodo, algum vinagrinho, taninos evidentes, algum volume e final de boca assinalável. Nota 18,5 (noutra situação 17,5+).
.Cossart Gordon Bual 1969 (engarrafado em 2004; nº 506/2000) - aroma exuberante, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, taninos vigorosos, boa estrutura e final de boca interminável. Nota 19 (noutras situações 18,5+/17,5+/18).
Estes fortificados acompanharam doces diversos, tábua de queijos e salada de frutos tropicais.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Natalina! Obrigado Modesto!