continuando...
6º MOMENTO - Viagem no Comboio Histórico do Douro
" (...) Fruto da natureza, o alto Douro é também, e acima de tudo, obra do homem, que soube aproveitar as capacidades naturais da região, que modelou as suas declinosas vertentes em socalcos, modificando profundamente a sua aparência (...)"
Ceferino Carrera in "Vinho do Porto e a Região do Douro" (Colares Editora, 2007)
"A viagem pela Linha do Douro, entre a Régua e o Tua, é uma experiência única que permite apreciar as belas paisagens do Douro Vinhateiro, Património Mundial da UNESCO desde 2001 e que representa o trabalho do Homem integrado com a natureza (...)"
in brochura "Comboio Histórico do Douro" (edição Comboios de Portugal e Casa Ferreira)
No início do passeio Régua, Covelinhas (Quinta dos Murças), Pinhão, Tua, Pinhão e Régua, foi-nos oferecido um lanche que incluia uma garrafa de água e um copo de Vinho do Porto Ferreira Ruby à temperatura ambiente, logo quente! Não havia necessidade...
Ao longo da viagem fomos acompanhados por um simpático rancho folclórico que não deu hipótese a que alguém adormecesse. Pela minha parte, fui identificando uma série de quintas, umas mais famosas que outras, muitas das quais do meu conhecimento presencial.
Foi, de facto, um passeio histórico!
7º MOMENTO - São Leonardo da Galafura
"O autocarro segue em curvas e contracurvas pela via estreita que conduz ao cume da elevação. Para. Abrem-se as portas. Os turistas descem, aparelham as máquinas, disparam em todas as direcções, trocam interjeições de admiração.
O guia, repete a mesma fraseologia de cada uma e de todas as excursões:
o poema de Miguel Torga a São Leonardo de Galafura está gravado naquela pedra ali adiante. Podem fotografar à vontade (...)"
Vitor Wladimiro Ferreira in "Vinho do Porto e a Região do Douro" de Ceferino Carrera (já citado no 6º momento)
E assim, também o fiz. Fotografei o poema do Miguel Torga que passo a transcrever:
"S. Leonardo de Galafura
À proa dum navio de penedos,
a navegar num doce mar de mosto,
capitão no seu posto
de comando,
S. Leonardo vai sulcando
as ondas
da eternidade,
sem pressa de chegar ao seu destino,
ancorado e feliz no cais humano,
é num antecipado desengano
que ruma em direcção ao cais divino.
Lá não terá vinhedos
nem socalcos
na menina dos olhos
deslumbrados;
doiros desaguados
serão charcos de luz
envelhecida;
rasos, todos os montes
deixarão prolongar os horizontes
até onde se extinga a cor da vida.
Por isso, é devagar que se aproxima
da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
é um sorvo a mais de cheiro
a terra e a rosmaninho."
Miguel Torga in Diário IX
Nota - o original fotografado está todo em maiúsculas
8º MOMENTO - Espaço Miguel Torga
" (...) Nos vales dos afluentes do Douro vamos encontrar a mesma paisagem, com a vinha a marcar a quase totalidade da actividade agrícola. Aqui quem manda é o vinho, por estas zonas o ano começa e acaba em função das vindimas, é o vinho que marca a cadência do quotidiano (...)"
João Paulo Martins in "O Prazer do Vinho do Porto" (Publicações Dom Quixote, 2011)
No folheto do Município de Sabrosa lê-se:
"O Espaço Miguel Torga, da autoria do arquiteto Eduardo Soto Moura, localiza-se na freguesia de São Martinho da Anta, em Sabrosa, no distrito de Vila Real. Este equipamento cultural tem como objetivos a salvaguarda e difusão da obra do escritor Miguel Torga, nascido em São Martinho da Anta, (...)"
Visitámos este elucidativo e imperdível espaço e, ainda, a casa onde viveu alguns anos.
Da sua vida retiro estas datas:
.12/8/1907 - nasce como Adolfo Correia Rocha
.1933 - licencia-se em medicina
.1934 - adopta o nome literário de Miguel Torga
.1939 - preso pela PVDE (a antecessora da PIDE)
.27/7/1940 - casa com Andrée Cabbré
.17/1/1995 - falece
Mais informações em www.espacomigueltorga.pt
continua...