sábado, 29 de dezembro de 2018

Super Chefe e Infame : 2 restaurantes que vale a pena conhecer

1.Super Chefe - 4*
Fica no Parque das Nações (Rua da Pimenta,101) e é o último dos restaurantes com esplanada exterior. Mais, é um restaurante chinês com uma qualidade gastronómica, e não só, que fica muitos furos acima da maioria dos seus congéneres.
Espaço confortável, mesas bem aparelhadas e guardanapos de pano. Serviço eficiente e simpático.Na nossa última visita comemos:
.entradas (guioza de gambas e delicia vegetariana)
.robalo cozido com caril (um dos ex-libris da casa; a dose pequena dá para 2 pessoas e custa 13,90 €, uma pechincha para a quantidade, qualidade e originalidade deste prato)
.arroz chao chao
.sobremesas (doce chinês e abacaxi)
Bebemos uma Bohemia (a Original) que acompanhou muito bem toda a refeição.
A lista de vinhos é o ponto fraco deste espaço e daí ter ficado nas 4* (a componente gastronómica vale mais). O serviço de vinhos será testado numa próxima visita.
Este Super Chefe foi o ponto mais alto de uma recente jornada gastronómica, dedicada à cozinha asiática. Os outros restaurantes foram os badalados Afuri (no Chiado) em 2º e o Soão (em Alvalade) em 3º.

2.Infame - 4*
Este espaço já foi aqui referido em "Infame : uma mais valia no Intendente", crónica publicada em 7/9/2017.
 Em visita recente optei pelo Menu Executivo, com direito a sopa/entrada (creme de cogumelos), prato (secretos de porco), sobremesa, bebida e café, tudo isto por 14 €.
Como fomos logo a seguir ao dia de Natal, bebemos água para lavagem do organismo que bem precisava.
Em relação à componente vínica e ao facto de eu ter criticado o abuso ou oportunismo por, na respectiva lista, constar um Porto 1908 Vintage, fiquei satisfeito por terem corrigido e constar agora um Porto 1908 20 Anos. A crítica não caíu em saco roto!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Grupo dos 3 (63ª sessão) : Dão e Bairrada em confronto

Mais uma sessão, a última de 2018, deste grupo de enófilos da linha dura, que decorreu no restaurante do Hotel Real Palácio com vinhos da garrafeira do Juca.
Desfilaram:
.Gonzales Palacios Palomino Fino - cor muito carregada, demasiado oxidado, presença de frutos secos, acidez nos mínimos, final de boca curto e seco. Na curva descendente, para não dizer a pique. Nota 13,5.
.Frei João Reserva 2009 - com base nas castas Bical (55 %), Cerceal (35 %) e Maria Gomes (15 %); cor palha, alguma oxidação nobre, fruta madura, notas de chá, acidez equilibrada, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
Harmonizou bem com uma série de entradas (braz de gambas, folhado de legumes e rissóis de leitão).
.Campolargo Calda Bordaleza 2002 - com base nas castas Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Merlot, estagiou 10 meses em barricas novas de carvalho; ainda com alguma fruta e acidez, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (13 % vol.). Elegante e muito afinado. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 18.
.Pellada Mulher Nua 2003 - com base em vinhas velhas e alguma Touriga Nacional, estagiou 14 meses em barris de carvalho; nariz discreto, alguma fruta e acidez, notas florais e vegetais, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Uma raridade, a beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18,5.
Estes tintos acompanharam um belíssimo pato no forno com risotto de cogumelos.
Resumindo, os vinhos "tugas" portaram-se muito bem, mas o nosso "hermano" foi-se abaixo das canetas. Obrigado Juca!

sábado, 22 de dezembro de 2018

Vinhos em família (XCIII) : um grande Douro nada badalado

Mais uns tantos vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Casas do Côro Reserva 2015 (Beira Interior) - enologia de Dirk Niepoort; com base em vinhas velhas a 600 metros de altitude; aroma contido, fresco e mineral, presença de citrinos, alguma acidez e gordura, volume e final de boca (13,5 % vol.). Elegância e personalidade. Nota 17,5.
.Vértice Grande Reserva 2015 - engarrafado em Julho 2017; presença de citrinos e fruta cozida, alguma oxidação precoce, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca médio (13,5 % vol.). Gastronómico. Nota 17.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2011 - estagiou 40 meses em barrica; nariz contido, ainda com fruta, acidez no ponto, notas especiadas, alguma complexidade, taninos civilizados, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5 (noutras situações 18/17).
.Qtª do Grifo Grande Reserva 2011 (Rozes) - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão e Sousão, estagiou 16 meses em barrica; nariz mais exuberante e complexo, ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, bom volume e final de boca persistente (14 % vol.). Um grande Douro pouco ou nada badalados pela crítica. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Grupo dos 6 (13ª sessão) : 4 vinhos ao nível da excelência

Este último encontro deste grupo decorreu no restaurante Colunas, a pretexto de umas divinais perdizes oferecidas pelo J. Rosa, que foram degustadas como entrada (em escabeche, demasiado soft) e como prato principal (no forno, com batatas e grelos).
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2014 (levada por mim) - aroma afirmativo e complexo, presença de citrinos e fruta madura, leves notas tropicais, bela acidez, notas amanteigadas, volume acentuado e final de boca longo (13 % vol.). Um dos melhores brancos provados este ano e que está ao nível do 2007. Nota 18,5 (noutras situações 18/18/18).
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2014 (garrafa nº 2677/3115, levada pelo João) - com base nas castas Maria Gomes e Bical em vinhas velhas, estagiou em tonéis de madeira usada; nariz discreto, fresco e mineral, acidez no ponto, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). Nota 17,5 (noutra 16,5).
Estes 2 brancos acompanharam os tradicionais pastéis de massa tenra, ovos de codorniz e as já citadas perdizes de escabeche.
.Qtª da Romaneira 2004 (levada pelo J.Rosa) - nariz contido, ainda com fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos de veludo, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol). Elegante, sofisticado e consistente, está no ponto óptimo de consumo. Nota 18,5 (noutras 18,5/18,5+/18,5/18,5).
.Viña Tondonia Reserva 2004 (levada pelo Frederico) - Bodegas Lopez Heredia (Rioja); 94 pontos no Parker e no Peñin; com base na casta Tempranillo (75%) e outras, estagiou 6 anos em barricas; nariz discreto, fresco, acidez equilibrada, aromas/sabores terciários, especiado, taninos civilizados, bom volume e final de boca persistente (13 % vol.). Também está no ponto óptimo de consumo. Nota 18,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com as referidas perdizes no forno.
.Madeira Verdelho 1913 garrafeira particular (levada pelo Adelino) - presença de frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho, taninos vibrantes, bom volume e final de boca interminável. Um vinho sem marca, mas notável. Nota 19.
.Madeira Malmsey Velho garrafeira particular (também levada pelo Adelino) - muito doce, frutos secos e notas meladas, alguma acidez e volume, final de boca médio. Uma raridade, mas que ficou uns furos abaixo do centenário Verdelho. Nota 17,5.
Foi mais uma grande sessão de convívio, bons vinhos e boas perdizes.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A Toca da Raposa desceu à Capital

A Toca da Raposa, restaurante situado em Ervedosa do Douro, veio até Lisboa onde realizou uns tantos almoços e jantares no restaurante Lisboa Rio (Cais do Sodré), em parceria com a cerveja Bohemia. Os donos estiveram presentes e, por parte da organização, deram a cara o Rodrigo Meneses  (responsável pela escola de cozinha da Academia Time Out) e o José Silva (esse mesmo, da Hora de Baco).
Alinhámos num dos almoços, a 30 € por cabeça, com direito a entrada (pão e azeite, vindos de Ervedosa), 3 pratos regionais, 3 cervejas Bohemia, sobremesa (rabanadas), água e café.
Os pratos e as harmonizações com as cervejas foram explicados e, tanto o Rodrigo Meneses como o José Silva, vieram às mesas, uma mais valia.
1º prato: pernil e barriga fumada, a maridarem com a Bohemia Porter, com notas de café e chocolate preto a imporem-se, de longe a cerveja mais interessante do almoço.
2º prato: milhos com enchidos e grelos, que se fizeram acompanhar pela Bohemia Puro Malte, uma cerveja semelhante a tantas outras que conheço.
3º prato: um belíssimo arroz de salpicão, um ex-libris da casa, com uma desinteressante Bohemia Original.
Que falta me fez um tinto do Douro para acompanhar este prato!
No final do repasto uma nota simpática, a oferta de um "pack" Bohemia, com as 3 cervejas provadas e, ainda, a de Trigo.
O balanço foi positivo, apesar de não ter ficado entusiasmado com 2 das cervejas servidas. Mas a cozinha tradicional da Toca da Raposa mostrou a sua qualidade e a organização do evento esteve à altura.
Uma experiência a repetir, sem dúvida.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Jantar Jorge Moreira

Antes de entrar no desenvolvimento do jantar, dois apontamentos sobre este evento:
1º - Só se realizou porque o Jorge Moreira, uma grande referência no mundo do vinho, tem um sentido das responsabilidades muito apurado. Eu digo isto porque ele sofreu, na véspera, um grande e aparatoso acidente que praticamente lhe destruiu o carro. Podia ter ficado a descansar tranquilamente em casa, mas não o fez.
2º - Chamaram-lhe "Jantar de Vinhos - Quinta de La Rosa", mas rigorosamente não o foi, pois foram provados 2 vinhos Passagem que não são daquele produtor, mas sim resultantes de uma parceria da família Bergqvist com o Jorge Moreira.
Voltando ao evento, este foi organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas e decorreu na sala nova da Casa do Bacalhau (um dos espaços mais bonitos que conheço em Lisboa), que já nos habituou a uma boa gastronomia, ritmo adequado, temperaturas correctas e copos Riedel, embora o serviço de vinhos esteja abaixo do da equipa do Via Graça.
Desfilaram:
.Qtª de La Rosa Porto Branco Extra Dry - serviu de bebida de boas vindas, cumpriu a sua função, mas não ficou na memória.
Acompanhou amendoas torradas.
.Passagem Reserva 2017 branco - com base em vinhas velhas a 400 metros de altitude, onde predominam as castas Viosinho, Gouveio, Rabigato e Códega do Larinho, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês usadas; fresco e mineral, equilibrio entre a acidez e a gordura, volume e final de boca médios (13 % vol.). A conselhado para acompanhar entradas simples ou para beber a solo. Nota 16,5+.
Ligou bem com uns pastéis de bacalhau.
.Tim Grande Reserva 2015 branco (2500 garrafas produzidas) - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Viosinho, Gouveio e Arinto, esatgiou 6 meses em barricas de carvalho francês e 18 em garrafa; aromático e complexo, presença de citrinos e fruta cozida, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis (13 % vol.). Gastronómico, acompanha entradas mais pesadas ou peixe no forno. Melhor daqui a 4/5 anos. Nota 17,5+.
Maridou com um prato de pataniscas e arroz de tomate.
.Passagem Reserva 2016 tinto - 93 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Touriga Nacional (70 %), Touriga Franca (25 %) e Sousão (5 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muito frutado, notas vegetais (eucalipto?), acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente (14,5 %). Demasiado jovem, há que esperar por ele. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.La Rosa Reserva 2016 tinto - com base nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; muito floral e fresco, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume notável e final de boca muito longo (14,5 %). Ainda muito novo, vai melhorar com o tempo. A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos armonizaram com bacalhau de cura  de 10 meses assado com batatas a murro.
.Qtª de La Rosa Tawny 30 Anos - é a estreia em tawnies com esta idade e foi lançado agora para comemorar os 30 anos da empresa; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz de letra A e provenientes dos patamares mais antigos; presença de frutos secos, mel, alguma acidez e gordura, volume e final de boca assinaláveis. Engarrafado e armazenado no Douro. Nota 18.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Eating Bear : um espaço contraditório - 3*

O Eating Bear (Rua da Madalena,62-64) que se auto intitula "Restaurante Adega Wine Bar" é um espaço que aposta forte na componente vínica, com a "Harmonização de 3 Vinhos" (9 €, com direito a provar 1 branco, 1 tinto e 1 tinto reserva) e a "Degustação Premium (12,50 € com 1 Moscatel, 1 Porto e 1 Madeira).
A ementa é demasiado extensa, as mesas despojadas, os guardanapos de papel, as cadeiras desconfortáveis e copos razoáveis.
Quanto a comida, vieram para a mesa tacos de peixe com maionese, sapateira em cama de pimento e uma sobremesa à base de chocolate. Nada  entusiasmante.
Quanto à componente vínica, inventariei 8 cocktails à base de vinho, 7 brancos (todos a copo), 10 tintos (9 a copo), 1 rosé (1), 8 Portos, 3 Moscatéis, 3 Madeiras e 6 cervejas artesanais portuguesas, além de mais algumas estrangeiras. A lista está muito centrada no Alentejo e a maior parte dos vinhos é de marcas completamente desconhecidas para mim.
Joguei pelo seguro e bebi uma bela cerveja artesanal, a Avenida Blond Ale da Dois Corvos.
Serviço simpático, mas pouco atento.
Perante as críticas altamente abonatórias na Zomato e outras plataformas, há que dar o benefício da dúvida e voltar ao Eating Bear. A minha visita pode ter calhado num mau dia, meu ou deles.