quinta-feira, 25 de abril de 2019

Grupo FJF (9ª sessão) :

Mais uma boa sessão no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos. Desfilaram:
.Dona Berta Vinha Centenária Reserva 2012 (levada pelo Frederico) - enologia de Virgílio Loureiro; com base nas castas tradicionais do Douro, plantadas a 500 metros de altitude; nariz austero, presença de citrinos e fruta madura, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (14,5 % vol.). Gastronómico. Nota 17,5+.
Este branco acompanhou as entradas habituais e filetes de peixe galo com arroz de grelos.
.Qtª de Cidrô Marquis 2007 (levada por mim) - com base nas castas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon; nariz exuberante, fruta ainda presente, notas de esteva e chocolate preto, acidez no ponto, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo (14,5 % vol.). Fresco e elegante, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Niepoort DW Reserva 2007 (garrafa nº 439/960, também levada por mim) - nariz discreto, alguma fruta vermelha, notas minerais, taninos macios, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Uma curiosidade da Niepoort, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com pernil no forno.
O que restou do branco maridou com queijo da serra e pastéis conventuais.
Mais uma boa sessão vínica, com a "descoberta" de 2 tintos fora dos radares habituais.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Jantar Mota Capitão

Este evento decorreu na Casa da Dízima (já aqui referida "n" vezes) e contou com o José Mota Capitão, produtor dos vinhos da Herdade do Portocarro, já meu conhecido dos tempos das Coisas do Arco Vinho (CAV). Foi um gosto "revê-lo". Quando do uso da palavra, referiu-se em termos elogiosos aos antigos donos das CAV (o Juca e eu, ambos presentes neste jantar) e teve uma palavra simpática para este meu blogue. Os meus agradecimentos.
Com bons copos Schott na mesa, temperaturas adequadas e os vinhos a chegar antes da comida (o Cavalo Maluco foi a excepção), sob a batuta do Pedro Batista, desfilaram:
.Autocarro nº 13 2018 rosé - foi o vinho de boas vindas, ainda antes de nos sentarmos, cumprindo a sua missão.
.Manda Chuva 2018 branco - um branco produzido a partir de castas tintas; nariz discreto, fresco e mineral, alguma fruta cítrica e acidez, notas vegetais, volume e final de boca médios (12,5 % vol.). Adequado a entradas leves. Nota 16,5.
Harmonizou com vieira fresca em azeite de crustáceos e ceviche de manga.
.Gerónimo 2017 branco - Prémio Excelência 2018 atribuído pela Revista de Vinhos, bem merecido; nariz exuberante, presença de citrinos e fruta madura, equilibrio entre a acidez e a gordura, bom volume e final de boca assinalável (13 % vol.). Muito equilibrado e gastronómico, foi o vinho da noite, para mim. Nota 18.
Casou muito bem com lombo de pregado corado sobre puré de pastinaca (o prato da noite).
.Herdade do Portocarro 2015 - com base nas castas Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; presença de fruta vermelha, notas vegetais, alguma acidez, taninos suaves, volume e final de boca médios (13,5 % vol.). A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 16,5.
Não ligou com ravioli de trufa branca e cogumelos selvagens.
.Anima L12 - com base na casta Sangiovese; aromas e sabores terciários, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, delgado de corpo, mas final de boca persistente (13 % vol.). Fresco e elegante, está no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Teria ligado bem com o ravioli.
.Cavalo Maluco 2012 - ainda com muita fruta vermelha, notas vegetais, acidez evidente, algo especiado, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos acompanharam carré de cordeiro de leite com puré de alfarroba.
.Herdade do Portocarro Partage Sercial 2017 (garrafa nº 29/1467) - desmaiado na cor, aroma complexo, fresco, mineral e adocicado, bela acidez, volume e final de boca médios. Um branco original ao estilo alemão. Nota 17.
Vocacionado para acompanhar pratos asiáticos, não ligou com o carpaccio de ananás.
Uma nota final, o site da Herdade do Portocarro está muito desactualizado. À atenção do produtor.

domingo, 21 de abril de 2019

Provar vinhos com a CVR Lisboa

1.A convite da CVR Lisboa, tive a oportunidade de provar alguns vinhos da Região Lisboa, no espaço do Peixe em Lisboa (que, por sinal, estava às moscas), onde não foi incluído nenhum dos pesos pesados mais emblemáticos desta Região, como é o caso da Qtª Monte d' Oiro ou a Qtª de Chocapalha. Uma pena...
O actual presidente é o Francisco Toscano Rico (que eu não conhecia), vindo da vice-presidência do IVV e que veio substituir o Bernardo Gouvêa (que eu conheci bem nos seus tempos na Herdade do Esporão e, posteriormente, na Bacalhôa) que, por sua vez, foi catapultado à presidência do IVV. Uma ascensão meteórica, que não lhe deu tempo de aquecer o lugar na CVR Lisboa.

2.Ao contrário do que aconteceu na visita à Herdade de São Miguel, nesta prova a blogosfera vínica esteve bem representada. Para memória futura, participaram:
.Avinhar (Luís Gradíssimo)
.Clube de Vinhos Portugueses (Jorge Cipriano e Luís Miraldo)
.Comer, Beber, Lazer (Carlos Janeiro)
.Enófilo Militante (eu, próprio)
.Vinho do Porto Vintage (Carlos Janeiro)
.VIP Gourmet (Virgínia Esteves)
.Winelicious (Natália Pereira) e, ainda
.Ricardo Rodrigues da Pressmedia, a agência organizadora

3.Antes de ir para a mesa, provei o Casa Santos Lima Arinto 2017, fresco e mineral, foi uma boa introdução à prova (nota 16,5).
Já na mesa, a prova foi orientada pela enóloga Madalena Sena Esteves, muito jóvem, mas muito segura, auguro-lhe futuro nestas andanças.
Acompanhados por tapas e pequenos pratos elaborados pelo chefe Paulo Morais (tenho acompanhado a sua carreira, desde o restaurante que teve em Oeiras *) que veio à mesa, desfilaram:
.Mundus 2017, um branco leve da casta Fernão Pires (nota 15,5).
.Sottal 2017, outro branco leve, mas este com excesso de gás e doçura (13).
.Adega Mãe Pinta Negra Rosé 2018, com notas vegetais a imporem-se (14,5).
.Qtª dos Amores Rosé 2017, frutado, fresco e final seco (15,5).
.Lasso Colheita Seleccionada 2017, fresco e mineral (16,5).
.Peripécia Chardonnay 2018, notas mais vegetais e mais amanteigado (15,5).
.Carcavelos Villa Oeiras Superior, muito cítrico, fresco e bom equilibrio acidez/gordura. A confirmação (17).
.Qtª São Francisco Colheita Tardia 2010, fresco e elegante, complexo e harmonioso. A surpresa (17,5).
* O chefe abriu recentemente em Belém (Rua dos Jerónimos, 12) o Tsukiji, que promete e tenciono visitar.

4.É de louvar a postura da CVR Lisboa, ao ter aberto uma loja no Mercado da Ribeira, o que mais nenhuma Região fez (que eu saiba).
Disso dei fé na crónica "Curtas (CV) : a loja da CVRL, (...)", publicada em 3/11/2018.
Mas, por outro lado, a CVR Lisboa tem estado parada, se comparada com as iniciativas da sua vizinha do Tejo. Destas dei fé em:
."À volta da casta Fernão Pires (1ª parte) : a prova didáctica", em 3/4/2018
."À volta da casta Fernão Pires (2ª parte) : o almoço", em 8/4/2018
."Tejo no feminino (1ª parte) : os vinhos", em 5/6/2018
."Tejo no feminino (2ª parte) : o almoço", em 7/6/2018
."Tejo Gourmet (I) : a cozinha ribatejana em Lisboa", em 28/2/2019 e mais 2 crónicas sobre os restaurantes visitados por mim.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Grupo dos 3 (67ª sessão) : a Bairrada no seu melhor

Esta última sessão foi da minha responsabilidade, tendo levado 1 branco, 2 tintos (todos os 3 da Bairrada) e 1 fortificado. Escolhi o restaurante Lugar Marcado (o 23º onde decorreram estes almoços, com vinhos da minha garrafeira), já aqui referido nas crónicas:
."2018 - na hora do balanço (VI) : TOP espaços de restauração", em 22/1/2019
."Um trio maravilha (1ª parte) : Lugar Marcado", em 17/4/2018
Por iniciativa da Fátima Rodrigues, a dona do restaurante, já nossa conhecida dos tempos do Descobre, foram provados 3 azeites, Qtª dos Nogueirões (Douro), Terrenus (Alentejo) e Qtª Vale Meão (Trás-os-Montes), saindo  vencedor este último.
Quanto aos vinhos, desfilaram:
.Messias Clássico 2012 - com base nas castas Bical e Sercial; cor dourada, presença de citrinos e fruta madura, bom equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (12 % vol.). Complexo, gastronómico e ainda longe da reforma. Nota 18.
Acompanhou chamuças de bacalhau, berbigão e camarões panados.
.Aliança Baga Clássico by Quinta da Dôna 2011 - enologia de Francisco Antunes; estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês e russo; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca extenso (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico, a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18,5
Curiosamente, em pesquisa recente na net, verifiquei que o crítico Manuel Carvalho, no Fugas de 17/3/2018, os pôs lado a lado, atribuindo-lhes rasgados louvores. Há cada coincidência...
.2221 Terroir Cantanhede 2011 (garrafa nº 2591/4442) - à semelhança dos chefes, este é um vinho a 4 mãos, a saber, José Carvalheira (Adega de Cantanhede) e Osvaldo Amado (Caves São João); com base nas castas Baga (60 %) e Cabernet Sauvignon (40 %), estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; muito fresco, notas florais e vegetais, acidez no ponto, algum volume e final de boca (14 % vol.). Ainda a crescer, deve ser bebido nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos harmonizaram com coelho frito, pica-pau do lombo e presa de porco preto e companhias (puré de batata doce, milho frito e batata salteada com pesto).
.Niepoort 20 Anos (engarrafado em 1972) - presença de frutos secos, acidez pronunciada, especiarias, complexidade, volume e final de boca notáveis. Uma raridade com mais de 70 anos. Nota 18,5.
Este fortificado maridou com bolo rançoso, leite creme e sortido de gelado.
A terminar, é de toda a justiça salientar:
.os vinhos portaram-se todos muito bem e a Bairrada esteve no seu melhor
.tudo o que veio para a mesa estava muito bom (a cozinha está bem entregue, mas não saber o nome da responsável é uma falha minha)
.a Fátima é a relações públicas, chefe de sala e escanção (praticou um serviço de vinhos de luxo, com copos Schott, vinhos decantados e temperaturas correctas), um 3 em 1 notável
.o Lugar Marcado merece a pontuação de 4,5 * (em 5) e é um espaço que os gastrónomos e os enófilos devem conhecer

terça-feira, 16 de abril de 2019

A Herdade de São Miguel e a Blogosfera (2ª parte) : o almoço, o site e etc

continuando...

4.O almoço
A seguir à visita, o grupo foi recebido pelos anfitriões na sua residência, no meio das vinhas da Herdade de São Miguel, a poucos quilómetros da adega, a Vera Sá da Bandeira (a comercial da empresa nos tempos das Coisas do Arco do Vinho) e o Alexandre Relvas (filho).
Durante o repasto provámos mais 8 vinhos (não sei se me escapou algum), estes já engarrafados, alguns dos quais me deram muito prazer.
Com uma tábua de queijos e enchidos, bebemos os brancos:
.Madxa 2018, um lote de Arinto e Fernão Pires, com um bom equilibrio entre a acidez e a gordura. Nota 16,5.
.Herdade de São Miguel (nos próximos vou abreviar para HSM) Colheita Seleccionada 2016, um lote de Antão Vaz, Verdelho e Viognier, muito frutado mas menos interessante que o anterior. Nota 15,5.
De referir o baixo teor alcoólico destes brancos (12,5 % vol.).
.HSM Arinto Esquecido 2017, fresco e mineral, citrinos e fruta de caroço, notas vegetais, acidez no ponto, algum volume e final de boca. É um branco de guarda e gostava de o voltar a provar daqui a 2 ou 3 anos. Complexo, deu-me muito prazer bebê-lo. Nota 18.
Com um belíssimo cozido (só faltou a orelha do porco), desfilaram 4 tintos:
.HSM Colheita Seleccionada 2017. Nota 16,5.
.HSM Trincadeira 2014. Nota 17.
.HSM Pé de Mãe 2016, um lote de Trincadeira, Aragonês e Castelão que deu origem a apenas 4000 garrafas. Muito fresco, complexo e elegante, também me deu muito prazer. Nota 18.
De referir que no Público de 6 de Abril (suplemento Fugas), o crítico Pedro Garcias lhe teceu um grande elogio e atribuiu 96 pontos em 100.
.HSM The Friends Collection 2015. Nota 17,5.
Finalmente, com uma sobremesa bem alentejana (sericaia)
.HSM Late Harvest/Colheita Tardia 2014, longe do perfil que eu aprecio. Nota 15.
Foi um grande almoço, sendo de salientar:
.os copos eram Schott (na adega eram Riedel, um luxo!)
.a simpatia dos filhos do casal, a Francisca e o Alexandre (o III), que andaram a distribuir prendas pelo grupo (pedrinhas e desenhos, uma delícia)

5.O "site"
A Herdade de São Miguel (HSM) tem um "site" bem desenhado, com muita informação e que me pareceu estar actualizado, do qual retirei ter:
.350 ha de vinha (metade própria e metade comprada)
.produzir 3 milhões de garrafas
.exportar para 30 países
.99 referências de vinho! (só em rótulos, devem gastar uma fortuna)
.preocupações ambientais
.preocupações sociais, de apoio a famílias carenciadas, a saber
..Cozinha com Alma (em Cascais)
..Centros de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (Cascais, Lisboa e Setúbal)

6.O que falta dizer
.A HSM conta, como consultores, com 2 enólogos prestigiados (Luis Duarte nos tintos e Mário Andrade nos brancos)
.No final da visita, foi oferecida a cada um de nós uma garrafa do tinto Art.Terra Amphora 2017.
.A visita foi organizada pela Chefs Agency.

Resumindo e concluindo, correu tudo bem. Os meus agradecimentos aos anfitriões.

sábado, 13 de abril de 2019

A Herdade de São Miguel e a Blogosfera (1ª parte) : a visita à Adega

1.Introdução
É sempre de louvar a atenção prestada por alguns produtores e organizações vínicas ao mundo da blogosfera. No passado, participei em visitas e eventos patrocinados por José Maria da Fonseca, João Portugal Ramos, Herdade das Servas, Lavradores de Feitoria, Quinta do Crasto, Duorum, Adega Mãe, Herdade Paço do Conde, Quinta da Alorna, Quintas de Melgaço, Adega Cooperativa da Vidigueira e CVR Tejo, tendo daí resultado a publicação de 1 ou mais crónicas para cada um destes momentos. Mais recentemente, participei numa prova organizada pela CVR Lisboa da qual oportunamente darei fé.
Agora foi a vez da Casa Relvas, detentora da Herdade São Miguel, o nome de uma das suas vinhas e, também, dos seus vinhos mais emblemáticos. Para evitar confusões com outra Casa Relvas (Casa-Estúdio Carlos Relvas, na Golegã), referir-me-ei sempre à Herdade São Miguel.

2.O grupo visitante
Responderam ao convite os blogues
.And This is Reality (Tiago da Costa Miranda)
.As minhas escolhas (António Mendes Nunes)
.Copo Meio Cheio (Miguel Zegre e Pedro Almeida)
.Gastrossexual (Pedro Cruz Gomes)
.Gourmets Amadores (Suzana Parreira)
.Enófilo Militante (eu, próprio)
.Entre Vinhas (Madalena Vidigal)
.Mesa do Chefe (Raul Lufinha)
Não sei que critérios foram usados nos convites, mas acho que a blogosfera puramente vínica precisava de uma maior representação.

3.A visita à Adega
A visita à adega, "situada no centro das vinhas da Herdade de São Miguel", no concelho do Redondo, foi orientada pelo Alexandre Relvas (filho) vestido de bata branca, o que nos obrigou a usar uma fatiota semelhante (tamanho "standard", ficando uns apertados e outros folgados).
No decorrer da visita, provámos uns tantos vinhos tirados, no momento, das cubas ou das barricas onde estagiavam, uns já prontos para engarrafamento (Arinto Esquecido e rosé, ambos de 2018) e outros para entrarem em lotes (Touriga Nacional e Trincadeira 2017 e, ainda, Alicante Bouschet e Touriga Franca 2018).
Estas provas de vinhos ainda em construção são algo penosas. É mais gratificante prová-los já engarrafados e harmonizando-os com a gastronomia apropriada, o que veio a acontecer no almoço, que será relatado na 2ª parte desta crónica.

continua...

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Curtas (CXI) : Monte Mar, Enóphilo Wine Fest e Bairradão

1.Monte Mar no Mercado da Ribeira
Em recente regresso ao Mercado da Ribeira, abanquei no Monte Mar, já aqui referido na crónica "Mercado da Ribeira : Monte Mar" (24/2/2015), situado num dos corredores laterais, onde é possível arranjar um lugar ao balcão, já que no centro, encontrar um lugar sentado é mais complicado que achar uma agulha no palheiro.
Desta vez comi uns belíssinos filetes de pescada (2 bons nacos lascados) com arroz de berbigão, que foram acompanhados por um copo do branco Kopke 2017 (5 €, um preço inflacionado) - frutado (citrinos bem presentes), acidez equilibrada, volume e final de boca médios. Fresco e correcto. Nota 16. A garrafa foi mostrada, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.

2.Enóphilo Wine Fest
Mais um edição (a 5ª) deste Enóphilo, da responsabilidade do Luis Gradíssimo, que terá lugar no Lisbon Marriott Hotel no dia 27 de Abril.
Este evento contará 40 produtores, 3 provas especiais e 1 jantar vínico.

3.Bairradão
Nesta 6ª edição, já aqui referida, o evento Bairradão tem confirmados 33 produtores e, ainda, 2 Provas Especiais com:
.Vinhos da Bairrada, orientada pelos enólogos Luis Patrão e Luis Gomes
.Vinhos do Dão, orientada pelo enólogo Osvaldo Amado

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Espaços de restauração revisitados : Santa Clara dos Cogumelos e Farol da Torre

.Santa Clara dos Cogumelos - 4 *
Já me referi a este espaços por diversas vezes, sendo a última em "Espaços de restauração : 2 revisitas e 1 descoberta", crónica publicada em 22/11/2017.
A qualidade da comida, com base nos cogumelos, continua em alta e a componente vínica continua na mesma, isto é, fraca. A minha defesa é continuar a beber a belíssima cerveja artesanal Creature IPA da Dois Corvos, mais barata e melhor que os vinhos a copo neste restaurante.
Desta vez provei/comi:
.Tártaro de cogumelos com gema curada em massa kadafei
.Risotto Santa Clara com cogumelos
.Gnocchi de batata com mix de cogumelos
.Temperança de Santa Clara com alfarroba, chocolate e gelado de requeijão, mas sem cogumelos.
Recomendo e tenciono voltar sempre!

.Farol da Torre - 4 *
Este restaurante, quando ainda funcionava em Pedrouços, era o local onde costumávamos jantar em dias de provas nas Coisas do Arco do Vinho. Com os pais já reformados, o Farol da Torre está entregue às filhas e bem entregue. A cozinha mantém-se em nível alto e o serviço eficiente e simpático.
No entanto, o espaço em Linda-a-Velha (Rua Marcelino Mesquita, 13 - Loja 5, bem perto da estação de serviço) é apertado para tanta clientela e deveras barulhento. Depois de badalado recentemente na Visão, Time Out e Expresso (o crítico Fortunato da Câmara teceu-lhe os maiores e merecidos elogios), só com marcação, sob pena de ter que esperar algum tempo por uma mesa livre.
Nesta revisita comi morcela assada e sarapatel de javali, 2 dos ex-libris da casa, pratos servidos em doses avantajadas.
Quanto à componente vínica, têm um curioso sistema que eu não conhecia: 6 torneiras por onde o vinho sai naturalmente e não à pressão. Cada torneira representa uma casta, a saber Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Arinto e Chardonnay, sendo possível o cliente preparar o seu próprio lote. Os vinhos são provenientes da Quinta da Romeira (gama Principium), agora pertença da Sogrape.
O meu copo, por desconhecimento meu, veio apenas com Touriga Nacional. A quantidade era generosa e o recipiente de qualidade. Vinho correcto, com alguma fruta, acidez e volume e acentuadamente gastronómico (nota 16,5). Por 3 €, não se pode exigir mais. Este sistema ainda não está dessiminado, sendo o Farol da Torre um dos poucos espaços de restauração onde é possivel ser-se enólogo por 1 ou 2 horas.
Recomendo e tenciono voltar!

terça-feira, 2 de abril de 2019

Março 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 15 crónicas publicadas em Março 2011, destaco estas 2:

."Grupo de Prova dos 3+4-2+1", no dia 25
Este grupo de enófilos, com 2 baixas e 1 convidado, reuniu na saudosa Enoteca de Belém *, com o Nelson (agora o escanção do Alma) nos tachos e o Ângelo (não sei onde para) na sala.
O convidado foi o José Rosa que trouxe os vinhos (2 espumantes, 2 brancos, 4 tintos, 1 Porto e 1 Madeira). Quanto à qualidade dos mesmos, houve confirmações mas também desilusões.
O repasto fechou com chave de ouro, o Blandy Bual 1977.
* - notícia de última hora: a Enoteca de Belém reabriu, mas com outra equipa (a do Winebar do Castelo que também passou a gerir o Chafariz do Vinho)

."Jantar de Vinhos no Clara Chiado", no dia 28
Eu e alguns dos antigos amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho ( no total éramos uma dezena), participámos num jantar vínico organizado pelos donos do restaurante Clara Chiado (encerrado há já uns tantos anos), onde a maioria era "socialite", espalhada por mais de uma sala.
Foram servidos apenas 1 espumante, 1 Alvarinho e 2 tintos. Salvou-se o Alvarinho, o resto era uma desgraça!
Modéstia à parte, este jantar foi a antítese dos eventos das CAV.

sábado, 30 de março de 2019

Grupo dos 3 (66ª sessão) : um surpreendente tinto alentejano e um Madeira à altura da sua fama

Esta última sessão foi com vinhos da garrafeira do Juca e decorreu no Magano, cuja gastronomia e serviço de vinhos, mais uma vez, esteve à altura dos acontecimentos.
Desfilaram:
.Blandy Alvada 5 Anos - lote de Bual e Malvasia; presença de frutos secos, notas de brandy e algum iodo, excesso de doçura e défice de acidez, algum volume e final de boca. Um bom Madeira para principiantes. Nota 16,5.
Não ligou com as entradas habituais.
.Vallado Reserva 2015 branco - enologia dos Franciscos (Olazabal e Ferreira); com base nas castas Arinto, Gouveio, Rabigato e Viosino, estagiou 7 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, alguma acidez e fruta madura, notas vegetais, volume médio e final de boca amargo (12,5 % vol.). Gastronómico. Nota 16,5.
Acompanhou sável frito com açorda de ovas do mesmo.
.Esporão Private Selection Garrafeira 2008 - enologia de David Baverstock e Luis Patrão; com base nas castas Alicante Bouschet, Aragonez e Syrah, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e mais 18 meses em garrafa; nariz contido, ainda com alguma fruta e acidez, especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). Fresco e elegante, no ponto óptimo de consumo. Nota 18,5. O rótulo é do artista plástico Rui Sanches.
Harmonizou com cabrito e batata no forno.
.Blandy Verdelho 1977 (engarrafado em 2009) - presença de frutos secos, algum iodo e vinagrinho, notas salinas, taninos evidentes, volume notável e final de boca longo. Muito complexo. Nota 18,5+.
Acompanhou as sobremesas habituais.
Mais uma boa sessão, com destaque para um surpreendente tinto alentejano e confirmação de um belo Madeira. Obrigado, Juca!

quinta-feira, 28 de março de 2019

À volta da cerveja artesanal (I)

Na crónica "Cerveja artesanal versus vinho a copo", publicada em 11/8/2018, referia o interesse crescente de órgãos de comunicação social (especializados ou genéricos), pontos de venda (garrafeiras, lojas gourmet e até hiper mercados) e produtores de vinhos (para já, Esporão e Qtª de La Rosa), neste tipo de bebida. Recentemente (nº 597, de 6 a 12 de Março) a Time Out dedicou-lhe 16 páginas com muita e preciosa informação, desde a definição de cada estilo de cerveja artesanal, até aos locais onde podem ser compradas e onde podem ser degustadas.
Atento a esta nova tendência, tenho provado regularmente cervejas artesanais, registando a sua identificação, onde podem ser compradas e a pontuação que lhes atribuí (adoptei, para já, a escala de 1 a 5, mais fácil para mim e enquanto não dominar bem esta nova matéria).
Em pontuação descendente, aqui vão as pontuações das primeiras cervejas artesanais que registei, para memória futura:
Com 5 (o máximo):
.IMP5RIO, uma parceria da cervejeira Letra com a Dois Corvos (estagiou em barricas de Moscatel da Qtª do Portal, tem 10º de álcool e um prazo de validade de 20 anos!). Obrigatório conhecer.
Com 4,5:
.1927 Munich Dunkel (uma semi-artesanal da Super Bock, como as restantes 1927 que mencionarei)
.A.M.O. Scottish Ale (Lisboa)
.Creature American IPA (Dois Corvos, Lisboa)
Com 4:
.1927 Bengal Amber IPA
.1927 Blond Ale
.La Rosa Lager (Qtª de La Rosa)
.Musa Borne in the IPA (Lisboa)
.Co-Lab Mexicali Ale (Lisboa)
.Saison by the Sea (Dois Corvos, com 8,8 º de álcool)
Com 3,5:
.1927 Porter
.La Rosa IPA
.ABC Petisca (Sesimbra)
.Barona APA (Marvão)
Quanto aos locais de compra, destaco a loja gourmet "Adega & Sabores de Portugal" (Rua Coelho da Rocha, 94), já aqui referida, com uma surpreendente selecção e um atendimento impecável. Também comprei na loja "Comida Independente" (Rua Cais do Tojo, 28), na cervejeteca "Cerveja Canil" (Rua dos Douradores, 133, com um atendimento confuso), Corte Inglês e no Auchan  do Allegro.
As garrafeiras, com algumas excepções (Wines 9297, segundo me informaram e Estado d' Alma, esta com uma entrada tímida), não aderiram. Um apelo aos seguidores deste blogue: se sabem de outras, manifestem-se!

terça-feira, 26 de março de 2019

Curtas (CX) : Gastronomia, Porco Preto, Alentejo em Lisboa, Peixe em Lisboa e Bairradão,

Tomem nota nas vossas agendas:

1.História da Gastronomia Portuguesa
É uma série transmitida pela RTP1, aos sábados. O 1º episódio já foi para o ar no passado dia 23, mas ainda pode ser visto. Em cada episódio um chefe fala sobre a gastronomia portuguesa num dado século. O 1º foi dedicado ao século XX, sendo conduzido pelo Ljubomir Stanisic (restaurante 100 Maneiras) e contou com intervenções da Maria de Lurdes Modesto, Vitor Sobral e Alexandra Prado Coelho, entre outros.

2.Porco Preto Bellota
A decorrer até ao dia 4 de Abril, nos restaurantes Rubro, com ementas especialmente dedicadas ao porco preto alentejano. Requer reserva prévia.

3.Alentejo em Lisboa
Mais uma edição do Alentejo em Lisboa, organizada pela CVR Alentejo e apoio da Essência do Vinho, que terá apresentações e provas de vinhos e azeites alentejanos. Este evento decorrerá, como é tradição, na tenda do CCB, em 5 (das 17h30 às 21h) e 6 de Abril (das 15h às 21h).

4.Peixe em Lisboa
Mais uma edição do Peixe em Lisboa, organizada pela Associação Turismo de Lisboa (ATL), que decorrerá no Pavilhão Carlos Lopes de 4 a 14 de Abril e conta com os restaurantes/chefes Arola, Casa do Bacalhau, Ibo, Montemar, Paulo Morais, Marlene Vieira, Porto Santa Maria, Taberna Macau e Tágide.

5.Bairradão
A 6ª edição do Bairradão, organizada pela Garrafeira Néctar das Avenidas (Sara e João Quintela), decorrerá no dia 4 de Maio (das 15h às 20h)  no Hotel Real Palácio, como habitual.
Oportunamente serão divulgados os produtores presentes.

sábado, 23 de março de 2019

Lisbon Restaurant Week (II): Bica do Sapato - 3,5 *

Com a mesma postura com que fui ao À Justa, descrito na crónica anterior, fechei estas jornadas no Bica do Sapato, onde não ia há uma série de anos, e que conta agora com a antiga equipa do Assinatura, o chefe Henrique Mouro e o sub-chefe Pedro Resende.
Espaço amplo, com uma sala para fumadores e outra para os militantes anti-tabaco, como é o meu caso. Mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano, copos Schott de grande qualidade e música de fundo demasiado alta.
Comi, para além do couvert:
.asa de raia de coentrada, dose reduzida e sem sabor (12,50 € na ementa)
.bacalhau fresco escalfado sobre à brás com emulsão de azeitona, algo salgado (20,50 €)
.sorbet de frutos vermelhos, mousse de morango e denso de chocolate branco, o melhor do almoço (6 €)
Houve aqui uma poupança significativa, ao pagar 20 € em vez dos 39 € que me custariam se tivesse ido ao Bica do Sapato noutra altura. O que foi caro foi o couvert (2,75) e o café (1,75).
Quanto à componente vínica, inventariei 8 champanhes (3 a copo), 4 espumantes (4), 44 brancos (16), 3 rosés (2), 42 tintos (12), 12 de uma selecção especial e cerveja semi-artesanal 1927. Na carta não constavam vinhos fortificados, o que não se entende.
Carta bem construida, com uma cuidada  selecção de vinhos, mas a preços nada meigos.
Optei por um copo do rosé Barranco Longo 2017 (4,40 €) - austero, seco, frutado, acidez presente, volume e final de boca assinaláveis para um rosé. Gastronómico. Nota 17. Aqui faço um parêntesis ( o Barranco Longo foi o vencedor 2 ou 3 anos consecutivos no painel de prova cega de rosés nas Coisas do Arco Vinho).
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar e o rótulo só foi mostrado a meu pedido, para confirmar o ano de colheita. Inadmissivel! Um restaurante como este não pode ter um serviço de vinhos de fraca qualidade.
Que saudades dos gloriosos tempos do Assinatura!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Lisbon Restaurant Week 2019 (I) - À Justa - 4,5 *

Aproveito sempre este evento para conhecer ou revisitar restaurantes caros no dia a dia, mas que neste período (7 a 17 de Março) disponibilizaram uma ementa acessível (20 €, com direito a entrada, prato e sobremesa).
O primeiro foi o "À Justa" (Calçada da Ajuda, 107) que ainda não conhecia. Sala pequena, muito bem decorada e confortável, mesas despojadas com tampos de azulejos, iguais aos das paredes e guardanapos de pano.
Comemos a tradicional sopa de santola (9,90 € na carta), mil folhas de pato com batata doce (19,90 €) e cremoso de frutos silvestre (6,85 €). Paguei por esta refeição os tais 20 € (à lista teriam sido 36,65 €, uma diferença de quase 17 € por pessoa). Estava tudo uma maravilha.
A chefe Justa passou pelas mesas, mas nem sequer precisou de entrar na cozinha. Tem umas tantas jovens a desempenharem, da melhor maneira, o seu papel. Mais, todos os pratos foram devidamente explicados pela equipa da sala, muito profissional e simpática, com destaque para o sénior Ricardo Gonçalves, de seu nome.
Quanto à componente vínica, inventariei 5 champanhes (1 a copo), 4 espumantes (1), 34 brancos (4), 54 rosés (2), 42 tintos (14), 4 Portos, 1 Madeira, 1 Moscatel e 1 Colheita Tardia (todos a copo). A carta, bem estruturada, mas com preços altos, inclui os anos de colheita e, ainda, as castas e os nomes dos enólogos, uma mais valia.
A conselho do chefe de sala avançou um copo do branco Flor do Tua Reserva 2017 (6 €, um exagero) - nariz discreto, fresco e mineral, frutado, bela acidez, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
No final do repasto, foi-nos oferecido um Porto 10 Anos, cuja marca não retive, mas com um perfil mais próximo de um 20 Anos. Um boa surpresa.
Recomendo vivamente este restaurante e aconselho marcar através da plataforma The Fork, com um desconto de 30 % em toda a ementa (bebidas à parte).

terça-feira, 19 de março de 2019

Grupo dos 6 (15ª sessão) : brancos, tintos e fortificado na área da excelência

Mais um encontro deste grupo de enófilos, desta vez com brancos de 2015, tintos de 2010 e 1 Madeira de 1946. O evento teve lugar no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos, isto é, muito bem.
Desfilaram:
.Maçanita As Olgas 2015 (garrafa levada por mim) - "encepamento ancestral", isto é, vinhas com 85 a 100 anos; ainda muito frutado e fresco, equilibrio acidez/gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Fino e elegante. Nota 17,5+.
.Pai Abel 2015 (levada pelo João) - 92 pontos no Parker; com base nas castas Maria Gomes e Bical; nariz discreto, alguma fruta, notas amanteigadas a imporem-se, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Um perfil diferente e mais gastronómico que o anterior. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e uma divinal barriga de atum.
.Antónia Adelaide Ferreira 2010 (levada pelo J. Rosa) -  estagiou 2 anos em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, alguma acidez, especiado, taninos suaves, algum volume e final de boca persistente (14,5 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Qtª da Falorca Lagar Reserva 2010 (levada pelo Frederico) - 95 pontos no Parker; com base nas castas Touriga Nacional (70%), Tinta Roriz e Alfrocheiro (15% de cada); frutado e fresco, acidez equilibrada, taninos finos, volume e final de boca notáveis (14 % vol.). Muito elegante e harmonioso. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
.Vallado Reserva 2010 (levada pelo Juca) - com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 17 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz neutro, alguma fruta e acidez, taninos civilizados, volume e final de boca médios (14,5 % vol.). A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17,5+.
Estes 3 tintos harmonizaram com carne maturada e legumes.
.Artur Barros e Sousa Boal Muito Velho 1946 (levada pelo Adelino) - notas de frutos secos, iodo e caril, presença acentuada de vinagrinho, complexidade, volume notável e final de boca interminável. A Madeira no seu melhor. Nota 18,5+.
Foi mais uma grande jornada de convívio e comeres, com os vinhos a situarem-se na área da excelência.

sábado, 16 de março de 2019

Porto Extravaganza 2019

Estive recentemente no Palácio de Seteais, em Sintra, para mais um evento "Porto Extravaganza - os Vinhos Generosos de Portugal", tendo apenas participado na jornada dedicada aos Vinhos da Madeira (nos outros 2 dias, as estrelas foram alguns dos Vinhos do Porto Messias e Qtª do Noval).
No passado, participei numa série de Extravaganzas, todas superiormente organizadas pelo Paulo Cruz, o dono do Bar do Binho em Sintra e grande coleccionador de vinhos fortificados.
Lamentavelmente não ficou qualquer registo meu para memória futura, pois ainda não existia este enófilo militante. A excepção foi a prova dos Garrafeiras da Niepoort, ocorrida há cerca de 2 anos e que foi objecto da crónica "Porto Extravaganza : os Garrafeiras da Niepoort (I)", publicada em 21/3/2017.
Voltando ao Extravaganza 2019, o dia dedicado aos Vinhos da Madeira estava previsto e confirmado para a degustação de vinhos da Madeira Wine quase todos do século XX mas, quase em cima da hora, o seu CEO (Chris Blandy de seu nome) cancelou-a.
Avançou, então, o plano B do Paulo Cruz com vinhos da sua colecção, quase todos do século XIX. Na sua apresentação contou com o apoio da Diana Silva (a produtora dos polémicos vinhos Ilha) e do Paulo Bento (enófilo e coleccionador de Vinhos da Madeira e que fez parte do painel de prova das Coisas do Arco do Vinho, de boa memória). A logística, mais uma vez, esteve a cargo da indispensável Teresa que também é prima do organizador.
A prova, onde estavam maioritariamente enófilos apaixonados por Vinhos da Madeira, marcaram presença o Adelino de Sousa (também ele um grande coleccionador) que interveio várias vezes e mais 3 militantes dos nossos grupos de prova (José Rosa, Frederico Oom e eu ), incidiu sobre 13 vinhos do século XIX e apenas um mais recente (que foi, aliás, o mais fraco). As principais revistas especializadas também se fizeram representar (Grandes Escolhas com o João Paulo Martins e a Revista de Vinhos com o Manuel Moreira).
É de sublinhar:
.a grande surpresa que foram os 2 vinhos Henriques & Henriques, ambos no patamar da excelência
.a confirmação da longevidade dos Vinhos da Madeira que foram provados com todo o respeito devido à sua provecta idade.
Para terminar deixo aqui as minhas classificações, subjectivas certamente, que exprimem os diversos graus de prazer que os vinhos provados me deram. E elas foram:
Com 19 :
.Henriques & Henriques Boal Velhíssimo 1878
Com 18,5 :
.Borges Terrantez 1846
.Henriques & Henriques Verdelho Solera 1887
.D'Oliveiras Malvazia Reserva 1900
Com 18+ :
.Artur Barros e Sousa Boal 1860
.Leacock Malmsey Solera 1863
Com 18 :
.Leacock Solera Sercial 1860
.Torre Bella Sercial 1865
.P.J.L. Malvazia 1880
Com 17,5 :
.Real Vinícola da Madeira 1850
.Sercial do Jardim do Sol (?) 1870
Com 17 :
.Freitas & Irmão Reserva 1825
.Justino Henriques Malvasia 1890
Com 16 :
.Artur Barros e Sousa Listrão Branco do Porto Santo
A fechar:
.alguns destes (poucos) vinhos estão ou estiveram à venda na Garrafeira Nacional e outros em leiloeiras internacionais
.agradeço publicamente a oportunidade (irrepetível) que me foi dada de provar estas relíquias.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Grupo FJF (8ª sessão) : Único 2015, a perfeição

O grupo original reuniu novamente no Magano. O pretexto foi a prova do novo Qtª dos Carvalhais Único (após as colheitas de 2005 e 2009, chegou agora a vez da 2015) para comemorar a entrada do Frederico (um dos F) no Clube Reserva 1500.
Desfilaram:
.Granbazán Limousin Albariño 2010 (garrafa levada pelo João) - com base na casta Albariño, estagiou 6 meses em barrica; evoluído, fruta madura, acidez e gordura, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Muito gastronómico. Nota 17,5.
Acompanhou as entradas habituais e ainda maridou com o prato de sável e açorda de ovas.
.Qtª dos Carvalhais Único 2015 (levada pelo Frederico) - enologia de Beatriz Cabral de Almeida; com base na casta Touriga Nacional (88 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas; muito fresco e frutado, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos de veludo, volume de respeito e final de boca muito longo (14 % vol.). Cheio de souplesse e complexidade, é a perfeição no Dão. A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 19.
Casou bem com o sável e ainda fez companhia a um cabrito no forno.
.Lopo de Freitas 2011 (levada por mim) - enologia de Susana Pinho; com base nas castas Touriga Nacional e Baga, estagiou 14 meses em barrica; cheio de juventude e fruta, acidez equilibrada, taninos presentes e civilizados, algo especiado, volume e final de boca notáveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Aguentou o embate com o Único. Nota 18,5.
Casou bem com o cabrito e arroz de miúdos.
.Moscatel J P Vinhos 1989 (da garrafeira do João) - presença de frutos secos, forte componente de iodo, notas de brandy, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca. Nota 17,5+.
Mais uma grande sessão no Magano, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.

terça-feira, 12 de março de 2019

Jantar Casa da Passarella : o 100º evento da Néctar das Avenidas

Foi um momento histórico, na vida da Garrafeira Néctar das Avenidas, este jantar com vinhos da Casa da Passarella, apresentados pelo enólogo Paulo Nunes, ao coincidir com o seu 100º evento. Muitos anos e eventos vínicos é o que os enófilos em geral e eu em particular desejamos à Sara e ao João Quintela.
Este jantar, com 80 participantes, decorreu na sala nobre da Casa do Bacalhau, enquanto que na sala ao lado estava um grupo com mais de 100 pessoas. Servir 2 jantares com esta dimensão não é para todos. Acrescento que os copos nas nossas mesas (cerca de 400!), eram na maioria Riedel e, ainda, o ritmo do serviço com os vinhos a chegarem à mesa antes da comida foi o adequado. Parabéns ao João Bandeira e sua equipa.
Depois desta introdução, vamos aos vinhos provados e bebidos:
.A Descoberta 2018 branco - com base nas castas Encruzado, Malvasia e Verdelho, estagiou 6 meses com as borras finas; nariz intenso, muito frutado com notas cítricas e tropicais, alguma acidez, magro de corpo e final de boca curto (13 % vol.). Para consumo imediato e adequado a entadas leves. Nota 15,5.
Acompanhou pastéis e paté de bacalhau.
.Espumante O Fugitivo Bruto - com base na casta Baga, feito o dégorgement em Janeiro 2019; bolha fina, cremoso e notas de pão cozido (12 % vol.). Nota 16,5.
Não ligou bem com pataniscas de bacalhau e arroz de tomate.
.O Enólogo Vinhas Velhas 2015 tinto - com base nas castas tradicionais, estagiou 18 meses em barricas de carvalho; aroma fino com alguma intensidade, fruta vermelha, acidez no ponto, taninos suaves, algum volume e final de boca (14 % vol.). Equilibrado e elegante. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 16,5+.
Maridou com uma feijoada de linguas de bacalhau.
.O Fugitivo Vinhas Centenárias 2015 tinto (3160 garrafas) - aroma fino e austero, fruta vermelha, acidez equilibrada , notas especiadas, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Fresco, harmonioso e complexo. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18.
Casou bem com pernil assado, batatas e chalotas.
.O Fugitivo Branco em Curtimenta 2017 (1955 garrafas) - cor carregada, nariz austero, fruta cozida e de caroço, alguma acidez e gordura, volume considerável e final de boca que desaparece rapidamente (12 % vol.). Servido demasiado frio, é um branco polémico e nada consensual. Nota dos 17,5 aos 15,5 venha o diabo e escolha...
Duas notas finais:
.os contra-rótulos contam histórias, mas sobre os vinhos (castas, estágio,...) nada dizem
.esperava mais dos vinhos e a Néctar das Avenidas merecia melhor.

sábado, 9 de março de 2019

Tejo Gourmet (III) : Mãe Cozinha com Amor - 3 *

O 2º restaurante que frequentei, no âmbito do Tejo Gourmet, foi o Mãe, propriedade de 3 ribatejanos, já aqui referido em "Tejo no feminino (2ª parte) : o almoço", crónica publicada em 7/6/2018. Das críticas feitas na altura apenas corrigiram o nome da Região Ribatejo para Tejo, ficando por corrigir a omissão dos anos de colheita e a temperatura a que estavam e estão os vinhos tintos. Uma pena.
Mesas com toalhetes e guardanapos de papel. Mais, este espaço não tinha publicitado o evento, cujo menu nem sequer constava na lista.
A troco de 20 €, tive direito a couvert (pão, azeitonas e um belíssimo paté), entrada (torricado de perdiz com chips de batata doce, que estava francamente bom), prato (sopa de pedra de bacalhau, já aqui criticada na crónica acima referida) e sobremesa (suspiro com limão e amêndoas).
Acompanhei a refeição com um copo do branco Lagoalva Talhão 1 2017 (uma simpática oferta do dono) - muito aromático e fresco, notas cítricas e tropicais, acidez no ponto, algum volume e final de boca adocicado. Nota 17,5.
A garrafa veio à mesa e dado a provar num copo de qualidade e sem marca (segundo informação do dono, custa pouco mais de 1 €) e servida uma quantidade generosa.
Serviço profissional e simpático.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Tejo Gourmet (II) : Varanda de Lisboa - 4 *

O Varanda de Lisboa, restaurante do Hotel Mundial, foi o 1º espaço de restauração que visitei no âmbito do evento Tejo Gourmet. Além de o site do hotel publicitar o programa, indicando o menu e respectivos preços (19 € ao almoço, sem vinhos e 35 € ao jantar com harmonização de vinhos), o Varanda de Lisboa é o que pratica preços mais acessíveis de todos os restaurantes aderentes. Mais, a ementa está impressa, para que não haja dúvidas.
Usufrui deste menu ao almoço e constatei que os 19 € incluiam couvert (pão, azeite, azeitonas e crepes de camarão), água e café. Os vinhos ou outros extras são pagos à parte.
A entrada (sardinhas albardadas) e o prato (ensopado de enguias) inserem-se muito bem na cozinha tradicional ribatejana, ao contrário da sobremesa (tarte de castanha). Estava tudo com qualidade (as enguias, simplesmente fabulosas) e as doses generosas.
O serviço em geral, demasiado à antiga, embora simpático, teve alguns deslizes inesperados.
Quanto à componente vínica, a lista é alargada, sem indicação dos anos de colheita e com preços altos. A copo tem uma dúzia de sugestões.
Optei por um copo de Qtª de Alorna Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2012 (6 €) - ainda com muita fruta, notas florais e algum vegetal, acidez equilibrada, taninos macios, algum volume e final de boca. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e dada a provar num copo Schott, mas a uma temperatura desadequada que, no entanto, foi rápida e profissionalmente bem resolvida, com um recipiente com água e gelo.
Este Varanda de Lisboa está de parabéns, pois cumpriu da melhor maneira os objectivos definidos pela Confraria do Tejo.
Em próxima crónica falarei da minha experiência no Mãe - Cozinha com Amor.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Aditamento a Curtas (CIX) : a Bairrada em Lisboa

6.Bairrada@LX (3ª edição)
A Bairrada, com o apoio da respectiva CVR, vai voltar a Lisboa. No dia 23 de Março, das 15 às 20 h, 20 produtores bairradinos terão uma série de vinhos à prova no Mercado da Ribeira (1º piso).
Boas provas!

terça-feira, 5 de março de 2019

Curtas (CIX) : Sável, Restaurant Week, Mercado Gourmet, Tejo a Copo e a Hora de Baco

1.O sável é rei em Vila Franca de Xira
Já está em movimento e só termina no final de Março, a campanha "Em Março, o Sável é rei em Vila Franca de Xira", patrocinada pela respectiva Câmara Municipal.
Aderiram 26 restaurantes do concelho, a maioria dos quais (12) em Vila Franca.
Mais informações em www.cm-vfxira.pt.

2.Restaurant Week
Já arrancou em todo o país o Restaurant Week, mas só para clientes detentores de cartão Millennium. A partir do dia 7 deste mês e até ao dia 17, qualquer um de nós pode usufruir deste programa. A troco de 20 € podemos almoçar/jantar em restaurantes caros que não iríamos, por falta de orçamento. O menu fixo de cada restaurante (entrada, prato e sobremesa) pode ser visto na plataforma The Fork.
Em Lisboa e arredores aderiram 63 restaurantes, entre os quais estão o Kais, Akla, Varanda de Lisboa, Nobre, Adlib, Panorama, Adega Machado, Bica do Sapato, o Ato, Arola e Ânfora (Palácio do Governador).
Marcação obrigatória em The Fork.

3.Mercado Gourmet do Campo Pequeno
Neste próximo fim de semana, dia 8 (sexta-feira, a partir das 15 h) e dias 9 e 10 (sábado e domingo, a partir das 12 h), podemos participar neste evento e comprar azeites, queijos, charcutaria, conservas, compotas ou mel.

4.Tejo a Copo
Com organização da CVR Tejo, vai decorrer no próximo dia 9 de Março, das 15 às 21 h, no Convento de São Francisco, em Santarém, este evento "Tejo a Copo", a que aderiram 18 produtores e 2 restaurantes.

5.A Hora de Baco
A RTP Memória está a retransmitir uma série de episódios de 2002, 2003 e outros anos algo recuados.
Já vi alguns e é sempre um prazer recordar momentos, vinhos ou pessoas que, naquela altura, nos disseram alguma coisa.

sábado, 2 de março de 2019

Fevereiro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 14 crónicas publicadas neste blogue em Fevereiro 2011, destaco estas 3:

."Garrafeiras : a lista negra continua", no dia 1
Mais 3 garrafeiras fecharam as portas, juntando-se a outras 3 mencionadas na crónica referente a Dezembro 2010.

."O regresso dos 3+4 (6ª sessão)", no dia 21
Esta sessão decorreu no restaurante As Colunas, com vinhos da garrafeira do Juca que pôs em confronto vinhos da Quinta do Crasto. 3 Vinhas Velhas (2005, 2006 e 2007) mediram forças com outros do mesmo produtor, mas de um patamar mais acima, como foi o caso do Xisto, Touriga Nacional e Maria Teresa (2005, 2006 e 2007, respectivamente). E houve surpresas nas notas atribuídas por mim.
No final do repasto houve, ainda, lugar para o Cossart Gordon Bual 1969 (18,5+)!

."Novo jantar com vinhos da Madeira : a excelência", no dia 27
Este evento desenrolou-se na saudosa Enoteca de Belém e, no que diz respeito aos Madeiras, desfilaram (notas entre parentesis atribuídas por mim):
.Cossart Gordon Terrantez 1977 (18)
.Blandy Bual 1971 (18,5)
.Blandy Bual Solera 1891 (19,5)
.Borges Malvasia + de 40 Anos (18+)
Um luxo!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Tejo Gourmet (I) : a cozinha ribatejana em Lisboa

Hoje é o último dia em que se pode participar no Tejo Gourmet, o 9º Concurso de iguarias e vinhos do Tejo, organizado pela Confraria Nossa Senhora do Tejo, a que aderiram restaurantes de norte a sul. Em Lisboa foram 6, Clube Lisboeta, Mãe - Cozinha com Amor, Pão à Mesa, Quorum, Varanda de Lisboa (Hotel Mundial) e Viva Lisboa (Neya Hotel).
Não sendo fácil almoçar ou jantar em todos eles, um gastrónomo/enófilo interessado ou qualquer potencial cliente, tem de ter informação suficiente para decidir qual o espaço ou espaços de restauração que quer frequentar. No mínimo o menu e respectivo preço, com ou sem harmonização de vinhos. Não foi isso que aconteceu neste Tejo Gourmet, pois a entidade organizadora apenas refere o nome dos restaurantes aderentes e respectiva cidade onde se situam, informação manifestamente insuficiente. À atenção da Confraria.
No meu caso, comecei por pesquisar na net e apenas encontrei informação adequada nos sites do Varanda de Lisboa e do Lisboa Viva. O Clube Lisboeta e o Quorum, que também têm sites operacionais, nada referem quanto ao Tejo Gourmet. Mas também fiz contactos pessoais, calhando passar à porta do Mãe e do Quorum, verificando que nenhum deles tinha qualquer informação visível sobre o menu e respectivos preços, nem sequer constavam nas respectivas ementas!
Quanto a preços, um dos factores de decisão, fiquei a saber (por ordem alfabética):
.Clube Lisboeta - 30 € sem harmonização de vinhos e 45 € com *
.Mãe - Cozinha com Amor - 20 € sem
.Pão à Mesa - 30 € sem e 45 € com *
.Quorum - 49 € sem e 75 € com
.Varanda de Lisboa - almoço 19 € sem e jantar 35 € com (ambos, apenas às 3ª feiras)
.Viva Lisboa - 30 € com
* por indicação, a meu pedido, da Confraria
Rejeitei o Viva Lisboa, pois que o menu (gambas, tranche de garoupa e mousse de queijo) não me pareceu nada ribatejano. Quanto ao Clube Lisboeta, Pão à Mesa e Quorum, os preços não fazem sentido e afastam os potenciais clientes. À atenção da Confraria.
Optei pelos restaurantes Varanda de Lisboa e Mãe, deixando para próximas crónicas as minhas impressões.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O José Júlio Vintém em Lisboa : o Picamiolos - 4,5 *

Já há alguns anos que não tinha o prazer de degustar as iguarias do chefe José Júlio Vintém (JJV), tendo a última ocorrido em 2010 e dado origem à crónica "Almoço no Tomba Lobos", publicada em 3/5/2010, a que se seguiu, em consequência, "2010 : na hora do balanço (II)", publicada em 2/1/2011.
Disse, na 1ª das 2 aqui referidas, "Foi aqui que fiz, há coisa de 2/3 anos, a melhor refeição alentejana da minha vida!". Só que na altura não tinha o blogue e aquele momento não ficou registado, uma pena!
Depois desta introdução, é a altura de falar no Picamiolos, o restaurante que o JJV abriu recentemente em Lisboa. É um espaço alargado, com pequenas salas para grupos reduzidos, muito bem decorado, mesas despojadas, guardanapos de pano e música de fundo alta (não havia necessidade...).
A ementa, deveras original, contempla 10 entradas, 9 pratos, 5 guarnições e 4 sobremesas.
Não podendo provar um pouco de tudo, escolhi para partilhar com a minha companheira:
.couvert (pão e patés de azeitona e de fígados)
.pétalas de toucinho
.costoletas de coelho
.orelha de porco com favas
.focinho de porco grelhado
Uma delícia!
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes (1 a copo), 2 champanhes, 17 brancos (5), 2 rosés (1), 22 tintos (6), 4 Portos (3), 2 Madeiras (2) e 3 Moscatéis (3). Lista abrangente, com preços nada especulativos. Mas, lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos. Também não vi qualquer referência a cervejas artesanais, que estão agora na moda. À atenção do chefe.
Optei por um copo de Meandro 2016 - frutado , alguma acidez, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Interessante, mas sem deslumbrar. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e servida uma boa quantidade num copo Riedel, a uma temperatura correcta (o restaurante possui armários térmicos, uma mais valia). Serviço eficiente e profissional.
Recomendo e tenciono voltar.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Grupo dos 3 (65ª sessão) : 2 surpresas e 1 desilusão

Esta última sessão decorreu no restaurante do Clube dos Jornalistas, com vinhos da minha garrafeira. Foi o 22º espaço de restauração escolhido por mim, cumprindo o objectivo de levar os meus amigos Juca e João sempre a um restaurante diferente. Para memória futura, já fomos ao Nariz de Vinho Tinto*, A Commenda*, Assinatura*, Xico's*, Manifesto*, Sem Dúvida, Casa da Comida*, Bg Bar*, Tapas & Wine Bar Tágide, Jacinto, Rubro Avenida, Chefe Coreiro*, 1300 Taberna, Avenue*, deCastro Flores*, Lisboète, Faz Gostos, Bagos Chiado*, Descobre, Lumni e Real Marisqueira. Os espaços assinalados com * já fecharam ou mudaram de mãos e conceito (50 % do total).
O Clube dos Jornalistas já foi aqui referido recentemente em "A maioridade dos Lavradores de Feitoria (II) : a Prova e o Jantar", crónica publicada em 8/11/2018. Resta dizer que o dono do restaurante e responsável pelos tachos, com base na cozinha brasileira, é o chefe Ivan Fernandes.
Nesta sessão esteve sempre presente e foi o responsável pelo magnífico serviço de vinhos, o nosso antigo cliente José Caetano. Foi um prazer em voltarmos a estar com ele.
Depois deste intróito, que já vai longo, vamos aos beberes e comeres:
.Maria João Private Colection 2013 (garrafa nº 2341/3300) - vinho branco vencedor do IX Concurso "Os Melhores Vinhos do Dão 2018"; enologia de Osvaldo Amado, com base nas castas Encruzado e Malvasia Fina; fresco e mineral, presença de citrinos, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca longo (13,5 % vol.). Um branco delicioso e gastronómico, praticamente desconhecido. Nota 18,5.
Este branco acompanhou o couvert (3 pães feitos na casa, azeite e paté de cenoura) e 4 pequenas entradas (bolinhos de arroz, mozzarella com algas, creme de milho com milho frito e carne fumada e curada). Tudo com qualidade, com excepção do desinteressante paté.
Por simpatia da casa, foi ainda provado o vinho Opção 2017, um branco Regional Minho, muito fresco e mineral, mas que foi esmagado pelo Maria João. Uma pena.
.Maria João Private Colection 2008 (garrafa nº 2846/3200) - enologia de Osvaldo Amado, com base nas castas Touriga Nacional (50 %), Tinta Roriz (20 %), Alfrocheiro (20 %) e Jaen (20 %); nariz contido, ainda com alguma fruta, notas florais, belíssima acidez, especiado ligeiro, taninos presentes e civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14 % vol.). A beber nos próximos 10 a 12 anos. Nota 18.
Harmonizou com um belo robalo e risotto de lima.
.Quanta Terra Inteiro 2008 (1 das 1500 garrafas lançadas agora) - Prémio Excelência 2018, atribuído pela Revista de Vinhos; enologia de Celso Pereira e Jorge Alves, com base nas castas Touriga Franca e Touriga Nacional em vinhas velhas, estagiou 3 anos em barricas e 6 em cubas de cimento; aroma discreto, alguma fruta e acidez, taninos impressionantes, algum volume e final de boca persistente, mas a faltar-lhe maior complexidade (14 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Uma desilusão relativa, perante a expectativa criada à volta deste tinto. Nota 17,5+.
Maridou com kefta (uma espécie de hambúrguer de borrego), batatinhas assadas e pak choy.
.Moscatel Roxo 20 Anos JMF (engarrafado em 1987 numa botelha de 0,75) - nariz contido, presença de frutos secos, mel e citrinos, acidez no ponto, volume e final de boca assinaláveis. Uma raridade. Nota 18.
Acompanhou uma sobremesa de chocolate, banana e foi gras.
Foi mais uma boa sessão deste grupo de enófilos da linha dura, com a gastronomia e serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Um curioso espaço de restauração : Mami Organic Food - 3,5 *

O Mami Organic Food fica no Centro Comercial Picoas e é uma boa surpresa, mas precisa de afinações na cozinha. A componente vínica é bem melhor.
Dispõe de uma sala ampla, luminosa e confortável, para além de um espaço junto ao bar. Mesas despojadas, mas com guardanapos de pano e, ainda, um pormenor delicioso, os talheres são postos dentro de uma caixa, que me fez lembrar a caixa dos lápis no tempo da minha instrução primária. Na mesa, uma garrafa Mami com água.
No menu constam 12 entradas para partilhar, 6 hambúrgueres, 2 saladas, 7 pratos, 6 acompanhamentos e 7 sobremesas.
Numa primeira visita escolhi como prato um dos hambúrgueres, o Açores (à base de vaca em pão lêvedo que não é aquecido e, daí, pouco interessante) e como sobremesa uma sensaborona tarte de alfarroba e figo.
Numa segunda visita optei por um dos pratos principais, o espadarte com batata doce assada, já num patamar muito aceitável.
Quanto à componente vínica, inventariei 2 espumantes, 4 champanhes, 35 brancos (4 a copo), 5 rosés (1), 44 tintos (3), 2 colheitas tardias e 7 Vinhos do Porto. A selecção não é nada óbvia e tem o acento tónico nos vinhos Bio.
Este espaço dispõe de armários térmicos, com capacidade para dezenas de garrafas, embora a temperatura a que estão (18º) seja demasiado elevada.
Numa das visitas bebi um copo do tinto Casa de Mouraz 2014 - com base nas castas tradicionais e, ainda, Agua-Santa, Tinta Pinheira e Baga, estagiou parcialmente 8 meses em barricas de carvalho francês; alguma fruta e acidez, ligeiro pico na boca (maloláctica mal resolvida?), taninos suaves, volume e final de boca médios (13 % vol.). Nota 14.
A garrafa veio à mesa, dada a provar num bom copo e servida uma quantidade correcta.
Serviço profissional, eficiente e rápido, embora distante.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Os Óscares do Vinho (2018)

Em jantares recentes foram divulgados os "óscares do vinho" atribuídos pelas revistas da especialidade, primeiro a Revista de Vinhos (RV) com 30 "Vinhos de Excelência" e a seguir a Vinho Grandes Escolhas (GE) com o seu TOP 30.
A distribuição dos prémios pelos vários tipos de vinho são algo semelhantes, com a GE a distribui-los por 1 espumante (3 % do total), 6 brancos (20 %), 17 tintos (57 %) e 6 fortificados (20 %), enquanto a RV atribuia a 1 espumante (3 %), 8 brancos (27 %), 16 tintos (53 %) e 5 fortificados (17 %).
De referir o inesperado peso dos brancos na RV, contrariando os resultados da amostragem relativa a Novembro e Dezembro 2017 e Janeiro 2018, expressos nas crónicas "Como estamos de brancos (e tintos, já agora)? O que dizem as revistas especializadas." (1ª parte) e (2ª parte), publicadas em 13 e 15 de Março 2018, neste blogue.
Passando por cima dos espumantes (1 prémio para cada lado) e analisando os prémios atribuídos aos brancos, a GE privilegia a Região Vinhos Verdes (com 3), distribuindo os outros 3 pelo Douro, Bairrada e Alentejo, enquanto a RV é mais democrata, espalhando os seus eleitos por Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada, Setubal, Alentejo, Açores e outro sem região. Quanto aos vinhos em si, a RV apostou em referências desconhecidas da maior parte dos enófilos, eu incluido (Coz's Vital e Titan Vale dos Mil), enquanto a GE se ficou por marcas consagradas. De sublinhar que apenas 1 branco constou nas 2 listas, o Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2017.
Quanto a tintos, a GE distribuiu os seus eleitos por 6 Regiões (5 Douro, 4 Dão, 4 Alentejo, 2 Bairrada, 1 Tejo e 1 Setúbal), voltando a RV a ser mais democrata com 8 Regiões (5 Douro, 3 Dão, 3 Alentejo, Vinhos Verdes, Trás-os-Montes, Bairrada, Lisboa e Tejo, com 1 cada). Nas marcas, a RV voltou a arriscar, com alguma referências pouco badaladas (Giz Vinha dos Cavaleiros e Mythos). Teve, ainda, o atrevimento de atribuir uma das suas Excelências a um verde tinto, o Aphros Vinhão! De referir que apenas 2 dos tintos foram seleccionados por ambas as revistas, Qtª do Crasto Maria Teresa 2015 e Qtª do vale Meão 2016.
Finalmente, nos fortificados, a GE atribui os seus prémios a 4 Porto Vintage 2016, 1 Madeira e 1 Moscatel 20 Anos, enquanto a RV privilegiou 1 Porto Vintage 2016, 1 Porto Tawny, 2 Madeira e 1 Moscatel (o polémico Roxo Superior 1918, que mereceu 19,5 desta revista e 20 da GE). Apenas 1 dos fortificados foi eleito pelas 2 revistas, o Porto Vintage Grahm's Stone Terraces 2016.
Finalmente, quem ainda não souber quais os 60 premiados, pode consultar o blogue "o vinho em folha", para o qual tenho um link.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Vinhos em família (XCIV) : 1 branco e 2 tintos de respeito

Mais 4 vinhos (1 branco e 3 tintos) bebidos em casa, em contexto familiar, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Qtª da Pellada Primus 2015 - 94 pontos no Parker, Top 30 da Grandes Escolhas e Prémio Excelência da RV; com base em vinhas velhas com predominância da casta Encruzado, estagiou 2 anos em garrafa; aroma intenso e complexo, citrinos e fruta de caroço, notas florais, equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Um dos grandes brancos produzidos em Portugal. Nota 18,5.
.Qtª do Vallado Reserva 2011 - 96 pontos na Wine Spectator e 94 no Parker; com base em vinhas velhas com mais de 80 anos, estagiou 18 meses em meias pipas de carvalho francês; ainda com muita fruta vermelha, boa acidez, especiado, taninos bem presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
.Outrora Baga Clássico 2011 - 92 pontos na Wine Enthusiast; com base na casta Baga (100 %) em vinhas velhas, estagiou 2 anos em barricas de carvalho; ainda com muita fruta preta, acidez equilibrada, algo especiado, taninos afirmativos, algum volume e final de boca persistente (14 % vol.). Merece decantação. A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 17,5+.
.Qtª da Romaneira 2012 - 91 pontos na Wine Spectator e 92 na Wine Enthusiast; com base nas castas Touriga Nacional (75 %), Touriga Franca (15 %) e Tinto Cão (10 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; ainda com muita fruta vermelha, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos algo bicudos, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Mais espaços de restauração : Legaaal e Bistrô du Consulat

1.Legaaal 3,5 *
Fica na Rua da Rosa, 237 e pratica uma interessante cozinha afrancesada. Mesas despojadas, guardanapos de papel, espaço informal com mesas e cadeiras desencontradas e muito desconfortável nesta altura do ano (a enorme porta da rua esteve sempre escancarada, se calhar para deixar sair o cheiro a tabaco, muito presente quando eu cheguei).
Ementa muito reduzida e presente numa mera ardósia. Antes de vir o prato que escolhi, um bife de atum, ofereceram-me uma bela sopa acompanhada do magnífico pão da Gleba. O atum também estava francamente saboroso, podendo eu concluir pela qualidade da cozinha do Legaaal.
Quanto à componente vínica, a lista é confusa, tendo inventariado 2 espumantes, 34 brancos, 2 rosés, 36 tintos e 11 vinhos do Porto, sem qualquer indicação de vinhos a copo, mas com os anos de colheita presentes. Tinha lido na Time Out que este restaurante tinha 200 referências e todas a copo! Uma afirmação leviana, pois a oferta não chega a 100 vinhos e é omissa quanto à possibilidade de se beber a copo.
Perante a minha insistência, o dono que almoçava na mesa do lado, indicou 2 ou 3 vinhos que se podiam provar a copo. Optei pelo Vicentino Syrah 2016 (3,50 €) - com muita fruta presente, alguma acidez, taninos, volume e final de boca assinaláveis. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e a uma temperatura nos limites ( o armário térmico estava a 17/18º). Serviço eficiente e cordial.

2.Bistrô Le Consulat - 2,5 *
Fica na Praça Luis de Camões, 22 (1º andar) e é o último espaço de restauração do chefe André Magalhães, agora autointitulado de "taberneiro". Sala acolhedora, mesas com um toalhete (?) de ráfia e guardanapos de papel. Na ementa constam 7 entradas, 5 pratos, 4 acompanhamentos e 3 sobremesas, para além das tábuas de queijos e enchidos.
Escolhi o arroz de polvo, que afinal era um arroz com polvo e ovos mexidos (!), um prato nada tradicional mas que estava bem saboroso.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes, 5 brancos, 3 rosés e 6 tintos, todos a copo. A lista, além de curta, tinha falhas e não indicava os anos de colheita.
Optei pelo Vallado 3 Melros 2016 (5,50 €, uma exorbitância) - com fruta vermelha, alguma acidez, taninos suaves, algum volume e final de boca persistente. Elegante e consistente. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado aprovar num bom copo. No entanto a temperatura estava acima do razoável. Perante o meu reparo, a empregada, muito simpaticamente, prontificou-se a mergulhar a garrafa em água e gelo. Só quando veio a comida é que serviu o vinho que já estava a uma temperatura adequada.
Não há desculpas para esta falha num dos espaços do conceituado chefe. Mais, no wine bar ao fundo da sala não vislumbrei qualquer máquina térmica para controlo das temperaturas dos tintos. Incompreensível!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Curtas (CVIII) : a festa da Paixão pelo Vinho, Donna Taça, Adega & Sabores, vinho quente e um espumante inqualificável

1.A "Paixão pelo Vinho" no Beato
É a 3ª revista especializada, após a Revista de Vinhos (na última 6ª feira) e a Grandes Escolhas (na próxima 6ª feira), a organizar a festa anual de distribuição de prémios na área do vinho.
O evento será no dia 2 de Março, entre as 17 e as 23 h, no Beatus (Marvila), no decorrer do qual haverá Conversas com Enólogos, para além da referida cerimónia da distribuição de prémios.

2.Donna Taça (Rua do Telhal,48)
É um wine bar aberto em finais do ano passado que apostou em vinhos de pequenos produtores e não só. Para acompanhar, apenas tapas.
A Time Out, com algum exagero, referiu haver ali "mais de 1000 rótulos de vinhos de pequenos produtores que dificilmente (se) encontra noutro lugar". Refere, ainda, a articulista "O Donna Taça é o bar perfeito para se tornar um enólogo" (!?). Não queria dizer um enófilo? Santa ignorância...

3.Adega & Sabores de Portugal (Rua Coelho da Rocha,94)
É um pequeno espaço gourmet, mas com uma boa oferta de vinhos, queijos, charcutaria, compotas e, ainda, uma cuidada selecção de cervejas artesanais. Já abriu há algum tempo, mas só agora e por um mero acaso a descobri.

4.Vinho quente na Time Out
A Time Out, no seu nº de 30 de Janeiro, publicita o vinho quente à venda no seu Quiosque do Cais, uma pretensa moda importada do Norte da Europa. Andamos nós, os enófilos militantes, a bater-nos pela correcta temperatura de serviço dos vinhos e somos atropelados por estes senhores que vêm em contramão.
Já noutra ocasião me tinha insurgido contra tal malfeitoria, na crónica "Vinho quente a copo?", publicada em 17/3/2011, que suscitou a ira dos ofendidos.

5.Espumante inqualificável no Vila Galé de Tavira
Vi e não queria acreditar. O Hotel Vila Galé de Tavira tem à disposição dos clientes com pequeno almoço, um espumante meio seco que dá pelo sugestivo nome "Nuvens Douradas", proveniente de Espanha e sem direito a região demarcada nem ano de colheita! Preço de venda ao público, em alguns distribuidores: 1,95 €!
E tem o grupo Vila Galé, no seu portefólio vínico, um espumante, o Casa de Santa Vitória. Francamente! 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Grupo FJF (7ª sessão) : vinhos de eleição e um fortificado surpreendente

O grupo original (Frederico, João e Francisco) reuniu, uma vez mais, no Magano. Os vinhos foram provados com o rótulo à vista:
.Gouvyas Reserva 2015 branco (garrafa levada por mim) - enologia de Luis Soares Duarte, com base em vinhas velhas; nariz contido, citrinos e fruta madura, bom equilibrio entre a acidez e a gordura, barrica bem casada, volume notável e final de boca assinalável (13,5 % vol.). Complexo e gastronómico. Um bom regresso desta prestigiada marca que andava desaparecida. Nota 18.
Este branco maridou com as entradas (queijo fresco, peixinhos da horta, alheira e empadinhas) e 2 sopas (de cação e de tomate).
.Carvalhas 2013 (levada pelo João) - com base na casta Tinta Francisca em vinhas velhas; fruta vermelha bem presente, alguma acidez e notas especiadas, taninos civilizados, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Elegante e bem comportado, a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5.
.Pai Abel 2013 (levada pelo Frederico) - nariz intenso, notas de fruta preta, acidez equilibrada, algo especiado, volume e final de boca notáveis (13,5 % vol.). Envolvente e a impor-se naturalmente, a beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos harmonizaram com um bife da vazia maturada.
.Moscatel da Madeira garrafeira particular 1865 (levada pelo João) - presença de frutos secos e casca de laranja, notas de iodo, acidez incrivel, algum volume e final de boca interminável. Nota 19.
Este fortificado acompanhou alguma doçaria conventual.
Mais uma grande sessão vínica, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Janeiro 2011 : o que se passou aqui há 8 anos

Das 18 crónicas publicadas, destaco estas 4:

."2010 : na hora do balanço (I)", em 2/1
O meu TOP 10 de brancos, tintos e fortificados provados ao longo de 2010, mas apenas a partir de 19 de Março, data da minha 1ª crónica, com destaque para:
.a casta Alvarinho nos brancos
.os tintos do Douro
.a casta Bual nos fortificados
Moral da história: os meus gostos mantêm-se...

."2010 : na hora do balanço (II)", em 2/1
O meu TOP 10 restaurantes, dos quais apenas 3 ainda existem (Sabores d' Itália, Tasca da Esquina e Tomba Lobos).
Moral da história: dou azar aos espaços de restauração...

."Um desabafo 5 anos depois", em 17/1
A proposta para uma exposição de artes plásticas (com o tema: o vinho e a vinha) e o convite para o jantar comemorativo do 10º aniversário das "Coisas do Arco do Vinho", endereçados ao Presidente do CCB, ficaram sem resposta.
Moral da história: o presidente foi mal educado...

."A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 22/1
Que eu me lembre e tenha participado, a Herdade das Servas foi o 1º produtor a pôr a blogosfera no mesmo nível da crítica especializada de vinhos. Foram 9 os blogues presentes (registo aqui aqueles que ainda funcionam regularmente: Comer Beber Lazer, O Vinho em Folha e este Enófilo Militante) e convidados mais alguns que não puderam estar presentes.
Moral da história: nenhum ou que cada um faça o seu...

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Grupo dos 6 (14ª sessão) : um Terrantez com a nota máxima

Esta 14ª sessão do Grupo dos 6 decorreu no Via Graça que, mais uma vez, brilhou na cozinha (chefe Hugo) e na sala (escanção Zacarias). Com os rótulos à vista desfilaram:
.Tirado a Ferros 2015 (garrafa nº 181/560 !, levada pelo Frederico) - um Dão produzido e elaborado pelo jovem Pimentel Pereira; com base nas castas tradicionais, estagiou 24 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, fresco e mineral, elegante e complexo, volume e final de boca médios (13 % vol.). Uma bela surpresa. Nota 17,5.
.Vinha do Contador 2013 (levada pelo J. Rosa) - 92 pontos na Wine Enthusiast; com base nas castas Encruzado, Malvasia e Cercial, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; aroma mais exuberante que o anterior, bom equilibrio entre a acidez e a gordura, algum volume e final de boca (13,5 % vol.). Nota 17,5.
Estes 2 brancos acompanharam o couvert e uma bela cabeça de garoupa no forno.
.Qtª da Leda 2011 (levada pelo Juca) - ainda com muita fruta, alguma acidez, especiado, taninos firmes e civilizados, volume e final de boca assinaláveis (14,5 % vol.). A beber nos próximos 8 a 10 anos. Nota 18+.
.Vinha Pan 2011 (levada por mim) - Prémio Excelência 2015, atribuído pela antiga Revista de Vinhos; com base na casta Baga, foram produzidas 2426 garrafas; aromas e sabores terciários, algo evoluido, acidez no ponto, taninos de veludo, algum volume e final de boca muito longo. Fresco e elegante (13 % vol.). A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18,5.
.93 Anos de História 2011 (garrafa nº 216/1193, levada pelo João) - com base na casta Touriga Nacional (100 %), estagiou 12 meses em pipas de carvalho francês; ainda com fruta, notas florais, alguma acidez, taninos dóceis, algum volume e final de boca (14 % vol.). A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Estes tintos vieram para a mesa ainda com a garoupa presente, tendo a melhor harmonização sido com o Vinha Pan. Depois acompanharam bem um ensopado de cabrito.
.Blandy Terrantez 1975 (engarrafada em 2004, levada pelo Adelino) - notas de frutos secos, caril e iodo, vinagrinho bem presente, Algum volume e final de boca interminável. Complexo e sofisticado, a Madeira no seu melhor. Nota 19,5.
Este fortificado de eleição acompanhou sobremesas diversas.
Foi uma grande sessão de convívio, comeres e com os vinhos a portarem-se todos muito bem, nomeadamente o fortificado a merecer-me a nota mais alta da minha escala (19,5).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Mais espaços de restauração : Cacué e Rice Me

1.Cacué - 3 *
Inspirado na Time Out (4 estrelas, atribuídas pelo crítico Alfredo Lacerda) e no blogue Joli, que lhe teceram elogios, fui conhecer o Cacué (R. Tomás Ribeiro, 93 às Picoas). Mesas despojadas, guardanapos de papel e sala algo desconfortável nesta altura do ano.
Quanto à gastronomia estamos todos de acordo. A lista é alongada, com uma série de entradas, pratos e petiscos, embora uns tantos não estivessem disponíveis no dia da minha visita. Fui literalmente empurrado para umas deliciosas lulinhas à Algarvia e não tive oportunidade para provar outras coisas, que ficarão para uma próxima visita.
Quanto à componente vínica, a oferta é razoável e os anos de colheita constam na carta, uma mais valia deste espaço se comparado com a maioria dos restaurantes que conheço.
Optei por um copo do branco Castelo d' Alba Bio 2017 - fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, volume e final médios. Muito elegante. Nota 16,5.
Só que o vinho já veio servido (!?) num copo e quantidade aceitáveis, mas para ver a garrafa tive que pedir que ma mostrassem. E, com isto, borraram a pintura!

2.Rice Me - 3,5 *
O Rice Me (R. Carlos Testa, ao Corte Inglês), depois do encerramento do Bagos Chiado, onde pontificava o Henrique Mouro, é agora o único espaço de restauração que conheço centrado no arroz, oferecendo 13 alternativas, 9 de arroz arroz e 6 de massa de arroz.
Tem, diariamente, um menu executivo a 9,90 €, com direito a um prato (diferente ao longo da semana) e a uma bebida. No dia em que visitei este espaço, o prato do dia era  "arroz nero di sépia" com choco, saboroso mas em quantidade reduzida.
Quanto à componente vínica inventariei 5 brancos, 1 rosé, 4 tintos e 1 Porto, todos a copo. No entanto, a lista omite quase todas as datas de colheita, mas inclui a descrição de cada vinho e uma proposta de harmonização com a comida.
Optei por um branco alentejano, o Vale do Luar Chardonnay 2016 - alguma fruta de caroço, acidez discreta, notas amanteigadas, final de boca curto. Correcto, mas sem grandes rasgos. Nota 16.
A garrafa veio à mesa, mas não foi dado a provar. Servida uma quantidade normal num copo razoável.
Serviço atencioso e despachado.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Jantar Quinta Vale D. Maria

Com organização da Garrafeira Néctar das Avenidas decorreu na Casa da Dízima mais um jantar vínico. Desta vez foi a Qtª Vale D. Maria, representada pelo "boy" Cristiano van Zeller, um bom conversador e exímio contador de histórias.
Calhou ficar perto dele e podermos relembrar alguns acontecimentos do tempo das CAV, sendo o mais importante, a pedido do Cristiano, a apresentação do primeiro tinto CV num jantar com a linha dura dos clientes das CAV. Curiosamente este evento decorreu no restaurante Barriga d' Anjo (na altura propriedade do João Quintela) e foi um êxito.
Voltando ao jantar desta crónica, contou com 78 participantes, espalhados por 2 salas, o que veio perturbar um pouco o desenrolar do evento. A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos e o serviço de vinhos contou com o apoio do Pedro Batista e sua equipa.
Quanto aos vinhos, desfilaram:
.Rufo 2017 branco - com base nas castas tradicionais, estagiou apenas em inox; engarrafado em Fevereiro 2018; nariz intenso, citrinos, algum tropical, acidez no ponto, volume e final de boca médios. Bom para beber a solo ou com entradas leves. Nota 16,5.
Acompanhou uma série de canapés.
.Qtª Vale D. Maria VVV 2016 branco - com base em vinhas dos vales dos rios Pinhão, Torto e Douro ( e daí os VVV); engarrafado em Agosto 2017; narz contido, citrinos e fruta cozida, equilibrio entre a acidez e a gordura, madeira bem integrada, volume e final de boca consistentes. Bom para entradas mais elaboradas ou peixe no forno (11% vol.). Nota 17,5.
Maridou com um tentáculo de polvo com puré de batata.
.Qtª Vale D. Maria 2015 - 95 pontos no Parker; engarrafado em Dezembro 2017, estagiou em barricas novas e usadas; nariz afirmativo, muita fruta vermelha, algo especiado, acidez equilibrada, taninos de veludo, algum volume e final de boca persistente e adocicado (15 % vol.). Harmonioso, apesar do excesso de álcool. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
Casou bem com um medalhão de novilho e risotto de cogumelos.
.Qtª Vale D. Maria Vinha do Rio 2015 - 94 pontos no Parker; com base em vinha centenária, engarrafado em Julho 2018; nariz inicialmente fechado foi abrindo, presença de fruta preta, acidez no ponto, especiado e complexo, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca extenso (15,5 % vol.). Elegante, apesar do álcool excessivo. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
.Qtª Vale D. Maria 2001 (garrafa de 3 litros) - produzido na altura por JMF & van Zeller; ainda cheio de saúde e fruta, acidez equilibrada, fresco e especiado, algum volume e final de boca persistente. Ainda longe da reforma, uma referência desde sempre! Nota 18,5.
Com a sobremesa (souflé de chocolate negro) foi ainda servido o Porto Vintage 2016.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Um filme sobre o vinho : "Setembro a vida inteira" (2ª parte)

continuando:

27.Novo salto ao Douro (Qtª de Nápoles?) com o Dirk dentro de uma banheira ao ar livre (!?)
28.Vindimas e pisa a pé na Qtª de Nápoles (?), intercaladas com imagens de arquivo, a preto e branco
29.Uma cena idêntica na actualidade, agora a cores
30.O Dirk a mostrar a sua garrafeira enterrada
31.O Dirk na cozinha com o chefe Ljubomir e um grupo de visitantes
32.Um salto ao Estabelecimento Prisional Pinheiro da Cruz, com uma cena caricata de alguém a levantar-se da cama (guarda ou recluso?)
33.Saída de uma brigada (guardas e reclusos) para trabalhar na vinha
34.Regresso a Vale Meão, com o Vito e a mulher num jipe, a caminho das vinhas
35.Imagens a preto e branco de um filme antigo sobre o casamento do Vito e da Maria Luisa
36.Regresso a Palmela, às Festas das Vindimas, com a presença da Leonor Freitas e das vencedoras do concurso das misses (!)
37 a 39.Ainda em Palmela, com danças folclóricas, benção do mosto pelo padre de serviço e largada de pombos (!)
40.Regresso à Malhadinha, com os adultos da família Soares a vestirem-se à anos 30
41.Jantar de gala, com as senhoras de vestido comprido e os cavalheiros de smoking
42.Bailação (!)
43 e último plano.Regresso ao prédio do JPM, com a porteira em conversa com a empregada (?) ou vizinha (?) do mesmo.
Resumindo e concluindo, este filme tem algumas (poucas) cenas à volta das vindimas, mas muitas outras metidas a martelo, algumas das quais ridículas e não abona o curriculo da autora. A intenção seria boa, mas a Ana Sofia Fonseca deu um tiro no pé!

sábado, 26 de janeiro de 2019

Um filme sobre o vinho : "Setembro a vida inteira" (1ª parte)

Este filme da jornalista Ana Sofia Fonseca passou esporadicamente por algumas (poucas) salas (em Lisboa apenas na sessão das 19 h no City Alvalade), depois de uma ante-estreia na Cinemateca, em 14/3 de 2018. A autora do filme publicou já 2 oportunos e interessantes livros sobre a temática vínica:
.Barca Velha - Histórias de um Vinho (Dom Quixote, 2004)
.Cada Garrafa conta uma História (A Esfera dos Livros, 2014)
Quanto ao filme, que passou há pouco tempo na RTP2, é algo controverso, pois tem umas tantas cenas interessantes para o público em geral e os enófilos em particular, mas outras francamente ridículas (o filme a abrir e a fechar com a porteira do prédio onde mora o João Paulo Martins não lembra ao timpanas!).
Como o tinha gravado, tive a pachorra de o ver de papel e caneta na mão e tomar nota de todos os planos filmados. Aqui vão:
1.A porteira a lavar as escadas do prédio e a voz off do JPM (!?)
2.A família Soares (Malhadinha) nas vindimas  e à mesa
3.A família Guedes (Sogrape) à mesa comemorando o aniversário do patriarca (aparece o Salvador na cadeira de rodas, o que é penoso de ver)
4.Convento da Cartuxa com os respactivos frades em escusadas rezas, metidas a martelo
5.Luis Pato na vinha e em casa à conversa com a mulher
6.Luis Pato com a provadora Julia Harding (do site da Jancis Robinson)
7.Um salto à Madeira com o Ricardo Freitas (vinhos Barbeito) na casa de banho (!?), na adega e na vinha e em casa a almoçar.
8.Na Sogrape em Gaia com o enólogo Sottomayor numa reunião com mais 2 pessoas sobre o lançamento do Barca Velha 2008
9.O enólogo Sottomayor com um antigo tanoeiro
10.O enólogo a almoçar num restaurante (ou na Sogrape?) com as 2 pessoas que estavam na reunião
11 a 15.Planos intercalados entre o tanoeiro e o restaurante do almoço
16.Salto a Palmela, com um belo plano das vindimas ao pôr do Sol (vinhas Ermelinda Freitas)
17.Festa em Palmela alusiva às vindimas, com danças e passagem de modelos (!?)
18.Regresso às vindimas, agora com a Leonor Freitas
19.Salto à Qtª Vale Meão com os Franciscos Olazabal, pai (Vito) e filho (Xito) a jogarem golfe (mais uma cena metida a martelo)
20 e 22.A mulher do Vito às compras e à conversa
21 e 23.O Vito no combóio e a chegar à Estação do Pinhão (seria ?)
24.Novo salto à Malhadinha com as crianças do clã Soares a desenharem futuros rótulos
25.Passeio a cavalo
26.Jogos em família

continua...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Gourmet Experience (IV) : a Barra Cascabel e o Imatol

Quando o Corte Inglês em 2018 abriu no 7º piso o seu Gourmet Experience, uma série de espaços de restauração a cargo de uns tantos chefes portugueses e espanhóis, quase todos estrelados, frequentei-o algumas vezes e daí nasceram as crónicas
."Gourmet Experience (I) : A Tasca Chic do José Avillez", em 20/2
."Gourmet Experience (II) : o Balcão do Henrique Sá Pessoa", em 22/3
."Gourmet Experience (III) : o Atlântico de Pepe Solla e o Poke do Kiko", em 10/4.
Recentemente fui conhecer mais 2 espaços:

1.Barra Cascabel - 3*
Cozinha mexicana à base de tacos, sem deslumbrar, tendo provado
."Taco de camarão enchipotlado"
."Chapulin" (crumble de amêndoa, compota de frutos vermelhos e gelado de natas)
Quanto à componente vínica, a lista é demasiado curta, tendo inventariado 1 champanhe, 2 brancos (2 a copo), 1 rosé (1) e 3 tintos (2). Não vislumbrei nem fortificados, nem cerveja artesanal.
Optei por um copo de branco Qtª de Porrais 2017 - fresco e mineral, presença de citrinos, bela acidez, volume e final de boca médios. Harmonizou bem com o taco de camarão. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Serviço demasiado descontraído e pouco informado (nenhum dos empregados sabia que tinha saído na Time-Out uma crítica elogiosa).
Mas, por outro lado, foram super simpáticos ao irem buscar o café (que não tinham) a uma outra banca e não o cobrarem.

2.Imanol - 3,5 *
Cozinha basco-navarro, tendo comido uma saborosa tortilha de bacalhau sem batata, escolhida entre 10 tapas e 20 pratos, uma oferta muito razoável se comparada com a da Barra Cascabel.
Quanto à componente vínica, inventariei 2 brancos (1 a copo), 1 rosé(1) e 7 tintos (1), dos quais tintos os espanhóis estavam em maioria. Os anos de colheita estavam omissos, assim como os fortificados e a cerveja artesanal.
Optei por um copo de branco Conde Monsul 2017 - muito frutado, simples e correcto, alguma acidez, volume e final de boca médios. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo (gravado com a marca do vinho espanhol Izadi, que nem sequer tinham!?) e servida uma quantidade bem generosa.
Serviço eficiente, com muita simpatia por parte de uma das empregadas, mas pouca de outra.
A sobremesa e o café foram consumidos na banca Alcôa.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

2018 : na hora do balanço (VI) - TOP espaços de restauração

Esta é a última crónica do balanço de 2018 e só agora publicada por ter estado à espera dos resultados de "Os Prémios Mesa Marcada", difundidos há poucos minutos.
A referida crónica é dedicada à selecção dos espaços de restauração que frequentei no decorrer do ano passado, tendo em conta a gastronomia, o ambiente, o serviço em geral e, fundamentalmente, a componente vínica (carta de vinhos, preços, oferta a copo, temperaturas, qualidade dos copos e o serviço específico de vinhos).
Não incluí a Enoteca de Belém, totalista deste TOP até 2017, por ter encerrado em 2018, e, ainda, alguns restaurantes onde comi muito bem, mas cuja componente vínica não se mostrou à altura da gastronómica.
Não sendo fácil hierarquisar os restaurantes eleitos, optei pela ordem alfabética. E eles são:
.Casa da Dízima, em Paço d´Arcos
.Casa do Bacalhau/Via Graça, em Lisboa (**)
.Lugar Marcado em Lisboa (*)
.Manjar do Marquês, no Pombal
.Mesa de Lemos, em Silgueiros
.Nunes Real Marisqueira, em Lisboa (*)
.Prado, em Lisboa (*)
.Sabores d`Itália, nas Caldas da Rainha (**)
.SáLa, em Lisboa (*)
Os espaços de restauração assinalados com (*) entram neste TOP pela 1ª vez, enquanto que os assinalados com (**) foram seleccionados todos os anos, sem interrupção, desde 2010.

Aproveito para acrescentar a minha votação para "Os Prémios Mesa Marcada", iniciativa do blogue Mesa Marcada (Duarte Calvão e Miguel Pires), para o qual tenho um link, de cujo júri (agora com 208 votantes) faço parte desde 2011 (entre parêntesis coloco em que lugar ficaram na classificação do referido painel).
1.Prado (5)
2.Sabores d' Itália (123) *
3.Mesa de Lemos (20)
4.Casa da Dízima (137) *
5.SáLa (24)
6.Casa do Bacalhau (170) *
7.Magano (61)
8.Manjar do Marquês (203) *
9.Lugar Marcado (223) *
10.Nunes Real Marisqueira (248) *
Os restaurantes assinalados com * apenas tiveram o meu voto, uma gritante injustiça!
Parte considerável do júri concentrou a sua votação nos espaços de restauração mais óbvios (os estrelados e/ou badalados). Seria de inteira justiça haver uma outra categoria para os menos badalados e mais acessíveis (30 a 50 €), mas com componentes gastronómica e vínica de muita qualidade, possibilitando-lhes um merecido lugar ao sol.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Curtas (CVII) : Comemorar os 50 anos, Mesa Marcada e Tejo Gourmet

1.Comemorar os 50 Anos (versão 2018)
No início do ano procedi a um levantamento nas garrafeiras da Baixa de Lisboa, com vista a apurar a oferta de fortificados de 1969, para quem quiser comemorar o 50º aniversário de qualquer acontecimento, seja nascimento, casamento ou divórcio...
O ano 1969 não foi declarado Vintage, logo a oferta é reduzida, apenas 10 referências (de 1968 eram 19 e de 1967 chegou às 25):
.Garrafeira Nacional (2 Colheita e 2 Madeira)
Qtª do Castelinho Colheita 295 €
Vista Alegre Colheita 295 €
Blandy Bual 325 €
D' Oliveiras Sercial 165 €
.Napoleão (2 Colheita e 1 Madeira)
Dow's Colheita 356 €
Vista Alegre Colheita 350 €
D' Oliveiras Sercial 370 €
.Casa Macário (1 Colheita e 1 Madeira)
Vista Alegre Colheita 320 €
D' Oliveiras Sercial 195 €
.Manuel Tavares (1 Colheita)
Vista Alegre Colheita 285 €
O Solar do Vinho do Porto, onde vou todos os anos, estava encerrado (o prédio está em obras) e fiquei sem saber se têm alguma oferta de Porto 1969.
De pasmar algumas diferenças de preços de garrafeira para garrafeira!

2.Os Prémios Mesa Marcada
Em 21 de Janeiro, o blogue Mesa Marcada, para o qual tenho um link, vai anunciar em cerimónia privada os vencedores dos prémios "Mesa Marcada - os 10 Restaurantes e Chefes preferidos de 2018", na sequência da votação de um juri (este ano com 208 participantes), do qual faço parte desde 2011.

3.Tejo Gourmet (9ª Edição)
Vai decorrer em 58 restaurantes aderentes, ao longo de todo o mês de Fevereiro, a 9ª Edição de "Tejo Gourmet - Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo", com o patrocínio da CVR Tejo e da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo.
Em Lisboa, são 7 os espaços de restauração com ementas e vinhos ribatejanos:
.Clube Lisboeta (R. Escola Politécnica, 90)
.Mãe - Cozinha com Amor (R. D. Estefânia, 92B)
.Pão à Mesa (R. D. Pedro V, 44)
.Quorum (R. do Alecrim, 30B)
.Varanda de Lisboa (Hotel Mundial na Praça Martim Moniz, 2)
.The Vintage Lisbon (R. Rodrigo da Fonseca, 2)
.Viva Lisboa (Neya Hotel na R. D. Estefânia, 71)
Mais informações em www.confrariadotejo.pt.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Grupo dos 3 (64ª sessão) : um branco de Lisboa a impor-se

A última sessão deste núcleo duro de militantes decorreu no Magano, com vinhos do João Quintela.
Gastronomia e serviço de vinhos à altura dos acontecimentos, como era de esperar.
Desfilaram:
.Qtª da Boa Esperança 2016 (V. R. Lisboa) - com base na casta Arinto (100 %); nariz discreto, fresco e mineral, acidez fabulosa, volume e final de boca assinaláveis (13,5 % vol.). Fino e elegante, tem pernas para andar mais uns tantos anos. Uma agradável surpresa vinda da Zibreira (Carvoeira). Nota 17,5+.
Harmonizou com queijo fresco, saladas de bacalhau e de polvo, cogumelos recheados, peixinhos da horta e torresmos e, ainda, uma saborosa sopa de cação que fica a ganhar à da Casa do Alentejo.
.Qtª da Ponte Pedrinha Reserva 2005 (Dão) - com base na casta Touriga Nacional, estagiou em barrica; fresco e ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, taninos ainda presentes, algum volume e final de boca persistente. Grande relação preço/qualidade, mas a faltar-lhe a complexidade de um grande tinto do Dão (15 % vol.). Nota 17.
Casou com um arroz de pombo bravo.
.Borges Malvasia 15 Anos - nariz discreto, presença de frutos secos e iodo, alguma acidez mas a faltar-lhe o vinagrinho típico dos Madeiras, taninos vigorosos, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
Acompanhou alguma doçaria conventual.
Boa sessão gastronómica, com o vinho branco a impor-se ao tinto e ao fortificado. Obrigado João!

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

2018 : na hora do balanço (V) - os principais eventos (2ª parte)

continuando...

2.Os eventos vínicos da Garrafeira Néctar das Avenidas (as datas são da publicação das crónicas)
."Jantar Quinta Monte d' Oiro", com o Francisco Bento dos Santos (na Casa da Dízima), em 6/3

."Jantar Osvaldo Amado", com o Osvaldo Amado (no Refúgio), em 24/4

."Curtas (XCIX) : Bairradão, (...)", com cerca de 40 produtores (no Hotel Real Palácio), em 29/5

."Jantar Herdade do Esporão", com a enóloga Ana Alves (no Sem Dúvida), em 14/6

."Jantar Portal do Fidalgo", com o enólogo Abel Codesso (no Hotel Real Palácio), em 14/8

."Jantar Ermelinda Freitas", com a Leonor Freitas e o enólogo Jaime Quendera (na Garrafeira), em 23/10

."Jantar Dona Maria", com a enóloga Sandra Gonçalves (no Via Graça), em 27/11

."Jantar Jorge Moreira", com o Jorge Moreira (na Casa do Bacalhau), em 13/12

3.Enoturismo com a Tryvel e a Maria João Almeida
."Enoturismo na Bairrada (I) : Introdução", em 3/5

."Enoturismo na Bairrada (II) : o Rei dos Leitões e a Quinta do Encontro", em 3/5

."Enoturismo na Bairrada (III) : Museu do Vinho, Dóri e Curia Palace", em 10/5

."Enoturismo na Bairrada (IV) : Caves Aliança e Mugasa", em 15/5

."Enoturismo na Bairrada (V) : Caves São João", em 17/5

."Enoturismo na Bairrada (VI) : Restaurante Vidal", em 18/5

."Enoturismo na Bairrada (VII) : Quinta das Bageiras e Caves São Domingos", em 22/5

."Enoturismo na Bairrada (VIII) : Palace Hotel do Buçaco", em 24/5

A próxima e última crónica sobre este balanço de 2018 será dedicada ao Top dos espaços de restauração.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

2018 : na hora do balanço (III) - TOP Fortificados

A crónica de hoje é dedicada aos vinhos fortificados (Porto, Madeira e Moscatel, onde incluo a casta Bastardo), provados no decorrer de 2018, na sequência e com a mesma metodologia dos brancos e dos tintos.
E eles são:
.Artur Barros e Sousa Boal 1860, com 19,5
.Artur Barros e Sousa Malvasia da Fajã
.Artur Barros e Sousa Verdelho Velho 1965
.Borges Sercial 1979
.Cossart Gordon Bual 1969
.José Maria da Fonseca Bastardinho de Azeitão 20 Anos
.Justino's Terrantez Old Reserve
.Krohn Colheita 1966
.Niepoort Garrafeira 1938
.Taylor's 40 Anos, todos com 19
Não foram incluídos por já constarem em Top's anteriores:
.FEM Verdelho Muito Velho
.FMA Bual 1964, ambos com 19,5
.Blandy Bual 1977, com 19
É, ainda, de inteira justiça listar os fortificados pontuados com 18,5+ e 18,5:
.José Maria da Fonseca Bastardinho de Azeitão 1927
.Blandy Solera Verdelho
.Blandy Terrantez 1976
.Instituto Vinho Madeira Reserva Velha
.Krohn Vintage 1931, todos com 18,5+
.Artur Barros e Sousa Malvasia 1965
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1980
.Artur Barros e Sousa Terrantez 1981
.Barros Colheita 1963
.Blandy Sercial 1975
.José Maria da Fonseca Moscatel 1900
.Messias Colheita 1977
.Noval Vintage 1970
.PJL Bual 1880
.Sandeman 30 Anos, todos com 18,5
De salientar:
.dos 28 fortificados eleitos, 17 são Madeira (61 %), 8 são Porto (estando os tawnies em maioria) e 3 Moscatel
.dos 17 Madeira, 6 são Artur Barros e Sousa e 5 da Madeira Wine
.quanto às castas destes 17, a Bual (com 6) e a Terrantez (com 5) estão na frente, seguindo-se as restantes castas nobres (Sercial, Verdelho e Malvasia, com 2 cada), não havendo espaço para a Tinta Negra.