sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Mais 2 espaços de restauração "descobertos" antes do confinamento : Porter Bistrô e Moinho Ibérico

 Já "descobri" estes espaços há algum tempo, mas ainda não tinha tido a oportunidade de falar neles.

E eles foram:


1. Porter Bistrô - 4 *

O Porter Bistrô é o restaurante do Hotel Corpo Santo classificado com 5 * e situado no Corpo Santo, com uma paragem de autocarros mesmo à porta e nas proximidades do Cais Sodré.

Espaço amplo, onde as recomendações da DGS são levadas a sério. Guardanapo de pano, um saqueto para se guardar a máscara e um toalhete desinfetante.

Para além de uma oferta gastronómica à carta, pode optar-se pelo menu Lisboa (à hora do almoço, de 2ª a 6ª feira), que foi o que fiz. Por 12 € tem-se direito a sopa, prato principal, bebida e café. Por mais 1,50 € pode-se reforçar a refeição com um bom couvert (3 tipos de pão, azeite, azeitonas e manteiga com ervas).

Na minha última visita calhou-me a sopa de grão com espinafres e o bacalhau espiritual.

A copo foi-me servido o branco Conde de Monsul 2018 da Rozés. É um vinho correcto que cumpriu bem a sua função de acompanhar a comida, mas não deixou saudades.

A garrafa veio à mesa e servida uma quantidade generosa num belíssimo copo. De um modo geral, o serviço foi atencioso e profissional.

No final do almoço fui muito simpaticamente convidado a visitar o piso -1, reservado aos utentes do hotel para sala de convívio e de leitura, onde se pode contemplar um troço da Muralha Fernandina datada do século XIV e muito bem recuperada.

Só por isto vale a pena almoçar no Porter Bistrô!


2. Moinho Ibérico - 4 *

O Moinho Ibérico fica em São João das Lampas, a caminho da praia do Magoito.

Restaurante familiar algo barulhento, com a Cristina, para além de simpática, uma boa profissional na sala e na feitura da doçaria e o irmão, de quem não retive o nome, a fazer um belíssimo trabalho na grelha que está à nossa vista. Este espaço é um autêntico paraíso para os carníveros, pois são 25 os pratos de carne, sendo de grande qualidade aqueles que tive a oportunidade de provar.

Na minha última visita comecei pelo couvert (queijo fresco e um pão fabuloso), continuei com um saborosíssimo entrecôte com grelos salteados e finalizei com um delicioso bolo de chocolate. 

Quanto à componente vínica tem algumas referências interessantes, tendo escolhido o Grandes Quintas Reserva 2015, um grande vinho do Douro, ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos civilizados, bem estruturado e com um final de boca longo a merecer 18,5. A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e servido em copos apresentáveis. Temperatura controlada a pedido.

Recomendo e tenciono voltar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

The Wine Show : Prós e Contras

 Com a coprodução da Revista de Vinhos (RV) e anúncio no nº de Janeiro com pompa e circunstância, foi exibida recentemente a 3ª temporada do programa "The Wine Show", esta última dedicada a Portugal.

Recheada de figuras do mundo do cinema e cujo animador foi Joe Fattorini, este programa, cuja base de apoio se repartiu entre a Quinta do Noval e o Palácio da Bolsa, andou pelas nossas regiões vitivinícolas mais famosas, não esquecendo a Madeira e os Açores.

Ao longo dos seus 7 episódios tivemos a oportunidade de vermos e/ou ouvirmos alguns dos protagonistas do mundo do vinho, como foi o caso do António Maçanita, Luis Pato, Joana Santiago, Jorge Moreira, Rob e Charlotte Symington, Carlos Agrellos, Sophia Bergqvist, Luis Patrão, Olga Martins e Domingos Soares Franco.

Depois desta introdução vamos aos Prós e aos Contras:


1.PRÓS

.difusão a nível mundial para mais de 100 países e audiência estimada em 86 milhões de pessoas, segundo a RV

.importância dada aos nossos fortificados (Porto, Madeira e Moscatéis de Setúbal)

.mostra e prova de alguns vinhos tranquilos de algumas das nossas Regiões Vitivinícolas

.elogio da dona Antónia Adelaide Ferreira, a "Ferreirinha"


2.CONTRAS

.com excepção do primeiro  e do último episódio, todos os outros dedicaram tempo excessivo a outros países, como foi o caso do champanhe e vinhos da Alemanha, Hungria, EUA e, pasme-se, da Tailândia, o que não faz nenhum sentido

.todos os episódios terminavam com um almoço em Nova Iorque, com prova de vinhos do mundo, o que também não faz sentido

.numa das bases operacionais do programa, a Quinta do Noval, os vinhos provados foram maioritariamente estrangeiros, não se percebendo a passividade deste produtor

.o vinho no feminino teve como protagonista a britânica Sophia Bergqvist (que muito prezo, diga-se), uma descarada escolha bairrista

.finalmente, a RV que embandeirou em arco como coprodutora, é também corresponsável.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Vinhos em família (CXVI) : 3 grandes vinhos e 1 desilusão

 Mais 4 vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. 

E eles foram:


.Soalheiro Alvarinho Reserva 2017 - com base na casta Alvarinho (100 %), fermentou e estagiou em barricas novas e usadas de carvalho francês até Junho; presença de citrinos e fruta de caroço, acidez quanto baste e notas glicerinadas, volume notável e final de boca longo (13 % vol.). Complexo e cheio de personalidade. A Alvarinho no seu melhor! Nota 18,5+.


.Anselmo Mendes Parcela Única 2017 - 93 pontos no Parker; com base na casta Alvarinho (100 %) estagiou sobre as borras finas durante 9 meses; fresco e mineral, presença de citrinos e maçãs verdes, belíssima acidez, notas amanteigadas, algum volume e final persistente (13 % vol.). Complexo com a casta bem representada. Nota 18,5.


.Anselmo Mendes Private Alvarinho 2017 - 91 pontos no Parker;  com base na casta Alvarinho (100 %), estagiou 9 meses em barricas usadas de carvalho francês; alguma oxidação, presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca visíveis (13 % vol.). Mais próximo do Curtimenta do que do Parcela Única, estava à espera de mais. Nota 17.


.Qtª do Perdigão Touriga Nacional 2009 (garrafa nº 2156/6500); vencedor de um painel de Tourigas; com base na casta Touriga Nacional (100 %), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fresco e floral, alguma fruta preta, acidez pronunciada, notas  especiadas, taninos de veludo, algum volume e final de boca prolongado (14 % vol.). Ainda muito longe da reforma, a beber nos próximos  8 a 10 anos. Nota 18,5 em copo borgonhês e 18 em copo bordalês.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

As revistas especializadas - nº de Fevereiro 2021 (2ª parte)

 3.Grandes Escolhas (GE)

A. 80 páginas, das quais 22 de publicidade. Logo apenas 58 úteis (72,5 % do total)

B1. Crónicas/Reportagens (4)

.Varietais Bacalhôa, a prova dos 9 (Mariana Lopes)

.Tapada de Coelheiros, uma revolução silenciosa (Luis Lopes)

.De que é feito um grande vinho? (Dirceu Vianna Júnior)

.Brancos que falam com o tempo (João Paulo Martins)

B2. Painéis de prova (1)

.Tintos do Dão, a arte do blend (Valéria Zeferino) com 27 vinhos provados

C. Lançamentos (2)

.ACV vinhos de talha (Mariana Lopes)

.Poeira, como nunca se viu (Luis Lopes)

D. Crítica de restaurantes

Nada a assinalar

E. Cervejas artesanais

Nada a assinalar

F. Provados 197 vinhos, dos quais 51 classificados com 18 ou mais (25,9 % do total)

Brancos (12)

.Coche 2018 (Douro) - 19

.Conceito Único 2019 (Douro) - 19

.Villa Oliveira 2ª Edição 2015/2019 (Dão) - 19

.Anselmo Mendes Parcela Única 2018 (Vinhos Verdes) - 18,5

.Anselmo Mendes Private Alvarinho 2018 (Vinhos Verdes) - 18,5

.Alves de Sousa Pessoal 2015 (Douro) - 18,5

.Guru N M (Douro) - 18,5

.Poeira Desalinhados Curtimenta 2018 (Douro) - 18,5

.Quanta Terra 2012 (Douro) - 18,5

.Envelope 2017 (Dão) - 18,5

.Fonte do Ouro Nobre 2018 (Dão) - 18,5

.Quinta dos Carvalhais Branco Especial engarrafado em 2019 (Dão) - 18,5

Tintos (19)

.Chryseia 2018 (Douro) - 19

.Legado 2015 (Douro) - 19

.Poeira Impar 2015 (Douro) - 19

.Poeira Vinha da Torre 2017 (Douro) - 19

.Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2017 (Douro) - 19

.Quinta da Gaivosa 2017 (Douro) - 19

.Antónia Adelaide Ferreira 2016 (Douro) - 18,5

.Pintas 2017 (Douro) - 18,5

.Poeira 31 Barricas (Douro) - 18,5

.Quinta da Falorca Garrafeira 2015 (Dão) - 18,5

.Quinta da Pellada Alto 2013 (Dão) - 18,5

.Quinta da Pellada Casa e Mata 2016 (Dão) - 18,5

.Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2015 (Bairrada) - 18,5

.Furtiva Lágrima 2017 (Alentejo) - 18,5

.Grande Rocim Reserva 2017 (Alentejo) - 18,5

.Júlio Bastos Alicante Bouschet Grande Reserva 2015 (Alentejo) - 18,5

.Mouchão Tonel 3-4 2013 (Alentejo) - 18,5

.Tapada de Coelheiros Garrafeira 2013 (Alentejo) - 18,5

.Vinha do Jeremias Syrah 2017 (Alentejo) - 18,5 

Seguem-se 20 vinho classificados com 18.

Dos 51 eleitos, 1 é champanhe, 21 são brancos e 29 tintos.

Por Região, os vinhos tranquilos dividem-se em 5 Vinhos Verdes, 20 Douro, 12 Dão, 4 Bairrada e 9 Alentejo.


De salientar:

. o interesse e a qualidade das crónicas do Dirceu Vianna Júnior, do João Paulo Martins e da Valéria Zeferino.

.a quantidade de vinhos classificados com 19 (3 brancos e 6 tintos!)  

.a hegemonia do Douro com 50 % dos brancos e 47,4 % dos tintos classificados com 19 e 18,5.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

As revistas especializadas - nº de Fevereiro 2021 (1ª parte)

1.Introdução

As revistas em análise e referentes aos meses de Fevereiro (já editadas) e de Março (ainda não publicadas) não são comparáveis, pois a maioria das suas páginas são dedicadas a "Os Melhores do Ano 2020".

Foi o que aconteceu com a Revista de Vinhos (RV) e o que acontecerá com a Grandes Escolhas (GE) em Março. No nº em análise, a RV dedicou as primeiras 135 páginas aos premiados, restando apenas 43 páginas para provas, reportagens e lançamentos. O mesmo acontecerá com o nº de Março da GE.

Resta-me comparar os conteúdos deste nº da GE com o de Março da RV, deixando para uma crónica autónoma os habituais "Os Óscares do Vinho".


2.Revista de Vinhos (RV)

A. 178 páginas, das quais 48 de publicidade. Logo, apenas úteis 130 (73 % do total).

B1. Crónicas/Reportagens (3)

.Fita Preta, o tempo de experimentalismos (José João Santos)

.Casa do Valle, um blend de equilibrios (José João Santos)

.Vinha do Convento, a saudável obsessão pelo terroir (José João Santos)

B2. Painéis de prova

Nada a assinalar.

C. Novidades

Nada a assinalar.

D. Crítica de Restaurantes

Nada a assinalar.

E. Cervejas Artesanais

Nada a assinalar.

F. 21 vinhos provados, dos quais 7 classificados com 18 ou mais (33,3 % do total)

.Chão dos Eremitas os Paulistas 2018 tinto (Alentejo) - 19

.Conde Vimioso Vinha do Convento 2017 tinto (Tejo) - 18,5

Seguem-se 5 vinhos classificados com 18.

Dos 7 eleitos 2 são brancos e 5 tintos.

Por Região dividem-se em 1 Vinho Verde, 1 Tejo e 5 Alentejo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Mais 2 espaços de restauração revisitados antes do confinamento : Marisco na Praça e Degust'AR

 Já revisitei estes espaços há algum tempo, mas o balanço do ano 2020 não me deu qualquer oportunidade de os referir. E eles foram:


1. Marisco na Praça - 4 *

Já aqui falei nele, a última vez na crónica "Espaços de restauração revisitados em tempo de desconfinamento", em Junho 2020. Nunca é demais referi-lo, pois é o meu refúgio quando vou a Cascais.

Neste espaço, além de um louvável cuidado com as orientações da DGS, nomeadamente quanto ao afastamento das mesas, logo à entrada do restaurante deparamos com uma banca repleta de peixe e marisco fresquíssimos.

Escolhemos ameijoas à Bulhão Pato, lingueirão grelhado e camarão tigre, tudo saborosíssimo. A acompanhar uma 1927 Bengal Amber (nota 4,5 em 5). A terminar uma mousse de chocolate.

O ponto fraco é a componente vínica, com uma excessiva incidência no Alentejo, sem anos de colheita e com alguns erros de palmatória.

No geral serviço despachado e simpático.

Recomendo e tenciono voltar, logo que a situação normalize.


2. Degust'AR Lisboa - 4,5 *

Também já aqui referido várias vezes, a última das quais em "Degust'AR Lisboa - 4,5 *", crónica publicada em Maio 2020.

Nesta última revisita fiquei-me pelos petiscos, cogumelos salteados e pezinhos de porco de coentrada à moda do Redondo com pão frito. Doses saborosas e generosas que chegaram perfeitamente. A terminar, um belíssimo leite de creme queimado.

Com uma oferta alargada de vinho a copo, o que se louva, escolhi o para mim desconhecido Argilla 2017 - com base nas castas Alvarinho, Verdelho e Viosinho; presença de citrinos e fruta de caroço, equilibrio acidez/gordura, volume e final de boca médios (13 % vol.). Muito gastronómico, harmonizou muito bem com os cogumelos e aguentou-se com os pezinhos. Uma boa surpresa e com um custo baixo. Nota 17.

A garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo Bormioli/Rocco e servida uma quantidade generosa.

Serviço profissional e atencioso, a dar boa conta sem a presença do proprietário e chefe António Nobre, o que é um bom indicador.

Recomendo e tenciono voltar, logo que seja possivel.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Janeiro 2013 : o que se passou aqui há 8 anos

 O mês de Janeiro, no âmbito do blogue, é sempre dominado pelo balanço do ano anterior e foi o que aconteceu há 8 anos. Das 18 crónicas publicadas, 6 foram-lhe dedicadas, além de 4 aos 15 anos de prémios da Revista de Vinhos (agora a Grandes Escolhas). Das que sobram, destaco esta:


."Perplexidades (VIII)"

A propósito de uma situação passada comigo nas Coisas do Arco do Vinho (CAV) e relacionada com a venda de vinhos num órgão de comunicação social, na qual estava envolvida uma figura pública no mundo do vinho, em que se anunciava que era um conjunto com um preço imbatível.

Só que, azar dos azares, as CAV tinham os vinhos referidos e todos mais em conta. Uma vigarice desmontada na altura! De registar o oportuno e simpático comentário do Hugo Mendes.

E, assim, se enganavam os incautos...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

2020 : na hora do balanço (VIII) - as crónicas publicadas e as mais lidas (2ª parte)

 1.Com a crónica de hoje, referente ás 10 mais lidas entre as 136 publicadas no decorrer do ano passado, termino este balanço de 2020.

Para os mais interessados ou que não as tenham lido na altura, fica aqui um link para cada uma delas.

E elas foram, por ordem descendente:

."À volta da cerveja artesanal (VIII)"

."Jantar Quinta da Manoella"

."Os Óscares do Vinho (2019)"

."Feira de Vinhos do Continente : assim se enganam os incautos..."

."Comemorar os 50 Anos (versão 2020)"

."2019 : na hora do balanço (III) - TOP tintos"

."Vinhos em família (XCIX) : os néctares do almoço de Natal"

."2019 : na hora do balanço (I) - TOP Cervejas Artesanais (Aditamento)"

."Revolução - 4,5 *"

."Vinhos em família (CX) : brancos, mais uma vez"


2.De referir:

.A crónica que me deu mais gozo foi a que ficou em 4º lugar, sobre a Feira de Vinhos do Continente. Uma pena que não tivesse merecido qualquer comentário.

.As crónicas que despertaram mais interesse foram as relacionadas com a cerveja artesanal e os vinhos em família (2 de cada), muito diferente do que aconteceu em 2019.