sábado, 5 de novembro de 2016

Uma prova vertical de Barca Velha : evento excepcional e irrepetível

O Clube Reserva 1500 da Sogrape, com a presença do seu director Manuel Guedes, decidiu comemorar o seu 25º aniversário da melhor maneira: uma prova vertical de Barca Velha (1965, 1982, 1985, 1991 e 2000), orientada pelo seu enólogo Luis Sottomayor, na casa há 30 anos, seguida de jantar, onde o Legado foi estrela. O evento, com 3 edições (Porto, Algarve e agora em Lisboa) foi exclusivamente reservado para um número limitado de sócios (40 de cada vez), sendo eu um dos sortudos. Quem se atrasou na marcação ficou de fora. Azar! A edição de Lisboa decorreu no restaurante da Sogrape, Sandeman Chiado, já aqui referido em "The Sandeman Chiado : a Sogrape em Lisboa", crónica publicada em 21/6/2016.
Sobre estas 5 versões deste icónico vinho, humildemente transcreverei algumas notas de prova do Luis Sottomayor, limitando-me eu a classificá-los, de acordo com o meu gosto e as sensações que me provocaram.
.1965 - "(...) Na boca é muito elegante, com boa acidez, taninos bem envolvidos mas ainda perceptíveis, aromas a especiarias a pimenta e trufas e com um final de excelente elegância e harmonia". Digo eu: achei este 1965 ainda muito fresco, com alguma acidez e fragilidade, sendo necessário tratá-lo com pinças. Foi, para mim, a surpresa da prova. Nota 18+.
.1982 - "(...) Na boca é muito equilibrado, com boa acidez e taninos bem envolvidos (...). O final é surpreendente para um vinho com esta idade, devido à sua persistência, harmonia e complexidade". Digo eu: nariz mais intenso que o anterior, notas salgadas, especiado e elegante. Nota 18.
.1985 - "(...) Equilibrado, tem um final persistente e estruturado, característica essa que lhe proporciona uma lenta e equilibrada evolução". Digo eu: mais neutro no nariz e na boca que os anteriores, apresenta algumas notas vegetais. O facto de ter sido a colheita de Barca Velha com a maior produção (mais de 40000 garrafas), pode estar na origem de o considerar a decepção (relativa, claro) da noite. Nota 17,5+.
.1991 - "(...) Uma das suas grandes características é o corpo e a estrutura que apresenta, o que lhe mantém ainda a capacidade de evolução em garrafa e uma grande longevidade". Digo eu: um volume e final de boca excepcionais. O Barca Velha que mais gostei. Puro prazer! Nota 19.
.2000 - "(...) Um vinho opulento que revela um final extremamente longo, poderoso, complexo e harmonioso". Digo eu: nariz intenso, ainda com muita fruta, acidez e notas especiadas. Ainda longe da reforma. Nota 18,5.
Seguiu-se o jantar, no decorrer do qual provámos/bebemos:
.Qtª dos Carvalhais Reserva 2012 - com base nas castas Encruzado, Bical e Verdelho; aromático, presença de citrinos, acidez no ponto, notas vegetais, alguma gordura, volume e final de boca; ainda longe da reforma e muito gastronómico. Nota 17,5+.
Fez companhia a uma entrada de pregado com caril Thai.
.Legado 2009 - aroma intenso, notas florais, acidez equilibrada, especiado, taninos ainda por domar, volume apreciável e final de boca longo. Melhor daqui a 6/7 anos, está ao nível do Barca Velha, embora apresente um perfil diferente. Nota 18,5.
Maridou muito bem com um excelente bife do lombo com molho de cogumelos.
.Sandeman 20 Anos (engarrafado em 2016) - frutos secos, notas de mel, algum iodo, boa acidez, taninos envolventes, volume e um bom final de boca. Nota 17,5+.
Acompanhou pão de ló, queijo da Serra, doce de ovos e gelado de canela.
.Ferreira Vintage 1991 - nariz contido, notas de passas, figos secos e ginja, taninos envolventes e final de boca persistente. Elegante e harmonioso. Nota 18.
Harmonizou bem com uma tábua de queijos (Ilha, Serra e Alcains).
Resta dizer que o jantar decorreu na sala do 1º andar, com mesas despojadas, mas com guardanapos de pano, bons copos Riedel e serviço à altura dos acontecimentos. Só foi pena ter-se arrastado demasiado e começado muito tarde.
Em conclusão, um evento excepcional que acontece uma vez na vida. Obrigado, Clube 1500!

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