terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Os vinhos da minha vida (III) : os Fortificados (1ª parte)

1.Introdução 

É de toda a justiça referir aqui o nosso amigo Adelino de Sousa, madeirense de origem, conhecedor profundo e coleccionador de Vinhos Madeira que nos possibilitou provar néctares que raríssimos enófilos conhecem. Somos uns previlegiados!


Continuando o balanço dos vinhos da minha vida, hoje é a 1ª crónica (de 3) dedicada aos fortificados. As anteriores podem ser lidas aqui:

."Os vinhos da minha vida (I) - os Brancos"

."Os vinhos da minha vida (II) - os Tintos (1ª parte)"

."Os vinhos da minha vida (II) - os Tintos (2ª parte)"


Com base nos Balanços do Ano, este é o balanço final onde contabilizo os 135 fortificados classificados com 19,5 (29), 19 (67) e 18,5+ (39). Entre estes pode haver algumas referências repetidas (poucas), mas que obviamente dizem respeito a garrafas diferentes.

Em 4 Balanços, os Quadros de Honra não identificaram as notas com que foram eleitos os 40 melhores fortificados. Nos restantes, além do total, identifico a quantos atribuí 19,5 ou 19 ou 18,5+.

Aqui vai:

.2010 - 10 (?)

.2011 - 10 (2+3+5)

.2012 - 12 (0+5+7)

.2013 - 10 (?)

.2014 - 10 (?)  

.2015 - 10 (?)

.2016 - 5 (0+1+4)

.2017 - 9 (1+5+3)

.2018 - 14 (1+9+4)

.2019 - 18 (2+10+6)

.2020 - 7 (0+5+2)

.2021 - 10 (2+5+3)

.2022 - 17 (8+9+0)

.2023 - 16 (7+6+3)

.2024 - 17 (6+9+2) 


continua...

sábado, 27 de dezembro de 2025

FJF (47ª sessão) : um grande Madeira

 Esta última sessão foi da responsabilidade do Frederico que levou os vinhos e escolheu o Salsa & Coentros. Boa comida de tacho, serviço de vinhos profissional e copos Riedel na mesa (um luxo!).

Desfilaram às cegas:


.Maritávora Reserva 2008 (uma das 2850 garrafas) - com base em vinhas velhas, estagiou 7 meses em barricas novas de carvalho francês; cítrico e mineral, acidez q.b., ligeiras notas amanteigadas, algum volume e final de boca (12,5 % vol.). Fresco e elegante. Nota 17,5.


.Quinta das Bageiras Garrafeira 2012 (garrafa nº 130/3090) - com base nas castas Maria Gomes e Bical em vinhas velhas, estagia cerca de 10 meses em madeira já usada; cítrico, presença de fruta de caroço, acidez vibrante, alguma gordura, bem estruturado e final de boca longo (14 % vol.). Complexo e muito gastronómico. Nota 18,5.

Estes 2 brancos maridaram com as entradas (queijo fresco, empadas e túbaros com ovos mexidos) e com um estufadinho de grão e bacalhau.


.PAPE 2005 - com base maioritariamente na casta Touriga Nacional proveniente das Quintas da Passarella e da Pellada, estagiou cerca de 14 meses em cascos de carvalho allier; ainda com muita fruta vermelha, acidez no ponto, algum especiado, taninos presentes algo bicudos, bom volume e final de boca extenso (13 % vol.). Ainda longe da reforma, a consumir em 10 a 12 anos. Nota 18.

Este tinto harmonizou com um prato de pastéis de massa tenra e arroz de tomate.


.Barbeito Frasqueira Verdelho 1994 (engarrafamento de 2024, com o nº 236/600) - presença de frutos secos, algum vinagrinho, notas de iodo e caril, muito especiado, volume e final de boca interminável. Nota 18,5+.

Este fortificado acompanhou um pijama de sobremesas (encharcada, bolo de chocolate e bolo de laranja).


Mais um boa sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado Frederico!

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Grupo Ad-hoc (20ª sessão)

 Este grupo de enófilos, de composição aleatória, reuniu recentemente no Lugar Marcado.

 Nos tachos a  chefe Sandra continua inspiradíssima e na sala a Fátima a praticar um serviço de 5 *. O normal!


Desfilaram, às cegas:

.Monte Branco 2021 (garrafa levada pelo Arménio) - com base nas castas Arinto, Rabigato, Esgana Cão e Galego Dourado, estagiou 10 meses em barricas usadas de carvalho francês; nariz exuberante, cítrico, notas tropicais, equlibrio acidez/gordura, bom volume e final de boca longo (12,5 % vol.). Fresco  e elegante é uma boa surpresa vinda do Alentejo. Nota 18,5.


.Poejo d' Algures Alvarinho (levada pelo João) - com base na casta Alvarinho (100 %) resultante de um lote com as colheitas de 2018, 2019 e 2020, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, cítrico e mineral, acidez pronunciada, ligeiras notas amanteigadas, algum volume e final de boca extenso (13 % vol.). També fresco, mas não tão complexo. Nota 18.

Estes 2 brancos maridaram com as entradas (chamuças, croquetes e camarões panados).


.Três Bagos Grande Escolha 2004 (levada por mim) - 92 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela, estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho frncês; ainda com muita fruta e acidez, algum especiado, taninos ainda vibrantes mas civilizados, alguma estrutura e final de boca persistente (14 % vol.). Complexo, gastronómico e ainda com alguma juventude, a consumir em 7/8 anos. Nota 18,5.


.Xisto Roquette & Cazes 2015 (levada pelo Arménio) - resultante de uma parceria entre a familia Roquete (Quinta do Crasto) e a família Cazes (Château Lynch-Bages); 94 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e outras em vinhas velhas, estagiou 20 meses em barricas; ainda com fruta vermelha, acidez vibrante, levemente especiado, taninos afirmativos, algum volume e final de boca extenso (14,5 % vol.). Muito fresco e gastronómico, a consumir em 8 a 10 anos. Nota 18,5+.

Estes 2 tintos harmonizaram com um prato de presa de porco preto.


.Blandy's Bual 30 Anos (levada pelo J. Rosa) - 94 pontos na Decanter e 92 no Parker; presença de frutos secos, algum vinsgrinho, notas de iodo e caril, bem estruturado e final de boca interminável. Complexo e exuberante. Nota 19.

Este fortificado acompanhou rabanadas e sonhos.


Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado a todos!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Grupo dos 3 (101ª sessão)


A 101ª foi da responsabilidade do João e decorreu no Belmiro. Boa comida de tacho, bons copos Schott na mesa e serviço profissional a cargo do patrão. Um senão: a TV ligada, embora sem som. Para quê?


Desfilaram às cegas:


.Falcoaria Fernão Pires Vinhas Velhas 2016 - com base na casta Fernão Pires (100 %), estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês novas (50%) e usadas (50%); oxidação excessiva, presença de citrinos, alguma acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca (13 % vol.). Nota 16,5. Esta garrafa não tem nada a haver com outra aberta recentemente em minha casa à qual atribuí 18,5.

Este branco acompanhou uma série de entradas (queijo fresco, empadas e ovos à Belmiro) e um prato de lulas recheadas, tendo ligado melhor com este prato.


.Casa da Passarella O Enólogo Vinhas Velhas 2019 - com base em vinhas velhas com cerca de 80 anos, estagiou 18 meses em barricas de carvalho; ainda com fruta vdermelha, acidez q.b., algo especiado, taninos presentes e civilizados, bem estruturado  final de boca longo (13,5 % vol.). Fresco e elegante, a consumir nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18.

Este tinto harmonizou com um prato de ossobuco e batatas fritas.


.Vasques de Carvalho 20 Anos Branco (engarrafado em 2025) - presença de frutos secos e citrinos, acidez no ponto, notas especiadas, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.

Este fortificado acompanhou tarte de pera.


Mais uma boa sessãom de convívio, comeres e beberes. Obrigado João!

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Grupo dos 6 (42ª sessão)

 Esta última sessão que dcecorreu no Magano teve uma nova composição com a entrada do José Luis Azevedo (filho do Juca). Boa comida de tacho, serviço profissional e na mesa copos Spiegelau topo de gama.

Desfilaram às cegas:


.Taboadella Grande Villae 2019 (1 das 3771 garrafas levada pelo J. Rosa) - 93 pontos na Wine Enthusiast e 90 no Parker; com base nas castas Encruzado, Bical e vinha velha, estagiou 10 meses em barricas novas de carvalho francês; cítrico, alguma acidez, notas amanteigadas, bom volume e algum final de boca (14 % vol.). Muito gastronómico e algo musculado. Nota 17,5. 


.Paço dos Cunhas Vinha do Contador 2014 (1 das 4472 garrafas levada pelo João) - 90 pontos na Wine Spectator e no Parker; com base nas castas Encruzado (60 %), Malvasia Fina (30 %) e Cerceal Branco (10 %), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; cítrico e mineral, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Fresco, equilibrado e ainda com alguma juventude. Nota 18.


.Paço dos Cunhas de Santar 2009 (levada pelo Frederico) - cítrico, acidez crocante, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca longo (14 % vol.). Muito complexo e ainda muito jovem para a sua idade. Nota 18,5.

Estes brancos harmonizaram com as entradas (empadinhas, cogumelos, peixinhos da horta, salada de bacalhau com grão e batatas fritas) e com os pratos de lulas fritas e filetes de peixe galo com arroz de coentros.


.Antónia Adelaide Ferreira 2014 (levada pelo Juca) - com base em vinhas velhas, estagiou 2 anos em barricas de carvalho francês; ainda com fruta vermelha, acidez q.b., notas especiadas, taninos afirmativos, volume e final de boca longo (14 % vol.). Muito equilibrado, a consumir nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.


.Reynolds Grande Reserva 2014 (garrafa nº 11216/14000 levada pelo Zé Luis) - com base nas castas Aicante Bouschet (80 %), Cabernet Sauvignon (10 %) e Syrah (10 %), estagiou 18 meses em barricas e mais 5 anos na garrafa; fresco e frutado, boa acidez, notas especiadas, taninos vibrantes, estrutura e final de boca extenso (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico, a consumir nos próximos 12 a 14 anos. Nota 18,5+.

Estes 2 tintos brigaram com um cozido de grão.


.Ramos Pinto Branco 20 Anos (1 das 750 garrafas levada por mim; engarrafamento em 2025) - 19 na Grandes Escolhas; presença de frutos secos, algum iodo e caril, boa acidez,  volume notável e final de boca muito persistente. Uma raridade. Nota 18.

Este fortificado acompanhou um pijama de sobremesas (queijadas de requeijão, cheesecake de lima e limão, tarte amêndoa e mil folhas).


Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. Obrigado a todos!

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

À volta da cerveja artesanal (XLIV)

 1.Mais provas 

Provadas/bebidas mais 13 cervejas (10 artesanais e 3 semi-artesanais):

Com 5

.Brew Imperial IPA (Alemanha)

.Letra F American IPA (Vila Verde)

Com 4,5

.Barona Casqueiro English Bread IPA (Marvão)

.Boehmia Original (Sagres)

.Marafada Algarve Pale Ale (Algoz)

.Musa Born in the IPA (Lisboa)

.Praxis IPA (Coimbra)

.8ª Colina Urraca Vendaval IPA (Lisboa)

com 4

.Coruja IPA (Superbock)

.Nortada IPA (Porto)

.1927 Bengal Amber IPA (Superbock)

.1927 Munich Dunkel (Superbock)

Com 3,5

.Dois Corvos Hey Honey Imperial Brown Ale (Lisboa)


2.Comunicação Social

Lamenta-se que a revista Grandes Escolhas esteja, desde sempre, de costas voltadas para este mundo novo das artesanais e que a Revista de Vinhos tenha desistido, depois de lhes ter dedicado uns tantos artigos.

Ao contràrio é de louvar o Público que na Fugas, a sua separata de Sábado, lhe tem dado alguma atenção. Foi o caso de em 11 Outubro, a jornalista Sílvia Pereira ter publicado o artigo "Venha a nós um Oktoberfest (ou seis) para brindar à cerveja cá dentro".

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Novembro 2017 : o que aconteceu aqui há 8 anos

 Das 12 crónicas publicadas no de correr de Novembro 2017, destaco estas 3:


."Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores"

Recordando este imperdível evento, durante o qual e apenas no dia reservado aos profissionais consegui provar 71 vinhos, o dobro do que agora tenho provado.

Outros tempos...


."Grupo dos 3 (58ª sessão) : vinhos e gastronomia de eleição"

Recordando um almoço organizado por mim no Lumni, o restaurante do Hotel Lumiares (ao Bairro Alto), gerido pelo chefe Miguel Castro e Silva.

Por onde andará este grande senhor?


."Jantar Jorge Moreira"

Recordando um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas na Casa do Bacalhau, com a presença do produtor e enólogo Jorge Moreira.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Essência do Vinho 2025

1.O evento Essência do Vinho 2025 decorreu no Centro de Congressos de Lisboa (Junqueira) de 1 a 3 Novembro. A convite da organização visitei-o no dia 3, data destinada aos profissionais.

Estavam presentes 144 expositores de produtores nacionais, 54 de produtores estrangeiros e 18 de diversos, para aém de 35 expositores de vinhos naturais.

Embora convidado tive que pagar o copo (Riedel, diga-se), o que não aconteceu nos Vinhos e Sabores, mas que foi compensado de certo modo pelo porta copos que deu direito a 20 % de desconto em compras na loja da CVR Lisboa no  Time Out Market. 

2.Para não baralhar o palato, concentrei-me apenas nos fortificados tendo provado 16, uma pequena parte destes vinhos à prova. Em termos de qualidade, todos merecem ser referidos aqui:


Com 19 (2)

.Dona Antónia 30 Anos

.Taylor's 50 Anos

Com 18,5+ (3)

.Graham's 30 Anos

.Ramos Pinto 30 Anos

.Villa Oeiras 2014

Com 18,5 (4)

.Barbeito Malvasia 50 Anos

.Graham's 20 Anos

.Niepoort 20 Anos

.Villa Oeiras Tinto 12 Anos

Com 18+ (4)

.Barbeito Verdelho 30 Anos

.Dona Antónia 20 Anos

.Poças 20 Anos

.Ramos Pinto Quinta do Bom Retiro 20 Anos

Com 18 (3)

.Barbeito Bastardo 20 Anos

.Cossart Gordon Bual 2013

.Fonseca 20 Anos


3.Quando chegou a altura de ir almoçar, constatei que apenas havia 1 local para comer, para além de outro com ostras e outros produtos do mar, com uma grande bicha e poucas mesas para abancar, ao contrário da Vinhos e Sabores onde a oferta era generosa. Também não vislumbrei qulquer banca com vinhos a copo.

Moral da história: tive que sair e almoçar fora do recinto. O que me valeu foi o Junqueira 61, a poucos metros dali.


4.Para além das provas é sempre um prazer reencontrar e dar dois dedos de conversa com uma série de meus conhecidos, sejam produtores, enólogos, comerciais ou antigos clientes das Coisas do Arco do Vinho. Lembro-me do António Saramago, Carlos Pereira da Fonseca, Domingos e Tiago Alves de Sousa, Jorge Alves, Júlia Kemper, Luis Pato, Pedro Almeida e Rui Falcão (agora no Esporão).


E, para o ano, há mais!