1.A convite da Joana Pratas, estive presente na Apresentação do Novo "Terroir" dos Vinhos do Tejo: Serras que decorreu na Sala Ogival da ViniPortugal. Este novo "terroir" vem juntar-se aos já conhecidos Bairro, Campo e Charneca.
Segundo documentação distribuída aos participantes, "A Comissão Vitivinícola Regional do Tejo batizou este novo terroir como Serras, precisamente por ser feito de zonas serranas - mas com presença de vinha em encostas e planaltos -, com maior altitude (232 de cota média), o que influencia de forma direta o clima, caraterizado por amplitudes térmicas diárias e temperaturas mais moderadas. Um clima mais fresco e húmido (...) tem impacto na maturação das uvas, mais lenta, e, por conseguinte, na preservação da acidez nas mesmas.
(...) No que toca a castas, predominam as Vinhas Velhas (...) Nas brancas, forte predominância de Fernão Pires, com 19,3 %, seguido do Arinto, apenas com 2,5 %. Nas tintas, é também a casta rainha* do Tejo que se destaca com 13,5 %, mais perto da percentagem da Touriga Nacional como segunda variedade: 10,1 %. A Trincadeira (Preta) vem de seguida, mas com uma descida grande para os 3,7 % .
Com impacto determinante nos vinhos, o terroir Serras aporta elegância e mineralidade; boa estrutura e acidez natural; e, por conseguinte, boa capacidade de envelhecimento."
* refere-a à casta Castelão mas, certamente por gralha, não consta no texto
2.Ao longo desta apresentação intervieram:
.Luis de Castro, Presidente da CVR Tejo
.Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal
.Francisco Toscano Rico, Presidente do IVV
.João Silvestre, Diretor Geral da CVR Tejo
.Pedro Sereno, enólogo
.Hernâni Magalhães, enólogo da Herdade dos Templários *
.Rui Lopes, enólogo da Santos & Seixo
* o que teve, para mim, a intervenção mais clara e apaixonada
3.Os 6 vinhos do novo "terroir" provados (a minha opinião, com notas telegráficas e respectivas classificações)
.Vila Jardim Reserva 2022 branco (Quinta Vale do Armo) - com base na casta Verdelho (100 %), estagiou 9 meses em barricas de carvalho; nariz exuberante, presença de citrinos e algo mineral, equilibrio acidez/gordura, boa estrutura e final de boca longo (13 % vol.). Complexo e gastronómico, uma agradável surpresa. Nota 18.
.Encosta do Sobral Grande Reserva Vinhas Velhas Fernão Pires 2023 (Santos & Seixo) - com base na casta Fernão Pires (100 %), estagiou 14 meses em inox (45 %), barricas de carvalho francês usadas (40 %) e e barricas novas de carvalho francês (15 %); nariz discreto, cítrico e presença de fruta de caroço, alguma acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (13 % vol.). Elegante e gastronómico. Nota 17,5.
.Pedro Sereno Vinhas Velhas 2021 branco (Pedro Sereno) - com base em vinhas velhas, estagiou 5 meses em barricas de carvalho francês (60 %) e em tanques de inox (40 %); nariz contido, cítrico e mineral, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (13 % vol.). Agradável. Nota 17.
.Herdade dos Templários 2025 rosé (Herdade dos Templários) - com base na casta Merlot (100 %); muito discreto no nariz e na boca, alguma acidez, volume e final de boca médios (13 % vol.). demasiado simples. Nota 15,5.
.Casal das Freiras Castelão 2022 (Casal das Freiras) - com base na casta Castelão (100 %); nariz discreto, cor evoluida e muito frutado, alguma acidez, levemente especiado, taninos dóceis, volume e final de boca discretos (11,5 % vol.). Para beber fresco no verão. Not me! Nota 15.
.Dona Florinda Reserva Especial 2018 tinto (Quiinta do Côro) - com base nas castas Touriga Nacional, Tricadeira, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon, estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês (80 %) e americano (20 %); nariz afirmativo, muita fruta preta, acidez q.b., especiado, taninos presentes mas civilizados, bom volume e final de boca longo (14,5 % vol.). Complexo e gastronómico. Nota 18.
Resumindo e concluindo, uma boa sessão pedagógica. Obrigado Joana pelo convite.